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O impacto cultural da globalização foi alvo de muita atenção. Muitas
pessoas defendem que vivemos hoje numa única ordem de informação –
uma gigantesca rede mundial, onde a informação é partilhada
rapidamente e em grande quantidade. Um simples exemplo é suficiente
para ilustrar este ponto em concreto.
Estreado em 1997, o Titanic conta a história de um jovem casal que se
apaixona a bordo do fatídico navio transoceânico, e é um dos filmes mais
populares de sempre. Aquando da estreia do filme, formaram-se em
muitos países filas de centenas de pessoas para comprar bilhete, e as
sessões estavam permanentemente esgotadas. O filme foi muito bem
recebido por todos os escalões etários, mas especialmente por meninas
adolescentes, muitas das quais pagaram para ver o filme várias vezes. O
filme é um dos muitos produtos culturais que conseguiu quebrar as
fronteiras nacionais e dar origem a um fenómeno de verdadeiras
proporções internacionais.
O filme contava também com uma produção sumptuosa, onde foi dada
grande atenção aos pequenos detalhes, e incluía uma série de efeitos
especiais de ponta.
Por outro lado, outra razão que explica o sucesso de Titanic é o facto de
o filme reflectir um conjunto particular de ideias e valores com que as
assistências pelo mundo fora conseguiam identificar-se. Uma das
temáticas centrais do filme é a da possibilidade do amor romântico
vencer as diferenças de classe social e as tradições familiares. No
entanto, pode dizer-se que o Titanic, tal como muitos outros filmes
ocidentais, contribui para esta mudança de valores. Alguns preocupam-
se com o facto da globalização estar a conduzir à criação de uma

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«cultura global», em que os valores dos mais ricos e poderosos – neste
caso, os estúdios de cinema de Hollywood – se sobrepõem à força dos
hábitos e das tradições locais. De acordo com esta perspectiva, a
globalização é uma forma de «imperialismo cultural», em que os valores,
os estilos e as perspectivas ocidentais são divulgados de modo tão
agressivo que suprimem as outras culturas nacionais.
Outros autores, pelo contrário, associaram os processos de globalização
a uma crescente diferenciação no que diz respeito a formas e tradições
culturais. Estaremos a assistir à fragmentação de formas culturais, e não
à formação de uma cultura mundial unificada (Baudrillard, 1988). As
antigas identidades e modos de vida enraizados em culturas e em
comunidades locais estão a dar lugar a novas formas de «identidade
híbrida», compostas por elementos de diferentes origens culturais (Hall,
1992).

5.4. Globalização e risco

As consequências da globalização são de longo alcance, afectando
praticamente todos os aspectos do mundo social. No entanto, dado a
globalização ser um processo em aberto e intrinsecamente contraditório, as
suas consequências são difíceis de prever e controlar. Outra forma de pensar
esta dinâmica é em termos de risco. Ao contrário dos riscos do passado, que
tinham causas estabelecidas e efeitos conhecidos, os riscos de hoje em dia
são incalculáveis e de consequências indeterminadas.

5.4.1. A multiplicação dos riscos
manufacturados

Os seres humanos sempre se depararam directamente com riscos de
uma espécie ou de outra, mas os riscos são actualmente de uma
natureza diferente da dos de épocas anteriores. Até muito recentemente,
as sociedades humanas estavam sob a ameaça de
riscos externos – perigos que advêm de secas, terramotos, fome e
tempestades que têm origem no mundo natural e não estão relacionados
com a acção do homem.
Hoje em dia, no entanto, somos cada vez mais confrontados com vários
tipos de
riscos manufacturados – riscos que resultam do impacto da acção do
nosso saber e tecnologia sobre o mundo natural. Como veremos, muitos
dos riscos ambientais e de saúde com que se deparam as sociedades
contemporâneas são exemplos de riscos manufacturadas – são um
produto da nossa acção sobre a natureza.

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