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O caso da grife Brigatti

Suzana nunca imaginaria que, em apenas seis meses, sua vida


mudaria tanto. E por quê? Ela era admirada por todos. Bem-sucedida
no trabalho, casada, uma família feliz. Tudo parecia desmoronar de
repente.

Suzana era a executiva principal de uma das grifes mais famosas de


São Paulo. Sua irmã era estilista, e ela cuidava da parte comercial e
financeira.

Tiveram um sucesso instantâneo desde que começaram. Sua clientela


era fiel e de altíssimo poder aquisitivo, o que garantia altas margens
de lucro.

E a administração de Suzana, se não fosse brilhante, pelo menos era


conservadora. Sabia cortar custos como ninguém. A empresa era
enxuta

Aquela fórmula funcionava bem.

Um dia Suzana ficou sabendo que a fábrica de sapatos Brigatti, do


interior de São Paulo, estava à beira da falência, por má
administração e brigas familiares. A produção daquela fábrica era
pequena, mas tinha, na opinião de Suzana e de muitas pessoas do
ramo, os sapatos de melhor qualidade que se podia encontrar no
país.

Eles têm exatamente o mesmo perfil da nossa grife, só que em


sapatos, pensava. Aí surgiu a idéia: por que não comprar a empresa?
Ela era boa administradora, precisaria se esforçar um pouco para
sanear a fábrica.

Com sua energia, tudo voltaria ao normal. Os sapatos já tinham canal


de distribuição através das lojas da própria grife. E para elas seria
ótimo, porque enriqueceria muito a marca ter uma linha de sapatos.
Elas já vendiam sapatos, mas de outras marcas. O negócio era
perfeito. Era preciso correr. Suzana- rapidamente e sem falar com
ninguém- entrou em contato com a família Brigatti e acertou a
compra por um preço que chegava a lhe dar graça de tão baixo. Que
bom negócio! Pensava.

Em seguida vieram os problemas.


A fábrica precisava de máquinas novas. O fornecimento de várias
matérias-primas tinha sido cortado por falta de pagamento. Era
preciso convencer cada um dos fornecedores de que havia uma nova
administração. Alguns funcionários exigiam aumento imediato para
permanecerem. E o problema é que, em um produto de alta
qualidade, cada pequeno item da produção, cada pessoa, faz falta.
Não se podia prescindir de nada na estrutura.

Suzana precisava de financiamento, mas os bancos, sempre dispostos


a fazer negócios com ela, se mostravam relutantes quando o assunto
era a fábrica Brigatti.

Em pouco tempo ela percebeu que não podia administrar os dois


locais ao mesmo tempo. Em três meses, pouco conseguira mudar na
Brigatti, embora tivesse se desdobrado entre as duas empresas.
Estava dormindo apenas quatro horas por noite. Resolveu contratar
um administrador.

Mas já sentia como ele pesaria na folha de pagamento.

O administrador fez um plano fantástico para torar a fábrica eficiente.


Em poucos meses tudo estaria equilibrado. No entanto, para tornar a
fábrica eficiente, era preciso vender um volume de unidades que
Suzana não estava certa de poder vender. Não nas suas lojas.

E como faria para vender o excedente? Não sabia se poderia vender


nas butiques concorrentes. E nas sapatarias? Não entendia nada de
sapatarias. Precisava de um vendedor. Era caro. Qual seria o impacto
na marca se os sapatos estivessem em qualquer sapataria? Sua
clientela exigia exclusividade. Era preciso escolher os lugares com
cuidado, talvez criar uma marca separada. Mas quem faria isso?Ela já
estava trabalhando demais, já passara quase três dias sem falar com
a família na semana anterior.

Suzana pensou que talvez pudesse tentar passar a fábrica à frente!...

Qual foi o erro de Suzana?