Você está na página 1de 5

UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS


DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA

DANIELA COTTA BICALHO – 59654


GILBERTO ...

Números Perfeitos
e
Poliedros de Platão

VIÇOSA/MG
AGOSTO/2009
Nome da Disciplina: História da Matemática
Tema da aula: Números Perfeitos e Poliedros de Platão
Número de Alunos: 11
Carga Horária: 100 min
Professora coordenadora: Bulmer Mejia García

Objetivos:

Conteúdo:

Capítulo 5 – Os Pitagóricos e a Perfeição

Pitágoras nasceu por volta de 572 a.C na ilha egéia de Samos. É possível que Pitágoras tenha sido
discípulo de Tales, devido à sua idade, e à região onde habitava, próximo a Mileto. Pitágoras se mudou
para o porto marítimo de Crotona, uma colonia grega no sul da Itália. Lá ele fundou a escola pitagórica,
que, além de um centro de estudo de filosofia, matemática e ciências naturais, era também uma irmandade
estreitamente unida poe ritos secretos e cerimonias.
A filosofia Pitagórica baseava-se na suposição de que a causa última das várias características do
homem e da matéria são os números inteiros. Isso levava a uma exaltação e ao estudo das propriedades
dos números e da aritmética (no sentido da teoria dos números), junto com a geometria, a música e a
astronomia, que constituíam as artes liberais básicas de estudos pitagórico.

A prova de Euclides
Os pitagóricos tinham interesse nos números perfeitos, isto é, números, como o 6 e o 28, que são
iguais a soma dos seus divisores próprios. Denotamos s(n) como a soma de todos os divisores de n,
inclusive o ele mesmo, e daí, n será perfeito se s(n) = 2n.
O ponto culminante do livro IX dos “Elementos” de Euclides (300 a.C), é uma prova de que todo
número inteiro positivo da forma
n= 2 m−1   2 m−1 
é um número perfeito, sendo que 2 m−1 é um número primo. A prova se deve ao pitagórico Arquita (428
- 347 a.C), que é a seguinte:
Se p= 2 m – 1 é primo, e os divisores de n= 2 m−1  p são 1, 2, 2 2 , ..., 2  m−1  , p, 2p, ..., 2  m−1  p .
Graças a fatoração única, nós podemos afirmar que esta é a lista completa. A soma desses divisores é: 1 +
2 + 2 2 + ... + 2  m−1  + p + 2p + ... + 2  m−1  p = (1 + 2 + ... + 2  m−1  )(1+p) =  2m−1   1+p  = p2 m
= 2n
Contudo, devemos observar que, embora Arquitas tenha tentado dar uma prova rigorosa de uma
fatoração única para os números da forma n= 2 m−1   2 m−1  , ele não conseguiu fazê-lo. A primeira
rigorosa demonstração de fatoração única foi feita apenas em 1801, por Carl Friedrich Gauss (1777-
1855).

Primos de Mersenne
Um inteiro da forma 2 m−1 é primo somente se m é primo, pois para m=ab, com a,b>1, nós

temos a seguinte fatoração: 2 ab – 1= 2a −1   2 a 
 b−1 
  2 a
 b−2 

.. .2a 1
Note que a recíproca não é verdadeira, afinal, 11 é primo, mas 2 11 – 1 é produto de 23 e 89.
Primos da forma 2 m−1 originam números perfeitos. Tais números são chamados números de
Mersenne, devido a Father Marin Mersenne (1588 – 1648). No prefácio de Cogitata Physico-Mathematica
(1644), Mersenne afirmou corretamente que os 8 primeiros números eram m = 2, 3, 5, 7, 13, 17, 19, 31.
Contudo, ele afirmou que 2 67 −1 é primo, e errou. Em 1903, Frank Nelson Cole mostrou que 2 67 −1
poderia ser escrito como 193.707.721x761.838.257.287. Ele fatorou 2 67 −1 , provando que Mersene
havia errado.
Teste de Lucas
PEGAR DO LIVRO QUE O GILBERTO INDICOU.

Prova de Euler
Todo número perfeito par tem a forma dada por Euclides. Isso foi provado por Leonhard Euler
(1707-1783), como segue.
Suponha que n é perfeito. Seja n= 2 m−1  q com q ímpar e m, q> 1. Cada divisor de n é da forma
r
2 d onde 0≤r ≤m−1 , e d é um divisor de q.
Deste modo; s  n  –  12. . .2  m−1  s  q  =  2 m−1  s  q  . Como n é perfeito,
2 m q=s  n = 2 m−1  s  q  e, portanto,  2 −1   s  q −q  =q .
m

Suponha s(q)-q>1. Então q possui fatores distintos: 1, s(q)-q e q.


(Se s  q  –q=q , então  2m−1  q=q , o que é impossível) Desse modo,
s  q  ≥1 +s  q −q+q=s  q  1 , o que é contradição. Logo s  q  –q= 1.
Daí s  q  =q+1 , de modo que q é primo. Além disso, o fato de que  2m−1   s  q  −q  =q implica
que 2 m – 1=q .

A fascinação por Números Perfeitos


Números perfeitos sempre apelou para os números místicos.(Melhorar essa frase). Em De
Intitutione Arithmetica, Boécio (475-524) define como um número um supérfluo aquele com s (n)> 2n, e
um número diminuto aquele com s(n) < n. Ele escreveu:
“Entre esses dois tipos de número, como se entre dois elementos desiguais e destemperados, é
colocado um número que ocupa o lugar médio entre os extremos, como quem procura abrigo.”
Em City of God, Santo Agostinho (354-430) escreveu:
“Seis é um número perfeito em si, e não porque Deus criou todas as coisas em seis dias, mas sim o
inverso é verdadeiro. Deus criou todas as coisas em seis dias porque este número é perfeito, e teria sido
perfeito mesmo se a obra dos seis dias não existisse”.

