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C ONS TA NT I NA
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Cínthya Verri
CONSTANTINA
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CONSTANTINA
© Cínthya Verri
1ª edição: abril de 2012
editores
Marcelino Freire e Vanderley Mendonça
capa
Cleyton Arghiropol
foto da capa
Rafael Cassani (produção: Francesca Romani)
diagramação
Vanderley Mendonça
revisão
Cíntia Moscovich

EDITH é
Andréa Moraes, Celina Castro, Felipe Arruda,
Felipe Valério, Fernanda Grigolin, Gisele Werneck,
Jorge Antônio Ribeiro, Luis Rafael Montero
Marcelino Freire, Manu Sobral, Raphael Gancz,
Sylvia Mello, Vanderley Mendonça, Vera Fraga Leslie
visiteedith.com
dados internacionais de catalogação na publicação - cip
V637 Verri, Cínthya.
Constantina. / Cínthya Verri. – São Paulo: Edith, 2012.
ISBN 978-859039359-7
1. Literatura Brasileira. 2. Poesia. I. Título. II. Série. III. Selo Edith.
CDU 869.0(81)
CDD 890
Catalogação elaborada por Ruth Simão Paulino
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Bitols,
você é cin.
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nasci em Constantina
meus pais me registraram na capital
até meu nascimento foi uma mentira.
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destino 13
Aridez 19
Uma Ovelha da Itália 20
Nereu Ramos 21
Egressos 22
Exigência 24
Duradouro 25
Mágoa 26
Morno 27
Sábado à noite 28
Giscard 29
Vô Oswaldo 31
Cinco 32
Aos Seis Anos 36
De Aço Inox 37
Feia 38
Tema de Casa 39
fatalidade 41
Sobrevida 47
Pessoal e Intransferível 48
Elipse 49
Rebenque 51
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Cativeiro 52
Desconfança 53
O Caso do Gato 54
Sobrenome 55
Das Coisas que Ouvi de Minha Mãe 56
Alea jacta est 57
acaso 59
Afnal 65
Motim 66
Artefatos 67
Café 68
Resistência 69
Racionamento 70
Apesar 71
No quarto 72
Na sala 73
Noir 74
Variância 75
Embalsamada 76
Investigação 77
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d e s t i n o
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para onde vai o tempo
senão para dentro.
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Aridez
minha sede é faminta
a boca bruta
as mãos irritadas.
tive berço de cactus
em casa
pouca água
terra vermelha
mais máfa que família.

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Uma Ovelha da Itália
não dependia do choro
era só
um bebê famoso
pelo silêncio.
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Nereu Ramos


