1

MARIA J ACIARA DE AZEREDO OLIVEIRA















A DINAMIZAÇÃO DE COLEÇÕES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NAS
BIBLIOTECAS POPULARES DO RIO DE J ANEIRO






Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Universidade Federal Fluminense, como requisito
para obtenção do título de Bacharel em
Biblioteconomia e Documentação



Orientadora: Prof ª NANCI GONÇALVES DA NÓBREGA










NITERÓI
2005




2
























O48 Oliveira, Maria Jaciara de Azeredo.
A dinamização de coleções de histórias em quadrinhos nas
bibliotecas populares do Rio de J aneiro / Maria J aciara de Azeredo
Oliveira. – 2005.

65 f.

Orientador: Nanci Gonçalves da Nóbrega.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Biblioteconomia e Documentação) – Universidade Federal
Fluminense, 2005.

Bibliografia: f. 51-53.

1. Histórias em quadrinhos – fonte de informação. 2. Bibliotecas
populares – Rio de J aneiro. 3. Gibitecas. I. Nóbrega, Nanci Gonçalves.
II. Universidade Federal Fluminense. Instituto de Artes e Comunicação
Social. III. Título.



CDD 070.44











3



MARIA J ACIARA DE AZEREDO OLIVEIRA


A DINAMIZAÇÃO DE COLEÇÕES DE HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NAS
BIBLIOTECAS POPULARES DO RIO DE J ANEIRO





Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à
Universidade Federal Fluminense, como requisito
para obtenção do título de Bacharel em
Biblioteconomia e Documentação

Aprovado em

BANCA EXAMINADORA


Professora Nanci Gonçalves da Nóbrega – Orientadora
Universidade Federal Fluminense


Profª Minoru Noyama
Universidade Federal Fluminense


Profº Vera Lúcia Alves Breglia
Universidade Federal Fluminense

NITERÓI
2005




4







AGRADECIMENTOS


À minha orientadora, a professora Nanci
Gonçalves da Nóbrega.

Aos professores Minoru Noyama e Vera Lúcia
Alves Breglia que compõem a minha banca
examinadora

Ao professor Waldomiro Vergueiro da USP pelas
indicações valiosas.

Às bibliotecárias das Bibliotecas Populares de
Bangu, Campo Grande e Olaria/Ramos, pela
atenção e informações relevantes.

Aos meus amigos sempre presentes nos
momentos difíceis.


















5
































"Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas
pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões,
imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto
está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de
agradar aos olhos, um modo único de expressão. O mundo dos
quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros,
personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível
poder secreto de sugestão que reside na permanência e imobilidade de
uma borboleta num alfinete."

( Federico Fellini)





6






RESUMO


Mostra a transformação do prestígio das histórias em quadrinhos no Brasil e no mundo e
destaca este material como fonte de informação relevante para a sociedade. Trata da
modificação da relação que os bibliotecários tem com estes acervos, relativa ao
processamento técnico e às atividades de dinamização das coleções e cita o surgimento de
núcleos de pesquisa e acervos especializados como indicativos da mudança de atitude. Aborda
o surgimento das gibitecas e discute as problemáticas envolvidas na prática de dinamização de
coleções deste tipo de material nas Bibliotecas Populares do Rio de J aneiro. Lança propostas
para o trabalho com os materiais quadrinísticos a partir das ilustrações de Milo Manara e dos
textos e imagens de Neil Gaiman e Angeli. A partir do trabalho realizado com as histórias em
quadrinhos identificado no estudo de campo, aponta a necessidade de uma prática
biblioteconômica vinculada à Educação e à ação social como alternativa para uma nova
postura dos profissionais da informação.
...


Palavras-chave: Histórias em quadrinhos. Dinamização de coleções. Ação pedagógica.
Bibliotecas Populares. Biblioteconomia e sociedade. .














7





ABSTRACT

It shows the transformation of the prestige of comics in Brazil and the world and detaches this
material as source of excellent information for the society. It deals with the modification of
the relation that the librarians has with these quantities, relative to the processing technician
and the activities of dynamism of the collections and cites the sprouting of nuclei of research
and specialized quantities as indicative of the attitude change. It approaches the sprouting of
the gibitecas and argues problematic the involved ones in the practical one of dynamism of
collections of this type of material in the Popular Libraries of Rio de J aneiro. Spear proposals
for the work with the comics from illustrations of Milo Manara and the texts and images of
Neil Gaiman and Angeli. From the work carried through with comics identified in the field
study, it points the necessity of one practical entailed Library science to the Education and the
social action as alternative with respect to a new position of the professionals of the
information.

KEY-WORDS: Comics. Dynamism of collections. Pedagogical action. Popular Libraries.
Librianship and society.

















8








LISTA DE ABREVIATURAS

BPB Biblioteca Popular de Bangu
BPCG Biblioteca Popular de Campo Grande
BPOR Biblioteca Popular de Olaria e Ramos
HQ Histórias em quadrinhos





















9








LISTA DE FIGURAS

Fig. 1 Seqüências pré-históricas encontradas em cavernas.......................................................15
Fig. 2 A família Fenouillard de Georges Colomb, o Christophe..............................................16
Fig. 3 O Yellow Kid, com sua roupagem amarela e na primeira tentativa de se introduzir a
fala em balões, ao invés das clássicas falas no camisolão do menino amarelo........................17

Fig. 4 Krazy Kat de George Herriman.....................................................................................18
Fig. 5 Guido Crepax e a fotografa Valentina, apuro na técnica de diagramação......................19
Fig. 6 Sandman de Neil Gaiman, ícone da década de 1980......................................................20
Fig. 7 Edição comemorativa de o TICO-TICO.........................................................................21
Fig. 8 O Pererê um Saci politicamente correto em histórias com temáticas ecológicas...........21
Fig. 9 Bidu, um dos personagens da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.......................22
Fig. 10 A Radical Chic de Miguel de Paiva, figura feminina das HQ nacionais......................22
Fig. 11 Biblioteca do Sonhar, por Neil Gaiman........................................................................26
Fig. 12- Imagem extraída da página principal do site de Milo Manara..................................42
Fig. 13 Modelo de Manara........................................................................................................43
Fig. 14 Desejo...........................................................................................................................45
Fig. 15Desespero......................................................................................................................45
Fig. 16 Rê Bordosa em seu habitat natural..............................................................................46
Fig. 17– Rê Bordosa, questionamentos da alma feminina.......................................................46
Fig. 18 Mostra de crise existencial de Rê Bordosa..................................................................47
Fig. 19– Perda dos valores humanos e crítica às posturas da sociedade..................................47
Fig. 20 A morte de Rê Bordosa, publicada na revista Chiclete com Banana..........................48




10










SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 12

2 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS : UMA HISTÓRIA ANTIGA 15
2.1 OS QUADRINHOS NO BRASIL 20

3 QUADRINHOS E EDUCAÇÃO 23

4 QUADRINHOS E BIBLIOTECONOMIA 26

5 GIBITECAS 30
BIBLIOTECA POPULAR DE BANGU 5.1 31
5.2 BIBLIOTECA POPULAR DE CAMPO GRANDE 33
5.3 BIBLIOTECA POPULAR DE OLARIA E RAMOS 35

6 A AÇÃO BIBLIOTECONOMICA NAS GIBITECAS 39

7 PROPOSTAS DE DINAMIZAÇÃO DE COLEÇÕES DE HISTÓRIAS
11



EM QUADRINHOS. 41
7.1 MILO MANARA 42
7.2 SANDMAN 44
7.3 RÊ BORDOSA 46

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 49

OBRAS CITADAS 51
OBRAS CONSULTADAS 53
ANEXOS 54
ANEXO A - CAPA DE SANDMAN 55
ANEXO B - GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE
SOBRE O CARNAVAL DE RAMOS

56
ANEXO C - GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE
SOBRE O JUBILEU DE OURO

57
ANEXO D - GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE
SOBRE PIXINGUINHA

58
ANEXO E - GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE
SOBRE O CLUBE ROTARY

59
ANEXO F - CARTAZ DA GIBITECA LEITURA PRAZER EM
RAMOS

60
ANEXO G - BIBLIOTECAS POPULARES DO RJ 61


12







1 INTRODUÇÃO


As histórias em quadrinhos (HQ) fazem parte da história da humanidade desde seus
primórdios; os desenhos em forma de quadros seqüenciais encontrados nas cavernas pré-
históricas parecem ser prova disso. Um estudo sobre as histórias em quadrinhos pode oferece
possibilidades tentadoras principalmente na área de comunicação: por se tratar de um
instrumento de comunicação de massa, implicando em mirabolantes tramas psicológicas e
sociais.
O que são as histórias em quadrinhos? Muito se tem discutido sobre a validade da
aplicação desse instrumento como auxiliar no processo de aprendizagem, já que é inegável o
grande poder de alcance deste meio de comunicação de massa. Afinal esses “inocentes”
registros não se restringem apenas às crianças e aos adolescentes: são inúmeros os adultos que
admiram e/ou são estudiosos dos quadrinhos.
Em pesquisa na área verifica-se que as HQ foram vítimas de uma série de preconceitos
e se transformaram, assim como a sociedade da qual são frutos. E hoje em dia, vários grupos
desta sociedade que antes as ignoravam e as classificavam como entretenimento estéril,
voltam sua atenção para elas de estudo. Exemplo disso são as instituições de ensino médio e
fundamental que utilizam o poder de alcance das mensagens em quadros seqüenciais para
dinamizar a prática pedagógica; e algumas universidades, como a USP, estão descobrindo o
potencial deste material e realizam diversos estudos
1
nesta área.
Porém mesmo antes de serem consideradas portadoras de algo mais que diversão as
HQ foram alvo do fascínio das pessoas e a partir de uma nova mentalidade leitora, verificou-
se que as pessoas procuravam este material, por exemplo, nas bibliotecas públicas. Ao
perceber esta demanda, muitos bibliotecários começaram a incorporar estes materiais ao

