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O Senhor Biedermeier**

Membro da classe possidente e culta



Olha, o senhor Biedermeier a passear
Mais a esposa, com o filho ao lado,
Pezinhos de l, manso o andar,
Nem oito, nem oitenta! o seu ditado.
Bom cidado, a todos ele apraz
Uma coisa o que diz, outra o que faz.
Habita aquele belo casaro
E com a usura faz um dinheiro.

Nas eleies moderado a votar,
Disputas com ele, isso que no;
Impostos no gosta de pagar,
Mas acima de tudo a obrigao.
Se Cmara ou ao gabinete chamado,
Nas escadas j vai desbarretado;
Mas depois para casa vai todo pimpo
E com a usura faz um dinheiro.

A alma retempera-a na igreja;
Ao domingo cumprindo a devoo;
Faz o padre o sermo, ele boceja,
Mas faltar isso no era de cristo;
(...)
...
O filho nico, de estimao,
Vive bem guardado, bom de ver
Mais que um j era estragao
E o pecado vem sempre do prazer.
a me quem educa o pintainho,
De asa aberta, ela protege o ninho;
Zela ciosamente pela moral da manso
E com a usura faz um dinheiro.

nobre lar, de bem formados!
Onde a peonha no consegue penetrar;
Cabea baixa, sempre resignados,
A vida s trabalho, s penar.
formao moral sem um seno!
S quem posses tem, te tem na mo
No h estado nem lar sem compostura,
Ou deixa de haver dinheiro pr usura.