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Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade

Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade Rogerio Neiva

O CANDIDATO E O EMPREENDEDOR

No mês julho de 2010, houve um final de semana no qual ocorreram dois eventos aparentemente bastante distintos em Brasília, uma cidade considerada por muitos a capital dos concursos públicos, percepção talvez influenciada pela expressiva quantidade de servidores públicos em sua população economicamente ativa e pelo fato de abrigar órgãos de cúpula dos Poderes da República. Os eventos foram a Feira do Empreendedor, organizada pelo Sebrae, e a Feira do Candidato, a qual contou com a sua primeira edição. A aparente distinção decorre do fato de que buscar uma carreira pública, por meio da aprovação no concurso, é tido como uma opção de vida profissional completamente distinta da estruturação de uma empresa, principalmente pelo aspecto da estabilidade.

No entanto, apesar da aparente distinção, existem inúmeras semelhanças entre o candidato e o empreendedor.

O primeiro aspecto fundamental é que tanto o empreendedor, na definição do seu plano de negócios, quanto o candidato, na organização da sua preparação para o concurso, devem ter a preocupação com a estruturação de um planejamento estratégico e tático.

Segundo os professores da USP Adalberto Fishmann e Martinho Isnard, “Planejamento Estratégico é uma técnica administrativa que estabelece o propósito de direção que a organização deverá seguir (…) Planejamento Tático é um planejamento predominantemente quantitativo, abrangendo decisões administrativas e operações e visando à eficiência da organização” 1 . Portanto, enquanto pensar estrategicamente envolve aspectos decisórios, as definições no plano tático correspondem a elementos operacionais.

Neste sentido, se por um lado, o empreendedor ao definir seu plano estratégico deve refletir sobre aspectos como público-alvo (target), nichos de mercado e posicionamento, por outro lado, ainda no plano estratégico, o candidato deve ter a preocupação com a definição de objetivo, em termos de qual concurso pretende alcançar a aprovação, bem como programa de estudos, consistindo no conjunto de matérias e conteúdos que devem ser enfrentados ao longo do processo de preparação.

Já no plano tácito, enquanto o empreendedor deve se preocupar com aspectos como definição de preço, produtos, publicidade e canais de distribuição, o candidato deve definir por quais fontes de estudo irá enfrentar os conteúdos que compõem o seu programa, quais matérias deve estudar a cada momento do dia e a cada dia da sua semana (grade de horários e matérias), bem como em quais locais irá estudar.

1 Planejamento estratégico na prática. São Paulo: Atlas, 1991. p. 25

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O empreendedor tradicional tem como uma de suas preocupações fundamentais conquistar

seu potencial cliente, de modo a assegurar a venda dos produtos ou serviços ofertados. Já o

candidato deve ter a preocupação de “conquistar” o examinador, por meio da disponibilidade das informações solicitadas no momento da prova, de modo a alcançar a pontuação necessária à aprovação. Dessa maneira, enquanto o empreendedor irá se preocupar com as técnicas de vendas que serão implementadas, o candidato deve se preocupar com as técnicas de estudos que serão adotadas, procurando avaliar os processos de aprendizagem que sejam mais eficientes e assegurem a disponibilidade da informação apropriada no momento da prova.

O empreendedor, ao estruturar sua empresa, deve ter claro qual missão pretende

desempenhar, a partir da identificação da necessidade que intenciona atender, bem como contar com a definição dos valores da empresa e da visão com a qual pretende trabalhar. O candidato, da mesma forma, deve ter a clareza de qual papel almeja realizar ao alcançar a titularidade do cargo público pretendido (missão), devendo compreender também quais valores considera relevantes e determinaram tal definição, bem como visualizar a forma que pretende ser visto pelas pessoas à sua volta e pela sociedade (visão).

O empreendedor deve ter a preocupação com aspectos emocionais relevantes, tais como a

motivação e a crença no alcance dos seus objetivos. O consultor César Sousa, uma das maiores referências do país na área de empreendedorismo, ao comentar a compreensão de diversos líderes empresariais de êxito acerca do mencionado tema, afirma que “Eles compartilham a crença de que sonhar é essencial para se manter motivados. Apontam a capacidade de sonhar, aliada ao desejo e à determinação por resultados, como a força motriz do sucesso

empresarial” 2 .

Da mesma maneira, o candidato deve ter a firme convicção da vialibilidade do alcance da

aprovação, bem como monitorar e trabalhar suas condições motivacionais. Tais preocupações

são fundamentais para o processo de aprendizagem e implementação do esforço ao longo da preparação.

Portanto, os candidatos que se preparam para o concurso de forma estratégica, eficiente, racional e pautada na lógica do alto rendimento, na realidade, também são empreendedores. São empreendedores da busca de um cargo público por meio da aprovação no concurso, ou seja, levam adiante um empreendimento de natureza cognitiva-intelectual. E este espírito de empreendedorismo que o candidato carrega já ao longo do processo de preparação tem uma importância significativa para o desempenho de suas futuras funções públicas e do atendimento às demandas da população, de maneira comprometida, estratégica, eficiente e racional.

2 Você é do tamanho de seus sonhos. São Paulo: Gente, 2003. p. 39-40.

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NÃO SEJA REFÉM DA PUBLICAÇÃO DO EDITAL!!!

O Banco Central publicou recentemente o edital do concurso público para o cargo de

Procurador, e o Mistério Público do Maranhão, também recentemente, publicou edital do concurso de Promotor de Justiça. Ambas as provas serão daqui a 48 dias, ou seja, menos de 2

meses. Estes fatos confirmam o quanto é ineficiente a atitude de esperar a publicação do edital para iniciar o processo de preparação.

Conforme venho sustentando, um dos pilares fundamentais de uma preparação voltada ao alcance de resultados e pautada na lógica do alto rendimento consiste na montagem do planejamento.

Neste sentido, adotando uma das construções desenvolvidas pelo técnico Bernardinho, autor do livro Transformando suor em ouro, o qual faz parte das referências bibliográficas trabalhadas no livro (Como se preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento, Ed Método), da mesma forma que um atleta de alto rendimento começa a se preparar para a olimpíada seguinte quando termina a anterior, não podendo iniciar seus treinos em momento próximo às eliminatórias, o candidato ao concurso não pode aguardar a publicação do edital para iniciar sua preparação. A publicação do edital está para o candidato assim como as eliminatórias estão para o atleta de alto rendimento. Se for aguardar este momento para iniciar sua preparação, dificilmente irá alcançar a aprovação.

E

se não podemos ficar reféns do Edital, como se preparar? Daí entra a proposta metodológica

e

de planejamento sustentada no livro. O candidato, na montagem do seu plano de

preparação, deve ter como primeira preocupação a definição de um objetivo, o que independe

de edital. No livro também são trabalhos alguns conceitos importantes sobre como definir um

objetivo, considerando inclusive construções da psicologia do trabalho.

O concurso público deve ser encarado como uma meta de médio ou longo prazo. Além disso, é

preciso compreender que concursos ocorrem com frequência, qualquer que seja o cargo, pois na medida em que a sociedade avança, em termos de demandas, necessidades e mesmo arrecadação de tributos, a máquina pública cresce. Por outro lado, existe também o fenômeno das aposentadorias, as quais implicam na necessidade de ocupação dos cargos antes ocupados pelos servidores em inatividade.

Os

fatos envolvendo os recentes concursos para os cargos de Procurador do Bacen e Promotor

de

Justiça do MP do Maranhão reforçam a presente compreensão. Entre a publicação dos

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editais e a data da primeira prova não decorreram mais de dois meses, tempo extremamente limitado para uma preparação adequada.

Pensar a preparação de forma estratégica e promover a sua execução de maneira eficiente e racional exige a montagem de um planejamento, independente da publicação do Edital. E para contribuir com a implementação desta ideia, o Tuctor desempenha um papel muito importante, na medida em que gera estimativas e previsões de prazos e da conclusão do plano de estudos.

Portanto, caros(as) candidatos(as), não sejam reféns dos editais, mas do seu objetivo e do planejamento da sua preparação.

Sucesso!

UMA DECISÃO ESTRATÉGICA NA VIDA DO CANDIDATO A CONCURSOS PÚBLICOS

Tenho recebido algumas perguntas de candidatos, leitores do Blog e usuários do Tuctor, com a dúvida sobre a decisão a ser tomada diante de situação na qual almejam um concurso que exige uma longa trajetória de preparação ou depende de algum requisito temporal a ser cumprido, mas teriam interesse, num prazo mais curto, na busca da aprovação num concurso que não dependa do referido requisito temporal ou não exija um tempo tão expressivo de preparação.

Esta mesma dúvida atinge candidatos que ainda estão cursando determinada graduação, mas pretendem alcançar uma carreira que dependa da conclusão daquele curso superior.

Pois bem, conforme tenho sustentado, é fundamental pensar a preparação de forma estratégica e tática. As questões estratégicas se situam no plano decisório, em termos de objetivo a ser definido e programa (matérias e conteúdos correspondentes) a ser enfrentado. Já os aspectos táticos da preparação envolvem a implementação do planejamento estabelecido, ou seja, estão no plano do como trilhar o caminho traçado.

Assim, enquanto a definição de objetivo, em termos de carreira pública almejada, faz parte dos aspectos estratégicos, as técnicas de estudo adotadas fazem parte do universo de elementos táticos. O fundamental é que o candidato compreenda as variáveis envolvidas no referido processo, tenha a clareza da relação custo-benefício de cada opção realizada e procure agir de maneira eficiente e racional, no sentido de otimizar a implementação de suas energias e esforços cognitivos, com a finalidade de viabilizar, da forma mais rápida possível, a sonhada aprovação.

Nos posts do meu Blog que fazem parte da pauta “Relato de Êxito” percebem-se muitos conselhos dos candidatos de sucesso, em relação aos equívocos que consideram ter cometido,

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os quais normalmente são acompanhados da visão de que se não tivessem agido daquela maneira teriam conquistado a aprovação num espaço de tempo menor.

Dessa forma, considero que os candidatos que se encontram na situação ora abordada contam com algumas possibilidades:

1 a – Estruturar um plano de estudos focado exclusivamente num concurso considerado mais acessível, tal como de nível médio – por exemplo, para carreiras como de Técnico do Judiciário ou do Executivo, o qual, comparado ao objetivo maior, seria um concurso do tipo “escada”, ou algum outro cargo que cumpra esse papel. Posteriormente, tendo atingido esta meta, o candidato montaria um novo plano de estudos, voltado à preparação para o concurso que corresponda ao seu objetivo principal;

2 a – Estabelecer um plano de estudos focado exclusivamente no concurso meta-principal, mas ao longo da preparação preste outros – que seriam os concursos “escada”, sem se desviar do plano principal. Sendo aprovado, assuma e continue implementando esse mesmo plano, voltado à busca da aprovação no concurso meta-principal;

3 a – Construir um caminho intermediário, de modo que procure, mesmo trabalhando com o planejamento do concurso meta-principal, promover pequenos desvios, no sentido de incluir no planejamento matérias e conteúdos inerentes ao concurso “escada”, de modo a tentar melhorar as condições de aprovação neste certame. Ou seja, a estrutura principal do programa a ser enfrentado corresponde ao concurso meta-principal, mas o referido plano de estudos sofre pequenas alterações em função do objetivo intermediário.

Naturalmente, é possível que o candidato vislumbre outras possibilidades além dessas. Mas o fundamental é que entenda dois aspectos de grande relevância:

1º – A decisão é sua! Não tenho como dizer o que deve fazer. Não sou dono da verdade, nem guru de concursos. Além do mais, quem vai pagar o preço e desfrutar das glórias é você, só você!

2º – Esta decisão deve ser pautada por uma lógica de busca de eficiência. Ou seja, o que se deve avaliar é o seguinte: qual opção é mais eficiente, principalmente diante das minhas condições? Isto é, se o candidato for um pai de família que pretende sair da iniciativa privada o mais rápido possível, talvez a 1ª opção seja mais adequada. Mas se o candidato não se enquadra na referida situação e dispõe de condições de se manter por algum tempo exclusivamente por conta dos estudos, talvez a 2ª ou 3ª opções possam ser mais pertinentes. Pode ser ainda que, mesmo se enquadrando na segunda situação, o candidato considere que a experiência profissional de uma carreira tida por intermediária seja importante e resolva adotar a 1ª opção.

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Particularmente, quando fui aprovado para Procurador de Estado, havia feito a 3ª opção. Estava focado na preparação para o concurso da Magistratura, mas, diante do concurso de Procurador, promovi um pequeno desvio no plano original, de modo a incluir no meu planejamento algumas matérias e conteúdos que não eram do programa da Magistratura, mas eram importantes para Procurador, tal como a parte especial do Direito Tributário e Legislação estadual.

Olhando para trás, considero que foi uma decisão adequada e eficiente.

