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AVALIAÇÃO EXTERNA

DO
PLANO NACIONAL DE
LEITURA

Equipa coordenada por


António Firmino da Costa

CIES-ISCTE
Edifício ISCTE, Av. das Forças Armadas
1649-026 Lisboa
e-mail: cies@iscte.pt / ana.coelho@iscte.pt
http://cies.iscte.pt
Sumário
1. O Plano Nacional de Leitura: contexto, concepções e realizações
1.1. Leitura e literacia na sociedade contemporânea
1.2. Concepção do PNL e avaliação externa
1.3. Programas, produtos, parcerias e divulgação do PNL

2. O Plano Nacional de Leitura: resultados e impactos no terreno


2.1. Entrevistas: como se posicionam os actores sociais de
referência
2.2. Barómetro de opinião pública: as atitudes dos portugueses
2.3. Inquérito às escolas: o que dizem os professores
2.4. Estudos de caso: o que mostram as visitas aos locais

3. Balanço e futuro: o papel do PNL no desenvolvimento da leitura e


da literacia
1. O PLANO NACIONAL DE LEITURA:
CONTEXTO, CONCEPÇÕES E REALIZAÇÕES

1.1. Leitura e literacia na sociedade


contemporânea
Sociedade da informação e do conhecimento

Lançamento do Plano Nacional de Leitura


Necessidade de desenvolver as competências de literacia e os hábitos de leitura da
população portuguesa, em particular dos mais jovens

Por um lado:
 A população alfabetizada e escolarizada tem vindo a aumentar progressivamente
 A leitura constitui hoje uma competência e uma prática mais generalizada do que
no passado

Porém, por outro lado:


 Nas sociedades contemporâneas, profundamente marcadas pela leitura e pela
escrita, as exigências a este respeito continuam a aumentar
 As competências de literacia ocupam um lugar de destaque no conjunto das
competências-chave requeridas na sociedade da informação e do conhecimento
 Fundamentais na vida profissional e na vida social e pessoal

 A centralidade da leitura nas sociedades contemporâneas


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Escolaridade

7
8
9
Literacia – adultos

Literacia
As capacidades de processamento de informação escrita na vida
quotidiana. Trata-se das capacidades de leitura, escrita e cálculo, com
base em diversos materiais escritos, de uso corrente na vida
quotidiana.

IALS - International Adult Literacy Survey


OCDE e Statistics Canada (2000)
Ávila (2008)

O primeiro estudo internacional de literacia


22 países
Avaliar, através de uma prova, as competências de
literacia da população adulta 10
Competências de literacia

3 tipos
Literacia em prosa
reporta-se ao processamento de texto corrido em livros, jornais, informações
comerciais ou institucionais, enunciados, notas e outras mensagens
Literacia documental
incide sobre o relacionamento com formulários, impressos, tabelas e outros
materiais semelhantes
Literacia quantitativa
traduz a utilização de valores numéricos e a realização de operações
aritméticas com base em materiais escritos

5 níveis
Do nível 1 – competências muito escassas
Ao nível 5 – competências de grau mais elevado
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Perfis de literacia dos portugueses (16-65 anos)

12
Distribuição da literacia documental na Suécia e em Portugal

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Perfis de escolaridade por níveis de literacia (%)

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Principais conclusões do IALS:

 os défices de competências de literacia não afectam apenas grupos


marginais, mas sim largas proporções da população adulta;

 existem importantes diferenças entre e dentro dos países relativamente às


competências de literacia, as quais são bastante mais expressivas do que as
que são sugeridas nas comparações com base nos níveis de instrução;

 as competências de literacia têm de ser exercitadas através do uso regular -


só a existência de hábitos e rotinas quotidianas de leitura pode assegurar a
manutenção ou o desenvolvimento das competências de literacia;

 a literacia está fortemente correlacionada com as oportunidades de vida, em


termos sociais e económicos;

 os adultos com baixas competências de literacia normalmente não têm disso


consciência nem reconhecem que tal possa constituir um problema.
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Literacia – jovens

PISA (Programme for International Student Assessment)


Pinto-Ferreira, Serrão e Padinha (2007)

Estudos PISA
Promovidos pela OCDE
O PISA procura medir a capacidade dos jovens de 15
anos para usarem os conhecimentos que têm de forma a
enfrentarem os desafios da vida real
Avaliação das competências dos alunos em leitura,
matemática e ciências

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Desempenho médio global a literacia de leitura- evolução
temporal 2000-2006

Fonte: Bases de Dados do PISA 2000, 2003 e 2006


17
Desempenho a literacia de leitura, por ano de escolaridade-
evolução temporal 2000-2006

Fonte: Bases de Dados do PISA 2000, 2003 e 2006


18
Desempenho a literacia de leitura, por sexo- evolução temporal
2000-2006

Fonte: Bases de Dados do PISA 2000, 2003 e 2006


19
Percentagem de alunos segundo o nível de desempenho a
literacia da leitura - OCDE (2006)

Fonte: OCDE (2007), PISA 2006 - Science competencies for tomorrow's world, Paris: OCDE
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Leitura – adultos

