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Reprodução sexuada vs. reprodução assexuada, evolução

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Escola Secundária Augusto Gomes

Reprodução Sexuada VS Reprodução Assexuada Biologia

Trabalho Realizado por : Joana Silva 12ºB n.º11 Dirigido ao Professor: João Paulo Soares

Matosinhos, 28 de Setembro de 2009

Introdução
É importante começar por definir estes dois tipos de reprodução que podem ser adoptados pelos seres vivos, tanto os animais como as plantas. Assim, reprodução sexuada define-se pelo processo que os seres adoptam para produzir descendentes, partindo de dois progenitores e ocorrendo a fusão de dois gâmetas (um de cada progenitor). Por outro lado, por reprodução assexuada podem originar-se descendentes unicamente com a intervenção de um só progenitor, não ocorrendo, portanto, fecundação. Na reprodução sexuada, como ocorre a fusão de gâmetas, os indivíduos descendentes serão geneticamente diferentes dos progenitores, pois dá-se o cruzamento entre o genótipo do progenitor masculino e do genótipo do progenitor feminino. No caso da reprodução assexuada, como apenas intervém um progenitor e não ocorre fusão de gâmetas, os descendentes serão geneticamente iguais ao ser que lhe deu origem. Assim, importa também saber as vantagens e desvantagens que estes tipos de reprodução oferecem aos seres vivos. A reprodução sexuada proporciona variabilidade genética, o que permite a evolução das espécies, assim como uma melhor sobrevivência em caso de alterações ambientais. No entanto, é um processo lento e com um elevado dispêndio de energia (formação de gâmetas e fecundação). Por outro lado, a reprodução assexuada é um processo rápido, com baixo dispêndio de energia, podendo originar-se uma grande quantidade de indivíduos num curto espaço de tempo. Contudo, como os indivíduos formados são geneticamente iguais uns aos outros, quando ocorrem mudanças ambientais, a probabilidade da espécie prevalecer é baixa. Além disso, não favorece a evolução da mesma.

1. Teorias e opiniões
Uma das questões que são postas sobre este assunto é: por que razão grande parte dos seres vivos se reproduz unicamente por reprodução sexuada, tendo este processo desvantagens importantes? Existem muitas teorias como proposta de resposta a esta pergunta, mas a maioria tem muitos pontos que as contrariam. A mais forte das teorias é a Teoria “Red Queen”, proposta por Van Valen, da Universidade de Chicago. Outros como Hamilton, afirmaram poder explicar esta questão dizendo que, a quantidade de parasitas e hospedeiros determinam a capacidade dos últimos se adaptarem aos primeiros (através de mutações ou outras variações genéticas), permitindo-lhes sobreviver. Assim, seres geneticamente iguais terão menos capacidade de defesa contra os parasitas, já que estes, através de mutações, vão ultrapassando as barreiras impostas por esse genótipo (como o património genético é o mesmo, então os parasitas apenas evoluem no sentido de combater aquele genótipo). No caso dos seres que se reproduzem por reprodução sexuada, a luta destes contra os parasitas é muito mais facilitada, já que existe variabilidade genética intra-específica. O que acontece é que, como através da reprodução assexuada, se produzem, em todas as gerações, indivíduos com a mesma informação