Adotando a referida lógica, o candidato deve desenvolver uma avaliação séria e profunda, de modo a compreender sua situação, suas condições para o empreendimento cognitivo do concurso e suas expectativas.

Mas o fundamental mesmo é que você procure agir de forma estratégica, principalmente se está iniciando sua trajetória na preparação para o concurso público, e, com isso, busque empreender suas energias de forma eficiente e racional, viabilizando as condições necessárias a enxergar, o mais rápido possível, o seu nome na lista de aprovados.

Bons estudos e sucesso na busca da aprovação!

PREPARAÇÃO DO CANDIDATO DE ALTO RENDIMENTO: TEORIA GERAL DO TUCTOR (1ª Lição)

Este post traz uma das primeiras lições de um conjunto de ideias que compõe a Teoria Geral do Tuctor. Conceitualmente, uma teoria geral envolve a abordagem de um objeto de estudo, a partir de conceitos centrais e periféricos, voltada à compreensão e descrição lógica de determinados fenômenos.

No caso da Teoria Geral do Tuctor, a presente construção consiste numa reunião de conceitos, cientificamente desenvolvidos e empiricamente concebidos e aplicados, direcionados ao estudo, compreensão e gestão do processo de preparação para o concurso público ou algum exame oficial. Trata-se da cartilha do Candidato de Alto Rendimento, ou seja, aquele candidato que empreende a sua preparação com planejamento, estratégia, eficiência e racionalidade.

Destaco, desde já, que publicarei no Blog outros textos voltados à apresentação da Teoria Geral do Tuctor, enquanto proposta metodológica descritiva da postura do Candidato de Alto Rendimento.

Considerando o objetivo do presente texto, o qual envolve uma primeira lição importante do conjunto que compõe a TGT (Teoria Geral do Tuctor), uma noção inicial fundamental envolve a compreensão da importância do tempo na preparação para o concurso público. Segundo alguns estudiosos da gestão de projetos, o tempo consiste numa das variáveis mais

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importantes. Conforme aponta a maioria das pesquisas sobre o tema, mais de 50% dos projetos não são concluídos no prazo, o que decorre de uma inadequada gestão do tempo, podendo gerar graves consequências.

No caso do concurso público, gerenciar o tempo de forma inadequada tende a implicar na não conclusão do planejamento da preparação no prazo inicialmente previsto. O Sistema Tuctor, enquanto uma ferramenta única e inédita, conta com funcionalidades que indicam ao candidato-usuário uma estimativa de data de conclusão do seu plano de estudos, caso desenvolva a execução conforme os parâmetros com os quais se comprometeu. O sistema também conta com uma funcionalidade que permite ao usuário alterar a data de conclusão pretendida, sendo que, a partir da nova pretensão, é indicado o que precisa ser modificado para tanto.

Recentemente, estava dando aula para uma turma de Procurador Federal. Era precisamente o dia 22 de janeiro deste ano de 2010. O edital do concurso havia sido publicado no dia 19 de janeiro, tendo a prova inicialmente marcada, de forma não esperada e surpreendente, para o dia 13 de março. Ou seja, faltavam precisos 49 dias até a prova.

Daí perguntei aos alunos o que iriam fazer até lá, isto é, como iriam estudar. Alguns tinham definido o que estudariam, mas outros não. Alguns fariam revisão, outros iriam estudar o que ainda não tinham enfrentado, considerando o conjunto de matérias e conteúdos previstos no edital. Então, para este último grupo, fiz a seguinte pergunta: mas é viável a conclusão do conjunto de matérias e conteúdos que pretendem estudar? Vocês conseguirão concluir estes estudos? Afinal, faltavam menos de 2 meses até a prova.

E se fosse cobrado na prova um tema que foi não estudado em virtude do esgotamento do

tempo? E se este mesmo assunto cobrado e não estudado fosse determinante para o não alcance da pontuação necessária à aprovação? No caso, entendo que poderíamos afirmar que

a causa da reprovação teria sido a inadequada gestão do tempo voltado à preparação. Ou seja,

que aqueles candidatos deixariam de se tornar Procuradores Federais pela falta de gestão do

tempo.

Esta compreensão demonstra a importância da adequada gestão do processo de preparação, bem como de uma ferramenta que auxilie o candidato neste sentido. Portanto, tão importante quanto a gestão da eficiência do processo de apropriação da informação, ou seja, da aprendizagem, é a gestão do tempo.

Conforme venho sustentando nos textos voltados à abordagem da estratégia de realização de provas, diante de uma prova, temos inicialmente duas possibilidades igualmente distribuídas, sendo 50% para cada: ou se estudou o conhecimento objeto da questão, ou não se estudou. Diante da primeira hipótese, desdobramos a situação em outras duas possibilidades igualmente distribuídas: ou se lembra ou não se lembra. Assim, em tese, para que o candidato

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tenha a disponibilidade da informação solicitada, o primeiro requisito é que tenha estudado, isto é, se submetido a um processo de apropriação intelectual.

E para que o candidato estude todos os conhecimentos e informações passíveis de serem solicitados no momento da prova, é fundamental que promova uma adequada gestão do tempo e da execução do seu planejamento de estudos.

Gerir o tempo não consiste apenas em organizar cronogramas, tarefas e horários. Gestão do tempo consiste na estruturação de um minucioso e detalhado plano de estudos, bem como no monitoramento da sua execução.

Vale lembrar que o objetivo de qualquer preparação é ter a disponibilidade do conjunto de informações e conhecimentos passíveis de serem solicitados no momento da prova. Conforme esta lógica, o referido objetivo precisa ser encarado como um empreendimento de natureza cognitiva e intelectual.

E neste empreendimento, a meta primária deve consistir na conclusão do programa previsto

no edital. Vale destacar que o programa consiste num dos elementos estratégicos do planejamento da preparação. Assim, enquanto estratégia, o candidato pode até não ter como meta a conclusão de todo o programa do edital. Trata-se de uma opção estratégica do

candidato, a qual deve ser pensada e avaliada, envolvendo a lógica do programa seletivo.

Mas independente da opção estratégica quanto aos contornos do programa, este deverá ser estabelecido e estar presente no planejamento da preparação. Além de estabelecido, deve-se ter como objetivo a conclusão do seu estudo.

Para tanto, ou seja, para o alcance da finalidade de conclusão do estudo do programa, é preciso estruturar um plano, monitorar a sua execução, de modo a promover a adequada gestão do tempo, bem como considerar algumas compreensões fundamentais:

1º – é preciso analisar a viabilidade da conclusão do plano de estudos estabelecido. Esta avaliação deve ser realizada com o fim de apurar as condições efetivas de conclusão até a data da prova, levando em conta os seguintes fatores: data da prova, condições do candidato (horas de estudo por semana) e programa (fontes de estudo, matérias, conteúdos e tempo por unidade de estudos). O Sistema Tuctor desenvolve a mensuração de todas essas variáveis;

2º – não sendo viável, é preciso trabalhar com os seguintes elementos:

– aumento da quantidade de horas de estudo por semana;

– rever as fontes de estudo, de modo a diminuir a quantidade de unidades de estudos ou o tempo por unidades de estudos;

– ser seletivo em relação ao objeto do programa, ou seja, eliminar matérias ou conteúdos;

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3º – é preciso monitorar a execução do plano de estudos, de modo a avaliar permanentemente se será viável a conclusão no momento adequado, ou seja, se os indicadores de desempenho apresentados pelo Tuctor estão conforme os indicadores de metas de desempenho, também apresentados pelo sistema.

Outro aspecto de grande relevância, principalmente para os usuários do Sistema Tuctor, envolve duas preocupações fundamentais. A primeira consiste em saber mensurar bem o tempo por unidade de estudo, preocupação de enorme importância para a adequada e precisa montagem do plano de estudos. Outra preocupação consiste em dispor de alguma margem de segurança, inclusive para contar com algum tempo voltado às revisões.

Não obstante todas as considerações traçadas, o fundamental mesmo é que o candidato consiga concluir o seu plano de estudos. Conforme esta lógica, o que tende a ser inadequado é chegar à data da prova sem terminar o que foi planejado.

Tendo concluído o planejamento da preparação e ante a eficiência do processo cognitivo, sem dúvida alguma, o candidato viabilizará todas as condições para ser aprovado.

Sucesso e bons estudos!

ESTUDO ESTRATÉGICO, SISTEMATIZADO, EFICIENTE E RACIONAL: A Postura do Candidato de Alto Rendimento (2ª Lição da Teoria Geral do Tuctor)

O presente texto tem por objetivo a abordagem da preparação de alto rendimento, por meio da adoção de um estudo estratégico, sistematizado, eficiente e racional. Trata-se de mais uma lição que compõe a Teoria Geral do Tuctor.

Vale lembrar, por um lado, que a postura do candidato de alto rendimento envolve a ideia de um processo de preparação para o concurso público pautada pela adoção de um adequado planejamento de estudos, bem como dispondo de mecanismos que permitam o seu monitoramento e controle. Assim, envolve uma lógica bastante semelhante à existente no esporte de alto rendimento. Cabe destacar que o referido campo da ação humana conta com várias semelhanças com a busca da aprovação no concurso público, não apenas quanto ao processo, mas principalmente em relação ao alcance de resultados.

Por outro lado, conforme trabalhado no texto anterior sobre o tema, a Teoria Geral do Tuctor consiste na reunião de conceitos, cientificamente desenvolvidos e empiricamente concebidos e aplicados, direcionados ao estudo, compreensão e gestão do processo de preparação para o concurso público, pautada na noção do alto rendimento, contando com planejamento, monitoramento, controle, estratégia, eficiência e racionalidade.

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Neste sentido, uma das primeiras premissas fundamentais consiste na compreensão da preparação enquanto um empreendimento de natureza cognitiva e intelectual. Assim, é fundamental que o candidato tenha a preocupação com aspectos estratégicos e táticos.

Segundo os professores Adalberto Fishmann e Martinho Isnard, “planejamento estratégico é uma técnica administrativa que estabelece o propósito de direção que a organização deverá seguir (…) planejamento tático é um planejamento predominantemente quantitativo, abrangendo decisões administrativas e operações e visando à eficiência da organização” 3 . Portanto, enquanto pensar estrategicamente envolve aspectos decisórios fundamentais e relevantes, as definições no plano tático correspondem aos elementos operacionais voltados à implementação do plano concebido no âmbito estratégico.

Avançando na referida compreensão, os aspectos estratégicos da preparação correspondem a elementos como definição de objetivo, em termos de concurso ou concursos almejados, bem como a definição de programa.

O programa, por sua vez, consiste no conjunto de matérias e conteúdos – correspondentes a estas matérias, que serão estudados pelo candidato. Considerando tais premissas, é fundamental que o candidato, ao estruturar o seu planejamento de estudos, conte com a clareza e a definição de qual será o seu programa.

Trata-se de uma questão estratégica que deve ser assumida pelo candidato, em termos de viabilidade, riscos, custos, vantagens e desvantagens. Ou seja, é preciso que o candidato faça tal opção de forma consciente, bem como compreendendo o seu sentido. Cada opção relacionada com o presente elemento estratégico tem um preço. E o candidato precisa compreender o tamanho deste preço.

Toda preparação deve ser norteada por um objetivo principal. Qual o principal objetivo de qualquer preparação para o concurso público? A resposta a essa pergunta pressupõe o enfrentamento de outra pergunta anterior. Trata-se de entender o que é preciso para passar no concurso. Para passar no concurso, é preciso atender à pontuação necessária, considerando os parâmetros do edital. E o que é preciso para o alcance da referida pontuação? Dispor dos conhecimentos e informações solicitados por meio das questões apresentadas.

Portanto, na realidade, qualquer preparação para o concurso conta com uma finalidade mediata e outra imediata. A finalidade mediata, ou seja, o fim maior, consiste na aprovação. Já a finalidade imediata, a qual viabilizará o fim maior, consiste na disponibilidade do conjunto de informações e conhecimentos solicitados no momento da prova. E para tanto, é preciso passar por um processo de apropriação destas informações.

3 Planejamento estratégico na prática. São Paulo: Atlas, 1991. p. 25.

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Mas outra questão de grande relevância é: quais informações deverão ser submetidas a este processo de apropriação intelectual por meio dos estudos? Qual deverá ser o objeto de estudo

do candidato? Aí entra a questão estratégica.

Para o alcance da resposta, conto com uma tese muito clara em relação ao presente assunto. Entendo que é fundamental que o candidato efetivamente esgote o programa previsto no edital, ao menos por algum dos processos cognitivos passíveis de adoção.

Aliás, a presente proposta metodológica envolve o desenvolvimento da preparação em duas etapas. A primeira deve ser voltada ao esgotamento do estudo do programa previsto no edital, adotando-se como processo cognitivo o estudo bibliográfico.

Saliento que se trata apenas de uma proposta metodológica, considerando as várias possibilidades passíveis de adoção. Assim, defendo a tese de que é preciso estudar todo o programa previsto no edital.

