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# #'ffi ffi-effi ffiffi

o eue É rísrcAp

,r ,.:.: ., Um dos tópicos principais da termodinâmica é a física dos gases. Um gás

é formado por átomos (isolados ou unidos em moléculas) que ocupam totalmente o

volume do recipiente em que se encontram e exercem pressão sobre as paredes. Em

geral, podemos atribuir uma temperatura a um gás confinado. Essas três proprie-

dades dos gases (volume, pressão e temperatura) estão relacionadas ao movimenro

dos átomos. O volume é uma consequência da liberdade que os átomos têm para se

espalhar por todo o recipiente, a pressão é causada por colisões dos átomos com as paredes do recipiente e a temperatura está associada à energia cinética dos átomos.

A teoria cinética dos gases, o foco deste capítulo, relaciona o volume, pressào e

temperatura de um gás ao movimento dos átomos.

A teoria cinética dos gases tem muitas aplicações práticas. os engenheiros au-

tomobilísticos estudam a queima do combustível vaporizado (um gás) no motor dos caffos. os engenheiros de alimentos medem a produção do gás de fermentação que

faz opão crescer quando está sendo assado. Os engenheiros da indústria de bebidas

procuram entender de que forma o gás produz um "colarinho" em um copo de chope e arranca a rolha de uma garrafa de champanha. Os engenheiros biomédicos tentam

calcular o tempo mínimo que um mergulhador deve levar para subir à superfície

para não correr o risco de que bolhas de nitrogênio se formem no sangue. os meteo-

rologistas investigam os efeitos das trocas de calor entre os oceanos e a atmosfera

sobre as condições do tempo.

O primeiro passo em nossa discussão da teoria cinética dos gases tem a ver com

a medição da quantidade de gás presente em uma amostra, que envolve o número de Avogadro.

I *-f. O Número de Avogadro

Quando estamos lidando com átomos e moléculas, faz sentido medir o tamanho das

amostras em mols. Fazendo isso, temos certezade que estamos comparando amosffas

que contêm o mesmo número de átomos e moléculas. O moL uma das sete unidades fundamentais do SI, é definido da seguinte forma:

ffit

ffiUm mol é o número de átomos em uma amostÍa de 12 g de carbono I2.

A pergunta óbvia é a seguinte: "Quantos átomos ou moléculas existem em um

mol?" A resposta foi obtida experimentalmente. Como vimos no Capítulo 18, esse

número é

Na :

6,02 x 1023 mol I

(1e-1)

onde mol i representa o inverso do mol ou "por mol" e mol é o símbolo da unidade

mo1. o número No é chamado de número de Avogadro em homenagem ao cientista

(número de Avogadro),

cAPíru lo

ffire

ffi ffi-ffi

ffiffiW

re

rc

*re

I

-

ffi

-

:

re

#

:

%

ffi

==

ffi ffi ffi

i${$§fi$}fffiffi

4W@UI@H

W

:##

w

_

ffi

ffi

ffi

ffi ffi ffi

re

W

ffi

re

ffi ffi

ffi

re

+4+E

217

214

CAPíTULO 19

italiano Amedeo Avogadro (1776_1856;), um dos primeiros a concluir que todos o>

gases que ocupam o mesmo volume nas mesmas condições de temperatura e pressào contêm o mesmo número de átomos ou moléculas.

n contidos em uma amostra de qualquer substância é igual de moléculas Nda amostra e o número de moléculas Àl' ern

O número de mols àrazáoentre o número l mol:

'"

n:-

^/

1/^

(19-l t

(Atenção: como os três símbolos da Eq. 19-2 podem ser facilmente confundidos'

certifique-se de que compreendeu bem o que significam, para evitar problemas fu-

turos.) Podemos

da amostra e

calcular o número de mols n em uma amostra apartir da massa -trI.-

da massa molar M (a massa de um mol) ou da massa molecular rl ta

massa de uma molécula):

,, _

":

M^n -

t"t

:

M^

*N"

(.1 9-.lr

Na Eq. 19-3, usamos o fato de que a massa M de I mol é o produto da massa nr de

uma molécula pelo número de moléculas No em 1 mo1:

M:

mlVe.

