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Gramática do 12.

º ano
Funções Sintácticas:

• Sujeito:

A Carmo adora ler. Sujeito Simples


Eles divertem-se imenso com as cartas.

A Sofia e Adelaide odeiam-se. Sujeito Composto


Eles e os amigos irão ao concerto.

Queremos igualdade de direitos. (sujeito: nós) Sujeito nulo


subentendido
O José estuda à noite. Durante o dia trabalha. (sujeito: o José)

Dizem que o ensino está cada vez pior. Sujeito nulo indeterminado
Diz-se que o ensino está cada vez pior.

No Inverno, anoitece mais cedo. Sujeito nulo expletivo


Ontem, ainda havia dálias no meu jardim.

• Predicado:

Predicado Verbal: Ontem trovejou.

Predicado Nominal: O Eduardo está* feliz.

*Uso de verbos copulativos: ser, estar, permanecer, ficar, continuar, parecer, andar …

• Predicativo do Sujeito:

Surge junto aos verbos copulativos, dá significado ao verbo e forma com ele o
predicado.

Os alunos são faladores.

• Complemento Directo (o que?):

Os alunos visitam o museu.

• Predicativo do Complemento Directo:

Complementa a ideia do complemento directo.

O juiz considerou o jovem inocente.

• Complemento Agente da Passiva:


Complemento de um verbo na voz passiva.

O trabalho foi feito pela Margarida.

• Complemento Determinativo:

A casa da Susana fica perto. Ideia de posse

As ondas do mar estão muito altas. Ideia de origem

• Complemento Indirecto (a quem?):

A mãe ofereceu um livro ao filho.

• Atributo:

Adjectivo que se coloca junto ao nome.

A cor azul fica-lhe bem.

• Aposto:

Nome ou expressão que se coloca entre vírgulas.

Eça de Queirós, escritor realista, escreveu os Maias.

• Vocativo:

Ana, dá-me o livro.

• Complementos circunstanciais:

○ De lugar (onde?): Ele este aqui.


○ De tempo (quando?): Durante as férias de Verão dormi muito.
○ De modo (como?): Correu depressa.
○ De companhia (com quem?): Partiu à aventura com os amigos.
○ De fim (para quê?): Estuda para tirares boas notas.
○ De causa (de que?): Tremia de frio.
○ De matéria: A mala é de pele.

Actos Ilocutórios:
Acto linguístico que o falante realiza quando, em determinado contexto comunicativo,
profere um enunciado, sob certas condições e com certas intenções.

Tipos Objectivos Ilocutórios Marcas linguísticas Exemplos


mais frequentes

Assertivos Indicam que o locutor Afirmar, acreditar, - A Miriam fez um


assume implícita ou achar necessário, desenho
explicitamente a verdade admitir estar convicto,
do conteúdo concluir, sugerir …
proposicional.

Directivos Traduzem a vontade do Aconselhar, avisar, - Vamos ao cinema?


locutor em levar o convidar, implorar, Está quieto!
interlocutor a realizar ordenar, pedir, proibir,
uma acção verbal ou não requerer, suplicar …
verbal Uso de frases
imperativas e
interrogativas

Compromissivos Exprimem um Comprometer-se, - Telefono-te amanhã.


compromisso do locutor garantir, jurar, - [Juro que] contarei
em relação à realização prometer … tudo.
de uma acção futura que
possa afectar o
interlocutor de forma
positiva (promessa) ou
negativa (ameaça).

Expressivos Expressam sentimentos, Adorar, agradecer, - Peço desculpa por


emoções, estados de amar apresentar telefonar a esta hora.
espírito do locutor. condolências, - Que lindo vestido!
congratular-se, elogiar,
felicitar, lamentar, pedir
desculpa …
Uso frequente de
expressões
exclamativas

Declarativos Exprimem uma realidade Declarar, certificar, - Declaro-vos marido e


criada pelo próprio acto nomear… mulher
de fala sendo
inquestionável a
autoridade da fala do
locutor. Estão associados
a actos sociais
(casamentos, actos
notariais, julgamentos,
etc.).

Declarativos Reúnem os objectivos Admitir, achar - Vamos começar a


Assertivos dos declarativos e dos imprescindível, aula. [a professora]
assertivos. O interlocutor entender, sugerir …
reconhece a autoridade
do locutor.
Valor aspectual do verbo:

O aspecto é a categoria verbal que expressa o início, o desenrolar ou o terminar de


uma acção.