No entanto, considero que a referida postura pode ser incorporada ou não. Exatamente por isto, trata-se de uma questão estratégica a ser enfrentada pelo candidato.

Pode ser que o candidato entenda que a referida atitude seja ineficiente ou mesmo inviável. Quanto ao último aspecto, destaco que a inviabilidade consiste numa preocupação de enorme relevância a ser considerada. Pode ser que a execução do seu plano de estudos, principalmente diante da provável data da prova, seja inviável. E muitos candidatos sequer têm consciência disto.

Neste sentido, o Sistema Tuctor tem como uma de suas funcionalidades exatamente mostrar para o candidato uma estimativa de tempo de conclusão do seu plano, considerando as variáveis inseridas pelo usuário no sistema. A partir da referida informação, diante da provável data da prova, pode ser que constate a inviabilidade da conclusão do planejamento estabelecido.

E assim, o candidato teria que reconhecer que não há condições de levar adiante aquele plano

de estudos inicialmente estruturado. Ante o referido reconhecimento, um dos caminhos seria

a alteração do programa, de modo a excluir alguns conteúdos correspondentes a

determinadas matérias. Tal atitude, por sua vez, consiste numa decisão estratégica, a qual

precisa ser avaliada pelo candidato.

Avançando no mesmo raciocínio, um dos caminhos que podem ser adotados envolve o levantamento dos conteúdos (correspondentes a cada matéria) que vem contando com mais peso nas provas. Ou seja, em vez de o candidato fazer uma opção estratégica pelo programa por completo, faz uma opção considerando as últimas provas.

Contudo, é preciso que se tenha algum cuidado com tais escolhas seletivas, pois existem concursos que exigem pontuação mínima por matéria específica. Por exemplo, no último

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concurso da Receita Federal, realizado em 2009, a pontuação mínima correspondia a 40% da pontuação máxima.

Mas, inegavelmente, este é um caminho.

Diante de todas as considerações apresentadas, em termos conclusivos, a primeira ideia fundamental é de que o candidato tenha consciência do sentido de sua decisão quanto à definição do programa. A partir daí, também é preciso que compreenda os critérios que pode adotar para estabelecer a referida definição, dentre os quais a viabilidade, indiscutivelmente, não pode ser ignorada. É preciso que tome sua decisão, entendendo o seu sentido e tendo a clareza da opção que fez.

Com tais preocupações e cuidados, seguramente, o candidato adotará meios para viabilizar uma preparação de alto rendimento, bem como criará condições fundamentais para que seu nome esteja na lista dos candidatos aprovados.

Boas escolhas, bons estudos e sucesso!

A PREPARAÇÃO PARA O CONCURSO, O PRINCÍPIO DE PARETO E O CANDIDATO DE ALTO RENDIMENTO: 4ª Lição da Teoria Geral do Tuctor

Qual a relação entre o Princípio de Pareto e a preparação para o concurso público? Resposta: a busca e a preocupação com a otimização de esforços empreendidos e recursos implementados por parte do candidato! Trata-se de uma atitude inerente à postura do candidato de alto rendimento.

O italiano Vilfredo Pareto foi um dos clássicos das construções da ciência econômica da Idade Moderna. Criador da ideia de que geralmente 80% dos esforços são responsáveis por 20% de resultados, o autor desenvolveu pesquisas empíricas em diversas frentes, como, por exemplo, em relação a pêras no pomar. Tais ideias influenciaram conceitos como a noção de utilidade marginal, o qual consiste em fonte de explicação das trajetórias ascendentes e descendentes de otimização de recursos produtivos e esforços implementados, conceito este inclusive atualmente adotado na explicação da curva de aprendizagem (o que será tema de um post futuro).

Assim, Pareto foi responsável pela ideia hoje popularizada do 80/20, ou seja, 80% dos esforços determinam 20% dos resultados.

Mas como isso se aplica à preparação para o concurso público?

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A primeira noção fundamental é de que o candidato deve ter como objetivo fugir da lógica do 80/20, tendo como meta buscar o 20/80. Ainda que se trate de uma utopia, a proposta é que seja encarada como um princípio programático, de modo a procurar sempre otimizar os esforços empreendidos.

Dessa maneira, não seria eficiente estudar determinadas matérias e conteúdos, para se preparar para determinados concursos públicos, com livros densos e analíticos, os quais demandam tempo elevado e mobilização intelectual-cognitiva expressiva, a fim de realizar uma prova objetiva, de uma matéria jurídica, por exemplo, que tem como conteúdo-objeto a letra da lei. Da mesma forma, não seria eficiente gastar tempo estudando por um resumo muito superficial ou mesmo pela legislação seca, para fazer uma prova que cobra conceitos complexos e problemas não passíves de solução apenas com esta modalidade de estudo.

Exemplos práticos das referidas situações narradas seriam, respectivamente, estudar Direito Constitucional pelo livro do Ministro Gilmar Mendes para fazer a prova de Técnico do MPU, e estudar a mesma matéria por um resumo ou apostila superficiais e totalmente sintéticos para fazer a prova de Procurador da República ou de Consultor Legislativo. Em ambas as situações, considerando os objetivos, haveria falta de otimização de tempo e esforços.

Vale lembrar que, do ponto de vista psicopedagógico, temos basicamente dois modelos de provas, quais sejam, o conceitual-conteudista e o operatório. O primeiro cobra dos candidatos apenas conteúdos, sem exigir o desenvolvimento de raciocínios mais complexos, ao passo que o segundo envolve a resolução de problemas. Naturalmente que também podemos ter modelos híbridos.

Mas faço tal afirmação porque a lógica de otimização de esforços também pode exigir do candidato a consideração do modelo de prova, avaliando a tradição do órgão quanto à instituição responsável pelo concurso, bem como a concepção geralmente adotada por esta instituição.

Neste sentido, não tenho dúvida em afirmar que o Sistema Tuctor pode proporcionar uma significativa contribuição ao candidato, na perspectiva de buscar a otimização de seus esforços. Primeiramente, um aspecto fundamental é que se trata de um mecanismo de sistematização e planificação do processo de preparação, desenvolvido não apenas a partir de elementos empíricos, mas também conceituais, inclusive com a adoção de construções cientificamente concebidas. Assim, obviamente que a mencionada sistematização e racionalização do referido processo, até por uma questão lógica, tende a colaborar com a otimização de esforços, aliás, como ocorre com qualquer objetivo semelhante. Não precisamos dizer o que acontece, por exemplo, ao se tentar construir uma casa sem qualquer planejamento, monitoramento e controle.

Mas além da referida ideia, outro aspecto relevante consiste no papel desempenhado pelos indicadores de metas e metas de desempenho. Com isso, ainda na fase da montagem do

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Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade Rogerio Neiva

plano, o candidato pode visualizar, de forma clara, efetiva, racional e quantitativa, o quanto estará investindo em cada matéria, considerando inclusive a sua importância no processo de preparação.

Vale lembrar que a importância da matéria pode decorrer da quantidade de questões passíveis de cobrança na prova, do peso atribuído a estas questões ou do nível de dificuldade, considerando a tradição daquele determinado concurso público. Por exemplo, num concurso de carreira policial, Direito Processual Penal e Direito Penal tendem a ter uma importância razoável, comparativamente com algumas outras matérias. Da mesma forma, num concurso de carreira fiscal, Direito Tributário e Administrativo também tendem a ter a mesma importância. Naturalmente que o edital será o balizador da referida compreensão.

Além dos indicadores de metas e metas de desempenho, o Sistema Tuctor também pode colaborar com a compreensão da preparação para o concurso sob a ótima do Princípio de Pareto, no sentido da busca de otimização, por meio dos indicadores de desempenho. Ou seja, não apenas o candidato pode avaliar o seu plano sob a referida lógica antes do início da sua execução, mas também fazer ajustes ao longo da implementação. Obviamente que isto se relaciona com a necessidade de monitoramento e controle do processo de preparação para o concurso público, preocupação esta muitas vezes ignorada pelos candidatos.

Outra colaboração proporcionada pelo sistema consiste na ferramenta da Grade Horária Inteligente, a qual sugere e auxilia o candidato na alocação das matérias mais relevantes ou difíceis nos momentos de maior potencial de disposição intelectual e física. No caso, também se trata de típica aplicação do Princípio de Pareto ao processo de preparação para o concurso público.

Porém, independente de todas as ponderações mais concretas e específicas, a grande lição que podemos extrair a partir do primado proposto por Vilfredo Pareto, aplicando-o ao objetivo da busca da aprovação no concurso pretendido, é de que o candidato deve estar sempre atento e preocupado com a eficiência e a otimização de seus esforços, não apenas no momento inicial de estruturação do seu plano, mas inclusive ao longo da execução.

Enquanto candidato, sempre fui impulsionado e tomado pela referida preocupação. Estava a todo momento procurando avaliar e mensurar de alguma maneira a eficiência de cada atitude adotada, seja quanto ao processo cognitivo, quanto às fontes de estudos ou quanto à ocupação do tempo. Principalmente pela necessidade de, a partir de determinado momento no curso do processo de preparação, assumindo o cargo de Procurador de Estado e ainda buscando a aprovação no concurso de Juiz, ter sido obrigado a conciliar as demandas, responsabilidades e cobranças decorrentes da atividade profissional, com o tempo disponível para os estudos. Seguramente tais atitudes e preocupações influenciaram o trabalho de orientação e pesquisa sobre o tema da preparação para concursos, o qual desenvolvo atualmente.

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E hoje percebo que muitos candidatos também estão atentos a essa preocupação. Não tenho dúvida de que esses candidatos estão no caminho natural e lógico da conquista da aprovação. Estão no caminho da preparação de alto rendimento. Seguramente, também estão a alguns passos adiante daqueles que sequer contam com a percepção da importância do presente tema.

Bons estudos, boa otimização de esforços e sucesso na busca da aprovação!

QUANTAS HORAS DEVO ESTUDAR PARA CONQUISTAR A APROVAÇÃO? (3 a Lição da Teoria Geral do Tuctor – Preparação de Alto Rendimento)

Recentemente, estava navegando pela Internet e me deparei com essa pergunta. Não apenas me chamou atenção – apesar da falta de ineditismo do contato com tal questionamento, o qual, com certa frequência, ouço em palestras, aulas e entrevistas, mas também me submeteu, de forma diversa do ocorrido em outras ocasiões, a um curioso processo de reflexão.

Não tenho dúvida de que se trata de uma indagação presente na cabeça de muitos candidatos. Muitas vezes chega a se tornar uma angústia.

Acredito que o motivo de tudo isso decorre do fato de que a identificação de quantas horas de estudo são necessárias torna mais concreto o caminho para a conquista do cargo público pretendido. Ou seja, seguramente, se sei quantas horas preciso estudar, em tese, ao menos me sinto mais tranquilo, por contar com alguma ação mais concreta acerca do que devo fazer para conquistar o cargo pretendido. Mas tal definição tende não apenas a tornar mais concreto o caminho, como também ajudar a mensurar parte do custo pessoal que será pago. Assim, torna-se mais fácil a identificação do “mas qual é o sacrifício que eu preciso fazer?”

Muito bem, se há a intenção e a pretensão de encontrar uma resposta, a primeira compreensão que se deve avaliar consiste no universo temporal considerado. Isto é, quantas horas por dia, por semana, por mês, por ano, ou até ser aprovado?

Outra frente de análise trata-se do sentido do “devo estudar”. Ou seja, trata-se do quanto posso estudar, do quanto quero e gostaria de estudar, do quanto estou disposto a estudar ou do quanto efetivamente preciso estudar?

Dessa forma, podemos pensar em quantas horas preciso estudar por dia ou por semana, mas chegar à conclusão de que não posso estudar tal quantitativo de horas. No caso, seriam necessários alguns ajustes na execução da preparação para o concurso público. Porém, independente do caminho que se faça para realizar tais ajustes, bem como onde se chegue a partir destes mesmos ajustes, uma questão fundamental é como se chegou à conclusão de que aquelas horas por semanas correspondem ao quantitativo considerado necessário.

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Isto é, como se responde à pergunta: mas, afinal, quantas horas devo estudar?

Essas considerações iniciais são fundamentais. E todas têm a sua importância e o seu sentido. Mas vamos considerar que nosso objetivo consiste na identificação de quantas horas efetivamente preciso estudar.

Neste sentido, se a intenção consiste em saber quantas horas são necessárias ao longo do processo de preparação, ou seja, se vamos adotar uma perspectiva mais ampla, algumas variáveis são fundamentais: 1ª) qual é o meu objeto de estudo, ou seja, o que vou estudar?; 2ª) qual a natureza das fontes de estudos que vou utilizar?; e 3ª) qual processo cognitivo que irei adotar?

