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Universidade Federal de São Carlos

Disciplina: Fundamentos da Antropologia

Docente: Profa. Dra. Maria Henriqueta Minasse

Discente: Sâmela Guimarães Torquetti RA: 565245

Atividade: Análise antropológica do filme Avatar.

Avatar (2009) é um filme de ficção científica estadunidense escrito e dirigido por James Cameron, que tem como personagem central Jake Sully (Sam Worthington) que ficou paraplégico quando participava do exército na Terra. Jake foi escalado para substituir seu irmão gêmeo, cientista falecido para investigar Pandora, um planeta extraterrestre habitado por seres conhecidos como Na’vi. O planeta Pandora tem uma grande riqueza de minérios, que faz com que empresas se interessarem em explorar o local, porém, a atmosfera é tóxica para os seres humanos, portanto, os cientistas criam seres híbridos chamados de Avatar, que podem ser controlados pelos seres humanos através de uma tecnologia que transmite o controle do Avatar por força de seus pensamentos.

Cultura se refere ao conjunto de valores, crenças, costumes transmitidos por determinados grupos à sociedade. No filme, é mostrada a cultura do povo de Omaticaya, que tem tradições, que significa aquilo que é transmitido de uma geração para outra, experiências que aprendem com seus antepassados em como caçar, a relação de respeito com a natureza, costumes e hábitos de como sobreviver no planeta, religião, que é passada para os mais novos que um dia um deles será escolhido para liderar o grupo. Logo no início, é comentado que os seres humanos já tinham entrado em contato com eles, porém, deixado entrelinhas que os pandorianos não aceitaram a convivência dos terráqueos e que a relação já não estava boa. Existe certa resistência dos nativos, e isto está relacionado com a identidade que há com a sua cultura, não se adequam às formas dos seres humanos pois valorizam os seus hábitos. A

história já se inicia com uma tentativa de retomada de contato, já evidencia que uma cultura já conhece o bastante da outra, até mesmo quando o personagem principal, Jake, chega ao planeta Pandora, acaba conhecendo Neytiri, uma nativa, que já sabia falar a língua inglesa.

Ao conhecermos uma nova cultura, é comum compararmos uma à outra se baseando em uma cultura central, isso acaba gerando estereótipos e julgamentos pré-concebidos, esse é o conceito de etnocentrismo, ou seja, um grupo ou uma cultura é o centro de todas as coisas, e que outros grupos são medidos e avaliados em relação a ele. O etnocentrismo levado de uma forma extrema pode acabar gerando uma intolerância cultural, vemos isto no filme caracterizado como o General Miles Quaritch que tem como missão garantir a “segurança” e expulsão dos Omaticaya usando a força bélica e demonstra que não se importa com isso. Ele vê os nativos como selvagens e inferior à cultura dos seres humanos e que devem ser atacados a qualquer custo. Podemos citar massacres como os do Guarani-Kaiowá no Mato Grosso do Sul, como exemplos reais de etnocídio.

Evidencia a política capitalista e imperialista por parte do Governo estadunidense na exploração e destruição de reservas naturais para suprir uma demanda da Terra pela empresa liderada por Parker Selfridge. Há a relação da economia com a cultura, a globalização da cultura, ou seja, está relacionada aí na valorização do “lugar”, por conta das riquezas minerais e ambientais do planeta.

Enquanto há o grupo que repudia há outros que “defendem”, como os cientistas, que tem um método de pesquisa de relativismo cultural, ou seja, um método de observar sistemas culturais sem uma visão etnocêntrica, cada cultura tem o seu valor único e específico, dotada de um estilo particular (costumes, língua, religião, etc.). Os cientistas tentam entrar em contato com a cultura dos nativos, mas para compreender melhor, usa-se o método etnográfico da observação participante de Malinowski, que é o trabalho de campo, o estudo completo de uma cultura vivenciando ela, aprendendo o idioma, os hábitos e os modos. O personagem de Jake, que é imparcial aos interesses citados, ao primeiro contato tem uma experiência de alteridade, ou

seja, o contato com o outro diferente de mim e acaba sendo introduzido à cultura dos Omaticaya por Neytiri. Ele realiza a observação participante tão intensa que se torna um autêntico Omaticaya antes mesmo da transferência final do seu corpo, pois durante o filme ocorre o processo de aproximação cultural. Sully acaba absorvendo seus valores, há uma relação de socialização, um processo de integração do indivíduo a uma dada sociedade ou grupo nos modos de pensar, agir, sentir.

No final do filme, a cena de batalha entre os pandoras e os seres

humanos, mostra a relação do hibridismo cultural, que quer dizer aproximação

entre culturas diferentes e os elementos de cada cultura

misturando e se cria uma outra “coisa”, pois, alguns seres humanos são aceitos pelos nativos e acabam ficando no planeta. Não é mostrado o futuro deles, mas

que acabam se

a relação de um indivíduo com uma cultura diferente acaba absorvendo valores daquela cultura e ele se torna um outro ser social.

Considerações Finais

Obras cinematográficas podem ser ferramentas de mero entretenimento

ou podem ser usados como uma forma de transmissão de valores e conceitos

e apreciação de novos olhares. Temas que geralmente não são de interesses

gerais, às vezes, é tema de algum filme e que pode ser usado para discutir e debater de uma forma que chame mais atenção e que dialogue com os alunos.

Contribui no ensino da Geografia e da Antropologia, como no caso, o filme Avatar, que inicialmente, não parece ser um filme com tantos conceitos a ser trabalhado e que nos surpreende quando adentramos de fato na temática do filme. É uma chance de o professor adentrar na realidade dessa nova geração midiática, trabalhando com a cultura do aluno e que o docente não passe a vê-lo apenas como o outro, mas como integrante da civilização de uma sociedade que tem uma grande vivência na comunicação.