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Saiba mais:

Madame Bovary é um romance escrito por Gustave Flaubert que


resultou num escândalo ao ser publicado em 1857. Quando o
livro foi lançado, houve na França um grande interesse pelo
romance, pois levou seu autor a julgamento.
Ele foi levado aos tribunais acusado de ofensa à moral e à
religião, num processo contra o autor e também contra Laurent
Pichat, diretor da revista Revue de Paris, em que a história foi
publicada pela primeira vez, em episódios e com alguns
pequenos cortes. A Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena
absolveu Flaubert, mas o mesmo procedimento não foi adotado
pelos críticos puritanos da época, que não perdoaram o autor
pelo tratamento cru que ele tinha dado, no romance, ao tema do
adultério, pela crítica ao clero e à burguesia: (Gostava do mar
apenas pelas suas tempestades e da verdura só quando a
encontrava espalhada entre ruínas. Tinha necessidade de tirar de
tudo uma espécie de benefício pessoal e rejeitava como inútil o
que quer que não contribuísse para a satisfação imediata de um
desejo do seu coração - tendo um temperamento mais sentimental
do que artístico e interessando-se mais por emoções do que por
paisagens. [1] ).
É considerada por alguns autores como a primeira obra da
literatura realista.
"Emma Bovary c'est moi" (Emma Bovary sou eu), disse Gustave
Flaubert (1821-1880), o criador deste que é por muitos
considerado o ápice da narrativa longa do século XIX - o
chamado século de ouro do romance. Flaubert, o esteta, aquele
que buscava o mot juste (a palavra exata) e burilava os seus
textos por anos a fio, imbuiu-se da consciência e da sensibilidade
da sua personagem. Atingiu, com a irretocável prosa de Madame
Bovary, um dos mais altos graus de penetração e análise
psicológica da literatura universal.
Madame Bovary é uma obra capital na literatura do seu tempo,
um daqueles livros que dão início a uma época literária.
Tomando propositadamente um tema sem grandeza aparente,
Flaubert quis obrigar o seu talento a enfrentar dificuldades
técnicas que o levassem a vencer o romantismo exacerbado que o
dominava. O resultado foi a obra-prima que o leitor tem em mãos
e que Émile Zola descreveu da seguinte maneira: «Quando
Madame Bovary apareceu, foi uma completa revolução literária.
Teve-se a impressão de que a fórmula do romance moderno,
esparsa pela obra colossal de Balzac, fora reduzida e claramente
enunciada nas quatrocentas páginas de um único livro.