Se vou estudar todo o programa do concurso pretendido (objeto de estudo), por meio de um estudo puramente bibliográfico (fonte de estudo), desenvolvendo leituras associadas à elaboração de resumos (processo cognitivo), levarei determinado tempo. Se estudar apenas metade do programa previsto no edital, por meio de aulas na web e apenas as assistindo, seguramente, o tempo será outro.

Nesses termos, vamos imaginar que encontramos a solução para saber quantas horas devo estudar ao longo da preparação. No livro que lancei recentemente pela Editora Método (Como se preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento), sustento, com base em estimativas empíricas, que concursos para carreiras como da Magistratura ou do Ministério Público (Promotor de Justiça ou Procurador da República) levam cerca de mil horas. Também tenho estimativas que indicam quantitativos de horas totais para concursos de nível médio e para o Exame da OAB.

O festejado escritor Malcolm Gladwel, em seu livro Fora de Série: Outliers, sustenta que, para

se tornar um expert em diversos campos da ação humana, são necessárias 10 mil horas.

Assim, considerando as estimativas que apresentei sobre a preparação para o concurso público, os leitores poderiam perguntar: “mas como cheguei a este resultado?”

Mesmo que diga agora como cheguei e os leitores, a partir daí, saibam identificar a resposta para o seu processo de preparação, uma dúvida ainda permaneceria: “mas quantas horas devo estudar por dia ou por semana?”

Enfim, para não cansar, não angustiar, bem como não instigar ainda mais a curiosidade,

inicialmente, posso afirmar que, num primeiro momento, as minhas estimativas de horas para

o concurso da Magistratura e do MP vieram da experiência que vivenciei, bem como de alunos

que tive a oportunidade de acompanhar e orientar. Registro que minha carreira de candidato

terminou em 2002, ao ter passado no concurso de Juiz, sendo que estou atuando como professor, exclusivamente em cursos preparatórios, desde 2004.

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Mas independente da apuração por meio desse processo mais empírico e rudimentar, hoje conto com estimativas levantadas por meio de processos muitos mais precisos e até científicos. E como obtenho isso? Resposta: por meio de uma fórmula metodológica que funciona no Sistema Tuctor.

O Tuctor consiste numa ferramenta única e inédita que responde exatamente à pergunta

formulada inicialmente. O sistema indica para o usuário não apenas quantas horas serão

precisas no total, mas também quantas horas devem ser estudadas por semana.

O sistema mostra esse quantitativo de metas de horas semanais no geral e por matérias.

Também indica para o usuário uma perspectiva de data de conclusão.

Porém, e se, considerando a data da prova, o candidato precisa concluir seus estudos antes da data estimada? O Tuctor mostra quantas horas a mais de estudo são necessárias por semana. E se o candidato não pode estudar o quantitativo de horas sugerido? Daí é preciso mudar algumas das três variáveis antes apontadas, ou seja, o objeto de estudo (programa), a fonte de estudo ou o processo cognitivo.

Enfim, em vez de buscar chutes empíricos, muitas vezes imprecisos e precários, o candidato hoje tem à sua disposição uma ferramenta que gera estimativas e mensurações, voltadas à busca da resposta à pergunta que está na cabeça de muitos.

A preocupação com a apuração dessa variável, inegavelmente, é de grande importância para

uma preparação de alto rendimento, estratégica, eficiente e racional. Assim, tendo o referido cuidado, você dará passos fundamentais para a conquista da aprovação.

Boas horas de estudos e sucesso!

RELATÓRIO DO PROJETO CONCURSÓRIO

Candidata: Helga Oliveira

Cargo pretendido: Bibliotecária do Senado Federal/STF

Objetivo do relatório: Análise e subsídios para a montagem do planejamento

Antes de mais nada, registro que as orientações apresentadas por meio do presente texto envolvem tão somente proposta de considerações a serem avaliadas. Assim, na linha da metodologia com a qual venho trabalhando e sustentando, trata-se de ponderações e sugestões voltadas à montagem do planejamento da preparação para o concurso pretendido.

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Nesses termos, na conformidade do planejamento que começamos a estruturar no nosso último encontro, a partir dos elementos e definições estratégicas consideradas, estabelecemos

o seguinte conjunto de matérias:

I – GRUPO DAS MATÉRIAS GERAIS

Constitucional

Administrativo

Português

Língua estrangeira

II – GRUPO DAS MATÉRIAS ESPECÍFICAS

II.1 – Matérias Básicas/ Prejudiciais/Anteriores/Primárias:

Planejamento e serviços de informação

Indexação

Catalogação

Classificação bibliográfica

Formação e desenvolvimento de coleções

Normalização

Gestão do conhecimento Noções de arquivologia

II.2 – Matérias Complementares/Específicas/Posteriores/Secundárias:

Armazenamento e recuperação de material bibliográfico Linguagens documentárias Serviços de referência Serviços de alerta e disseminação da informação Estudo e perfil do usuário

Marketing

Informação para biblioteca Gestão do conhecimento Ética Profissional Biblioteca digital

Índices, desenvolvimento e gestão de coleções

Computação

Documentação e informação

Portanto, segundo o referido levantamento, existem no total 25 matérias para estudar. Destas, 4 não são específicas da área de formação, sendo que 21 são específicas.

Assim, montar uma grade semanal de estudos com 25 matérias pode ser algo inviável. Por outro lado, segundo foi esclarecido, algumas matérias contam com um caráter mais básico e prejudicial, ou seja, envolvem conhecimentos que contam com o sentido de antecedente lógico e conceitual.

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Diante deste cenário, a ideia seria criar grupos de matérias vinculadas, ou seja, algumas matérias poderiam ser agrupadas, de modo a viabilizar a grade semanal, passando a ser estudadas em sequência.

Quanto às Específicas, naturalmente e logicamente, as básicas determinam os grupos e devem ser as primeiras a ser estudadas, daí porque as considerei como primárias.

Quanto às Gerais, uma primeira ideia seria arbitrariamente vincular português e língua estrangeira. Também seria conveniente fazer o mesmo com Constitucional e Administrativo, elegendo Constitucional como a primária-antecessora e Administrativo como a secundária- sucessora.

Para vincular as específicas, seria importante levar em consideração os critérios abaixo explicitados, sem prejuízo de outros que se entenda como adequados, em termos cognitivos e por uma lógica de eficiência. A presente proposta envolve considerar esses critérios de forma ordenada, ou seja, levando-os em consideração na ordem proposta, de modo que primeiramente considera-se o primeiro critério, para depois considerar o segundo, terceiro e quarto na sequência. São eles:

1º – antecedente lógico direto: ou seja, se ocorrer de determinada matéria específica e secundária necessariamente exigir o estudo de certa matéria básica/primária. Por exemplo, no caso do Direito, Teoria Geral do Direito Penal e Parte Especial do Direito Penal;

2º – relação de afinidade e semelhança: se houver alguma matéria básica que tenha qualquer tipo de semelhança com alguma específica. No caso do Direito, caberia considerar essa relação entre Direito Constitucional e Administrativo. Outro exemplo seria Contabilidade Gerencial e Administração Financeira e Orçamentária;

3º – equilíbrio de extensão da matéria, em termos de volume de conteúdo ou quantidade de páginas: caso perceba que determinada matéria básica tem conteúdo muito extenso se comparada com outra, o ideal seria agrupar com a mais extensa uma matéria secundária de menor extensão;

4º – aleatório: não conseguindo vincular com base nos critérios anteriores, passa-se ao aleatório.

Feitos os referidos esclarecimentos, deve-se fazer isto na seguinte sequência:

1º – definir as fontes de estudo bibliográficas para cada matéria; já resolvermos as de Constitucional e Administrativo;

2º – criar os grupos de matérias que serão vinculadas e fazer as relações.

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Com isso pronto, o passo seguinte será identificar as matérias conforme a sua percepção de dificuldade e de importância. A importância não deve ser uma avaliação subjetiva, mas uma apreciação objetiva de pesos de questões geralmente previstos nos editais, bem como quantidade de questões normalmente cobradas.

Assim, montei uma planilha para lhe ajudar nisso, que vai a seguir:

MATÉRIAS

Importante

Difícil

Constitucional

   

Administrativo

   

Português

   

Língua estrangeira

   

Planejamento e serviços de informação

   

Indexação

   

Catalogação

   

Classificação Bibliográfica

   

Formação e desenvolvimento de coleções

   

Normalização

   

Gestão do conhecimento

   

Noções de arquivologia

   

Armazenamento e recuperação de material

   

bibliográfico

Linguagens documentárias

   

Serviços de referência

   

Serviços de alerta e disseminação da informação

   

Estudo e perfil do usuário

   

Marketing

   

Informação para biblioteca???

   

Gestão do conhecimento

   

Ética Profissional

   

Biblioteca Digital

   

Índices, desenvolvimento e gestão

   

de coleções

Comutação???

   

Documentação e informação

   

Com esses passos, passamos à última fase da estruturação do planejamento, já montando-o no Tuctor, e a partir daí, minha cara, a bola está com você e o cronômetro comigo!

Rogério Neiva

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II – COMPLEMENTO (desenvolvido a partir das dúvidas apresentadas):

Oi, Rogério,

Estou aqui quebrando a cabeça tentando colocar os assuntos em ordem (+ bibliografia), mas estou com TANTAS dúvidas!!

Exemplo:

1) Existe número máximo de grupos?

2) Ou a quantidade de grupos vai variar conforme o tamanho de cada grupo?

3) Os grupos precisam ter o mesmo número de níveis ou depende mais da importância e do tamanho do material?

4) Um amigo (o tal que foi aprovado em biblioteconomia no Senado recentemente) me passou uma bibliografia dele para provas do Cespe, e alguns assuntos possuem mais de uma bibliografia. Reconheço muitos desses títulos e muitos são complementares. Como deixar uma ou outra bibliografia de fora? É como se para estudar Constitucional fosse necessário ler o livro do Holthe e a Constituição Federal, entende?

São realmente muitos assuntos e se eu for criar muitos grupos significa que só os verei uma vez por semana.

Olá, Helga,

Vamos às respostas:

1) Existe número máximo de grupos? Não. Não há regra. A questão é: qual seria o limite razoável de matéria por semana? Como a proposta é trabalhar com estes ciclos semanais, o que inclusive determinará os indicadores de metas de desempenho e de desempenho no Tuctor, o que se precisa avaliar é quantas matérias seria possível para administrar o estudo concomitante e por semana. Na verdade, a proposta que apresentei envolve um modelo híbrido entre o estudo concomitante-simultâneo de matérias e o estudo modular-sucessivo. Daí porque montei a sistematização que apresentei. O objetivo foi permitir um plano de estudos administrável e executável dentro desta lógica semanal. Isso naturalmente também depende do tempo disponível por semana, ou seja, de quantas janelas na semana existem na sua grade de horários. Um candidado que tem cinco janelas não pode ter a mesma postura de um que tem vinte. Concluindo, o que você precisa avaliar é o que seria razoável.

2) Ou a quantidade de grupos vai variar conforme o tamanho de cada grupo? Considero que

a resposta a esta pergunta está relacionada com a primeira. Obviamente que o tamanho do

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grupo, o que se reflete no volume de informações e conhecimentos, o que se relaciona com a quantidade de matérias, conteúdos e fontes adotadas, tem importância para o tratamento a ser dado ao grupo. Aliás, registro que o referido volume de conhecimento, quantitativamente e matematicamente, será identificado no Tuctor, de forma totalmente lógica e racional. Mas, concluindo, o tamanho do grupo é importante. De qualquer forma, saberemos o tamanho real do grupo ao montar o plano no Tuctor, o qual inclusive irá dizer quantas horas devem ser dedicadas por semana.

3) Os grupos precisam ter o mesmo número de níveis ou depende mais da importância e do tamanho do material? De fato, seria interessante que matérias de mesmo grau de importância deveriam estar no mesmo grupo. E digo isto, que vai ficar mais claro depois, por conta do que vai ocorrer quando formos montar a grade.

4) Um amigo me passou uma bibliografia dele para provas do Cespe, e alguns assuntos possuem mais de uma bibliografia. Reconheço muitos desses títulos e muitos são complementares. Como deixar uma ou outra bibliografia de fora? É como se para estudar Constitucional fosse necessário ler um livro de determinado autor específico e a Constituição Federal, entende? Assim, sugiro sermos pragmáticos! Vamos definir uma fonte de estudos por matéria e depois supriremos as eventuais deficiências existentes nas fontes bibliográficas eleitas. Obviamente que é preciso que essa fonte proporcione o menor número e nível de deficiência possível.

COMO FAZER UMA ANÁLISE ESTRATÉGICA DO EDITAL DO CONCURSO PÚBLICO

Logo após a publicação do edital do concurso público para Analista da Receita Federal, o que ocorreu no segundo semestre de 2009, fui procurado pelo Portal G1, em função de uma matéria que se pretendia escrever sobre o mencionado certame. Mas havia um desafio colocado: o de apresentar considerações e dicas que fossem além daquelas informações básicas e elementares normalmente colocadas para os candidatos. A partir dessa provocação, comecei a desenvolver o que denominei “uma análise estratégica do edital”, tendo tal exercício me inspirado a elaborar o presente texto. Portanto, a intenção é provocar o leitor a ter essa mesma compreensão em relação a qualquer concurso que venha a prestar. Porém, adotarei como modelo o caso do concurso de Analista da Receita Federal, objeto da análise mencionada.

A primeira preocupação que deve ter o candidato consiste na compreensão estratégica e tática da preparação para o concurso. Os aspectos estratégicos se inserem no plano decisório, envolvendo elementos como a definição de objetivo e programa, o qual corresponde ao conjunto de matérias e conteúdos que devem ser estudados pelo candidato. Já os aspectos táticos estão no plano da implementação do planejamento estratégico, envolvendo elementos

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como o levantamento do tempo disponibilizado, a montagem da grade de matérias e as técnicas e fontes de estudo a serem adotadas.

A partir dessas premissas, o candidato deve procurar desenvolver uma compreensão estratégica do edital. No caso específico do concurso de Analista da Receita Federal, a primeira atitude consiste na compreensão de que restariam quase dois meses até a data da prova. A partir dessa noção, o candidato deve avaliar o quantitativo de horas disponíveis por semana até o mencionado momento final da preparação.

Assim, é possível a estruturação de três modalidades de planejamento: um voltado à revisão do programa; outro voltado ao suprimento de deficiências em relação aos conteúdos de domínio limitado ou inexistente; por fim, haveria ainda uma terceira possibilidade, de modo a contemplar os dois objetivos de maneira conjugada.

Naturalmente que a referida definição se encontra no plano estratégico-decisório. Tal decisão pressupõe a avaliação de variáveis como o tempo disponível até a data da prova e a trajetória de preparação realizada até o momento. Para o candidato que já esgotou o conteúdo programático e dispõe de 30 horas por semana, seria lógico e racional a montagem de um planejamento de revisão, podendo ainda contar com o suprimento de pontos deficientes. Já o candidato que esgotou parte do programa e dispõe de 10 horas por semana talvez fosse mais racional e eficiente focar, de maneira exclusiva, em matérias e conteúdos necessários ao esgotamento do programa.

Estabelecido este primeiro objetivo, o candidato deve procurar estruturar o seu plano de estudos. Neste sentido, deveria definir as matérias e os conteúdos a serem estudados, bem como as fontes correspondentes. Podemos tomar como fontes o estudo bibliográfico, envolvendo apostilas e livros – de caráter mais analítico ou sintético –, os exercícios, a legislação seca e as aulas (presenciais ou web).

Tais definições, ou seja, o objetivo do planejamento, estabelecido no âmbito estratégico- decisório, e as fontes de estudos, no âmbito do plano tático, devem ser analisadas de forma sistêmica. Por exemplo, se o candidato pretende fazer uma revisão e suprir limitações de conteúdos apenas por livros analíticos, os quais contem com uma grande quantidade de páginas e demandem um tempo por páginas significativo, dificilmente conseguirá concluir seu plano.

Já para a definição das fontes de estudos inerentes a cada matéria, desenvolvendo uma análise estratégica e racional do edital, o candidato deve considerar, com bastante cuidado e atenção, aspectos como a importância das matérias. Esse nível de importância será determinado pela quantidade de questões e pelo peso atribuído a elas. Assim, considerando o edital de Analista da Receita Federal, constata-se o seguinte:

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– Português, Constitucional/Administrativo e Tributário/Previdenciário permitem o alcance, isoladamente, de até 40 pontos e exigem, também isoladamente, o mínimo de 16 pontos;

– Raciocínio lógico, Contabilidade geral, Direito/Comércio internacional, AFO e Administração Geral permitem o alcance, isoladamente, de até 20 pontos e exigem, também isoladamente, o mínimo de 8 pontos;

– Língua estrangeira permite o alcance de até 10 pontos e exige o mínimo de 4 pontos.

Considerando as referidas constatações, o candidato deve primeiramente apurar, em relação a cada matéria, se estudou o conteúdo, de forma total ou parcial, bem como deve avaliar o domínio do conteúdo eventualmente estudado. Os conteúdos que o candidato estudou e domina não podem ser tratados da mesma forma que os conteúdos que sequer foram estudados.

Diante das mencionadas compreensões, além da definição do que será estudado, o candidato precisa estabelecer as fontes de estudo voltadas a cada matéria, ou seja, se irá desenvolver seus estudos por meio de livros, apostilas, exercícios, lei seca ou aulas. Cada fonte de estudo tende a demandar determinado tempo e proporcionar certo nível de eficiência de aprendizagem e disponibilidade da informação, sob uma lógica de custo-benefício. Isto é, geralmente, a eficácia da apropriação do conteúdo tende a ser proporcional ao tempo demandado.

Dessa maneira, conforme venho sustentando, manuais sintéticos demandam um tempo menor e tendem a proporcionar uma aprendizagem de menor eficácia, ao passo que manuais mais analíticos demandam um tempo maior e tendem a proporcionar uma aprendizagem mais eficaz. No entanto, no caso específico de Analista da Receita Federal, talvez não seja viável a adoção de manuais de caráter analítico.

O candidato também deve estar atento às matérias passíveis de cobrança na prova dissertativa. No caso, estas correspondem a Constitucional, Administrativo, Tributário, Previdenciário, Direito e Comércio Internacional e Administração. Essa preocupação se traduz na necessidade de que o candidato tenha conteúdo e domínio da matéria, dispondo da capacidade de construção de fundamentos para o enfrentamento da questão.

Por fim, além de todas as atitudes apontadas, é preciso refletir e avaliar a viabilidade da execução do plano de estudos estabelecido. O candidato precisa ter a noção clara das condições de concluir o seu planejamento da preparação. Neste sentido, o Sistema Tuctor, ao contar com mecanismos de mensuração de estimativa de conclusão do plano de estudos, mostra a viabilidade ou não da sua conclusão, conforme as condições estabelecidas pelo candidato.

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Com isso, tendo a compreensão estratégica e tática da preparação, e implementando o seu planejamento, o candidato estará adotando atitudes fundamentais que irão colaborar com a visualização do seu nome na lista de aprovados.

Bons estudos e sucesso!!!

VALE A PENA FAZER UM CURSO PREPARATÓRIO PARA CONCURSOS?

O que você acha de fazer um curso preparatório? É eficiente investir tempo e outros recursos num curso preparatório? Você tem a compreensão do papel do curso preparatório e da importância que irá desempenhar no seu processo de preparação para o concurso público? Não é incomum que muitos candidatos tenham dúvidas sobre a conveniência de ingressar num curso preparatório.

Enquanto professor, percebo em sala de aula e nos pátios dos cursinhos muitos candidatos que buscam o curso preparatório por não saberem como estudar ou por onde começar. Existem também aqueles que se matriculam em função da publicação do edital do concurso público.

Este último comportamento é manifestado pelos candidatos que considero integrantes do grupo que denomino “reféns do edital”, os quais também se enquadram no perfil daquile grupo que venho qualificando como “candidatos micro-ondas”. Ou seja, se mobilizam apenas em função da publicação de editais, encaram a preparação para o concurso como uma meta de curto prazo e estão sempre em busca de soluções milagrosas e fáceis para aprovação. Lamentavelmente, a dinâmica das grades dos cursos preparatórios é bastante influenciada pelo referido comportamento. E digo lamentavelmente tanto pelo candidato quanto pela instituição do curso preparatório.

Para uma conclusão e avaliação adequada, voltada à busca de uma decisão eficiente, a primeira premissa fundamental consiste na compreensão sobre o próprio processo de preparação para o concurso público. Assim, é preciso encarar a preparação enquanto um empreendimento de natureza cognitiva e intelectual.

E isso significa desenvolver um processo de estudos e implementação de esforços de modo estratégico, eficiente e racional. Trata-se da postura inerente ao que denomino de “Candidato de Alto Rendimento”. Ou seja, é preciso que o candidato conte com um planejamento, estruturado a partir de elementos estratégicos e táticos. Os primeiros consistem em aspectos fundamentais estabelecidos no âmbito decisório, ao passo que os elementos táticos envolvem os meios de implementação do planejamento firmado no âmbito estratégico.

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Portanto, a decisão acerca da conveniência de frequentar um curso preparatório para concursos, enquanto atitude maximizadora de esforços voltados à busca da aprovação, pressupõe a compreensão dos elementos apontados.

Mas para o desenvolvimento do referido processo decisório, também é de grande importância que o candidato compreenda os possíveis modelos e formatos de cursos preparatórios existentes atualmente. A identificação dos referidos modelos pode ser realizada a partir da sistematização de alguns critérios:

1 – quanto ao sistema de transmissão da informação:

– cursos presenciais: trata-se do modelo tradicional, no qual a informação é transmitida presencialmente pelo professor no ambiente de sala de aula, a qual é ocupada também presencialmente pelos alunos. No referido modelo, as aulas contam com horário e local definidos;

– cursos satelitários: há uma ocupação de sala de aula presencialmente pelos alunos, porém, o professor transmite a informação por meio de equipamentos audiovisuais, os quais são assistidos pelos alunos. Ou seja, há um equipamento que apresenta a aula do professor, a qual pode estar sendo transmitida ao vivo ou ter sido gravada em outro momento. Neste modelo, da mesma maneira que ocorre com o curso presencial, as aulas contam com horário e local definidos;

– cursos web: o presente modelo, de forma semelhante ao satelitário, não conta com a

presença física do professor. Por outro lado, também não há a ocupação coletiva de espaço físico por parte de alunos, inexistindo ainda a definição de local e horário para o contato com a informação a ser transmitida. Ou seja, o aluno assiste de onde bem entende, no momento em que considerar mais adequado, precisando apenas de um computador e de conexão de

Internet.

2 – quanto ao conteúdo:

– genérico: envolve um conjunto amplo de matérias e conteúdos, definidos conforme o edital do concurso, ou tendo um caráter mais genérico stritu sensu, correspondendo a um programa que possa ser cobrado em vários concursos;

– por matérias ou modular: neste caso o aluno tem contato apenas com as matérias especificamente contratadas.

3 – quanto à abordagem do conteúdo:

– conceitual/teórico: as informações são desenvolvidas com uma abordagem conceitual, seguindo uma sequência lógica e cadenciada da matéria;

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– resolução de exercícios: os conteúdos são desenvolvidos de forma a solucionar os exercícios, não havendo necessariamente uma sequência lógica de conteúdos, vez que esta é determinada pelos exercícios.

Diante dessas possibilidades, é preciso que o candidato desenvolva um diagnóstico de suas condições e contexto, procurando identificar não apenas a conveniência do curso preparatório, como também o modelo mais eficiente, diante da realidade levantada.

Não há dúvida de que numa análise comparativa entre o curso preparatório e o estudo bibliográfico existem diferenças significativas, principalmente em termos de processos cognitivos mobilizados. Isto é, a apropriação da informação ao estudar numa biblioteca tende

a não ser a mesma ocorrida ao estar numa sala de aula assistindo ao professor.

Segundo um dos modelos de compreensão da aprendizagem, aplicável à preparação para concursos públicos, o referido processo se desenvolve em quatro etapas, quais sejam: input,

cognição, output e retroalimentação. A primeira (input) consiste no contato com a informação,

a segunda (cognição) envolve a compreensão da informação, já a terceira (output)

corresponde à exteriorização da informação, sendo que a última (retroalimentação) consiste

na reiteração do contato com o objeto da aprendizagem.

Assim, se o aluno entra na sala de aula e ouve o professor falar, mas não se esforça para entender, significa que a primeira etapa foi alcançada, mas não se chegou à segunda. Por outro lado, se anota o que o professor diz, mas não entende o sentido da explicação, teoricamente, foi para a terceira etapa sem passar pela segunda, o que tende a significar ineficiência no processo de apropriação da informação.

Independente dessas ponderações, o fundamental é que o candidato ao concurso público avalie qual processo cognitivo considera mais eficiente, em termos de apropriação das informações e disponibilidade destas no momento da prova. Vale destacar que este, ou seja, disponibilidade das informações solicitadas no momento da prova, consiste no objetivo de qualquer preparação para concurso público.

Outro aspecto relevante consiste no papel que o curso preparatório irá desempenhar. Conforme venho sustentando, a metodologia da preparação para o concurso público deve ser estruturada em torno de duas etapas. Uma primeira seria voltada a um processo de apropriação primária, envolvendo a construção dos pilares cognitivos fundamentais, isto é, consiste naquilo que normalmente é chamado de conhecimento-base. Já a outra seria voltada

à manutenção e ao aperfeiçoamento das informações apropriadas na primeira fase.

Neste sentido, em termos táticos, a proposta é de que a primeira etapa seja desenvolvida por meio do estudo bibliográfico. Já a segunda fase, considero comportar a realização de cursos preparatórios.

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Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade Rogerio Neiva

No entanto, algumas matérias contam com dificuldades para o estudo bibliográfico individualizado. Por exemplo, ao estudar matemática financeira e estatística na pós-graduação que desenvolvi em Administração Financeira, me convenci de que não teria condições de me apropriar dos referidos conteúdos de maneira individualizada. Talvez isso decorra do fato de a minha graduação ter sido na área do Direito, bem como em função da natureza abstrata e totalmente operatória da referida matéria.

Mas o fundamental é que o candidato procure refletir sobre o seu processo de preparação, suas condições e os possíveis modelos e papéis que podem ser exercidos pelo curso preparatório, de modo a tomar uma decisão eficiente. Eficiente e consciente.

Não tenho dúvida de que o curso preparatório possui o seu papel e a sua importância. Mas também não tenho dúvida de que não é a solução para todos os problemas. Não tenho dúvida de que não é a fórmula do sucesso que vá garantir a aprovação.

Em certa ocasião vi um ex-colega professor afirmar que dizia aos alunos para saírem da sala de aula e irem para a biblioteca, pois só assim passariam no concurso público. Algum tempo depois, esse mesmo ex-colega se tornou um empresário de cursos preparatórios, tendo eu ministrado aulas durante certo período na sua instituição. Ao me apresentar para uma turma, assisti esse mesmo ex-colega, na minha frente, afirmar aos alunos para não irem para a biblioteca e ficarem “aprendendo de verdade na sala de aula”.

Não obstante a falta de coerência – e talvez até de ética, não considero que estivesse correto nem quando assumiu o primeiro personagem, tampouco quando assumiu o segundo.

O que não é correto é o candidato buscar o curso preparatório por não saber como se planejar, como estudar ou pelo fato de ter sido publicado um edital. O fundamental é que o candidato, assumindo a atitude do “Candidato de Alto Rendimento”, tenha uma compreensão estratégica e tome uma decisão eficiente e racional. E, com isso, dê passos de grande importância para que possa visualizar o seu nome na lista dos aprovados.

Bons estudos, boa decisão, boas aulas e sucesso na busca da aprovação!!!

A IMPORTÂNCIA DO LOCAL DE ESTUDO E O CENSO DAS BIBLIOTECAS

No âmbito do processo de preparação para o concurso público, a definição do local de estudo consiste num elemento que deve compor o planejamento tático-operacional do candidato, contando com importância significativa. Daí se impõe a seguinte pergunta: você já definiu os locais em que vai desenvolver seus estudos? Se responder “sim”, provavelmente a resposta seguinte é de que esse lugar corresponde à biblioteca ou à sua residência. Para alguns também

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pode ocorrer de ser um espaço de caráter mais profissional, no qual se tenha condições mínimas de estudo, tal como um escritório.

Recentemente, o Ministério da Cultura divulgou o censo sobre as bibliotecas no Brasil. Dentre

os diversos dados que chamaram a atenção da sociedade, houve um que me despertou um

particular interesse. Segundo a pesquisa, Brasília conta com a segunda população do país que mais frequenta bibliotecas. E, diante do dado apresentado, as autoridades locais já tinham um outro dado curioso: mais da metade desses frequentadores são concurseiros! Mas não bastassem essas informações, outro detalhe que despertou interesse foi de que 55% bibliotecas do DF abrem à noite, sendo tal percentual correspondente ao dobro da média

nacional.

Diante disso, uma hipótese preliminar se impõe: muitos candidatos estão estudando nas bibliotecas, principalmente no horário noturno, o que pode presumir estarem trabalhando durante o dia.

Outro detalhe interessante que esse cenário revela consiste na colaboração da estrutura educacional do Estado com a democratização da disputa aos cargos públicos e efetivação do princípio do livre acesso, assim estabelecido no art. 37 da Constituição Federal. Vale lembrar que a pesquisa tem como objeto exclusivamente as bibliotecas públicas.

Mas independente dessas ponderações, a importância da definição do local de estudos envolve não apenas a busca de eficiência na execução do planejamento da preparação, mas também consiste em meio de geração de condições adequadas ao processo de aprendizagem.

Vale lembrar que a preparação para o concurso exige a preocupação com aspectos estratégicos e táticos. Os primeiros estão no campo decisório, envolvendo elementos como a definição de objetivo e programa. Já os aspectos táticos são aqueles que devem ser considerados ao longo da implementação do planejamento da preparação.

A clareza do local ou dos locais de estudos, no âmbito da montagem e execução do

planejamento, é fundamental para que o candidato não perca tempo decidindo onde irá estudar. Isso também produz reflexos em relação à disciplina, ao tornar o candidato menos vulnerável aos furos em sua grade de estudos. Ou seja, o candidato que sabe onde vai estudar, ao chegar o momento de estudo, já tem um destino a seguir, objetivamente e previamente estabelecido. Por outro lado, o candidato que não conta com um local definido, estará mais

sujeito ao furo, pois não conta com destino objetivamente e previamente estabelecido.

Um conceito importante, relacionado com essa compreensão, trata-se da ideia do “descarregamento”, conceito este desenvolvido pelo autor americano David Allen. Segundo a referida noção, ao “descarregarmos” determinada informação em algum meio de registro, deixamos de ter a preocupação com aquilo, o que gera uma série de repercussões positivas, inclusive aliviando o stress. Essa mesma construção é trabalhada pelo brasileiro Christian

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Barbosa, atualmente uma das maiores autoridades em gestão do tempo. No caso da preparação para o concurso público, se o candidato já “descarregou” a definição dos locais em que irá estudar, estaria eliminando o processo decisório e automatizando o deslocamento.

Outro aspecto interessante, principalmente em relação à biblioteca, consiste na possibilidade de profissionalizar e imprimir mais seriedade ao processo de preparação. Naturalmente que nem todos os candidatos precisam deste cuidado. Mas aqueles que saem do trabalho e vão para a biblioteca, conforme se infere da pesquisa do Ministério da Cultura, seguramente acabam por profissionalizar e potencialmente imprimir mais disciplina à sua preparação para o concurso público, fazendo desta atividade o seu terceiro turno de trabalho.

No entanto, a definição do local de estudos passa por um dilema de custo e benefício, envolvendo dois aspectos fundamentais. De um lado temos o custo de deslocamento, correspondente ao tempo, possíveis desgastes e mesmo despesas com o transporte. De outro lado, em termos de benefício, temos as condições de concentração que o local de estudo escolhido pode proporcionar.

A biblioteca consiste num local naturalmente adequado ao estudo, contando com diversos

fatores que contribuem com a concentração, tal como a adequação do ambiente e o fato de outras pessoas estarem estudando, o que acaba por se traduzir num estímulo externo. Seguramente esta também deve ser uma das preocupações dos candidatos frequentadores de

bibliotecas, os quais acabaram por influenciar o censo.

Contudo, geralmente essa opção exigirá um custo de deslocamento. Já o estudo na residência não impõe o referido custo de deslocamento, mas conta com uma série de fatores de dispersão de atenção, tais como o acesso fácil ao telefone, à internet, à cama, à geladeira, havendo ainda uma vulnerabilidade maior às interrupções de terceiros.

A eficiência do processo de aprendizagem voltado à preparação para o concurso exige a

preocupação com a concentração. A concentração e a atenção consistem numa das chamadas funções cognitivas primárias, juntamente com a sensação e a percepção.

Nós podemos nos concentrar espontaneamente ou de forma provocada. Conforme desenvolvi de maneira mais aprofundada no último livro que publiquei recentemente sobre o tema (Como se Preparar para Concursos Públicos com Alto Rendimento, Ed. Método), um torcedor fanático por determinado time de futebol se concentra no jogo da final de forma muito espontânea. Já o candidato, no seu local de estudos, dificilmente terá esta capacidade de concentração espontânea.

Daí a necessidade de se preocupar com os fatores de concentração. Segundo as ciências cognitivas, estes se dividem em fatores endógenos, por exemplo, o nosso estado emocional estar mais propício ou não, e exógenos, decorrentes do ambiente externo. Nós, enquanto seres humanos, temos uma tendência à seletividade de estímulos, ou seja, normalmente, para

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dedicarmos mais atenção a um estímulo, temos que diminuir a atenção voltada a outros. Basta pensar na experiência de atravessar uma rua. Se formos dar atenção a todos os estímulos à nossa volta, correremos o risco de seremos atropelados.

Dessa maneira, o local de estudos, em função dos estímulos relacionados com o ambiente, pode contar com fatores exógenos de concentração ou desconcentração, podendo colaborar ou atrapalhar com a eficácia do processo de aprendizagem.

Portanto, é fundamental que o candidato não apenas defina um local de estudos, mas também avalie, refletindo sobre a relação de custo e benefício envolvida, e o caráter eficiente, estratégico e racional de sua escolha. Seguramente essa preocupação lhe proporcionará uma grande contribuição para o alcance da sua aprovação no concurso ou exame.

Sucesso e bons estudos!

PREPARAÇÃO PARA CONCURSO E O PRAZER EM APRENDER:

Um tema de grande relevância e que conta com pouca atenção, principalmente em termos de produção intelectual, consiste na ideia de trabalhar o prazer em aprender no âmbito da preparação para o concurso público. Na realidade, tal importância consiste não apenas em trabalhar o prazer em aprender, mas também identificar a falta do prazer em aprender, bem como as suas consequências no processo de busca da aprovação.

Neste sentido, primeiramente, é fundamental reconhecer que muitos candidatos apresentam resistências a determinadas matérias. Não é incomum ouvir de candidatos, que não contam com formação acadêmica na área do Direito, manifestarem tais dificuldades e resistências em relação às matérias jurídicas.

É importante compreender que tal resistência geralmente decorre da percepção de dificuldade em relação a determinada matéria, ou da falta de vontade em estudá-la. Ou seja, aí normalmente reside a fonte da falta do prazer em aprender.

Naturalmente que se esta matéria é classificada como importante para o concurso almejado, o cenário se torna ainda mais complicado. Vale dizer que o conceito de importância da matéria pode decorrer da quantidade de questões passíveis de cobrança no momento da prova, do peso atribuído a elas ou da complexidade dos conteúdos cobrados.

No âmbito das ciências voltadas ao estudo do processo de aprendizagem humana, há um campo do conhecimento denominado matemática emocional, a qual tem por objeto exatamente a análise dos fatores emocionais que interferem nas resistências e dificuldades para o aprendizado da matemática. Dentre as construções desenvolvidas, destaca-se a noção

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de que na esfera do domínio afetivo existem valores e crenças que, inegavelmente, acabam por influenciar ou comprometer a aprendizagem. Ou seja, não é preciso se esforçar muito para constatar que há uma íntima relação entre a falta do prazer em aprender – a qual é influenciada por fatores emocionais – e a dificuldade para o aprendizado. Inclusive, existem estudos indicativos que essas limitações podem contar com repercussões até mesmo fisiológicas, causando, por exemplo, dor de cabeça durante os estudos.

Portanto, considerando todas as premissas e ponderações apresentadas, é possível que, em maior ou menor grau – e espero que seja em menor, em relação a alguma ou algumas matérias –, você esteja com resistências e limitações quanto ao prazer em aprender. E isso, naturalmente, tende a ser um obstáculo na sua preparação para o concurso público.

Vale salientar que o objetivo da preparação para concursos públicos precisa ser encarado e compreendido como um empreendimento de natureza intelectual. Isto é, um empreendimento no qual a obra a ser construída consiste na apropriação cognitiva de um conjunto de informações e conhecimentos passíveis de cobrança no momento da prova.

Assim, de modo a superar a limitação decorrente da falta do prazer em aprender, uma primeira ideia fundamental consiste na identificação da utilidade, importância e sentido do conhecimento estudado. Não há dúvida de que todo e qualquer conhecimento cobrado no edital, em regra, conta com alguma utilidade e importância que vai além da preparação para a prova.

Apenas a título de exemplo, no caso do Direito, aprender Constitucional significa compreender as regras básicas e fundamentais de funcionamento de nossa sociedade. Significa ver no noticiário que o STF está discutindo a legitimidade de um ato do Presidente da República ou a constitucionalidade de uma lei e entender o sentido disso. Aprender Direito Administrativo significa saber o sentido e os limites do poder de polícia de uma autoridade administrativa que nos aborda. O mesmo vale para outros campos do conhecimento, como a Língua Portuguesa, o Raciocínio Lógico, a Administração Financeira e Orçamentária ou a Contabilidade.

Dessa maneira, não há dúvida de que é possível identificar o sentido e a utilidade no estudo para o concurso público, os quais vão além da prova. E isso geralmente vale para todas as matérias previstas no edital.

