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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

CONHECIMENTOS REGIONAIS

DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO

ESTADO DE TOCANTINS

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS A situação de José Genoino,

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

A situação de José Genoino, ex-presidente do PT, que atual-

mente se encontra em prisão domiciliar por motivo de saúde, não se alteraria. Qualquer que fosse o resultado do julgamento, ele per- maneceria no semiaberto. Os ex-dirigentes do Banco Rural José Roberto Salgado e Ká- tia Rabello, o “operador” do mensalão Marcos Valério e os ex- sócios dele Ramon Hollerbach e Cristiano Paz permanecem no regime fechado mesmo com a decisão do Supremo de absolvê-los por formação de quadrilha.

Professor Guilherme Pigozzi Bravo

Doutorando em Ciências Sociais pela UNESP-Marília; Mes- tre em Ciências Sociais (UNESP/Marília); Graduado em História (UNESP-ASSIS).

Nesta apostila apresentamos um panorama da História e da Geografia do Estado do Tocantins. Gostaria de desejar aos con- cursandos um excelente estudo e que Deus esteja com todos vocês, dando-lhes força e sabedoria. Boa Prova!!

1. TÓPICOS RELEVANTES E ATUAIS DE DIVERSAS ÁREAS, TAIS COMO POLÍTICA, ECONOMIA, SOCIEDADE, EDUCAÇÃO, TECNOLOGIA, ENERGIA, RELAÇÕES INTERNACIONAIS, DESENVOL- VIMENTO SUSTENTÁVEL, ECOLOGIA, SEGURANÇA PÚBLICA E SOCIEDADE.

Política Brasileira

Supremo absolve do crime de quadrilha Dirceu, Genoíno e mais 6.

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por

seis votos a cinco, absolver do crime de formação de quadrilha o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT De- lúbio Soares, o ex-presidente do PT José Genoino e outros cinco condenados no processo do mensalão do PT, entre eles ex-dirigen- tes do Banco Rural e o grupo de Marcos Valério.

A apreciação dos recursos por formação de quadrilha não al-

tera as condenações dos réus do mensalão pelos demais crimes.

O mensalão que começou em 2005 quando a revista Veja

divulgou um vídeo onde o ex-chefe do DECAM/ECT (De- partamento de Contratação dos Correios), Maurício Marinho foi flagrado explicando para o advogado Joel Santos Filho o esquema da corrupção, mal sabia ele que o advogado ti- nha sido pago para descobrir as práticas corruptas no senado. Desde 2005 práticas de corrupção foram sendo descobertas até

chegarmos ao ano de 2013 onde houve um estouro de perseguições

e vários políticos envolvidos foram desmascarados e outros ainda estão sendo pegos e julgados. Os grandes nomes do Mensalão mesmo presos continuam ten-

tando um regime semiaberto, entre eles Dirceu que foi condenado

à prisão por 10 anos e 10 meses pode passar entre 7 a 10 meses

em prisão semiaberta e Delúbio que foi condenado a 8 anos e 11 meses, pode passar em prisão semiaberta de 6 a 8 meses.

A maioria dos políticos absolvidos no crime de formação de

quadrilha estava participando do Mensalão. Alguns políticos esta- vam esperando os resultados dos recursos, se a decisão não fosse favorável a eles Dirceu e Delúbio não poderiam recorrer a prisão semiaberta, pois a pena aumentaria. Absolvidos pelo crime de quadrilha, permanecem no regime semiaberto, pelo qual é possível pedir para deixar o presídio du-

rante o dia para trabalhar. Delúbio Soares já tem um emprego na Central Única de Trabalhadores (CUT). Dirceu aguarda autoriza- ção judicial de trabalho externo.

27/02/2014

Adaptado de: http://g1.globo.com/politica/mensalao/noticia

Política Internacional

Iraque ainda sofre com Violência e Instabilidade Política

Devido ao histórico de violência, o Baath, antigo partido de Saddam, foi banido. Mas nem a morte do ditador ou a retirada total das tropas norte-americanas, em 2011, pôs fim à instabilidade política no país. Para especialistas, os sunitas ainda não aceitam um governo de maioria xiita, grupo antes perseguido por Saddam.

O atual governo é comandado pelo primeiro-ministro xiita

Nouri Al Maliki, no cargo desde 2006. Em 2014, ele encerra seu segundo e último mandato. De acordo com o parlamento, os líde-

res podem exercer apenas dois mandatos, mas Maliki está disposto

a ir aos tribunais para ter o direito de se reeleger nas eleições parla- mentares marcadas para 30 de abril de 2014. O cargo de presidente pertence ao curdo Jalal Talabani, que ainda se recupera de um AVC sofrido no final de 2012. Apesar do auge da violência no Iraque ter ocorrido entre 2006

e 2007, os conflitos permanecem e ainda há uma média de 300 mortos por mês, segundo o Iraq Body Count (IBC), grupo formado por voluntários do Reino Unido e dos EUA, que registra as mortes violentas de civis no país desde a invasão em 2003. Parte disso deve-se à atuação de grupos terroristas no país. Por isso, este ano, Maliki pediu ajuda ao presidente dos EUA, Barack Obama para proteger o país de grupos terroristas, principalmente a Al Qaeda, já que sozinho o país não tem conseguido conter a violência.

A guerra na Síria também preocupa, pois o país vem receben-

do grandes levas de refugiados e ainda enfrenta denúncia de que

o Exército Iraquiano está ajudando as forças do presidente sírio Bashar Al Assad. Segundo organizações não governamentais, a

maioria dos 27,7 milhões de habitantes do Iraque depende da doa- ção de cestas básicas, distribuídas por várias entidades e também pelo governo. A estimativa é que pelo menos 500 mil refugiados deixaram o país após a invasão em 2003.

A imprensa também encontra um ambiente hostil. O Iraque foi

o 150º classificado em uma lista com 179 países no Ranking Mun-

dial de Liberdade de Imprensa publicado este ano pelo Repórteres

Sem Fronteiras. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas,

o país também foi considerado o mais perigoso para os profissio-

nais da imprensa no período 2003-2008, quando 136 jornalistas foram mortos. Por outro lado, os partidários do governo destacam os avanços da liberdade de expressão e de religião. Hoje, milhões de xiitas peregrinam para as cidades sagradas para celebrar rituais religiosos, o que era proibido no governo Saddam. O mesmo acon- tece com as críticas ao governo, antes vetadas, e que atualmente são relativamente comuns na imprensa e na internet.

governo, antes vetadas, e que atualmente são relativamente comuns na imprensa e na internet. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS janeiros acontecem movimentos de menores

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

janeiros acontecem movimentos de menores exportações”, disse,

atribuindo o movimento à entressafra agrícola e às férias coletivas das empresas. “A menor atividade econômica impacta as exporta- ções”, explicou. Do lado das importações, segundo o secretário, há aumento no mês de janeiro, ligado à reposição de estoques. “O resultado disso é que tradicionalmente há déficit nos meses de janeiro.» O secretário comentou que a retomada do ciclo de investimento no Brasil impacta no aumento das importações. Ele argumentou que insumos e bens de capital, por exemplo, puxam o crescimento das importações. Godinho também destacou a queda de 27,4% nas exportações de automóveis no mês passado. Segundo ele, a maior retração das vendas ocorreu para o México (88% menor que janeiro de 2013). Já as exportações de automóveis para a Argentina tiveram que- da de 15%. Ele acredita que pode ter havido uma reprogramação dos embarques para o México. Ele disse que também é cedo para avaliar se a retração das exportações de automóveis já reflete os problemas econômicos na Argentina. Par ao secretário, os dados de apenas um mês não podem ser usados para mostrar uma ten- dência. Godinho também evitou traçar um cenário para o comércio exterior brasileiro. No mês passado, as exportações cresceram 17,4% para a Ásia, sendo que somente para a China o incremento foi de 27,7%. Para os Estados Unidos, a alta foi de 11,4%. Por outro lado, as vendas externas em janeiro caíram 6,2% para o MERCOSUL, sendo que a queda chegou a 13,7% para a Argentina. Já a retração das expor- tações do Brasil para a União Europeia foi de 5%.

O primeiro resultado mensal da balança comercial brasileira

em 2014 ficou dentro do intervalo das expectativas dos economis- tas do mercado financeiro consultados pela Agência Estado, que variam de um déficit de US$ 2,986 bilhões a US$ 5,000 bilhões para janeiro. O resultado ficou pouco abaixo da mediana de um saldo negativo de US$ 4,500 bilhões. No mês passado, a média diária das exportações foi de US$ 728,5 milhões, 0,4% maior que no mesmo período de 2013. Os embarques de manufaturados caí- ram 2,6%, enquanto a retração nas vendas de semimanufaturados foi de 5,8%. Por outro lado, cresceram 5,3% as exportações de produtos básicos. Nas importações, a média diária de janeiro de 2014 foi de US$ 912,9 milhões, recorde histórico para meses de janeiro e 0,4% acima da média de janeiro de 2013. A importação de combustíveis e lubrificantes caiu 19,1% em janeiro, de acordo com o MDIC. Segundo o governo, a queda ocorreu devido à diminuição dos preços e das quantidades em- barcadas de petróleo, gás natural, óleos combustíveis, gasolinas e naftas. Em janeiro do ano passado, entretanto, havia números de operações realizadas pela Petrobras no ano anterior e cujo registro ocorreu apenas em 2013. Já as importações de bens de consumo cresceram 8,8%. Segundo o MDIC, os principais aumentos ocorre- ram nas importações de máquinas de uso doméstico, móveis, ves- tuário, objetos de adorno, produtos alimentícios, automóveis de

passageiros e bebidas e tabacos. A importação de bens de capital subiu 7,1% na comparação com janeiro do ano passado. O resulta- do se deve, de acordo com o governo, às compras de equipamento móvel de transporte e parte e peças para bens de capital para a indústria.

A alta de 3,2% na importação de matérias-primas e interme-

diários, por sua vez, é explicada pelo MDIC pelas aquisições de parte e peças de produtos intermediários, produtos minerais, aces- sórios de equipamento de transporte, matérias-primas para agricul-

Economicamente, o país registra um crescimento médio de quase 7% ao ano, e 90% de sua receita vem da produção de petró- leo. As reservas de petróleo do país são a segunda maior do mun- do, ficando atrás só das da Arábia Saudita, mas ainda se recupera das guerras das últimas décadas. No dia 13 de dezembro de 2003, há exatos dez anos, chega- va ao fim a era Saddam Hussein no Iraque, um dos regimes mais violentos do Oriente Médio. Saddam foi encontrado por soldados norte-americanos em um buraco perto de Tikrit, sua cidade natal, na chamada “Operação Amanhecer Vermelho”. Preso sem resis- tência, Saddam foi julgado, condenado e enforcado três anos de- pois, em 2006. Dez anos depois do fim de seu regime, o país ainda não venceu a violência e a instabilidade política.

13/12/2013

http://vestibular.uol.com.br/

resumo-das-disciplinas/atualidades

Economia Brasileira

FGTS

Os trabalhadores estão ganhando menos com o rendimento do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço). Segundo o presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Avelino, apenas nos últimos dois primeiros meses deste ano, as perdas chegaram a R$

6,8 bilhões. Isso porque, atualmente por lei, o saldo do FGTS de todo trabalhador é atualizado por juros anuais de 3% mais a TR (Taxa Referencial) que é calculada pelo Banco Central, o que deu um rendimento de 0,1620% no período (dezembro de 2013/janeiro

2014).

O

total do mês atual sempre é calculado a partir do que rendeu

a TR mais os juros no mês anterior. Porém se o mesmo cálculo tivesse sido feito com o INPC (Índice Nacional de Preços ao Con- sumidor) indicador do IBGE que mede a inflação, a atualização seria de 1,3545% no período, bem maior. Ainda segundo o Ins- tituto FGTS Fácil, as perdas entre julho/1999 a fevereiro/2014 já chegam a R$ 209,8 bilhões. Em termos práticos, um trabalhador que tinha há 15 anos um saldo de R$ 10 mil, está hoje com R$ 19.971,69 (juros + TR). Caso o valor fosse corrigido pelo INPC, o valor atual seria de R$ 40.410,97. Uma diferença de R$ 20.438,28.

11/02/2014

http://noticias.r7.com/economia

Balança Comercial

A balança comercial brasileira encerrou janeiro com o maior

déficit da história, de US$ 4,057 bilhões. Os dados foram divul- gados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). As exportações somaram US$ 16,027 bilhões e as importações atingiram US$ 20,084 bilhões. A série histórica do ministério tem início em 1994. A balança também teve resultado negativo na quinta semana de janeiro, no valor de US$ 406 mi-

lhões. O saldo negativo foi registrado com vendas externas de US$ 3,778 bilhões e importações de US$ 4,184 bilhões.

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Daniel Godi-

nho, atribuiu à sazonalidade do mês de janeiro o resultado nega- tivo da balança comercial no primeiro mês do ano. “Em todos os

tura e produtos químicos/farmacêuticos.

comercial no primeiro mês do ano. “Em todos os tura e produtos químicos/farmacêuticos. Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS do peso e as mudanças

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do peso e as mudanças nas regras cambiais argentinas, um início

de pânico se propagou, aumentando a desconfiança em relação aos países em desenvolvimento. “Muita gente ficou bastante encorajada pela ida da presidente Dilma, e isso realmente mostrou uma intenção de reequilibrar as prioridades do Brasil, mudar as coisas que não estão dando certo”, disse o economista Kenneth Rogoff, de Harvard, tradicional pre- sença do Fórum de Davos. Na opinião de diversos participantes do evento, o ambiente mais difícil nos mercados mundiais está levan- do a um processo mais apurado de diferenciação entre os países emergentes. Segundo Angel Gurría, secretário-geral da Organização para

a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “quando o mundo é inundado de liquidez, a água cobre tudo, tanto as coisas boas quanto as que não são tão boas; o problema é que, quando há uma reversão, e a água baixa muito rapidamente, vários aspectos preocupantes ficam expostos, grandes déficits em conta corrente, medidas estruturais que não foram tomadas, inflação, vulnerabili- dades em geral”. Gurría notou que o nervosismo dos últimos dias é deflagrado por combinações de fatos muito pouco relacionados em si, e menos ainda ligados aos países expostos. “Não tem nada a ver com o Brasil, nada a ver com o México, o que resta aos países

é manter o rumo das políticas econômicas - os bons fundamentos é

que vão ser decisivos no médio prazo”. Robert Shiller, prêmio Nobel de Economia, que também esta- va em Davos, disse que ficou surpreso com o aumento do nervosis- mo nos mercados globais durante os dias em que estava acontecen- do o Fórum Econômico. “Mas ainda não está claro que este seja um momento de uma grande virada (para pior) no sentimento dos mercados”. Segundo Rogoff, “é óbvio que o Brasil está exposto de diversas maneiras, a Argentina é um vizinho, um parceiro co- mercial - quando a Argentina entrou em colapso em 2001 e 2002, isto não ajudou em nada o Brasil e agora também não vai ajudar”. Ainda assim, ele ressalva que o déficit em conta corrente do Brasil, de 3,7% do PIB, não é enorme, e o País mantém reservas interna- cionais consideráveis. Para Rogoff, não se trata hoje, no caso de países como o Bra- sil, do risco de uma crise financeira e cambial de grandes propor- ções, como a crise da dívida latino-americana nos anos 80. “É mais uma questão de crescimento, os mercados estão reprecificando es- ses países de acordo com perspectivas de crescimento menores.”

As exportações de produtos básicos cresceram 5,3% em janei- ro em relação ao mesmo mês do ano passado, puxadas por petróleo em bruto, farelo de soja, bovinos vivos, carne bovina e minério de ferro. Por outro lado, nos manufaturados, a queda de 2,6% é explicada por redução nas vendas de açúcar refinado, etanol, auto- móveis de passageiros, autopeças e suco de laranja congelado. A retração de 5,8% dos semimanufaturados ocorreu, principalmente, por conta da diminuição das exportações de ferro fundido, ouro em forma semimanufaturada, alumínio em bruto, semimanufaturados de ferro e aço e açúcar em bruto.

03/02/2014

Veríssimo, R. e Alegretti, L. http://economia.estadao.com.br/ noticias/economia-geral

Produção Agropecuária

A atividade agropecuária brasileira encerrou 2013 com o Va - lor Bruto da Produção (VBP) em R$ 430 bilhões. O número, di- vulgado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,

é 11,3% superior ao registrado em 2012. Desse total, R$ 286 bi-

lhões, ou 66,5%, referem-se às lavouras, e R$ 144 bilhões, o equi- valente a 33,5%, à produção pecuária. O VBP é uma estimativa de geração de renda no meio rural que aufere os ganhos obtidos com os produtos agropecuários. Entre os produtos que se destacaram nas lavouras no ano pas- sado está o tomate, que teve os preços inflacionados em 2013 e cujo valor bruto cresceu 88,9% em relação a 2012. Em seguida, veem a batata inglesa (crescimento de 46,6%), o trigo (33,9%), a laranja (31,5%), a soja (25%) e a mandioca (20,2%). O café, que enfrenta uma crise de preço no mercado internacional e doméstico, registrou queda de 30,5% na geração de renda. O algodão foi outro produto agrícola a ter recuo do valor bruto, de 30,9%. Somando-se

todos os produtos agrícolas, o valor arrecadado com as lavouras no país cresceu 11% em relação ao ano retrasado. No caso do valor referente à produção agropecuária, houve crescimento de 11,7% na comparação com 2012. A produção de carnes de frango e bovina, cujos valores cresceram respectiva- mente 23,9% e 3,9% e que, juntas, representaram 70% do VBP pecuário, foi a grande responsável pelo resultado. Os ganhos com suínos, leite e ovos também tiveram crescimento, de 10,9%, 13,2%

e 7,3%. Para 2014, a previsão é de que o VBP atinja R$ 462,4 bi-

lhões, o que representa 7,5% a mais que em 2013. Os dados sobre

o indicador são baseados em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

14/01/2014

http://www.noticiasdabahia.com.br/

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Fórum Econômico Mundial de Davos

A ida da presidente Dilma Rousseff ao Fórum Econômico Mundial de Davos foi providencial num momento em que o ner- vosismo toma conta dos mercados financeiros globais em relação aos mercados emergentes, e especialmente em relação a países próximos da Argentina, como o Brasil. Com a forte desvalorização

27/01/2014

Dantas, F. http://economia.estadao.com.br/ noticias/economia-geral

Agronegócio

A balança comercial do agronegócio encerrou 2013 com supe- rávit de US$ 82,91 bilhões. O principal setor exportador foi o com- plexo soja (óleo, farelo e grão), responsável por US$ 30,96 bilhões em vendas externas, o equivalente a 31% das exportações do agro- negócio. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultu- ra. As exportações subiram 4,3% e alcançaram US$ 99,97 bilhões. As importações cresceram 4%, atingindo US$ 17,06 bilhões. Além da soja, destacou-se a carne. As vendas externas subiram de US$ 15,74 bilhões em 2012 para US$ 16,8 bilhões no ano passado, in- cremento de 6,8%. As exportações do setor sucroalcooleiro fica- ram em terceiro lugar entre as que mais trouxeram divisas, com ingresso financeiro de US$ 13,72 bilhões.

lugar entre as que mais trouxeram divisas, com ingresso financeiro de US$ 13,72 bilhões. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Um possível desabastecimento de milho,

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Um possível desabastecimento de milho, que registrou queda na estimativa de safra, foi descartado pelo ministro Antonio An- drade. Ele tranquilizou os produtores de frangos e suínos e disse que haverá abastecimento destinado à ração animal. O problema, informou, tem sido maior devido ao preço do produto. “A priori- dade do Brasil é exportar carne. Não é exportar grãos. Exportamos grãos porque ainda não aumentamos significativamente a exporta- ção de carne”, destacou. Ele lembrou que os números de exporta- ção de carne (aves, suína e bovina) já foram maiores em 2013 do que no ano anterior, sem o governo descuidar do mercado interno.

Para 2014, a previsão é de queda de preço para alguns produ- tos cotados no mercado internacional, em função da oferta eleva- da. Entre eles, milho e a soja em grão. Caso isso ocorra, o resultado de 2014 deve ser inferior ao do ano passado. Do lado das impor- tações, houve aumento de 4% nas compras do Brasil de produtos agrícolas no exterior. Foram gastos US$ 17 bilhões. O trigo foi o principal produto adquirido lá fora, com gastos de US$ 2,42 bi- lhões, 37,2% a mais do que no ano passado. A quebra da safra do cereal no Brasil e em outros países, com risco de desabastecimen- to, contribuiu para a alta das compras.

13/01/2014

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Soja

Mesmo com os problemas climáticos do momento, os técni- cos do Ministério da Agricultura acreditam que a safra 2013/2014 atinja a marca recorde de 200 milhões de toneladas. No quarto levantamento da safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em Brasília, o número para a safra indicava 196,7 milhões de toneladas, também recorde, mas a soja pode me- lhorar ainda mais esse resultado. “Há um aumento de produtivida- de da soja. Assim que terminar a colheita desse grão, haverá um aumento maior do que a estimativa divulgada. Podemos, assim, chegar aos 200 milhões de toneladas. Isso para nós é muito impor- tante. É um número significativo”, disse o ministro da Agricultura, Antonio Andrade. Na avaliação de Andrade, a soja é um grande fator para o resultado e está sendo exportada com preços “remu- neradores”, o que faz aumentar a produtividade, com garantia de mercado exportador. Para o ministro, o resultado demonstra que agronegócio está crescendo cada vez mais no país, conquistando espaços tanto in- ternos, quanto externos. Segundo ele, a produção de grãos torna hoje o país respeitado pelas ações que tem adotado e que trazem consequências, como o aumento da produtividade. “Quando anun- ciamos o Plano Safra, queríamos chegar a 190 milhões de tonela- das. Superamos essa expectativa e chegamos a 197 milhões. Ago- ra, estamos trabalhando duramente para chegar a 200 milhões de toneladas”. O quarto levantamento da safra, de 196,7 milhões de tonela- das, representa aumento de 5,2% em relação à safra passada, com registro de 186,9 milhões de toneladas. No caso da soja, houve crescimento de 10,8% e produção estimada de 90,3 milhões de toneladas para a safra atual. O arroz teve alta de 5,1%, chegando a 12,4 milhões de toneladas, seguido pelo feijão (primeira safra), com elevação de 35,6%, e passando de 964,6 mil toneladas para 1,3 milhão de toneladas. O produto está em fase de colheita no Paraná. O milho (primeira safra), segunda maior cultura produzi- da no país, teve queda de 5,9%. A área total destinada ao plantio, informou a Conab, pode chegar a 55,39 milhões de hectares, com alta de 4% em relação à área plantada na safra anterior. O destaque também é a soja, com aumento na área plantada de 6,6%, passando de 27,7 milhões para 29,6 milhões de hectares. “Esperamos chegar a 95 milhões de toneladas na produção de soja, colando o Brasil como o maior produtor e exportador do mundo”, disse o ministro.

09/01/2014

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Países Emergentes

“Estamos vendo o que parece ser o estouro de uma bolha dos países emergentes. E uma crise nestes mercados pode, de forma plausível, transformar o risco de deflação na zona do euro em reali- dade”, avalia o prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, em sua coluna no jornal New York Times, destacando que a Europa pode passar por situação semelhante a do Japão, que viu sua economia estagnada por anos. Krugman não está muito otimista com o desenrolar da recente turbulência nos países emergentes. Para ele, o problema não é da Turquia, uma economia menor que a área de Los Angeles, ou Ín- dia, Hungria, África do Sul e quaisquer outros mercados emergen- tes que podem se tornarem a bola da vez. “O verdadeiro problema é que as nações mais ricas, sobretudo Estados Unidos e a zona do euro, fracassaram em lidar com suas próprias fraquezas”, afirma o economista no artigo. O economista diz que as crises financeiras têm ficado mais próximas umas das outras e com resultados mais severos, em ter- mos de impactos na economia real. Por um longo período após a Segunda Guerra o mundo ficou livre de crises financeiras, prova- velmente, avalia Krugman, porque muitos governos restringiram movimentos de capital entre países. Em anos recentes, a situação piorou, com uma crise atrás da outra, na América Latina, Estados Unidos, Ásia e Europa. “Se a forma da crise parece a mesma, os efeitos estão ficando piores.” Para o economista, o respingo direto no mundo da crise na Turquia não será grande, mas o problema é que se volta a ouvir com frequência a palavra “contágio” e o temor de que os proble- mas turcos contagiem todos os emergentes. No geral, a situação financeira da Turquia “não parece tão ruim”, escreve Krugman, mas o país “parece estar em sérios problemas” e a China parece um pouco abalada também. A dívida do governo turco é baixa, mas o setor privado tomou muitos empréstimos no exterior. “O que torna estes problemas assustadores são as fraquezas das economias oci- dentais, uma fraqueza que se torna muito pior por conta de políti- cas muito, mas muito, ruins”, escreve o economista na conclusão de seu artigo.

31/01/2014

Silva, A. Júnior http://economia.estadao.com.br/ noticias/economia-geral

artigo. 31/01/2014 Silva, A. Júnior http://economia.estadao.com.br/ noticias/economia-geral Didatismo e Conhecimento 4

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Comércio Global CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Brasil, Rússia, Índia,

Comércio Global

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul apresentam vários fatores em comum, entre eles podem ser citados: grande extensão territorial; estabilidade econômica recente; Produto Interno Bru- to (PIB) em ascensão; disponibilidade de mão de obra; mercado consumidor em alta; grande disponibilidade de recursos naturais; aumento nas taxas de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH); valorização nos mercados de capitais; investimentos de empresas nos diversos setores da economia.

O comércio anual de bens da China passou a marca dos US$

4 trilhões pela primeira vez no ano passado, revelam as estatísticas oficiais, confirmando a posição do país como o maior comercian- te em escala mundial. Divulgados pela Administração Geral das Alfândegas chinesa, os dados colocam um ponto final na dúvida sobre quem seria o país com maior volume de negócios (China ou Estados Unidos). Por causa dos diferentes métodos de cálculo entre os dois países, apenas em 2013 os chineses superaram os norte-americanos na troca de bens. A conta exclui o comércio de serviços. “É muito provável que a China tenha suplantado os Estados Unidos como o país com mais trocas comerciais de bens em 2013 pela primeira vez”, disse o porta-voz da Administração Geral das Alfândegas chinesa, Zheng Yuesheng. As exportações da segunda maior economia mundial subiram 7,9%, para US$ 2,21 trilhões, enquanto as importações aumentaram 7,3%, para US$ 1,95 trilhão, de acordo com a mesma fonte, o que coloca o superávit comercial da China em US$ 259,7 bilhões, 12,8% a mais do que em 2012.