Hábitos de Leitura: Um Inquérito à População


Portuguesa
Freitas, Casanova e Alves (1997)

A Leitura em Portugal
Santos, Neves, Lima e Carvalho (2007)

Inquéritos a cerca de 2.500 indivíduos


Amostra representativa da pop. residente no Continente
com 15 e mais anos que declara saber ler e escrever
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Leitores por suporte - 1997 e 2007 (%)

* Freitas, Casanova e Alves (1997)


** Santos, Neves, Lima e Carvalho (2007)

22
Tipos de leitores de livros - 1997 e 2007 (% col.)

* A soma das parcelas (na fonte) é 99,5%.


** Excluindo não-respostas.
Notas: i) Pequenos=1-5 livros; Médios=6-20 livros; Grandes=+ de 20 livros.
O período de referência é 1 ano.

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Leitores de livros, jornais e revistas por sexo, idade e grau de
escolaridade - 2007 (%)

89% dos que têm e.superior lêem livros… 24


Tipos de leitores de livros por grau de escolaridade e idade - 2007
(% col.)

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Não-leitores: 88% têm até ao 2º ciclo do EB; 59% têm mais de 55 anos.
Gosto pela leitura na infância

Persistentes: gostavam de ler na infância e continuam a gostar na actualidade


Por recuperar: não gostavam de ler na infância e continuam a não gostar
Resgatados: em criança não gostavam de ler, mas na actualidade passaram a gostar
Desistentes: gostavam de ler mas deixaram de gostar
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Leitura – jovens

Os Estudantes e a Leitura
Lages, Liz, António e Correia (2007)

Inquérito a 23.844 alunos dos ensinos básico e


secundário

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Evolução do gosto de ler, por nível de ensino (%)

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Razões para gostar de ler livros:

Desejo de conhecer coisas novas


Diversão
Desejo de se exprimir bem

Razões para não gostar de ler livros:

Leva muito tempo


É aborrecido
Cansa a vista

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Preferências por tipos de leitura
(os cinco tipos de leitura mais apreciados por nível de ensino)

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Idas à biblioteca da escola (no último mês), por nível de
ensino (%)

31
Ver/ler blogues na internet, por nível de ensino (%)

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1. O PLANO NACIONAL DE LEITURA:
CONTEXTO, CONCEPÇÕES E REALIZAÇÕES

1.2. Concepção do PNL e


avaliação externa
O Plano Nacional de Leitura

Decisão governamental de lançamento do PNL:


Resolução do Conselho de Ministros n.º 86/2006

“O Plano Nacional de Leitura é uma iniciativa do XVII Governo


Constitucional que pretende constituir uma resposta institucional à
preocupação pelos níveis de literacia da população em geral e em
particular dos jovens, significativamente inferiores à média
europeia.
Concretiza-se num conjunto de estratégias destinadas a
promover o desenvolvimento de competências nos domínios da
leitura e da escrita, bem como o alargamento e aprofundamento
dos hábitos de leitura, designadamente entre a população
escolar. (…)” 35
A execução do PNL é da responsabilidade de uma comissão
interministerial, composta por:

Isabel Alçada (Comissária);


Teresa Calçada (Comissária-Adjunta, RBE, Ministério da
Educação);
Paula Morão e Maria Carlos Loureiro (DGLB, Ministério da
Cultura);
Alexandra Lorena (Gabinete para os Meios de Comunicação
Social, Ministério dos Assuntos Parlamentares).

Duração de 10 anos, divididos em duas fases de 5 anos cada

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Objectivos do Plano Nacional de Leitura
• Promover a leitura, assumindo-a como factor de desenvolvimento individual
e de progresso nacional

• Criar um ambiente social favorável à leitura

• Inventariar e valorizar práticas pedagógicas e outras actividades que


estimulem o prazer de ler entre crianças, jovens e adultos

• Criar instrumentos que permitam definir metas cada vez mais precisas para
o desenvolvimento da leitura

• Enriquecer as competências dos actores sociais, desenvolvendo a acção


de professores e de mediadores de leitura, formais e informais

• Consolidar e ampliar o papel da Rede de Bibliotecas Públicas e da Rede de


Bibliotecas Escolares no desenvolvimento de hábitos de leitura

• Atingir resultados gradualmente mais favoráveis em estudos nacionais e


internacionais de avaliação de literacia.
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Orientações para o desenho do PNL

As orientações para o desenho do PNL privilegiaram o


cruzamento de dois aspectos fundamentais:

• Continuidade
assentar em estruturas já existentes
partir das práticas de promoção da leitura já em curso no
terreno

• Inovação
introduzindo metodologias mais sistemáticas de promoção
da leitura, de que a leitura orientada na sala de aula
constitui a actividade mais emblemática
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Públicos-alvo
• Os programas que integra dirigem-se quer à população em geral,
quer a grupos delimitados por idades, designadamente crianças e
jovens que frequentam os vários níveis de ensino