1
Na USP existe um núcleo de pesquisas de histórias em quadrinhos coordenado pelo professor Waldomiro
Vergueiro, que oferece a revista eletrônica AGAQUE, responsável pela divulgação de diversos artigos
científicos sobre as histórias em quadrinhos. Ver o endereço nas referências deste trabalho.
13



acervo das bibliotecas onde atuam. Embora de maneira aleatória, a procura dos usuários se
mostrou significativa, a ponto de alguns entusiastas pensarem na criação de espaços a elas
destinados, como as gibitecas e museus especializados como veremos mais detalhadamente
no capítulo deste TCC referente à importância dos quadrinhos.
Porém apesar do grande avanço representado pela incorporação destes materiais nas
coleções de algumas bibliotecas públicas no Brasil, o tratamento dado às HQ ainda está de
modo geral muito longe do que este material merece. Na verdade em geral não existe uma
verba destinada para sua aquisição, restringindo-se sua entrada, com pouca seleção,
misturando-se os diversos tipos de quadrinhos. O material geralmente é estocado e não
recebe tratamento técnico para facilitar sua recuperação. Mas o pior é que normalmente não é
feita atividade alguma para dinamizar estas coleções.
Os objetivos deste trabalho são principalmente identificar se há ação biblioteconômica
relacionada às gibitecas e confrontar com a literatura estudada para uma análise de alguns
porquês nos problemas encontrados. Enfatizam-se as limitações encontradas nas regiões
periféricas do Rio de J aneiro, e sugerem-se possíveis soluções no capítulo dedicado a algumas
propostas de dinamização para coleções de quadrinhos em bibliotecas. O foco da análise é
biblioteconômico, mas também sociológico, discute ações regionais diferenciadas, destacando
ainda a contribuição pedagógica e cultural de uma gibiteca ativa nos bairros nas quais essas
bibliotecas se situam.
Para a consecução dos objetivos acima destacados a metodologia utilizada foi a de
fazer um levantamento bibliográfico tema HQ e pesquisar bibliotecas que trabalham com esse
tipo de material e possuem gibitecas. Desse modo foi possível traçar um esboço histórico da
HQ e as transformações da recepção de leitura, além de destacar o tipo de tratamento técnico
e pedagógico nas bibliotecas que serviram de campo empírico para a pesquisa, com a
finalidade de que se compreenda como é possível, apesar das deficiências estruturais
encontradas, realizar trabalhos criativos e de grande relevância.
Após o levantamento do material teórico diretamente relacionado às HQ, foi feita a
seleção de algumas obras imprescindíveis para se realizar uma análise reflexiva acerca dos
problemas encontrados na prática bibliotecária. Assim a partir do recorte de uma atividade de
grande potencial pedagógico que é pouco explorada nas bibliotecas, pretende-se fazer uma
análise parcial do tão falado papel social do bibliotecário, incentivando o leitor a fazer suas
próprias reflexões.
14



Para confrontar a teoria foram selecionadas três bibliotecas para a realização de uma
pesquisa de campo: Biblioteca Popular de Bangu, Biblioteca Popular de Campo Grande e
Biblioteca Popular de Olaria e Ramos. A escolha dessas instituições se deve ao fato de
estarem vinculadas a uma proposta de biblioteca de bairro que oferece serviços ao povo (por
isso denominadas populares) de determinada região, e por constarem na listagem oferecida
pela Biblioteca Euclides da Cunha/FBN como possuidoras do serviço de gibitecas.
A partir daí e com as visitas técnicas, procede-se ao estudo dos possíveis porquês dos
problemas encontrados, destacando-se o papel e a ação do bibliotecário na sociedade
brasileira.
O último capítulo é relativo a algumas propostas de dinamização de coleções. Foram
escolhidas três revistas em quadrinhos de temática adulta para mostrar possibilidades de se
trabalhar os quadrinhos, além de desmistificar o preconceito de que quadrinho é coisa de
crianças, pois na verdade é um material para todas as idades.
Nas considerações finais, reflexões sobre as atividades com histórias em quadrinhos e
sobre a prática biblioteconômica vinculada à ação social.






15



2 HISTÓRIAS EM QUADRINHOS : UMA HISTÓRIA ANTIGA


A identificação do que poderíamos chamar de “a primeira história em quadrinhos” é
bastante controversa, segundo Custódio (1999) apontar o marco inicial é tarefa complicada,
embora estudos revelem que a origem dos quadrinhos remonta à pintura rupestre da Pré-
História. desenhos que mostram aventuras de caça são encontrados nas grutas de Lascaux, na
França, e Altamira, na Espanha. Outros exemplos são os hieróglifos e desenhos contando a
vida dos faraós que aparecem em baixos-relevos egípcios (Século IV a.C.) e as narrativas
figuradas comuns à via-sacra, aos estandartes chineses, às tapeçarias medievais e aos vitrais
góticos (Séculos V a XIII). Todos têm em comum uma narrativa seqüencial através de
imagens, mas sem a presença auxiliar das palavras que só apareceria no Século XIV com
ilustrações européias que introduzem os filactérios – faixas com palavras escritas junto à boca
dos personagens –, onsiderados a gênese dos balões. No século XIX o texto passa a
acompanhar sistematicamente o desenho.





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Figura 1 - Seqüências pré-históricas encontradas em cavernas, a gênese da arte seqüencial
16



O autor diz que tais exemplos fazem parte do embrião do que conhecemos hoje como
histórias em quadrinhos, pois apesar da estrutura semelhante seus propósitos eram diferentes.
No Século XIX é que podemos identificar os precursores dos quadrinhos, que são o suíço
Rudolf Töpffer, com M.Vieux-Bois (1827), o alemão Wilhelm Busch, com Max e Moritz (no
Brasil conhecidos como J uca e Chico, 1865), e o francês Christophe, pseudônimo de Georges
Colomb, com A Família Fenouillard (1889). Esses pioneiros, segundo Custódio aliam a
literatura ao desenho e, freqüentemente, exibem situações cômicas. As primeiras histórias
apresentam desenhos divididos em quadros acompanhados de legendas, que dão continuidade
às ações.



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Figura 2 - A família Fenouillard de Georges Colomb, o Christophe

É no Século XIX que os quadrinhos começam a desenvolver as técnicas e se
estabelecerem como instrumento de comunicação de massa devido a facilidade da sua leitura
e a sua apresentação atraente com desenhos e texto simplificado através de balões que saem
da boca do personagem, o que os aproxima de uma realidade de diálogos, conversação.
No Século XX ocorre o que Moacy Cirne (1974) denomina de “a explosão dos
quadrinhos”. Descoberto o potencial de alcance junto às massas a produção dos quadrinhos
aumentou em escala assustadora; e; a “arte seqüencial” desenvolvida na Europa se aprimorou
com as produções americanas, motivo pelo qual os não estudiosos dos quadrinhos associam a
criação das HQ, tal como conhecemos, aos Estados Unidos.


17







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Figura 3 - O Yellow Kid, com sua roupagem amarela e na primeira tentativa de se introduzir a
fala em balões, ao invés das clássicas falas no camisolão do menino amarelo

Conforme Custódio, nas décadas de 1910 e 1920 O sucesso dos quadrinhos leva ao
controle dos direitos de publicação por corporações, cuja principal função é centralizar e
distribuir as histórias a jornais e revistas. Assim o proprietário do New York J ournal, William
Hearst, cria a King Features Syndicate, em 1912, e passa a distribuir os comics por todo o
mundo. Nessa época, alguns autores tentam intelectualizar suas histórias, como George
Herriman, com Krazy Kat (1913) – primeira narrativa sobre gatos e ratos, e George
McManus, com Pafúncio e Marocas (1913), que mostra conflitos familiares. Gasoline Alley,
criação de Frank King, em 1919, inova ao mostrar personagens que crescem e envelhecem. E
nos anos 20, o cinema influencia os comics, que passam a ter cortes rápidos, angulação
variada e ação seriada dos episódios. O Gato Félix (1923), de Pat Sullivan, e Mickey Mouse
(1929), de Walt Disney, migram do desenho animado para os quadrinhos.
18










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Figura 4 - Krazy Kat de George Herriman
Continuando seu histórico, Custódio informa que, no decorrer dos anos os
personagens se transformam e seu público também. Os apelos mudam, os personagens não
são apenas infantis e alcançam diversas faixas etárias. Na década de 30 surgem os heróis
como Tintin (1929) e o clássico Batman de Bob Kane. Além das aventuras, outros gêneros
também ganham espaço. Surgem protagonistas femininas, como Betty Boop (1931), de Max
Fleischer, e Jane (1932), de Norman Pett, que introduzem elementos eróticos nas histórias.
Henry (conhecido no Brasil como Pinduca, 1932), o menino careca e sem boca de Carl
Anderson, é precursor dos personagens mirins. Al Capp revoluciona com Li’l Abner (aqui
conhecido como Ferdinando, 1934), que satiriza o "american way of life". Deboche e sexo
explícito aparecem nas dirty comics, revistas clandestinas escritas por autores anônimos. Nas
décadas de 1940 e 1950, devido a II Guerra Mundial, a indústria de quadrinhos entra em crise,
e os EUA que foram o berço da indústria dos quadrinhos sofre rigorosa censura no período
macarthista (1950-1954)
2
.

2
Período da história americana caracterizada pela perseguição ao Comunismo.
19



Nesse sentido fica claro que o foco das histórias em quadrinhos muda de acordo com a
sociedade da qual é reflexo. Prova disso é a compilação das aventuras de Barbarella (1962),
do francês J ean-Claude Claude Forest, que marca o começo das graphic novels, álbuns de
grande apuro gráfico, que abre um filão adulto no mercado. Nessa linha também está a
fotógrafa Valentina (1965), do italiano Guido Crepax
3
. Robert Crumb (1943- ), criador de
Fritz the Cat (1965), lidera o movimento das revistas undergrounds, que misturam sexo,
drogas e política, ao lado de Gilbert Shelton, de Freak brothers (1967).














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Figura 5 - Guido Crepax e a fotografa Valentina, apuro na técnica de diagramação

3
Considerado um dos mestres do quadrinho erótico italiano é exímio diagramador, em capítulo posterior será
falado de outro especialista do quadrinho erótico, Milo Manara que de acordo com estudiosos como Gusman,
superou Crepax com um erotismo mais implícito embora opte pelo enquadramento tradicional e pano de fundo
rebuscados que por vezes ofuscam os personagens.
20



Com seu desenvolvimento, os quadrinhos atingem o status de arte o que se deve ao
argumento primoroso de roteiristas que escrevem verdadeiras pérolas de poesia e
“psicodelia”. Temas adultos como conflitos existenciais, desejo, violência e caos urbano são
trabalhados por nomes como Neil Gaiman ( Sandman e Orquídea Negra) e Alan Moore
Batman – A piada mortal), entre outros ícones da década de 1980.







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Figura 6 - Sandman de Neil Gaiman, ícone da década de 1980

2.1 QUADRINHOS NO BRASIL

No Brasil, o precursor foi Italo Agostini com as aventuras de Nho-Quim e Zé Caipora
publicadas na revistas Vida Fluminense, o Malho e Don Quixote (1869-1883). Mas foi com o
Tico-Tico que iniciamos a proposta da construção de quadrinhos nacionais, embora seja nítida
a adaptação dos personagens que, de brasileiros, têm apenas os nomes e os cenários, já que as
características são dos comportamentos de personagens americanos. Além do clássico Gibi de
1939, lançado pelo Grupo Globo de Roberto Marinho com histórias de diversos personagens:
a publicação fez tanto sucesso, que "gibi" virou sinônimo de revistas em quadrinhos.
21








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Figura 7 - Edição comemorativa de o TICO-TICO
A partir dessas iniciativas os quadrinhos brasileiros não pararam de crescer e se no
início eram réplicas de quadrinhos americanos, com o passar do tempo produziram
personagens inesquecíveis. Alguns, como o Pererê de Ziraldo, partiram para uma proposta de
quadrinhos com temáticas nacionalistas.Com relação a esse quadrinho, Pimentel (1929)
afirma que o “feitiço virou feiticeiro” e desconfia que o “Pererê”, embora pareça um projeto
de exaltação nacionalista, é, na verdade a adoção de um símbolo conveniente para mascarar a
dominação, pois ressalta que a personalidade original do mito do Saci-Pererê é
descaracterizada: ao invés do amoral espírito da natureza, temos um simpático personagem
politicamente correto.






