ESCOLA SECUNDÁRIA 3EB DR.

JORGE AUGUSTO CORREIA, TAVIRA
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Disciplina: Filosofia
Disponibilizado para a Biblioteca para publicação e divulgação
Skeeter, uma jovem que ambiciona ser
jornalista, decide escrever uma história sobre as
criadas negras e a sua vida ao serviço dos brancos. Esta
conta com a ajuda de Aibileen e, mais tarde, muitas
outras empregadas domésticas. Este é o princípio do
filme.
A película gira em torno do racismo, no sul dos
Estados Unidos. Nos estados sulistas, o racismo
sempre esteve presente na vida da população, o que
acabou por se tornar normal/moral. A mentalidade da
época via o negro como algo que apenas serve para
trabalhar, como uma espécie de animal. A história
passa-se em Jackson, Mississípi, um dos estados mais racistas e preconceituosos da
Améria e que ainda hoje o é.
O racismo está presente em todas as situações do dia- a- dia, desde a situação
laboral a coisas tão mesquinhas como, casas de banho, bancos e roupa. Até a própria
lei, quer pelo que diz, quer pela interpretação, considera os negros como uma força de
trabalho, força essa sem qualquer direito. O ódio dos brancos é visível através das
operações dos Ku Klux Klan que desencadeava o medo entre a população negra.
Além do racismo fala-se também, embora muito levemente, da relação marido-
esposa/homem-mulher, e como consequência da violência doméstica. A mulher, aos
olhos do homem e da sociedade sulista, tem apenas duas funções: ter filhos e ter uma
boa imagem perante a comunidade. Esta é a clássica família norte-americana da alta
sociedade no sul: o homem ganha o sustento, a mulher faz boa figura e a criada faz os
afazeres da casa e educa as crianças.
As crianças são criadas pelas serviçais. Essas são como as suas verdadeiras
mães, tratando delas toda a vida e, afinal, são encaradas como a real família das
crianças. Infelizmente, muitas dessas crianças crescem e tornam-se no mesmo que os
pais, salvo honrosas exceções.
A relação entre as mulheres também contribui para o desenrolar da história.
Hilly não se dá com Celia Foote. Celia é uma mulher extremamente divertida e
simpática que ignora os preconceitos da época, chegando a comer na mesma mesa
que a crida Minny. Ao longo de todo o filme, existem conflitos entre Hilly e as amigas e
Celia.
O filme conta com um elenco que foi capaz de nos transmitir sentimentos e que
esteve à altura do papel. A história tem por base o livro da autora Kathryn Stockett e
está muito bem escrita. Um filme emotivo e cómico. A tristeza dos acontecimentos, de
certo modo, foi crucial para a sensibilização do espectador. Por exemplo, quando
Aibileen conta a morte cruel do seu filho. Já os momentos cómicos, de certo modo,
contribuíram para a descontração e boa disposição do público. O humor característico
dos negros também está presente, e é através desse humor que os negros
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descontraíam e faziam troça da sua situação e dos brancos. Um dos momentos mais
cómicos foi a cena da tarde de Minny, para Hilly. Um daqueles momentos que nunca
esquecerei.
O povo sulista acredita no
racismo e em outros preconceitos
porque é incapaz de pensar pela
própria cabeça, fazendo tudo o que os
outros fazem e dizendo tudo o que os
outros dizem. Exemplo disso é Miss
Hilly e as suas amigas. Se Hilly decide
que Aibileen tem de ser despedida,
embora não trabalhe para si, as amigas concordam. Se o médico diz que os negros têm
doenças diferentes das dos brancos é porque é verdade. Se no jornal se diz que existe
um chá que cura a homossexualidade, que é uma doença, então é verdade. O norte
sabia que os negros eram “normais”, a Europa sabia que os negros eram “normais”,
mas os sulistas continuavam a acreditar na “inferioridade negra” - reflexo de anos e
anos de uma cultura racista. Celia, embora pareça um bocado cabeça de vento, é o
exemplo perfeito de como o branco e o negro se podem dar bem. Tenho pena que a
rapariga de Sugar Ditch seja tão maltratada por aquela comunidade.
Na minha opinião, Celia é a menos preconceituosa, mesmo menos do que
Skeeter, que claramente se esforça para não o ser. Celia ignora todos os “protocolos”
da época. É uma péssima dona de casa, faz imensas figuras tristes nos encontros da
comunidade, não consegue engravidar – talvez devido ao álcool-, é amiga de negros,
etc. Skeeter, embora seja amiga dos negros, esforça-se para cumprir os protocolos da
época e da sua “amiga” Hilly.
Hilly representa toda a população branca preconceituosa, cheia de manias e
tiques. Embora não goste da personagem, gostei muito do desempenho da atriz e da
sua função em toda a história. Miss Hilly não passava de uma cobra venenosa
inofensiva que controlava as amigas e as manipulava. No fim, teve o que mereceu.
Por falar em fim, um dos melhores que já vi. Triste mas, de certo modo, feliz.
No fim, Aibileen acaba por se “libertar”, mas a pobre criança – com o nome mais
esquisito que já vi – acabou por ficar de rastos, como uma criança a quem lhe é
retirada a mãe. Elizabeth podia ser a mãe biológica, mas era Aibileen a mãe
verdadeira, a mãe dos afetos. E há uma mensagem que espero nunca esquecer e que
devia ser ensinada a toda a população: “Tu és boa. Tu és inteligente. Tu és
importante.” Porque a vida não se baseia em coisas materiais e em aspetos físicos.
João Eduardo Mestre Mêda, nº 16,10ºA1
Trabalho orientado pela professora de Filosofia, Maria Alberta Fitas
Maio de 2014

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