de pedras tortas como conchas
e terra rubra de secar a boca
a rua da minha infância
vestia moldura de calçada baixa
e rampas para alcançar as rodas
quando asfaltaram a lomba
inaugurei o piche com a pele.
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Egressos
meus músicos reunidos
no poço do palco
só a música me enxerga
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meus mortos reunidos
na música
gostar de quem
crer em deus
faltas que não sinto
da mãe I do irmão
meus quartos com as camas desfeitas
gente que partiu de mim
gente que mandei embora
sem me despedir dos ouvidos.
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Exigência
não podia
me esconder desajeitada
ser a cabra-cega
tropeçar em si
rodopiar a seda solta
pelo pátio
não dei vexame na infância
sem chance para ser desatenta.
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Duradouro
dentro de casa
precisava ter ânimo
para fcar sem vontade.
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Mágoa
não é uma fralda branca de algodão
não é uma compressa para conter o sangue
não é aprender a limpar os olhos
não é remover o rímel com leite de aveia
é a aveia que engrossa o magro leite de minha mãe.
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Morno
minha ama seca
esfriava o leite noturno
eu mentia
ainda está quente
ainda está quente
só para vê-la jogar a brancura
de uma xícara a outra
sem derramar sequer uma gota.
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Sábado à noite
toda a semana na escola
fermentavam
as febres dos beijos
das fofocas I das apostas
meu vestido de baile
foi o lençol.
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Giscard
quando cheguei, já estava
não latia a não ser para avisar
de movimentos estranhos nos roseirais
não gemeu jamais nunca
nem mesmo com anzol fsgando as carnes
nem mesmo com ovas I larvas I bernes
nem mesmo na fome da tigela ensebe
nem mesmo no sufoco tinto do pátio
podia andar nele como um cavalo
um camelo negro
orfeu de minha infância
suportava aos pelos
até que puseram
seu flho no mundo
desengonçado — cria arredia:
fugia I atacava I mordia
sangrava bergamotas,
colhia gritos nervosos dos passantes,
sofria pontapés e chuva de coices
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o pastor pagava tudo no corpo
não teve crédito
para a dor fora de si
meu cachorro morreu de paternidade.
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Vô Oswaldo
chamavam Russo
mas era português
loiro I alvo I olhos de azul
nunca soube fazer cócegas
apenas beliscava
mas eu insistia
porque ele era bonito
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Cinco
I
a criança diz que vai embora
arruma e arrasta a mala
passa a tarde na pracinha da esquina
à noite está jantando no seio
da família
aos quatro anos já sabia:
embora de casa para quê?
joguei-me no rio e não tentei nadar.
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II
em Porto de Galinhas
disseram para não me preocupar
os peixes eram acostumados
domesticados I doutrinados
mansos de ração I de comer na mão
— mas bicavam meus cotovelos!
seu Baú confuso não entendia
que os bichinhos farejavam meu suicídio
ainda me esperam
como nenhum homem me esperou.
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III
até hoje a mãe conta a história
que fui à beira da barragem
silenciosa
soltei as boias
e me lancei
queria imitar meus irmãos
queria nadar sozinha
queria ser adulta
queria virar sereia
até hoje se orgulha do resgate
eu não posso me orgulhar
de mais uma tentativa
fracassada de morrer.
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IV
a mãe era da casa
no verão da barragem
bordava I lavava I cozinhava
reservava os restos
e cevava os peixes
rainha do lar
até hoje conta a história
de que fui sozinha ao rio
aos quatro anos
para me salvar
cortou os tornozelos
minha mãe deu um jeito
de sair mais machucada.
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Aos Seis Anos
ganhei festa de bailarina
com tules I laços e ftas
corpete rosa I sapatilhas
os cabelos em nó com
renda e elástico
o pai me fez jurar
no conforto do colo
que era o único
o primeiro namorado
o último beijo
a gente também não esquece.
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De Aço Inox
depois do depois da insistência
meses provando a maturidade
a hombridade e a justiça
próprias de oito anos de idade
depois de memorizar passagens
da Bíblia e alcançar
o cálice ao padre na missa
conseguiu que o pai deixasse
comprar o canivete
andava armado na cintura
a soberba subindo as veias
na primeira briga
ameaçou o irmão
o metal respira e
espera no cofre da família
triste é o Caim
que não consumou o crime.
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Feia
era colega no jardim de infância
tão feia e de tão torto o rosto
amassado como um tecido
a cidade era uma vila tão pequena
tive pena
a todos um desgosto
será que o pai dela elogiava?
também falava como era bela?
será que pai mentia tanto?
chegava a esse ponto?
será que eu tinha
a cara-monstro e não sabia?
eu queria ser como ela
ao menos não duvidaria.
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Tema de Casa
lisa e verde por cima
amarela por dentro
tem olhos vermelhos  
perto do topo da cabeça

respira rápido e faz som de clique

carrega um malote de pele no queixo
que se enche de ar e murcha

a rã estrebucha quando enfo a faca
então cutuco, mas não se mexe

profe
já abri e agora como fecha?
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f ata l i da d e
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se o mar pudesse acenar
ele nunca voltaria.
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Sobrevida
até para morrer
temos que reunir forças.
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Pessoal e Intransferível
apenas sei
a confança me ocupa
sou um passeio?
sou uma estrada I um estribo?
sou uma cova I um barco?
um sino?
repico fervorosa
sou um machado I um nó
esgotação
aborreço estatísticas.
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Elipse
fascinava o perfume
nas mãos do pai

o que elas escondiam
diferentes da loção da barba?
espionava cremes,
couros I sachês
toalhas
e outros indícios
pelo ciúme da mãe
nunca perguntei
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eu e meu pai
tivemos a mesma amante
a mesma insônia no punho:
as luvas de hospital.

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Rebenque
sou lata descendo a escada
os calcanhares martelos
abro a cancela
corro cruzo o riso I a rua I a rodoviária
respiro mínimos arames
o peito batendo panelas
me arrasto puxando as sombras
até provar que seria capaz
de morrer de obediência.
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Cativeiro
dormem em pé
as meias e os casacos
as araras não se movem
tudo esperando no lugar lembrado
meus brincos sussurram
os copos adestram a água
o tapete acalma o piso
a cama cativa o sono
minhas coisas me servem com fdelidade
não signifca que me aceitam.
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Desconfiança
não entrego
minha solidão
nem a mim mesma.
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O Caso do Gato
miou toda a manhã todinha
miou como se piasse
enfado na minha cabeça
à tarde na calçada
— uma pausa —
o cachorro veio
e se debruçou
sobre a presa
e não fez nada
à noite ele voltou
acompanhado
não sabia
que cães premeditavam.
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Sobrenome
o pai nunca esperou
meu próprio tempo
quando viu que eu não teria flhos
me deu uma irmã
fez de tudo para que eu
envelhecesse mais depressa
em seu lugar.
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Das coisas que ouvi de minha mãe