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Figura 8 - O Pererê um Saci politicamente correto em histórias com temáticas ecológicas
22



Outros destaques com propostas diferentes são A turma da Mônica de Maurício de
Souza, a Radical Chic de Miguel de Paiva e o “humor boca do lixo”, de Angeli, com os
Skrotinhos, Rê Bordosa entre outros personagens que refletem o contundente humor da escola
paulista de HQ.





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Figura 9 –Bidu, um dos personagens da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa






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Figura 10 – A Radical Chic de Miguel de Paiva, figura feminina sofisticada das HQ nacionais
23



3 QUADRINHOS E EDUCAÇÃO


As HQ, como já foi dito em capítulos anteriores, tiveram uma mudança de prestígio
perante a sociedade, um dos indícios dessa nova postura é a apropriação deste meio de
comunicação pelas escolas.
No passado as HQ eram vistas como nocivas ao processo educativo e responsáveis
pela “preguiça mental” de alguns alunos. Anselmo parte deste preconceito para elaborar sua
Tese de Doutorado em psicologia, que segundo Rosa é até hoje a única pesquisa sobre a
relação entre aproveitamento escolar e leitura de gibis no Brasil a utilizar métodos científicos
de levantamento de dados. Porém Anselmo verificou que ao contrário do que se pensava, a
leitura das HQ além de não influir no rendimento escolar, estimula a criatividade.
O preconceito que havia com o passar do tempo foi superado, e os educadores
passaram a se apropriar dos quadrinhos no trabalho com os conteúdos didáticos devido ao
poder que estes materiais têm sobre a atenção dos alunos.
Rosa descreve algumas experiências bem sucedidas de utilização das HQ na educação,
como por exemplo, a escola Recanto Infantil no Recife que confeccionou em parceria com o
escultor e desenhista Cavani Rosas uma história sobre o Curupira para dar início à um debate
sobre a questão ecológica.
Outro exemplo é a Escola-Parque da Quadra 304 no Norte de Brasília que montou
uma oficina de quadrinhos idealizada pela professora Irone Queiroz, de artes plásticas, que
declarou que além de despertar o interesse pela leitura o trabalho com quadrinhos propicia
uma integração de diversas disciplinas.
Preconceitos ainda existem, mas de acordo com Moya é preciso a consciência que
“não é a literatura em quadrinhos que faz mal a infância, é toda e qualquer leitura mal
24




orientada [...] não é preciso suprimir a literatura em quadrinhos nem condená-la, mas apenas
depurá-la dos elementos nocivos.” (MOYA
4
apud CUSTÒDIO, 1999)
Tais exemplos revelam como as HQ podem ser úteis na Educação embora algumas
pessoas da própria área dos quadrinhos discordem desta apropriação, como Ziraldo, por
exemplo, que enfatiza que as histórias são apenas fonte de diversão e prazer e que não vê
sentido na aplicação destes materiais como recursos didáticos. Outros estudiosos como
Vergueiro e Cirne, por outro lado, acreditam que o papel da escola é fazer uma leitura crítica
dos quadrinhos, ou seja, trabalhar o quadrinho como literatura e levar o aluno a perceber as
mensagens e discursos que se ocultam nas entrelinhas. A partir da leitura das HQ os
questionamentos são trazidos ao debate em sala de aula o que resulta em um processo de
aprendizado dinâmico e prazeroso para professores e alunos, além de estimular a
interdisciplinaridade.
É preciso, porém, ter cuidado no momento da apropriação dos quadrinhos pela
Educação. Muitos livros didáticos incorporam essa linguagem sem qualquer adaptação, isto é,
colocam os mesmos discursos e textos que utilizaram em edições anteriores em quadrinhos,
sem preocupação com os aspectos da linguagem e dinâmica quadrinística e assim não atingem
o objetivo de atrair a atenção dos estudantes.
Os equívocos podem se entender ainda mais na sala de aula se os professores não
estiverem preparados para trabalhar com a linguagem dos quadrinhos, é preciso pesquisar e se
reciclar com cursos especializados para aproveitar todo o potencial educativo das HQ. O
especialista Flávio Calazans, por exemplo, oferece um curso de “histórias em quadrinhos
como recurso didático” para professores interessados no emprego da HQ como recurso
auxiliar de aprendizagem.
Segundo Calazans as HQ oferecem diversas possibilidades de trabalho para os
educadores de todas as áreas. As revistas de super-heróis permitem que os professores façam
abordagens de algumas teorias científicas como mutações genéticas e estrutura atômica.
Também são abordados temas de política e geografia, que envolvem citações de literatura
teatro e artes.
Custódio também traz exemplos de um quadrinho que pode ser trabalhado nas
disciplinas escolares de arte e literatura (1999 p.68):

4 Moya, Alvaro de. Shazam.2.ed.. São Paulo, SP : 1977.
25



Em Sandman – Estação das Brumas, Lúcifer lembra Caim que ‘antes reinar no
inferno que servir ao Céu’. A frase é atribuída a Lúcifer, mas este imediatamente diz
: ‘Eu nunca disse isso. Milton disse.’ Ele se refere a J ohn Milton, autor de Paraíso
Perdido (...). A referida minissérie Sandman traz um resumo no início de capítulo,
como nos libretos de ópera ou teatro, para cada ato. Exatamente como em Paraíso
Perdido.
Não se quer dizer que se deva substituir livros pelas HQ, num suposto conflito, mas
ver a HQ como um meio pedagógico para despertar o interesse pela leitura (MOLINA apud
CUSTÓDIO)
5
, porém é preciso cuidado para não utilizar este material apenas como primeiro
passo para chegar nos livros, mas encara-lo como literatura capaz de veicular de forma
dinâmica o processo pedagógico.
Outro método interessante é a confecção de quadrinhos para passar os conteúdos que
estão envolvidos no processo de criação, conforme vimos em exemplos anteriores que leva o
aluno à ‘descoberta’ de outro universo – a biblioteca, para colher informações. No capítulo
seguinte será tratada a questão das HQ nas bibliotecas, que a exemplo da escola podem
utilizar os quadrinhos como uma forma dinâmica de integração com o seu público.















5
Molina, Ana Heloísa. Histórias em quadrinhos : explorando novas estratégias no ensino de história de 1º grau
(texto)
26







4 QUADRINHOS E BIBLIOTECONOMIA




http://img111.imageshack.us/img111/1385/untitled13ny5.jpg








Figura 11 – Biblioteca do Sonhar, por Neil Gaiman
No quadrinho acima, Neil Gaiman, criador de Sandman, destaca a importância do
profissional bibliotecário para o desenvolvimento da humanidade - as HQ reconhecem o
potencial transformador do bibliotecário junto a sociedade, basta os mesmos se reconhecerem
como tal e darem a devida importância às histórias em quadrinhos.
6
Verificou-se nas visitas técnicas e no discurso dos teóricos que as HQ sofrem uma
série de preconceitos. Levanta-se a hipótese de que os quadrinhos representam uma literatura
menor, descartável e incapaz de portar informações relevantes nos seus argumentos. Essa
atitude, é reflexo de uma postura muito antiga da sociedade que aos poucos se transformou;

6
Waldomiro Vergueiro, Flávio Calazans, Moacy Cirne.
27



de histórias malditas sempre escondidas debaixo dos colchões de crianças e adolescentes para
alvo de estudos nas Universidades, as HQ com tempo atingiram o status merecido.
Apesar de grande aceitação, nas ultimas décadas os quadrinhos foram alvo de ataques
também no Brasil. Em 1951, Carlos Lacerda (LACERDA apud J UNIOR, 2004) dizia entre
muitas outras coisas que:

A idéia dessas revistas é que o crime seja uma condição normal de vida. Há a idéia
de que a vida passa num plano superior a todas as contingências humanas e, ao
mesmo tempo, ignorante de todas as onipotências divinas – pois Deus só pode ser
compreendido pelo homem no plano estritamente humano. Deus não admite super-
homens, supermacacos nem super-Robertos Marinhos. Portanto, não se supera o
plano do humano para atingir o divino. É claro que esses superhomens, esses
supercamundongos, esses superbandidos, essas supermulheres de coxas superlativas,
essa mitologia truncada e monstruosa das historias em quadrinhos vendem milhões
neste país. É claro também que não se fica no plano estritamente humano em que as
histórias para crianças se desenvolvem e contribuem para seu próprio
desenvolvimento.


Com base no preconceito do aspecto alienante dos quadrinhos Zilda Anselmo (1975)
realiza diversas pesquisas entre leitores jovens e identificou os efeitos dessa leitura. O estudo
realizado desmistifica os preconceitos ao revelar que a leitura de quadrinhos não influencia no
desempenho escolar e que jovens e crianças que estão em contato com as histórias em
quadrinhos tendem a desenvolver o hábito da leitura.
Os quadrinhos fascinam adultos e crianças isso é um fato que estimula o uso dos
quadrinhos no processo educativo, mas estudiosos como Moacy Cirne (CIRNE apud ROSA,
1991) alertam que “o educador ou mesmo os pais devem estimular na criança uma leitura
critica dos quadrinhos”. J á Vergueiro (VERGUEIRO apud ROSA, (1991)) destaca que é
preciso cuidado “para não ser descaracterizado o aspecto lúdico das histórias”. Se a
linguagem for distorcida não haverá integração do texto com a imagem e a comunicação não
cumprirá seus objetivos.
Um objeto de tamanha complexidade não deve ser colocado em segundo plano. Após
ter passado por sua fase “negra” a história em quadrinho se apresenta como uma alternativa
positiva não apenas como entretenimento. No meio educacional esse instrumento é cada vez
mais utilizado por professores de todas as áreas, como visto no capítulo anterior, o que
implica na inclusão deste material no acervo das bibliotecas. Segundo Vergueiro (2005) a
28



inclusão desse material nos acervos passa a ser um desafio para os profissionais da
informação que não sabem como trabalhar com esse instrumento.
Como tratar as histórias em quadrinhos? Não é uma dúvida técnica e sim prática, pois
os profissionais não sabem como dinamizar as coleções de quadrinhos, e deixam em um canto
um material rico com muitas possibilidades de exploração.
É importante falar dessa “apropriação” dos quadrinhos pelos educadores, pois em
oposição há um relativo despreparo dos profissionais da informação. O fato é que muitos
educadores também têm dificuldade para trabalhar os quadrinhos. Usar este instrumento de
modo aleatório não traz bons frutos, é preciso fazer uma leitura crítica dos quadrinhos. Então
transparece a necessidade do profissional da informação se familiarizar com esse instrumento
e de conhecer os usuários deste tipo de acervo, de modo a elaborar um projeto que possibilite
a dinamização das coleções de histórias em quadrinhos.
Pode-se levantar a hipótese de que a resistência dos bibliotecários às histórias em
quadrinhos e aos demais meios de comunicação de massa foi um reflexo da resistência da
própria sociedade em relação a eles, que diminuiu à medida que todos esses meios passaram a
ser vistos com outros olhos, como destacado por Vergueiro (2005).
Apesar da transformação da visão que se tinha dos quadrinhos muitos bibliotecários
ainda carregam os antigos preconceitos disseminados pelo psicólogo Frederick Wertham
(1954): e consideram os quadrinhos como materiais sem relevância intelectual. O que estes
profissionais não sabem é que existem estudos sérios sobre este material, e que o conteúdo
dos quadrinhos assim como as sociedades mudaram e, portanto falta uma outra mudança: a
dos profissionais a quem foi atribuída a responsabilidade de organizar e dinamizar aqueles
acervos.
Uma típica demonstração de que o preconceito ainda existe no meio bibliotecário é
utilizar os quadrinhos como mero atrativo de leitores para a leitura de livros, estes sim um
material sério. Na pesquisa de Anselmo (1975) é destacado o fato de que crianças que lêem
quadrinhos se tornam futuras consumidoras de livros, mas isso não significa que a leitura dos
quadrinhos é apenas uma primeira etapa, pois existem argumentos de quadrinhos tão bons ou
até melhores do que muitos livros – mais importante do que o suporte é o conteúdo. Este é
um fato que os bibliotecários deveriam se lembrar, não somos “guardadores” de livros, e sim
disseminadores de informação independente do suporte em que ela se encontre.
29