genética, estes acabam por não conseguir escapar ao parasitismo, acabando por se extinguir; por outro lado, os seres geneticamente diferentes vão evoluindo, tornando-se imunes aos parasitas ao fim de algumas gerações. Portanto, a variabilidade genética trata-se de uma defesa involuntária contra a intromissão de microrganismos. No entanto, não se pode pensar que os seres assexuados não superam em nada os sexuados. Assim sendo, a forma dos primeiros escaparem ao parasitismo é habitarem locais não saturados, com pouca competição intra e inter-especifica, ao passo que em habitats onde habitam muitos seres e com grandes taxas de parasitismo, predominam os seres sexuados Outra teoria chamada “Tangled Bank”, baseada num parágrafo do livro “The Origin of Species”, apoia a vantagem do sexo por outra perspectiva. Esta teoria afirma então que, devido à variabilidade do espaço, meio ambiente, que nos rodeia, a diversidade genotípica permite a sobrevivência de, pelo menos, alguns dos descendentes, ao contrário da dos descendentes produzidos através de reprodução assexuada. Esta teoria afirma que, havendo variabilidade genética entre os descendentes, a competição entre os mesmos não será tão acentuada como seria se possuíssem a mesma informação genética, havendo portanto interacção entre genótipos e entre estes e o ambiente, sendo os primeiros influenciados pelo tempo, pelo meio, ou por ambos. “Muller’s Ratchet”, teoria proposta por Hermann Muller, defende a vantagem da reprodução sexuada sobre a reprodução assexuada, unicamente porque os seres que utilizam a reprodução sexuada como processo reprodutivo têm uma maior facilidade excluírem mutações indesejadas. Se numa população pequena, assexuada, ocorrer uma mutação desvantajosa para esta, a consequência pode ser o seu desaparecimento. Assim, só havendo uma mutação que permita a reversão do processo é que essa população pode prevalecer. Uma crítica a esta teoria é que as mutações que permitem a reversão do processo e consequente prevalência da população podem ser raras e o provável é que a população acabe mesmo por desaparecer. Outra crítica que esta teoria enfrenta é que não pode ser aplicada a grandes populações, pois o acumular de mutações dentro desta seria muito lento. E, por fim, existe a “Teoria da Redução das Mutações”, proposta por Crow. Esta teoria tem algumas semelhanças com a teoria “Muller’s Ratchet”, na medida em que também apoia que os seres sexuados conseguem eliminar um grande número de mutações ao longo tempo e, deste modo, não permitir a proliferação de mutações indesejadas dentro da população. Esta é a justificação desta teoria para a prevalência da reprodução sexuada sobre

a assexuada. No entanto, esta teoria sofre uma crítica provada pela experiência empírica, visto que em muitos ambientes propícios a mutações, predomina a reprodução assexuada. Opinião: Na minha opinião, a teoria que apresenta um grau de lógica mais elevado é a teoria “Red Queen”, já que justifica o facto de existirem tanto seres sexuados como assexuados e não se concentra só em explicar a importância da reprodução sexuada em detrimento da reprodução assexuada. As outras teorias existentes, como é a “Muller’s Ratchet” e a “Teoria da Redução das Mutações”, apresentam muitas objecções e poucos apoios empíricos e/ou práticos. Penso que a teoria “Tengled Bank” é uma teoria bastante apoiável, no entanto deveria ir um pouco além do que já é sabido e apoiado.

2. Os seres vivos e a reprodução
Que seres vivos têm ambos tipos de reprodução? Em que situações os seres vivos utilizam cada uma delas? 2.1. O primeiro exemplo de que vou falar é a Chlamydomona. As Chlamydomonas são algas verdes, pertencentes à Classe Chlorophyceae, que usualmente habitam charcos temporários de água doce. Este ser tem reprodução assexuada e sexuada. Os organismos de água doce, submetidos a grandes variações de temperatura e concentrações de nutrientes, reproduzem-se mais assexuadamente do que organismos marinhos em ambiente constante. Assim, em condições favoráveis, a Chlamydomona reproduz-se assexuadamente por mitoses (esporulação). Quando as condições são desfavoráveis (no Verão, quando os charcos secam), a alga reproduz-se sexuadamente. A existência de populações de células de sexo oposto assegura a maior variabilidade da espécie por recombinação genética. 2.2 O rotífero é outra espécie em que se podem observar os dois tipos de reprodução, dependendo das condições que os rodeiam. Quando o alimento é abundante e a temperatura da água adequada, os rotíferos

reproduzem-se assexuadamente, produzindo óvulos não fertilizados, por um processo chamado partenogénese. Algumas espécies de rotíferos produzem dois tipos de “ovos” que também se desenvolvem por partenogénese. Os diferentes ovos dão origem a fêmeas e a machos degenerados, que não têm a capacidade de se alimentar. No entanto, se atingirem a maturidade sexual, podem fertilizar ovos. Estes podem desenvolver-se no interior da fêmea, agarrados ao seu pé ou serem libertados para eclodirem na água.