manicure deve ser às quartas-feiras,
para conservar as unhas durante a semana;
anil vem num saquinho,
devemos usar para clarear as roupas brancas;
“E” e “M” são duas letras que devemos colocar
do lado de fora do envelope:
rebuscadas fcam bonitas e signifcam “Em Mãos”;
devemos secar camisas em cabides,
mais fáceis de passar;
farinha de rosca deve ser de pão velho
torrado no forno e batido no liquidifcador;
tomate para sanduíche deve ser cortado bem fninho;
vestidos de festa devem ser guardados
dentro de fronhas com sabonetes;
devemos dormir com uma roupa bonita,
prevendo incêndio na casa.
ninguém cuida melhor de mim do que o fogo.
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Alea Jacta Est
jogo no fogo
a ver o que sobra
o que fca sou eu.
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a c a s o
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A pele é tão responsável
quanto a faca.
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Afinal
destino que se cumpre em mim
te querer é quando fnalmente chego.
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Motim
penteio os cabelos de cima para baixo
depois agito e perco a trégua

aliso a roupa com ferro e água soprada
para esquecer sobre a cama

gero meu caos com régua.
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Artefatos
sou eu quem deixa os armários abertos
passa pano ao invés de varrer
avança nas trincheiras de alvejar
pelas calhas I quermesses de cera
frisos I rejuntes I requintes
meu corpo de esponja
apaga teus pés da madeira da sala
lustra a mesa com vapor da boca
como lousa de escrever com o dedo
eu e você
eu e você
eu e você
minha casa tem dores baldias.
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Café
as xícaras são carícias
(e as pernas — tremores)

só me reconheço
com pouco.
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Resistência
entre nós nunca houve exatamente
nenhuma verdade é inteira
a luz do quarto fechado
o vão aceso
como uma porta entreaberta
a boca não denuncia
costurada
o quieto passa por deus.
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Racionamento
sacode a cafeteira exausta
enquanto fuma o terceiro último cigarro
aceitar o fm do dia é um risco
e adiar parece um prazer
que retarda meu momento mais caro
mastigo o escuro esperando que durmas
para enfm te apanhar
fncar as unhas em teus centímetros de grama
ser sal na água dilatando teu repouso
encarniçada sobre tua boca de vapor
te gastando até que tua voz fuja do corpo
banida e surrada pelo meu quadril
é de fome que esmago teu sono
reparto o cansaço e como.
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Apesar

eu imagino que você espia
dentro de minha respiração
mas demora muito
para me transpirar
tem uma certa avareza
em seu suor.
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No Quarto
a ofensa virou costume
crescendo invisível
como quilos a mais
um dialeto de dois
um encanto ao contrário
se contasse,
quebrava
reclamamos coisas
que não sei repetir
enraivecemos coisas
que não sei guardar
sentei sobre a bagagem
espalhou meu corpo
mais uma mentira de minha mãe
as palavras não doem
mais do que um soco.
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Na Sala
não bastassem as marcas
voltou para garantir o sigilo
era fel às mágoas
temia a denúncia
na primeira vez
eu fui o calço da porta
na segunda
não me lembro
na terceira
falei que partisse
ele esmurrou meu rosto
mais uma mentira de meu pai
não é a mulher que pede.
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Noir
luzes I lanternas I lisuras
nada sabe
a saudade é sinistra
chegue um pouco mais
vem ver o corpo por dentro
a sujeira tem temperatura
olha a selvageira explícita
meu riso histérico
lavava todo o oriente médio.
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Variância
durmo de corpo tomado
o que mais invejo
é o que não invento
me descalço de graça
preciso sangrar os pés
fnos e magros
vejo as vidraças da pele
eu me desfaço a pedradas
entre as veias.
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Embalsamada
não dormem esses duendes?
planejo mirabolâncias sangrentas
raspar I esfolar I desmembrar os mínimos
nenhum será poupado
corvos de roubar córneas
coragem e rins
nunca mais não existe
diante da minha própria fnitude.

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Investigação
ouço meus cabelos úmidos
crescem as unhas
nada arde
só é tarde para os outros
meço as larvas
que informam
a hora de minha morte.
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79
a autora
Natural de Constantina e radicada em Porto Alegre,
Cínthya Verri, 31 anos, é médica formada pela Universida-
de Luterana do Brasil (Ulbra).
Idealizou a Clínica Verri, no bairro Moinhos de Vento,
espaço multidisciplinar de saúde que gerencia desde 2007.
Atua como colunista do jornal Zero Hora, respondendo
leitores com dúvidas sentimentais. O consultório amoroso
é publicado no caderno Donna. Mantém ainda o quadro
semanal Quase Perfeito na Rádio Gaúcha, além de colabo-
rar com crônicas nas rádios Ipanema e Elétrica.
Compositora, cantora, desenhista, blogueira, ilustrou o
livro infantil O Menino Pescador, para Mercuryo Jovem, e
prepara um especial de músicas homenageando o artista
francês Serge Gainsbourg.
Há três anos, criou o projeto cultural Cineterapia, no
Cinebancários, onde uma personalidade debate seu flme
predileto em sessões com entrada franca.
constantina é sua estreia na literatura.
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