“... quem não valoriza bibliotecários, não valoriza idéias.. E, sem elas...” (Gaiman, ver
figura 11). Pode-se dizer que sem as idéias as sociedades estagnam, envelhecem e morrem
sem deixar vestígios ou frutos que representarão as sociedades do porvir. A biblioteconomia
é uma área, que tem um papel decisivo nas transformações sociais, ou pelo menos deveria ter.
Nas bibliotecas, pesquisadores encontram as informações que se transformarão no
conhecimento personificado nas inovações, no conforto, na saúde, enfim em uma vida melhor
para todos; o cidadão ao fascinante mundo das idéias, através de discursos diferentes e da
beleza das palavras. Sendo as HQ um instrumento fascinante e rico em informações que
agrada ao grande público, verifica-se a validade do trabalho realizado nas chamadas gibitecas.
No capítulo posterior será tratada a questão das gibitecas, e relatadas as observações feitas nas
visitas técnicas realizadas em bibliotecas populares, com o objetivo de mostrar como é a
prática biblioteconômica nas gibitecas de instituições que trabalham junto às camadas
populares da sociedade.



30







4. GIBITECAS


O sucesso dos quadrinhos foi tanto que conforme vimos, com o passar dos anos, se
constituíram espaços chamados gibitecas, um silogismo para o acervo de histórias em
quadrinhos.
As iniciativas das gibitecas têm dois perfis: algumas são criadas por colecionadores e
aficionados dos quadrinhos e oferecem diversas atividades, são dinâmicas e criativas, mas não
possuem os conhecimentos biblioteconômicos necessários para uma recuperação eficiente da
informação, ou seja, o aproveitamento das coleções de quadrinhos não é proporcional ao
empenho dos organizadores das gibitecas.
Por outro lado, os acervos sob a administração dos bibliotecários pecam geralmente
pela falta de dinamismo e entusiasmo. Na verdade, muitas vezes nem o trabalho que tornaria
a recuperação da informação eficiente é realizado, pois muitos profissionais não julgam este
material digno de sua atenção, e acabam por formar acervos de estoque. Comumente as
revistas em quadrinhos não têm verba destinada para sua aquisição, e os materiais porventura
doados não recebem qualquer tratamento, ou atenção. São colocados em cestos ou cantos
com títulos e temáticas misturados.
É claro que isto não é uma regra, existem profissionais bibliotecários que dinamizam
este tipo de acervo com obtenção de resultados relevantes. É o caso, por exemplo, das
gibitecas de Curitiba, a gibiteca Henfil em São Paulo, e o serviço de gibiteca oferecido na
Biblioteca Popular de Olaria e Ramos, no Rio de J aneiro.
A gibiteca de Curitiba tem o mérito do pioneirismo, criada em 1982 foi a primeira
iniciativa de um acervo de histórias em quadrinhos no âmbito mundial, conforme Calazans.
Os quadrinhos são vistos por alguns profissionais da informação como materiais de
31



menor importância, e por isso não são privilegiados em suas ações cotidianas. Além da
questão do preconceito, a dinamização das coleções é deficiente, pois esta ação de
dinamização de acervos é pouco usual ainda, até mesmo com os materiais considerados
importantes, como os livros. Esse é um problema da biblioteconomia que será analisado em
capítulo posterior.
Porém, como já foi dito existem bibliotecas que embora não possuam acervo
constituído exclusivamente por HQ, possuem estes materiais e oferecem a gibiteca como um
serviço especial. Algumas Bibliotecas Populares da cidade do Rio de J aneiro, segundo a
Bibliotecas da Cunha/FBN
7
, supostamente oferecem este serviço para a comunidade. Mas
conforme verificado através de telefonemas e visitas técnicas, bibliotecas que dizem oferecer
este serviço menos da metade de fato possui; e das que ainda se intitulam possuidoras do
serviço de gibitecas, exceto Olaria, trabalham as HQ como estoque sem dar tratamento
técnico e dinamizar essas coleções.
A seguir serão expostas as observações feitas em visitas técnicas a três dessas
instituições, situadas respectivamente em Bangu, Campo Grande e Olaria/Ramos, com relação
ao tratamento dado aos acervos de quadrinhos para a realização de um trabalho social junto à
comunidade.

4.1 BIBLIOTECA POPULAR DE BANGU

O primeira visita foi feita na Biblioteca Popular de Bangu (BPB), situada na Rua Silva
Cardoso 349, Rio de J aneiro.
Sob o meu olhar leitor ao chegar na biblioteca indaguei a respeito da gibiteca mas a
funcionária que me atendeu respondeu que há muitos anos não havia mais gibiteca, restando
apenas umas poucas revistinhas. Fui verificar era realmente lastimável. A gibiteca acabou e o
que restou foram menos de dez gibis. Assim, leitor olha e encontra um Paulo Coelho em

7
Em Anexo, a listagem das Bibliotecas Populares do Rio de J aneiro oferecido no site da Biblioteca Euclides
da Cunha/FBN onde se pode verificar a localização e quais os serviços oferecidos por cada biblioteca. A
maioria das bibliotecas populares se encontra em regiões periféricas, com raras exceções. Mas Olaria, por
exemplo, faz parte das regiões periféricas e oferece um tipo de serviço que se observa em bibliotecas com
outro perfil e outra localização.

32



quadrinhos, um Wolverine algumas histórias da Turma da Mônica, fica frustrado e vai
embora.
Sob o meu olhar pesquisador reflito, acabou...Mas por quê? Esta é a grande questão
encaminhada para a bibliotecária, que explica que o problema foi a falta de espaço. De fato,
BPB funciona em um espaço mínimo e, segundo a bibliotecária após obras, o espaço ficou
mais reduzido e a gibiteca acabou e não voltou.
O espaço é pequeno e a prioridade é dada aos livros. Mesmo na época em que a
gibiteca funcionava, o grande foco era os livros. A bibliotecária de Bangu viveu o momento
da gibiteca e acredita que os quadrinhos tenham valor, mas ao defender a importância dos
quadrinhos, utiliza um preconceito: “Utilização das histórias em quadrinhos como chamariz
para a leitura de livros, classificados como uma espécie de concessão dos profissionais do
livro (os bibliotecários) a uma leitura menos nobre (os gibis)” (Vergueiro,). A bibliotecária
diz que a gibiteca seria uma motivação para que os ‘jovens’ lessem, por apresentarem muitas
figuras, texto rápido e divertido; os quadrinhos fariam com que eles sentissem prazer na
leitura e aos poucos passassem para os livros.
Mesmo na época da gibiteca não havia uma ação biblioteconômica no sentido da
dinamização dos acervos, informa. O que não acontece com os livros, pois existem ciclos de
contagem de histórias, com os responsáveis pela leitura dando vida e magia aos personagens,
além de oficinas de teatro que utilizam obras da biblioteca como referência, e alguns cursos
como esperanto e capoeira, cujos professores indicam os livros da área que constam no acervo
da biblioteca.
A biblioteca não é modelo em vários aspectos, ao contrário, (mas isto é outra
história...), mas, conforme dito, apresenta algumas iniciativas interessantes para dinamizar o
acervo de livros. E por que tais iniciativas não se aplicavam aos quadrinhos? Eles não eram
considerados acervo, e sim “isca” para o acervo, apenas HQ independente da mensagem e da
qualidade de seus argumentos, todos postos no mesmo nível, como visto também em Campo
Grande.
Quadrinho adulto, graphic novels, gibis, álbuns e edições encadernadas, fanzines,
mangás, todo esse material junto sem nenhuma diferenciação ou qualquer atividade que
encante o leitor. (Aliás, além do desconhecimento com relação ao mercado editorial dos
quadrinhos, as bibliotecárias, nos dois casos, ignorara-se as diferenças entre eles e mesmo a
33



existência do leitor de quadrinhos) Como atender a demanda de um público que se
desconhece, e mais, como criar uma gibiteca ignorando tais fatos?
A gibiteca de Bangu ao ignorar estes elementos certamente estava fadada a extinção,
mesmo que sobrasse espaço, como em Campo Grande, que também não apresentou qualquer
iniciativa, como compreendido na visita técnica feita, conforme veremos a seguir.


4.2 BIBLIOTECA POPULAR DE CAMPO GRANDE


A segunda visita técnica foi feita na Biblioteca Popular de Campo Grande (BPCG),
situada na Praça Telmo Gonçalves Maia sem numero, no Rio de janeiro. As respostas foram
concedidas pela secretária da biblioteca que, no momento da entrevista foi apresentada pelos
funcionários como a bibliotecária, devido a ausência da responsável no dia da entrevista.
Sob o meu olhar leitor o primeiro problema é com relação à localização do espaço da
biblioteca. Leitores menos pacientes e/ou que deparem com pessoas que não saibam ou que
não estejam dispostas a informar, sequer chegam à biblioteca. Nos fundos da Região
Administrativa de Campo Grande, uma pequena porta na qual você se depara com dois
cartazes um bem grande escrito “XEROX” e outro, bem pequeno, escrito biblioteca com uma
seta apontando as escadas. No final da escadaria um corredor com várias salas. Todas da
biblioteca? Não, apenas uma, sem nenhuma sinalização, é o espaço no qual se localiza a
biblioteca.Ou seja, se não houver ninguém no corredor, ou você desiste, ou bate de porta em
porta.
Ao chegar na biblioteca o que temos é um espaço dividido em duas seções: a de leitura
e pesquisa e a seção “infantil”. As HQ se encontram na seção infantil o que revela o primeiro
preconceito: “Histórias em quadrinhos é coisa de criança”.
A seção infantil tem um espaço privilegiado: além de livros “infantis” convencionais,
possui livros de pano, bonecos, fantoches, dois televisores com vídeo-cassete etc, tudo com
uma arrumação atrativa e muitas cores. Mas as HQ... A gibiteca listada como um dos
serviços prestados pela BPCG constitui-se em dois cestos colocados embaixo de uma mesa.
O leitor se depara com diversas HQ misturadas, sendo predominante as histórias da
DC Comics ( X-Men e seus heróis), e Mauricio de Souza (Mônica, Cebolinha, etc) e algumas
34



