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Pr

óx imo lanç a m en t o

O

Si s tema d o s Ob j e tos

J

ean B aud rill a rd

A procura

d e um es t atuto

do obj et o

e st ético

le va M ik e l Dufr enn e

a se

int

e rrogar

n ão só d a s relaçõ e s entr e Ci ê n c ia e F il osof i a co m o a re d e f i nir

"

n a tureza"

ve n do - a p ro lon g ada

na téc nic a e na p r á ti c a hum a na s . Du f r enn e

co mpr eend e a ex p eri ê n c ia est éti ca co m o ponto d e p artida de t o d a s a s r ota s

qu

e a huma nid a d e

p e r c orre :

el a abr e s eu caminh o

à c i ê n ci a e à aç ã o. E la

m

anif es ta

a a p t id ão

d o hom e m

p ar a a m o r a lid a d e .

A r t e e Se mi o log i a

I

Ex pre ss i v id a d e

d

co nt empor â n ea.

d o A b s tr ato I Es tru t ur a e Se ntid o I con s t i t u em n o li v ro a lg un s

es t é ti c a e f ilo s ófica

os bloco s -co n ce it o s

s ituad o s

n o c e r n e d a e sp e cul açã o

I S B N 85- 273-0 1 36 - 9

9

7 8 8527

30 1 367

egates

e ates

e ates

filosofia

mikel dufrenne

- ESTÉTICA E FILOSOFIA

----,

Co l eção De b a t es

D i ri g id a p o r J . G uin s bur g

Eq ui p e d e real i z ação - Tradução: Rober t o Fig ur e lli ; Revisão: Mary Ama - zonas L eite d e Barro s ; Prod u ção: Ric ardo W . Neve s e Heda Mar i a Lopes .

mikel dufrenne ESTÉTICA E FILOSOFIA

S BD -FFL C H - U S P

1111111111111111111111111111111111111111

~ \II II

===

~

245592

~ É EDITORA PERSPECTIVA

~ I\\ ~

Títu l o do ori g in a l:

Es t h éti q ue e t P h i l o s o p h ie © E d iti o n s K J in ck s ie ck

DED A LUS - Acerv o - FFLCH-FIL

\IMIIII~lli\II!1

21000056131

SUMÁRIO

 

11/ Ir dução à edição brasil eira

 

7

3

' ed i ção - 2 ' re impre s s ão

 

t'rrjácio:

A

' o n trib uição da Es t ética à Fi loso f ia

.

.

.

.

.

.

.

.

.

2 3

Di reitos reservados em lín gua po r t u g u e sa

EDITORA PERSPECT IVA

A

0 1 40 1 -000

Tel efax: (O - - ll ) 3885-8388

" www.ed it o raperspectiva.com.br

S.A.

3025

v . Brigadei r o

Luís A nt ô ni o ,

- São Pa u l o - SP - Brasil

2002

à

A l ge mee n Neder l a n ds Tijdsc hri f t voo r Wijsbegee r te

5

en Psyc h o l ogie, A s se n ,

6-5, de z .

1 962.

I . PRO B LEMAS

FlLOSOFlCOS

DA ESTETICA '

() B e lo

NQ es pecial

1961

d a Revue

A. S. FI . DE PHI . , iu n -out .

3

5

Os Val o r es E s t é ti cos

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

4 8

 

En cvcl o p édie

[rançaise ,

t omo X I X :

Fi loso fia.

 

R e-

 

ligi

ão .

A

E xp e ri ê n cia

E st é ti c a d a Nat ureza

 

60

Re v ue int cr natio n a!e d e P hi l o sop h i e , Br ux e l as, 1955.

 

XX

X ,

1.

Intenci o n a lidade

e Est ética .

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

7 8

 

Re vu e p h i l o so phiqu e ,

P . U. F . , Pa ri s ,

1 9 5 4 , 1-3 .

 

A "S en s ibilidade General izadora "

 

89

 

R evu e d ' Est h é tiqu e ,

Pa ris ,

 

1 960 , XI I I ,

 

2.

li . A RTE E SE M IOLO G I A

 

A

Arte é Linguagem ?

 

103

Re vu e d ' Esthé t iqu e , Pari s,

 

1 966 , XIX,

 

1 .

Formalismo

Lógico e Formal ismo Est ético

 

150

 

Annal es d'Esthétiqu e , Atenas, 1964.

 

A

Crítica

Literária: Estrutura e Sentido

 

169

Revue

d ' Esth é tiqu e,

Pari s,

1967 , XX , 1 .

 

Crítica Literária e Fenomenologia

 

'

187

 

Re v ue internati o nal e d e p h iloso p hi e , Bru x ela s, 196 4, 6 8 , 2-3 .

A

Propósito de Píndaro

 

20 4

R e vu e d ' Esth é tiqu e,

Pa ri s ,

 

1957 , X, 2.

 

lIl .

A ARTE HODIER N A

Mal do Século ?

Morte da Arte ?

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

2 1 5

R evu e d ' Esth é tiqu e,

Pari s,

1964 , XXII ,

3-4.

 

Objeto E st é tico e Objeto T é cnico

 

2 3 8

Th e J o urnal

of Aes th e ti cs

a nd Art c riti c i s m , ele ve-

land, 1964, XXIII,

1 .

Da Expressividade

do A bstrato.

A propósito

 

de

uma exposição de Lapoujad e

 

257

Re vu e d'E s thétiqu e,

Pa ri s , 1961 , X IV , 2.

 

INTRODU Ç ÃO À Edição Br a sileira

I , E mbora sem igualar a importância da fenomeno-

li) 'i a no panorama da filosofia contemporânea, a esté - 11 'U Ie n o rnenol ó gíca é, hoj e, uma da s correntes de maior

estética . Su a história é re-

rv n t c . O ponto de p a rtida , obvi a ment e , deve ser pro-

v u rudo na o bra de Edmund Husserl . Apesar de Husserl

11 10 l er escrito um a ( ' h ' I l l < ;nt os s uficient es

11111[1 stética fenomenológica. Com efeito, a história da

século XX assinala várias tentativas no

I ' ~ I I i ca no

' ! ' llli d d e imprimir uma orientação fenomenológica à

II l ' I t ' xão sobr e probl e m as qu e, tradicionalmente , ocu-

e sté tica , sua v a s ta obra contém p a r a propiciar o surgimento de

( ' o n si tê ncia no â mbito da

Assim , por ex e mplo , d eve m

ser lembrados

quisas de índole fenomenológica de W. Conrad.

Geiger quanto Conrad eram int e gr a ntes do c ír c ulo

berlinense de Max Dessoir .