O volume total de bens comercializados entre a China e outros

países ficou em US$ 4,16 trilhões, o que representa uma subida de 7,6%, ligeiramente abaixo da meta das autoridades chinesas, que apontava para um aumento de 8%. O comércio entre a União Europeia (UE) e a China aumentou 2,1% em 2013, para mais de US$ 559 bilhões, mantendo os europeus como o maior parceiro comercial de Pequim. Os Estados Unidos figuram em segundo lu- gar entre os parceiros comerciais da China, com trocas de US$ 521 bilhões, 7,5% a mais do que em 2012. Os norte-americanos, po- rém, importaram mais da China do que a União Europeia. O supe- rávit comercial da China com os Estados Unidos é também muito mais elevado: US$ 215,8 bilhões, segundo as estatísticas chinesas. As exportações chinesas para os EUA somaram US$ 368,4 bilhões, US$ 29,4 bilhões a mais do que a China vendeu à União Europeia. No mesmo período, a China importou US$ 220,1 bi- lhões da UE, US$ 67,5 bilhões a mais do que a China comprou dos norte-americanos. Em média, o comércio entre a China e os seus dois maiores parceiros soma quase US$ 3 bilhões por dia. Com o Japão, que era o terceiro parceiro comercial da China, mas cujas relações têm sido afetadas pela polêmica em torno de duas ilhas no Oceano Pacífico, o comércio bilateral em 2013 caiu 5,1%, para US$ 312,5 bilhões. O lugar do Japão é agora ocupado pelos dez estados da Asean (Associação das Nações do Sueste Asiático), com US$ 443,6 bilhões, 10,9% a mais do que em 2012.

Brics: potências emergentes podem virar bloco econômico importante

Distantes, diferentes, mas que juntos se transformam em um gigante. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul representam 25% do território mundial e quase metade da população do plane- ta. Com poderes combinados podem virar um bloco econômico importante. O Brasil e a Rússia, por exemplo, são países de grande potencial de commodities, que exportam commodities. Em con- trapartida, a China e a Índia que são de mão de obra para transfor- mar essas commodities em produtos manufaturados. Então, é uma combinação feliz. Cresce a importância desses países na balança comercial entre si e no futuro próximo.

A China aparece como a segunda economia do mundo, atrás

apenas dos Estados Unidos. O Produto Interno Bruto, que é soma das riquezas produzidas nos cinco países, passa dos US$ 13 tri- lhões. É quase 20% de tudo que se é produzido no mundo. Em conjunto, fica mais fácil quebrar barreiras econômicas de países com países da Europa e Estados Unidos, por exemplo. Mas os eco- nomistas dizem que o grupo tem ainda outros desafios, como au- mentar a sua força política e aumentar o comércio entre os países. Os cinco países têm interesses conflitantes, mas poderiam usar a reunião na Índia, pelo menos, para começar a acertar as arestas.

G-20

Desde 1999, os países que possuem as maiores economias do mundo reúnem-se em grupo chamado G-20, nascido durante uma reunião do G-8 (que reunia as sete maiores economias mais a Rús-

sia), ele é composto pelos ministros das finanças e presidentes de bancos centrais de 19 países, além de um representante da União Europeia. Integrantes do FMI e do Banco Mundial participaram dos encontros como convidados para legitimar as ações do grupo.

O G-20 é um fórum de cooperação e de consulta sobre as-

suntos relacionados ao sistema financeiro internacional. O grupo realiza estudos e discute políticas relacionadas à promoção da es- tabilidade financeira internacional, abordando questões que extra- polam os poderes de qualquer organização. Os países-membros são: Argentina, África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Austrá- lia, Brasil, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, México, Reino Unido, Rússia e Turquia. O G-20 nasceu depois das sucessivas crises financeiras ocor- ridas na década de 1990. Seu objetivo é aproximar os países e me- lhorar a negociação internacional, tendo em vista o crescimento econômico e sua influencia no cenário mundial. Juntos os países- membros do G-20 somam 90% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, 80% do comercio global (incluindo o comercio intra-UE) e dois terços da população do planeta. A “liderança” do grupo é rotativa entre os membros. O “líder” anual fica responsável por coordenar o grupo e organizar seus encontros anuais.

10/01/2014

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BRICS

O termo BRIC foi criado pelo economista Jim O’Nill, em

2001, para referir-se aos cinco países que apresentarão maiores taxas de crescimento econômico até 2050. BRICS são as inicias de Brasil, Rússia, Índia, China e mais recentemente África do Sul, países em desenvolvimento, que, conforme projeções serão maio- res economicamente que o G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália). O BRICS não é um bloco econô- mico, e sim uma associação comercial, onde os países integrantes

apresentam situações econômicas e índices de desenvolvimento parecidos, cuja união visa à cooperação para alavancar suas eco- nomias em escala global.

parecidos, cuja união visa à cooperação para alavancar suas eco- nomias em escala global. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Ao final do encontro de

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Ao final do encontro de dois dias, os líderes mundiais concor- daram que os 29 maiores bancos globais precisam ser reestrutu- rados, para garantir que, em caso de dificuldades, não dependam dos recursos dos contribuintes para ser resgatados. A lista com os nomes das instituições financeiras de “importância sistêmica”, cuja falência poderia colocar em risco a economia global, foi fe- chada durante a cúpula. De acordo com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, estes bancos precisam manter altas suas reservas de capital, para ficarem mais preparados contra eventuais riscos. Também os chamados shadow banks (bancos paralelos), como os fundos de capital de risco, devem receber maior controle a partir de um plano que será desenvolvido até meados do ano que vem. Além disso, os chefes de Estado e de governo do G20 con- cordaram que cada país precisa cumprir sua parte para fortalecer o crescimento global e aumentar os postos de trabalho. A Alemanha lembrou mais uma vez a promessa feita na cúpula em Toronto há dois anos: os países do G20 precisam reduzir seus déficits orça- mentários até meados de 2013 e estabilizar suas dívidas até 2016. Os líderes do G20 aumentaram a pressão sobre os europeus para que reforcem as medidas com o intuito de impedir que a Itália siga o mesmo caminho que a Grécia, afundada em dívidas. Sob pressão dos Estados Unidos e dos emergentes, a Itália aceitou a condição de ter seu programa de reforma e de austeridade sob mo- nitoramento internacional. Uma maior participação do Fundo Mo- netário Internacional (FMI) na economia italiana deve levar mais segurança aos mercados, facilitando financiamentos. Bildunterschrift: As maiores economias globais acertaram ainda tentar limitar os efeitos da crise aumentando as reservas do FMI, segundo o presidente da UE, Herman Van Rompuy. A me- dida terá como objetivo restabelecer a confiança e reduzir os ris- cos de contágio da crise da dívida europeia. Ainda não se definiu exatamente, no entanto, como este reforço será feito. Ele deverá contar com contribuição voluntária de países – o Brasil já declarou estar disposto a contribuir com o FMI. Países emergentes como China, Índia e Brasil saem reforçados da cúpula. O G20 quer, a médio prazo, adotar um sistema monetá- rio multipolar – que reflita o peso destes Estados, tendo uma base mais ampla e estável e reduzindo a dependência do dólar. Vemos que existe um contínuo desenvolvimento do sistema monetário in- ternacional, no qual futuramente um número maior de moedas terá mais influência. Com isso, a China teria a obrigação de flexibilizar sua política monetária. Atualmente, a moeda norte-americana per- faz cerca de 9,6 trilhões de dólares das reservas mundiais – cerca de dois terços do total. O euro vem em seguida, correspondendo a um quarto dessas reservas. A presidente Dilma Rousseff acredita que a reunião de cúpula do G20, na França, foi um “sucesso relativo”, devido à falta de detalhamento sobre como a Europa será ajudada a resolver seus problemas fiscais. “Não é sucesso absoluto, mas é relativo porque os países da zona do euro deram um passo à frente sobre a forma de enfrentar a crise”. Não acredita que uma reunião resolva os pro- blemas do mundo. Ela deixou claro que as dificuldades da Europa dominaram não só o encontro de cúpula como as reuniões bilaterais ocorridas paralelamente. Conforme a presidente, todas as lideranças estavam preocupadas sobre os desdobramentos dos problemas no bloco. Os europeus precisavam de mais tempo para concretizar suas próprias medidas. Para a presidente, entretanto, houve avanços na cúpula do G20 e o grupo mantém seu papel no enfrentamento de crises.

Objetivos do G-20

- Eliminar restrições no movimento de capital internacional.

- Evitar a desregulação financeira.

- Garantir direitos de propriedade intelectual e outros direitos de propriedade privada.

- Criar um clima de negócios que favoreça investimentos es- trangeiros diretos.

- Estreitar o comércio global (pela OMC e por acordos bilate- rais de comércio).

- Incrementar políticas econômicas internacionais.

- Combater abusos no sistema financeiro.

- Administrar crises internacionais.

- Combater a falta de transparência fiscal.

Com a retomada do crescimento econômico desequilibrado entre os países depois da crise financeira internacional, iniciada em 2008, o consenso foi traçar estratégias diferentes para cada caso ara reduzir os déficits públicos e tornar o sistema bancário mais seguro. As principais preocupações atuais em relação à economia glo- bal são as dependências de países como China e Alemanha das ex- portações e o endividamento de nações como os Estados Unidos. Junto com as dívidas da Grécia, também estão no foco as finanças públicas prejudicadas da Grã-Bretanha, Alemanha, Espanha, Itália e outros países europeus menores. O objetivo mais imediato do G-20 é mostrar progresso em sua promessa de reequilibrar à eco- nomia global.

Encontro de Cúpula

Seul - O encontro dos líderes das 20 principais economias do mundo, o G20, que aconteceu em Seul, na Coreia do Sul, tentará dar um norte mais claro às finanças dos países, envoltos em ques- tões complexas como a injeção de dinheiro na economia dos Esta- dos Unidos, o temor com a insolvência da Irlanda ou a propagada guerra cambial. A reunião de cúpula do G-20 em Seul teve como tema a guerra cambial que afeta o comércio internacional, em razão da desvalo- rização do dólar, com a consequente valorização das moedas de outros países, o que torna os produtos desses países mais caros no mercado global e, portanto, menos competitivos. No final do encontro, os líderes do grupo emitiram uma decla- ração, comprometendo-se a evitar desvalorizações competitivas de moedas e a fortalecer a cooperação internacional, visando reduzir os desequilíbrios globais. Analistas avaliaram o comunicado do G20 apenas como uma declaração de intenções, sem indicação de medidas concretas.

Cannes - Líderes das maiores economias globais estabelem em Cannes regras que garantem estabilidade dos maiores bancos do mundo. Mudança no sistema monetário internacional refor- ça posição de países emergentes como Brasil e China. A reunião avançou no que diz respeito à regulação de mercados financeiros – mas não conseguiu indicar uma saída para o fim da crise da dívida que atinge a zona do euro e preocupa o mundo. O encontro do G20 também foi marcado pela crise política na Grécia, desencadeada após o anúncio e posterior suspensão de um referendo para apro- vação popular do pacote europeu de resgate ao país.

suspensão de um referendo para apro- vação popular do pacote europeu de resgate ao país. Didatismo

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Sobre FMI - Dilma defendeu

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Sobre FMI - Dilma defendeu que qualquer ajuda financeira à zona do euro seja feita por meio do Fundo Monetária Interna- cional, e acrescentou que o Brasil se dispôs no encontro do G20 a participar da capitalização do Fundo. O Brasil tem um mecanismo, que é o mecanismo que rege as relações internacionais, via Fundo

Monetário. Dilma disse ainda que os países que compõem os Brics - Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - concordaram duran- te a cúpula do G20 que uma eventual ajuda à zona do euro, que en- frenta uma aguda crise de dívida, deve ser feita por meio do FMI.

A presidente voltou a defender uma reforma na governança

do organismo multilateral de crédito que, na avaliação dela, deve refletir a mudança de correlação de forças no cenário global. Na entrevista, argumentou que uma ampliação do FMI contribuirá também para a redução do risco sistêmico na economia global. Na avaliação de Dilma, os países da zona do euro “deram um passo à frente” no enfrentamento da atual crise econômica e o en- contro também resultou em um consenso “entre muitos países do G20” de que a retomada da estabilidade econômica passa pela re- cuperação do crescimento da economia. O Brasil se coloca favora- velmente à criação de uma taxa financeira global, proposta defen- dida já há algum tempo por algumas lideranças europeias, como França e Alemanha. Não é contra se todos os países adotarem uma taxa. Se houver uma taxa financeira global, o Brasil adota também.

Encontro Ministerial

Brasil testa seu protagonismo em encontro do G20, apresen- ta propostas polêmicas em meio ao acirramento das divergências entre ricos e emergentes. A comitiva brasileira desembarcou em Paris para o primeiro encontro do G20 – grupo das 20 maiores economias do mundo, formada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, pelo secretário de Assuntos Internacionais, Carlos Co- zendley, e por outros dois assessores, a equipe chegou ao fórum com propostas que contrariam o interesse dos países desenvolvi-

dos, entre eles, a França, anfitriã do encontro. A pauta da reunião estava basicamente formada por três temas centrais: a alta do preço das commodities, a regulação do sistema financeiro mundial e a chamada guerra cambial. Em pelo menos dois deles – commodi- ties e câmbio -, o Brasil pôde ter voz significativa nos debates.

O Brasil foi um dos protagonistas do encontro e um dos prin-

cipais interessados na discussão fundamental, que é a desordem cambial mundial. O desenvolvimento do Brasil, no fundo, depende de alguma coordenação internacional com relação ao câmbio. Ao mesmo tempo em que critica a postura de países como a China – que mantêm sua moeda subvalorizada para favorecer as exporta- ções, o país também critica a “exclusividade” do dólar como moe- da de reserva global. Já no debate sobre as commodities, o Brasil chegou a Paris com uma proposta discutida e alinhada com a Ar- gentina – algo que nunca tinha acontecido de forma oficial. Os dois países – que são grandes exportadores dos produtos básicos – são

contrários à proposta defendida pela França de controlar estoques no mercado internacional e, com isso, segurar a forte valorização nos preços.

O principal tema em pauta foi a crise econômica internacio-

nal e seus efeitos sobre os países ricos e em desenvolvimento. A reunião ministerial do G20 ocorreu no momento em que houve ru- mores sobre o risco de liquidez dos bancos europeus. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, defenderam a necessidade urgente de recapitalização do

setor bancário.

G-07

O grupo dos sete países mais ricos do mundo, o G-7, forma-

do por Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Reino Uni- do, Itália e Japão, se reuniu para uma nova rodada de discussões. Desta vez, a pauta principal foi a situação da economia global e

o crescente endividamento das comunidades do euro. A ideia do

encontro era pôr a economia global no caminho da recuperação. No entanto, o evento foi encerrado sem acordo sobre o conteúdo das reformas do sistema financeiro mundial, embora os países- membros tenham deixado claro que não há divergência sobre a prevenção de futuras crises. A reforma do sistema financeiro foi um dos temas mais con-

flituosos da reunião, que também teve a presença dos presidentes dos bancos centrais dos países-membros assim como dos chefes do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn;

e do Banco Mundial, Robert Zoellick. Estados Unidos, França e

Reino Unido mostraram disposição para empreender uma reforma normativa em nível mundial do setor financeiro, mas o Canadá foi reticente. Os setes líderes concordaram que os bancos devem con- tribuir de alguma forma com os custos desta recuperação. Os desequilíbrios globais também entraram na pauta, e a Chi-

na foi o principal alvo. A maioria dos países do G7 considera que

a moeda chinesa está abaixo de seu valor real para favorecer as ex- portações do gigante asiático. A crise econômica da Grécia consi- derada grave, foi apontada como uma prioridade. Durante o even- to, as bolsas mundiais caíram ao nível mais baixo em três meses,

e o euro atingiu seu menor valor desde maio de 2011. Diante do

quadro, países da Zona do Euro, como Grécia, Espanha e Portugal, ficaram sob pressão para provar que deixarão as contas públicas

sob controle. O medo é que as crises destes países “contaminem” os outros. A unanimidade ficou por conta do cancelamento da dívi- da externa do Haiti com as instituições internacionais para ajudar

o país a se reconstruir após o terremoto que assolou a capital Porto Príncipe. Segundo o FMI, a dívida total do Haiti chegava a US$ 1,3 bilhão, e o maior credor era o Banco Interamericano de Desenvol- vimento (BID), com um total de US$ 447 milhões. O maior país credor do Haiti era a Venezuela, mas o governo anunciou o perdão da dívida, em grande parte derivada da compra de combustível.

O G7 controla taxas comerciais internacionais e outros mercados

através de comunicados divulgados após as reuniões, que acon- tecem várias vezes ao ano. Em encontro do grupo em Istambul, foi discutida a criação de um Grupo dos Quatro, que teria EUA, Europa, Japão e China. Este grupo substituiria o G7, embora cla- ramente enfraquecido, não deixaria de existir, mas teria uma nova função, ainda em discussão. Ao final do encontro em Iqaluit, no Canadá, os organizadores anunciaram que não iriam emitir um co- municado como é praxe ao término das discussões do grupo. Para

analistas, este já seria um sinal de desgaste do G7, que vem sendo substituído como principal fórum de discussão da economia pelo G20, que inclui China, Brasil e outros países em desenvolvimento. Os ministros de finanças e os presidentes dos bancos centrais da União Europeia e dos países do G7 (Alemanha, Canadá, Esta- dos Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) se reuniram em Marselha. O comunicado final da reunião foi cheio de obviedades

e sem nenhuma sugestão concreta, o que acentuou as inquietações

sobre a crise nos países desenvolvidos. A queda generalizada das bolsas mundiais responde, em boa parte, às frustrações geradas pelo encontro. O G7 limita-se a declarar que vai trabalhar em con- junto com os outros países do G20 e com o FMI para “reforçar” o crescimento da economia mundial.

os outros países do G20 e com o FMI para “reforçar” o crescimento da economia mundial.

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Em 4 de agosto de

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Em 4 de agosto de 2005 foi anunciado que a China e os EUA entraram em acordo para bloquear a proposta do G4. O Japão dei- xou, formalmente, o Grupo dos Quatro (G4) em 6 de janeiro de

2006, depois de ter criticado a nova proposta apresentada por Bra- sil, Alemanha e Índia para reformar o Conselho de Segurança da ONU. O país considera que a mesma tem escassas possibilidades de obter os apoios necessários. Essas críticas complicaram o am- biente no grupo que, até então, tinha uma causa comum. Porém o Japão parece ter voltado atrás na sua decisão, pois em julho de 2007 ele se reuniu com o grupo em Nova Iorque para discutir a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

O G4 (Brasil, Alemanha, Japão e Índia) defende a reforma

do conselho de tal forma que reflita o mundo atual. O formato em vigor é do período após a 2ª Guerra Mundial. Os ministros Antônio Patriota (Brasil), Guido Westerwelle (Alemanha), Koichiro Gem- ba (Japão) e Ranjan Mathai (Índia) reuniram-se, em Nova York, para discutir a ampliação do Conselho de Segurança. Após o en- contro dos chanceleres, foi divulgado um comunicado com cinco parágrafos, no qual os quatro governos reiteram a necessidade de retomar o debate sobre a reforma do órgão.

Os ministros expressaram a visão sobre o forte apoio para uma

expansão em ambas as categorias, que deve ser refletida no proces- so de negociação entre os Estados-membros e solicitam a elabo- ração de um documento conciso como base para futuras negocia- ções. Nas discussões sobre a ampliação do Conselho de Segurança há várias propostas. Uma delas sugere a ampliação de 15 para 25 vagas no total, abrindo espaço para um país em cada continente. Nas Américas, o Brasil e a Argentina pleiteiam uma vaga no órgão. Na África, não há consenso. Ao longo da declaração conjunta, os ministros reiteram que é fundamental rever o formato atual do Conselho de Segurança. É necessário promover a reforma a fim de melhor refletir as realida- des geopolíticas de hoje. Os países do G4 reafirmaram compromis- sos como aspirantes a novos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, bem como seu apoio às respectivas candi- daturas. Também reafirmam sua visão da importância de a África ser representada. No discurso de abertura da 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas, a presidenta Dilma Rousseff reiterou seu ape- lo para que a comunidade internacional retome o debate sobre a reforma do Conselho de Segurança. Segundo ela, da forma como está, as decisões têm sido tomadas à revelia do órgão, o que não é positivo nem colabora para a multipolaridade.

De imediato, as atenções estão focadas nos países mais frá- geis da zona euro e no impasse que paralisa o governo alemão. Decidida pelos governantes da União Europeia, o aumento de 440

bilhões para 780 bilhões de euros da capacidade de empréstimo do FEEF, tem de ser votado pelo Parlamento alemão. Como a maior economia dos países da moeda única, a Alemanha deverá prover 211 bilhões de euros de garantia de crédito para o FEEF.

A Corte Constitucional Federal, o mais alto tribunal do país,

sediado em Karlsruhe, rejeitou três arguições de inconstituciona- lidade do empréstimo ao FEEF. Mas determinou também que os pacotes de ajuda do FEEF aos países da zona euro devem ser apro- vados, caso por caso, pelo Parlamento alemão. No final das contas, tal dispositivo tira parte da vantagem do FEEF para gerir a crise do euro. Paralelamente, prosseguem as discussões mais discretas sobre a criação de um Eurobond, um título público da zona euro, bancado pelos 17 países que possuem a moeda única. Obviamente, o Eurobond aumentaria um pouco os custos dos empréstimos da Alemanha, mas diminuiria os juros dos emprésti-

mos da Grécia, da Irlanda, da Espanha e da Itália. No médio prazo,

o euro se tornaria uma moeda mais estável, com ganhos para todos

os países que utilizam a moeda única. Efetivamente, a Alemanha também seria bastante favorecida com a criação do Eurobond, por- quanto o país realiza regularmente a maior parte de seu supera- vit comercial no interior da zona euro. No entanto, antes mesmo de ser oficialmente cogitado pela União Europeia, o Eurobond já parece confirmar os temores dos que se opõem à sua criação. A eventual instauração do novo título da zona euro já está tendo um efeito negativo, na medida em que a Grécia e a Itália, esperando obter empréstimos mais baratos no quadro do Eurobond, reduzem as medidas de austeridade orçamentária determinadas pelos acor- dos do FEEF.

G-04

O G4 é uma aliança entre Alemanha, Brasil, Índia e Japão com

a proposta de apoiar as propostas uns dos outros para ingressar em lugares permanentes no Conselho de Segurança das Nações

Unidas. Diferentemente de outras alianças similares como o G7

e o G8, onde o denominador comum é a economia ou motivos

políticos a longo termo, o objetivo é apenas buscar um lugar per- manente no Conselho. A ONU possui atualmente cinco membros permanentes com poder de veto no Conselho de Segurança: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. Enquanto quase todas as nações concordam com o princípio que a ONU precisa de uma reforma que inclui expansão, poucos países desejam negociar quando a reorganização deve acontecer. Também há descontentamento entre os membros permanentes atuais quanto à inclusão de nações controversas ou países não apoiados por eles. Por exemplo, a República Popular da China é contra a entrada do Japão e a Alemanha não recebe apoio dos EUA.

A França e o Reino Unido anunciaram que apoiam as reivindi-

cações do G4, principalmente o ingresso da Alemanha e do Brasil. Uma questão importante são os países vizinhos (com chances me- nores de ingressar) aos que propõem a entrada que frequentemente são contra os esforços do G4: o Pasquitão é contra a entrada da

Índia; a Coréia do Sul e a China são contra o Japão; a Argentina e

o México são contra o Brasil e a Itália é contra a Alemanha; for- mando um grupo que ficou conhecido como Coffee Club, contra a expansão do Conselho por aqueles que a propõem.

Sociedade Brasileira

Intimidade Compartilhada na Internet

No Brasil, a privacidade é um direito de todos, garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal de 1988. Sendo assim, são in- violáveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. Uma das formas cada vez mais frequente de violar a privacidade de uma pessoa é o “sexting”, quando vídeos e imagens com conteúdo sexual vazam na internet ou via celulares sem o consentimento de todos os envolvidos. Ca- sos recentes ocorridos no Brasil em 2013 ilustram o quão grave é a exposição desse conteúdo na internet.

no Brasil em 2013 ilustram o quão grave é a exposição desse conteúdo na internet. Didatismo

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS No Brasil, a vítima de

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

No Brasil, a vítima de sexting ainda encontra dificuldade para ver o culpado punido. Para tentar coibir a prática, quatro projetos tramitam no Congresso propondo penas mais severas. Em maio de 2013, o deputado João Arruda (PMDB/PR) propôs alterações à Lei Maria da Penha, estendendo-a para o ambiente virtual. Outros dois projetos buscam tipificar o crime de divulgação pública de imagens de vídeos de segurança e acrescentar ao Código Penal a conduta de divulgação de fotos ou vídeos com cena de nudez ou ato sexual sem autorização da vítima.

O quarto projeto, da deputada Eliane Lima (PSD/MT), visa

punir quem praticar a chamada vingança pornográfica. A pena pro-

posta é de um ano de reclusão e multa de 20 salários mínimos. A parlamentar cita como exemplo o caso da jornalista Rose Leonel, que por muito tempo recebeu ligações de estranhos procurando por sexo. O ex-namorado havia cadastrado fotos íntimas da jovem em sites de pornografia e de garotas de programa, com seus dados pes- soais e telefone celular. Rose Leonel criou a ONG Marias da In- ternet, que ajuda mulheres que passaram por situação semelhante.

A Câmara dos Deputados também deve incluir no Marco Civil

da Internet, mecanismos para retirada de conteúdo da rede de ima- gens íntimas que prejudiquem os envolvidos. A proposta ainda está

em discussão e segundo o deputado Alessandro Molon (PT-RJ),

relator do projeto, o texto prevê que o provedor que disponibilizar

o conteúdo gerado por terceiros poderá ser responsabilizado pela

divulgação do material que contenha nudez ou sexo de caráter pri- vado sem autorização de seus participantes.

Uma jovem de 16 anos do interior do Rio Grande do Sul e

outra adolescente de 17 anos, do interior do Piauí, cometeram sui- cídio após terem suas imagens íntimas divulgadas na internet e compartilhadas em redes sociais. A primeira teria sido vítima de um colega de escola, suspeito de ter publicado a foto íntima da jovem. A segunda teve imagens em que aparece tendo relações sexuais compartilhadas no aplicativo de bate-papo Whatsapp. Em Goiânia, uma jovem de 19 anos precisou deixar o empre- go e desenvolveu um quadro de depressão após um vídeo gravado com o namorado ter sido postado na internet sem o seu consen- timento. O caso virou “meme” e piada em redes sociais como o Facebook. O principal suspeito é o ex-namorado da vítima. Os casos chocaram as cidades onde as jovens moravam e levantaram

a discussão sobre violação da privacidade na internet e as conse-

quências que para quem passa por essa situação. A palavra “sexting” é uma junção das palavras sex [sexo] e texting [envio de mensagens] e poderia ser apenas a troca de ima- gens eróticas ou sensuais entre casais, namorados ou pessoas que estão em algum tipo de relacionamento, mas acabou tornando-se uma prática “criminosa” e vingativa. Não à toa ganhou o apelido de “pornografia de revanche”, já que em muitos casos são ex-na-

morados ou ex-maridos que publicam na internet fotos e vídeos das namoradas como forma de vingança após o fim do relaciona- mento. Entre os casos de sexting levados à justiça no Brasil, a maio-

ria são de vingança. Os danos são muitos e o acesso à imagem pode fugir do controle, sendo difícil retirar o material de sites e dos sistemas de busca online. Uma das soluções buscadas pelas autoridades para inibir a prática é a punição dos responsáveis. Os adolescentes são o grupo que mais preocupa psicólogos, pais e es- pecialistas em segurança na internet. Usuários das redes sociais, muito expostos e hiperconectados, eles acabam sendo alvo fácil de casos de sexting por não se preocuparem com a segurança de suas informações. O sexting reúne características de diferentes práticas ofensi- vas e criminosas. Envolve ciberbullying por ofender moralmente

e difamar as vítimas que têm suas imagens publicadas sem seu

consentimento; estimula a pornografia infantil e a pedofilia em casos envolvendo menores. Em outros casos, enquadra-se como roubo de informações, como o que ocorreu com a atriz Carolina Dieckman, em 2012. Além disso, no caso das mulheres, o autor da divulgação de imagens íntimas na internet sem autorização pode ser punido por difamação com base na Lei Maria da Penha. Na Califórnia (EUA), para tentar conter a onda de publicações de ima- gens de mulheres nuas ou seminuas por vingança foi criada uma lei que prevê pena de prisão de até seis meses e multa de até US$ 1.000 para quem publicar na internet fotografias ou vídeos de ex- cônjuge ou ex-namorada sem consentimento. Nos casos envolvendo menores de idade, os responsáveis pela

divulgação podem ser enquadrados no artigo 241-A do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que qualifica como crime grave

a disseminação de fotos, vídeos ou imagens de crianças ou adoles-

centes em situação de sexo explícito ou pornográfica, com pena de 3 a 6 anos. Quatro Estados norte-americanos já classificam o

sexting como crime de pornografia infantil ou exploração sexual de menores e preveem também punições para menores de idade que criarem ou transmitirem imagens com conteúdo sexualmente explícito.