• As crianças até ao 2º ciclo como público prioritário, tendo sido


definidos vários programas a elas dirigidos, quer no espaço escolar,
quer no contexto familiar
• Progressivo alargamento a alunos do 3º ciclo e do ensino
secundário

• Também melhoria das competências dos vários agentes que


intervêm na promoção da leitura – educadores, professores,
bibliotecários, mediadores de leitura, pais

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A avaliação do Plano Nacional de Leitura constitui uma preocupação
inscrita na concepção do Plano desde o início

Estudos de avaliação:

•contribuir para a fundamentação dos planos e programas


•favorecer a prestação de contas na esfera pública
•a procura de eficiência na utilização de recursos,
o permanente aperfeiçoamento de processos no decurso das
acções
•a aferição da eficácia quanto ao cumprimento de objectivos,
o conhecimento dos impactos causados

o Independência
o Rigor
o Complementaridade
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o Cooperação
Objectivo
acompanhar o PNL por
ESTUDOS DE AVALIAÇÃO
especialmente focados:

a) na EXECUÇÃO dos Programas


b) nas ATITUDES dos Públicos Abrangidos
c) nos IMPACTOS do PNL

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Principais operações de avaliação:

1. Execução do PNL (análise documental e entrevistas a


responsáveis) ANÁLISE QUALITATIVA
2. Inquérito às Escolas (inquérito on-line)
ANÁLISE QUANTITATIVA
3. Estudos de Caso, em Escolas, BE, BP, CM, Unidades
de Saúde, ... (visitas, observação local, entrevistas)
ANÁLISE QUALITATIVA
4. Barómetro de Opinião Pública (inquérito nacional
a amostra representativa da população)
ANÁLISE QUANTITATIVA
5. Entrevistas a Dirigentes de Associações,
ligadas à leitura (entrevistas focadas)
ANÁLISE QUALITATIVA

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Sistema de Avaliação do Plano Nacional de Leitura
Execução dos Atitudes dos diferentes Impactes no desenvolvimento
OBJECTIVOS DA AVALIAÇÃO programas actores sociais da leitura

DOMÍNIOS DE AVALIAÇÃO Concepção Operacionalização Execução Resultados e Impactes

Análise do sistema de informação do PNL; Entrevistas à coordenação do PNL


Comissão PNL
Entrevistas a actores de referência
O
P
Actores de referência Estudos de caso (Escolas, Bibliotecas Escolares, Bibliotecas Públicas, Autarquias, outros…) E
R
A
Inquérito às escolas
Professores Ç
A Õ
C Barómetro de opinião pública E
T S
O Alunos
R Inquéritos aos hábitos de leitura (da população portuguesa, da população escolar e outros) M
E E
S T
Responsáveis BE Estudo do impacte económico da leitura e da literacia
O
D
DIRECTAS O
L
Responsáveis BP Exames e provas de aferição nacionais Ó
G
I
Inquéritos internacionais de avaliação de competências (PISA e outros) C
Responsáveis Autarquias A
INDIRECTAS S

Instrumentos de avaliação da progressão da leitura nas escolas


Outros actores (famílias,
médicos, etc.)
Instrumentos de auto-avaliação bibliotecas escolares

População em geral Instrumentos de auto-avaliação bibliotecas públicas

AUTO-AVALIAÇÃO

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PUBLICAÇÃO E RELATÓRIOS: 1º ano:
Costa, António Firmino, Elsa Pegado, Patrícia Ávila,
com a colaboração de Ana Caetano, Ana Rita
Coelho, Eduardo A. Rodrigues e João Melo (2008),
Avaliação do Plano Nacional de Leitura, Lisboa,
GEPE/ME.

2º ano:
Costa, António Firmino da, Patrícia Ávila, Elsa Pegado
e Ana Rita Coelho (2008), Elementos de Avaliação do

ano do PNL, Lisboa, CIES-ISCTE.

3º ano:
Costa, António Firmino da, Elsa Pegado, Patrícia Ávila,
Ana Rita Coelho e Tatiana Alves (2009), Relatório de
Avaliação do 3º ano do PNL, Lisboa, CIES-ISCTE.
Costa, António Firmino da, Elsa Pegado, Patrícia Ávila e Ana Rita
Coelho (2009), Estudo de Avaliação do Programa Rede de Bibliotecas
Escolares, Lisboa, CIES-ISCTE.

Conclusões:
<http://www.rbe.min-edu.pt/np4/551.html>

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Em preparação

• Um inquérito às unidades de saúde aderentes ao projecto Ler+ dá


Saúde

• Estudos de avaliação centrados nas famílias

• Novo inquérito de avaliação às escolas

• Estudos de caso em novos contextos (Centros de Novas


Oportunidades, …)

• Estudo das possibilidades de utilização, na avaliação de impactos,


de resultados de:
exames, provas de aferição, testes PISA, outros estudos e instrumentos
de monitorização das aprendizagens dos alunos, estudos de práticas de
leitura…
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