Kunstwerk' do p ol onês Rom a n I n garden - u m do s

primeiros d iscíp ul os de H u sse rl no t em p o de Goet ting e n - qu e d ep a r amo s co m um a obr a orga n ica m e nt e arti-

c u l ada, em penhad a em res p o n der à exigê n cia de sup e -

a f ilosofia

pam a atenção dos estetas.

os sutis estudos de M . G e ig e r e as p e s-

T a nto

Mas é em Das iit e rarisch e

raçã o do psicologismo , o qual caracterizava

no fi n al d o sé culo XIX . I nf e li z m en te a Aes t hetik

d e

N. Hartman n -

filóso f o que tanto contribui u

para

a

formulação dos prin c ípios e problemas de u ma fenorn e -

n

a u t o r, ocorrida

exte n sã o d a infl u ência grupo d e est udios os

d o m estre i nicia d as

N a F ra n ça, J.-P . Sa rt re e M. Mer -

n o cam-

po da f enom e nolo gia,

n a d écada de 30.

l eau-Ponty encarregar am- se d a acl i m a ç ão da f en o m e-

É através d el e s qu e s urg e a fig u ra

nologia husse rl iana. de Mik el Dufr e n ne-.

de A . Ban fi como ment o r de um

o l o gia da arte -

só foi p u blicada

após a mort e do

em 1 9 53 . Na Itália, é difíc i l avaliar a

q u e ai nd a h oje c on t i n u a m ,

as p esq uisas

2 .

d

logo de vem os o b s e rv a r

ní tida e nt re o s doi s camp o s. A estéti c a, p ara Duf renne,

é fi loso f ia .

no Dufre nn e-f i l ósof o,

mo s: K arl Ia s p ers et I a Ph i l osophi e

c rita em colabora çã o

d e b as e.

l

raç ão d os tít ulos r evela a a m p l i tud e

A ob r a de Dufr enne

pod e ser d ivi d i d a , p o r razõe s

fi losofia

e est ét i ca.

Mas

idáticas,

em do is s et ore s :

q ue nã o existe um a s epar ação

os t r aç o s do est eta

incluir ía-

es-

E n ã o é d ifícil des c o brir

N o set o r d a fi l oso f i a

de l ' exis t ence' ,

com P. Ric oe u r, La P e rsonna l ité

Langu a g e an d Phi-

A s im p l es e n ume-

d

e ass u n to s

a b or-

Un con c e p t s oc io l og iq ue',

o s o ph yr , I a l ons: e P our l 'homme',

( I )

1931 .

 

(2)

Ha l le, Nascido

e m

1 9\0,

em Cle r mont ,

Mik e l Dufrenne

é pro f e ss or

efe t ivo de. fi l osofia

e d outor

em letra s .

Exer c eu o mag i s tério

e m vário s

l iceus

m em br o da socuu [ r a n çai s e d ' esth é t i q u e

a R ev u e d ' Es th é tique ,

Kar l Ja spe r s

e n c o ll a bo ra t io n

e, atua l men t e ,

(3) Du f r e nn e ,

( 4)

Du fre nn e ,

lecio n a est éti c a

Ri coe u r.

Pari s,

La P er s o nn a l i t é

e met a fí s ic a e di r ige , c o m

et Ia P hi l osop h i e

t : . d . du

Seu i l,

d e b a s e .

e m Nanterre .

Et i enne

:t;:

S o uriau ,

Mikel . P M i ke l .

ave c

de l ' exi s t e n c e , 19 4 7 .

Un co n c e p t

s o c i o -

l og iqu e , P a ri s, P UF, 1953 .

(5 )

D u f r e nn e ,

M i ke l .

L an guage

I n d ian a U ni ve r sity Press, 1 963.

a n d

Ph il o s ophy .

Bl oo m i n g t o n .

( 6) ( 7 )

Du f ren n e , Duf r e n n e .

M i kel . M ik e l .

J alo n s ,

Haia, Martinu s

Pou r í ' h o mm e ,

P a r i s.

N ijh of f ,

~d .

du

19 6 6 . S e uil ,

1 9 6 8 .

8

d ad o s num a rco qu e se e stende

a filos cfia

l ' h o mm e , cuja fin a lid a de

pr ó prio da filosofia c o nte mporân e a ,

e la a id éia de uma filosofia

h o rnem ' " ,

de sd e o estudo sobre

po l êmico

d e Ja s p e rs

a té

o escrito

Pour

é " ev ocar o anti - hurnanismo

e defender contra

que t e ri a so l icitude

pelo

Na part e es t é tic a propriamente

di t a: o artigo "Ph i -

9 , Phé -

I s op h ie et L i tt ératu re ",

11 m é no l ogie de l ' exp é rie nce

mes'", La n o tion. d " :a priori "!', L e Po é tique v

na Revue d'Esth étique

es t h é tique ,

em dois vo lu -

com o no s li-

e Esth é ti-

q u e e t Philosophie v , cuja tradução a Editora Perspecti-

v título de Est ética

mit e s de uma introd uç ão ,

seguir o itinerá rio da reflexão

o ra ofe rece

a o leitor de língua portuguesa

e Filo sofia .

É nosso intuito ,

e st é tica de Dufrenne

e situar

Est é tica

e Filosofia

no

. nju n to de sua obra.

 

3

. Ph é nom é nolog ie

d e l' e xp é rience

es thétique

foi a

o

b r a q u e projeto u Dufrenne no cenário internacional

da

 

t ética.

O escopo d a Phénom é no l o g ie

é submeter

a

: x p eriência estética à descrição fenomenológica, à aná-

da significação me-

que não atin-

tls tr a nscendental

tulísica.

e à apreensão

São três etapas de um itinerário

iu o t érmino com a última página da Ph é nom é nologie ,

111a continua

até hoje, tendo

pa ssado

por La not i on

a con-

c lu s ões acabadas e definitivas , talvez se decepcione com

Seus liv ros são o fruto de um pen-

d " :« priori " e O Po é tic o.

O leitor, acostumado

1 o br a de Dufrenne .

un c nto ágil e i ndagador ,

aberto a o con t ato vivificante

ro rn a experiência

p ns s ado .

e disposto

a repensar

os dados 'do

Só através da leitura atenta de seus livros -

 

d

esde a Phénom é nol o gie

até O Po é tic o ,

com o r e -

I ur s

c o nstante

da

Est é tica

e Filo s o fia

-

é possív el

1

'( rnpa n h ar o itiner á rio

da fecunda

r e flexão

do e s teta

h

ancês,

Itinerário

que não ch e gou

a o fim visto que

ca) t ua

(9)

p . 9.

" Phil os ophie

'H'I 'O~.

et L í t t é r a tur e" .

Re v u e d ' E s th é tiqu e

'

I (194 8 )

,.

pp

( 1 0) 1',,01 , PU F ,

Duf r e n ne ,

Mike l . Ph é n o m é no l ogie

de l ' e x p é ri e nce

e s th é tique .

 

(11)

1953 , 2v. D u fre n ne ,

Mike l .

La

n o t ío n

d 'H a p r í o r í " ,

Paris ,

PUF ,

1959.

( I

)

D u l re nn e ,

M i ke l .

L e P o é tíqu e ,

Pa r i s ,

PUF ,

1 963.

E m por t u -

1

1 H O P o é ti co ,

t raduçã o

de Lu i z

Arth ur

N u nes

e Rea s y l via

Kr o eff

d e

" lI / h ,

P . Al eg re .

Ed.

Gl o b o ,

1 969 .

( I )

Dufr e n ne ,

M i ke l . E s th é r i qu e e t Phi l o so phie.

Pa ri s,

: f : d. Klinck -

I•• k. 1967.

