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Fichamento

Um Raio-X da “adoção à brasileira”.
Francismar Lamenza.

A doutrina convencionou como adoção à brasileira quando os adotantes registram como
próprio criança de parto alheio.

Tipos de pessoas que realizam a adoção à brasileira:
- Receio dos interessados em permanecer um elevado período na fila de adoção,
com o medo de envelhecer e ter um grande distanciamento de faixa etária.
-Temor da recusa do poder judiciário, insegurança diante da possibilidade de
contraposição ao interessado por argumentos variados.

Características das pessoas que realizam tal ato:
-Pertencentes a classe média;
-Faixa etária entre 40 e 50 anos;
-Residentes em local não pertencente à circunscrição do Cartório de Registro
Civil onde o assento da criança é indevidamente lavrado;
-Alegam necessidades prementes do jovem como justificativa;

Os adotados são recém-nascidos, pois os adotantes tentam dessa maneira aproveitar
todas as fases do crescimento da criança evitando recordações pretéritas, ocultando sua
real origem.

A doutrina considera a adoção à brasileira como um entrave à legalidade e a própria
essência da justiça no ato adotivo.

No Estado de São Paulo, a edição do Provimento nº 21/01 foi feita para combater tal
ato, como se observa no subitem 42.1, alínea “a”:
“O registrador civil, nos cinco dias após o registro de nascimento ocorrido fora
de maternidade ou estabelecimento hospitalar, fornecerá ao Ministério Público da
Comarca os dados da criança, dos pais e o endereço onde ocorreu o nascimento”.
Com isso, os Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo,
em obediência ai Provimento, remetem aos Promotores de Justiça da Infância e
Juventude todas informações necessárias para análise das circunstâncias em que
ocorrem os nascimentos noticiados.
Com o recebimento das peças informativas, é feito uma análise das circunstâncias
relativas ao nascimento e outros fatores daí recorrentes, em caso de suspeitas, as partes
são convocadas para então demonstrar um convivência pré-parto.

Sinais de suspeita de uma adoção à brasileira:
-Declaração de nascido vivo, pontos discordantes:
a) preenchimento por parte de pessoa que não é funcionária da
maternidade ou hospital;
b) ausência de impressão palmar do recém-nascido e/ou da impressão
digital da parturiente;
c) anotação de índices técnicos.



-Indicação de residência:
a) indicação de endereços residenciais falsos;
b) indicação de logradouros inexistentes.
-Testemunhas de que houve parto domiciliar:
a) parentes próximos aos “pais”;
b) casos em que as próprias mães biológicas são testemunhas.
-Existência de registro judicial de pedido de inscrição em cadastro de adotantes,
que comumente após um longo tempo de espera na fila, é pedido a desistência de tal
cadastro e então há a notícia de nascimento de “filho” do casal.
-O perfil social dos pais coloca em dúvida a realização de parto domiciliar;
-A combinação de vários desses fatores facilita a identificação de um caso de
adoção à brasileira.

A revelação adotiva é importante para o desenvolvimento psicológico da criança, sendo
necessário para uma boa relação entre adotante e adotado a transparência nas
informações passadas ao jovem a respeito de suas origens, evitando traumas e
promovendo cumplicidade e sintonia entre ambos.

Na adoção à brasileira, os pais são “impostos” ao jovem e procuram esconder ao
máximo seus verdadeiros genitores e origem. A criança ao ser criada em tal ambiente
poderá ter prejuízos futuros ao seu desenvolvimento, principalmente na adolescência.

“A orientação geral é que se conte aos filhos a sua condição de adotivos, pois mentiras e
segredos geram efeitos danoso em qualquer relacionamento. Porém, muitas vezes os
pais adotivos não revelam a adoção, mesmo sabendo da importância desse gesto, porque
conflitos e dificuldades os impedem de fazer. Quando isso acontece torna-se necessário
um trabalho especializado, que possa auxiliá-los no esclarecimento e possível
minimização de suas ansiedades”.
(1º Guia de Adoção-novos caminhos, dificuldades e possíveis soluções. FERREIRA,
Márcia Regina Porto e CARVALHO, Sônia Regina. Winners Editorial: São Paulo,
p.48)

A adoção à brasileira, além de ir contra o desenvolvimento da jurisdição, também
propicia meios para que a criança possa desenvolver traumas. Tal método vai contra os
direitos fundamentais do jovem, proibindo que ele cresça sem o conhecimento de suas
respectivas raízes.