27/12/2013

http://vestibular.uol.com.br/

resumo-das-disciplinas/atualidades

Educação Brasileira

Universidade de São Paulo - USP

A USP perdeu pelo menos 68 casas no ranking universitário

THE (Times Higher Education), a principal listagem de univer- sidades da atualidade. A universidade - única do Brasil que fi- gurava entre as 200 melhores do mundo - passou de 158º lugar em 2012 para o grupo de 226º a 250º lugar. A posição específica

no ranking não é informada pelo THE, que, a partir do 200º lugar, divulga os resultados em grupos de universidades.

A Unicamp também caiu e passou de 251º a 275º lugar (em

2012) para 301º a 350º lugar. Os Estados Unidos continuam do- minando o ranking. A melhor universidade do mundo, Caltech, é norte-americana. Além disso, 77 das 200 melhores do mundo estão em solo dos EUA. O editor do THE, Phil Baty, classificou o resul-

tado como “negativo para o Brasil”. “Um país com seu tamanho

e poder econômico precisa de universidades competitivas interna-

cionalmente”, disse. “É um golpe sério perder a única universi- dade que estava entre as 200 melhores.” Baty destacou ainda a importância da internacionalização nas universidades brasileiras para melhorar os resultados. “É preciso incentivar o uso do inglês na sala de aula. Muitos países que não são de língua inglesa já usam o inglês no meio acadêmico.” Entre eles, estão a Holanda, a Alemanha e a França - países com univer- sidades entre as cem melhores do mundo. Essa bandeira do inglês tem sido destacada também por especialistas brasileiros.

do mundo. Essa bandeira do inglês tem sido destacada também por especialistas brasileiros. Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS em sinais digitais para que

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

em sinais digitais para que o exoesqueleto possa entender e receber os sinais de feedback, que serão transmitidos de volta ao paciente. Essa veste vai conter todos os motores hidráulicos que vão mover

o exoesqueleto e as baterias, outro componente fundamental, for-

necedoras da potência para o exoesqueleto funcionar”. As pesquisas de Nicolelis estudam a unidade básica funcional do sistema nervoso central como sendo uma população difusa de neurônios que interagem em circuitos e que o cérebro funciona como uma rede dinâmica, integrando diferentes áreas no mesmo processo. A partir dessa ideia, foram realizados testes com macacos rhe- sus. Eles receberam implantes de sensores wireless (sem fio) que enviam informações de atividade cerebral 24 horas por dia. Em um dos experimentos, um macaco aprendeu a jogar vídeo game com controle. Depois de um tempo, o controle foi substituído por um braço robótico ligado aos sensores no cérebro do macaco. Com isso, ele pode jogar usando apenas seus impulsos elétricos. As experiências mostraram que os macacos aprenderam a controlar os movimentos de ambos os braços de um corpo virtual, também chamado “avatar”, usando apenas a atividade elétrica do cérebro, comprovando a boa interação entre cérebro-máquina.

Um dos avanços da pesquisa foi mostrar que o sistema soma- tossensorial, que nos permite ter sensações em diferentes partes do corpo, pode ser influenciado pela visão. Ou seja, a mente se mostra capaz de assimilar membros artificiais, como as neuropró- teses, como parte da própria imagem corporal. Após a Copa, as pesquisas para aperfeiçoar o exoesqueleto continuam, com o obje- tivo de levar novas possibilidades a quem precisa de mobilidade,

como deficientes físicos que sofrem de algum tipo de paralisia ou limitações motoras e sensoriais causadas por lesões permanentes da medula espinhal. Exemplos de exoesqueletos não faltam no mundo da ciência. De modo geral, eles são pensados para completar a força e a mo- bilidade humana. As primeiras pesquisas nos Estados Unidos, na década de 1960, eram voltadas para o campo militar. A ideia era aumentar a capacidade de carregamento de quem trabalhava nos navios de submarino; depois, na década seguinte, o exoesqueleto seria pensado para equipar os homens da infantaria. Atualmente, o Exército norte-americano trabalha na produção de um exoesquele-

to para os soldados, o que traria mais estabilidade e força, elemen-

tos vitais para o combate. Fora desse contexto, o primeiro projeto de um exoesqueleto

foi o SpringWalk, criado pelo pesquisador do Laboratório de Jato- propulsão da NASA, John Dick, Califórnia (EUA), no início dos anos 1990. O projeto de Dick cria pernas articuladas, que reduzem

a força dos humanos. Outros projetos caminham na direção do projeto de Nicolelis.

É o caso do HAL (Hybrid Assistive Limb, ou Membro Assistente

Híbrido). Desenvolvido no Japão, esse exoesqueleto pretende dar mobilidade às pernas. Outra versão mais moderna inclui todos os membros. Quem usar a veste consegue erguer cinco vezes mais o peso que consegue carregar. A ideia é que o HAL melhore a mobi- lidade de paraplégicos e idosos e ajude trabalhadores que precisam usar a força física a não fazê-lo em nível prejudicial.

De acordo com Leandro Tessler, físico da Unicamp e espe- cialista em relações internacionais, há uma resistência interna na universidade brasileira ao inglês. “Temos a tradição de resistir a cursos em inglês na universidade, como se fosse uma questão de soberania”. Sem ter aulas em inglês, o Brasil perde pontos em boa parte dos indicadores do THE, que avaliam, por exemplo, a quan- tidade de alunos e de professores estrangeiros. Além disso, as publicações científicas exclusivamente em português também diminuem a quantidade de citações recebidas por outros cientistas. Esse critério - as citações - valem 30% das notas recebidas por cada universidade. O Brasil foi o único país que saiu do grupo de países com universidades entre as 200 me- lhores do mundo. Noruega, Espanha e Turquia entraram para o grupo de elite.

02/10/2013

http://www1.folha.uol.com.br/

educacao/2013

Ciências e Tecnologia

Neurociência

A Copa do Mundo no Brasil em 2014 será iniciada com o pon- tapé de um jovem paraplégico usando um exoesqueleto. A promes- sa é do neurocientista Miguel Nicolelis, que trabalha no projeto Andar de Novo. Com ajuda do exoesqueleto, uma veste robótica controlada por pensamentos, os sensores captam a atividade elé- trica dos neurônios e transformam os pensamentos em comandos. Segundo o neurocientista, para que isso ocorra com sucesso,

o cérebro precisa ser novamente treinado por meio de estímulos

que provoquem as reações necessárias para desencadear os movi- mentos. A invenção já foi pensada para fins militares, para auxiliar em atividades cotidianas em que é necessária a força, e agora pode ser um avanço para levar mobilidade a idosos e pessoas com defi-

ciências físicas. Quem possui um corpo sem deficiências tem os movimentos,

a ação e reação coordenados pelo sistema nervoso que emite co-

mandos para os órgãos e glândulas. Quando há um problema ou um dano físico, os sinais emitidos pelo sistema nervoso têm sua passagem interrompida. O exoesqueleto pode reverter a situação por meio da interação cérebro-máquina. Os sinais emitidos do sen- sor localizado no cérebro serão transmitidos em uma unidade si- milar a um laptop, carregada pela pessoa em uma mochila. O com- putador ainda transmitiria os sinais elétricos cerebrais, enquanto o exoesqueleto estabiliza o corpo da pessoa e executa o comando.

No futuro, a ideia é que pacientes usem a veste como uma roupa normal, mas que teria inúmeras funcionalidades, como o Homem de Ferro. Segundo o neurocientista, para que o processo funcione com sucesso, o cérebro precisa ser retreinado por meio de estímulos que provoquem as reações necessárias para desencadear os mo- vimentos. Em entrevista, ele descreveu melhor como funcionará

a comunicação entre exoesqueleto e o cérebro. “Além da veste, o

exoesqueleto tem uma mochila, que é a central de controle, que é o cérebro do exoesqueleto que vai dialogar com o corpo do paciente. Essa central vai captar os sinais do cérebro do paciente, traduzi-los

03/01/2014

http://vestibular.uol.com.br/

resumo-das-disciplinas/atualidades

traduzi-los 03/01/2014 http://vestibular.uol.com.br/ resumo-das-disciplinas/atualidades Didatismo e Conhecimento 10

Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Esta foi a primeira suspensão

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Esta foi a primeira suspensão em muitos anos de história do Mercosul. Com ela, o novo governo paraguaio não pode participar

das reuniões e decisões até as eleições presidenciais de abril de 2013, mas não sofrerá sanções econômicas. Sob o entendimen- to de que o processo de impeachment ocorreu sem espaço para a ampla defesa do ex-presidente Fernando Lugo e rompeu a ordem democrática do país, o Paraguai também foi suspenso da União de Nações Sul-Americanas (Unasul). A Unasul argumenta que a realização de eleições democráticas e transparentes é condição fundamental para acabar com a suspensão do Paraguai do bloco,

e a posição se mantém até hoje. No final de novembro, a Cúpula

dos Chefes de Estado e Governo da Unasul, que ocorreu em Lima, no Peru, decidiu manter a suspensão do Paraguai. Os líderes con- cluíram que não houve fato novo que motivasse a revogação da

medida.

A suspensão do Paraguai abriu uma brecha para que a Ve -

nezuela se tornasse membro-pleno do bloco. O Paraguai era o único que tinha posição contrária à integração dos venezuelanos. As adaptações para a participação venezuelana vêm sendo feitas desde então. Recentemente, o Brasil promulgou a adesão do país ao grupo e os chanceleres do Mercosul conseguiram fechar uma série de negociações para garantir que a Venezuela terá atendido as principais exigências para ser integrada de forma plena ao blo- co. O bloco, com a entrada dos venezuelanos, passa a contar com Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 3,32 trilhões, o que equiva- le a aproximadamente 82,2% do PIB sul-americano. A população soma 275 milhões de habitantes. Em meio às reviravoltas, a Bolívia que já era membro associa- do do Mercosul , também aceitou se integrar ao bloco. O presiden- te da Bolívia, Evo Morales, assinou o protocolo de adesão. Esta, no entanto, foi à primeira etapa do processo, que costuma levar anos por envolver questões técnicas e jurídicas. A adesão do país comandado por Evo Morales foi um dos destaques do documento final da Cúpula de Estado dos Chefes de Estado do Mercosul.

Energia

Pré-Sal

A Petrobras prevê para o segundo semestre de 2014 a entrada em operação de mais duas plataformas, ambas a serem emprega- das no pré-sal. Em 2013, a companhia concluiu um recorde de nove plataformas, sendo pelo menos cinco já em produção e as

restantes já no local ou a caminho do destino final de operação. As duas novas plataformas - Cidade de Ilhabela, em Sapinhoá Norte;

e Cidade de Mangaratiba, em Iracema Sul - vão ajudar a compa-

nhia a elevar a partir de 2014 sua produção de petróleo, estagnada há três anos. Nos dois últimos anos, a petroleira reduziu metas anuais para intensificar seu cronograma de manutenção. A retomada da pro- dução é esperada para 2014, embora a elevação seja projetada por alguns analistas para não mais que 7%. As estimativas podem ser revisadas nas próximas semanas depois que a companhia divul- gar o resultado da produção de petróleo em 2013, que deve ficar abaixo da meta de 2,022 milhões de barris por dia estabelecida internamente. É a área do pré-sal que tem sustentado a produção da Petro- bras estável, compensando baixas na tradicional Bacia de Campos

e o declínio natural dos poços, que a estatal divulga ser de 10% a

11% ao ano, em média. Em 2013, todos os poços perfurados no pré-sal tiveram sucesso exploratório. A contribuição na produção total da empresa é estimada para passar de 7%, em 2012, para 42% em 2017 e 50% em 2020. A Petrobras ressalta ter alcançado um recorde diário de 371 mil barris de petróleo no último dia 24 de dezembro na área de pré-sal, com 21 poços em operação, ou uma produtividade de 18 mil barris/dia por poço. Em alguns casos, a produção chega a 30 mil barris por poço, acima das expectativas iniciais da própria companhia. A Petrobras compara o resultado a áreas referência de produção no mundo. A produtividade no Mar do Norte, diz, é de até 15 mil barris/dia, e, no Golfo do México, de até 10 mil barris/ dia. A estatal lembra ainda que a marca de 300 mil barris dias foi alcançada em sete anos, enquanto o mesmo número foi atingido no Golfo do México sete anos após a primeira descoberta.

08/01/2014

http://exame.abril.com.br/

negocios/noticias

Relações Internacionais

Alguns fatos de destaque na questão das relações internacio- nais são importantes e devem ser comentados para esclarecimen- tos dos leitores. O Mercado Comum do Sul (Mercosul), bloco de integração econômica da América do Sul formado por Brasil, Argentina, Pa- raguai e Uruguai, passou por grandes mudanças ao longo ano. No Rio+20, o presidente paraguaio Fernando Lugo sofreu um proces- so de impeachment e foi deposto de seu cargo, dando lugar ao até então vice-presidente, Federico Franco. Lugo chegou a instaurar um governo paralelo, para fiscalizar a nova gestão paraguaia. De- pois da mudança de comando no governo, o país foi suspenso do bloco porque os países integrantes questionaram se a forma como se deu o processo não feria a democracia paraguaia.

Relações Comerciais

As trocas entre Brasil e Argentina passaram por alguns mo- mentos de crise também neste ano. O país vizinho suspendeu a concessão de licenças de importações de cortes de carne suína brasileira. A suspensão terminou com a assinatura de um acordo, entre os dois países, no início de outubro. Com o consenso, as exportações foram restabelecidas sob a condição de que o Brasil deveria agilizar o processo de liberação para importações de maçã, pera e marmelo da Argentina. O Mercosul também quer intensifi- car as parcerias com a União Europeia e a China, incrementando o comércio do bloco com as duas regiões e ampliando as oportuni- dades de exportações. A decisão de ampliar o relacionamento com os dois parceiros foi incluída em quatro itens dos 61 do documento final, denominado Comunicado Conjunto dos Presidentes dos Es- tados Partes do Mercosul.

O comunicado foi divulgado após reunião da Cúpula de

Chefes de Estado do Mercosul, no Itamaraty. Os presidentes dos países do Mercosul ressaltaram a importância das relações entre

o bloco e a China, os fluxos recíprocos de investimento para o

desenvolvimento de suas trocas comerciais. Em defesa das ações para o fortalecimento das relações entre o Mercosul e a China, os presidentes citaram a promoção de uma missão comercial conjunta a Xangai e de reunião de representantes governamentais. A China está hoje entre os principais parceiros de todos os integrantes do Mercosul.

A China está hoje entre os principais parceiros de todos os integrantes do Mercosul. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS que obrigava o transporte em

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

que obrigava o transporte em navios ingleses de todo o seu comér- cio de importação e exportação; com a política de restrição às ex- portações de lã em bruto e às importações de tecidos de lã; com as restrições à exportação de máquinas e à imigração de “técnicos”.

O documento final foi assinado pelos presidentes Dilma Rou-

sseff, José Pepe Mujica (Uruguai), Evo Morales (Bolívia), Cristina Kirchner (Argentina), Rafael Correa (Equador), Donald Ramotar (Guiana) e Desi Bouterse (Suriname), além do ministro de Minas e Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, da vice-presidenta do Peru, Marisol Cruz, e dos vice-chanceleres Alfonso Silva (Chile) e Mo- nica Lanzetta (Colômbia). Os chefes de Estado também defenderam um acordo de asso- ciação entre o Mercosul e a União Europeia, e se comprometeram a buscar um instrumento abrangente e equilibrado. O acordo, se- gundo eles, fortalecerá o comércio entre os dois blocos e impul- sionará o crescimento e o emprego nas duas regiões. De acordo com integrantes da União Europeia, há oportunidades de avançar

e até definir um acordo de livre comércio. Porém, os negociadores

brasileiros se queixam do excesso de obstáculos imposto pelos eu- ropeus a uma série de produtos brasileiros. Os entraves comerciais são as principais dificuldades para a retomada das negociações en- tre os dois blocos.

Políticas semelhantes utilizaram a França, a Alemanha, os Es- tados Unidos e o Japão. Países que não o fizeram naquela época, tais como Portugal e Espanha, não se desenvolveram industrial- mente e, portanto, não se desenvolveram. Se assim foi historica- mente, a realidade da economia atual é a de mercados financeiros e industriais oligopolizados em nível global por megaempresas multinacionais, cujas sedes se encontram nos países altamente de- senvolvidos. A lista das maiores empresas do mundo, publicada pela revista Forbes, apresenta dados sobre essas empresas cujo faturamento é superior ao PIB de muitos países. Das 500 maiores empresas, 400 se encontram operando na China. Os países alta- mente desenvolvidos protegem da competição estrangeira setores de sua economia como a agricultura e outros de alta tecnologia. Através de seus gigantescos orçamentos de defesa, todos, in- clusive a Alemanha e o Japão, que não poderiam legalmente ter forças armadas, subsidiam as suas empresas e estimulam o desen- volvimento cientifico e tecnológico. Com os programas do tipo “Buy American” e outros semelhantes, privilegiam as empresas nacionais de seus países; através da legislação e de acordos cada vez mais restritivos de proteção à propriedade intelectual, dificul- tam e até impedem a difusão do conhecimento tecnológico. Atra- vés de agressivas políticas de “abertura de mercados” obtém aces- so aos recursos naturais (petróleo, minérios etc) e aos mercados dos países periféricos, em troca de uma falsa reciprocidade, e con- seguem garantir para suas megaempresas um tratamento privile- giado em relação às empresas locais, inclusive no campo jurídico, com os acordos de proteção e promoção de investimentos, pelos quais obtém a extraterritorialidade. Como é sabido, protegem seus mercados de trabalho através de todo tipo de restrição à imigração, favorecendo, porém, a de pessoal altamente qualificado, atraindo cientistas e engenheiros, colhendo as melhores “flores” dos jardins periféricos. A segunda concepção de desenvolvimento econômico e social afirma que, dada a realidade da economia mundial e de sua dinâ- mica, e a realidade das economias subdesenvolvidas, é essencial a ação do Estado para superar os três desafios que tem de enfren- tar os países periféricos, ex-colônias, algumas mais outras menos recentes, mas todas as vítimas da exploração colonial direta ou indireta. Esses desafios são a redução das disparidades sociais, a eliminação das vulnerabilidades externas e o pleno desenvolvi- mento de seu potencial de recursos naturais, de sua mão de obra e de seu capital. As extremas disparidades sociais, as graves vulnerabilidades externas, o potencial não desenvolvido caracterizam o Brasil, mas também todas as economias sul-americanas. A superação desses desafios não poderá ocorrer sem a ação do Estado, pela simples aplicação ingênua dos princípios do neoliberalismo, de liberdade absoluta para as empresas as quais, aliás, levaram o mundo à maior crise econômica e social de sua História: a crise de 2007. E agora, Estados europeus, pela política de austeridade (naturalmente, não para os bancos) que ressuscita o neoliberalismo, atacam vigoro- samente a legislação social, propagam o desemprego e agravam as disparidades de renda e de riqueza. Mas isto é tema para outro artigo.

Área de Livre Comércio das Américas (ALCA)

Todo o noticiário sobre Mercosul, Aliança do Pacífico, Par- ceria Transpacífica e China tem a ver com um embate ideológico entre duas concepções de política de desenvolvimento econômico

e social. A primeira dessas concepções afirma que o principal obs-

táculo ao crescimento e ao desenvolvimento é a ação do Estado na economia. A ação direta do Estado na economia, através de empre- sas estatais, como a Petrobrás, ou indireta, através de políticas tri- butárias e creditícias para estimular empresas consideradas estra- tégicas, como a ação de financiamento do BNDES, distorceria as forças de mercado e prejudicaria a alocação eficiente de recursos. Nesta visão privatista e individualista, uma política de elimi- nação dos obstáculos ao comércio e à circulação de capitais; de não discriminação entre empresas nacionais e estrangeiras; de eli- minação de reservas de mercado; de mínima regulamentação da atividade empresarial, inclusive financeira; e de privatização de empresas estatais conduziria a uma eficiente divisão internacional do trabalho em que todas as sociedades participariam de forma equânime e atingiriam os mais elevados níveis de crescimento e desenvolvimento. Esta visão da economia se fundamenta em premissas equi- vocadas. Primeiro, de que todos os Estados partem de um mesmo nível de desenvolvimento, de que não há Estados mais e menos de- senvolvidos. Segundo, de que as empresas são todas iguais ou pelo menos muito semelhantes em dimensão de produção, de capaci- dade financeira e tecnológica e de que não são capazes de influir sobre os preços. Terceiro, de que há plena liberdade de movimento da mão de obra entre os Estados. Quarto, de que há pleno acesso à tecnologia que pode ser adquirida livremente no mercado. Quinto, de que todos os Estados, inclusive aqueles mais desenvolvidos, seguem hoje e teriam seguido passado esse tipo de políticas. Como é obvio estas premissas não correspondem nem à rea- lidade da economia mundial, que é muito, muito mais complexa, nem ao desenvolvimento histórico do capitalismo. Historicamen- te, as nações hoje altamente desenvolvidas utilizaram uma gama de instrumentos de política econômica que permitiram o fortaleci- mento de suas empresas, de suas economias e de seus Estados na- cionais. Isto ocorreu mesmo na Inglaterra, que foi a nação líder do desenvolvimento capitalista industrial, com a Lei de Navegação,

que foi a nação líder do desenvolvimento capitalista industrial, com a Lei de Navegação, Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Com a I Guerra Mundial,

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Com a I Guerra Mundial, a Grande Depressão, a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos pro- curaram estreitar seus laços econômicos com a América Latina,

aproveitando, inclusive, a derrota alemã e o retraimento francês e inglês, influências históricas tradicionais. Em 1948, na IX Con- ferência Internacional Americana, em Bogotá, propuseram nova- mente a negociação de uma área de livre comércio nas Américas; mais tarde, em 1988, negociaram o acordo de livre comércio com

o Canadá, que seria transformado em Nafta com a inclusão do Mé-

xico, em 1994; e propuseram a negociação de uma Área de Livre Comércio das Américas, a ALCA, em 1994. A negociação da ALCA fracassou em parte pela oposição do Brasil e da Argentina, a partir da eleição de Lula, em 2002 e de Kirchner, em 2003 e, em parte, devido à recusa americana de nego- ciar os temas de agricultura e de defesa comercial, o que permitiu enviar os temas de propriedade intelectual, compras governamen- tais e investimentos para a esfera da OMC, o que esvaziou as ne- gociações. O objetivo estratégico americano, todavia, passou a ser executado, agora com redobrada ênfase, através da negociação de tratados bilaterais de livre comércio, que concluíram com o Chile,

a Colômbia, o Peru, a América Central e República Dominicana,

só não conseguindo o mesmo com o Equador e a Venezuela devido

à eleição de Rafael Correa e de Hugo Chávez e à resistência do Mercosul às investidas feitas junto ao Uruguai. Assim, a estratégia americana tem tido como resultado, senão

como objetivo expresso, impedir a integração da América do Sul

e desintegrar o Mercosul através da negociação de acordos bila-

terais, incorporando Estado por Estado na área econômica ameri- cana, sem barreiras às exportações e capitais americanos e com a consolidação legal de políticas econômicas internas, em cada país, nas áreas de propriedade intelectual, compras governamentais, de- fesa comercial, investimentos, em geral com dispositivos chama- dos de OMC – Plus, mais favoráveis aos Estados Unidos do que aqueles que conseguiram incluir na OMC, que, sob o manto de ilusória reciprocidade, beneficiam as megaempresas americanas, em especial neste momento de crise e de início da competição sino -americana na América Latina. Na execução deste objetivo, de alinhar econômica, e por con- sequência politicamente, toda a América Latina sob a sua bandeira contam com o auxílio dos grupos internos de interesse em cada país que, tendo apoiado a ALCA no passado, agora apoiam a nego- ciação de acordos bilaterais ou a aproximação com associações de países, tais como a Aliança do Pacífico, que reúne países sul-ame- ricanos e mais o México, que celebraram acordos de livre comér- cio com os EUA. Hoje, o embate político, econômico e ideológico na América do Sul se trava entre os Estados Unidos da América,

Assim, neste embate entre duas visões, concepções, de polí- tica econômica, a aplicação da primeira política, a do neolibera- lismo, levou à ampliação da diferença de renda entre os países da América do Sul e os países altamente desenvolvidos nos últimos vinte anos até a crise de 2007. Por outro lado, é a aplicação de políticas econômicas semelhantes, que preveem explicitamente a ação do Estado, que permitiu à China crescer à taxa média de 10% a/a desde 1979 e que farão que a China venha a ultrapassar os EUA até 2020. Ainda assim, há aqueles que na periferia não querem

ver, por interesse ou ideologia, a verdadeira natureza da economia internacional e a necessidade da ação do Estado para promover o desenvolvimento. Nesta economia internacional real, e não mito- lógica, é preciso considerar a ação da maior Potência. A política econômica externa dos Estados Unidos, a partir do momento em que o país se tornou a principal potência industrial

do mundo no final do século XIX e em especial a partir de 1945,

com a vitória na Segunda Guerra Mundial, e confiante na enorme superioridade de suas empresas, tem tido como principal objetivo liberalizar o comércio internacional de bens e promover a livre circulação de capitais, de investimento ou financeiro, através de acordos multilaterais como o GATT, mais tarde OMC, e o FMI;

de acordos regionais, como era a proposta da ALCA e de acordos bilaterais, como são os tratados de livre comércio com a Colôm-

bia, o Chile, o Peru, a América Central e com outros países como

a Coréia do Sul. E agora as negociações, altamente reservadas, da

chamada Trans-Pacific Partnership - TPP, a Parceria Transpacífica, iniciativa americana extremamente ambiciosa, que envolve a Aus- trália, Brunei, Chile, Malásia, Nova Zelândia, Peru, Singapura, Vietnã, e eventualmente Canadá, México e Japão, e que, nas pala- vras de Bernard Gordon, Professor Emérito de Ciência Política, da Universidade de New Hampshire, “adicionaria bilhões de dólares à economia americana e consolidaria o compromisso político, fi- nanceiro e militar dos Estados Unidos no Pacifico por décadas”.