9

ele , atualment e ,

tr a b alha no r ecen seam ent o

d os a

priori 1 4. No início da Ph é n om én o l o gi e, Dufrenne obse r va :

"Entendemos fenom en o lozia no sentido em que S a rt re

e Merleau - Pon ty a c lim aram est e t ermo na Franç a : d es -

crição que v i sa a um a es sênci a, a qu al é d e finida como significação imanente ao fenôm en o e d a d a com el e . A essência está para s e r descoberta m as por um d esve l a- mento, não por um salto do conhecid o ao d esco nh e- cido"1 5 .

Sabemos quão difícil é o problema das diferent es interpretações suscit a das pela obra de Edmund Husser l. Dufr enne filia- s e à corrente francesa liderada por S ar- tre e Merle a u-Pont y . Ambo s o s autores , não ob st an te notórias divergências , t ê m i nfluência reconhe c id a na obra d e Dufrenne. El e não esconde seus receios p e l a

d i reç ão ideal ista do pen s amento de Husserl. Daí a p re - ferência pela interpretação de Merleau-Pont y, que sa- lienta os aspectos existenciais da fenomenologia, e pel a leitura de Sartre , que dá relevo à idéia de intencionali- dade e à dimensão antropológica. Se acrescentarmo s os nomes de Espinoza, Kant, Hegel , Wittgenstein, H ei- degger, Bachelard e Alain , teremo s o elenco dos f iló - sofos que mais têm influenciado Dufrenne ,

4 . A Ph énoménologie está circunscrita à experiênci a

estética do espectador. Mas existe uma intercomunica- ção entre a experiênc i a do espectador e a exper iênci a

do a rtista . Não é po ssí v el de s crever a e x peri ênci a d o espectador se m t er p rese nte , ao meno s i mplicitam e n te,

a experiência do art i s ta. Trata-se , porém , do art i sta

que a obra de arte revela. É na obr a, portanto , qu e se realiza o encontro entre espectador e artista . E ne s- se ponto a Phénom é nolo g ie é completad a por outros

escritos do Autor. O Po é tico e Est ética e Filoso fia of e-

recem-nos v aliosos sub sídios para uma fenomenolo g i a da criação artíst ica .

A mai or parte da Ph é n o m én ol og i e est á dedica da à descrição fenomenológic a seja do objeto estético , se j a da percepção e st ética . É de fundament a l import â nc ia

a distinção entre obra de arte e objeto estético. Este é

(14)

Dufr e nn e,

Mi keL

"A prtori "

et Phil oso phi e

d e

I a

Na t u r e .

Filo so f i a, ( 15 )

18 (1 9 6 7 ) , Dufr e n ne,

p . 72 3 . M í ke l , Ph é n o m é n o l og i e ,

o p ,

c it .,

pp . 4- 5 ,

n o ta

L

10

objeto p e r ce bid o est e tic ament e . É o objeto percebido

e

nqu a nt o est ético .

A obra de arte , atra v és da per-

c

e p ção es tética , s e torna objeto est é tico. Obra de arte

o bj e to estético n ã o se identific a m .

O campo do

 

j e t o estético

b

é m ais a mplo.

Abarc a

o mundo

n

a tural que, excluído d a Ph é n o m é nologie ,

aparece em

e st é tic a e Filo s o fia l 6 •

L onga e exausti va é a d e scriç ã o do objeto estético .

P a z-se mi s te r situá-Io entre ou tr os objetos : o objeto de e o objeto técnico , por exemplo . A descrição de-

R n vo lve-se atra v és dos três planos noemáticos : o sen- sível, o objeto represent a do e o mundo expresso . O ob-

l i

e stético é confrontado com os conceitos de natu-

r' za , forma e mundo. Dufrenne, então , submete ao

. rivo da crítica as doutrin a s de inspiração fenomeno-

Shloeser e

W . C onrad. Te ndo fundamentado seu empreendimento

n a r ea lidade do objeto estético e afastado os perigos

do s ubjetivismo e do psicologismo , ele situa ser e apa- I ' e r e m forma de adequação. O ser do objeto estético

til pe nde da percepção e só se realiza na percepção.

) t g i ca de J.-P. Sartr e, R. Ingarden , B. de

j

t

P or f im , o problem a do estatuto do objeto estético.

Vi s to que o objeto estético é não só um em-si, c o rno

I unbém um para- si , Dufrenne recorre à fórmula quase-

s u ] ito numa tentati v a de definir o estatuto do objeto

('NI t i co através da superação da alternativa do para-si

( d

Ao s três aspectos noemáticos - descobertos na

ti ., ri çã o do objeto estético -

ti I prese nça , repr e sentação e sentimento : t rês marco s

t io r t e iro da fenomenolog i a da percepção estét i ca. :E:

e , com ela , Du-

trc nn c completa a descrição da experiência estética,

u m a d as finalidade s de sua obra . No plano da presença,

u l i mta -se o tratamento dado ao papel desempenhado

p e l o c orpo na percepção , talvez um dos passos da

/'/1 n o m é nolo g ie onde mais se percebe

e rl cau - Pont y . No ní v el da representaç ã o , Dufrenne 1 1 ' 11ft a di stinção entre pe r c e pção e imaginação. Todo

11 u e mpenho é demons trar qu e a imaginação está na

h I c d a percepção e de v e ser encar a da como sua cola- hll l I t I r a. No terceiro mom e nto noético, o Autor pro-

a influência de

correspondem os níveis

e m-si.

I I 'rceira part e da Ph én om é n o logie

1/, )

No a rti go:

A ex p e ri ê n cia

e s t ét i c a da N atur e z a,

p, 5 4.

11

cura car acteri zar a f un ção d o int e l e ct o n a p e r cepção

u m ser a nte rior

a o a prio ri : é o "a pri o ri do a pri o ri "

es t é tica , funçã o important e

m as qu e n ã o d ev e ser e x a -

 

a s olução para o salto do transcendental

ao ontol ó -

g e rad a

s ob p e na de tr a n sform ar

a exp e riênci a est étic a

g

i

co e p a ra

o ex ame

da signif icação

on t ológica d a

em m e ro exe r cíc i o ra c ion a l . O m es m o ocor re com o

s e n ti me n to : s u a p o si ção , n o á pi c e d a p e rc e p ção , n ão

x p e riê ncia e sté tica.

E a bu s ca do a pri o r i do a pr ior i

I va -o a um a filo s o fia d a n a tureza

-

em O Poé tico

de

ve l ev ar ao erro d e tud o sac rifi ca r

em f av or d o sen -

-

o nde

a Nat u reza

n a tura nte

é c onceb i da

c omo

a

tim e nto .

Na a t itud e

es t é ti c a

h á um a es p écie d e os c i -

f

nt e d e todo o a prio ri ,

O fato de Dufrenn e

ter s i do

la ç ãc

ent re

a atitude

crític a

e a at i tude s enti ment a l .

o

b

rig ado a e fet u ar a p assag e m do a pr i ori a o ontoló-

i co, par a n ã o c a ir n as m alhas do ide a lismo,

situa sua

5.