Outra atitude importante consiste em procurar sentir e vivenciar o prazer do aprendizado, independente objeto de aprendizagem. Todos nós, enquanto seres humanos, temos estruturas cognitivas voltadas à aprendizagem, inclusive por uma questão de sobrevivência. Existem estudos indicativos de que passamos a ser bípedes por um processo de aprendizagem, pois nem sempre tivemos essa condição. Isso significa que fomos biologicamente concebidos para aprender, sendo que, logicamente, o prazer em aprender é algo mais do que natural. A satisfação com a conquista do conhecimento apropriado é inerente à natureza humana, sendo

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que sentirmos prazer em aprender determinado conhecimento consiste em algo mais do que natural.

As duas ideias apresentadas também se relacionam com um aspecto estratégico de grande importância para a preparação. Trata-se da preocupação e do foco no processo. Ou seja, não sermos reféns de uma preparação por um resultado – ainda que tenhamos claro que o nosso objetivo finalístico e principal consiste na aprovação.

Mas a ideia é estarmos focados no processo, na execução do plano, tendo na aprovação uma consequência lógica. Vale lembrar que na preparação para o concurso público temos um objetivo mediato e outro imediato. O objetivo mediato consiste na aprovação, ao passo que o objetivo imediato consiste no desenvolvimento de um processo de apropriação do conhecimento eleito como passível de cobrança no momento da prova.

Ou seja, por um lado, é preciso trabalhar com a ideia de que vou estudar para aprender e sei que este conhecimento a ser aprendido me proporciona prazer, pois sou um ser humano dotado de um equipamento biológico que, naturalmente e filogeneticamente, gera satisfação ao me apropriar de um objeto cognitivo. Além do mais, também é fundamental compreender que este conhecimento tem alguma utilidade na minha vida, inclusive enquanto cidadão.

Por outro lado, outra atitude importante consiste em estar focado no processo. Ou seja, não apenas buscar ter satisfação no aprender, mas também admitir como objetivo o alcance de metas de curto prazo, correspondentes ao cumprimento do que foi estabelecido no âmbito do planejamento de estudo. Para os usuários do Tuctor, uma atitude importante consiste em estar focado na superação ou alcance dos indicadores de metas de desempenho estabelecidos no sistema.

Concluindo, é preciso que o candidato procure trabalhar o prazer em aprender ao longo da preparação para o concurso. Além do mais, também é preciso estar focado na execução do planejamento, ou seja, no processo. Trabalhando com as referidas noções, a conquista da aprovação passa a consistir numa consequência lógica, natural e prazerosa.

Sucesso na busca da aprovação e bom cultivo da satisfação com os estudos!

DÚVIDA DO CANDIDATO: Perguntas e Respostas sobre Preparação para Concursos (Doutrina x Lei Seca):

PERGUNTA:

Bom dia, Professor Rogerio Neiva!

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Primeiramente, gostaria de parabenizá-lo pela excelente palestra proferida na feira do candidato, local em que tive a oportunidade de participar, e após as explanações desenvolvidas, fiz-lhe um breve questionamento, o qual completo agora.

Estou focando como objetivo de cargo público o concurso para Delegado de Polícia Civil, o qual será composto em sua seleção pelas seguintes disciplinas: Penal, Processo Penal, Administrativo, Constitucional, Civil, Processo Civil, Tributário e Legislação Ambiental.

Gostaria de saber qual a sua opinião sobre o estudo iniciando-se pela Lei Seca nos vários códigos. Grato pela atenção e estarei no aguardo de resposta, sugestões e orientações.

Marco Aurélio.

RESPOSTA:

Caro Marco Aurélio,

Conforme venho sustentando, considero que o estudo doutrinário e da legislação são complementares, e não excludentes, por mais que algumas provas objetivas cobrem somente a literalidade do texto da lei (lei seca).

Neste sentido, com a intenção de colaborar com o alcance da resposta, o primeiro aspecto fundamental é que se você tenta estudar apenas o texto da lei – e digo “tenta”, pois não acredito que isso seja aprendizagem efetivamente – há uma tendência ao comprometimento de eficiência na compreensão. Porém, obviamente, levará um tempo menor do que se fosse realizar o estudo conjunto, ou seja, da bibliografia (doutrina) e do texto da lei.

Por outro lado, se realizar o estudo da legislação juntamente com o texto doutrinário, demandará um tempo maior, mas acredito que terá um ganho de aprendizagem.

Por esse motivo, entendo que os estudos devem ser considerados complementares.

Exemplificando, considero que não há como estudar o art. 22 da Constituição Federal sem entender os conceitos de competências legislativas. Não há como estudar o art. 927 do Código Civil, sem entender a diferença entre responsabilidade civil objetiva e subjetiva. Não há como entender os artigos da Parte Geral do Código Penal, sem entender o conceito de crime e a teoria da imputação objetiva.

No âmbito das ciências cognitivas, temos o conceito de aprendizagem mecânica e aprendizagem de significados. A primeira envolve processos de memorização sem compreensão de conteúdos e sem a existência de sentido para o aprendente. A segunda envolve a apropriação de informações com compreensão de conteúdos e sentido do objeto cognitivo para quem aprende.

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Como costumo dizer nas palestras, normalmente temos uma aprendizagem mecânica da primeira estrofe do Hino Nacional, pois sabemos a letra. No entanto, não temos a disponibilidade imediata da compreensão do sentido. Ou seja, sabemos repetir de imediato a primeira estrofe do nosso Hino, mas não sabemos explicar de imediato a história que é retratada no referido trecho.

Portanto, meu caro, por trás da sua pergunta há um dilema, isto é, um trade-off de custo- benefício. Minha intenção não é apresentar fórmulas mágicas, prontas e acabadas. Apresento apenas caminhos e possibilidades, instigando o candidato à busca de eficiência.

A questão é, qual preço você está disposto a pagar?

Pode ser que tentando decorar a letra da lei tenha a disponibilidade da informação no momento da prova. Pode ser que não. A decisão é sua. Pode ser que, dado o seu tempo, seja mais estratégico e eficiente este caminho. Pode ser que tenha um tempo maior e seja mais estratégico e eficiente partir para o outro caminho da aprendizagem de significados, conjugando o estudo do texto da lei (lei seca) e da bibliografia (doutrina).

Atualmente, considero que temos uma pluralidade de fórmulas mágicas e vendas de ilusões com ganhos fáceis no universo da preparação para concursos. Até mesmo recursos musicais são invocados para ensinar assuntos complexos.

Não sou o dono da verdade e não tenho a pretensão de ser. E me considero um conservador. Sou um entusiasta da aprendizagem com compreensão de sentido. Não acredito em fórmulas mágicas e no “segredo do sucesso” de como passar em concursos públicos.

Não acredito em aprovação sem esforço. Não acredito na preparação para concursos públicos pautada na perspectiva de curto prazo. Não acredito no êxito daqueles que assumem a condição do “candidato micro-ondas”, o qual está sempre em busca da fórmula mágica, que viabilize a aprovação de forma rápida e sem esforço.

Acredito na preparação de alto rendimento e pautada numa perspectiva de longo prazo. Porém, tenho a convicção de que este esforço pode ser implementado de maneira mais otimizada, eficiente, estratégica e racional.

Talvez seja viável algum caminho intermediário, na medida em que para determinadas matérias e provas se adote a legislação seca apenas e para outras se desenvolva o estudo da doutrina conjugado com a legislação. Confesso que jamais estudei apenas a legislação seca. Já cheguei a fazer revisões para provas objetivas exclusivamente com o uso da legislação. Mas para estudar de forma efetiva, sempre o fiz com a doutrina.

Na realidade, não posso lhe dar a resposta definitiva, pois a decisão deve ser tomada e assumida por você, com os ônus e os bônus inerentes. Só posso tentar, humildemente, com base na minha experiência, vivência e estudos sobre o tema – conquistados às custas de muito

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empenho, investimentos e esforços intelectuais –, lhe auxiliar na reflexão sobre as possibilidades de respostas. Esta é a intenção.

Espero que tenha ajudado. Também espero que tome uma decisão eficiente. Estou na torcida

e à disposição!

DROGAS DOS CONCURSEIROS: UMA ILUSÃO DE EFICIÊNCIA COGNITIVA!

Você já teve contato, já usou ou já ouviu falar das drogas dos concurseiros?

Muito bem, ao que tudo indica, vem ganhando força a ideia do uso de drogas cognitivas no universo da preparação para concursos públicos. Trata-se de um recurso perigoso e ilusório.

Alguns candidatos têm recorrido a substâncias químicas com a intenção de otimizar o processo de estudos. Geralmente estas correspondem ao metilfenidato, mais conhecido como ritalina, e

o modafinil. A intenção seria melhorar as funções cognitivas primárias, tais como a atenção e a concentração.

Antes de mais nada, vale lembrar que o referido recurso se trata de uma droga. Segundo o dicionário de Michaelis, droga seria a “designação comum a todas as substâncias ou ingredientes aplicados em tinturaria, química ou farmácia”.

Infelizmente, a postura de adoção indiscriminada do aludido recurso atinge não apenas o mundo da preparação para concursos públicos, mas também já vem, há algum tempo, afetando o universo da educação infantil. Não é incomum que profissionais da saúde ou da educação, diante de transtornos de aprendizagem por parte de crianças – principalmente o TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) –, recomendem de imediato o uso da ritalina, sem a tentativa de outros meios, recursos ou estratégias de superação da mencionada dificuldade.

Como um pesquisador das ciências da aprendizagem e principalmente contando com uma convivência interdisciplinar com profissionais de diversas áreas da saúde e educação que atuam no ensino fundamental e médio, percebo as dimensões preocupantes que o referido problema vem assumindo.

Mas diante desse cenário, para os candidatos a concursos públicos, dois aspectos fundamentais exigem consideração. O primeiro seria os efeitos colaterais e problemas passíveis de ocorrência no futuro. O segundo seria a real eficiência do referido recurso.

Como sei que muitos dos candidatos não se preocupam com o futuro, estando tomados pelo imediatismo e às vezes pelo desespero de busca pela aprovação, vou ignorar solenemente a

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primeira preocupação. Registro que considero positivo este “quase desespero”, pois se traduz em motivação e compromisso com o processo de preparação. No entanto, como tudo na vida, radicalismos e exageros sempre são indesejáveis, inclusive pelo risco de que a referida intensidade de envolvimento ao longo da trajetória de estudos não se mantenha constante.

Assim, considerando a preocupação-alvo que elegi, saliento que tenho sérias e consistentes dúvidas sobre a eficiência do uso dos referidos medicamentos. Em tese, a intenção consiste no aumento da concentração e atenção. Para entendimento da referida atitude, destaco que há um conceito de grande aplicação.

Trata-se da ideia da curva de aprendizagem. A referida construção foi desenvolvida pelo alemão Hermann Ebbinghaus e aperfeiçoada por Theodore Paul Wright. Tal conceito envolve a noção de que o processo de aprendizagem não é necessariamente linear. Ou seja, ao iniciarmos nossos estudos em determinado momento, haverá um ponto ótimo de aproveitamento, após o qual este contará com um comprometimento. A referida ideia se relaciona com um conceito da ciência econômica denominado função utilidade, conforme o qual em processos produtivos existem momentos e situações de otimização positiva ou negativa de resultados.

Ou seja, resumo do resumo: 10 horas seguidas de estudos não são o resultado aritmético de 1 hora vezes 10 de estudos. Como se costuma invocar entre as construções conceituais sobre gerenciamento de projetos, nove mulheres grávidas não fazem uma cirança nascer em um mês.

Assim, não é o fato de tomar um medicamento que permita permanecer 10 horas estudando que garantirá a eficácia de tal processo cognitivo e, principalmente, da apropriação intelectual da informação passível de solicitação no momento da prova. Não custa lembrar que o cérebro conta com uma estrutura biofisiológica complexa, não funcionando como uma máquina. Isto é, não é uma questão de trocar a pilha ou colocar uma bateria mais potente.

Recentemente, o periódico Mente e Cérebro publicou uma matéria noticiando que alguns cientistas estariam propondo a reflexão sobre a conveniência de adoção das mencionadas substâncias, enquanto meio de otimização cognitiva. No entanto, não deixou de fazer o devido e necessário alerta, ao colocar que “essas drogas devem ser cuidadosamente estudadas para esse fim, e devem ser avaliados seus riscos e benefícios” (Ano XVI, n. 193, p. 21).

Saliento que, apesar da percepção de alguns no sentido da eficiência da busca de drogas cognitivas, considero – em termos de formulação de hipótese –, que se trata apenas e tão somente de uma ação de efeito placebo. Não há dúvida de que temos a natural capacidade de reagir, inclusive em termos fisiológicos, diante da crença de que determinada substância provoca determinado efeito esperado. Pode ser que por trás da aparente e ilusória vantagem subsista a atuação do referido mecanismo.