O compromisso, a presença, a influência dos Estados Unidos no

Pacifico isto é, na Ásia, no contexto de sua disputa com a China. A TPP merece um artigo à parte. Através daqueles acordos bilaterais, procuram os EUA consa- grar juridicamente a abertura de mercados e obter o compromisso dos países de não utilizar políticas de desenvolvimento industrial

e de proteção do capital nacional. Não desejam os Estados Uni-

dos ver o desenvolvimento de economias nacionais, com fortes empresas, capazes de competir com as megaempresas americanas, por razões óbvias, entre elas a consequente redução das remessas de lucros das regiões periféricas para a economia americana. Os lucros no exterior são cerca de 20% do total anual dos lucros das empresas americanas! Nas Américas, a política econômica dos Estados Unidos teve sempre como objetivo a formação de uma área continental inte- grada à economia americana e liderada pelos Estados Unidos que, inclusive, contribuísse para o alinhamento político de cada Esta- do da região com a política externa americana em seus eventuais embates com outros centros de poder, como a União Europeia, a Rússia e hoje a China. Assim, já no século XIX, em 1889 , no mes- mo ano em que Deodoro da Fonseca proclamou a República, na Conferência Internacional Americana, em Washington, os Estados Unidos propuseram a criação de uma união aduaneira continental. Esta proposta, que recebeu acolhida favorável do Brasil, no en- tusiasmo pan-americano da recém-nascida república, foi rejeitada pela Argentina e outros países.

a

maior potência econômica, política, militar, tecnológica, cultural

e

de mídia do mundo; a crescente presença chinesa, com suas in-

vestidas para garantir acesso a recursos naturais, ao suprimento de

alimentos e de suas exportações de manufaturas e que, para isto, procuram seduzir os países da América do Sul e em especial do

Mercosul com propostas de acordos de livre comércio; e as políti- cas dos países do Mercosul, Argentina, Brasil, Venezuela, Uruguai

e Paraguai que ainda entretém aspirações de desenvolvimento so-

berano, pretendem atingir níveis de desenvolvimento social ele- vado e que sabem que, para alcançar estes objetivos, a ação do Estado, e da coletividade organizada, é essencial, é indispensável.

objetivos, a ação do Estado, e da coletividade organizada, é essencial, é indispensável. Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS ricana), o mês de junho

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

ricana), o mês de junho de 2013 foi considerado o mais quente no planeta desde 1800. Os motivos seriam a variabilidade natural do sistema climático e o aumento da concentração de gases de efeito

estufa na atmosfera como o óxido nitroso (N 2 O), o metano (CH 4 ) e, principalmente, o dióxido de carbono (CO 2 ) liberado pela queima

de combustíveis fósseis como carvão, petróleo e gás natural.

O efeito estufa é um fenômeno natural que permite que alguns

gases presentes na atmosfera aprisionem o calor do Sol, impedindo que ele escape para o espaço. Em condições normais, esses gases ajudam o planeta a manter o equilíbrio da temperatura da Terra.

A concentração acima do normal faz com que a temperatura do

planeta suba. Uma pesquisa divulgada pela Administração Nacio- nal Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOOA, na sigla em inglês)

alerta que a poluição do planeta nunca esteve tão alta. Em maio de 2013, a concentração de CO 2 na atmosfera medida pelo Observató- rio Mauna Loa, no Havaí, ultrapassou pela primeira vez a marca de 400 partes por milhão desde 1958, quando estes dados começaram

a ser medidos. A última vez que isto aconteceu foi há mais de 3,5

milhões de anos. Antes da Revolução Industrial, no final do século 19, a concentração de CO 2 era de apenas 280 ppm. O derretimento das geleiras é tema recorrente para todos

aqueles que fazem previsões catastróficas sobre o futuro do nosso planeta. O argumento é que o degelo excessivo dos mantos de gelo

da Groenlândia e da Antártida pode aumentar o nível dos oceanos

e trazer mudanças dramáticas para a vida de milhões de pessoas

que teriam de se deslocar em busca de um novo habitat. Mas não há consenso dos pesquisadores sobre essas previsões. Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC), autori-

dade científica das Nações Unidas responsável pelas informações oficiais sobre o aquecimento global, o índice de 450 ppm seria

o limite aceitável para manter o equilíbrio do ecossistema e não

prejudicar a existência humana no planeta. Ondas de calor, secas inesperadas, invernos mais rigorosos, furacões, enchentes, tempestades, incêndios florestais e outros eventos climáticos extremos são algumas das consequências das mudanças climáticas e devem ser cada vez mais frequentes nos próximos anos. O derretimento de camadas de gelo e o aumento da temperatura no mar são consequências que já causam graves problemas no planeta. A velocidade com a qual a neve presente no hemisfério Norte e o gelo do Mar Ártico estão desaparecendo sur-

preende os cientistas, que calculam que esta região está aquecendo duas vezes mais rápido que o resto do mundo.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnu-

ma) apresentou no começo de 2013, um relatório que aponta que o derretimento do gelo do mar não apenas prejudicaria as espécies da região, mas também permitiria o acesso a recursos naturais como gás e petróleo e, por isso, seria uma nova ameaça ao ecossistema do planeta, já que haveria uma corrida entre os países e empresas

petroleiras para o controle destas reservas de combustíveis fósseis. Relatório publicado em julho de 2013 na revista Nature, calcu- lou que o possível derretimento de uma camada de gelo no norte

da Rússia, entre 2015 e 2025, poderia liberar 50 gigatoneladas de

metano (gás causador do efeito estufa), um índice dez vezes maior do que o que existe atualmente na atmosfera, o que anteciparia o aquecimento das temperaturas esperado para daqui a 35 anos. Esta quantidade de gás seria como uma “bomba-relógio” e provocaria um desastre ambiental que superaria os benefícios re- gionais previstos, como a abertura de rotas comerciais e novos de- pósitos minerais, e que poderia custar US$ 60 trilhões de dólares

Desenvolvimento Sustentável, Ecologia e Meio Ambiente

Fórum de Alto Nível das Nações Unidas

A ONU atendeu a uma reivindicação da Rio+20 ao criar, com

o apoio do Brasil e da Itália, um fórum de chefes de Estado e go-

verno destinado a acompanhar, orientar e monitorar iniciativas de desenvolvimento sustentado. O chamado Fórum de Alto Nível das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentado se reunirá a cada quatro anos na Assembleia Geral da ONU, com reuniões em

nível ministerial uma vez por ano. Suas deliberações se traduzirão em declarações governamentais acordadas pelas partes. A partir de 2016, a instância acompanhará a implementação de metas de de- senvolvimento sustentável pelos países da ONU, com comentários para cada país. A Rio+20 discutiu o modelo de desenvolvimento sustentável que os governos devem buscar a partir de 2015, em substituição às metas básicas de redução da pobreza e elevação de indicadores sociais contidas nos Objetivos do Milênio - oito metas estabele- cidas pela ONU para serem alcançadas por 191 países membros até 2015. “Chegamos a uma síntese entre desenvolvimento, erra- dicação da pobreza e preservação do meio-ambiente. Nossa tarefa agora é efetivar os compromissos assumidos”, disse a presidente, durante a inauguração. “O fórum oferece à comunidade internacio- nal uma nova arquitetura, uma nova governança capaz de respon- der aos desafios do desenvolvimento sustentável.” Dilma afirmou que “depois da Rio+20, a palavra desenvol- vimento nunca mais deixará de estar associada ao qualificativo de sustentável”. “Alcançamos consenso em torno do objetivo de construir um modelo de desenvolvimento que contemple de forma equilibrada as dimensões econômica, social e ambiental.” A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde disse que a economia global precisa retomar

o crescimento, “mas nos trilhos corretos”. “Sabemos que o tipo

equivocado de crescimento econômico pode prejudicar o meio ambiente, e a degradação ambiental pode prejudicar a economia”, disse Lagarde. “Não se enganem: são os países mais pobres que serão afetados antes e mais fortemente.” Mesmo sem ser uma organização para fins ambientais, disse Lagarde, o FMI pode ajudar na tarefa de combinar crescimento e desenvolvimento com seus estudos: por exemplo, trazendo à tona subsídios trilionários ao setor de energia que “ajudam os que me- nos precisam”. “Estes subsídios, incluindo subsídios fiscais, con- sumiram US$ 2 trilhões em 2011 - impressionantes 2,5% do PIB global que podiam ter sido usado de melhor maneira.” Estudos do FMI indicam que uma distribuição mais equili- brada da renda leva a mais crescimento sustentável e maior esta- bilidade econômica, citou a diretora-gerente do Fundo. “É crucial alcançar maior inclusão da vida econômica, para que todos pos- samos dividir a prosperidade e realizar seu potencial.”

24/09/2013

http://g1.globo.com/mundo/noticia

Mudanças Climáticas

As recentes ondas de calor que provocaram mortes na Europa, Rússia, China e Estados Unidos provocaram um alerta: o mundo nunca esteve tão quente. Segundo a Nasa (Agência Espacial Ame-

provocaram um alerta: o mundo nunca esteve tão quente. Segundo a Nasa (Agência Espacial Ame- Didatismo

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS para a economia mundial, quase

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

para a economia mundial, quase o atual PIB global de um ano. O ritmo do derretimento das calotas de gelo fez com que outro grupo de cientistas, dessa vez da Universidade Estadual de Nova York,

nos EUA, fizesse uma previsão de quando o oceano Ártico pode ficar sem gelo, o que foi calculado para daqui a 40 anos, entre 2054

e 2058.

O que poderia reverter essa situação, segundo pesquisadores, são os acordos e políticas para controlar o efeito estufa. Mudanças na condução política sobre o assunto poderiam reverter ou atra- sar essas previsões. Em âmbito global, o Protocolo de Kyoto é o principal compromisso firmado entre os países para a redução global das emissões. Criado em 1997, o acordo estipulava metas de redução até 2012 para os países signatários e criava um sistema de crédito de emissões entre os países, que originou o mercado de crédito de carbono. O acordo foi renovado na COP-18, conferência realizada em 2012, em Doha, no Catar. A conferência definiu que os países devem revisar suas metas sob o Protocolo até 2014 e colocá-las em prática a partir de 2020.

16/08/2013

http://vestibular.uol.com.br/

resumo-das-disciplinas/atualidades

Segurança Braileira

Espionagem na Internet

Estima-se que milhões de brasileiros, tanto em território na-

cional quanto no estrangeiro, tenham tido suas ligações telefôni- cas e transações financeiras rastreadas pela NSA nos últimos anos. Segundo reportagens publicadas pelo jornal O Globo, com base nas revelações de Snowden, uma das estações de espionagem da NSA, em conjunto com a CIA, funcionou até 2002 em Brasília. O Brasil exigiu explicações sobre a espionagem, mas os EUA se re- cusaram a se explicar publicamente. O vice-presidente americano, Joe Biden, ligou para a presidente Dilma Rousseff lamentando o ocorrido. No Brasil, a prática não tem um tratamento específico na le- gislação, sendo adequada à legislação penal. Em resposta, o Itama- raty disse que pretende propor regras que protejam a privacidade dos usuários da internet, sem que isso atrapalhe os esquemas de segurança dos países. Entre elas, estão um complemento à Lei Ca- rolina Dieckmann, apelido da nova lei sobre crimes na internet

e o Marco Civil na Internet, um projeto de lei construído com a

participação popular e que busca estabelecer direitos e deveres na internet no Brasil. Ambos os projetos de lei estão na Câmara dos Deputados para apreciação e votação. Quando se fala de inteligência, o órgão brasileiro responsá- vel por essa missão é a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Criada em 1999, durante o governo do presidente Fernando Hen- rique Cardoso, é o órgão central do Sistema Brasileiro de Inteli- gência (Sisbin). Seu trabalho é identificar e investigar ameaças à soberania nacional e as atividades em território brasileiro. Durante as recentes manifestações populares, por exemplo, a maioria orga- nizadas pela internet, a Abin foi chamada para monitorar a movi- mentação dos protestos em redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram. Antes da Abin, existiram outros órgãos de inteligência, como o famoso SNI (Serviço nacional de Informação) que foi bas-

tante atuante durante a Ditadura Militar.

O caso Wikileaks

O caso do soldado Bradley Manning, 25, também reflete a

política americana de espionagem. Em 2010, o ex-analista de inte- ligência do Exército americano foi acusado de vazar mais de 250 mil documentos militares e diplomáticos para o site WikiLeaks, na maior divulgação não autorizada de dados secretos norte-ameri- canos na história, como informações sobre as guerras no Iraque e

Afeganistão e análises sobre a política externa americana, desen- cadeando uma crise na diplomacia mundial.

O fundador do site, Julian Assange, nunca confirmou Manning

como seu informante. O soldado ficou preso até o seu julgamento, iniciado em 30 de julho de 2013. Foi considerado culpado de 19 acusações criminais relacionadas a espionagem e vazamentos. O

julgamento na corte militar deve durar até o fim de agosto de 2013. As principais agências de inteligência foram criadas no século 20 e estão em países como União Soviética, Inglaterra, Israel, Ale- manha, Japão e Estados Unidos. A justificativa para sua existência

é monitorar possíveis ameaças à soberania nacional. A mais popu-

lar é a norte-americana CIA, sigla em inglês para Agência Central de Inteligência, criada em 1947. Uma instituição “prima” da CIA, a Agência de Segurança Nacional, foi criada em 1952, período da Guerra Fria (1945-1991). Sua missão: espionar comunicações de outros países, decifrar códigos governamentais e desenvolver sistemas de criptografia para o governo americano. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, em Nova York (EUA), a agência passou por reformas e se tornou líder em estraté- gias que utilizam radares e satélites para coleta de dados em siste- mas de telecomunicações, em redes públicas e privadas. E foi de lá que saiu um dos responsáveis pelo mais grave escândalo de espio- nagem do século 21, o ex-técnico Edward Snowden, 29. Snowden divulgou que o governo norte-americano utiliza informações de servidores de empresas privadas como Google, Facebook, Apple, Skype e Yahoo para investigar os dados da população, de governos europeus e de países do continente americano, entre eles, o Brasil. Ao justificar sua decisão de divulgar essas informações, Sno- wden alegou que quem deve julgar se o governo deve ter o direito de investigar os dados pessoais dos cidadãos para a sua seguran- ça é a própria população. O ex-técnico da NSA foi acusado de espionagem, roubo e conversão de propriedade do governo. Ele deixou Hong Kong em direção a Moscou - onde ficou por 40 dias na área de trânsito internacional para impedir sua extradiação para os EUA. Ao final das contas, a Rússia cedeu asilo ao rapaz por um ano. Os americanos alegam que a espionagem é necessária para a segurança do país e para identificar ameaças terroristas. No en- tanto, ONGs de direitos civis condenam a invasão da privacidade dos usuários, já que os dados coletados ficam armazenados por um período de até 5 anos.

08/09/2013

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resumo-das-disciplinas/atualidades

Segurança Internacional

Após 30 anos da última tentativa oficial de acordo de paz,

o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da

Colômbia (Farc) retomaram negociações para o fim do conflito civil. O conflito ocorre desde o surgimento das Farc em 1964 e

para o fim do conflito civil. O conflito ocorre desde o surgimento das Farc em 1964

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS civis que pegaram em armas

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

civis que pegaram em armas e também jihadistas do exterior, não tiveram trégua desde então. O Observatório Sírio dos Direitos Hu- manos (OSDH) acredita que a guerra civil na Síria deixou mais de 46 mil mortos, mas seu registro não inclui as milhares de pessoas desaparecidas nas prisões do governo, nem a maioria das mortes entre os “shabbihas”, milicianos de Bashar al-Assad, e os comba- tentes estrangeiros. Além disso, nem os rebeldes nem o Exército revelam o núme- ro exato de mortes em suas fileiras para evitar um golpe no mo- ral, porém, acredita-se que o número de mortes pode ultrapassar 100.000. Enquanto o derramamento de sangue prossegue, o chefe do Hezbollah libanês, Hassan Nasrallah, grande aliado do regime de Damasco, considerou que a Síria está ameaçada. No terreno, onde novos ataques aéreos causaram mais mortes pelo país, os re-

beldes intensificaram os ataques contra a Forças Aérea e suas ae- ronaves. Centenas de combatentes da Frente Al-Nusra (jihadista)

e das brigadas islamitas de Ahrar al-Sham enfrentaram as tropas

do regime nas proximidades da base aérea de Taftanaz, norte da província de Idleb. Também foram registrados combates no perímetro do aero- porto de Aleppo, onde os rebeldes atacaram durante a noite a 80ª

brigada do Exército sírio. Em Istambul, cerca de 30 caminhões transportando 850 toneladas de farinha partiram em direção à Sí-

ria, onde várias regiões são afetadas por uma grave crise alimentar

pode acabar em breve, se as negociações seguirem o cronogra- ma previsto. Um novo encontro para discutir a questão territorial aconteceu em Bogotá, com avanços em relação ao debate sobre a reforma agrária.

Primeira fase - Representantes dos dois lados se encontraram em Oslo, na Noruega, para tratar do assunto. No centro da discus-

são: a questão agrária no país, distribuição mais equitativa das pro- priedades e garantia de direitos políticos para os guerrilheiros. A negociação em Oslo foi à quarta tentativa oficial de pacificação em quase meio século de conflito. No encontro, debateu-se o desen- volvimento agrário do país. Na ocasião, indicou-se que o Exército de Libertação Nacional (ELN) também deveria integrar o processo de paz (as negociações com o grupo estão em fase inicial). Mediação - Autoridades da Noruega, de Cuba, da Venezuela

e do Chile fazem a mediação das negociações. A partir da primei- ra reunião, o governo colombiano e as Farc concordaram instalar uma mesa pública de negociações em Havana, Cuba, para manter

o diálogo. Segunda fase - Na segunda reunião em Havana, a FARC apre- sentou cessar-fogo unilateral de dois meses para facilitar negocia- ções. Presidente colombiano critica posição das FARC em nego- ciações. Durante a mesa, as Farc exigiram garantias do governo sobre as medidas de reforma agrária. Contudo, logo após o término da segunda fase de negociações, o governo colocou em dúvida o cessar fogo do grupo guerrilheiro. As negociações em busca da paz na Colômbia levarão mais tempo do que o planejado inicialmente, conforme admitiu o presi- dente colombiano, Juan Manuel Santos, no começo de dezembro. Ele acredita que o acordo de paz só será concluído em novembro de 2013. Já as Farc não abrem mão da criação de um plano de re- forma agrária no país. Os negociadores dos dois grupos marcaram uma próxima etapa de reuniões em busca de um acordo de paz na região. Ocorrerá em Havana, em Cuba, ocorrerão reuniões da terceira etapa das negociações.

Violência no mundo

Uma jovem ativista paquistanesa de 15 anos foi atingida a tiro na cabeça e no pescoço num ataque dos talibãs contra o autocarro escolar em que seguia passado no noroeste do Paquistão. O ataque foi uma resposta ao envolvimento de Malala em campanhas pelo direito das raparigas a ir à escola. Malala Yousafzai se tornou um símbolo internacional dos direitos das mulheres, recebeu o apoio de 250 mil pessoas que, através de um abaixo assinado, reclamam para esta jovem paquistanesa o prémio Nobel da Paz. Malala Yousafzai foi tratada por uma equipa médica compos- ta por especialistas em neurocirurgia, traumatologia, entre outras especialidades, que tem uma grande experiência em casos seme- lhantes adquirido pela ajuda a soldados feridos no Iraque e no Afe- ganistão. Malala foi atingida a tiro na cabeça e no pescoço num ataque dos talibãs contra o autocarro escolar em que seguia a 9 de outubro passado no noroeste do Paquistão. O ataque foi uma resposta ao envolvimento de Malala em campanhas pelo direito das raparigas a ir à escola.

Ataque na Síria

A Síria foi mergulhada em uma guerra civil após a repressão do regime a uma onda de contestação popular, que se militarizou. Os combates entre soldados regulares e desertores, apoiados por

e humanitária.

Ataque Americano

Importante comandante do Taliban, seu vice e outras oito pes- soas no noroeste do Paquistão, foram morta por um avião não tri- pulado norte-americano. Maulvi Nazir Wazir, também conhecido como mulá Nazir, foi morto quando mísseis atingiram sua casa de barro no Waziristão Sul, perto da fronteira afegã. Este já havia sobrevivido a pelo menos um ataque anterior com um avião não tripulado, e também, já foi ferido em um ataque a bomba suposta- mente lançado por adversários do Taliban. Seus principais comandantes e seu vice, Ratta Khan, também morreram no ataque em Angoor Adda, perto da capital provincial de Wana. Nazir tinha expulsado militantes estrangeiros de sua área, favorecido o ataque às forças norte-americanas no Afeganistão e tinha assinado pactos de não agressão com o exército paquistanês. Isso o colocou em conflito com outros comandantes do Taliban no Paquistão, mas lhe rendeu uma reputação de “bom” Taliban entre alguns militares paquistaneses. O sucessor de Nazir foi anunciado diante de milhares de pes- soas reunidas para o seu funeral. As pessoas estarão observando de perto para ver se Salahud Din Ayubi continuará as políticas de Nazir. O Exército tem uma grande base em Wana, onde Nazir e seus homens estavam localizados. Nazir presidia uma paz instável entre os militantes e o Exército ali, mas a trégua foi ameaçada pela aliança do Exército com os Estados Unidos e pelos ataques com aviões não tripulados, disse recentemente um oficial. Um fato de muito destaque nos EUA em relação à violência foi o Massacre numa escola americana na pequena cidade de New- town. Esta foi a pior matança ocorrida em uma escola nos Estados Unidos, superando em número de vítimas a chacina de Columbine, que aconteceu em 1999. Para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, as matanças estão se repetindo nas escolas norte-a- mericanas e são necessárias ações para evitar que massacres ocor-

nas escolas norte-a- mericanas e são necessárias ações para evitar que massacres ocor- Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS A colônia brasileira, administrada política

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

A colônia brasileira, administrada política e economicamente

pela metrópole, tinha como função fornecer produtos tropicais e/ ou metais preciosos e consumir produtos metropolitanos. Portugal, então, iniciou a colonização pela costa privilegiando a cana de açú-

car como principal produto de exportação.

Enquanto os colonizadores portugueses se concentravam no litoral, no século XVII ingleses, franceses e holandeses conquista- vam a região norte brasileira estabelecendo colônias que servissem de base para posterior exploração do interior do Brasil. Os fran- ceses, depois de devidamente instalados no forte de São Luís na costa maranhense, iniciam a exploração dos sertões do Tocantins. Coube a eles a descoberta do Rio Tocantins pela foz no ano de 1610 (RODRIGUES, 2001).

O rio Tocantins foi um dos caminhos para o conhecimento e

exploração da região onde hoje se localiza o Estado do Tocantins. Nasce no Planalto Central de Goiás e corta, no sentido sul-norte, todo o território do atual Estado do Tocantins. Só mais de quinze anos depois dos franceses foi que os portu- gueses iniciaram a colonização da região pela “decidida ação dos jesuítas”. E ainda no século XVII os padres da Companhia de Je- sus fundaram as aldeias missionárias da Palma (Paranã) e do Duro

ram no futuro. Após esse massacre, é reaberto o debate sobre mais controle na venda de armas. Barack Obama pode adotar medidas para tornar mais rigorosas as avaliações dos interessados em com- prar armas, restringir a importação de certos modelos e ampliar a supervisão sobre o comércio.

Oriente Médio

O Oriente Médio ganhou as atenções do mundo diante de no-

vos confrontos entre palestinos e israelenses. A troca de artilharia aérea entre o Hamas e o exército de Israel deixou mais de uma centena de mortos, incluindo civis e crianças. O conflito é mais um episódio de uma história secular entre os dois povos, que envolve desavenças religiosas e disputas de terra. Em meio à intensificação dos confrontos, Israel ameaçou iniciar uma invasão por terra, o que não foi bem recebido pelo governo britânico. Diante do impasse, o presidente egípcio Mouhamed Mursi assumiu a liderança do pro- cesso de negociação da paz e cessar-fogo.

O Brasil foi o palco do Fórum Social Mundial Palestina Livre

e reuniu cidadãos e ativistas de 36 países em Porto Alegre (RS). Durante 4 dias, a cidade gaúcha foi palco de ações para a afirma-

ção, defesa, soberania e independência do povo palestino frente à política capitaneada pelo governo de Israel. Um dos pontos altos do Fórum foi a Marcha Pelo Estado Palestino, que aconteceu no exato momento em que presidente da Autoridade Nacional Pales- tina, Mahmoud Abbas, discursava na Assembleia Geral da ONU, pedindo a aprovação do reconhecimento da Palestina como um Es- tado observador não membro das Nações Unidas. Cerca de 8 mil pessoas se concentraram no Largo Glênio Peres e marcharam até a Usina do Gasômetro em Porto Alegre pedindo o fim da ocupação israelense nas terras árabes.

2. HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DO TOCANTINS; O MOVIMENTO SEPARATISTA; A CRIAÇÃO DO ESTADO; OS GOVERNOS DESDE A CRIAÇÃO; GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA ESTADUAL; DIVISÃO POLÍTICA DO ESTADO, CLIMA E VEGETAÇÃO; HIDRO- GRAFIA; ATUALIDADES: ECONOMIA, POLÍTICA, DESENVOLVIMENTO.

HISTÓRIA DO ESTADO DO TOCANTINS

Desbravamento da Região A colonização do Brasil se deu dentro do contexto da política mercantilista do século XVI que via no comércio a principal forma de acumulação de capital, garantido, principalmente, através da posse de colônias e de metais preciosos. Além de desbravar, explorar e povoar novas terras os coloni- zadores tinham também uma justificativa ideológica: a expansão da fé cristã. “Explorava-se em nome de Deus e do lucro, como disse um mercador italiano” (AMADO, GARCIA, 1989, p.09). A preocupação em catequizar as populações encontradas foi cons- tante.

(Dianópolis) (SECOM, 1998).

Norte de Goiás

O norte de Goiás deu origem ao atual Estado do Tocantins.

Segundo a historiadora Parente (1999), esta região foi interpretada sob três versões. Inicialmente, norte de Goiás foi denominativo

atribuído somente à localização geográfica dentro da região das Minas dos Goyazes na época dos descobrimentos auríferos no sé- culo XVIII. Com referência ao aspecto geográfico, essa denomi- nação perdurou por mais de dois séculos, até a divisão do Estado de Goiás, quando a região norte passa a ser o Estado do Tocantins. Num segundo momento, com a descoberta de grandes minas na região, o norte de Goiás passou a ser conhecido como uma das áreas que mais produziam ouro na capitania. Esta constatação des- pertou o temor ao contrabando que acabou fomentando um arro- cho fiscal maior que nas outras áreas mineradoras. Por último, o norte de Goiás passou a ser visto, após a queda da mineração, como sinônimo de atraso econômico e involução social, gerador de um quadro de pobreza para a maior parte da população. Essa região foi palco primeiramente de uma fase épica vivida pelos seus exploradores, “que em quinze anos abriam caminhos e estradas, vasculharam rios e montanhas, desviam correntes, des- matam regiões inteiras, rechaçaram os índios, exploram, habitam e

povoam uma área imensa

Descoberto o ouro, a região passa, de acordo com a política mercantilista do século XVIII, a ser incorporada ao Brasil. O pe- ríodo aurífero foi brilhante, mas breve. E a decadência, quase sem transição, sujeitou a região a um estado de abandono. Foi na economia de subsistência que a população encontrou mecanismos de resistência para se integrar economicamente ao mercado nacional. Essa integração, embora lenta, foi se concreti- zando baseada na produção agropecuária, que predomina até hoje e constitui a base econômica do Estado do Tocantins (PARENTE, Temis Gomes, 1999, p.96).

(PALACIM, Luis,1979, p.30)

do Estado do Tocantins (PARENTE, Temis Gomes, 1999, p.96). (PALACIM, Luis,1979, p.30) Didatismo e Conhecimento 17

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS de ouro se tornasse bastante

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

de ouro se tornasse bastante heterogênea. Trabalhar, enriquecer e

regressar ao lugar de origem eram os objetivos dos que se dirigiam para as minas. Em sua maioria eram homens brancos, solteiros ou desacompanhados da família, que contribuíram para a mistura de raças com índias e negras escravas. No final do século XVIII, os mestiços já eram grande parte da população que posteriormente foram absorvidos no comércio e no serviço militar.

A população branca era composta de mineiros e de pessoas

pobres que não tinham nenhuma ocupação e eram tratados, nos documentos oficiais, como vadios. Ser mineiro significava ser dono de lavras e escravos. Era o ideal de todos os habitantes das minas, um título de honra e prati- camente acessível a quase todos os brancos. O escravo podia ser comprado a crédito, sua posse dava o direito de requerer uma data - um lote no terreno de mineração - e o ouro era de fácil explora- ção, do tipo aluvional, acumulado no fundo e nas margens dos rios. Todos, uns com mais e outros com menos ações, participa- vam da bolsa do ouro. Grandes comerciantes e contratadores que residiam em Lisboa ou Rio de Janeiro mantinham aqui seus ad- ministradores. Escravos, mulatos e forros também praticavam a faiscagem - procura de faíscas de ouro em terras já anteriormente

lavradas. Alguns, pela própria legislação, tinham muito mais van- tagens.

O negro teve uma importância fundamental nas regiões mi-

neiras. Além de ser a mão-de-obra básica em todas as atividades, da extração do ouro ao carregamento nos portos, era também uma mercadoria de grande valor. Primeiro, a quantidade de negros ca- tivos foi condição determinante para se conseguir concessões de

lavras e, portanto, para um branco se tornar mineiro. Depois, com

a instituição da capitação no lugar do quinto, o escravo tornou-

se referência de valor para o pagamento do imposto. Neste, era a quantidade de escravos matriculados que determinava o quanto o mineiro iria pagar em ouro para a Coroa. Mas a situação do negro era desoladora. Os maus tratos e a dureza do trabalho nas minas resultavam em constantes fugas.

A mão-de-obra indígena na produção para a exportação foi

muito menor que a negra. Isso é devido ao fato da não adaptação do índio ao rigor do trabalho exigido pelo branco, gerando uma produção de baixa rentabilidade.

Economia do Ouro As descobertas de minas de ouro em Minas Gerais no ano 1690 e em Cuiabá em 1718 despertaram a crença de que em Goiás, situado entre Minas Gerais e Mato Grosso, também deveria existir ouro. Foi essa a argumentação da bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera (filho do primeiro Anhanguera que esteve

com o pai na região anos antes), para conseguir a licença do rei de Portugal a fim de explorar a região. O rei cedia a particulares o direito de exploração de riquezas minerais mediante o pagamento do quinto, que segundo ordenação do reino, era uma decorrência do domínio real sobre todo o sub- solo. O rei, não querendo realizar a exploração diretamente, cedia

a seus súditos este direito exigindo em troca o quinto do metal

fundido e apurado, a salvo de todos os gastos. Em julho de 1722 a bandeira do Anhanguera saiu de São Paulo. Em 1725 volta com a notícia da descoberta de córregos auríferos. A partir desse momento, Goiás entra na história como as Minas dos Goyazes. Dentro da divisão do trabalho no império português, este é o título de existência e de identidade de Goiás durante quase um século. Um grande contingente populacional deslocou-se para “a região do Araés, como a princípio se chamou essa parte do Bra- sil, que diziam possuir montanhas de ouro, lagos encantados e os martírios de Nosso Senhor de Jesus Cristo gravados nas pedras das montanhas. Era um novo Eldorado de histórias romanescas e contos fabulosos” ( ALENCASTRE, José Martins Pereira, 1979, p. 45). Diante dessas expectativas reinou, nos primeiros tempos, a anarquia, pois era a mineração “alvo de todos os desejos. O pro- prietário, o industrialista, o aventureiro, todos convergiam seus esforços e seus capitais para a mineração” (ALENCASTRE, José Martins Pereira, 1979, p. 18). Inicialmente, as minas de Goiás eram jurisdicionadas à capi- tania de São Paulo na condição de intendência, com a capital em Vila Boa e sob a administração de Bueno, a quem foi atribuído o cargo de superintendente das minas com o objetivo de “representar e manter a ordem legal e instaurar o arcabouço tributário”. (PALA- CIN, Luís, 1979, p. 33).

Formação dos Arraiais “Há ouro e água”. Isto basta. Depois da fundação solene do

primeiro arraial de Goiás, o arraial de Sant’Anna, esse foi o cri- tério para o surgimento dos demais arraiais. Para as margens dos rios ou riachos auríferos deslocaram-se populações da metrópo-

le e de todas as partes da colônia, formando à proporção em que

se descobria ouro, um novo arraial “que podia progredir ou ser abandonado, dependendo da quantidade de riquezas existentes”. (PARENTE, Temis Gomes, 1999, p.58) Nas décadas de 1730 e 1740 ocorreram as descobertas aurífe- ras no norte de Goiás e, por causa delas, a formação dos primeiros

arraiais no território onde hoje se situa o Estado do Tocantins. Na- tividade e Almas (1734), Arraias e Chapada (1736), Pontal e Porto Real (1738). Nos anos 40, surgiram Conceição, Carmo e Taboca,

e mais tarde Príncipe (1770). Alguns foram extintos, como Pontal,

Taboca e Príncipe. Os outros resistiram à decadência da mineração

e no século XIX se transformaram em vilas e posteriormente em

cidades. O grande fluxo de pessoas de todas as partes e de todos os tipos permitiu que a composição social da população dos arraiais

O controle das Minas Desde quando ficou conhecida a riqueza aurífera das Minas de Goyazes, o governo português tomou uma série de medidas

para garantir para si o maior proveito da exploração das lavras. Foi proibida a abertura de novas estradas em direção às minas. Os rios foram trancados à navegação. As indústrias proibidas ou limitadas.

A lavoura e a criação inviabilizadas por pesados tributos: braços

não podiam ser desviados da mineração. O comércio foi fiscaliza- do. E o fisco, insaciável na arrecadação. “Só havia uma indústria livre: a mineração, mas esta mesma sujeita à capitação e censo, à venalidade dos empregados de re-

gistros e contagens, à falsificação na própria casa de fundição, ao

ao confisco por qualquer ligeira desconfiança de con-

trabando” (ALENCASTRE, José Martins Pereira, 1979, p. 18). À época do descobrimento das Minas dos Goyazes vigorava o méto- do de quintamento nas casas de fundição. A das minas de Goiás era em São Paulo. Para lá que deveriam ir os mineiros para quintar seu ouro. Recebiam de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real.

quinto (

),

de volta, depois de descontado o quinto, o ouro fundido e selado com selo real. quinto

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS   O ouro em pó

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

 

O

ouro em pó podia ser usado como moeda no território das

A

distâncias das minas do norte, os custos para levar o ouro e

minas, mas se saísse da capitania, tinha que ser declarado ao passar pelo registro e depois quintado, o que praticamente ficava como obrigação dos comerciantes. Estes, vendendo todas as coisas a

o

risco de ataques indígenas aos mineiros justificaram a criação de

uma casa de fundição em São Félix em 1754. Mas, já em 1797, foi transferida para Cavalcante, “por não arrecadar o suficiente para

crédito, prazo e preços altíssimos acabavam ficando com o ouro dos mineiros e eram os que, na realidade, canalizavam o ouro das minas para o exterior e deviam, por conseguinte, pagar o quinto correspondente.

cobrir as despesas de sua manutenção”.( PARENTE, 1999, p. 51)

A

Coroa Portuguesa mandou investigar as razões da dimi-

nuição da arrecadação da Casa de Fundição de São Félix. Foram

tomadas algumas providências como a instalação de um registro, posto fiscal, entre Santa Maria (Taguatinga) e Vila do Duro (Dia- nópolis). Outra tentativa para reverter o quadro da arrecadação foi organizar bandeiras para tentar novos descobrimentos. Tem- se notícia do itinerário de apenas duas. Uma dirigiu-se rumo ao Pontal (região de Porto Real), pela margem esquerda do Tocantins

e

 

O

método da casa de fundição para a cobrança do quinto se-

ria ideal se não fosse um problema que tomava de sobressalto o governo português: o contrabando do ouro, que oferecia alta ren- tabilidade: “os vinte por cento do imposto mais dez por cento de ágio”. Das minas para a costa ou para o exterior era sempre um negócio lucrativo, que “nem o cipoal de leis, alvarás, cartas régias

provisões, nem os seqüestros, devassas de registros, prêmios pro- metidos aos delatores e comissões aos soldados puderam por freio

e

entrou em conflito com os Xerente, resultando na morte de seu comandante.

A

outra saiu de Traíras (nas proximidades de Niquelândia

(

)”.(PALACIN,

1979, p. 49).

 

(GO) para as margens do rio Araguaia em busca dos Martírios, serra onde se acreditava existir imensas riquezas auríferas. Mas a expedição só chegou até a ilha do Bananal onde sofreu ataques dos Xavante e Javaé, dali retornando. No período de 1779 a 1822, ocorreu a queda brusca da arre-

cadação do quinto com o fim das descobertas do ouro de aluvião, predominando a faiscagem nas minas antigas. Quase sem transi- ção, chegou a súbita decadência.

A crise econômica

 

O

grande contrabando era dos comerciantes que controlavam

o

comércio desde os portos, praticado (

 

)

“por meio da conivên-

cia dos guardas dos registros, ou de subornos de soldados, que custodiavam o comboio dos quintos reais”. Contra si o governo tinha as dilatadas fronteiras, o escasso policiamento, o costume inveterado e a inflexibilidade das leis econômicas. (PALACIN,

1979, p. 49). A seu favor tinha o poder político, jurídico e econô- mico sobre toda a colônia. Assim, decreta como primeira medida, em se tratando das minas, o isolamento destas.

 

A

partir de 1730 foram proibidas todas as outras vias de aces-

O

declínio da mineração foi irreversível e arrastou “consigo

so a Goiás ficando um único caminho, o iniciado pelas bandeiras paulistas que ligavam as minas com as regiões do Sul, São Paulo

os outros setores a uma ruína parcial: diminuição da importação

e

do comércio externo, menor arrecadação de impostos, diminui-

e

Rio de Janeiro. Com isso, ficava interditado o acesso pelas pica-

ção da mão-de-obra pelo estancamento na importação de escravos, estreitamento do comércio interno, com tendência à formação de zonas de economia fechada e um consumo dirigido à pura subsis- tência, esvaziamento dos centros de população, ruralização, empo-

brecimento e isolamento cultural” (PALACIN, 1979, p. 133). Toda

das vindas do Nordeste - Bahia e Piauí. Foi proibida a navegação fluvial pelo Tocantins, afastando a região de outras capitanias - Grão-Pará e Maranhão. À proporção que crescia a importância das minas surgiram atritos com os governadores das capitanias do Maranhão e Pará, “quando do descobrimento das minas de Natividade e São Félix e

capitania entrou em crise e nada foi feito para a sua revitalização. Endividados com os comerciantes, os mineiros estavam descapi- talizados.

a

dos boatos de suas grandes riquezas (

).

Os governadores toma-

ram para si a incumbência de nomear autoridades para os ditos ar- raiais e outras minas que pudessem surgir, a fim de tomarem posse

cobrarem os quintos de ouro ali existentes”.( PARENTE , 1999,

e

A

avidez pelo lucro fácil, tanto das autoridades administrati-

vas metropolitanas quanto dos mineiros e comerciantes, não admi- tiu perseveranças. O local onde não se encontrava mais ouro era abandonado. Os arraiais de ouro, que surgiam e desapareciam no Tocantins, contribuíram apenas para o expansionismo geográfico. Cada vez se adentrava mais o interior em busca do ouro aluvial, mas em vão. No norte da capitania a crise foi mais profunda. Isolada tanto propositadamente quanto geograficamente, essa região sempre so- freu medidas que frearam o seu desenvolvimento. A proibição da navegação fluvial pelos rios Tocantins e Araguaia eliminou a ma- neira mais fácil e econômica de a região atingir outros mercados consumidores das capitanias do norte da colônia. O caminho aber- to que ligava Cuiabá a Goiás não contribuiu em quase nada para interligar o comércio da região com outros centros abastecedores, visto que o mercado interno estava voltado ao litoral nordestino. Esse isolamento, junto com o fato de não se incentivar a produção agropecuária nas regiões mineiras, tornava abusivo o preço de gê- neros de consumo e favorecia a especulação. A carência de trans- portes, a falta de estradas e o risco frequente de ataques indígenas dificultavam o comércio.

p. 59).O resultado foi o afastamento dessa interferência seguido da proibição, através de bandos, da entrada das populações das capitanias limítrofes na região e a saída dos que estavam dentro sem autorização judicial.

 

Decadência da Produção

 

A

produção do ouro goiano teve o seu apogeu nos primeiros

dez anos de estabelecimento das minas, entre 1726 e 1735. Foi o período em que o ouro aluvional aflorava por toda a região, resul-

tando numa produtividade altíssima. Quando se iniciou a cobrança do imposto de capitação em todas as regiões mineiras, a produção começou a cair, possivelmente mascarada pelo incremento do con- trabando na região, impossível de se mensurar. De 1752 a 1778, a arrecadação chegou a um nível mais alto por ser o período da volta da cobrança do quinto nas casas de fundição. Mas a produtividade continuou decrescendo. O motivo dessa contradição era a própria extensão das áreas mineiras, que compensavam e excediam a redução de produtividade.

extensão das áreas mineiras, que compensavam e excediam a redução de produtividade. Didatismo e Conhecimento 19

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS no norte como em toda

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

no norte como em toda a Capitania, diferente do tradicionalmente realizado com a Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Com esse fim propôs a formação de companhias de comércio, o estímulo à agri- cultura, o povoamento das margens desses rios oferecendo isenção por dez anos do pagamento de dízimos aos que ali se estabeleces- sem, e, aos comerciantes, concessão de privilégios na exportação para o Pará (CAVALCANTE, 1999). Com estas propostas chamou a atenção das autoridades gover- namentais para a importância do comércio de Goiás com o Pará, através dos rios Araguaia e Tocantins. Foi ele próprio realizador de viagens para o Pará incentivando a navegação do Tocantins. Destacou-se como um grande defensor dos interesses da região quando foi ouvidor da Comarca do norte. A criação dessa comarca visava promover o povoamento no extremo norte para fomentar o comércio e a navegação dos rios Araguaia e Tocantins.

Além destas dificuldades, o contrabando e a cobrança de pe- sados tributos contribuíram para drenagem do ouro para fora da região. Dos impostos, somente o quinto era remetido para Lisboa. Todos os outros (entradas, dízimos, contagens, etc.) eram destina- dos à manutenção da colônia e da própria capitania. Inviabilizadas as alternativas de desenvolvimento econômi- co devido à falta de acumulação de capital e ao atrofiamento do mercado interno após o fim do ciclo da mineração, a população se volta para a economia de subsistência. Nas últimas décadas do século XVIII e início do século XIX, toda a capitania estava mergulhada numa situação de crise, o que levou os governantes goianos a voltarem suas atenções para as ati- vidades econômicas que antes sofreram proibições, objetivando soerguer a região da crise em que mergulhara.

Subsistência da População e a Integração Econômica Na segunda década do século XIX, com o fim da mineração, os aglomerados urbanos estacionaram ou desapareceram e grande parte da população abandonou a região. Os que permaneceram fo- ram para zona rural e dedicaram-se à criação de gado e agricultura, produzindo apenas algum excedente para aquisição de gêneros es- senciais.( PALACIN, 1989, p. 46) Toda a capitania entrou num processo de estagnação econô- mica. No norte, o quadro de abandono, despovoamento, pobreza e miséria foi descrito por muitos viajantes e autoridades que passa- ram pela região nas primeiras décadas do século XIX. Saint-Hilaire, na divisa norte/sul da capitania, revelou: “à ex- ceção de uma casinha que me pareceu abandonada, não encontrei durante todo o dia nenhuma propriedade, nenhum viajante, não vi

o menor trato de terra cultivada, nem mesmo um único boi”. Johann Emanuel Pohl, anos depois, passando pelo povoado de

Santa Rita constatou: “é um lugar muito pequeno, em visível deca-

dência (

ouro estão inteiramente descuradas e abandonadas”. O desembargador Theotônio Segurado, que mais tarde se tor- naria ouvidor da Comarca do Norte, em relatório de 1806, deu conta das penúrias em que vivia a região em função tanto do aban- dono como da falta de meios para contrapor esse quadro: “A ca- pitania nada exportava; o seu comércio externo era absolutamente passivo: os gêneros da Europa, vindos em bestas do Rio ou Bahia pelo espaço de 300 léguas, chegavam caríssimos; os negociantes vendiam tudo fiado: daí a falta de pagamentos, daí as execuções, daí a total ruína da Capitania”. Diante dessa situação, a Coroa Portuguesa tomou consciência de que só através do povoamento, da agricultura, da pecuária e do comércio com outras regiões que a capitania poderia retomar o fluxo comercial de antes. Como saída para a crise voltaram-se as atenções para as possibilidades de ligação comercial com o litoral, através da capitania do Pará, pela navegação dos rios Tocantins e Araguaia.( CAVALCANTE, 1999,p.39) As picadas, os caminhos e a navegação pelos rios Tocantins

Por não haver negros, por falta de braços, as lavras de

).

e

Araguaia, todos interditados na época da mineração para conter

o

contrabando, foram liberados desde 1782. Como efeito imediato

norte começou a se relacionar com o Pará, ainda que de forma precária e inexpressiva. Nas primeiras décadas do século XIX, o desembargador Theotônio Segurado já apontava a navegação dos rios Tocantins e Araguaia como alternativa para o desenvolvimento da região atra- vés do estímulo à produção para um comércio mais vantajoso tanto

o

Criação da Comarca do Norte – 1809 Para facilitar a administração, a aplicação da justiça e, prin- cipalmente, incentivar o povoamento e o desenvolvimento da na- vegação dos rios Tocantins e Araguaia, o Alvará de 18 de março

de 1809 dividiu a Capitania de Goiás em duas comarcas (regiões):

a Comarca do Sul e a Comarca do Norte. Esta recebeu o nome

de Comarca de São João das Duas Barras, assim como chamaria

a vila que, na confluência do Araguaia no Tocantins se mandaria criar com este mesmo nome para ser sua sede. Para nela servir foi nomeado o desembargador Joaquim Theotônio Segurado como seu ouvidor.

A nova comarca compreendia os julgados de Porto Real, Na-

tividade, Conceição, Arraias, São Félix, Cavalcante, Traíras e Flo- res. O arraial do Carmo, que já tinha sido cabeça de julgado, perde essa condição que foi transferida para Porto Real, ponto que co- meçava a prosperar com a navegação do Tocantins. Enquanto não se fundava a vila de São João das Duas Barras, Natividade seria a sede da ouvidoria. A função primeira de Theotônio Segurado era designar o local onde deveria ser fundada essa vila. Alegando a distância e a descentralização em relação aos jul- gados mais povoados, o ouvidor e o povo do norte solicitaram a D. João autorização para a construção da sede da comarca em outro local. No lugar escolhido por Segurado, o alvará de 25 de janeiro de 1814 autorizava a construção da sede na confluência dos rios Palma e Paranã, a vila de Palma, hoje a cidade de Paranã.

A vila de São João das Duas Barras recebeu o título de vila,

mas nunca chegou a ser construída. Theotônio Segurado, adminis-

trador da Comarca do Norte, muito trabalhou para o desenvolvi- mento da navegação do Tocantins e o incremento do comércio com

o Pará. Assumiu posição de liderança como grande defensor dos

interesses regionais e, tão logo se mostrou oportuno, não hesitou

em reivindicar legalmente a autonomia político-administrativa da região. O 18 de março foi, oficialmente, considerado o Dia da Au- tonomia pela lei 960 de 17 de março de 1998, por ser a data da criação da Comarca do Norte, estabelecida como marco inicial da luta pela emancipação do Estado.

Movimento Separatista do Norte de Goiás - 1821 a 1824

A Revolução do Porto no ano de 1820, em Portugal, exigindo

a recolonização do Brasil, mobilizou na colônia, especificamente

no litoral, a elite intelectualizada em prol da emancipação do país. Em Goiás, essas ideias liberais refletiram na tentativa de derrubar

a própria personificação da dominação portuguesa: o capitão-ge- neral Manoel Sampaio.

a própria personificação da dominação portuguesa: o capitão-ge - neral Manoel Sampaio. Didatismo e Conhecimento 20

Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS da Boa Vista do Tocantins,

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

da Boa Vista do Tocantins, com a vila capital em Boa Vista (To- cantinópolis), em 1863; e, de modo mais concreto, em 1889, com

o projeto de Fausto de Souza para a redivisão do Império em 40

províncias, constando a do Tocantins na região que compreendia

o norte goiano. Nas primeiras décadas da República o discurso separatista so- breviveu na imprensa regional, principalmente de Porto Nacional - maior centro econômico e político da época - em periódicos como “Folha do Norte” e “Norte de Goiás”. A partir da década de 1930 que o discurso retorna à esfera nacional. Após a criação pela Constituição de 1937 dos territórios do Amapá, Rio Branco, Guaporé - atual Rondônia - Itaguaçu e Ponta Porã (extintos pela Constituição de 1946), houve também quem defendesse a criação do território do Tocantins.

Houve uma primeira investida nesse sentido em 1821, sob

a liderança do capitão Felipe Antônio Cardoso e do padre Luiz

Bartolomeu Marques. Coube ao primeiro mobilizar os quartéis e ao segundo conclamar o povo e lideranças para a preparação de um golpe que iria depor Sampaio. Contudo, houve uma denúncia

sobre o golpe e, em seguida, foi ordenada a prisão dos principais líderes rebeldes. O padre Marques conseguiu fugir e novamente articulou contra o capitão-general. Sampaio impôs sua autoridade

e os rebeldes foram expulsos da capital Vila Boa. Alguns vieram

para o norte, como o capitão Cardoso, que teve ordem para se reti- rar para o distrito de Arraias, e o padre José Cardoso de Mendonça, enviado para a aldeia de Formiga e Duro. Mas os acontecimentos que ocorreram na capital não ficaram isolados. A ideia da nomeação de um governo provisório, depois de fracassada na capital, foi aclamada no norte onde já havia an- seios separatistas. O desejo do padre Luiz Bartolomeu Marques não era outro senão a independência do Brasil. E a deposição de Sampaio seria apenas o primeiro passo. Para este fim, contavam com o vigário de Cavalcante, Francisco Joaquim Coelho de Matos, que cedeu a direção das coisas ao desembargador Joaquim Theo- tônio Segurado.

No dia 14 de setembro, um mês após a frustrada tentativa de deposição de Sampaio, instalou-se o governo independencista do norte, com capital provisória em Cavalcante. O ouvidor da Co- marca do Norte, Theotônio Segurado, presidiu e estabeleceu essa junta provisória até janeiro de 1822. No dia seguinte, o governo provisório da Comarca da Palma fez circular uma proclamação em que declarou-se separado do governo.( ALENCASTRE, 1979). As justificativas para a separação do norte em relação ao centro-sul de Goiás eram, para Segurado, de natureza econômica, política, administrativa e geográfica. A instalação de um governo independente - não necessaria- mente em relação à Coroa Portuguesa, mas sim ao governo do capitão-general da Comarca do Sul - parecia ser o único objetivo de Theotônio Segurado. A sua posição não-independencista provo-

cou a insatisfação de alguns dos seus correligionários políticos e a retirada de apoio à causa separatista. Em outubro de 1821, transfe- re a capital para Arraias provocando oposição e animosidade dos representantes de Cavalcante. Com o seu afastamento em janeiro de 1822, quando partiu para Lisboa como deputado representante de Goiás na Corte, agravou a crise interna. “A partir dessa data uma série de atritos parecem denunciar que a junta havia ficado acéfala. Na ausência de Segurado, ne- nhuma liderança capaz de impor-se com a autoridade representa- tiva da maioria dos arraiais conseguiu se firmar. Pelo contrário, os interesses particulares dos líderes de Cavalcante, Palmas, Arraias

e Natividade se sobrepuseram à causa separatista regional”.( CA- VALCANTE, 1999,p.64).

A criação do Estado do Tocantins - 1988 O ano era 1987. As lideranças souberam aproveitar o momen- to oportuno para mobilizar a população em torno de um projeto

de existência quase secular e pelo qual lutaram muitas gerações: a autonomia política do norte goiano, já batizado Tocantins.

A Conorte apresentou à Assembléia Constituinte uma emenda

popular com cerca de 80 mil assinaturas como reforço à proposta de criação do Estado. Foi criada a União Tocantinense, organi- zação supra-partidária com o objetivo de conscientização política em toda a região norte para lutar pelo Tocantins também através de emenda popular. Com objetivo similar, nasceu o Comitê Pró- Criação do Estado do Tocantins, que conquistou importantes ade- sões para a causa separatista. “O povo nortense quer o Estado do Tocantins. E o povo é o juiz supremo. Não há como contestá-lo”, reconhecia o governador de Goiás na época, Henrique Santilo. ( SILVA, 1999,p.237) Em junho, o deputado Siqueira Campos, relator da Subcomis-

são dos Estados da Assembléia Nacional Constituinte, redige e en- trega ao presidente da Assembléia, o deputado Ulisses Guimarães,

a

fusão de emendas criando o Estado do Tocantins que foi votada

e

aprovada no mesmo dia. Pelo artigo 13 do Ato das Disposições Constitucionais Transi-

tórias da Constituição, em 05 de outubro de 1988, nascia o Estado do Tocantins.

A eleição dos primeiros representantes tocantinenses foi reali-

zada em 15 de novembro de 1988, pelo Tribunal Regional Eleito- ral de Goiás, junto com as eleições dos prefeitos municipais. Além

do governador e seu vice, foram escolhidos os senadores e deputa- dos federais e estaduais.

A cidade de Miracema do Norte, localizada na região central

do novo Estado, foi escolhida como capital provisória. No dia 1º de janeiro de 1989 foi instalado o Estado do Tocantins e empossa- dos o governador, José Wilson Siqueira Campos; seu vice, Darci Martins Coelho; os senadores Moisés Abrão Neto, Carlos Patrocí- nio e Antônio Luiz Maya; juntamente com oito deputados federais

e 24 deputados estaduais. Ato contínuo, o governador assinou decretos criando as Se- cretarias de Estado e viabilizando o funcionamento dos poderes Legislativo e Judiciário e dos Tribunais de Justiça e de Contas. Fo- ram nomeados o primeiro secretariado e os primeiros desembarga- dores. Também foi assinado decreto mudando o nome das cidades do novo Estado que tinham a identificação “do Norte” e passaram para “do Tocantins”. Foram alterados, por exemplo, os nomes de Miracema do Norte, Paraíso do Norte e Aurora do Norte para Mi-

racema do Tocantins, Paraíso do Tocantins e Aurora do Tocantins.

Trajetória de luta pela criação do Tocantins No final do século XIX e no decorrer do século XX, a idéia de

se criar o Tocantins, estado ou território, esteve inserida no contex-

to das discussões apresentadas em torno da redivisão territorial do

país, no plano nacional. Mas, a concretização desta idéia só veio com a Constituição de 1988 que criou o Estado do Tocantins pelo desmembramento do estado de Goiás. Ainda no Império, duas tentativas: a defesa de Visconde de Taunay, na condição de deputado pela Província de Goiás, pro- pondo a separação do norte goiano para a criação da Província

Província de Goiás, pro- pondo a separação do norte goiano para a criação da Província Didatismo

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Só em reservas indígenas, totalizam-se

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Só em reservas indígenas, totalizam-se 2 milhões de hectares protegidos, onde uma população de 10 mil indígenas preserva suas tradições, seus costumes e crenças. No Tocantins existem sete et- nias (Karajá, Xambioá, Javaé, Xerente, krahô Canela, Apinajè e

Pankararú), distribuídas em 82 aldeias. Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://portal.to.gov.br/tocantins/2. Acesso em: 03 de março de

No dia 5 de outubro de 1989, foi promulgada a primeira Cons- tituição do Estado, feita nos moldes da Constituição Federal. Fo- ram criados mais 44 municípios além dos 79 já existentes. Atual- mente, o Estado possui 139 municípios. Foi construída, no centro geográfico do Estado, numa área de 1.024 Km2 desmembrada do município de Porto Nacional, a cidade de Palmas, para ser a sede do governo estadual. Em 1º de janeiro de 1990, foi instalada a capital.

Bibliografia

BARROS, Otávio. Breve História do Tocantins, 1º edição, FIETO, Araguaína, 1996 BARROS, Otávio. Tocantins, Conhecendo e Fazendo Histó- ria, 1º edição, SECOM, Palmas, 1998. PALACIN, Luís, MORAES, Maria Augusta Sant’anna. His- tória de Goiás (1722-1972) 5º ed. Goiânia: Ed. Da UCG, 1989. O Século do Ouro em Goiás. 3º ed. Goiânia: Oriente, Brasília:

INL, 1979. CAVALCANTE, Maria do Espírito Santo Rosa. Tocantins: O Movimento Separatista do Norte de Goiás, 1821-1988 - São Paulo:

A Garibaldi, Editora da UCG, 1999. SILVA, Francisco Ayres da. Caminhos de Ouhãra - 2° ED. Porto Nacional: Prefeitura Municipal, 1999. PARENTE, Temis Gomes- Fundamentos Históricos do Esta- do do Tocantins Goiânia: ED. da UFG, 1999. ALENCASTRE, José Martins Pereira de. Anais da Província de Goiás. Goiânia: SUDECO/Governo de Goiás, 1979.

Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=3. Acesso em: 03 de março de 2014.

TOCANTINS – ASPECTOS GEOGRÁFICOS

Criado em 1988 pela Assembleia Nacional Constituinte, o Tocantins é o mais novo dos 26 estados do Brasil. Localiza-se na região Norte, exatamente no centro geográfico do país, condição que lhe possibilita fazer limites com estados do Nordeste, Centro -Oeste e do próprio Norte. Na maior parte, o território do Tocantins é formado por planí- cies e ou áreas suavemente onduladas, estendendo-se por imensos planaltos e chapadões, o que constitui pouca variação altimétrica se comparado com a maioria dos outros estados. Assim, o ponto mais elevado do Tocantins é a Serra das Traíras, com altitude má- xima de 1.340 metros. Em termos de vegetação, o Tocantins é um dos nove estados que formam a região Amazônica. Sua vegetação de cerrado (87% do território) divide espaço, sobretudo, com a floresta de transição amazônica. Mais da metade do território do Tocantins (50,25%) são áreas de preservação, unidades de conservação e bacias hídricas, onde se incluem santuários naturais como a Ilha do Bananal (a maior ilha fluvial do mundo) e os parques estaduais do Cantão, do Jalapão, do Lajeado e o Monumento Nacional das Árvores Fossilizadas, entre outros. No Cantão, três importantes ecossistemas chegam a encontrar-se: o amazônico, o pantaneiro e o cerrado.

2014.

Etnias:

Apinajé: Vivem na região Norte do Estado, em área de re- serva que abrange parte dos municípios de Tocantinópolis, Mau- rilândia, Cachoeirinha e Lagoa de São Bento, somando 141.904 hectares em sete aldeias. Também pertencem ao tronco lingüístico Macro-Jê. Os Apinajé sobrevivem da agricultura de subsistência, da caça

e da coleta de babaçu - do qual extraem o óleo das amêndoas e

aproveitam a palha para fabricar utensílios domésticos e fazer a coberturas de suas casas. As cascas do babaçu são utilizadas como lenha para cozinhar.

Tradicionalmente, plantam milho, mandioca, amendoim, fei- jão, batata-doce e inhame e coletam andu, pequi, buriti, bacaba, bacuri, babaçu, açaí, murici, tucum e palmito, que complementam

a alimentação. Também produzem artesanato de sementes nativas do cerra- do e das peças feitas em palha de babaçu, que comercializam nas cidades vizinhas. Os primeiros registros do povo Apinajé, na região onde vive hoje, vêm do ano de 1774. Em 1780, foi criado o primeiro posto militar em Alcobaça para tentar conter os Apinajés, que eram co- nhecidos como grandes guerreiros, os poderosos índios da região Norte. O avanço da colonização sobre as terras dos Apinayés teve início em 1797, com a tentativa do governo de incentivar o povoa- mento da região. Festas: Ritual de homenagem aos mortos – Párkape e Ritual para retorno do espírito do doente ao corpo – Mêkaprî.

Krahô: Vivem em aldeias de estrutura circular, com habita- ções em torno de uma área vazia. Neste pátio central (ou Ka), que representa o coração da aldeia, eles se reúnem para dividir o traba- lho e tomar as decisões da comunidade. Suas aldeias se localizam próximas aos municípios de Itacajá

e Goiatins, no nordeste do Estado, em reserva de 302.533 hectares

e uma população aproximada de 830 habitantes. Também perten- cem ao tronco Macro-Jê. A divisão de trabalho na aldeia é feita pela separação de sexo

e idade. Os homens cuidam da agricultura e das atividades guer-

reiras, caçam e pescam. Os caçadores, para serem bem-sucedidos, além de observar os locais e ocasiões propícias para a caçada, de- vem conhecer bem os hábitos dos animais para melhor procurá -los ou esperá-los. Também são utilizados recursos místicos. As mulheres fazem a coleta, plantam e cuidam da casa. As crianças imitam os adultos do mesmo sexo e os velhos são representantes da tradição, conselheiros e sábios. Os Krahô possuem como símbolo sagrado uma machadinha de pedra, que chamam de Khoyré e acreditam ser responsável por manter a harmonia e o respeito dentro da comunidade. Mantêm a tradição da corrida de toras de buriti. No artesanato, são hábeis em

fazer trançados e artefatos de sementes nativas.

de buriti. No artesanato, são hábeis em fazer trançados e artefatos de sementes nativas. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Hábeis no artesanato em trançado,

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Hábeis no artesanato em trançado, com a palha de babaçu e

a seda do buriti eles produzem cestas, balaios, bolsas, esteiras e

enfeites para o corpo. Festas: Festa de dar nomes – Wakê; Home- nagem aos mortos – Kuprê; Padi – tamanduá bandeira; Corrida de toras de buriti; Feira de Sementes do Cerrado. Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://portal.to.gov.br/tocantins/povos-indigenas/72. Acesso em: 03 de março de 2014.

Festas: Festa da Batata (Panti - celebra a colheita e é realizada durante o verão); Festa do Milho (pônhê – também celebra a co- lheita); Festa wythô; Empenação das Crianças, Feira da Semente

e Corrida de Toras (com participação de homens e mulheres que

correm com toras de buriti especialmente preparadas para cada tipo de festa).

Krahô-Canela: Este povo assim se auto-identifica como

Krahô–Canela por ser descendente de duas etnias distintas: Krahô

e Canela, do povo Timbira (tronco Macro-Jê), originárias do Ma-

ranhão. Atualmente os Krahô-Canela estão em processo ocupação das terras de mata alagada, no município de Lagoa da Confusão, ao mesmo tempo em que se dedicam ao resgate de sua cultura.

Pankararu: Localizados no município de Gurupi, terceira maior cidade do Tocantins, os Pankararu são originários do ser- tão de Pernambuco, aldeia Brejo dos Padres. Há mais de 30 anos migraram para o antigo norte goiano, expulsos pela ação dos pos- seiros.Reconhecidos recentemente pela Funai, os Pankararu estão vivendo o processo de criação da sua reserva indígena e o resgate do ritual “o encantado”.

Povo Iny - Karajá, Xambioá e Javaé: Após longos períodos de migração devido as invasões de seu território e aos confrontos com outras etnias, o povo Iny (Karajá, Karajá/Xambioá e Javaé) se

firmou na Ilha do Bananal (os Karajá e Javaé, em aldeias distintas)

e no município de Xambioá (os Karajá/Xambioá). Os indígenas

que formam o Povo Iny falam a mesma língua, possuem os mes- mos costumes e se identificam uns com os outros como paren- tes. Embora geograficamente separados, pertencem aos mesmos

antepassados. A característica desse povo é pertencer ao tronco lingüístico Macro-Jê, família e língua Karajá, e por ter a coleta, a pesca e a agricultura como atividades. O povo Iny organiza-se em famílias extensas que incluem, além da família nuclear, genros e netos. São essencialmente pescadores e sempre viveram do que o rio lhes oferece. Embora hoje tenham suas casas permanentes em cima das barrancas do rio, durante o período da estiagem, passam

a maior parte do tempo nas praias, pescando e coletando. Quando

chegam as chuvas, dedicam-se às atividades agrícolas. Cada famí- lia tem o seu roçado e cultiva mandioca, banana, cana-de-açúcar, milho, batata-doce, cará e arroz. O iny é excelente artesão da arte plumária (confecção de haretôs, colares, brincos, braçadeiras e tor- nozeleiras), cerâmica (potes, pratos, tigelas e bonecas ornamentais - ritxokò) e de cestaria, que serve para transporte e armazanamento de mantimentos.

Xerente: Vivem na margem direita do rio Tocantins, próxi- mos à cidade de Tocantínia, nas reservas indígenas Xerente e Fu- nil (que somam 183.542 hectares de área demarcada). Os Xerente também pertencem ao grupo lingüístico Macro-Jê. Os Xerente contam atualmente com uma população de quase 1.800 pessoas distribuídas em 33 aldeias. Os 250 anos de contato dos Xerente com não-indígenas não afetaram sua identidade étni- ca. As rápidas e intensas transformações sociais, políticas e econô- micas que atingem a região na qual residem têm proporcionado a esse povo, não sem dificuldades, uma participação ativa nos pro- cessos decisórios que os envolvem.

Comunidades Quilombolas Ao falarmos em quilombo, surge no imaginário, a ideia de um local isolado e habitado apenas por negros, estes fugidos do sistema escravista, das grandes fazendas produtoras de café ou nú- cleos urbanos e mineratórios. Não se sabe exatamente a época de formação dos primeiros quilombos no Brasil, o que provavelmente não coincidi com a data de chegada dos primeiros negros trazidos da África. Os antigos quilombos eram formados em sua maioria por ne- gros fugidos do sistema escravista, no entanto, poderia encontrar nestes quilombos: brancos, índios, ladrões, padres, vendedores, donos de tabernas, escravos que viviam em senzalas entre outras pessoas que mantinham relações comerciais com os quilombolas. Desmistificando a idéia de isolamento total dos quilombos, pois os mesmos necessitavam deste contato com a sociedade circundante, para obter gêneros alimentícios que não eram produzidos nas ter- ras que habitavam. Muito tempo se passou desde a formação dos primeiros qui- lombos no Brasil. Atualmente, segundo dados da Fundação Cul- tural Palmares, existem cerca de 1.700 comunidades quilombolas certificadas no país, sendo que no Estado do Tocantins pode se encontrar 29 comunidades que estão localizadas desde região nor-

te ao sul do Estado.

O processo de reconhecimento e certificação das comunida- des como remanescentes de quilombos, teve uma dinamização a partir da aprovação do decreto 4.887 de 20 de novembro de 2003 que segue sob o seguinte enunciado “Regulamenta o procedimen- to para identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos de que trata o art. 68 do Ato das Disposições Cons-

titucionais Transitórias”. Essa dinamização é decorrente da facili- dade que o referido decreto proporciona as comunidades para se auto-reconhecerem como remanescentes de quilombos, conforme

o artigo 2º deste decreto: “Consideram-se remanescentes das co-

munidades dos quilombos, para os fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição, com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida”. Como já foi mencionado, no Estado do Tocantins existem 29 comunidades quilombolas, que compreendem o patrimônio cultu-

ral estadual. Estas comunidades são detentoras de características culturais peculiares que as distinguem umas das outras e de toda a sociedade circundante, apresentando semelhanças no que diz res-

peito ao uso e ligação com a terra onde estão localizadas, pois esta

é usada para manutenção na produção de alimentos necessários a

sustentabilidade da comunidade e é o local onde os seus antepassa- dos estão enterrados, estabelecendo assim o sentimento de perten- cimento a terra, onde as raízes culturais estão fincadas, resistindo às ações do homem e do tempo.

Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=42. Acesso em: 03 de março de 2014.

Disponível em: http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=42. Acesso em: 03 de março de 2014. Didatismo e Conhecimento 23

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS aventureiros em busca de riquezas

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aventureiros em busca de riquezas minerais e índios, adentrando

ao vale do Tocantins chegando à região de Dianópolis, dando as- sim inicio ao povoamento urbano.

A cidade tem suas origens ligadas ao aldeamento indígena e

à mineração em meados de 1750/51. O aldeamento localizava-se junto ao ribeirão Formiga com nome de São Francisco de Xavier do Duro, também conhecido como missões. Conforme versão po- pular, as índias Tapuia em suas andanças pelos arredores, encon-

traram pedras amarelas que foram levadas aos Jesuítas. Estes cons- tataram que as tais pedras eram pepitas de ouro. Em decorrência deste ato os índios ficaram responsáveis pela extradição aurífera, tornando o local conhecido como “As Minas das Tapuias”, daí de- rivando os nomes D’oiro, D’ouro e Duro.

A lei Provincial n° 03, de 14/10/1854, criou o distrito de

São José do Duro, sob a jurisdição de Conceição do Norte e, em 26/08/1884, a Lei Provincial n° 723 elevou o distrito a Vila com o mesmo topônimo, provavelmente instalada em 1890. Em 1938 re- cebeu o nome de Dianópolis em homenagem às irmãs Custodianas

ou Dianas, pertencentes á umas das famílias tradicionais da cidade.

O episódio que marcou a história da Vila do Duro foi protago-

nizado por índios que reagiram às imposições dos colonizadores.

Ocorreram também disputas políticas entre os habitantes locais e invasores, fazendo, da vila, cenário de lutas sangrentas.

O movimento, no entanto, que mais abalou o Duro foi o con-

fronto, que resultou em uma luta sangrenta, tendo por um lado membros da família Wolney e, por outro, representantes do go- verno do Estado. Este episódio se estende de 1918 a 1923, tendo como momento mais grave o dia 16 de janeiro de 1919, data da chacina dos nove membros da família Wolney que se encontrava nos presos ao tronco. As relações historicamente mantidas com a Bahia propor- cionaram acentuada influencia cultural. Em Dianópolis pouco se conservou da arquitetura. O centro histórico da cidade, situado em torno da Praça Cel. Wolney é composto de prédios residenciais, restando duas casas do século passado. Essas casas mantêm suas características originais (foram construídas em 1885 e 1892, res- pectivamente). Além desses imóveis restam também cerca de meia dúzia de outros, que conservam o aspecto original, porém, retra- tam um estilo já do inicio do século passado, por volta dos anos 30 e 40. Patrimônio Material: Capelinha dos Nove; Igreja erguida no túmulo das nove vítimas do massacre que houve no “tronco” em 16 de janeiro de 1919. Prefeitura Velha: O prédio era a antiga residência dos irmãos Aurélio e Alberto Araújo, descendentes da família do Coronel Wolney. Em 1948 foi comprado pela prefeitura, tornando-se sede do Executivo Municipal até a década de 1970. Hoje é conhecido como “prefeitura velha”. Casa do Cel. Wolney: Casa construída em 1885 pelo Coronel Joaquim Ayres Cavalcante Wolney. É dividida em 14 cômodos e foi erguida por braço escravo. Suas paredes de adobe medem cerca de 45 cm de espessura e com portas de madeiras de cerca de 3 metros de altura. Igreja Sagrada Família: Funcionou como Matriz de São José (padroeiro da cidade) até tempos recentes quando foi construída a nova Matriz. Igreja de São José das Missões: Templo importante pelo fato de pertencer a um povoado resultante de aldeamento indígena, ori- gem da própria cidade de Dianópolis.

Cidades e Monumentos Históricos

Arraias: Originou-se em 1739 com a descoberta de um garim- po. Em 1740, com o apoio do Governador D. Luís de Mascarenhas, foi definido traçado das ruas, o que contribuiu para o assentamento da população sob a nomenclatura de Nossa Senhora dos Remédios de Arraias. O povoado situa-se a 3 Km da “Chapada dos Negros”, antigo arraial riquíssimo em ouro, surgido em 1733, de acordo com as indicações do historiador Padre Luís Palacim. No dia 16 de agos- to de 1807, o povoado de Arrais foi elevado a Julgado e, mais tarde, através da Resolução de 1° de abril de 1833, passou à categoria de vila, instalada em 19 de setembro do mesmo ano. O declínio da mineração contribuiu para a evasão urbana e o crescimento da zona rural, onde os habitantes desenvolviam ati- vidades de pecuária e de agricultura de subsistência, perdurando esta situação até meados do século XIX, quando Arraias perde a condição de vila, e em 1850 sendo anexada a Cavalcante e mais tarde a Monte Alegre. A partir de 1866 foi instalada a Coletoria Estadual e em 1980 deu-se a implantação de Agencia Postal dos Correios e telégrafos e do 1° cartório de Registro Cível. Em 1935 foi instalada a coletoria Federal. A formação étnica de Arraias é proveniente de descendentes de negros escravos e pessoas livres originárias, ao que tudo indica, de São Paulo e da Bahia. No entanto as características culturais apresentam maior influência baiana do que paulista. As construções mais antigas são datadas do século XIX. Al- gumas conservam paredões em tijolos de adobe, destacando-se a Igreja Matriz, que sofreu descaracterização dos seus traços origi- nais em razão das reformas no século XX. Festas populares: vaquejada e congada; Danças: Capoeira, Sússia e a Roda de São Gonçalo; Festas Religiosas: Padroeira Nos- sa Senhora dos Remédios (9 de setembro), Festas de Santos Reis (01 a 06 de janeiro); São Sebastião (11 a 20 de janeiro); Entrudo (carnaval). Painel Histórico: Festival de Artes de Arraias “Canta Nordeste” Artesanato: Peças executadas em couro, palha, madeira e argila Pratos Típicos: Maria Isabel, Paçoca de Pilão e Mucunzá; Doces: Caju e buriti. Bebidas: Licores e pingas. Patrimônio Material Ruínas da casa do feitor na Chapada dos Negros; Vestígios do povoado, testemunhados pelas ruínas de igrejas, de habitações e por rego de captação de água, entre matagais e grandes blocos de pedras. Igreja Matriz: Dedicada a Nossa Senhora dos Remédios, foi reconstruída com aproveitamento dos velhos paredões, localizada na praça Dr. João D’Abreu. Praça “Cel. Joaquim de Sena e Silva”: Bem iluminada e com vários bancos, é local de desconcentração para os arraianos, Um bonito coreto e o busto do Coronel, cujo nome cede à denominação atual, completam a paisagem da antiga praça do rosário.

Dianópolis: Antigo Arraial de São José do Duro é uma das cidades tocantinenses mais contempladas em obras de escritores, poetas e historiadores, especialmente por ter sido palco de movi- mentos armados. Em 1750, criadores de gados da região nordes- tina através do vale de São Francisco, chegaram às terras tocanti- nenses, antigo norte goiano. Das Minas Gerais também partiram

chegaram às terras tocanti- nenses, antigo norte goiano. Das Minas Gerais também partiram Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Atualmente, Natividade tem o seu

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Atualmente, Natividade tem o seu espaço urbano dividido em três zonas de usos específicos: Zona de Proteção Histórica, Zona de Proteção Ambiental, e Zona de Expansão. O conjunto arquitetô- nico é constituído pelas ruas estreitas de casarões e igrejas. Festas populares: Festa do Divino (data móvel); Festa de São João Batista (23 a 24/06); Festa do Senhor do Bonfim (12 a 17/08); Festa da padroeira de N. Sra. da Natividade (30/08 a 08/09); Baile de pastorinhas (24/12); Festa de Reis (01 a 06/01); Patrimônio Material: Igreja da Matriz: Datada de 1759, já so-

freu algumas alterações no seu interior e fachada. Nele se encontra

a imagem de Nossa Senhora da Natividade, santa Padroeira do Es-

tado do Tocantins, possui dois sinos em bronze, datados de 1858. Igreja do Rosário dos Pretos: Toda em pedra possui os arcos da entrada central feitos com grandes tijolos especiais da época. Construída pelos escravos, ficou inacabada. Obra de admirável ar- quitetura. “Superaria as demais igrejas da capitania do Norte de Goiás se tivesse sido terminada”, escreveu o Visitante Pohl em 1819. Representa o monumento símbolo da raça negra e o trabalho escravo da fase da mineração. Prédio da Antiga Cadeia Pública: Continua com as caracterís- ticas originais da sua construção. Impressiona pelas suas janelas e

portas de largas grades e enormes portais em madeiras. Quando da passagem da “Coluna Prestes”, em 1925 e 1926, seus presos foram soltos pelos membros dessa rebelião. Foi restaurada em 1996 para ser o Museu Histórico Municipal.

Casa do Sr. Salvador José Ribeiro (ten. Salvador): Foi sede da primeira escola pública de natividade, nos anos de 1831 – Grupo Escolar D. Pedro II, e teve como primeira professora a Sra. Geor- giana Viana Torres. Ruínas de São Luis: Local do antigo povoado no alto da Serra de Natividade, rico em buracos de garimpos de ouro, que no início

a historia do nascimento da atual cidade, onde também se encontra

a Lagoa Encantada, construída pelos escravos.

Monte do Carmo: Sua história data do período do “Ciclo do ouro no Brasil”, quando aventureiros adentraram os sertões à pro- cura das minas. O bandeirante Manuel de Souza Ferreira, à procura de ouro pelo Vale do Alto Tocantins, deparou com essa localidade. Autores como Brigadeiros Lísias Augustos Rodrigues, nos re- latos de Pizzarro ao referendar as “Memórias do Rio de Janeiro”, fazia menções ao Arraial do Carmo, nos anos de 1738. Porem, al- guns pesquisadores datam a sua fundação de 1741 e o historiador Luis Palacin a situa em 1746. Por essa razão, ainda não se determi- nou com exatidão a data do surgimento do povoado de Monte do Carmo. Cronologicamente, sua história se desenvolve com maior precisão e detalhes, quando a Rainha Maria I nomeia o Padre Faus- tino José da Gama, em 1870, para, no Arraial do Carmo, exercer serviços religiosos. Sediado no sopé da Serra do Carmo, Padre Gama tornou-se o mais famoso senhor, “dono de muitos escravos e lavouras”. Na sede do município, podem ser encontrados resquícios de muros e pedras e antigos casarões em ruínas que ficam em torno da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, como testemunhos do im- portante povoado minerador que foi Monte do Carmo. O Distrito de Monte do Carmo foi emancipado no dia 23/10/1963, e a sua instalação aconteceu em 10/01/1964, com a nomeação do prefeito Durval da Silva R. Barros, que permaneceu até a nomeação de Ademar Pereira da Silva, em 1965. Festas populares: Festa de São Sebastião (20/01); Festejos do Carmo (julho) - onde se festeja Nossa Senhora do Rosário, Divino Espírito do Santo e Nossa Senhora do Carmo. Comidas típicas - arroz sirigado e arroz com pequi, doces de caju, buriti, banana, e bolos de arroz, de mãe, amor perfeito entre outros. Patrimônio Material: Igreja de Nossa Senhora do Rosário:

Construída em 1801 pelo Sr. João Ayres da Silva, contratado pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, pelo valor de 1.200 oita- vas de ouro. A igreja abriga a imagem de Nossa Senhora do Carmo. Ruínas do Arraial do Carmo: A casa, igreja e diques que os escravos do padre Gama fizeram no sopé da Serra do Carmo. Padre Gama tinha sob seu comando cerca de 1200 escravos trabalhando na sua lavoura e no garimpo.

Natividade: Situada no Sudeste do Tocantins, ao pé da Serra da Natividade, numa distância de 305 km da capital do Estado, nascida com a exploração do ouro e fundada por Antônio Ferraz de Araújo, sua origem remonta ao século XVIII, ligada ao Arraial de São Luiz, no alto da serra. Hoje restam apenas ruínas daquele fluente e rico garimpo de ouro. O nascente arraial denominado São Luis recebeu seu nome em homenagem a Dom Luis de Mascarenhas, então governador da Capitania de São Luis e fundador da Vila Boa (atual cidade de Goiás – GO). O nome São Luis conservou-se, provavelmente até 1733, quando, em homenagem a Nossa Senhora da Natividade, o local passa então a ser chamado de Natividade. Em 1734, o portu- guês Manoel Rodrigues de Araújo transferiu o Arraial para o Sopé da Serra, local de melhor acesso, onde hoje situa a cidade. Em 1831, Natividade foi elevada à categoria de Vila. Em 1834 contava com 300 casa e ruas guarnecidas de calçadas de laje e em 1° de julho de 1901, a vila ganhou o termo de Município de nati- vidade, se desmembrado da Comarca de Porto Nacional, e em 23 de dezembro de 1905, pela influente atuação do Senador Fulgêncio Nunes da Silva, aconteceu à instalação da Comarca de Natividade.

Igreja de São Benedito: De características coloniais, conserva

o sino original e a estrutura do primeiro altar.É possível que a Igre- ja de São Benedito tenha sido construída ainda nas primeiras dé- cadas do século XVIII, época em que Natividade vivia a opulência do ouro. Segundo relatos orais, a igreja funcionou normalmente até l928, quando foi desativada, voltando a ser utilizada com mais frequência em 2000. De 1984 (data da primeira restauração) a abril de 2000, a igreja era utilizada apenas nas datas festivas em que se incluía procissão em evento realizado na igreja matriz. De acordo com esses relatos, no período em que esteve desativada, a igreja passou por um processo de abandono por parte das autoridades ci- vis e religiosas, perdeu parte do telhado e do reboco. Nesse perío- do foi roubada a imagem original, mas não se sabe precisamente

o ano. A igreja possui fachada simples com um óculo e porta prin- cipal ladeada por duas janelas. Consta de pequena nave, arco cru- zeiro, capela mor ladeada por sacristia e consistório, além de um cômodo de acesso ao púlpito, torre e coro. O retábulo do altar mor apresenta técnica simples de carpintaria e pinturas em policromia com elementos decorativos (figuras antropomórficas e dosséis) que se enquadram dentro do estilo joanino. As paredes laterais da capela mor e o fundo do camarim possuem pinturas decorativas aplicadas sobre a pintura a cal, apresentando os seguintes elemen- tos: sobreverga com arremate em conchas nas extremidades, com- poteira com flores, buquês, cortinados e colunas lisas. O arco do cruzeiro também apresenta pintura decorativa com repetição de elementos.

lisas. O arco do cruzeiro também apresenta pintura decorativa com repetição de elementos. Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Porto Nacional : Segundo os

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Porto Nacional: Segundo os historiadores, a origem de Porto Nacional deve-se á navegação pelo rio Tocantins, fazendo a liga- ção entre os dois centros de mineração: Pontal e Monte do Carmo. Depois destacamento militar encarregado da vigilância da nave- gação. Seu primeiro morador foi o português Felix Camôa, barqueiro que, no final do século XVIII, dedicara-se à travessia no rio To- cantins de mineiros procedentes das minas de ouro de Bom Jesus do Pontal (populosa vila situada a 12 km à margem esquerda do rio Tocantins, local onde hoje só resta a história e os buracos dos garimpos) para as minas do Arraial do Carmo, distante 42 km à margem direita do Tocantins e vice-versa. Por volta de 1805, os índios Xerente revoltados com a explo- ração de toda ordem a que eram submetidos, atacaram e dizimaram o “Garimpo de bom Jesus do Pontal”. Os sobreviventes do massa- cre vieram refugiar-se e fixar residência em Porto Real. Os nomes atribuídos à cidade estão relacionados com a situa- ção política vigente no país: Porto Real, quando era Brasil-reino; Porto Imperial, na época do Império e finalmente Porto Nacional, após a proclamação da república. A vinda da Família Real Portuguesa, em 1808, para o Brasil, também contribuiu para o engrandecimento da futura Porto Nacio- nal. D, João VI, em 9 de março de 1809, editou o Alvará de criação de uma Comarca no Norte da província de Goiás, denominada São João da Barra, (hoje cidade de Marabá – PA), e nomeando para dirigir essa Comarca o Desembargador Joaquim Teotônio Segura- do, tendo como a incumbência desenvolver à navegação nos rios Araguaia e Tocantins e incentivar a lavoura e a pecuária da região. Afeiçoando-se com Arraial de Porto Real, Teotônio Segurado instala ali a “cabeça de Julgado” e passa a residir alternadamente em porto Real, Palma (hoje Paranã) e Natividade. Assim com o intuito de fazer crescer Porto Real, o Desembargador convidou as principais famílias de Monte do Carmo a virem residir no novo Ar- raial, Tal foi o desenvolvimento de Porto, que em 1831, foi promo- vido à categoria de “vila”, com a denominação de Porto Imperial. A vila despontou como importante entreposto comercial para os comerciantes que de “bote” faziam a viagem de Palmas até Be- lém do Pará e vice-versa. A vila de Porto Imperial adquire o título de cidade em 1861, com o nome de Porto Nacional. Em 1886 chegam os Padres Dominicanos, importantes mis- sionários que contribuíram para que Porto conquistasse o cognome de “Berço Intelectual do Norte Goiano”. Desde 1889, Porto já con- tava com assistência médica oferecida pelo seu filho Dr. Francisco Ayres da Silva que, além de médico, foi político e jornalista. Fun- dou o jornal “Norte de Goiaz”, que durante meio século, defendeu as causas do desenvolvimento regional. Esse filho também trouxe, em 1929, os primeiros veículos, um Ford e um caminhão Chevro- let, adquiridos no Rio de janeiro e conduzidos até Porto, via estado de Minas Gerais e Bahia, abrindo caminho pelos sertões. Em 1904 chegam a Porto Nacional as Freiras Dominicanas, cujo trabalho permanece até nosso dias, representado Pelo Colé- gio Sagrado Coração de Jesus.Porto Nacional se orgulha de ter na parte velha da cidade imponentes ruas, como a do Cabaçaco e a da cadeia, que contam ainda com lindos casarões coloniais. Festas Populares: Festa de São Sebastião (20/01); Via Sacra; Festa do Divino (data móvel); Festa da Padroeira - Nossa Sra. das Mercês (24/10).

Paranã: As primeiras entradas na província de Paranã ocorre- ram por volta de 1740, em 1815, o povoado foi elevada à vila, com denominação de São João da Palma, sede da Comarca do Norte, situando-se na confluência dos Rios Paranã e palma no extremo sul tocantinense. Na condição de vila, São João da Palma passou a reivindicar

sua elevação à categoria de cidade, o que veio a conseguir no dia 5 de outubro 1857. Existem alguns fatos que tornam a historia de Pa- ranã semelhante a historia do Tocantins. O principal é o fato desta cidade ter sido a Comarca do Norte, em momentos embrionários da própria luta pela emancipação do Estado.

A data de 5 de outubro, que marca a elevação de Paranã à ca-

tegoria de cidade (1857), é também a data de criação do Estado do Tocantins (5 de outubro de 1988). O nome da capital definitiva do Estado resgata o nome da antiga Vila de Palma, cujo, habitantes, inclusive, conhecidos como palmenses, mesmo adjetivo dos mora- dores da atual capital.

A atividade econômica que mais impulsionou historicamente

a cidade foi o comércio fluvial pelo rio Tocantins. Através de bar- cos com capacidade de transporte de 15 toneladas. Essas embarca- ções eram impulsionadas por força humanas.

Após a desativação do comércio fluvial, restou a Paranã a criação de gado como principal atividade economia.

O conjunto arquitetônico conta com alguns destaques histo-

ricamente importantes. No que se refere à arquitetura residencial, preservou-se um razoável conjunto de edificações construídas na segunda metade do século XIX. Essas casas preservam suas ca- racterísticas originais como assoalhos de tábuas, paredes espessas, portas e janelas enormes e paredes de adobe. Festas populares: Festa do padroeiro da cidade, São João Ba- tista e do Divino Espírito do Santo; Festa dos Reis Gordos e Reis Magos; Procissão dos Navegantes Patrimônio Material: Cadeia Velha: Construída em 1904, fun- cionou por muito tempo como Cadeia Publica e Intendência Mu- nicipal, depois Prefeitura. É o único imóvel que ainda guarda suas características arquitetônicas em condições de uma restauração, apesar de várias modificações sofridas. Casa que pertenceu ao Coronel Evaristo Bezzerra: Construída na segunda metade do século XIX. Segundo a tradição oral, é uma das primeiras casas construídas na cidade. Conserva um assoalho de madeira na sala, com enormes portas e janelas de madeira, pa- redes espessas de tijolos. A casa funcionou como escola por muito tempo. Casa do Coronel Vitor Lino: Casa construída na segunda me- tade do século passado, por Natanael Antônio dos Santos, que a vendeu bem mais tarde para Vitor Lino. A casa tem sido residência da família há muitas gerações, tendo abrigado várias autoridades municipais, dentre elas a Sra. Josefina Teles Brito, que foi pre- feita nomeada (1946), sócio-fundadora da Associação Beneficente Nossa Senhora de Fátima (1952). O atual residente é o jornalista Hermínio Nunes Bernardes, que foi prefeito (1980-86). Permanece inalterada, com exceção de alguns cômodos que foram atingidos pelas enchentes. Igreja Matriz de São João Batista: Trata-se de uma obra bas- tante recente. Sua construção teve inicio na década de 50, após a demolição da Igreja anterior. Sua conclusão veio ocorrer já no inicio dos anos 80. A nova igreja não resgatou a arquitetura da igreja anterior.

já no inicio dos anos 80. A nova igreja não resgatou a arquitetura da igreja anterior.

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Patrimônio Material: Igreja de Tocantínia:

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Patrimônio Material: Igreja de Tocantínia: A igreja em adobe, construída pelos índios, foi idealizada por frei Antônio. Anos de- pois foi reconstruída pela vontade do Monsenhor Pedro Pereira Piagem.

Patrimônio Material Catedral Nossa Senhora das Mercês: Situada nas proximida- des da margem direita do Rio Tocantins, no mesmo local da antiga capela de Nossa Sra. das Mercês, essa obra monumental foi ini- ciada em 1894 e concluída 1904. Projetada em pedra e tijolos, re- presenta o estilo românico de Toulouse, França (região de origem dos Freis construtores). A maioria das suas imagens sacras foram trazidas da França e de Belém do Pará. Seu primeiro sino, todo em bronze, também veio da França. A Catedral representa a “Ordem Dominicana” em Porto Nacional. Seminário São José: Antigo “Convento Santa Rosa de Lima”

é sede dos Padres Dominicanos, desde o inicio da década de 20.

Em 1957 a parte superior do velho sobrado, por motivos estrutu- ração e segurança foi retirada, porém ainda continua majestoso. Prédio da Prefeitura Velha: Edificado em 1922. Nele funcio- nou até 1969 a Câmara Municipal, a sala das Audiências Judiciá- rias e a Administração Municipal. Construído em dois pavimentos, se destaca entre várias construções na parte velha da cidade. Caetanato: Localizado na conhecida “Rua do Cabaçaco” no Centro Histórico de Porto Nacional, foi a primeira sede do Colégio das Irmãs Dominicanas. Hoje é sede da COMSAÚDE de Porto Nacional. O nome “Caetanato” é em homenagem a Sra. Caitana

Belles, ultima moradora do local. Colégio Sagrado Coração de Jesus: Edificação de Ampla e

aprazível arquitetura representa o trabalho iniciado pelas incansá- veis e pioneiras “Irmãs Dominicanas”. Prédio do Abrigo João XXIII: Conhecido como “Abrigo dos Velhos”, o importante casarão foi sede do Correio e depois serviu durante muito tempo como Hospital. Situa-se na Rua Josué Negre. Residência do Sr. Oswaldo Ayres: Importante casa residencial de arquitetura antiga, situada na Praça da Igreja Matriz, simboliza

o brilhante trabalho do Dr. Francisco Ayres da Silva, como médico,

político e jornalista, filho de Porto Nacional. Residência da Senhora Custódia Pedreira: Herança da família “Pedreira”, esse casarão chama atenção pela arquitetura de épocas passadas, toda em adobe, conversa o porão e o assoalho de tábuas.

Tocantínia: Os primeiros registros que envolvem a região que hoje é a cidade de Tocantínia vêm de 1738 (Alencastre), quando começa a chegar na região muitos aventureiros em busca do ouro, terras e outras riquezas. A região já era habitada pelos índios Xe- rente que ocupavam as terras próximas ao Rio Providência e ao longo do Rio Tocantins. Nesse período ocorreram muitos conflitos envolvendo os ín- dios e os chegantes, que tinham que passar por terras indígenas. Vieram também os bandeirantes que abriam caminho e aprisiona- vam os índios para trabalharem como escravos em outras regiões. Com o projeto de povoamento da região, foram utilizadas muitas estratégias para afastar os índios, umas delas foi o aldea- mento, iniciado em 1840 pro Frei Antonio de Ganges, que chegou ao Brasil acompanhado por Frei Rafael de Targia, com a missão de aldear os índios Xerente, Krahô e Xavante. O capuchino italiano, Frei Antonio, estabeleceu-se à margem direita do Rio Tocantins a uns cinco quilômetros, aproximadamen- te, da barra do Ribeirão Piabanha. O primeiro nome da atual Tocantínia foi Tereza Cristina (nome do aldeamento), em homenagem a então Imperatriz do Bra- sil. Depois em virtude da proximidade com o Ribeirão Piabanha, passou a se chamar Piabanha, e em 20 de abril de 1936 adotou o nome atual, sendo elevado a categoria de município no dia 3 de outubro de 1953.

Tocantinópolis: Cidade que ficou popularmente conhecida como “Boa Vista do Padre João”, devido à grande influência histó- rica deste vigário, a antiga boa Vista do Tocantins, se tornou cená- rio de alguns acontecimentos marcantes. O primeiro Núcleo de habitantes teve inicio em 1818, quan- do bandeirantes, partindo de Pastos Bons, no Maranhão, vieram à procura de índios para catequizar. A região era muito fértil e pos- suía grande quantidade de madeiras adequadas para a construção

e produção de imóveis. Satisfeito com o que encontraram, alguns membros da ban- deira – Antonio Faustino e Venâncio – resolveram fixar local, e em função da altitude permitir uma excelente visão das águas do Tocantins e de seu entorno, chamaram o lugar de Boa Vista. Espalhada a noticia da fertilidade do local, grande número de habitantes de Carolina – MA, se deslocaram para o novo povoado. Em 1852 foi criado o Distrito de Boa Vista do Tocantins, em 28 de julho de 1858 foi elevada à categoria de cidade, e Pedro José Cipriano foi reconhecido como seu fundador. Em 1943 a Cidade passou a ser chamada de Tocantinópolis. Tocantinópolis hoje é uma cidade bastante urbanizada, porém, sem deixar sua característica fluvial, preservando um cais, no porto do rio Tocantins. Patrimônio Material: Catedral de Nossa Senhora da Conso- lação: É a matriz da Padroeira de Tocantinópolis, Nossa Senhora da Conceição. A tradição oral não fixa a data de sua construção. Trata-se, porém de uma arquitetura imponente, que traduz a força da religiosidade boavistente/tocantinopolina. Seminário João XXIII: A importância arquitetônica do prédio reside no fato de simbolizar a grande influencia religiosa da cida- de, que abrigou a sede da prelazia por vários anos, ao elevar-se diocese fundou também este seminário, que tem ordenado várias turmas de padre, inclusive o Padre Josimo que se tornou conheci- do nacionalmente pela sua atuação ao lado das lutas em favor dos oprimidos da região. Trata-se de um prédio de construção recente

(1955-1960).

Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=26. Acesso em: 03 de março de 2014.

Manifestações Culturais

Cavalhadas: Na Idade Média, os árabes foram denominados genericamente de mouros. Estes povos invadiram a Europa por volta do século VIII e só foram banidos do continente europeu no século XV. As cavalhadas representam a luta entre o exército de Carlos Magno e os mouros. Carlos Magno foi coroado Imperador do Ocidente no ano 800 pelo Papa Leão III. Alguns autores acreditam que as cavalhadas tenham sido in-

troduzidas no Brasil pelos padres jesuítas como meio de facilitar a catequese através da junção entre o sagrado e o profano. Em Taguatinga, no sul do Estado do Tocantins, as Cavalhadas tiveram início em 1937. Acontecem durante a festa de Nossa Se- nhora da Abadia, nos dia 12 e 13 de agosto. O ritual se inicia com

a benção do sacerdote aos cavalheiros; a entrega ao imperador das

O ritual se inicia com a benção do sacerdote aos cavalheiros; a entrega ao imperador das

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS voção a Nossa Senhora e

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

voção a Nossa Senhora e a história da sua imagem existente em

Natividade, onde é festejada há quase três séculos, no dia 8 de se- tembro, motivaram a eleição desta como Padroeira do Tocantins. A festa à Padroeira Nossa Senhora da Natividade acontece de 30 de agosto a 8 de setembro. Durante os festejos, acontece o novenário

e são montadas barracas onde se fazem leilões. É celebrada missa

solene no dia dedicado à santa. As comemorações acontecem na igreja matriz de Natividade, uma das mais antigas do Estado, da- tada de 1759.

lanças usadas nos treinamentos para a batalha simbolizando que

estes estão preparados para se apresentar em louvor a Nossa Se- nhora da Abadia e em honra ao imperador.

O ritual da luta entre mouros e cristãos é antecedido pelo des-

file dos caretas, grupo de mascarados representando bruxas, caras de boi com chifres e outros animais. Os cavalos, usados pelos ca- retas, são enfeitados com flores e portam instrumentos que produ- zem um barulho que os identifica. Os cavalheiros que participam do ritual das Cavalhadas, ao contrário dos mascarados, são quase sempre os mesmos. Nas Ca- valhadas tem-se a figura do rei, do embaixador e dos guerreiros. Todos desfilam sobre cavalos paramentados com selas cobertas por mantas bordadas e, sobre os olhos dos animais há uma más- cara toda trabalhada em cor prata enfeitada com penas vermelhas e amarelas. As Cavalhadas são formadas por vinte e quatro cavalheiros, distinguindo os mouros na cor vermelha e os cristãos na cor azul. Doze cavalheiros representam os cristãos e, os outros doze, os mouros. Os cristãos trajam camisa azul de cetim com enfeites doura- dos; calça branca com botas azuis e enfeites dourados. Na cabeça, um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas.

Os mouros usam camisa de cetim ou lamê prata brocado, capa

vermelha com bordados de ouro e calça vermelha com bordados e botas prateadas; na cabeça um cocar cor prata ou ouro com penas coloridas.

A espada e a lança usadas durante a encenação do combate

complementam a indumentária dos cavalheiros.

Congo ou Congadas: De origem africana mas com influência ibérica, o congo já era conhecido em Lisboa entre 1840 e 1850. É

popular no Nordeste e Norte do Brasil, durante o Natal e nas festi- vidades de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito.

A congada é a representação da coroação do rei e da rainha

eleitos pelos escravos e da chegada da embaixada, que motiva a luta entre o partido do rei e do embaixador. Vence o rei, perdoa-se o embaixador. Termina com o batizado dos infiéis. Os motivos dramáticos da dança do congo baseiam-se na his- tória da rainha Ginga Bandi, que governou Angola no século XVII. Ela decidiu, certa vez, enviar uma representação atrevida ao rei D. Henrique, de Portugal. Seu filho, o heróico príncipe Suena, é morto durante essa investida. O quimboto (feiticeiro) o ressuscita. Na dança do congo só os homens participam, cantando músi- cas que lembram fatos da história de seu país. A congada é com- posta por doze dançarinos. O vestuário usado pelos componentes do grupo é bem colorido e cada cor tem o seu significado. Azul e branco são as cores de Nossa Senhora do Rosário. O vermelho re- presenta a força divina. Os adornos na cabeça representam a coroa. O xale sobre os ombros representa o manto real.

Em Monte do Carmo, o congo é acompanhado por mulheres, chamadas de taieiras. Essas dançarinas usam trajes semelhantes aos usados pelas escravas que trabalhavam na corte. Trajam blusas quadriculadas em tom de azul e saias brancas rodadas, colares de várias cores e na cabeça turbante branco com uma rosa pendurada. Os dois grupos se apresentam juntos, nas ruas, durante o cortejo do rei e da rainha, na festa de Nossa Senhora do Rosário.

Festa de Nossa Senhora da Natividade: As manifestações culturais no Tocantins estão quase sempre atreladas às festas em comemoração aos santos da igreja Católica. A festa de Nossa Se- nhora da Natividade é uma celebração tipicamente religiosa. A de-

História Como a palavra Natal, Natividade significa nascimento. Em Portugal, ficou reservada para indicar o nascimento da Virgem Ma-

ria. A igreja Católica celebra o nascimento da mãe de Jesus desde

o ano 33 da era cristã. A festa de Nossa Senhora teve origem no

Oriente, a Virgem Maria passa a ser comemorada no Ocidente no século VII.

A comemoração a Nossa Senhora da Natividade está relacio-

nada à festa da Imaculada Conceição de Maria, celebrada em 8 de dezembro. Nove meses depois, comemora-se Nossa Senhora da Natividade. Esse intervalo diz respeito ao período de gestação

de Maria no ventre de Santa Ana. Os devotos acreditam que Ma-

ria, como mãe de Jesus, preservada do pecado original, merece ser cultuada.

A imagem de Nossa Senhora da Natividade foi trazida, pelos

jesuítas, para o norte da província de Goiás, em 1735. Foi a primei- ra a entrar nessa região, em embarcações pelo rio Tocantins, depois nos ombros dos escravos até o pé da serra onde se erguia o povoa- do denominado de Vila de Nossa Senhora da Natividade, Mãe de Deus, mais tarde São Luiz e depois Natividade. Essa imagem é a mesma, venerada, ainda hoje, na Igreja Matriz. Com a criação do Estado do Tocantins, a população de Nati- vidade, junto com o clero tocantinense e o recém-criado Conselho de Cultura, desenvolveu campanha para tornar a já venerada Nossa Senhora da Natividade em padroeira do Estado. Dom Celso Perei- ra de Almeida, bispo diocesano de Porto Nacional envia, em março de 1992, solicitação ao papa João Paulo II, expressando o desejo dos devotos de Nossa Senhora, de vê-la consagrada padroeira do seu novo Estado.

A solicitação foi aceita pelo Vaticano e em 15 de agosto de

1992 dom Celso oficializa, durante a Romaria do Bonfim, em Natividade, Nossa Senhora da Natividade padroeira principal do Tocantins.

Festa do Divino Espírito Santo: A celebração do Divino Es- pírito Santo no Tocantins vai de janeiro a julho, de acordo com as características de cada localidade. Destaque para os municípios Monte do Carmo e Natividade. Em Monte do Carmo, a celebração foi aproximada à época da festa da padroeira da cidade, passando a ter data fixa para a sua realização, dia 16 de julho. Natividade mantém a tradição da data móvel. As folias do Divino anunciam a presença do Espírito Santo. As romarias conduzem a bandeira. O giro da folia representa as an-

danças de Jesus Cristo e seus 12 apóstolos durante 40 dias, levando

a sua luz e a sua mensagem, convidando todos para a festa, a festa da hóstia consagrada. Os foliões que representam os apóstolos andam em grupo de 12 ou mais homens, conduzidos pelo alferes, em jornada pelo sertão. Esse grupo percorre as casas dos lavradores, abençoando

alferes, em jornada pelo sertão. Esse grupo percorre as casas dos lavradores, abençoando Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS realizar a folia apenas uma

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

realizar a folia apenas uma vez ou todos os anos. A folia visita as famílias de amigos e parentes. Os foliões chegam à localidade e se apresentam tocando, cantando e dançando. A família recebe a bandeira, o anfitrião percorre com ela toda a casa, guardando-a em seguida, enquanto aos foliões são servidos bolos, biscoitos e bebidas que os mantêm nas suas andanças pela noite. Ao se retirarem, o proprietário da casa devolve a bandeira e os foliões agradecem a acolhida, repetindo o gesto da entrada. Quan- do o dia amanhece, os foliões retornam às suas casas para descan- sar e, ao anoitecer, retomam as andanças. Quando termina o roteiro da folia, realiza-se a festa de encerramento na residência da pessoa que fez a promessa. Neste momento reza-se o terço, com a presen- ça dos foliões e dos convidados, em frente ao altar ornamentado com flores, toalhas bordadas e a bandeira dos Santos Reis. Em se- guida, é servido um jantar com uma mesa especial para os foliões. A tradição é muito forte. Os mais velhos acreditam serem os Santos Reis os protetores contra a peste, a praga na lavoura e, prin- cipalmente, os responsáveis pela prosperidade, pela fartura e por muito dinheiro.

as famílias e unindo-as em torno da celebração da festa que se aproxima. Saem a cavalo pelas trilhas e estradas, quando chegam

às fazendas para o pouso, alinham os cavalos no terreiro e cantam

a licença, pedindo ritualmente acolhida. Durante o giro os foliões recolhem donativos para a festa.

Festejos de Nossa Senhora do Rosário: A cidade de Monte do Carmo, nascida arraial do Carmo, foi fundada em 1746, em função das minas de ouro, e fica a 89 Km de Palmas. Realiza todos os anos, no mês de julho, os festejos de Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo e Divino Espírito Santo. A festividade secular mistura fé e folclore, através de uma série de rituais que reúnem costumes religiosos dos brancos europeus e dos negros africanos, o que transforma a festa em uma atração única, mantida com fidelidade pela população local. Há informações de que essas manifestações, ainda hoje reali- zadas em datas específicas, com o passar do tempo foram se jun- tando e passando a ser comemoradas no período de 7 a 18 de julho. Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade, celebrada em 16 de julho, trouxe para sua festa as comemorações ao Divino Espí- rito Santo e Senhora do Rosário. Acredita-se que isso aconteceu devido às dificuldades da população do sertão em ir às festas em datas diversas e da falta de padres para as celebrações. É possível afirmar que essa junção tenha acontecido há pelo menos 80 anos.

CAÇADA Monte do Carmo possui uma forte influência das culturas por- tuguesa e africana. Na cidade pode-se vivenciar, a cada ano, sons

de bandas de músicas, de tambores, reco-recos, cuícas e tamborins

e danças como congos, taieiras e sússia. Um dos pontos altos da

festa é a caçada da rainha. Em pleno dia, o cortejo é aberto por tocadores de tambor que vão ditando os passos do público no rit- mo da sússia. No meio do povo, os caretas – homens mascarados – divertem os adultos e aterrorizam as crianças. Somente depois surgem os “caçadores” e “caçadeiras”, montados em cerca de 40 cavalos e vestidos especialmente para este momento – mulheres de vestidos longos, em várias tonalidades, homens de preto e branco. No final do cortejo, o rei e a rainha da festa, também vestidos

a caráter, se dirigem para uma área periférica de Monte do Carmo. Ali, quase duas mil pessoas permanecem por mais de duas horas cantando e dançando. A caçada é uma tradição secular. Conta a lenda que esta manifestação surgiu quando a imagem de Nossa Senhora do Rosário começou a desaparecer da igreja misteriosa- mente, sendo encontrada em seguida na Serra do Carmo. Na ter- ceira vez, os negros foram buscá-la tocando tambores, cantando e dançando, o que encerrou a série de desaparecimentos.