T

ermin a da

a d escri çã o

d a e x p e riência

é

b

r a n a c orre nte d as í enornenolog ias d e i nspiração

nec e ssá rio dar

um passo a l é m e submetê-Ia

e st é tica , à an á li se

Assim como Kant fala dos a prior i d a

n

to ló gic a.

tran s cendental .

 

sensibilidade e do intelecto , Dufrenne procura d e mon s-

 

6.

C o ntam - se ,

no e le nco das obras de Dufrenne ,

duas

t ra r que a e x periência e st é tica - ao a t i ngir o po nt o

,

l e tâ n e as: Ia l o n s ( 1966)

e E s t ética e Fil o sof i a (1967) .

culm i nante

no sentimento

c o mo l e itura

d a e x pres s ã o

Ja l o n s , qu e re ún e

arti gos

sobre o s filó s ofos

qu e ma is

- põe em aç ã o autênticos

a p r i o ri d a a fetividade.

Tal

o

i nfluenci a ra m , p ertence às obras f ilosóficas propria-

é o escopo da quarta

parte da Ph é n o m é nologie ,

i ntitu-

m

ent e ditas. Cab e -nos,

agora, a tar e fa de situar Est é -

lada: " Crítica da experi ênci a est é tica " . E aqui no s d e frontamo s com um exemplo t í pico da evoluçã o d o

pensam e nto d e Dufre nne . Após a Ph é nom énologie,

ele

v olta

ao tem a e m questão ,

opondo-s e

à t r adição

kan-

ti a na

do a priori em La n o ti o n d "' a pri o ri" ,

publicad o

e

t i do im e diato do obj eto conhecido

l

m 1959.

Su a final i dade

é pens a r o a pri o ri corno sen-

e não corno condição

H á, portanto ,

uma d eslogi-

ó gica do conhecim ento.

ciz açã o do a priori .

d o no o bj e to e no s uj eit o : es trutura no o bj eto e sabe r

v irt ual no s uj e ito. n e p are ce afas t a r-se

esté-

ti c a. R ealm ent e, a m aior p art e d o li v ro é o c u p a da

da noção d e a pri o ri, tanto d o ob -

jeti v o , qu anto do s ubj eti v o .

o l eitor d ep a r a com algum as d as

ma

apó s

ter situado o homem e o mundo em t e rmos de af i ni-

A l é m di sso , o a p r io ri é d es dobra -

Em La notio n . d "' a pri o ri ", Du fren -

d

o c on tex to

d a ex p er iênc ia

Mas n a t e rceir a parte ("O

do l iv ro ond e Dufr enn e ,

pe lo r ep e n sarn e nto

ho me m e o mundo " ) ,

i s pro fund as

pág inas

d

a d e,

efetu a

o salto do tr a n scendental

ao ontológico .

Já no final da Ph é nom é nol og i e,

o A utor

te ntar a

a apreens ão da significação metafí sic a da experiência

esté tica. Seu propósito, porém , ficou invalidado

em dúvida a necessidade

c ntologia .

orde nad o a dualidade do a pri o ri numa unidade qu e

a idéia d e

a

ao pô r a

apó s te r

da cr í tic a

se voltar

p a ra

Ma s em La noti on

d" :a pri o ri",

p r opõ e

bra ng e

os d o is termo s,

Dufr e nn e

1

2

li ' a e Filosofia n o itin e rário

estético de Dufrenne.

p , I

Os artigos que compõem a obr a foram agrup a dos

A utor

em trê s g rand e s grupo s:

I . Problemas

filo-

 

)

fi cos d a esté tic a; l I .

A rte e Semiologia ;

IH.

A arte

h

o

d i e rn a . E s t end e m-se

d e 1954 -

\

p rimeir a e dição d a Ph é n o m én ol og i e

portanto logo após -

at é 1967 ,

A ju stifi cati va d o título dado à col e tâ ne a encontra-

~ n a a p resentação

e no prim eiro

a rtigo do l iv ro.

Es-

f ('( i a e Filoso f ia p o rque a e st é tica pod e se r r ea l i z a da

!lO â mbit o de um a filo s of ia e porqu e

v

a es té tica é urn a

in priv ile giad a

p ara a f ilo sof ia .

As sim c c mo a Ph é n o m é n o log ie,

da es t ética

d

à filosof i a

o ar t i go ponto O ho-

E e sta r no mundo l e va o ho-

qu e cons is te no aco rdo do

t amb é m t e m o seu

.

, co n tribu ição

I I l' partida n a de scri çã o é um se r-no-mundo.

11\ . m

II1l'm a b u s car o f und a m e n to

hom e m c om o mundo .

ri I estética,

a e x per iênc i a e st ét ica,

D a í a imp o rt â ncia

d a ex p e riê n-

o homem con s igo mesmo.

El a reconc ilia

1-111 m a nifesta a aptidão do homem par a a ciênci a e . para

es tética "se

ItUI n a ori g em, n a quele ponto em qu e o homem, c o n-

sua

O fato de a es té tic a r e -

1\ m o ra lidad e,

E i sso porque

a e x p e riê nci a

t

und id o inte irame nte

com as coisas ,

e xperiment a

fl lll ll lia ridade com o mundo " 1 7 .

111 tir s obre a e xperi ê nci a e s t é tica - uma

11ri f. l lrlHl, segundo Dufr enne -

experiência

reconduz o pen sa m e nto

(

I n

D ufr e nn e,

Mik e1 .

E stét i c a

e Fil osofi a .

o p . c it . , PP.

8·9.

1

3

e a cons ciê ncia à origem .

tribuiçê o da Estética

pegadas de K ant e de Merleau- Pont y .

Nisso reside a princip a l

co n -

à Filosofia.

São vi sí v e is, aqui , a s

7. Não passa despercebido

l og ie a recusa do Autor a utiliz a r o belo p~ra desc~?nr

a obra de arte e de l imitar

Mas se levarmos

ao l e itor da Ph én o m é n o . -

o campo do objeto est é tico .

três artigos

de Estética e

em conta

Filosofia -

O Belo, Os valores est é tic o s e Obj;t o es-

tético e Objeto técnico -

veremos

que , no computo

geral, a noção do belo adquire

consistência

na esté tic a

de Dufr e nn e. Há uma exigência de valor n a v id a.

O v alor n ão

é só o que se procura.

f:. aquilo ~u e é encontrad~ .

O

valor é ser.

porque

e v alor -

se afirma

e persevera

O objeto - no seu ser .

d e

valores:

o útil, o agradável,

Há seis tipos diferent~s o amável , o verdadeiro ,

o

Cada qual corresponde

cíficos da intencionalidade e o conjunto abarca o campo

das relações

bom e o belo.

a modos esp e -

do objeto com o sujeito.

Vimos que

o objeto estético é a obra. de arte , ~n-

quanto percebida

esteticamente

Se o obJeto. estet~c o

corresponder à sua vocação, realizar

trínseca, for -

sua fmalid~de m ~

numa palavra -

ele mesmo , entao s er a

um objeto de valor . Ao sensível, primeiro plano noemático,

deve es ta r

imanente um sentido .

Quanto

mais perfeita

for a ad e-

quação

do sensível com o sentido, tanto maior ser á a

perfeição

do objeto

estético.

