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Aula Positivismo x Dialtica Antropologia Uniban 2009

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Visão de mundo Positivista x Visão de mundo Dialética Profª Lenir Viscovini Sociologia/Antropologia Características do pensamento/concepção positivista

: O positivismo surge no século XIX (pós-revoluções burguesas). Há para o positivismo uma ordem imutável na natureza e o conhecimento a reflete. Principais autores positivistas: Saint-Simon, Augusto Comte, e Émile Durkheim. Daremos ênfase aqui naquele que é considerado o fundador da sociologia: Auguste Comte. Comte expressa o pensamento burguês daquele período. O autor toma partido da parcela mais conservadora da burguesia francesa que defendia um regime ditatorial, não parlamentarista para impedir qualquer mudança na ordem burguesa estabelecida. Neste sentido, devemos entender que o positivismo será expressão da nova ordem social burguesa.

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Mas, para o que nos interessa: como o positivismo vai conceber o conhecimento científico? Vejamos que para os positivistas a história percorre um caminho que é predeterminado, como sendo um conjunto de fases imóveis (sem movimento algum), guiadas por dois princípios básicos: A ORDEM e o PROGRESSO. 1) Ordem: as transformações da história devem ser dentro da ordem e pela ordem. 2) Progresso: transformações na história levam a melhoramentos lineares e cumulativos. Nesta visão cabe ao homem o papel de resignação; é preciso esperar a ordem natural das coisas. “O progresso constitui, como a ordem, uma das duas condições fundamentais da civilização moderna”. (Comte).

Esses dois princípios de ordem e progresso permeiam não apenas a visão de história e sociedade mas também a concepção de ciência. Conhecimento é: real, útil, preciso, certo e positivo. O fundamento da ciência está para os positivistas nos FATOS. Para eles o conhecimento científico é real porque parte do real/parte dos fatos tal como são. (fotografo o fato). - A base metodológica de explicação da realidade é o fato (Fatos em si mesmos). Não se trata obviamente da mera acumulação de fatos – uma vez que isso não levaria ao conhecimento científico; isso seria empirismo. Só há conhecimento científico quando e porque o homem relaciona os fatos acumulados a hipóteses por meio do raciocínio. Através da observação que permite relacionar os fatos; Relaciona-los para que se estabeleçam as leis gerais e invariáveis.

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Essas relações excluem tentativas de descobrir a origem, ou uma causa subjacente dos fenômenos e são na verdade descrição das leis que as regem.

Esquema: OBSERVAR OS FATOS + RELACIONAR OS FATOS ESTABELECIDOS PELO RACIOCÍNIO + DESCRIÇÃO DAS LEIS QUE REGEM OS FENÔMENOS. O que se quer: “Apreciação sistemática daquilo que é, renunciando a descobrir sua primeira origem e seu destino final” (Comte). O conhecimento científico para explicar os fenômenos sociais seria constituído por um conjunto de leis – como na física/na química, etc... Para os positivistas o pensamento positivo se opõe ao negativo (à crítica), porque busca organizar, não destruir. Isso porque a natureza para os positivistas é composta por fenômenos ordenados de forma imutável e inexorável e cabe à ciência, apenas apreender e descrever tal ordem. Negam a indeterminação ou acaso em qualquer fenômeno da natureza. O Homem interfere pouco na natureza rigidamente ordenada das coisas. Importante lembrar que: O método positivista foi pensado como válido para todas as ciências, inclusive e principalmente para a sociologia. Desta forma, vejamos que: assim como ocorre com as outras ciências que se ocupam de fatos que são regidos por leis naturais e imutáveis, também a sociedade é vista pelos positivistas como governada por leis imutáveis, independentes da vontade dos homens ou do coletivo. O progresso está subordinado à ordem: a família, a propriedade, a religião, a linguagem, a relação de poder não se alteram, são definitivas; o que ocorre é o aperfeiçoamento destas coisas, não a mudança. A dinâmica está submetida à estática. Estruturas são perenes e imutáveis. Os positivistas são defensores do poder estabelecido, e críticos de qualquer tentativa de mudança do poder estabelecido: ordem, progresso, harmonia social, leis imutáveis, regem a sociedade.

Características do pensamento/concepção dialética: Surge no século XIX com Karl Marx e Frederic Engels, inspirados na visão dialética de Hegel (a idéia de Hegel era idealista, os autores (Marx/Engels) a trazem para o plano material). Para os dialéticos: “toda ciência seria supérflua, se a forma de manifestação e a essência das coisas coincidissem imediatamente”. (Marx) Para o pensamento científico baseado na dialética a história se dá por meio de contradições, antagonismos e conflitos. A transformação não é nunca linear, espontânea, harmônica, não é dada de fora da própria sociedade; é conseqüência de contradições criadas dentro dela, junto das ações concretas dos homens... “O homem é um ser social e histórico (cultural), e o que leva esse homem a transformar a natureza e a si mesmo neste processo, é a satisfação de suas necessidades”. 2

(Marx) A natureza humana não é pronta, imutável e nem resultado de algo exterior ao próprio homem. A compreensão da gênese dos fenômenos deve partir da concepção de que nada, nenhuma relação, fenômeno ou idéia tem o caráter imutável – Tudo muda o tempo todo; há um movimento contínuo marcado por contradições. “Qualquer fenômeno, objeto do conhecimento é constituído de elementos que encerram movimentos contraditórios, elementos e movimentos que levam necessariamente a uma solução, um novo fenômeno, uma síntese.” (Marx) Essa síntese não é uma solução definitiva; não significa que cessam as contradições/movimento; é apenas a solução de uma contradição, solução que já contém uma nova contradição. Ex: A semente precisa morrer/ser negada, para nascer o trigo; esse precisa morrer/ser negado, para nascer o pão. TESE + ANTÍTESE + SÍNTESE

Comparação Dialética x Positivismo: Para a visão dialética, as relações que carregam contradições e que imprimem movimentos dos fenômenos são constituídas por relações que estão contidas em outras relações mais gerais e que são determinantes na constituição dos fenômenos; Idéia de totalidade. Estes não existem, como consideram os positivistas, per se, ou isolados, ou ainda unidos por relações unilaterais. Não é a ação isolada de variáveis que determina um fenômeno, nem o somatório de um conjunto de variáveis isoladas quaisquer que o determina. Os fenômenos, constituemse, fundam-se e transformam-se, a partir de múltiplas determinações que lhes são essenciais – tais determinações são constitutivas do fenômeno, fazem parte dele e de outras relações; qualquer fenômeno faz parte de uma totalidade – forma um todo. Ex. questão da gravidez na adolescência, aborto, violência urbana, luta no campo, etc... não posso pensar um fenômeno, sem considerar o todo; sem considerar o contexto (econômico, político, social e cultural) do qual faz parte. As coisas constituem-se de contradições e antagonismos, movimento e transformação constante, existem em contínua relação e inter-relação com outros fenômenos; constituindo-se e constituindo as totalidades. Neste sentido, compreender os fenômenos não é tarefa fácil, não basta apenas observar, descrever e comparar, é preciso fazer a distinção entre aparência e essência.

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