2.3. O tomate é um fruto que se pode reproduzir de forma assexuada ou sexuada. A flor do tomateiro é hermafrodita, tendo portanto órgãos masculinos e femininos, o que permite a auto-fecundação. Os movimentos do vento junto da flor intensificam um maior nível de auto-fecundação. Contudo a polinização cruzada pode co-existir com a acção de insectos polinizadores, o vento e a água. No entanto, também se podem obter tomates por reprodução assexuada, por multiplicação vegetativa, quando os factores do ambiente são desfavoráveis ao movimento dos grãos de pólen de umas flores para outras. Para o sucesso da reprodução sexuada, os embriões das plantas podem ficar algum tempo sem se desenvolverem até que as condições de temperatura e humidade sejam favoráveis ao seu desenvolvimento.

Opinião e estudo de outras hipóteses: Embora estudo dos factores ambientais possa ser muito importante para a compreensão da adopção de determinado processo reprodutivo, trata-se apenas da hipótese natural/ambiental, existindo outras de extrema importância. A hipótese genética apoia que alterações a nível do DNA podem levar a evolução de uma espécie. Em consonância com a selecção natural, todas as alterações na

molécula de DNA do progenitor serão transmitida ao descendente, podendo ou não ser vantajosa para o mesmo. Sabe-se que os seres vivos não surgem de um organismo pré-formado, o “homúnculo”, como apoiava o Preformismo, uma teoria determinista. Os seres formam-se através de um conjunto de interacções genótipo-meio. Após o estudo da genética ter sido desenvolvido e a lacuna de Darwin preenchida conclui-se que, em muitas das populações – as sexuadas -, a variabilidade genética surge da recombinação genética e de mutações, que são transmitidas a descendência e favorecendo a evolução da espécie e alterações no fundo genético de uma população. Em relação ao Homem, eventos demográficos passados, como a migração de uma população para um ambiente onde imperam pressões selectivas diferentes, moldaram a variação do genoma humano. Este facto permite-nos explicar a diferenciação genética e a sua funcionalidade como recortes analíticos para a compreensão das dinâmicas populacionais, entres as quais o modo reprodutivo.

Em conclusão:
Diferentes seres têm diferentes maneiras de se reproduzir e estas dependem em muito de factores exteriores (como teor de humidade, nutrientes, da temperatura, quantidade de água, …)), e de factores genéticos, que lhes foram transmitidos pelas gerações antecedentes. No entanto, há quem pergunte o porquê de certos seres se reproduzirem só de uma forma ou de outra, o porquê de seres se reproduzirem assexuadamente (combinando, por vezes, com ciclos de reprodução sexuada), se este processo não proporciona variabilidade genética à espécie e consequentemente não proporciona evolução da mesma, ou que estratégias os seres vivos utilizam para que a reprodução sexuada seja bem sucedida, já que se trata de um processo de muito investimento por parte do progenitor. As dinâmicas de reprodução incluem estratégias morfológicas e comportamentais, que permitem a cada espécie garantir a sua sobrevivência e a perpetuação dos genes no fundo genético da população . Entre os comportamentos, podemos referir a boa escolha pela fêmea do parceiro, através das competições entre machos ou através de métodos que os últimos utilizam durante a parada nupcial (selecção sexual); o uso da fecundação interna, se possível, para evitar a necessidade de produção de muitos gâmetas, por ambos os progenitores; reproduzir-se sempre com o mesmo indivíduo (em algumas espécies). Cada espécie opta pelo processo de reprodução que lhe é mais favorável, usando as técnicas mais adequadas, de modo a fazer a sua espécie sobreviver e perpetuar ao longo dos tempos.

Bibliografia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rotifera#Biologia_dos_rot.C3.ADferos http://www.notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/biologia/sexuadovsassexuado.htm http://www.fortium.com.br/faculdadefortium.com.br/jose_paulo/material/7585.pdf http://www.kokopelli-seed-foundation.com/actu/new_news.cgi?id_news=117 http://www.fortium.com.br/faculdadefortium.com.br/jose_paulo/material/7585.pdf http://www.furb.br:8080/botanica/apostilas_1/Ecologia/Ecologia%20de%20comunidades/SEXO %20E%20EVOLUCAO.pdf http://eduquenet.net/reproducao.htm http://www.molwick.com/pt/evolucao/540-genetica-evolucao.html#texto

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