E o conceito

segundo Dufrenne,

se identifica com a perfeição

de belo , do ob -

jeto estético.

no caso

O belo é o ' perfeit~, ~ acab~do .

de uma

nao e o feio .

O contr ~- É o abort i-

a

rio do belo, por conseguinte ,

vo objeto estético. O homem é um ser - no-mundo.

obra criada

com pretensõ e s

. Ele tem n e c essi -

dade de se sentir bem , no mundo,

pelo fato de precisar se sentir

entr e as cois as.

E

no mundo , o homem ~e m

necessidade

do belo.

t a nto

de aprec iar ,

quanto

de criar

Ele é capaz Assim

se just i fic~. a di v isão

proposta:

estética do arti sta

(fazer) e est é tica

do es-

pectador (aparecer). A estética de Dufrenne reconhec e

o belo .

rém, para evitar o s perigo s do relativismo

tivismo , não apresent a

Reabilita

e enaltece

o belo .

Sua estética , po -

e do subje-

um a teori a do belo.

14

R. Obj e to e st e n co e o b ra de a rt e n ã o se i de ntific a m.

) co n c e ito de o b jet o est é tic o é, co mo v imos , m a is am-

f:. po s sí -

tanto diant e d e um a

I : i n clui a o bra d e a rte e o objeto natur a l .

ve l v i ver um a e xp e riên c i a

o b ra d e a rte , quant o

1/0 111 é n o lo g i e , por ra z ões

e sté tic a

p

e rante a n a tur e za.

e método ,

d a obra d e ar te .'

d

, periência

e stética

Tod a a Phé-

es tá d e dicada

à

E ss a exp e riência

\

,

ob o ponto d e vi st a fenomenológico ,

a m a is esc1 a -

rcc c d o r a d e tod as. E Dufrenne a firma que a contem- pla ão d a o bra d e arte estabelec e a norma da experiên -

ia est é tica .

Mai s um a vez Esté tica e Filosofia nos

o f e r e ce a co mplerne nta çã o

v

nec essári a par a termos uma

d o A utor .

a di s tinç ã o

i são d e c o njunto

m prim eir o

do p e n sam e nto

E

lu gar , d eve s e r mantida

Mas o lugar de relevo atri -

h u í do à ex p e riência di a nte da obra de arte não pode

1 ' v e rte r tu rc za .

da na-

e n tre as du as e x p e riência s .

e m detrime nto

A s sim

da exp e riênci a

estética

como não há oposição

entre natureza

, a rte , t a mbém

-ntrc a s duas experiências

não é possíve l forjar um antagonismo

tanto mais que Dufrenne vem

pr o ress iv arnente e labor ando uma filos o fia da Natureza .

I. m O Poé tico , p o r exemplo ,

a noção

de natureza

é

11m; e ntad a e m refer ê ncia

ao mundo ,

ao homem

e à

"t e.

Ne sse sentido ,

é de fundamental

importância a

d i st inç ã o, d e origem e spinoz iana , run t c e natureza naturada " ,

e ntre N aturez a natu-

A Natureza naturant e é espontânea,

A arte é , portanto,

e s e exprime

capaz de re- os artistas. ao apelo da

natur a da.

A

da Na turez a

('1<1 ã o e de expressão. () a rt is ta, ao criar a obra

necessária à Natureza.

Mus a Natur e za naturante precisada natureza natu r ada .

I

11 1l11rCZa n a turada test e munha

1\ illI ra nte .

E ela que inspira de arte , responde

na natur e za e m f a vo r

N ruur e z a.

' I I s e revela

No a rtigo A ex peri ência es t é ti ca d a N atur e za o

111101' e n c o ntrará a natureza:

111l1Í1 s, v a nta gens . I l i . n a tura lidade

ampla descri ção da experiê ncia

pe-

111111'

,

' I

' I

â mbito , condi ç ões de possibilidade,

Entre e ssas , s obr e s s ai

a natureza . à naturez a

o sentimento

f:. o parentesco e o faz sentir-se

com que une o homem

"

l i 1 m es ma raça "

com os entes e as f orças que com-

1'1 "111

semblante da natureza.

(

t H)

A

gr a fi a

1111111~ i " di s t i nç ão

e

d o

ntr e

te rmo

os

dois

"naturez a " ,

conceitos.

em m a iú scula

ou m - inús cul a.

/ 5

----- -

-- ~------

Embora

não

seja nosso

intuito

apresenta r

u ma

crítica à filosofi a ne , não podemos

existência de certas dificuldades

empreendimento .

p r endidas na pergunta :

co m natureza não o induziu, talvez inconscientemente, favorecer a natureza em prejuízo do homem?

frene em sublinhar a conaturalidade

da Natureza

elaborada por Dufr en -

a atenção

p

ara a

° seu

deixar de chamar

que envolvem

Tais dificuldades poderiam ser c om-

será que o empenho

do homem

d e Du - a

a

9. No artigo Iruencionalidade

toma e continua a reflexão sobre

da Ph énom é nologie . no âmago da reflexão

liza duas dimensões na idéia de intencionalidade:

nomenológico-transcendental tiva . Dufrenne, juntamente

-Ponty, inclui-se na dimensão fenomenológico -desc riti va ,

Para

servir para esclarecer dar peso à interpretação

que a percepção estética " procura

assim como ela é dada imediatamente

Do . mesmo modo como o artista se aliena na cr i a ção

da obra de arte, assim o espectador

cepção estética : entrega-se totalmente

do objeto.

e estética , o Auto r re- certos temas básic os

est á v i s ua- Ie-

A noção de intencionalidade

filosófica.

A. de Muralt

e fenomenológico-d escri -

com Sartre

e Merle au -

ode

e Isto p o r - do ob jeto ,

no sensíve l?",

se aliena na p er- à manifes t aç ão

ele, a experiência

estética do espectador a idéia de intencionalidad e

p

merleau-pontyana.

a verdade

Efetua-se, então, a redução fenomenoló -

gica.

Real

e irreal

são neutralizados.

Tudo ,

co m

exceção do mundo

do objeto estético,

é posto

entre

parênteses

a fim de que o sujeito possa apreend er

o

fenômeno ,

isto é, o objeto,

e viver uma exper iência

estética.

A obra de Dufrenne

está sob o signo do binô mio

monismo -dualismo

tica da filosofia moderna que não evita a oposição entre

inserindo-se, destarte, na proble má-

sujeito

e objeto e, ao interrogar

o ser, põe em quest ão

aquele

que interroga .

Não é o momento

oportuno p ara

verificar se Dufrenne pertence às fileiras do monismo o u

a e x is - entre

do dualismo.

tência de um liame, tecido pela intencionalidade,

sujeito e objeto na experiência estética.

tatação

Interessa-nos,

porém , sublinhar

Ora, da con s- de uma comuni-

desse liame , ele passa à idéia

(19)

Dufrenne,

MikeJ .