- Lexical - Valor pontual

Aspecto - Valor durativo

- Gramatical - Aspecto Perfectivo


- Aspecto Imperfectivo
- Aspecto Pontual
- Aspecto Durativo
- Aspecto Frequentativo ou Iterativo
- Aspecto Inceptivo ou Incoativo
- Aspecto Cessativo ou Conclusivo

Aspecto Lexical: pelo seu significado as formas verbais apontam para


determinadas características semânticas.

- Valor pontual: acção instantânea, por exemplo: morrer, nascer, …

- Valor durativo: acção prolongada, por exemplo: jantar, ler, nadar, …

Aspecto Gramatical:

- Aspecto Perfectivo: prende-se com o pretérito perfeito, indicando uma acção


concluída; a acção está realizada na perfeição. Ex.: A Mariana já se vestiu.

- Aspecto Imperfectivo: prende-se com o pretérito imperfeito, indicando uma acção


inacabada, não terminada que se prolonga no tempo. Ex.: O sol subia.

- Aspecto Pontual: situação momentânea, acção que dura apenas um instante. O


pretérito perfeito do indicativo ajuda neste valor. Ex. : O rapaz desmaiou.

- Aspecto Durativo: acção que perdura no tempo. Ex.: O bebé dorme; Ela esperava
ansiosamente pela sua chegada; O João vai jogar toda a tarde.

- Aspecto Frequentativo ou Iterativo: acção que se repete no tempo. Ex.: Ela


mordiscava os lábios; Eles têm ido à praia todos os dias.
- Aspecto Inceptivo ou Incoativo: apresenta o iniciar de uma acção. Ex.: Anoitece;
Parto hoje para Londres; O Pedro começou a andar ontem.

- Aspecto Cessativo ou Conclusivo: apresenta o cessar de uma acção. Ex.: O João


acaba de sair; As aulas acabam hoje.

Determinantes:

Palavra que especifica um nome, precedendo-o.

Artigos Definidos o, a, os, as

Indefinidos um, uma, uns, umas

Demonstrativos este, aquele, esse, o outro, o mesmo, o tal

Possessivos meu, teu seu, nosso, vosso, seu

Universais todo, nenhum, qualquer, ambos, cada

Indefinidos algum, muito, tanto, vários, certo, pouco, outro,


bastantes

Relativos quanto, cujo

Interrogativos quanto? qual? que?

Numerais um, dois, três, quatro …

Pronomes:

Pessoais eu, tu, ele, nós, vós, eles, mim, ti, si, me, te se, nos, vos, lhe, lhes, o, a, os, as

Demonstrativos este, esse, aquele, o outro, o mesmo, o tal, isto, isso, aquilo, tal, o

Possessivos meu, teu, seu, nosso, vosso, seu

Indefinidos algum, nenhum, todo, muito, outro, pouco, tanto, qualquer, alguém, ninguém, nada,
tudo, outrem

Interrogativos qual, quanto, porque, porquê, como, onde, quem, (o) que, (o) quê

Relativos o qual, quanto, que, quem, onde

Recursos Estilísticos:
• Aliteração: repetição intencional de sons consonânticos dentro da mesma
palavra ou em várias palavras seguidas.
Ex.: “Um ramalhete rubro de papoulas”

• Onomatopeia: aliteração que imita sons reais, por meio do ritmo das palavras
ou dos sons.
Ex.: “Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r-r-r-r-r-r-r-r eterno!”

• Anáfora: repetição, no início de frases ou de versos sucessivos, de uma palavra


ou grupo de palavras.
Ex.: “É urgente o amor. /É urgente um barco no mar. /É urgente destruir certas
palavras.”

• Personificação: atribuição de características humanas a algo irreal, objectos ou


animais.
Ex.: “O céu abriu-se num sorriso.”

• Hipérbole: emprego de termos que exageram a realidade, para dar mais ênfase
ao discurso.
Ex.: “Ela só viu as lágrimas em fio, que (…) se acrescentaram em grande e largo
rio.”

• Metáfora: consiste em designar um objecto ou uma ideia por uma palavra (ou
palavras) de outro campo semântico, associando-as por analogia. Se, no
contexto, essa analogia é por vezes fácil de identificar, outras vezes permite
interpretações diversificadas.
Ex.: “As crianças brincam na praia dos seus pensamentos”

• Antítese: contraste entre duas ideias ou coisas.