Folia de Reis: A Folia de Reis comemora o nascimento de Je-

sus Cristo encenando a visita dos três Reis Magos à gruta de Belém para adorar o Menino-Deus. Dados a respeito desta festa afirmam que a sua origem é portuguesa e tinha um caráter de diversão, era

a comemoração do nascimento de Cristo. No Brasil, a Folia de Reis chega no século XVIII, com caráter mais religioso do que de diversão. No Tocantins, os foliões têm o alferes como responsável pela condução da bandeira, que sai pelo sertão “tirando a folia”, ou seja, cantando e colhendo donativos para a reza de Santos Reis, realizada sempre no dia 6 de janeiro. A Folia de Reis acontece em função de pagamento de promes- sa pelos devotos e somente à noite. O compromisso pode ser para

Os Caretas: Os caretas são homens que usam máscaras con- feccionadas em couro, papel ou cabaça, com o objetivo de pro- vocar medo nas pessoas. No município de Lizarda, participam da festa que acontece, tradicionalmente, durante a Semana Santa, na Sexta-Feira da Paixão. Monta-se um cenário, um semicírculo com pés de bananeira, chamado pelos caretas de quinta atrativa, onde se coloca pedaços de cana de açúcar. Num verdadeiro espetáculo teatral, os caretas perseguem com pinholas- uma espécie de chicote feito de sola ou trançados de palha de buriti- as pessoas que tentam invadir a quin- ta para roubar a cana. A proteção da cana pode ter relação com a crença da população de que no calvário de Jesus Cristo ele foi açoitado com pedaços de cana. Na encenação, os caretas tentam impedir esse sofrimento. Faz parte dos caretas personagens como a catita (homem tra- jando roupas femininas, a mulher dos caretas que fica se ofere- cendo para os homens que estão assistindo a encenação, servindo como distração) e a égua (personagem que assusta os espectado- res, feita da caveira de um animal, onde se prende a sua cabeça a um pau e amarra uma corda de maneira que puxando, se abre e fecha a boca). A encenação continua até a madrugada de Sábado da Aleluia.

Roda de São Gonçalo: Conta a lenda que São Gonçalo reunia em Amarante, Portugal, várias mulheres que durante uma semana dançavam até a exaustão. O objetivo do santo era extenuar as mu- lheres para que no Domingo, dia do Senhor, elas ficassem em re- pouso e isentas de pecado. A lenda conta ainda que o santo tocava viola para as mulheres dançarem. No Brasil, a devoção a São Gonçalo vem desde a época do descobrimento. O seu culto deu origem à dança de São Gonçalo, cuja referência mais antiga data de 1718, quando na Bahia assis- tiu-se a um festejo com uma dança dentro da igreja. No final, os bailarinos tomaram a imagem do santo e dançaram com ela, suce- dendo-se os devotos. Essa dança foi proibida logo em seguida pelo Conde de Sabugosa, por associa-lá às festas que se costumavam fazer pelas ruas em dia de São Gonçalo, com homens brancos, mulheres, meninos e negros com violas, pandeiros e adufes dando vivas a São Gonçalo.

mulheres, meninos e negros com violas, pandeiros e adufes dando vivas a São Gonçalo. Didatismo e

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS O brigadeiro Lysias Rodrigues também

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O brigadeiro Lysias Rodrigues também foi um dos primei- ros a plantar essa semente, construindo aeroportos nas principais cidades do Norte goiano e criando a rota Belém -Tocantins. Nes- ta época, o processo seguia acelerado. Em 1940, Lysias elabora um anteprojeto constitucional e uma carta geográfica do Território Federativo do Tocantins. Motivados pela iniciativa de Lysias, po- líticos do norte de Goiás, em 10 de dezembro de 1943, assinam o Manifesto ao Povo do Vale do Tocantins, um documento levado

ao presidente Getúlio Vargas, propondo a criação do território to- cantinense. Foi na metade do século passado que os sentimentos de luta pela criação do novo Estado tornaram-se sonhos e desses sonhos

o idealismo que deu força ao povo daquele norte goiano para lutar

pela emancipação do Tocantins. Os estudantes criaram a Cenog

- Casa do Estudante do Norte Goiano -, instituição bastante atuan- te no movimento. Vale lembrar o trabalho de José Maia Leite, o primeiro presidente da instituição, José Cardeal dos Santos, Ed- mar Gomes de Melo e Totó Cavalcanti, dentre outros tantos que passaram a idéia da mente para o coração e lutaram pela criação do Tocantins. Nesta época, o então deputado por Goiás, José Wilson Siquei-

ra Campos, abraçou a idéia dos estudantes em 1971 e apresentou a proposta de divisão do Estado por três vezes na década de 70. Em 1981, contou com o apoio da criação da Conorte - Comissão de Estudos dos Problemas do Norte -, com a atuação de Antônio Maia Leite e de José Carlos Leitão. Em 1985, o projeto esbarrou no veto do presidente José Sar- ney. Por causa da pressão popular, incluindo a greve de fome de Siqueira Campos e um plebiscito com mais de 100 mil assinaturas pedindo a criação do Estado, Sarney forma a Comissão de Redi- visão Territorial. Em 27 de julho de 1988, parlamentares aprovam a criação do Tocantins em segundo turno, mas somente em 5 de outubro de 1988 a Constituição Federal foi promulgada, constando no arti- go 13 das Disposições Constitucionais Transitórias da nova Carta Magna a criação do Estado do Tocantins.

São Gonçalo tem, para os seus devotos, a tradição de santo casamenteiro. Inicialmente, a dança tinha um caráter erótico, que com o tempo foi desaparecendo, permanecendo apenas o aspecto religioso. Em Arraias, no sul do Estado, a dança de São Gonçalo é cha- mada de roda, e sempre é dançada em pagamento a uma promessa por mulheres em pares, vestidas de branco, com fitas vermelhas colocadas do ombro direito até a cintura. Nas mãos carregam ar- cos de madeira, enfeitados com flores de papel e iluminados com pavios feitos de cera de abelha. Também participam do ritual dois homens vestidos de branco com fitas vermelhas traspassadas. Os homens tocam viola e tem a função de acompanhar as dançarinas para que estas não se percam nas evoluções da dança. Os violeiros entoam versos em louvor a São Gonçalo, que fica colocado num altar preparado exclusivamente para a festa, em frente ao qual se faz as evoluções da roda. Acompanha, ainda, a roda de São Gonçalo, um cruzeiro todo iluminado, colocado pró- ximo ao altar.

Sússia e Jiquitaia: Também conhecida como súcia ou suça, a sússia é dançada no folclore de cidades como Paranã, Santa Rosa

do Tocantins, Monte do Carmo, Natividade, Conceição do Tocan-

tins, Peixe, Tocantinópolis. A dança, provavelmente de origem escravagista, é caracterizada por músicas agitadas ao som de tam- bores e cuícas. Uma espécie de bailado em que homens e mulheres dançam em círculos.

A sússia na Folia do Divino em Monte do Carmo é dançada

ao som da viola, do pandeiro e da caixa. Também é dançada ao

som do tambor em outras manifestações populares, como em Na-

tividade.

A Jiquitaia é um passo da dança da Sússia. Dança-se a jiqui-

taia na Sússia.

CATIRA

A Catira é dançada em círculo formando pares que dançam ao

som das mãos e dos pés, num sapateado compassado. É comum entre os grupos que fazem parte dos giros das folias de reis e do Divino Espírito Santo. Os Catireiros são músicos repentistas que cantam seus poemas ao som do pandeiro, da caixa e da viola. Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://cultura.to.gov.br/conteudo.php?id=37. Acesso em: 03

de março de 2014.

Informações geográficas do Tocantins:

Emancipação: O Estado do Tocantins foi criado pela Consti- tuição de 1988, mas já vinha sendo sonhado desde o século XVII. Seduzidos pelo canal de transporte que o rio Tocantins represen- tava para o desenvolvimento do interior do Brasil, os franceses, liderados pelo fidalgo La Planque, engajaram-se numa expedição pelas águas do Tocantins.

O sonho passou também pela disputa política, quando D. João

VI cria a Comarca de São João das Duas Barras, inaugurada por

Joaquim Theotônio Segurado em 1815, que mais tarde (1821) se tornaria chefe do governo provisório da Província de São João da Palma. Em 1873 e 1879, o Visconde de Taunay, deputado por Goiás, batalha e cria a Província de Boa Vista do Tocantins e, de- pois, estabelece a Província do Tocantins.

Instalação: 01/01/1989

Capital: Palmas: A capital do Tocantins, Palmas, é a última cidade brasileira planejada do século 20. Possui uma arquitetura arrojada, com avenidas largas dotadas de completo trabalho pai- sagístico e divisão urbanística caracterizada por grandes quadras comerciais e residenciais. Sua beleza, aliada ao caráter progressis- ta, ajudou a atrair para a mais nova capital brasileiros de todos os estados. O baixo índice de violência (Palmas é a segunda capital mais segura do país em proporção de homicídios, segundo o Ipea) também apontou positivamente neste sentido. Com a criação do Estado do Tocantins, em outubro de 1988, e

a eleição para os cargos dos poderes Executivo e Legislativo esta- dual, em 15 de novembro do mesmo ano, foi necessária a escolha de uma capital provisória, até a definição de onde seria construída a sede definitiva do Tocantins. Em 7 de dezembro de 1988, o então presidente da República, José Sarney, anunciou que a cidade de Miracema do Tocantins, na região central do Estado, seria a capital provisória – condição que o município ocupou por exatamente um ano, da data de insta- lação do novo Estado (1º de janeiro de 1989) até 31 de dezembro daquele ano.

de insta- lação do novo Estado (1º de janeiro de 1989) até 31 de dezembro daquele

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Número de municípios : 139

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Número de municípios: 139 Fonte: IBGE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/estado- sat/perfil.php?sigla=to. Acesso em: 03 de março de 2014.

Enquanto isso, o governador do Estado à época, José Wilson Siqueira Campos, logo após sua eleição, solicitou levantamento para definir a localização de uma cidade que possibilitasse ser o pólo de irradiação de desenvolvimento econômico e social para o Estado. O resultado do estudo determinou uma área localizada en-

tre os municípios de Porto Nacional e Taquaruçu do Porto, a leste do povoado do Canela, entre o rio Tocantins e a Serra do Carmo.

A capital foi transferida para Palmas em 1º de janeiro, ainda

em meio ao processo de construção da cidade.

A instalação de Palmas só foi possível com a transferência

da sede administrativa do município de Taquaruçu do Porto para Palmas, o que tornou o prefeito eleito de Taquaruçu, Fenelon Bar- bosa, o primeiro prefeito de Palmas. Com esta decisão, Taquaruçu transformou-se em distrito de Palmas, assim como Taquaralto e

Canela (hoje inexistente, submerso pelo lago da usina hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães).

O nome de Palmas foi escolhido em homenagem à comarca

de São João da Palma, sede do primeiro movimento separatista do norte goiano, e também pela grande quantidade de palmeiras na região. Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível

em: http://portal.to.gov.br/tocantins/2. Acesso em: 03 de março de

2014.

Formação Administrativa

Elevado à categoria de município com a denominação de Ta- quarussu do Porto, pela Lei Estadual n.º 10.419, de 01-01-1988, desmembrado do município de Porto Nacional. Sede no atual distrito de Taquarussu do Porto (ex-povoado de Taquarussinho). Constituído do distrito sede. Instalado em 01-06-1989. Em divisão territorial datada de 1988, o município é constituí- do do distrito sede. Pela Resolução n.º 1, de 18-12-1989, é criado o distrito de Taquaralto e Canela e anexado ao município Taquarassu do Porto. Pela Resolução n.º 28, de 29-12-1989, o município de Taqua- russu do Porto, foi extinto, (mudança de Sede), passando o mu- nicípio a chamar-se Palmas e Taquarussu do Porto a condição de distrito do município de Palmas. Em 01-01-1990, o município de Palmas passa a ser Capital do Estado. Pela Lei Municipal n.º 33, de 13-02-1990, é criado o distrito de Canela e anexado ao município de Palmas. Em divisão territorial datada de 1995, o município é constituí- do de 3 distritos: Palmas, Taquaralto e Taquarussu do Porto. Em divisão territorial datada 2001, o município é constituído de 3 distritos: Palmas, Butirana e Taquarussu do Porto. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007. População de Palmas: 228.332 habitantes. (Fonte: IBGE) Área: 2.218,943 km2 (Fonte: IBGE) Bioma:Cerrado (Fonte: IBGE) Fonte: IBGE. Disponível em: http://www.cidades.ibge.gov. br/. Acesso em: 03 de março de 2014.

População do Estado: 1.383.445 habitantes População Estimada para o ano de 2013: 1.478.164 habi- tantes Área: 277.720,520 km² Densidade Demográfica (hab/km²): 4,98

Clima: tropical semiúmido Temperatura média anual: 25ºC a 29ºC Vegetação: Cerrado (87% de seu território) com florestas de transição (12%) Principais rios: Tocantins, Araguaia (que juntos formam a maior bacia hidrográfica inteiramente situada em território brasi- leiro), do Sono, das Balsas, Paranã e Manuel Alves. Todos os rios são perenes, o que contribui para que o Tocantins seja considerado um dos 5 estados mais ricos em água do país. Limites: Maranhão e Pará, ao Norte; Goiás, ao Sul; Mara- nhão, Piauí e Bahia, ao Leste;Pará e Mato Grosso, a Oeste. Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível

em: http://portal.to.gov.br/tocantins/2. Acesso em: 03 de março de

2014.

Economia do Estado Estado que completa 25 anos em 2013, o Tocantins é, entre as Unidades da Federação, uma fonte de expansão econômico-produ-

tiva que vê na força da agropecuária o principal índice de comércio exterior (nacional e internacional); mas que já vislumbra números positivos também no setor terciário, principalmente na geração de emprego e renda. Desta forma o Estado, impulsionado pela im- plementação e fortalecimento de pequenos e microempresários, marca o hoje maior crescimento proporcional de Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. De acordo com os indicadores socioeconômicos divulgados pela Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan), o Tocantins registrou em 2012 um crescimento de 14,2% no PIB, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo Estado. Índice superior ao registrado pelo Brasil (7,5%) e por Estados com economia mais saturada como São Paulo (7,9%) e Rio de Janeiro (4,5%). Entre as Regiões brasileiras, o norte foi o que obteve maior índice de cres- cimento, com 9,9%. Sul e sudeste registraram 7,6% cada; nordeste teve 7,2% e centro-oeste 6,2%. O saldo positivo é reflexo do crescimento econômico do To- cantins focado, principalmente, em um setor que gera cerca de 70% dos empregos no Estado, que são as micros e pequenas empresas. Desta forma, conforme os números divulgados pela Seplan, o setor de comércio e reparação registrou um índice de 57 mil empregos com carteira assinada no Estado. Somente em 2012 foram empre- gadas mais de 20,6 mil pessoas no comércio tocantinense, gerando um saldo positivo de mais de 1.300 empregos comerciais. Fonte: Prefeitura de Santa Terezinha (TO). 2014. Disponível em: http://www.santaterezinha.to.gov.br/noticias-54291-noticia-

tocantins-registra-maior-alta-do-pib-no-pais.html#.UxXTSONd-

VCh. Acesso: 03 de março de 2014.

A composição do Produto Interno Bruto - PIB (soma de tudo o que é produzido no Estado), do Tocantins é a seguinte: Agrope- cuária: 17,8%; Indústria: 24,1%; Serviços: 58,1%. Portanto, o setor de serviços é o principal responsável pela formação do PIB estadual. No Tocantins, esse segmento da eco- nomia se concentra na capital, Palmas, e nas cidades localizadas próximas à Rodovia Belém-Brasília, pois o fluxo de pessoas é in- tenso nessas localidades.

à Rodovia Belém-Brasília, pois o fluxo de pessoas é in - tenso nessas localidades. Didatismo e

Didatismo e Conhecimento

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS Nesse curto período de gestão,

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

Nesse curto período de gestão, Siqueira Campos encampou

o trabalho de construção da capital Palmas, cidade planejada, er- guida no tempo recorde de sete meses, e promoveu a estruturação administrativa do Estado. Siqueira Campos voltou a ocupar o cargo de governador por outros dois mandatos consecutivos (1995 a 1998 / 1999 a 2003). Em 2010, Siqueira Campos foi eleito governador para seu quarto mandato (2011-2014). Fonte: Palmas (TO). Governo do Estado. 2014. Disponível em: http://atn.to.gov.br/governador/. Acesso em: 03 de março de

2014.

A agropecuária é a atividade responsável por, aproximada-

mente, 99% das exportações do estado. A pecuária bovina de corte é um dos grandes elementos econômicos do Tocantins. O estado também é grande produtor agrícola, com destaque para o cultivo

de arroz, mandioca, cana-de-açúcar, milho e, principalmente, soja.

O setor industrial está concentrado nas cidades de Palmas,

Gurupi, Porto Nacional, Araguaína e Paraíso do Tocantins. As principais indústrias são a de produtos minerais, de borracha e

plástico, agroindústria e alimentícia. Sua produção é destinada principalmente ao consumo interno. Outro destaque na economia do Tocantins se refere à mine- ração, visto que o estado possui grandes quantidades de ouro e calcário. Fonte: Brasil Escola. Disponível em: http://www.brasilesco- la.com/brasil/a-economia-tocantins.htm. Acesso: 03 de março de

2014.

PIB do Tocantins cresceu 6,4% com um total de R$ 18

bilhões, em 2011, segundo dados divulgados pela Secretaria Es- tadual de Planejamento. Mas apesar do aumento, a participação do Tocantins no PIB nacional ainda é tímida, representa apenas 0,44%. No PIB geral o Tocantins aparece em 24º lugar, entre os 26

estados mais o Distrito Federal. Fonte: g1.globo.com: PIB do Tocantins cresce, mas repre-

senta pouco no cenário nacional. Disponível em: http://g1.globo.

com/to/tocantins/noticia/2013/11/pib-do-tocantins-cresce-mas-re-

presenta-pouco-no-cenario-nacional.html. Acesso: 03 de março de

2014.

O

Aspectos Políticos – Dentre aqueles que governaram o Esta- do de Tocantins, merece destaque o nome de José Wilson Siqueira Campos que, atualmente, está no seu quarto mandato. José Wilson Siqueira Campos nasceu no Crato (CE), em 1928, filho de mestre Pacífico Siqueira Campos e de dona Regina Siquei- ra Campos. Ficou órfão de mãe aos 12 anos, falecida em trabalho de parto, e viajou pelo país por quase 10 anos, em busca de opor- tunidade, até chegar à cidade de Colinas, no então Norte de Goiás. Em Colinas, Siqueira começou a trabalhar na área rural, o que despertou nele a vocação política: Siqueira fundou a Cooperati- va Goiana de Agricultores e deflagrou o movimento popular que pedia a criação do Tocantins. Com liderança reconhecida, foi elei- to o vereador de Colinas com maior votação (1965) e escolhido presidente da Câmara (1966), quando, por ocasião de sua posse, assumiu o compromisso de lutar pela criação do Tocantins, “única forma de arrancar o povo nortense do abandono e da pobreza”, disse na época. Siqueira Campos foi eleito deputado federal e reeleito por mais quatro mandatos, permanecendo no cargo entre 1971 e 1988, enquanto representante do Norte goiano. Chegou a fazer uma gre- ve de fome de 98 horas em favor da causa separatista. Siqueira Campos foi, inclusive, deputado federal Constituin- te e relator da Subcomissão dos Estados da Assembleia Nacional Constituinte, tendo redigido e entregado ao presidente da Assem- bleia (deputado Ulisses Guimarães) a fusão de emendas que, apro- vada, deu origem ao Estado do Tocantins, com a promulgação da Constituição Federal de 1988.

A criação do Tocantins trouxe a perspectiva de desenvolvi-

mento para uma região que viveu séculos de isolamento. Com o Tocantins finalmente criado, Siqueira Campos se elegeu o primei- ro governador, para mandato de dois anos (de 1º de janeiro de 1989 a 15 de março de 1991).

Lista dos Governadores (1989-2014): José Wilson Siquei- ra Campos (1989-1991); Moisés Nogueira Avelino (1991-1995); José Wilson Siqueira Campos (1995-1998); Raimundo Nonato Pi- res dos Santos (1998-1999); José Wilson Siqueira Campos (1999- 2003); Marcelo de Carvalho Miranda (2003-2007); Marcelo de Carvalho Miranda (2007-2009, ano em que sofreu processo de cassação movido pelo Tribunal Superior Eleitoral); Carlos Hen- rique Amorim (2009-2011, eleito pela Assembleia Legislativa do Tocantins); José Wilson Siqueira Campos (2011 até os dias atuais).

QUESTÕES

1-(COPESE - UFT - 2012 - DPE-TO) O discurso autonomista do norte goiano sobreviveu, nas primeiras décadas da República, a uma situação compreensível, considerando-se que, do ponto de

vista econômico, a cidade ocupava posição de destaque e influên- cia sobre toda a região Norte, dado o vínculo comercial com Be- lém, através do rio Tocantins (CAVALCANTE, Maria do E. S. R.

O discurso autonomista do Tocantins. São Paulo: EDUSP, 2003,

p. 62, adaptado). A partir do texto acima, é CORRETO afirmar que a cidade mencionada trata-se de

a) Porto Nacional, considerada a sede do movimento autono-

mista do Norte de Goiás da década de 1950.

b) Gurupi, escolhida como epicentro do movimento autono-

mista do norte de Goiás na década de 1960.

c) Colinas, avaliada como ponto estratégico do movimento autonomista do norte de Goiás na década de 1970.

d) Guaraí, localizada no centro da região Norte de Goiás, li-

derando o movimento autonomista da década de 1980.

2-(COPESE - UFT - 2012 - DPE-TO) Ele se autodenomina Akwe, vive no município de Tocantínia, a 80km da capital Palmas. Culturalmente, é conhecido como o povo do trançado da seda de buriti e de capim-dourado, fibras usadas na produção de cestos,

bolsas, brincos e colares de sementes de Tiririca, Jurema e Mulun-

gu (IPHAN. Vivências e sentidos: o patrimônio cultural do Tocan-

tins. Goiânia: IPHAN, 2008, p. 85, adaptado). De acordo com as características culturais indígenas aponta- das no texto acima, é CORRETO afirmar que se trata do povo

a) Xerente.

b) Apinayé.

c) Iny.

d) Krahô.

acima, é CORRETO afirmar que se trata do povo a) Xerente. b) Apinayé. c) Iny. d)

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CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS 3 -(CONSULPLAN - 2013 -

CONHECIMENTOS REGIONAIS DE HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO ESTADO DE TOCANTINS

3-(CONSULPLAN - 2013 - PM-TO) Sobre o estado do To- cantins, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as fal- sas.

(D)

Mumbuca e Mateiros são cidades tradicionais da ilha do

Bananal, onde anualmente ocorrem os festivais de pesca.

(E)

A cidade de Tocantinópolis está entre as mais antigas do

) Encontra-se totalmente incluído na Amazônia Legal, cuja vegetação é predominante.

(

Estado e possui importante casario colonial, do século XVI.

) Está localizado na região Centro-Oeste, exatamente no cen- tro geográfico do país.

(

7-(Administrador - SECAD/TO-2012) Sobre a população in-

dígena no estado do Tocantins, é correto afirmar que os

(

) Possui muitas áreas de preservação, unidades de conserva-

(A)

Apinajés vivem ao sul, na ilha do Bananal e dedicam-se

ção e bacias hídricas.

principalmente à pesca, não praticando a agricultura.

) Seu ponto mais elevado é a Serra das Traíras, com altitude máxima de 1.340 metros. A sequência está correta em

(

(B)

Carajás (Karajás) e os Javaés pertencem ao povo Iny e,

após muitas migrações, devidas às invasões de seus territórios, acabaram fixando-se na ilha do Bananal.

 

(C)

povos indígenas do estado do Tocantins são hábeis na pes-

a) F, F, V, V

ca, mas desconhecem a agricultura. (D) Xerentes e os Caiovás são povos indígenas das zonas flo-

b) F, V, V, F

c) V, F, V, F

restadas e ainda são muito arredios, vivendo da pesca e da coleta de frutos.

d) V, V, F, F

(E)

indígenas do Tocantins são hábeis nas artes plumárias e

4-(CONSULPLAN - 2013 - PM-TO) São estados que fazem limites com Tocantins, EXCETO:

no artesanato em palha, mas desconhecem as artes cerâmicas e não comercializam o que produzem, resguardando apenas o valor cultural do seu artesanato.

a) Pará.

b) Goiás.

 

c) Maranhão.

8-(Administrador - SECAD/TO-2012) Sobre as atrações/ma-

d) Minas Gerais.

nifestações culturais e/ou religiosas no estado do Tocantins, assi- nale a alternativa correta.

5-(Almoxarife - SECAD/TO-2012) Sobre a história do territó-

(A)

As cavalhadas são uma herança dos rituais indígenas e

rio que hoje constitui o estado do Tocantins, assinale a alternativa correta.

constituem a principal manifestação cultural na ilha do Bananal.

(B)

As congadas são de tradição moura e espanhola, sendo a

(A)

Devido às riquezas minerais, o norte do antigo estado de

dança praticada exclusivamente por mulheres.

Goiás sempre foi mais rico e mais desenvolvido do que o sul, o que

(C)

A festa de Nossa Senhora do Rosário é de tradição cabocla

levou à ideia da separação do território, com a criação do estado do Tocantins, na porção norte.

e foi trazida pelos tropeiros sulistas, no ciclo do ouro.

(D)

A roda de São Gonçalo é uma tradição dos municípios do

(B)

A extração de ouro das minas iniciou-se ainda no século

norte do Estado, e é dançada apenas pelos homens. (E) As romarias do Nosso Senhor do Bonfim são tradicionais nos municípios de Natividade e Araguacema, ocorrendo sempre no mês de agosto.

XVI, com mão de obra escrava.

(C)

Em 1985, o presidente José Sarney assinou a autonomia

do Tocantins, que passou a constituir o Território Federal do To- cantins.

(D)

Os movimentos separatistas intensificaram-se na segunda

9-(Fonoaudiólogo - SECAD/TO-2005) Nos últimos anos, a economia tocantinense tem demonstrado um excelente desempe- nho. Em 2003, as exportações aumentaram cerca de 646% em re-

lação a todo o ano de 2001, sendo esse crescimento do comércio exterior puxado especialmente pelas exportações de:

metade do século XIX, mas depois estagnaram, até o ano de 1988, com a promulgação da nova Constituição Brasileira. (E) No século XVIII, a exploração do ouro, na região que hoje constitui o território do Tocantins, foi muito ativa e deixou im- portante herança histórica na arquitetura das cidades e na cultura local.

(A)

soja.

(B) feijão.

(C)

milho.

(D) arroz.

 

(E) algodão.

 

6-(Almoxarife - SECAD/TO-2012) Sobre as cidades históri-

 

cas e/ou as tradições culturais no estado do Tocantins, assinale a alternativa correta.

10-(Médico Pediatra - SECAD/TO) Atualmente, no estado do Tocantins, o setor industrial é representado principalmente pela

(A)

As cidades de Divinópolis e de Araguaína apresentam he-

agroindústria, centralizada em distritos instalados em quatro cida- des-polo.Dentre essas cidades-polo, além da capital Palmas, está incluída

ranças do ciclo do ouro na região, e destacam-se pela realização da festa da Catira.

(B)

A cidade de Natividade apresenta muitas heranças do pe-

(A)

Gurupi.

(B) Pau D’ Arco.

ríodo de extração do ouro no século XVIII e destaca-se pela reali- zação da Festa do Divino.

(C)

Pedro Afonso.

(D) Paraíso do Tocantins.

(E)