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A dificuldade que encontramos para realizar a leitura de textos em português

arcaico referentes ao grafema <lh> ocorre, pois este grafema ainda não era usado
no português, só vindo a ser incorporado depois, por influência do provençal. Até
essa época as palavras eram representadas por outros grafemas, como <li> em
“filios” e em “molier”. Palavras que só posteriormente se tornariam “filhos” e
“mulher”.
Como demonstra Paul Teyssier no seu livro a “História da Língua Portuguesa”, esse
problema provém de palavras com “i” e “e” não tônicos e seguidos de vogal que eram
pronunciados em yod em latim imperial. Este processo que gerou grupos fonéticos
como o [ly], [ny], [ty], [dy] que com o tempo sofreram palatalização gerando
respectivamente os grupos [lh], [nh], [tsy] e [dzy].
Outro processo que Teyssier também demonstra em seu livro é a evolução do grupo
consonantal “cl” como em oc`lu (que provém de oculum do latim clássico) que também
passa a ser pronunciado como yod [y] o que geraria a palavra oylo que com o
processo de palatalização se torna olho.
Através desses dados apresentados por Teyssier podemos notar que esse problema não
é característico apenas do grafema <lh>, mas de todos estes quatro grupos
fonéticos que sofreram palatalização, e que esta variação se tornou uma
característica do português arcaico em sua evolução do latim em detrimento de
outras línguas da península ibérica que tiveram variações diferentes para o mesmo
problema.