"1*-§ Gases ldeais

( 19--i

Nosso objetivo neste capítulo é explicar as propriedades macroscópicas de um giís

(como, por exemplo, pressão e temperatura) em termos das moléculas que o cons- tituem. Sutg", porém, um problema: de que gás estamos falando? Seria hidro-eênia"

oxigênio, metano, ou, talvez, hexafluoreto de urânio? São todos diferentes. As mc- didas mostram, porém, que se colocamos 1 mol de vários gases em recipientes rle mesmo volume e os mantemos à mesma temperatura, as pressões são quase iguair' Se repetimos as medidas com concentlações dos gases cada Vez menores, aS pequü- nas diferenças de pressão tendem a desaparecer. Medidas muito precisas mostram

que, em baixas concentrações, todos os gases reais obedecem à relação

pV :

nRT

(lei dos gases ideais),

(19-5 t

em quep é a pressão absoluta (e não a manométrica), n é o número de mols do gás

e T é atemperatura em kelvins. O fator R é chamado de constante dos gases ideais

e possui o mesmo valor para todos os gases:

R : 8.31 J/mol'K.

(19-t

A Eq.

seja

19-5 é a chamada lei dos gases ideais. Contanto que a concentração do gãs

Laixa, a lei se aplica a qualquer gás ou mistura de gases. (No caso de uma mir-

türa, n é o número total de mols na mistura.)

Podemos escrever a Eq. 19-5 de outra forma, em termos de uma constante ':

chamada constante de Boltzmann, definida como

,.-

^-

R

No

8.31 J/mol'K

6,02 x 1023 mol 1

: 1,38 x 10-23J/K.

(te-1)

De acordo com a Eq. lg-1, R:

temos:

kNe Assim, de acordo com a Eq. I9-2 (n: N/l/A),

nR: Nk.

(1e-8)

Substituindo essa relação na Eq. 19-5, obtemos uma segunda expressão para a lei dos gases ideais:

pV :

N kT

(lei dos gascs ideais.).

(1e-e)

(Atenção: note a diferença entre as duas expressões da lei dos gases ideais.

19-5 envolve o número de mols, n, enquanto aüq. r9-9 envolvÉ o número de mo-

A Eq.

Iéculas. N.)

o leitor pode estar se perguntando: o que é, afinal, um

gás idear equal é sua

e l9-g) que governa

as propriedades macroscópicas de um gás ideal. usando essa lei, como veremos em

seguida, podemos deduzir muitas das propriedades de um gás real. Embora não exista nanafi)reza um gás com as propriedades exatas de um gás ideal, todos os gases reais

se aproximam do estado ideal em concentrações suficientemente baixas, ou

condições nas quais as moléculas estão tão distantes umas das outras que pratica-

mente não interagem. Assim, o conceito de gás ideal nos úteis a respeito do comportamento limite dos gases reais.

uma equipe de faxina estava usando vapor d'água para limpar o interior do va- gão-tanque da Fig. 19-1. Como ainda não haviam terminado o trabalho no final do

expediente, fecharam as válvulas do vagão e foram embora. euando voltaram na

manhã seguinte, descobriram que as grossas paredes de aço do vagão tinham sido

esmagadas, como se uma criatura gigantesca de um filme de ficção científica classe B tivesse pisado no vagão durante a noite.

importância? A resposra esrá na simplicidade da lei (Eqs. l9-\

seja, em

permite obter informações

AEq. 19-9 fornece uma explicação para o que aconteceu com o vagão.

euando

o vagão estava sendo lavado, o interior estava cheio de vapor quente, que é um gás

de moléculas de água. A equipe de

fechou as válvulas do vagão no f,nal do

terior do tanque era igual à pressão atmosférica

expediente. Nãssa ocasião, a pressão no in_

faxina deixou o vaporàentio do tanque quando

porque as válvulas tinham perma-

esfriou durante a noite, o vapor

esfriou e a maior parte se transformou em água, o que

N de moléculas de gás quanto a temperatura T do gás diminuíram. Assim, o lado

necido abertas durante a limpeza. euando o vagão

signif,ca que tanto o número

direito da Eq. 19-9 diminuiu e, como o volume v se manteve constante, a do lado esquerdo também diminuiu. Em algum momento durante a noite, ã

do gás no interior do vagão flcou tão baixa que a pressão atmosférica foi suficiente para esmagar as paredes de aço do vagão. A equipe de faxina poderia ter evitado o

ar entrasse no vagão e mantivesse

acidente deixando as válvulas abertas paÍa que o

a pressão intema igual à pressão atmosférica.