publicações sobre mangás. As obras não recebem nenhum tratamento, nem se observa
qualquer cuidado com a preservação destes materiais.
O leitor adulto é visto com estranheza ao procurar este tipo de material. No momento
da busca uma das funcionárias indagou: “Estão pesquisando o que na área infantil?” Quando
mostramos os quadrinhos, a expressão mista de espanto e desdém foi difícil de esconder, tanto
que a funcionária saiu sem falar nada balançando a cabeça. Este episódio revela preconceitos,
alguns listados por Vergueiro (fev. 2003):“ Os quadrinhos são destinados apenas para o uso
de categorias específicas de usuários, como crianças ou estudantes [...] alguns funcionários
assumem até mesmo uma atitude desdenhosa quando algum adulto se interessa por revistas
em quadrinhos” O leitor que busca este tipo de material se sente constrangido e não cria
vinculo de afeto com a biblioteca, ao contrário, se afasta. “Eles [os quadrinhos] não são
incorporados de forma definitiva aos acervos sendo encarados como material totalmente
descartável, não merecedor de qualquer iniciativa visando a sua preservação e
conservação”(Vergueiro, fev. 2003)
Se o leitor busca um quadrinho específico, perde tempo ao efetuar a busca e encontra o
material muitas vezes danificado. Conclui então que o serviço de gibiteca listado, na verdade,
não existe. O leitor de quadrinhos se sente no mínimo frustrado com a situação, não se sente à
vontade no ambiente, vê o seu interesse tratado com descaso e, na maioria das vezes, não
encontra o que busca pela desorganização, pela má localização (embaixo da mesa) e pela
ausência de uma diversidade de títulos.
Sob o meu olhar pesquisador baseando-se nas observações, algumas questões chaves
surgiram para serem encaminhadas a bibliotecária. A primeira frase da responsável
confirmou o que já tinha sido visto: “Gibiteca? Não temos gibiteca”. Ao saber que na
listagem dos serviços oferecidos pelas bibliotecas populares disponível no site da Biblioteca
Euclides da Cunha/FBN constava que a gibiteca era uma dos serviços oferecidos pela BPCG a
secretária estranhou e disse que estava há cinco anos no espaço e nunca ouviu falar em
gibiteca, se existiu acabou faz muitos anos. Não existe gibiteca, mas existem algumas
histórias em quadrinhos que segundo ela são fruto de doações, a Prefeitura não destina a verba
das aquisições para a compra deste material, que não recebe qualquer tratamento, se estragam,
vão para o lixo, e nenhuma atividade é feita com histórias em quadrinhos.
A partir desta conversa podemos verificar mais dois preconceitos listados por
Vergueiro (FEV. 2003)
35



Os quadrinhos enfrentam total despreocupação com o estabelecimento de critérios
para a sua seleção, todos os produtos quadrinísticos sendo considerados
essencialmente iguais entre si pelos bibliotecários e são objeto de excessivas
restrições financeiras para a sua aquisição em base regular a eles não se destinado
qualquer verba e sendo considerados como alternativa para o acervo apenas quando
oferecidos em doação.

Assim como em Bangu a bibliotecária após esta conversa se deteve a maior parte do
tempo discorrendo sobre as atividades desenvolvidas pela biblioteca com ênfase no
processamento técnico, seleção e aquisição de livro e etc. Tudo interessante, mas fora do foco
da pesquisa, como se os quadrinhos fossem um detalhe da entrevista e não o foco da pesquisa
e embora tentasse retomar à questão a secretária reafirmava não feito trabalho algum com
esses acervos e continuava a explanação sobre a rotina da biblioteca.
As visitas, a principio deveriam ser feitas nestas duas instituições, mas na primeira visita,
realizada em Bangu, a bibliotecária informou que o interesse era pelo serviço de gibitecas
deveria visitar a biblioteca e Olaria/Ramos, cuja bibliotecária era engajada no trabalho com
HQ. Então foi realizada outra visita desta vez com resultados bem diferentes como veremos a
seguir.

4.3 BIBLIOTECA POPULAR DE OLARIA E RAMOS


A Biblioteca Popular de Olaria e Ramos (BPOR) se localiza na Rua Uranos 1230, em
Olaria, Rio de J aneiro sob a responsabilidade da bibliotecária Regina Helena do Amaral
Gagllianoni.
Sob o meu olhar leitor verifiquei ao entrar na Biblioteca Popular de Olaria e Ramos e
solicitar o serviço de gibiteca o leitor tem uma grata surpresa, o serviço existe. O funcionário
nos mostra o local no qual podemos encontrar as coleções que recebem tratamento técnico e
possuem registro, ou seja, quando solicitamos uma determinada obra é possível verificar se
ele consta no acervo pela consulta nos registros.
A coleção de quadrinhos fica distribuída de forma diferente dos livros e dos outros
periódicos em compartimentos nos quais é possível ao leitor visualizar a capa da obra tal
como acontece nas bancas de jornal. E não só encontramos quadrinhos cujo público
36



consumidor é em sua maioria infantil, também encontramos quadrinhos adultos em seção
separada, cuidadosamente guardados: se o leitor manifesta interesse por esse tipo de material,
os funcionários indicam o local em que se encontram.
O leitor de quadrinhos sente-se satisfeito por verificar que existe um tratamento
diferenciado para o alvo de seu interesse e encontra alguns títulos de qualidade ímpar, como
uma edição especial do Sandman a respeito de Lúcifer. E se o interesse do leitor for grande,
ele será informado dos projetos da biblioteca para as revistas em quadrinhos.
Como pesquisadora foi possível conhecer as minúcias do trabalho em uma conversa
com a bibliotecária na qual verificamos uma postura diferente dos outros profissionais das
bibliotecas populares visitadas, vejamos o porquê desta diferença, adiante.
Conforme a bibliotecária, o projeto das gibitecas em bibliotecas populares surgiu na
BPOR em 1985, pois ao analisar as estatísticas mensais a bibliotecária verificou que o
empréstimo na seção infantil era pequeno, cerca de 30 títulos, em relação ao total da
biblioteca. A seção infantil era vazia, quase sem freqüência, e isso era um problema que tinha
que ser resolvido, mas como? Regina Gagllianoni observou que HQ eram um material
consumido com interesse pelas crianças e adolescentes, e por adultos também, então resolveu
fazer um estudo que, ao confirmar suas observações, resultou no projeto da Gibiteca Leitura
Prazer.
O objetivo inicial deste projeto era incentivar a leitura na seção infantil, mas ao
contrário do que foi verificado em Bangu isso não queria dizer que as HQ seriam um passo
inicial para se chegar aos livros, e sim que estes materiais representariam o real interesse do
seu público-alvo e por isso deveriam ser oferecidos, havendo espaço para o desejo de leitura
de ambos os materiais. Os quadrinhos em nenhum momento foram considerados uma
subliteratura, e sim a literatura que o seu usuário buscava.
Porém o projeto não teve o apoio da Prefeitura, foi uma iniciativa particular da
bibliotecária que, mesmo sabendo que as verbas só poderiam ser destinadas aos livros, não
desistiu. A princípio, foi enviado um ofício às editoras que publicam as HQ. Neste oficio foi
relatado o projeto e feito um pedido de doações, porém nenhum dos ofícios foi respondido, e
a criatividade mais uma vez trouxe frutos. A responsável recorreu à própria comunidade para
resolver o problema da falta de material para a construção do acervo, e criou uma espécie de
clube de sócios da gibiteca: para se tornar membro, o leitor deveria doar no mínimo dois
gibis.
37



A bibliotecária divulgou o projeto para a comunidade através de outra atitude ainda
pouco comum na biblioteconomia, o Marketing bibliotecário. Foi realizado um evento no qual
toda a comunidade foi chamada com direito a banda de música e outros aparatos para a
inauguração do espaço. Foi um sucesso, a comunidade participou e se mostrou satisfeita, as
doações por pessoa foram de muitos exemplares e não apenas de dois como solicitado, adultos
e crianças se envolveram, fizeram doações e felicitaram a iniciativa.
O projeto superou as expectativas de 30 exemplares emprestados a seção infantil
passou a contabilizar 700 exemplares na estatística da biblioteca. Com o sucesso do projeto a
Prefeitura resolveu reconhecer a validade de se oferecer um serviço de gibitecas nas
bibliotecas populares e solicitou a implantação de gibitecas em todas as bibliotecas populares
(podemos, assim, concluir que um dos motivos do projeto da gibiteca não funcionar em outras
bibliotecas populares se deve ao fato de ter sido algo imposto, ou seja, deu certo todos terão
que fazer). O fato é que o projeto funcionou devido a atitude da bibliotecária e não por se ter
uma coleção de revistas em quadrinhos, que se não obtiver o tratamento adequado não irá
funcionar, assim como acontece com os livros.
O problema é a falta de atitude guerrilheira na prática biblioteconômica, não basta
fazer o processamento técnico e deixar em um canto, é preciso dizer que o material existe e
que é interessante, fazer a propaganda dos serviços que são oferecidos e dar algo mais ao
leitor, pois é isso que ele busca.
A atividade não deve parar, é imprescindível que projetos novos complementem os
antigos e busquem coisas novas para prender a atenção do usuário. Em Olaria, o projeto não
parou quando obteve o aumento na freqüência da seção infantil, ele se entendeu e buscou um
meio da comunidade participar ainda mais com a confecção de histórias em quadrinhos, em
uma parceria da biblioteca com as escolas públicas da comunidade.
Foi criado um concurso no qual os melhores desenhos fariam parte de uma história em
quadrinhos. A biblioteca periodicamente lança um tema, os estudantes participam
voluntariamente na confecção de desenhos e textos, com a ajuda dos professores de educação
artística, de língua portuguesa e de outras disciplinas que estiverem envolvidas na temática a
ser abordada, com isso a biblioteca se integra ao processo pedagógico e participa de uma
proposta de aprendizado interdisciplinar. Os alunos aprendem com prazer, os professores
trabalham os conteúdos do programa e a biblioteca cumpre o seu papel social.
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O colégio selecionado tem sua história publicada com direito a uma festa para a “tarde
de autógrafos” dos alunos/autores. Este projeto também é um sucesso e quando lançado não
teve o apoio da Prefeitura, sendo financiado por doações da fábrica de papel Tamura, com os
papéis, e do Clube Rotary com a impressão do material. Depois que deu certo o projeto
passou a ter apoio oficial e financiamento para as impressões, informa a bibliotecária.
Os projetos continuam e a bibliotecária levou a gibiteca para municípios como
Mendes, por exemplo, e para a biblioteca da escola J oão Luiz Alves que funciona dentro de
um presídio. Existe também a idéia já aprovada de se construir uma grande Gibiteca, como a
Gibiteca Henfil, em São Paulo, provavelmente dentro da “Cidade das crianças”, projeto este
que teve seu andamento paralisado em virtude da realização dos jogos Pan-Americanos de
2007, e que tem previsão de ser retomado com o final deste evento.
Na BPOR há um projeto de dinamização de coleções de HQ de alto nível que só não é
maior devido a falta de verbas, quando surge um financiamento as coisas se expandem ainda
mais, diz Regina Gagllianoni. Mas o que a BPOR tem que as outras não têm? A questão está
voltada para a postura de seus profissionais, creio eu.
No capítulo seguinte será analisada a postura do profissional bibliotecário diante das
comunidades, principalmente dentro de regiões periféricas, a partir de uma discussão acerca
do papel social do bibliotecário.
39