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Esclareço que isto não significa defender a tese de ineficácia da ritalina para superar determinados distúrbios de aprendizagem. Até porque o objeto da presente abordagem não envolve o prognóstico e o tratamento das referidas patologias cognitivas. Trata-se de refutar a tese da utilidade da medicação para a otimização dos estudos, por parte de pessoas em perfeitas condições, considerando o padrão de normalidade.

Portanto, não tenho dúvida em afirmar que, em vez da busca de ganhos facilitados e ilusórios,

a otimização dos estudos deve ser viabilizada por estratégias e atitudes adequadas, principalmente em termos da estruturação do planejamento da preparação.

Recentemente, publiquei texto sobre o Princípio de Pareto e a Preparação para Concursos Públicos, apontando algumas ideias que podem ser implementadas no sentido da referida maximização e eficiência de esforços empreendidos. Além disso, não é preciso muito esforço intelectual para se convencer da importância do cultivo de hábitos saudáveis, em termos físicos e psicológicos, enquanto meio de gerar condições adequadas ao processo de estudo e aprendizagem.

Enfim, espero que você reflita sobre os alertas apontados e manifesto meus votos de que desempenhe uma preparação estratégica, eficiente, racional, de alto rendimento e, acima de tudo, saudável!!!

APRENDIZAGEM NA PREPARAÇÃO PARA CONCURSO: EXISTE ALMOÇO GRÁTIS?

O objetivo deste post consiste na abordagem de algumas ponderações importantes sobre

técnicas de estudos e processos cognitivos, aplicados à preparação para concursos. A iniciativa

de trabalhar o presente tema decorreu do email que recebi recentemente de um leitor do Blog

e usuário do Tuctor, o qual perguntava a minha opinião sobre um serviço que fornecia material

para memorização, envolvendo o conteúdo do concurso público para o qual vem estudando.

Neste sentido, inicio pontuando que, como em relação a qualquer outra atitude ou decisão a ser tomada pelo candidato, é preciso ponderar sobre um trade-off (conflito) envolvendo uma lógica de custo-benefício. Ou seja, é preciso pensar e agir de forma estratégica e tática, de modo a maximizar a eficiência do esforço empreendido.

Conceitualmente, temos a aprendizagem mecânica e a aprendizagem de significados. A primeira não conta com a compreensão de sentido, ao passo que a segunda conta com a compreensão de sentido e significado do objeto de estudo.

Conforme tenho sustentado, normalmente sabemos a primeira estrofe do hino nacional, mas geralmente não sabemos contar a história que é retratada por meio dessa mesma estrofe, salvo parando, a partir da reprodução mecânica, para refletir sobre o significado do conteúdo.

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O fato é que geralmente, exceto no caso de uma repetição muito intensa, a aprendizagem mecânica se perde com mais facilidade que a de significados. Porém, esta última tem um preço maior.

Podemos tentar aprender um tema de Direito Constitucional, como, por exemplo, competências legislativas, decorando o art. 22 da Constituição Federal, para ter a disponibilidade da informação correspondente às matérias que se inserem na competência privativa da União. No caso, seria uma aprendizagem mecânica. Mas também podemos tentar entender o sentido e o porquê do Direito Civil e Penal não se inserirem na competência legislativa dos Estados e do Distrito Federal. Podemos tentar entender por que isso ocorre no Brasil, mas não ocorre nos EUA, a partir de uma compreensão do processo histórico de desenvolvimento do modelo federativo brasileiro, comparado com o modelo americano. E no caso, entenderemos que o movimento federativo aqui foi centrífugo (foge do centro), pois como éramos uma colônia de exploração, havia um poder central forte que criou os poderes locais, diferentemente dos EUA que, por ser uma colônia de povoamento, não contava com um poder central tão forte, tendo um movimento federativo de caráter centrípeto. E assim, entenderemos o sentido da grande quantidade de matérias que se inserem na competência legislativa privativa da União.

O primeiro modelo de aprendizagem exemplificado, pautado pelo “decoreba”, foi mecânico, ao passo que o segundo foi de significados. É natural que o primeiro demande um nível de tempo e esforço menor, mas também tenderia a proporcionar uma eficiência menor. A questão fundamental é qual preço o candidato está disposto a pagar em troca de qual benefício, em termos de aprendizagem e disponibilidade da informação no momento da prova.

Existe uma construção muito importante, desenvolvida no âmbito das ciências cognitivas, voltada à explicação do processo de aprendizagem humana, envolvendo os conceitos de assimilação e acomodação. Na assimilação o aprendente compara a nova informação com a preexistente, ou seja, a que havia sido apropriada anteriormente. Já na acomodação são compreendidas as diferenças entre a informação nova e a anterior, permitindo a efetiva construção do conhecimento. No entanto, existe o fenômeno da hipoassimilação, o qual leva à hiperacomodação. Tal fenômeno ocorre nas aprendizagens totalmente mecânicas e mnemônicas, sem a compreensão de sentido ou significado.

Pessoalmente, acho que em algumas circunstâncias a memorização sem a compreensão profunda de sentido pode ser útil. Principalmente se nos ajudar a fazer um ponto na prova.

Mas, efetivamente, só acredito em aprendizagem verdadeira que envolva a compreensão de sentido e significado. Isto é, considero que a garantia da aprovação vem apenas com esse tipo de aprendizagem. Não acredito em fórmulas mágicas ou no “segredo do sucesso da aprovação

Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade

Como se preparar para CONCURSOS PÚBLICOS COM ALTO RENDIMENTO Prepare-se com estratégia, eficiência e racionalidade Rogerio Neiva

em concursos”. Não acredito que a aprovação seja uma loteria que nos proporciona o prêmio de ter o nosso nome na lista de aprovados.

Acredito na preparação de forma estratégica, eficiente e racional, a qual assegure a maximização do esforço implementado e efetivamente proporcione resultados.

VALE A PENA ESTUDAR EM GRUPO?

Será que o estudo em grupo consiste numa atitude eficiente na preparação para concursos? Alguns candidatos incorporam a referida atividade aos seus estudos, avaliando ou não a sua eficiência. Outros candidatos rejeitam tal possibilidade, seja por ignorá-la, seja por contar com a convicção e a avaliação de que não se trata de uma estratégia adequada.

Dentre os estudiosos da aprendizagem, muitos já se debruçaram sobre a análise desta modalidade de estudo. Segundo o francês Michael Coéffé, especialista em métodos de estudo, “o estudo em grupo pode ser útil quando bem planejado; em nenhum caso deve ser improvisado” 4 .

Fazendo uma leitura das descrições e trajetórias dos candidatos da pauta do Relato de Êxito, podemos constatar nitidamente que alguns reconhecem a eficiência da referida atividade, defendendo a sua adoção de maneira convicta, outros entendem como não recomendável, havendo ainda aqueles que ignoram a possibilidade de adoção da referida modalidade de estudos.

Dentre aqueles que defendem o estudo em grupo, destacam-se os seguintes fundamentos: (1) permite o compartilhamento de informações, em relação às quais seria demandado tempo e esforço maiores para que se tivesse o contato; (2) implica no compromisso de estudo perante terceiros, de forma periódica e com caráter de obrigação; (3) imposição da atividade de elaboração de textos, o que pode colaborar com a realização de questões dissertativas.

Já quanto aos que rejeitam a importância do estudo em grupo, destaca-se a seguinte fundamentação: (1) possibilidade de contato com informações equivocadas; (2) risco de que alguns membros do grupo não colaborem, por descumprir o ajuste estabelecido, e ainda assim se beneficiem da atividade dos demais; (3) exposição ao contato com pessoas que podem estar tomadas por sentimentos de inveja e não estejam torcendo pelo êxito dos demais.

Tais posicionamentos e ponderações, que guardam coerência e sentido em seus fundamentos, inegavelmente, foram construídos e constatados a partir da experiência de cada candidato. E

4 COEFFE, Michel. Guia dos métodos de estudo. São Paulo: Martins Fontes, 1996.

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no caso, estamos falando de candidatos que lograram êxito na aprovação no concurso público! Mas o fato é que se trata de colocações estabelecidas a partir de um elemento puramente empírico.

Procurando realizar uma análise mais consistente e fundamentada, por meio da adoção das construções e conceitos estabelecidos no âmbito das ciências da aprendizagem, uma primeira ideia relevante que poderia ser considerada para a análise da eficiência do estudo em grupo consiste na tese das etapas da aprendizagem, propostas pelo psicopedagogo português Vitor da Fonseca 5 . Segundo este, a aprendizagem se desenvolve em quatro etapas, envolvendo o input (contato com a informação), a cognição (compreensão da informação), o output (a exteriorização da informação) e a retroalimentação (a reiteração do contato com a informação). Dessa forma, analisando o estudo em grupo a partir da referida ideia, podemos considerar que se trata de uma oportunidade e mecanismo de output, por parte daquele que faz a apresentação do tema que está sob sua responsabilidade, bem como de retroalimentação, pois também subsiste a reiteração do contato com o conhecimento objeto do estudo.

Outra ideia importante consiste na noção da aprendizagem segundo o festejado Jean Piaget. Para o referido autor, um dos pais da psicopedagogia, a aprendizagem envolve a atividade de assimilação, na qual se faz uma checagem entre o conhecimento novo e o preexistente e a acomodação, em que é feita a adaptação entre o novo e o preexistente, fazendo, a partir desta segunda etapa, com que se alcance um estado de equilíbrio, consolidando a aprendizagem.

Assim, no estudo em grupo, aquele que já alcançou a etapa da apropriação da informação nova, ou seja, já teria atingido a etapa da equilibração, pode facilitar o processo de assimilação e acomodação para os demais colegas do grupo, principalmente diante da possível identidade de condições e experiências entre ambos. Trata-se da lógica que está por trás daquela situação de um colega de sala que consegue entender um determinado assunto que os demais colegas ainda não compreenderam contar com melhores condições do que o professor para fazer os demais entenderem.

Neste sentido, adotando o referido conceito, também chegamos à conclusão da importância e do potencial de eficiência do estudo em grupo.

Como candidato, nas diversas fases que vivenciei, até ser aprovado no concurso da Magistratura, tive algumas experiências de estudo em grupo, tanto para provas dissertativas, quanto para provas de sentença. Apesar de considerar que foi proveitosa e eficiente a referida atividade, não posso negar que era comum a falta de otimização do tempo nos encontros presenciais, principalmente em função da tentação das conversas desvinculadas daquelas que deveria ser a pauta das reuniões, ou seja, o objeto de conhecimento a ser estudado.

5 FONSECA, Vitor da. Cognição, neuropsicologia e aprendizagem. Petrópolis: Vozes, 2007.

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Portanto, não podemos ignorar, inclusive na linha das ponderações de alguns candidatos de êxito, que é preciso tomar certos cuidados. Inegavelmente, os possíveis aspectos negativos podem comprometer todas as vantagens inerentes à referida atividade. Mas o fato é que tais vantagens existem, principalmente no plano da aprendizagem, e sustentadas por fundamentos científicos e psicopedagógicos.

Dessa maneira, de modo a neutralizar os fatores que podem comprometer a eficiência do estudo em grupo, alguns cuidados são fundamentais:

1 – é preciso que seja estabelecida a dinâmica a ser adotada, bem como algumas regras a

serem seguidas, inclusive sanções e normas de tolerância para o caso de descumprimento, de

modo a assegurar responsabilidade e compromisso no funcionamento do grupo;

2 – é preciso contar com garantias mínimas de que os membros do grupo estão com o mesmo

compromisso emocional em relação à meta de aprovação, sendo dotados de vínculos de solidariedade, de modo que cada membro do grupo torça pelo sucesso dos demais, ainda que, efetivamente, subsistam dificuldades em termos de mecanismos objetivos de verificação

dessas condições;

3 – caso seja ajustada a realização de encontros, virtuais ou presenciais, é importante contar com regras de funcionamento e meios de controle, principalmente para se evitar a ação dos dispersores de tempo, tais como conversas desvinculadas da pauta estabelecida para o estudo em grupo, pois é natural a tentação de abordagem de assuntos fora do âmbito do conhecimento a ser estudado.

4 – por fim, lembrando as palavras de Michel Coéffé, é importante que tudo seja muito bem

planejamento e organizado, ou seja, a divisão dos temas, matérias e tarefas, bem como pauta e duração das reuniões, prazos e obrigações.

Na conformidade com todas as ponderações apresentadas, o fundamental é que o estudo em grupo pode se traduzir numa poderosa ferramenta no processo de preparação para o concurso público. Basta ter o cuidado de fazer com que a dinâmica e o funcionamento do grupo ocorram de forma adequada. Ou seja, temos aí mais uma confirmação da importância de planejamento, monitoramento e controle no processo de busca da aprovação. Temos aí mais uma manifestação da adoção da postura do candidato de alto rendimento.

Bons estudos, em grupo ou de forma individualizada, e sucesso na busca da aprovação!!