pressão p

pressaà

aM

Trabalho Realizado por um Gás ldeal à Temperatura constante

Suponha que um gás ideal seja introduzido em um cilindro com um êmbolo, como o

do capítulo 18. Suponha também que permitimos que o gás se

expanda de um volume

inicial v,para um volume finalvrmantendo constante a temperatura zdo gás. um

IãilI-

A TEORIA CINÉTICA DOS GASES

219

Figura I9-1 Um vagão-tanque

esmagado da noite para o dia. (Cofiesia

de www. H ouston. Rail F an. ne t )

A exBansão acontece ao trongo de uma isoterma (a temperatura do gás é constante).

p

processo desse tipo, à temperatura constante, é chamado de expansão isotérmica

(e o processo inverso é chamado de compressão isotérmica).

Em um diagrama p-v, .,ma isoíerma é .omacuÍva que riga pontos de mesma tem-

em função do volume para um gás cuja tempe-

peratura. Assim, é o gráfico da pressão

raira T é mantida constante. para n mols de um gás ideal, é o gráf,Ã da equaçãà

n : nnr l:

(constante)

7

V

(1e-10)

A Fig. 19-2 mostra três isotermas, cada uma coffespondendo a um valor diferente (constante) de 7. (observe que os valores de z das isotermas aumentam para cima

e para a direita.) A expansão isotérmica do gás do estado i paru o estado/à tempe-

ratura constante de 310 K está indicada na isoterma do meio.

Para determinar o trabalho realizado

isotérmica, começamos com a Eq. 1g-25,

W:

r:

por um gás ideal durante uma expansão

p dv.

(1e-1 r )

Figura 19-2 Três isotermas em um diagr ama p -V. A trajetória mostrada na isoterma central representa utl1a

expansão isotérmica de um gás de um

estado inicial I para um estado finall A

trajetória delparai na mesma isotenna

representa o processo inverso. ou seja.

uma compressão isotérmica.

220

CAPíTULO 19

A Eq. 19-11 é uma expressão geral para o trabalho rcaTizado durante qualquer 1.a- riação de volume de um gás. No caso de um gás ideal, podemos usar a Eq. 19-J

(pV : nRT) para eliminarp, obtendo *:['#* ( 19-1:

Como estamos supondo que Se trata de uma expansão isotérmica, a temperafura f

é constante, de modo que podemos colocá-la do lado de fora do sinal de intesracão

e escrever

W:

"*, [:,

dV

V

,nrlnl'r

(19-1-r i

Calculando o valor da expressão entre colchetes nos limites indicados e usando a

identidade

ln a -ln b :

ln(a/b), obtemos

W -

nRT h

(gis ideal' processo isotermico)

+

(79-14)

Lembre-se de que o símbolo ln indica que se trata de um logaritmo natural, de

base e.

No caso de uma expansão, V, é maior do que I{, de modo q]uie a tazáo Vf V, na Eq. 19-14 é maior que 1. O logaritmo natural de um número maior do que 1 é posi- tivo e, portanto, como era de se esperaÍ, o trabalho W realizado por um gás ideal du- rante uma expansão isotérmica ó positivo. No caso de uma compressão, V, é menor que 14, de modo qne arazáo entre os volumes na Eq. 19-14 é menor que 1. Assim,

como era de se esperar, o logaritmo natural nesta equação (e, portanto, o trabalho

W) é negativo.

Yrmhs§fum ffiea§§xmd* m W*§a*rx'ce ffirys:s*mrxÊ* * & Fr*ss&m ffimx"astmrxÉ*

A Eq. 19-14 não permite calcular o trabalho w realizado por um gás ideal em qual- quer ptocesso termodinâmico; pode ser usada quando a temperatura é mantida constante. Se a temperatura varia, a variável 7da Eq. l9-l2náo pode ser colocada do lado de fora do sinal de integração, como na Eq. Í9-13, de modo que não é pos-

sível obter aBq.l9-I4.