6 A AÇÃO BIBLIOTECONOMICA NAS GIBITECAS


Milanesi (1986) nos mostra o triste quadro que perdura até hoje nas bibliotecas
públicas e a grande ausência dos bibliotecários na construção de um ambiente atrativo de
potencial transformador das mentalidades.
Em um mesmo espaço em que discursos opostos convivem, é um terreno riquíssimo
para a construção do senso crítico dos leitores, que irá se refletir nas suas posturas diante da
sociedade.
A obra de Milanesi nos leva a refletir, afinal as bibliotecas populares têm qual
objetivo? Foram construídas para atender aos interesses de quem? As gibitecas se
apresentam como uma possibilidade de ponte para o potencial questionador dos leitores,
portanto devem ir muitos além do que trabalhar os quadrinhos apenas como estoque, e
oferecer um acervo com grande diversidade de títulos da “arte seqüencial”, não apenas para
crianças.
Milanesi propõe reflexão e inovação e estas são as chaves para uma biblioteconomia
educadora.
Conforme Freire ( educar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma
de discriminação e o individuo tem a chave para se libertar dos grilhões de sua cegueira e não
ser oprimido, nem se transformar em opressor, apenas um agente transformador da realidade.
O bibliotecário pode exercer um papel de educador também, embora não se utilize das
mesmas metodologias de um professor da educação formal.
O trabalho das gibitecas também se insere neste contexto. As HQs são entretenimento
e carregam uma diversidade de mensagens e discursos. O texto aliado às imagens facilita a
leitura, a informação adquirida por meio de um instrumento que traga prazer auxilia na
absorção da mensagem. Desta forma as histórias em quadrinhos são excelente instrumento no
processo educativo, entendendo-se que educar não é apenas transmitir conhecimentos de
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português, matemática, etc. através de regras, e sim possibilitar as relações cognitivas e
construção do conhecimento que as HQ oferecem sob prazer da leitura
Então por que as gibitecas são postas de lado e as histórias em quadrinhos não são
tratadas como merecem? Educar exige risco, e os bibliotecários parecem não querer se
arriscar, parecem não querer inovar oferecendo algo além do suporte livro, e infelizmente
muitos carregam preconceitos e acreditam que este material tão rico não passa de “inutilidade
para distrair crianças”.
Analisar o serviço oferecido pelas bibliotecas populares através do recorte da
dinamização de coleções das gibitecas significou nesta pesquisa um passo para se refletir a
respeito de qual a função do bibliotecário, servir a comunidade ou propagar a ignorância ao
manter cada vez mais o abismo que separa as elites das outras camadas da sociedade,
ajudando, assim essas elites a manterem-se no poder.
















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7 PROPOSTAS DE DINAMIZAÇÃO DAS COLEÇÕES DE HQ


Para se ter um retorno junto ao usuário é necessário que o profissional da informação
seja dinâmico e criativo, a dinamização das coleções representam a ação do bibliotecário que
deseja exercer sua função social de transformar informação em conhecimento, ou seja fazer a
diferença em benefício de toda a comunidade.
Existem várias atividades que podem ser utilizadas neste trabalho com gibitecas. Em
Olaria eles, como vimos confeccionam uma revista com a participação dos alunos da
comunidade assim promovem a integração escola-biblioteca e estimulam o processo
educativo com a união de professores de diversas áreas do conhecimento para a pesquisa
necessária na coleta de informações. Os alunos participam e aprendem os conteúdos do
programa de forma intensa com a participação da biblioteca não só como fonte dos materiais,
mas como motivadora da atividade pedagógica e social. Desta forma desmistifica-se a
imagem da biblioteca silenciosa e chata, na qual o aluno não se sente a vontade, ao contrário,
é ele que deseja participar e ser autor e/ou desenhista. Além das atividades para a confecção
da história em quadrinho, é feita a promoção de tarde de autógrafos para o lançamento da
obra, evento este, com a participação de toda a comunidade.
Assim, neste capítulo serão apresentadas algumas propostas de outras formas de
dinamização de coleções. Para isto foram escolhidos dois títulos de quadrinho adulto e um
autor - Milo Manara, famoso pelo desenho de suas mulheres. Devido a isso optou-se por não
se trabalhar com um título específico de sua obra. Também Sandman, quadrinho de Neil
Gaiman, que se tornou um cult da década de 1980; e Rê Bordosa de Angeli, com o
contundente humor boca do lixo da escola paulista.


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7.1 MILO MANARA






http://img239.imageshack.us/img239/2007/untitled14bw1.jpg







Figura 12 - Imagem extraída da página principal do site de Milo Manara

As imagens de Manara falam por si mesmas, a impressão que se tem é que você pode
tocar e sentir o contorno das formas femininas feitas por ele. Na figura acima, a face feminina
pode ser interpretada de formas várias: seria a mão do próprio Manara dando acabamento à
sua obra com toda riqueza de detalhes, ou uma mulher que oferece seu rosto para a
maquiagem fazendo deste ato uma representação do desejo de sensualidade da alma feminina
( é o prazer de se fazer mais bela e desejável). Milo Manara é ilustrador de diversas revistas,
8

e é considerado o mestre dos quadrinhos eróticos italianos, ele opta por uma abordagem
erótica e não pornográfica como é o caso de Guido Crepax , procura dar ênfase a sensualidade
feminina com muito bom gosto, e as imagens mais picantes não se vulgarizam.
Os quadrinhos ilustrados por Manara são aquisições interessantes para uma gibiteca,
pois além da importância do autor na área dos quadrinhos, possibilita exposições chamativas
pela beleza de seu traço, encantando a todos os públicos. Uma proposta seria uma exposição

8
Podemos destacar Oclick a rendição do sexo, Sonhar Talvez, Viagem a Tulum (Parceria co m Frederico Felini),
e as ilustrações de Desejo em Noites sem Fim de Neil Gaiman.

43



intitulada “As mulheres de Manara
9
”, com as diversas personagens que povoam cenários
barrocos ou mitológicos e uma breve encenação de “Viagem a Tulum” um roteiro
cinematográfico não filmado da autoria de Frederico Felini.
A seguir temos a ilustração de um de seus modelos clássicos com seus contornos
fortes, e expressão dominadora, note que a imagem representada dispensa outro tipo de texto
além do visual, o indivíduo que observa esta imagem pode imediatamente apreender o aspecto
dominador da sensualidade da figura, ao contrário da figura anterior que demonstra uma
sensualidade mais lânguida, apesar de traços delicados traz em sua face um olhar pleno de
significados e uma leve arrogância, e revela uma alma que ordena, e obedece quando lhe
convém parecer que é obediente.





http://img77.imageshack.us/img77/5992/untitled15jr7.jpg






Figura 13 - Modelo de Manara

Esses dois exemplos representam uma pequena parte do Universo das Mulheres de
Manara, e que, segundo Gusman, é atualmente considerado o expoente máximo dos
quadrinhos eróticos no mundo inteiro.
A obra de Manara é pouco conhecida pelo público brasileiro, Gusman destaca que
apesar de diversos trabalhos seus serem publicados aqui, eles foram voltados ao público das

9
É interessante que apesar de ser conhecido pelo desenho de suas mulheres Milo Manara não criou nenhum
personagem feminino que se repetisse, a cada história ele criava uma heroína diferente, seu único personagem
fixo é um homem.

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livrarias. A partir do trabalho com este acervo nas gibitecas seria dada ao público a chance de
conhecer o expressionismo de Manara, além de ser apresentado a um artísta com um olhar
delicadamente diferenciado do corpo feminino, trazendo um produto erótico e sobretudo
artístico tanto que arranca elogios não só com relação a genitália, mas principalmente ele “é
especialista em desenhar ‘caras e bocas’ femininos, passando a nítida impressão de estarmos
vivendo a cena” (Gusman, 1991). Por exemplo, o conceituado Moebius
10
, disse que ninguém
desenha cabelos femininos como Manara. Esses são exemplos da delicadeza e da proposta do
autor , que não é apenas excitar (embora seja inevitável) o leitor, mas encanta-lo, transpondo-
o para um universo de sonhos através das expressões de suas personagens.


7.2 SANDMAN


Neil Gaiman elaborou sua nova versão do Sandman de Andersen, a partir das
personificações antropomórficas de aspectos do universo, e como estas interferem no mundo
das criaturas (sejam vivas ou mortas em qualquer plano dimensional de existência). Os
“Perpétuos” são sete – Morte, Sonho, Desejo, Desespero, Delírio, Destruição e Destino. Por
que utilizar o Sandman na dinamização de coleções em gibitecas? Os motivos são vários,
excelente argumento e imagens fascinantes são qualidades inegáveis desta obra. Mas para
fazer a defesa da presença desta obra chamarei dois dos “Perpétuos” que povoam a
conturbada existência humana - Desejo e Desespero.
Antes de discorrer sobre estes dois Perpétuos é importante lembrar que uma da coisas
que atraem os seres humanos é o fenômeno da identificação, capaz de mobilizar as massas
para os feitos mais belos e mais patéticos da nossa história. Foi assim com Hitler um austríaco
moreno de baixa estatura que mobilizou a Alemanha com o discurso da raça ariana, as massas
se identificaram tanto que esqueceram de avaliar as características do seu líder (que
contradiziam o próprio discurso).
Portanto um dos pontos da magia dos Perpétuos consiste na identificação dos seres
humanos com cada reino. Quem de nós não esbarra diariamente com os resultados do reino

10
Artista de destaque nos quadrinhos conhecido por obras como Os mundos fantásticos de Moebius
45



de Destruição, são guerras, desastres, hecatombes... e o que diremos então do Sonhar ,
província na qual adentramos diariamente rompendo grilhões e nos deixando levar pelas
imagens bizarras e/ou de puro deleite, e mesmo que pesadelos existam nós não tememos
entrar neste reino, ao contrário.
Voltemos aos gêmeos que abaixo se apresentam:



http://img160.imageshack.us/img160/1029/untitled16hx4.jpg
Figura 14 - Desejo





http://img170.imageshack.us/img170/8913/untitled17ge7.jpg


Figura 15 - Desespero

Por que Gaiman traz a imagem de Desejo e Desespero como gêmeas? Este tema sem
dúvida daria motivo para fascinantes reflexões e também uma exposição na qual as imagens
de ambos os reinos se encontrariam e penetrariam umas nas outras. Com uma música densa e
bem baixa, contadores de história fariam leituras dos episódios de Desejo e de Desespero em
Noites sem fim, seguidas de outras histórias curtas que poderiam ser ou não adaptadas dos
textos de Gaiman, com temáticas de desejo e desespero para que o usuário sinta o delicado fio
que separa os dois reinos. A partir deste ponto poderiam ser oferecidas palestras com
escritores e psicólogos e é claro a disponibilização dos quadrinhos de Gaiman e outros autores
que trabalhem este tema.
Os temas poderiam variar semanalmente, outra dica é a Morte – poderia ser feito um
ciclo chamado, por exemplo, as imagens da Morte, com a Morte de Gaiman e outras imagens
da “indesejada das gentes”, fundo musical suave e boas histórias. As imagens das histórias de
46



Sandman e de suas capas
11
, principalmente, também valem material para a realização de um
trabalho de histórias em quadrinhos como fonte de informação pela qualidade e beleza de seus
traços.