Ex.: “Em todas as ruas te encontro /Em todas as ruas te perco”

• Enumeração: consiste na apresentação sucessiva de vários elementos


(frequentemente da mesma classe gramatical).
Ex.: “Eles não sabem que o sonho /é tela, é cor, é pincel /base, fuste, capitel”

• Comparação: consiste em estabelecer uma relação de semelhança através de


uma palavra, ou expressão comparativa, ou de verbos a ela equivalentes.
Ex.: “Como morcegos, ao cair das badaladas, /Saltam de viga em viga os
mestres carpinteiros”

• Interrogação Retórica: pergunta que não espera resposta, colocada para sugerir
um diálogo, apelar à aproximação do receptor, ou, simplesmente, para reforçar
o que se está a dizer.
Ex.: “E à terra, que se não deixa salgar, que se lhe há-de fazer?”

• Sinédoque: consiste em dizer em designar a parte pelo todo e vice-versa.


Ex.: “… ocidental praia lusitana”(Portugal).

• Perífrase: substituição de uma palavra por uma expressão mais longa.


Ex.: “Pelo neto gentil do velho Atlante” (Mercúrio).

• Apóstrofe: consiste numa interpelação a alguém, ou a alguma coisa


personificada.
Ex.: “Ó meu coração, torna para trás /Onde vais a correr, desatinado?”
• Pleonasmo: consiste na repetição do mesmo significado através de significantes
diferentes com o objectivo de reforçar uma ideia.
Ex.: “Vi claramente visto …”

• Ironia: consiste em atribuir às palavras um significado diferente daquele que na


realidade têm. Serve, muitas vezes, para criticar algo ou um comportamento.
Ex.: “Mas ao menino (…) não se deslocava das saias da titi: teve ela de o pôr
em pé para que o tenro prodígio não aluísse sobre as perninhas flácidas”

• Eufemismo: consiste em transmitir de forma atenuada uma ideia ou realidade


que é desagradável.
Ex.: “Alma minha gentil que partiste /Tão cedo desta vida…”

• Sinestesia: consiste na fusão de percepções provenientes de diferentes


sentidos.
Ex.: “E fere a vista com brancuras quentes, /a larga rua macadamizada.”

• Paradoxo: expressa uma contradição, através da simultaneidade de elementos


contrários.
Ex.: “O mito é o nada que é tudo”

• Hipálage: consiste em transferir uma qualidade (ou acção) de um elemento da


frase para outro, por exemplo do sujeito para o objecto
Ex.: “Fumava o pensativo cigarro”

• Anástrofe: consiste na inversão da ordem natural dos elementos na frase. Não


obscurece o sentido como pode acontecer como o hipérbato.
Ex.:”Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida”

• Assíndeto: consiste na supressão dos elementos de ligação entre as palavras ou


frases sucessivas (frequentemente o elemento suprimido é a conjunção
copulativa é).
Ex.: “lavo, refresco, limpo os meus sentidos”

• Polissíndeto: consiste na repetição dos elementos de ligação entre as palavras,


ou frases coordenadas.
Ex.: “E crescer, e saber, e ser, e haver /E perder, e sofrer, e ter horror /De ser e
amar, e se sentir maldito …”

• Repetição: consiste na utilização de palavras repetidas para intensificar ideias.


Ex.:No mar, pescam as canas, na terra pescam as varas (…); pescam as ginetas,
pescam as bengalas, pescam os bastões e até os ceptros pescam e pecam
mais que todos, porque pescam cidades e reinos inteiros”

• Paralelismo: repetição da construção de uma frase ou de um verso; podendo


não ser repetidas as palavras, verifica-se a repetição de estrutura gramatical.
Ex.: “Para atravessar contigo o deserto do mundo /Para enfrentarmos juntos o
terror da morte /Para ver a verdade para perder o medo”

• Hipérbato: consiste na alteração da ordem habitual das palavras na frase.


Ex.: “Que arcanjo teus sonhos veio /Velar, maternos, um dia?”
• Gradação: consiste na enumeração que sugere uma intensidade crescente ou
decrescente da ideia.
Ex.: ”Os dois olhos do velho (…) caíram sobre ele (…) varando-o até às
profundidades da alma”

Classe de palavras: