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O PROCESSO COMUNICACIONAL, SEUS CONCEITOS E A PRÁTICA

PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO COM OS ALUNOS

Reflectir sobre o processo comunicacional e sobre os conceitos


abordados de redundância, ruído e entropia em muito podem
contribuir para facilitar o aperfeiçoamento do nosso tipo de
comunicação. A meu ver os conceitos abordados também têm muito
a ver com a nossa prática profissional de comunicação com os alunos
e restante comunidade, não só a escolar, a institucional, a familiar
mas também a social.

“ A Educação insere-se no conceito de comunicação e exemplifica de


uma forma clara a diferença entre comunicar e informar. Um
professor (emissor) não se limita a transmitir os conhecimentos
(informar), cria um processo de comunicação, transmitindo os
saberes (mensagem), utilizando vários recursos (canais),
ultrapassando diversas barreiras e obstáculos (ruído) para fazer
chegar essa informação aos alunos (receptor). Depois, recorre aos
meios de avaliação, testes, trabalhos, debates, entre outros, para
perceber se os objectivos foram atingidos (feedback) e a partir daí
alterar ou não as estratégias utilizadas. “

Mas um aluno não se limita a aprender a comunicar…aprende a saber


saber, aprende a fazer e aprende a ser…aprende através de
processos sócio-cognitivos a comunicar. O processo de aprendizagem
depende do desenvolvimento próprio da estrutura cognitiva do sujeito
(biológico e intelectual).

Para Piaget,o pensamento origina-se da acção e temos na sociedade,


um sistema de actividades onde as acções se modificam umas às
outras alcançando formas de equilíbrio. Tais acções são morais, de
colaboração, de coacção, de comunicação, enfim, uma construção
colectiva.

Nesta perspectiva o conceito de aprendizagem aqui considerado, não


entende que o sujeito aprende porque alguém ensina, mas sim, que o
aprender é um processo de construção, reconstrução e de tomada de
consciência do próprio desenvolvimento por parte do sujeito.

Factor importante: a tomada de consciência do próprio


desenvolvimento por parte do sujeito!

E referindo ao ensino presencial e ao ensino virtual poderei dizer que


o ensino presencial é por excelência a melhor forma de transmitir,
comunicar, partilhar, ensinar, educar… uma vez que a todo o instante
estamos comunicando, informando, partilhando…quer através da
respiração, dos gestos, palavras, sons, expressões, imagem pessoal,
expressão etc…a interacção é directa!

Os ambientes virtuais serão também excelentes meios de ensino-


aprendizagem em que cada sujeito é considerado como um todo,
independente do espaço físico em que acessa a rede; rede esta, que
compreende todos os sujeitos além da conexão entre computadores.

Na mesma concepção teórica foram construídos na Educação


ambientes virtuais (ex. Moodle) – ambientes esses em que cada
sujeito é considerado como um todo, independente do espaço físico
em que acessa a rede; rede esta, que compreende todos os sujeitos
além da conexão entre computadores. O importante é que,
utilizando-se das ferramentas do ambiente, ele consiga estabelecer
relações com seus pares a partir de suas estruturas cognitivas e
afectivas e, acima de tudo, que consiga construir novos
conhecimentos.

E o que estamos a fazer agora neste preciso momento não é isso


mesmo? E não é isso que se pretende que nossos alunos consigam?

- “estabelecer relações com seus pares a partir de suas estruturas


cognitivas e afectivas e, acima de tudo, que consiga construir novos
conhecimentos.”

- “a tomada de consciência do próprio desenvolvimento por parte do


sujeito.”

A escola está inserida num sistema, numa sociedade…

A tendência natural dos sistemas é o desgaste - entropia. À medida


que a entropia aumenta, os sistemas se decompõem e existe a
tendência para que este estado ocorra em função do tempo…a nossa
sociedade modernizada é exemplo disso…vários factores nos
influenciam aumentando a entropia.

Por outro lado, à medida que aumenta a informação, diminui a


entropia, pois a informação é a base da configuração e ordem. Se por
falta de comunicação ou ignorância, os padrões de autoridade, as
funções, a hierarquia de uma organização formal passam a ser
gradativamente abandonadas, a entropia aumenta e a organização
vai-se reduzindo a formas gradativamente mais simples e
rudimentares de indivíduos e de grupos. Informação como meio ou
instrumento de ordenação do sistema.

Por outro lado, existe um equilíbrio dinâmico entre as partes do


sistema.
Os sistemas têm uma tendência a se adaptarem a fim de alcançarem
um equilíbrio interno face às mudanças externas do meio ambiente,
da sociedade.

– a escola varia a sua tendência para a redundância ou a entropia… a


redundância e a entropia contribuem para a transmissão de
conhecimentos.

Julgo que como “educadores/professores” temos que saber comunicar


bem… temos que estar atentos aos receptores das mensagens, saber
que canais utilizar para comunicar, estar atentos ao feedback das
mensagens e ao ruído existente .

Poderemos aumentar a informação para diminuir a entropia,


aumentando assim a ordem…

Mas o ensino que não se limita a um conjunto de factos e conceitos, a


informação, mais ao menos relacionados entre si, deve provocar
também alterações do comportamento dos alunos, que os prepare de
uma forma mais eficaz para as exigências da sociedade actual.

O equilíbrio de qualquer sistema é difícil, a própria escola, o sistema


educativo tem tendência a se adaptar procurando esse mesmo
equilíbrio entre as partes.

Para evitarmos contribuirmos para um sistema educativo unicamente


caótico é necessária a consciencialização e intervenção de todos os
intervenientes no processo! É necessário saber comunicar bem!

Celina Rodrigues

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