7.3 RÊ BORDOSA




http://img109.imageshack.us/img109/5117/untitled18qv4.jpg

Figura 16 - Rê Bordosa em seu habitat natural

Rê Bordosa , a junkie símbolo do escracho, caricatura de uma figura feminina que
começou a surgir nos anos 80 nos grandes centros urbanos, Angeli a situa em São Paulo , mas
quem não conheceu uma Rê Bordosa no Rio de janeiro, Paris ou Nova York.
Rê Bordosa é uma tira humorística que, assim como os palhaços, se olharmos bem
pode nos fazer refletir e até chorar. Da banheira para o bar, do bar para a banheira com
algumas passagens por banheiros públicos geralmente masculinos. É a figura da mulher que
ao buscar seu lugar ao sol na sociedade patriarcal se apropriou de ambientes e condutas típicas
do universo masculino. Para se libertar de antigos grilhões ela cria outros, se a Rê Bordosa
fosse um homem o poder de fazer as pessoas rirem que a tira tem talvez fosse menor.




http://img170.imageshack.us/img170/9832/untitled19ih9.jpg

Figura 17 – Re Bordosa, questionamentos da alma feminina

11
Em anexo capa de Sandman relativa a história Fachada, Drama de mutante que não consegue morrer e se
esconde atrás de mascaras, a mensagem do argumento pode ter diversas interpretações.

47



Ao se apropriar de valores e condutas masculinas ela se fere e sabe disso. Em uma das
tiras Rê Bordosa (Ver figura 18) está em um banheiro de uso público (em uma festa talvez),
se olha no espelho e vê os efeitos do tempo em seu rosto e corpo e entra em crise, ela sente o
peso da existência e desmorona, as pessoas na fila reclamam, e o riso parte do fato da
personagem se encontrar em um banheiro público. Mas existe lugar certo para se entrar em
crise? E por se tratar de uma figura que se faz de “uso público”, não seria este o local mais
apropriado? Afinal “o banheiro é o oratório de todo bêbado”.





http://img170.imageshack.us/img170/8570/untitled20mv7.jpg

Figura 18 – Mostra de crise existencial de Rê Bordosa

Em outra tira (Ver figura 19), Rê Bordosa vai à um balcão de achados e perdidos e diz
a recepcionista que perdeu sua auto-estima, sua moral e coisas do gênero, e a moça olha
calmamente em uma listagem e diz que não tem nada do tipo na lista. Esse é o reflexo da
sociedade cínica que trata os valores humanos com indiferença, e este é o mundo no qual Rê
Bordosa habita, e contra o qual lutou ao seu modo até o dia em que Angeli resolveu matá-la
(mas isso é outra história).





http://img148.imageshack.us/img148/8729/untitled21ha4.jpg

Figura 19 – Perda dos valores humanos e crítica às posturas da sociedade

48



Por que Rê Bordosa nas gibitecas? E o que fazer com ela? O humor é um ponto que
atrai as pessoas, e através de uma pequena encenação do universo de Rê Bordosa, com a
posterior apresentação da HQ on-line, “A morta-viva”, em um telão, seria fácil atrair o
público, e posteriormente além de disponibilizar as tiras, criar alguns ciclos de discussão
sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea, feminismo, sexualidade, alcoolismo,
drogas e outros temas interessantes e polêmicos trabalhados por Angeli em seus argumentos.
E quem sabe chamar o próprio Angeli para uma conversa com os leitores. (O problema é os
usuários tentarem matar o autor por ele ter assassinado a Rê Bordosa...)














http://img98.imageshack.us/img98/1227/untitled22xh6.jpg

Figura 20 - A morte de Rê Bordosa, publicada na revista Chiclete com Banana







49








8 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Demerval Saviani (1995) é um autor que traz elementos para a reflexão da prática
biblioteconômica nas gibitecas que são interessantes para constar nessas considerações finais
do presente trabalho. Biblioteca e Escola são instituições que trabalham o conhecimento e
que na pós-modernidade estão se transformando. Na Educação existem duas correntes de
pensamento a respeito deste assunto: I-A educação é um instrumento de equalização social,
portanto, de superação da marginalidade; II - A educação é um instrumento de discriminação
social, logo, um fator de marginalização.(p.18) E isto serve para refletirmos a respeito da
importância de utilizarmos todos os meios disponíveis a fim de possibilitar a construção de
conhecimento com autonomia por parte dos sujeitos sociais.
No estudo de campo verificou-se que nas bibliotecas populares, e pode-se arriscar que
na maioria das bibliotecas de acesso ao grande público, a segunda teoria prevalece. Saviani
ressalta que os professores (bibliotecários) devem se submeter a uma crítica sobre a prática
que desenvolvem, eles promovem a superação da marginalidade ou fazem da educação um
instrumento de marginalização? O autor diz que o educador “tem uma contribuição específica
a dar em vista da democratização da sociedade brasileira, do atendimento aos interesses das
camadas populares, da transformação estrutural da sociedade” (p.89). Mas para que isso
aconteça o educador/bibliotecário tem que vincular sua prática com a prática social global.
Deve-se refletir ao observar a realidade encontrada e escolher a posição que vai ser tomada,
de acordo com as reflexões de Freire (1997), se de transformador social ou de subopressor.
É válido para todos os cidadãos e para os profissionais que trabalham diretamente com
a prática social, e apresenta um ponto de reflexão ao profissional recém-formado, a questão
do lado que queremos nos posicionar nesta luta. Como o ponto de partida deste estudo são as
histórias em quadrinhos seria apropriada a comparação de se vamos querer ser os super-
50



heróis, sem super poder apenas bom senso e vontade de mudar, ou os terríveis vilões
opressores que insistem em manter o quadro da marginalidade do conhecimento.
Aos bibliotecários é mister lembrar que não basta disponibilizar a informação é
necessário transformá-la em matéria viva e pulsante, em conhecimento se quisermos mudar e
salvar, se não o mundo, mas a nossa pequena esfera de alcance, a nossa comunidade, o que é
muito. E fazer o diferencial entre os profissionais que são de fato cidadãos e heróis de uma
sociedade desacreditada e os que são os vilões propagadores da ignorância (conscientes ou
não).
























51










OBRAS CITADAS



ANGELI FILHO, Arnaldo. Sobras completas 3 :Rê Bordosa : Vida e obra da porraloca. São
Paulo: Devir/J acarandá, 2001.

________Diabo no corpo: A vida e obra de uma porraloca. Chiclete com Banana Especial.
São Paulo: Circo [1987]

________Banheira. Disponível em : hq.cosmo.com.br/textos/ hqcoisa/h0055_bienal.shtm


ANSELMO, Zilda Augusta. Histórias em Quadrinhos. Petrópolis, RJ : Vozes. 1975.

CALAZANS, Flávio. História em quadrinhos na escola. São Paulo : Paulus. 2004.

CIRNE, Moacy. A explosão criativa dos quadrinhos. Petrópolis, RJ : Vozes. 1974.

CUSTÓDIO, J osé de Arimathéia Cordeiro. Educação? Este é um trabalho para o Super-
Homem. Londrina : UEL. 1999.

DORAN, Colen. Fachada. Sandman. N.20 jun.1991. São Paulo: Globo. Capa.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São
Paulo: Paz e Terra, 1997.

_______. Pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e terra, 1985.


GAIMAN, Neil. O Castelo. Sandman. São Paulo: Globo. N.58 ago. 1996. p.2.


________. Manara, o mago das páginas. Sandman. n .26 dez. 1991. São Paulo: Globo. [Sem
paginação]

IANNONE, Leila Rentroia;________, Roberto Antonio. O mundo das histórias em
quadrinhos. São Paulo: Moderna, 1994.

52



J UNIOR, Gonçalo. Guerra dos gibis : a formação do mercado editorial brasileiro e a censura
aos quadrinhos, 1933-64. São Paulo : Companhia das Letras, 2004.

LEITE, J osé. Manara: Erotismo, sim. E com muito bom gosto. Porrada!Special. São Paulo:
Vidente.n.4 mai/jun. 1990.p.44-45.

MACKEN, Dave. Desespero. Disponível em : http://www.sonhar.net. Acesso 03 de maio de
2005.

MANARA, Milo. Disponível em: http://www.milomanara.it . Acesso 03 de maio de 2005.

_________. Desejo. Disponível em : http://www.universohq.com/ quadrinhos/2003
/imagens/sandman _endless_03manara2.jpg Acesso em 6 de julho de 2005.

MILANESI, Luiz. Ordenar para desordenar. São Paulo: Brasiliense, 1986.

PIMENTEL, Sidney Valadares. Feitiço contra o feiticeiro: histórias em quadrinhos e
manifestação ideológica. CEGRAF UFG: Goiânia. 1989.

ROSA, Carlos Mendes. Histórias em quadrinhos: o fascínio de crianças e adultos de todas as
gerações. Nova Escola, v.6, n.47. p.24-28, Abr. 1991.

SAVIANI, Demerval. Escola e democracia: teorias da educação. Campinas, SP: Autores
Associados, 1995..

VERGUEIRO, Waldomiro. As gibitecas : Um espaço privilegiado para a leitura e difusão de
histórias em quadrinhos no Brasil. Não está no gibi. Mar.2003. Disponível em :
<http//:www.ojaf.com.br> Acesso em: 25/09/2005.

_______. Histórias em quadrinhos, bibliotecas e bibliotecários : Uma relação de amor e ódio.
Não está no gibi. Fev. 2003. Disponível em : <http//:www.ojaf.com.br> Acesso em:
22/09/2005.

_______. O leitor de histórias em quadrinhos : Diversidades e idiossincrasias. Não está no
gibi. Mai. 2003. Disponível em : <http//:www.ojaf.com.br> Acesso em: 23/09/2005.

_______. Os super-heróis dos quadrinhos e os profissionais da informação : Uma relação a ser
explorada. Não está no gibi. Mar. 2004. Disponível em : <http//:www.ojaf.com.br> Acesso
em: 24/09/2005.


______. Histórias em quadrinhos e serviços de informação: um relacionamento em fase de
definição . DataGramaZero - Revista de Ciência da Informação – v.6, n .2. Abr/05
.Disponível em: http://www.dgz.org.br/abr05/Art_04.htm Acesso em :19/06/2005.

53








OBRAS CONSULTADAS

ABREU, Estela dos Santos; TEIXEIRA, J osé Carlos Abreu.Apresentação de trabalhos
monográficos de conclusão de curso. 7.ed.rev. Niterói, RJ : EDUFF, 2004. .87 p.

ALMEIDA, Fernando Afonso de. Linguagem e humor: comicidade em Lês Frustés, de
Claire Bretécher. Niterói, RJ : EDUFF. 1999.

DEMO, Pedro. Conhecimento moderno: sobre ética e intervenção do conhecimento.
Petrópolis, RJ : Vozes. 1997

ENCICLOPÈDIA ELETRÔNICA DE GIBIS. Disponível em:
<http://www.gibindex.com.br/>Acesso em: 25/04/2005.

GUSMAN, Sidney. Lugar de quadrinhos é no museu. WIZARD BRASIL. São Paulo: Globo,
n.6, jan. 1997. p.48-51.

ORTIZ, Renato. Cultura brasileira e identidade nacional. São Paulo: Brasiliense, 2003.

VERGUEIRO, Waldomiro. Arte Seqüencial : uma viagem visual originalmente publicado na
revista Showmix. Disponível em :<http://www.eca.usp.br/gibiusp/>. Acesso em : 10 de junho
de 2005.