E st é tica e Fil o sofia,

op, c ir . , p . 5 1 .

c açã o origin ári a

a rtista cria a obra de arte.

percepção , é respons á vel

tico.

de

a cesso ao mundo do artista.

m

dc Racine , Mozart ou Van Gogh.

entre sujeito e objeto.

ligado

O objeto es-

O

através da

tico,

a liás, está duplamente

O artista

ao sujeito .

O espectador ,

pela epifania

do objeto esté-

no objeto

mundo

expressa seu mundo interior

modo que , na e x periência esté tica , o espectador

undo do objet o estético pelo nome do art i sta :

tem

Daí ser correto nomear o

Segundo Duf r enne, a comunicação originár ia entre

s uje ito e objeto -

n

d e a priori . "A intencionalidade

conseqüência da idéia de intencio-

a lidade

-

encontra sua explicação última na noção

significa , portanto , que

çã

homem e o mundo são da mesma raça:

a comunica-

que ela conota se funda numa comunidade'w.

A fenomenologia é uma doutrina.

Doutrina que

p ro p õ e um método .

Dentre as aplicações

do método

sobressai -

em Estética

e Filosofia

r n o menológico , a crítica.

À crítica, Dufrenne dedica dois profundos

r r tig os: A critica. literária: Estrutura e Sentido e Crítica

Em ambos os artigos, além

de -

a respeito da teórico da crí-

lit i rá ria e [enomenologia,

d que se refere especificamente

p a ra mos com o pensamento

c rltica de arte em geral.

à crítica literária ,

de Dufrenne É o Dufrenne

t

lca e crítico penetrante

das mais importantes

teorias

qu norteiam

a atividade

dos críticos de hoje .

Algumas

11 ia s desses artigos, principalmente

as restrições

em

em Pour l'homme.

() p rincipal interesse , entretanto , reside na comprovação

11, q u e os princípios da fenomenologia encontram apli-

f "C

do estruturalismo,

retomarão

içao prática em setores de tanta atuali dade , da crítica literária .

I I S

como é o

I ().

Não nos é possível apresentar

111l'1) rizada de Estética

e Filosofia.

uma análise por- Na perspectiva em

'I1l nos colocamos, 11 1 primeira parte.

I1 t tulo

VI /11 d e aprofundamento

o principal

interesse do livro reside

Isso porque os artigos incluídos sob

ser- a temas de

de " problemas

filosóficos da estética"

e complementação

IIIIH rt â ncia decisiva no itinerário

estético de Dufrenne.

t

nfa se que damos à primeira

as outras

o r 8 menosprezar

parte não deve levar o

duas partes.

Nelas se

t

I)

Ibiâ . ,

p , 58.

encontram

a ter uma visão geral da obra de Dufrenne.

dados de real valor que muito n o s au x ili am

Além dos já mencionados artigos sobre crítica , m e -

rece ser citado o longo

Dufrenne, colocando - se na esteira de Husserl , Wit tg en s -

tein e Merleau-Pont y ,

vista, o problema da linguagem. Na Ph é nom é nolog ie,

d a

expressão. Em O Poético, ao confrontar a l i nguag em

com a prosa e a poesia,

Em Estética e Filosofia

frenne em delimitaras campos da Semiologia e da Lin - güística e em esclarecer a maneira pela qual de v e ser entendida a asserção " a arte é linguagem "

n o

a linguagem auxilia a compreensão

sob dif e rentes pon tos d e

estudo A arte é linguagem l , o nd e

aborda ,

do fenômeno

aprofunda a idéia de expres são .

é visível a preocupação

de Du -

Na última parte artigo Mal do século?

do livro, mais precisamente

Morte da artei , Dufrenne a p re -

senta uma das mais lúcidas análises da arte contem -

O autor não se

contenta com observações superficiais mas, fiel à voc a-

ção filosófica da Estética,

fenômenos artísticos para melhor cornpreend ê -los e in - terpretá-los. E no artigo Da expressividade do abstra t o Dufrenne coloca-se, como espectador , diante da pintur a

figurativa e da pintura abstrata para,

po, revelar- se

a pintura de Lapoujade.

porânea efetuadas na década de 60.

procura

as causas dos a tu a is

num segundo tem -

e julg ar

um crítico exímio ao esclarecer

Nesse

artigo não passa d e s- do artista

na p r o -

blemática de nossa época, como também não passa d es -

percebido ao leitor o entusiasmo

çar os aspectos humanos poujade.

que reúnem estudos ef e-

tuados em momentos um livro desigual .

de tomar em conta a diversidade de assuntos abordado s ,

os motivos que suscitaram

que se estende de 1954 a 1967 .

tável desigualdade que transparece duma leitura ate n t a , cremos que é possível , com o auxílio desta introd u ç ã o , ter uma visão de conjunto da obra de Dufrenne e do

seu itinerário estético.

da es -

mentação e aprofundamento

tética de Dufrenne, Estética

percebido ao crítico o engajamento

de Dufrenne

ao r ea l - de L a-

é

e sociais da exposição

Como todas as coletâneas

diversos, Estética e Filosofia

Um juízo de valor não pode de ixa r

os artigos e o longo pe río d o

Não obstante

a in evi-

Além de servir como comp l e -

aos temas básicos

e Filosofia é um conv ite à

18

~eitura e estudo das demais obras de um dos vultos ma i s

o em -

~ r e :nd.iment~ de Mikel Dufrenne ganha em forç~ e con-

s is tencra se tivermos presente que sua estética preenche

um a lacuna da fenomenologia e afirma a possibilidade de uma est é ti ca Ienomenológica,

Importantes da estética contemporânea.

De fato

ROBERTO FIGURELLI

19

Reuni

aqui , com o gent il consentimento

das re -

se

vis t a s na s quai s aparec eram,

arti g os cu]a redação

rsca l o na por uma quín zena

l

de anos .

Deve r e i descu l-

Para o

'l r -me

ou, a o menos,

dar uma exp l icação?

11111

r é um

modo de fazer uma revi s ão , de conseguir

, It'/I urança a respeito de si mesm o , mantendo sob o o l har

ntonremos diferentes de sua pesquisa: f e l iz se, na f alta

'/1' um p r ogresso certamente

impossíve l num domínio

constata , ao menos

f ind e sempre

r m s eu p ensamento, através dos diversos problemas que

IIh o rda , certa continuidade.

/ ' / t' o bse r ve que essa conti nuidade

I' d o modo

fi ! I s em ma iúscu l a:

de escrever a pa l avra natu r eza,

se está no começo,

Quanto

ao leitor, talvez

é posta em que s tão

ora com,

s ina l de que se elahorou pr o gressi -

\ ' ( /I//( mle a id éia de uma filosofia

da Natu r e z a.

Ma s

se fa z miste r acrescentar que essa filosofia impõe o duplo modo de escrever , segundo se nomeia a natureza nat u rante ou a na tu r e z a naturada . Em tod o c as o e sp ero que o leitor seja sensí v el à di versidade do s probLe mas susci t ados nestes te xtos : tal t ol e r â ncia somen te pr eten- de solicit ar a refle xão e s e u ún i c o mé r i t o r esid e na mul- tipl i c i dade de v ias TUlS qua is se e ngaja. E necessário tamb ém justificar o título des t a col e- tânea. O primeiro artigo a isso se ded i ca , que r e ndo

di z er que a estética só pode se real izar JU) interior de

uma f il osofia e também que a estética é uma vi a p rivi-

le g iada para a filosofia. Privilegiada para o autor, em

t odo o c aso ; m as talve z o leitor esteja pro nto a s egui- I a

p o r um momento.

22

M.D.

Prefác i o

A CONT RI BU I ÇÃO DA ESTÉT I CA À F ILOSOF IA

I r. ~~tes d e co n ~ truir co n ceitos ou m á quina s,

li, <I , nc ~va as. pnm e iras

fe rra m e nta s,

e nquan- cri o u

o h o m e m

"~ iI ( )~ ,e. Pld~to u Ima g e n s. Mas e ssa pri o rid a d e não pode

p e la a rte?

I I I I r d C i IVID ic ada t ant o

p

e a Te 1 9 I aO, qu a nt o

I

1 "-

",_, rsputa, provav elm e nt e,

n ã o t em s e ntido n ess e p r i~

R e I ' 1 9 ,- l ao e art e , so , ,

A qUI e

uu-rro m o d me nt o ' d a , humani dad e

I

I I

I '

t

I

I S

a r e se di stInguir ão

11 fi . i cnt e com r ee nd e

J,

I I Ilnme d 1\ li,

I

h P

v e rda d e'

Ir a m e~te , r qu e a arte es p o nta n ea

ex p r ime

o, orn e m co m a N aturez a.

E é ni s to que a

a v a i m e d itar

ao c o n sid e rar

uma ex periência

origi n a l , ela reco nduz o p ensa m e nt o

ciênc i a

buição à fi los o f ia.

e, tal vez, a con s-

co ntri-

à o r i g em .

Nis t o c o n s i st e

s u a pr i n ci p a l

N ão se tr at a, p o r é m , d e re mont ar

à n o it e do s tem-

pos : a est étic a n ão é a hi s t ó ri a, e a pr é -hi s t ó ria

I ex plo ra

I

históri a ,

n ão é a d as soci e d a d es

a d a s iniciati vas

se m hi s t ó ria

I

f

a m a cultura e descortinam

~ ssas

inici a ti v a s -

a nça à p ai sag e m ,

a

-

uma históri a .

Sim .

que e la m as, n a

qu e em tod as as é p oc as e difi-

Cad a

c

,

l

m

di rige a at en ção pa ra o âmbito qu e se s itu a a qu é m do

cultural .

em a preen der

o f und a m e nt al :

tido d a ex p e ri ê ncia

a fund am e nt a e o qu e e l a fundam e nta .

quisa se rá in v ocado o p atr ocí nio

possí v el a experiência

tica . a qu a l pode ser r e tom a da

p ara um a f en o menologi a

Out ro c uid ad o d e Ka nt

riên cia

do v e r d adeiro

tom e mo s , p o rt anto ,

e ates t a a vocação

o olhar novo que um hom e m

o gesto n ov o que cri a uma no va for-

A es t é tica , entreta n to ,

Ma i s d o qu e

se in s crev e n a cultur a.

E m qu e é qu e e l a se empenh a ?

o n a tur al , e n q u a nt o

se opõ e e s e li ga ao

o p r óprio

s en-

cultura l , e m a pr eend e r

es t éti ca, ao mes m o t e mpo aquilo qu e

Par a esta p e s-

d

e Kan t :

o que t orna

es t é t i ca é sempre a questão

cr í-

se o r ientarmos a crítica

e , depoi s, para um a ontologia . é d ete r minar

mod o g a ra nt e

o que es sa e x pe-

a bu s ca

m o r a l d o h o mem .

Re-

t o rn a p oss í ve l e de q ue

li v r e m e n te a Crí ti ca d o I u i zo ,

Mas ant es d e a bor da r

o p r obl e ma

cr ítico , é neces -

sário de sc reve r rapid a ment e

primei ro p r obl em a

I t e gra a es t éti ca n a fil oso fia:

a e x peri ênc i a es tét i ca.

por es sa d es c rição

O j á in-

c oloc a do

o qu e é o hom ;m - ? i l l l! .@ nto

aprecia r a

do go sto , e de pro du-

O belo é um

sensív e l a o ~ b 10 isto é, enquan o capaz-do

be eza segun o a norm a ti v idade

z i -Ia s egund o o s pod er es da im a gin açã o ?

v a lor e ntr e outr os e a br e ca minho

ao s o ut r o s.

M as o

que

Não é s ó o qu e é pr oc ur ado ,

é a quilo

que

é um va l o r? é encont ra do :

é o pr ó p r io de um b em d $ -; um ohje -

to que r esgond e a algum as

raz a g urn as de ffo - ss r o- n ec ~ ~ãCf é s .

va or es t á enraiz âd â " n a VI a e õV a l o r

em certo s objetos .

vale no a bsolut o, m as em rel a ção a e s se abs olut o qu e

um

um objeto , real ou im a ginário , bebida, d e justiça ou de a m o r .

de no ssas t e nd ê ncias e satis -

"'"í\: e x igencla a e est á enr a iza d o

Aquil o que val e absolutamente n ã o

é

sujeito, quando ele s e sent e ou s e quer s atisfeito p o r

que aplaca su a sede de Há um a se de de bele z a

no homem? É nec essário

di ze r qu e s im , a não s er que

se v eja nisto uma necessidade a r tificial despe r tada

em todo o ca so ? orie ntada

a n a ture za

nela se .negar .

ne~ mu _ Ito consciente

ou

mas é sempre

pela cultura;

qu e Inventa a cultura,

mesmo que seja para

I7ssa s ede não é nem muito ex i gente,

( e isso explica que nossa civil i-

za

ç ao n~o . a ~enha sempre em muita consideração

e ten-

da

. a pri v ilegiar a funcionalidade,

por exemplo,

na

ar-

quitetura

~ n~ organização, do ambiente

de vida);

ela

se . torna conscia quando esta satisfeita.

Por quem?

Por

obJe~os que ofere~em aJ?t!nas sua presença, plenitude se anuncia gloriosamente no sensível .

é esse valor que é experimentado

que apareça , na _gratuidade exuberante

quando a percepç~o cessa de ser uma resposta prática

da; imagens ,

mas cuja

O belo

nas coisas bastando

OoU quando a praxis cessa de ser utilitária .

na experiência estética , não realiza necessariamente sua vocaç~.o, ~o menos manifesta melhor sua - condição: essa

e mais

Se ele tem necessidade , do belo,

n no mundo não é ser uma coisa entre as coisas, é sentir-

e

Estar

expe~IencJa revela sua relação mais profunda

:strelta c~m o mundo.

Se o homem

medI

em

ue

recis

se sentir no mundo.

-se em casa en~re as, co.isas, mesmo

as mais surpreen-

dentes e

as I1!-als terr íveis , porque elas são expressivas.

Or~,. um

sentido se desenha na. própria

carne do objeto

estet~co,. como o vento que aroma a savana;

nos e felto~ O q~~l ~os remete a si mesmo:

car , o objeto

mundo

nos fala, nos dIZ . o mundo:

~bs~~to,

a visao, mas um ~s!ilo . que é ,um mundo,

um mundo na evidência sensível.

um signo

para signifi-

ilimita-se

n?m mundo singular,

e esse

que

e o qu~ ele nos da a sentir.

