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Sa-Alternativa_de_Educacao_Popular_em_Escola_Publica

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No Brasil, surgem, na década de 1960, os diversos movimentos culturais e de Educação
Popular.9

Destaca-se a proposta educativa do educador Paulo Freire - Paulo Freire é um
educador de terceiro mundo, comprometido com este, e toda a sua proposta tem refletido a
lucidez de alguém que, preocupado com uma prática pedagógica transformadora, busca na
problemática da educação, tanto em território brasileiro como estrangeiro, encontrar
respostas às inquietações daqueles que acreditam ser a educação um dos momentos
privilegiados para a consolidação de uma transformação social. É Freire um nordestino que
sobreviveu a todos os preconceitos e marginalizações e que hoje se constitui respaldo para
tantos outros educadores que se propõe à tarefa de encontrar novos caminhos para uma
leitura do avanço educacional brasileiro e até mesmo de outras regiões do mundo. Tem uma
significativa importância, pois esta se presta a ser uma prática que, alicerçada na realidade
de miséria e do analfabetismo em que se encontrava a maioria da população brasileira,
torna-se por assim dizer um movimento de libertação e de conscientização do homem.

O resgate do significado do homem enquanto “ser no mundo e com o mundo”10

é ponto de
partida para sua fundamentação educativa, onde, através deste situar o homem de modo
concreto na sociedade, fazendo a história, estabelece um caráter avançado em termos de
trazer para o próprio homem a necessidade de criar uma consciência histórica.

Já a partir de sua obra “Pedagogia do Oprimido”, torna-se cada vez mais evidente a
preocupação de Freire com relação às relações entre as classes sociais e às lutas da classe
oprimida no sentido de conquistar uma libertação política, social, cultural e econômica,
tendo como ponto de partida a instrumentalização do saber.

9

PAIVA, Vanilda. Educação Popular e Educação de Adultos. São Paulo: Loyola, 1973

10

FREIRE, Paulo . Educação como Prática de Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1979.

19

A contribuição Freireana para com a educação tanto no Brasil como noutros países pode ser
compreendida sob dois aspectos: o primeiro diz respeito a sua fundamentação quanto à
tarefa da EDUCAÇÃO, e o segundo se refere ao binômio EDUCADOR-EDUCANDO.

Com relação ao primeiro aspecto, o que se observa de imediato é o encaminhamento crítico
dado à questão educação-libertadora, que introduz, assim, uma nova forma de compreender
tal proposta uma vez que, como já dissemos, esta se fundamenta nas relações de injustiça
social e de negação do saber a que são submetidas as camadas populares, de modo peculiar,
num momento de mudança pela qual passava a sociedade, no dizer de Freire uma
“sociedade em trânsito”.11

Nesta sociedade, os privilégios e a garantia do saber topam-se
momento de dominação e de controle de uma minoria que, submetendo a maioria da
população, advoga para si o direito de oprimir e marginalizar, constituindo isto uma forma
de fortalecer e estimular a conquista e a manutenção do poder.

Os mecanismos autoritários e de exploração a que são submetidas as classes trabalhadoras
nesta década de 1960 nos leva a ver que a prática educativa tornou-se um dos mecanismos
através do qual é permitida uma forma de se reforçar momentos significativos de
conquistas entre as classes trabalhadoras.

Como superar na prática educativa escolar uma ação que reforça aos grupos dominantes o
acesso ao poder? A resposta a esta pergunta Freire nos dá com sua proposta política de
educação12

e com sua prática educativa13

onde destaca-se a necessidade que tem o homem
recriar a sua própria sobrevivência a partir da compreensão de seu universo cultural,
político, social e econômico, 14

tornando-se assim alguém que sabe desafiar os obstáculos e
conquistar um lugar na sociedade. Com relação à prática, é o momento de se colocar em
ação uma proposta que permite ao homem uma consciência crítica de sua participação
histórica, que seja marcada pela práxis.

Freire nega ser tarefa educativa apenas a instrumentalização do saber sistematizado, mas
advoga a competência deste saber na medida em que diz ser o homem situado e datado,
com uma experiência cultural e histórica que, bem compreendida, permite-lhe fazer uma
leitura crítica e consciente de sua realidade, rigorosamente científica. Para tal rigor, este
educador chama a atenção à medida em que é negado este direito às classes trabalhadoras,
com a justificativa de estas serem incapazes de assimilar e aprender, dadas as condições de
miséria e fome as quais são submetidas.

Com relação ao binômio educador-educando, Freire, a partir de uma visão de mundo em
que o saber compreender seja fundamental no saber ler, admite que as relações entre o
educador e o educando são fundamentais para que aconteça a aprendizagem. Esta sua
argumentação defende que as experiências acumuladas, tanto do educador como do
educando, são fatores preponderantes na ação, tanto de um como de outro.

11

FREIRE, Paulo. Educação como Prática de Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1979.

12

FREIRE, Paulo. Educação como Prática de Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

13

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

14

FREIRE, Paulo; FAGUNDEZ, A. Por uma Pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

20

A sua proposta torna-se assim uma desmistificação do que havia de mítico na figura do
educador e do papel do educando, o primeiro desempenhando a tarefa de “ensinar” e
“educar”, e o segundo de “aprender” e “ser educado”, Freire diz:

Que ninguém educa e ninguém, que ninguém tampouco se educa
sozinho, que os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo.15

Para isto o autor chama a atenção por meio de sua experiência pedagógica em que a prática
educacional não é algo unilateral, onde as relações se manifestam por meio de alguém que
domina por deter o saber e de outro que é dominado por não deter este saber. Pelo
contrário, os seus argumentos se alicerçam numa visão em que o educador e o educando
parta de suas experiências culturais, estabelecendo juízos teóricos que possa permitir uma
leitura crítica da realidade, e não uma adequação de teorias a esta como meio de justificar
os interesses dominantes. Esta ação, refletida no interior da escola, torna-se assim um dos
meios viáveis para uma tomada de consciência do papel desta na sociedade.

Esta visão de Freire pode-se compreender como sendo um ponto fundamental na postura
educacional, como também na prática histórica que cada um é causa de resultado.

A proposta política educativa de Paulo Freire tem mostrado no Brasil e no exterior a sua
grande contribuição para com a educação e a história. Omiti-lo neste estudo seria uma
injustiça, uma vez que a sua ação tem permitido o desenrolar de muitas outras práticas,
pesquisas e estudos.

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