Capítulo 6 – Os Pitagóricos e os Poliedros

Poliedros regulares
Um poliedro se diz regular se suas faces são polígonos regulares congruentes e se seus ângulos
poliédricos são todos congruentes. Embora existam polígonos regulares de todas as ordens, sucede que só
há cinco poliedros regulares diferentes. Os poliedros regulares são designados de acordo com o número
de faces que possuem. Assim, há o tetraedro com quatro faces, o hexaedro, ou cubo, com seis faces
quadradas, o octaedro com oito faces triangulares, o dodecaedro com doze faces pentagonais e o
icosaedro com vinte faces triangulares.
Os primórdios da história dos poliedros regulares perdem-se no passado. Há um início de
tratamento matemático nesses sólidos no Livro XIII dos Elementos de Euclides. O primeiro escólio desse
livro observa que se “irá tratar dos sólidos Platão, assim chamamos erradamente, porque três deles, o
tetraedro, o cubo e o dodecaedro se devem aos pitagóricos, ao passo que o octaedro e o icosaedro se
devem a Teeteto.” É bem possível que isso corresponda aos fatos.
De qualquer maneira, Platão apresentou uma descrição dos poliedros regulares e mostrou como
construir modelos desses sólidos, juntando triângulos, quadrados e pentágonos para formar suas faces. No
trabalho de Platão, Timeu de Locri misticamente associa os quatro sólidos mais fáceis de construir – o
tetraedro, o octaedro, o icosaedro e o cubo – com os quatro “elementos” primordiais de todos os corpos
materiais – fogo, ar, água e terra. Contornava-se a dificuldade embaraçosa em explicar o quinto sólido, o
dodecaedro, associando-o ao universo que nos cerca.
Johann Kepler (1571-1630), mestre da astronomia, matemático e numerologista deu uma
explicação engenhosa para as associações de Timeu. Intuitivamente ele assumiu que, desses sólidos, o
tetraedro abarca o menor volume para a sua superfície, ao passo que o icosaedro, o maior. Agora, essas
relações volume-superfície são qualidades de secura e umidade, respectivamente, e como o fogo é o mais
seco dos quatro “elementos” e a água o mais úmido, o tetraedro deve representar o fogo, e o icosaedro a
água. Associa-se o cubo com a terra porque o cubo, assentado quadradamente sobre uma de suas faces,
tem a maior estabilidade. O octaedro, seguro frouxamente por dois de seus vértices opostos, entre o
indicador e o polegar (como se fosse um “pião”), facilmente rodopia, tendo a instabilidade do ar.
Finalmente, associa-se o dodecaedro com o Universo porque o dodecaedro tem doze faces, e o zodíaco,
doze seções.
A primeira prova de que existem apenas 5 tipos de poliedros de Platão está no livro IX dos
“Elementos” de Euclides. Um poliedro é chamado poliedro de Platão se, e somente se, satisfaz as três
seguintes condições: a) todas as faces tem o mesmo número (n) de arestas, b) todos os ângulos poliédricos
têm o mesmo número (m) de arestas, e c) vale a relação de Euler (V-A+F=2).
Usando as condições que devem ser verificadas por um poliedro de Platão, temos:
a) Cada uma das F faces tem n arestas n≥3 , e como cada aresta está em duas faces:
2A
n⋅F =2A ⇒ F= (1)
n
b) Cada um dos V ângulos poliédricos tem m arestas m≥3 , e como cada aresta contém dois
2A
vértices: m⋅V =2A ⇒ V = (2)
m
c) V – A + F = 2. (3)
Substituindo (1) e (2) em (3) e depois dividindo por 2A, obtemos:
2A 2A 1 1 1 1
– A =2 ⇒ –  = (4)
m n m 2 n A
Sabemos que n >= 3 e m >= 3. Notemos, porém, que se m e n fossem simultaneamente maiores
que 3 teríamos:
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
m3⇒ m≥ ⇒ ≤ e n3 ⇒ n≥4⇒ ≤ . Daí,  ≤ ⇒ –  ≤0 , o que contraria
4 m 4 n 4 m n 2 m 2 n
a igualdade (4), pois A é um número positivo.
Concluímos então que, nos poliedros de Platão, m = 3 ou n = 3.
1º Caso - Para m = 3:
1 1 1 1 1
Em (4), vem – = ⇒  ⇒ n6 ⇒ n=3ou n=4 ou n=5.
n 6 A n 6
2º Caso – Para n = 3:
1 1 1 1 1
Em (4), vem: – = ⇒  ⇒ m6⇒ m=3 ou m=4 ou m=5.
m 6 A m 6
Em resumo, concluímos que os poliedros de Platão são determinados pelos pares (m,n)
encontrados acima, sendo, portanto, cinco, e somente cinco, as classes de poliedros de Platão, sendo elas:
Nome m n A V F
Tetraedro 3 3 6 4 4
Haxaedro (Cubo) 3 4 12 8 6
Octaedro 4 3 12 6 8
Dodecaedro 3 5 30 20 12
Icosaedro 5 3 30 12 20
Falta acrecentar: “O timeu” e “ O ápice dos Elementos”

Exercícios

Metodologia:

Formas de Avaliação:
BIBLIOGRAFIA