Esse mundo

não uma idéia, um esquema

uma VIsta sem visão que viria

se acrescentar o princípio de

A superfície do visí-

v

~ l, o que "a duplica de uma reserva

Invisível"

como

d~z - e tleau-Pon

~I ~ esse mundo do q üã l ela ~tá

grá-

VIda e ue ~ OnStItUl o seu sentido. Um sentido que

ressoa. ~o mais profundo

do corpo, mas que não solicita

sua ativ i dade como fazem uma presa , um obstáculo, uma

ferramenta

algo

l~a~narIo. ,

da ~ xpe-

riencia estettca. e.nfrenta diretamente

. p e modo que a Jenomenologia

~ent~ , s~ dá a sentir e cuja idealidade

um sentido que so-

ou mesmo um discur so ,

é apenas

a questão funda-

mental do sur81mento da representação na presença: do

Le A visible et l'!n v isible,

em portu g u ê s pela Editora Perspectiva ,

(I)

P. ' 37 . (O Vi s ível

e o Invisí v el .

Tradução

Col . "Debates",

1971 . )

nascimento do sentido.

leau-Ponty ten a meditado

da arte e sobre as vozes do silêncio.

E não nos admiramos

que Mer-

sobre a linguagem indireta

O sentido

só pode aparecer

nessa expenencia

se

todas as potências da consciência

tes.

nela já estão presen-

aberta e feliz

A percepção

estética é a percepção

que atesta essas potências

e solicita a reflexão

sobre

elas.

Ao mesmo tempo , ela anuncia e prepara

para a

consciência o seu futuro, fundamenta-o, como dizíamos

há pouco. Primeiro,

o fato de o homem ser sensível ao

elo indica, con orme Kant, sua i ptl i l ã õ pã r.a _ a

morali-

dade.

n Ós um sentimento

se supera

rumo à razão quando os conceitos se ampliam em idéias

estéticas e quando a brancura da inocência; e a imaginação

exercício é como que sublimado:

O acordo livre das faculdades ,

de prazer,

que desperta em

seu

se produz quando

o intelecto

do lírio se torna símbolo se liberta do domínio do

intelecto refletindo

a forma do objeto e "se divertindo

na contemplação

da figura'".

O acordo

situa-se, por-

tanto, em um ponto de concentração no supra-sensível , que atesta a vocação do homem para a racionalidade

no domínio prático, para a moralidade.

sário, para aceitar essa análise, conceber o _ supra-sensí-

ve como uma superaçao

lidade como a su missão a" U m a ior mã P i l r ã

e,

Não é ne ~ s -

e

tr

a mo ra- ã nscen-

ra ical d os ensível,

ente a f ado conteúdo.

p

e feliz das faculdades;

O que retemos de Kant é , em

espontânea

íc

econci -

rimeiro

lugar,

a idéia de uma harmonia

a ex eriê

'~sté

lia-nos

conosco mesmo:

ao abrir-nos

à presença

do

objeto,

não renegamos

nosso poder de conhecer,

dei-

xamo-nos penetrar

terminado, mas insistente,

um predicado moral, como os cumes o são da pureza

ou as borrascas

estimula como um estímulo qu Ig ~ ---ª _ alma mtelra' : e ãt õf r ia

fundo que se desenham

por um sentido,

sem dúvida inde-

que pode ser o símbolo de

f.lém disso, o belo não

uer, e e inspira, mo i -

dispon í vel,

f : sobre esse

na

das paixões.

as figuras da moralidade,

medida em que requerem simultaneamente

um engaja -

mento total da pessoa e o poder de superar

o real ru-

mo a um irreal que pode ser um ideal .

É também para rige ~ toâ a: ã :::: ã

o verdadeiro

m

a .

O ] uízo

que o homem se di - que v isa - à verd w e

(2)

Kant . Critique

du Lu g em e nt , § 1 6.

26

coloca em jogo eSSe acordo das faculdades,

e o juízo

determinante

só pode manifestar a autoridade

do inte-

lecto legislador

porque

o juízo que reflete

manifesta,

primeiro, a possibilidade

~ munha uma aQtidão

Faculdades.

de um acordo

de todas

as

eriência estética

rtanto, teste-

A ciên-

Q.

homem para a ciência.

cia é suscitada

dessa praxis .

pela praxis e , s õ bretudo,

pelos fracassos

ciê cia, enquanto

teoria,

-

é cons-

trução de conceitos

e , depois,

e máguinas

ue produ-

-zem o jet Q1! a medica

provém do pen-

samento que é juízo. quanto ã imagin ãÇ á o

os concei!os - Esse pensamento exerce sua liberdade

é delirante

en- fora de todo

controle do intelecto,

como no sonho; mas o delírio se

abranda e se torna promessa

se carrega

do gênio, idéia estética.

é ciência , mas a prepara,

de razão quando a imagem

de sentido ou quando se torna, pela operação

lndubiamente

a poesia

não

não só ao provocar

o pensa-

mento positivo por meio de obstáculos epistemológicos ,

mas ao exercer

rios, E ela também a confirma:

ria sem re se recomenda

be o ornecesse

toda teoria, mesmo quando

com a con-

que

autoriza devem, em primeiro lugar , dar prova de validez

segundo critérios formais.

vela na experiência estética; e mesmo a imaginação ma-

formal do ver-

de ma-

Ora, é a forma que se re-

é formal,

dição de se- Io formalmente,

o intelecto

em objetos ainda imaginá-

a verdade de uma teo-

Ror sua e egancia, como se o

,com ê f ê ito,

antia . a M. e_ Id~ i j ) .

não ainda formalizada,

verdadeira visto que as deduções

e só é materialmente

terial, segundo Bachelard,

é a qualidade

bo poético que a solicita, enquanto

térias é "um sonhador

matéria é sempre informada.

a forma lógica, que se presta à necessidade

tem nada em comum com a Gestalt que se recomenda

o sonhador

de palavras'"; e , finalmente,

a

Contudo, alguém dirá que

lógica, não

lógica su-

por uma necessidade sensível; a necessidade põe a linguagem - um simbolismo lógico -,

e não

há linguagem em arte, só há linguagem

em poesia.

Do

mesmo modo, o formalismo

estético

que regula

uma

prática é totalmente diferente do formalismo lógico que

constitui um

objeto ideal . Certamente.

Mas a forma

lógica, ainda

que só exista

para um pensamento capaz

de pureza e de rigor, tem certa "forma"

sensível, apela para a sensibilidade:

que, sem ser

há nela como que

( 3)

Po é tiqu e

de Ia

r ê ve rí e ,

p.

10.

27

um estilo ideal de encadeamento d o s objeto s ideais. E , por outro lado, a prática artístic a, se o form a lismo d a s normas nela não exaure a inspira ç ão, c ria um obj e to

que " d á o que pen s ar" , e só

- real e não ideal -

agrada com essa condição , na f alt a da qual ele deix a indiferente ou só é agr a d á v e l e v azi o .