É

"# TESTE I

Um gás ideal tem uma pressão inicial de 3 unidades de pressão e um volume inicial de 4 unidades de volume. A tabela mostfa a pressão f,na1 e o volume final do gás (nas mes-

mas unidades)em cinco processos. Que processos começam e terminam na mesma iso- terma?

a

h

c

de

p

12

65

4

1

V

1

27

3

12

Entretanto, podemos sempre voltar à Eq. 19-11 pzra determinar o trabalho ll-

realizado por um gás ideal (ou qualquer outro gás) durante qualquer processo' comü

os processos a volume constante e à pressão constante. Se o volume do gás é cons-

tante, aEq. 19-11nos

W :

0

(processoavolumeconstante).

(19-15

Se, em vez disso, o volume varia enquanto a pressão p do gás é mantida constanlÊ. a Eq. 19-11 se torna

W: p(Vf -

V):

p LV

(processoàpressãoconstante). (19-lÉ

ffi3ffi§Hêry

A TEORIA CINÉTICA DOS GASES 221

Variações de temperatura, volume e pressão de um gás ideal

Um cilindro contém l2L de oxigênio a20"C e 15 atm. A

temperatura é aumentada para 35'C e o volume é reduzido para 8,5 L. Qual é a pressão final do gás em atmosferas? Suponha que o gás seja ideal.

Como o gás é ideal, a pressão, volume, temperatura e nú- mero de mols estão relacionados pela lei dos gases ideais, tanto no estado inicial I como no estado final"f.

Observe que não há necessidade de convertet os volumes

inicial e final de litros para metros cúbicos, que os fa- tores de conversão são multiplicativos e se cancelam na

Eq. l9-I7 . O mesmo se aplica aos fatores de conversào

da pressão de atmosferas para pascals. Por outro lado, a conversão de graus Celsius para kelvins envolve a soma de constantes que não se cancelam. Assim, para aplicar

cortetamente a Eq. 19-11 , as temperaturas devem estar

expressas em kelvins:

Cálculos De acordo com a Eq. 19-5, temos:

p1V,: nRT,

e

prV: nRTt.

Dividindo a segunda equação pela primeira e explicitan-

do p, obtemos

e

Ti: Q73 + 20) K :

293 K

Tf:(273+35)K:308K.

Substituindo os valores conhecidos na Eq. 19-17, obte-

mos

pr:

p,TrY

tut

(19-17) pr:

(15 atm)(308 KX12 L)

(2e3 KXS.5 L)

: 22 atm.

(Resposta)

Trabalho realizado por um gás ideal

Um mol de oxigênio (trate-o como um gás ideal) se expan- de a uma temperatura constante 7 de 3 10 K de um volume

inicial V,de l2Lpara um volume final V, de 19 L. Qual é

o trabalho realizado pelo gás durante a expansão?

3,0

Em geral, calculamos o trabalho integrando a pressão do

gás em relação ao volume usando a Eq. 19- 1 1 . Neste caso,

porém, como o gás é ideal e a expansão é isotérmica, essa integração leva à Eq. 19-14.

t

o

2,O

a À 1.0

0102030

Volume (L)

T= 310 K

Figura 1 9-3 A área sombreada representa o trabalho

realizado por 1 mol de oxigênio ao se expandir de V, para V, a

uma temperatura constante de 310 K.

CátcutoPodemos escrever:

W :

:

V

nRTln J

(l

 

V

moll(tt

r

I .l/mol . K)(310 K) ln

: 1180 .I

19L

,

.

a

(Resposta)

A expansão está indicada no diagrama p-V da Fig. 19-3. O trabalho realizado pelo gás durante a expansão é repre-

sentado pelaárea sob a curva y'. É ncl mostrar que se a expansão for revertida, com

o gás sofrendo uma compressão isotérmica de 19 L para 1.2L, o trabalho realizado pelo gás será - 1180 J. Assim, uma força externa teria que realtzar um trabalho de 1180

J sobre o gás para comprimi-lo.

222

CAPíTULO 19

1*-4 Pressão, Temperatura e Velocidade Média

z/t

L

Perpendicular

à parcde

sombreacla

Figura I9-4 Uma caixa cúbica de

atesÍa L contendo n mols de um gás

ideal. Uma molécula de massa m e

velocidade , está Prestes a colidir

com a parede sombreada de área 17. É mostrada também uma reta

perpendicdar a essa Parede.

