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E-mail enviado a 18-11-2009 à Direcção Geral de Saúde

Exmos. Senhores

A minha mulher está grávida de seis meses e uma semana. Naturalmente, estamos
preocupados com a questão da Gripe A, tanto mais que é professora e tem, por isso, um
contacto frequente com grupos que normalmente difundem com grande rapidez o vírus H1N1.
Fomos informados pela médica que faz o acompanhamento da gravidez que na primeira fase
de vacinação a vacina apenas estava disponível para grávidas com patologia grave associada,
o que felizmente não é o caso presente. Aguardámos, por isso, a sua vez. Contudo, somos
agora surpreendidos com notícias da morte fetal aos oito meses de gravidez em duas situações
que foram precedidas de vacinação. A situação preocupa-nos e não posso deixar de levantar
duas questões que não vejo esclarecidas. Visitando o site da DGS percebo que entre os
inúmeros comunicados emitidos pela senhora Ministra, nenhuma palavra é escrita sobre este
assunto. As perguntas são as seguintes:

1. Eram as duas grávidas em causa portadoras de patologia grave associada tendo por isso
sido vacinadas na primeira fase de vacinação?

2. Sendo negativa a resposta à primeira questão, como foi possível serem vacinadas nessa
fase em que a vacina estava interdita a grávidas sem patologia grave?

Como devem calcular, a resposta a estas perguntas não é mero voyeurismo ou curiosidade.
Trata-se, isso sim, de tentar perceber se os problemas que existiram com estas mulheres
podem ser enquadrados numa situação em que a mãe tinha patologia grave e, nesse caso,
afastamos analogias com o caso da minha mulher que as não tem. Por outro lado, e não
existindo essa situação, a questão é a da igualdade de direitos e de tentarmos perceber a
forma como está a decorrer este programa especial de vacinação que custa milhões de euros
ao Estado para minorar um problema de saúde pública. Se há grupos definidos e o direito à
vacina está vedado a alguns cidadãos, porque razão outros estão a ser vacinados estando
incluídos no mesmo grupo e tendo o mesmo quadro patológico?

Agradeço resposta urgente. Cá em casa existe uma grávida, uma criança e portugueses de
nascimento, cidadania e direito tão válido como quaisquer outros.

Com os melhores cumprimentos

Nuno Santos