________. O mercado produtor e consumidor de histórias em quadrinhos : Alguns subsídios
para o trabalho do profissional da informação.Parte I. Não está no gibi. Abr. 2003. Disponível
em : <http//:www.ojaf.com.br> Acesso em: 21/09/2005.

________. O mercado produtor e consumidor de histórias em quadrinhos : Alguns subsídios
para o trabalho do profissional da informação.Parte II. Não está no gibi. Mai. 2003.
Disponível em : <http//:www.ojaf.com.br> Acesso em: 22/09/2005




54























ANEXOS


























55



ANEXO A - CAPA DE SANDMAN- Fonte : Ver Obras citadas





























http://img291.imageshack.us/img291/6878/untitled23rx6.jpg


















56



ANEXO B – GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE SOBRE O
CARNAVAL DE RAMOS - Fonte : Biblioteca Popular de Olaria e Ramos


















http://img291.imageshack.us/img291/3867/untitled24ku3.jpg















57



ANEXO C– GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE SOBRE O JUBILEU
DE OURO-Fonte : Biblioteca Popular de Olaria e Ramos



















http://img146.imageshack.us/img146/6113/untitled25cv1.jpg










58



ANEXO D – GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE EM PARCERIA COM
A BIBLIOTECA SOBRE PIXINGUINHA - Fonte : Biblioteca Popular de Olaria e
Ramos













http://img87.imageshack.us/img87/9140/untitled26fc7.jpg














59



ANEXO E – GIBI CONFECCIONADO PELA COMUNIDADE EM PARCERIA COM
A BIBLIOTECA SOBRE O CLUBE ROTARY-Fonte: Biblioteca Popular de Olaria e
Ramos












http://img174.imageshack.us/img174/1031/untitled27us9.jpg






















60



ANEXO G BIBLIOTECAS POPULARES DO RJ – Fonte : http://www.bn.br

•BT POPULAR DE BANGU – CRUZ E SOUZA
RUA SILVA CARDOSO,349
BANGU – 21.830-030
TEL./FAX: 3332 0675
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
10H ÀS 16H – SÁBADO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, HORA DO CONTO,
OFICINAS.

•BT POPULAR DE BOTAFOGO – MACHADO DE ASSIS
RUA FARANI, 53
BOTAFOGO – 22.231-020
TEL: 2551 2449
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
10H ÁS 16H – SÁBADOS E DOMINGOS
PRINCIPAIS ATIVIDADES: ENCONTROS PARA 3ª IDADE, OFICINAS, PÓLO
J ORNAL EM BIBLIOTECA.

•BT POPULAR DE CPO. GRANDE – MANOEL INÁCIO DA SILVA ALVARENGA
PÇA THELMO GONÇALVES MAIA, S/Nº
CAMPO GRANDE – 23.070-160
TEL: 413 4856
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, HORA DO CONTO,
PÓLO J ORNAL EM BIBLIOTECA.

•BT POPULAR DE COPACABANA – CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
AV.N.S.COPACABANA, 817/10º
COPACABANA – 22.050-000
TEL./FAX: 2255 0081
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: HORA DO CONTO, INTERNET, PALESTRAS.

•BIBLIOTECA POPULAR DO DIQUE – J OSÉ LINS DO REGO
RUA TALES DE CARVALHO S/N
J ARDIM AMÉRICA – 21.240-330
Tel.: 2475 5547
HORÁRIO: 10H ÀS 16H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: GIBITECA, HORA DO CONTO.

•BIBLIIOTECA POPULAR DE DIVINÉIA – J OÃO CABRAL DE MELLO NETO
RUA PRESIDENTE J USCELINO KUBITSCHECK ,5
PACIÊNCIA – 23.585-170
TEL.: 2409 5141
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – DE 2ª A 6ª FEIRA
61



PRINCIPAIS ATIVIDADES: HORA DO CONTO.
•BT POPULAR DO ENGENHO NOVO – AGRIPINO GRIECO
RUA 24 DE MAIO, 1305
ENGENHO NOVO – 20.725-000
TEL: 2281 6447
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA

PRINCIPAIS ATIVIDADES: BIBLIOCINE, GIBITECA, HORA DO CONTO.
•BT POPULAR DA GAMBOA – J OSÉ BONIFÁCIO
RUA PEDRO ERNESTO, 80
GAMBOA – 20.220-350
TEL: 2263 7832
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, INTERNET, HORA DO CONTO.

•BT POPULAR DA GLÓRIA – PEDRO NAVA
RUA DA GLÓRIA, 2214/2º
GLÓRIA – 20.240-180
TEL: 2242 6790
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: EXPOSIÇÕES, GIBITECA, VÍDEO.

•BT. POPULAR DO GRAJ AÚ – CLARICE LISPECTOR
RUA J OSÉ VICENTE, 55
GRAJ AÚ – 20.540-330
TEL: 2577 1413
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BIBLIOCINE, BRINQUEDOTECA, HORA DO CONTO.

•BT POPULAR DA ILHA DO GOVERNADOR – EUCLIDES DA CUNHA
PRAÇA DONAIDES, S/Nº
COCOTÁ – 21.921-530
TEL: 3396 6025
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
10H ÁS 17H – SÁBADO E DOMINGO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: HORA DO CONTO, INTERNET, OFICINAS, PÓLO DE
J ORNAL EM BIBLIOTECAS.

•BT. POPULAR DO IRAJ Á – J OÃO DO RIO
AV. MONSENHOR FÉLIX, 512
IRAJ Á – 21.235-111
TEL: 3351 4389
HORÁRIO 9H ÀS 17H – 2ª À 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: GAMES, GIBITECA, INTERNET, OFICINAS PARA 3ª
IDADE, , PÓLO DE J ORNAL EM BIBLIOTECAS.

•BT POPULAR DE J ACAREPAGUÁ – CECÍLIA MEIRELES
62



RUA DR. BERNARDINO, 218
PRAÇA SECA – 21.320-020
TEL: 3359 6915
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
10H À 16H – SÁBADO E DOMINGO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, CONCURSO DE POESIAS,
ENCONTRO DE POETAS, OFICINAS.

•BIBLIOTECA POPULAR INFANTIL DO J ARDIM SULACAP
PRAÇA MÁRIO SARAIVA, S/Nº
J ARDIM SULACAP – 21.741-100
TEL: 38030 9613
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, KIT AUDIOVISUAL.

•BT POPULAR DO LEBLON – VINICIUS DE MORAES
RUA BARTOLOMEU MITRE, 1297
LEBLON – 22.431-000
TEL:2294 1598
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: PÓLO DE J ORNAL EM BIBLIOTECAS.

•BT POPULAR DO MÉIER – LIMA BARRETO
RUA CASTRO ALVES, 155
MÉIER – 20.765-040
TEL: 2281 5769
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, ENCONTRO DE
ESCRITORES, HORA DO CONTO.

•BIBLIOTECA POPULAR DO MONERÓ
PRAIA DA ROSA, 1.350
MONERÓ, ILHA DO GOVERNADOR – 21.920-140
TEL./: 2465 4513
HORÁRIO: 9H ÀS 17H - 3ª A SÁBADO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, EXPOSIÇÕES, VÍDEOS.

•BT POPULAR DE OLARIA E RAMOS – J OÃO RIBEIRO
RUA URANOS, 1230
RAMOS - 21.060-070
TEL: 2590 2641
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: GIBITECA, OFICINAS, VÍDEOS.

•BT POPULAR DE PAQUETÁ – J OAQUIM MANUEL DE MACEDO
RUA PRÍNCIPE REGENTE, 55 - SOLAR DEL REY
PAQUETÁ – 20.397-0388
63



TEL: 3397 0388
HORÁRIO: 8:30 ÀS 16:30 – 3ª FEIRA À SÁBADO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, CURSOS, ENCONTRO COM A 3ª
IDADE, GAMES, OFICINAS.

•BT POPULAR DA PENHA – ÁLVARO MOREIRA
RUA LEOPOLDINA REGO, 734
PENHA – 21.021-522
TEL: 2590 2892
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ªFEIRA
10H ÀS 16H – SÁBADO E DOMINGO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, CORDELTECA,
OFICINAS, PÓLO DE J ORNAL EM BIBLIOTECA.

•BT POPULAR DO RIO COMPRIDO – ALUÍSIO DE AZEVEDO
TRAVESSSA NESTOR VICTOR, 64
TIJ UCA – 20.280-180
TEL: 2569 7178
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: GIBITECA, INTERNET.

•BIBLIOTECA POPULAR INFANTIL DA ROCINHA
ESTRADA DA GÁVEA, 242
ROCINHA 22.451-261
TEL.: 3322-1019
HORÁRIO: 9H ÀS 17H, 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, HORA DO CONTO.

•BT POPULAR DE STA. CRUZ – J OAQUIM NABUCO
RUA DAS PALMEIRAS IMPERIAIS, S/Nº
SANTA CRUZ – 23.550-020
TEL: 3395 1085
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
PRINCIPAIS ATIVIDADES: EXPOSIÇÕES, HORA DO CONTO, INTERNET.

•BT. POPULAR DE STA. TERESA – J OSÉ DE ALENCAR
RUA MONTE ALEGRE, 306
Santa Teresa – 20.240-190
TEL: 2224 2358
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª FEIRA
10H ÀS 16H – SÁBADO E DOMINGO
PRINCIPAIS ATIVIDADES: BRINQUEDOTECA, GIBITECA, HORA DO CONTO,
INTERNET, OFICINAS, PALESTRAS.

•BT POPULAR DA TIJ UCA – MARQUES RABELO
RUA GUAPENI, 61
TIJ UCA – 20.250-240
64



TEL: 2569 1695
HORÁRIO: 9H ÀS 17H – 2ª A 6ª EIRA
10H ÀS 16H – SÁBADO E DOMINGO
PRINCIPAIS ATIVIDADES:, CURSOS, ENCONTRO COM A 3ª IDADE, PÓLO DE
J ORNAL EM BIBLIOTECA.


SERVIÇO DE BIBLIOTECAS VOLANTES
* Criado em 12 de abril de 1965, atualmente funciona com nove kombis
adaptadas e percorrem comunidades carentes.
- Biblioteca Adalgisa Nery
- Biblioteca Caio Fernando Abreu
- Biblioteca Dante Milano
- Biblioteca Darcy Ribeiro
- Biblioteca Guimarães Rosa
- Biblioteca J oão Antonio
- Biblioteca Mario de Andrade
- Biblioteca Plínio Doyle
- Biblioteca Rubem Braga
• Sede: Av. Monsenhor Félix, 512 Tel.: 2481 3619


SERVIÇOS:


INTERNET - quem não tem computador com acesso à Internet, em sua casa,
pode navegar pela rede em bibliotecas populares, gratuitamente.

GIBITECA - orienta leitores no acesso às publicações em quadrinhos. Oferece
jogos de RPG.

BRINQUEDOTECA – atividades recreativas com ampla utilização de brinquedos
e jogos educativos.

HORA DO CONTO – narrativa de histórias para crianças, jovens e público da 3ª
idade.

CORDELTECA – espaço destinado à pesquisa de cultura popular. Acervo
especializado em literatura de cordel.

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