Quadrática

ao nosso primeiro problema de teoria cinética dos gases' Con'i-

gás ideal em uma caixa cúbica de volume y, como na Fig. 19-+' -r'_-

paredes da caixa são mantidas a uma temperatura 7. Qual é a relação entre a pressão

p exercida pelo gás As moléculas

e com várias velocidades,

de gás no úterior da caixa estão se movendo em todas as direçcr:

colidindo umas com as outras e ricocheteando nas paredes

quadra de squash. vamos ignorar (por enquanto) as colisões das mt'

Vamos passar agora

dere n Áols de um

sobre as paredes da caixa e a velocidade das molécu1as?

como bolas em uma

léculas umas com as outras e considerar apenas as colisões elásticas com as paredes'

A Fig. 19-4 mostra uma molécula de gás Íípica, de massa m e velocidade r - que

a colidir com a parede sombreada. Como estamos supondo que as co-

está presles

lisões das

parede, a única componente Ja velocidade que muda é a componente r' que troca de

sinal. Isso significa que a única componente do momento que muda é a componente

x, que sofre uma variação

moléculas com as paredes são elásticas, quando a molécula colide com a

Lp*: (-*r,)

- (*r.) - -Zmv,.

Assim, o momento ap, transferido para a parede pela molécula durante a colisão

é Zmv,. (como neste livro o símbolo p é usado para representar tanto o momento como a pressão, precisamos tomar cuidado e observar que, neste caso, p replesenta

o momento e é uma gratdeza

se choca várias vezes com a parede sombreada' o in-

tervalo de tempo Àr entre colisões é o tempo que a molécula leva para se deslocar

até a parede oposta

e voltar (percorrendo uma distância2L), movendo-se com uma

Assim, Àr é igual a2L/v,. (Note que este resultado é válido mesmo

a molécula colida com outras paredes no caminho, que essas paredes são pa-

vetorial.)

A molécula da Fig. 19-4

velocidade u,.

que

ralelas a x e, portanto, não podem mudar o valor de r',') Assim' a taxa média com a qual o momento é transmitido para a parede sombreada é dada por

Lp, :

Àr

2mv, :

2Llv,

*r7'

L

.

De acordo com a segunda

é transferido para a

lei de Newton (F = ctB I dtl. ataxa com a qual o momento

parede é a força que age sobre a parede. Para determinar a for-

total, devemos somar as contribuições de todas as moléculas que colidem com

de que tenham velocidades diferentes'

área da parede (:

L')' temos a pressão 2

ça

á pur"d", levando em conta a possibilidade

Dividindo o módulo da força total F. pela

é submetida a parede, onde agora e no resto da discussãop representa pressão.

a que

Assim, usando a expressão de Lp/L,t,podemos escrever a pressão na forma

n:

t

F_

I_t

-:

mv1

lL + mv?rlL +

L2

* mvlNll.

(+),u{, +u{-."'',i').

(1e- t8)

onde N é o número de moléculas que existem na caixa'

Como .l/ :

nN

s,

o segundo fator entre parênteses da Eq. 19- 1 8 possui nNo par-

celas. Podemos substituiia soma por nNo(v?).r0, onde (v,2).é(l é o valor médio do

quadrado da componente x da velocidade de todas as moléculas. Nesse caso, a Eq' 19-18 se toma

nmNn

P -_ -f,

(vi),n",t' .

EntÍetanto, mNoé amassa molar M do gás (ou seja, a massa de 1 mol do gás). como,

além disso, L3 é o volume do gás, temos:

t:

nM(vf,)^60

,

(1e-1e)

{-ultr:-r

A TEORIA CINÉTICA DOS GASES

223

Para qualquer molécula, v2 = v1 + v2, + vl . como há muitas moléculas se mo-

vendo em direções aleatórias, o valor médio do quadrado das componentes da velo-

cidade não

depende da direção considerada e, portanto, v1 = vtr = v? ={ v2. Assim,

a Eq.19-19 se toma

,3V

nM(v2)*66

(1e-20)

Aruiz quadrada de (v2)-ra é uma espécie de velocidade média, conhecida como

velocidade média quadrática das moléculas e representada pelo símbolo v*

*

Para calcular a velocidade média quadrática, elevamos a velociàade das moléculas

ao quadrado, obtemos a média de do resultado. Fazendo ú,); :

todas as velocidades e extraímo s araizquadrada

v

,,podemos

escrever aEq. 19-20na forma

P:

nMvl-"

3v

(le-2r)

AEq. 19-2r representa bem o espírito da teoria cinéticados gases, mostrando

pressão de um gás (umâ gtandezamacroscópica)

culas que o compõem (uma grandeza microscópica).

que a

depende da velocidade das molé-

Podemos inverter aBq. r9-2r e usá-la para

carcular v*,. combinando a Eq.

19-27 com a lei dos gases ideais (pV : nRT),temos:

v*, :

3RT

M

$eaz)

A Tabela 19-1 mostra algumas velocidades médias

aEq' 19-22. As velocidades são sutpreendentemente elevadas. Para

hidrogênio à temperatura ambiente (300 K), a velocidade média quadrátrca

m./s ou 6900

temperatura é2 x

quadráticas calculadas usando

moléculas de

é lg2o

km/h, maior que a de uma bala de fuzill Na ,up".fí"i" do sol, onde a

106 K, a velocidade média quadrática das moléculas de hidrogônio

que à temperatura ambiente, se não fosse pelo fato de qu"

"*

espécie de

seria 82 vezes maior

velocidades tão altas as

Lembre-se também de que a velocidade média quadráticaé apenas uma

velocidade média; muitas moléculas se movem muito mais depressa e outras muito

mais devagar que esse valor.

moléculas não sobrevivem a colisões com ouúas moléculas.

A velocidade do som em um gás está intimamente

ligada

à velocidade média

qtadrática das moléculas. Em uma onda sonora, a perturbação é passada de molé-

cula para molécula através de colisões. A onda nãó pode ,á rnou", mais

depressa

que a velocidade "média" das moléculas. Na verdade, a velocidade do som deve

ser um pouco menor que a velocidade "média" das moléculas porque nem todas as

moléculas estão se movendo mesma direção que a onda. assim, por exemplo, à

média quadráticadas moléculas de hidrogênio e

A velocidade do som nos dois

gases a essa tempeÍatura é 1350 m/s e 350 m/s, respectivamente.

de nitrogênio é 1920 mls e 517 m./s, respectivamente.

temperatura ambiente, a velocidade

o leitor pode estar se perguntando: se as

molécuras se movem tão depressa,

alguém

abre um vidro de

por que levo quase um minuto para sentir o cheiro quando

Seção 19_6,

apesaÍ de terem uma velocidade elevada, as moléculas de perfume se afastam len-

tamente do vidro por causa

das colisões com ouÍas molécuras, que as impedem de

perfume do outro lado da sala? A resposta é que, como discutiremos na

seguir uma trajetóia retilínea.

x Do inglês root mean square, qtte significa valor médio quadrático. (N.T.)

Algumas Velocidades Médias

Quadráticas à Temperatura Ambiente

(f:3OO

K),

Gás

Hidrogênio (Hr)

Hélio (He)

Vapor d'água

(HrO)

Nitrogênio (Nr)

Oxigênio (Or)

Dióxido de

carbono (COr)

Dióxido de

enxofre (SOr)

Massa

molar

(10 '

v*,

kg/mol)

(m/s)

2,02

1920

4,0

1370

18,0

645

28,0

517

7)O

483

44,0

À1-

atL

64,1

342

'Por conveniência, a temperatura ambiente mui

tas vezes é tomada como 300 K (27"C), que é

uma temperatura relativamente elevada.

CAPíTULO 19

Valor médio e valor médio quadrático

São dados cinco números: 5, 11, 32,61 e89'

(a) Qual é o valor médio n*uu desses números?

Cátcuto O valor médio quadrático é dado por

Cátcuto O valor médio é dado Por

fiméd

5+11+32+67+89 : 40,8.

(Resposta)

(b) Qual é o valor médio quadrático rz*. desses números?

= 52J

(Resposta)

O valor médio quadrático é maior que o valor médio por-

que os números maiores, ao serem elevados ao quadrado'

pesam mais no resultado final'

t*-5 Energia Cinética de Translação

Vamos considerar novamente uma molécula de um gás ideal que se move no in-

vamos supor que a velocidade da molécula

terior da caixa da Fig. 19-4, mas agora

varia quando ela colide com outras

moléculas. Aenergia cinética de translação da

dado instant e é \mv2.A energia cinética de translação média em

molécula em um

um certo intervalo de observação é

K,*a : (|mv}1,,uo : ),m(r'),"ua : L*'?^,,

(1e-23)