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Dezembro 2013 - Ano III - Nº 5
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Dezembro 2013 - Ano III - Nº 5
Editorial Chegamos a uma nova edição da Revista Conexão Academia com o cumprimento de mais

Editorial

Chegamos a uma nova edição da Revista Conexão Academia com o cumprimento de mais um dos objetivos estabelecidos quando do lançamento desse projeto.

A edição que ora lhe chega às mãos é uma edição muito especial, pois traz os melhores trabalhos apresentados no Seminário GRAL 2013 – Gestión de Residuos en America Latina, realizado em São Paulo, no início de setembro de 2013, por meio de uma parceria entre a ABES-SP, a ABRELPE e o IWWG.

O Comitê Científico do GRAL 2013, composto por renomados experts na área de resíduos sólidos da América Latina, analisou mais de setenta artigos que foram submetidos por pesquisadores de todo o continente para apresentação no Seminário. Desse total, os dez trabalhos com maior pontuação foram selecionados para publicação nessa edição especial da Revista Conexão Academia.

A publicação de uma edição especial da Revista com os melhores trabalhos de um congresso científico de altíssimo nível traz um reconhecimento diferenciado para os autores, que ganham um espaço adicional para apresentação de seus estudos e pesquisas e, traz um ganho ainda maior para os leitores, que recebem um conteúdo bastante atual e qualificado, que até então não estaria disponível como fonte de consulta.

Além disso, a edição da Revista coincide com a abertura da Chamada de Trabalhos para o Congresso Mundial de Resíduos Sólidos da ISWA – International Solid Waste Association, que acontecerá pela primeira vez no Brasil, em setembro de 2014. Aproveitamos o ensejo para convidar todos os leitores a encaminharem seus resumos, pois mais uma vez editaremos uma edição especial da Revista Conexão Academia, com os trabalhos apresentados no Congresso.

Desfrutem dessa edição especial e não esqueçam de encaminhar suas contribuições e impressões para o aperfeiçoamento contínuo da publicação.

Carlos R V Silva Filho

Expediente

Revista Conexão Academia é uma publicação de periodicidade semestral da ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais.

Editor responsável: Carlos Roberto Vieira Silva Filho • Coordenação Técnica: Gabriela Gomes Prol Otero • Coordenação e revisão: Ana Lucia Montoro • Projeto Editorial: Mistura Fina Comunicação Organizacional • Projeto Gráfico e Editoração: Grappa Editora e Comunicação • Capa: Shutterstock.com/ jannoon028

Permitida a reprodução total ou parcial, desde que citada a fonte. Os artigos são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a posição da ABRELPE. Dúvidas, críticas ou sugestões podem ser encaminhadas para o e-mail:

comunicacao@abrelpe.org.br

ser encaminhadas para o e-mail: comunicacao@abrelpe.org.br NATIONAL MEMBER OF Conselho de Administração (2012-2015)

NATIONAL MEMBER OF

o e-mail: comunicacao@abrelpe.org.br NATIONAL MEMBER OF Conselho de Administração (2012-2015) Alberto BianchiniI

Conselho de Administração (2012-2015) Alberto BianchiniI (Mosca Grupo Nacional de Serviços Ltda.) • Edison Gabriel da Silva (Litucera Limpeza e Engenharia Ltda.) • Gilberto D. de O. Belleza (Empresa Tejofran de Saneamento e Serviços Ltda.) • Ivan Valente Benevides (Construtora Marquise S/A) • José Carlos Ventri (EPPO Saneamento Ambiental e Obras Ltda.) • José Eduardo Sampaio (Vital Engenharia Ambiental Ltda.) • José Reginaldo Bezerra da Silva (Vega Engenharia Ambiental S/A) • Nesterson Silva (TB Serviços, Transporte, Limpeza e Recursos Humanos) • Oswaldo Darcy Aldrighi (Silcon Ambiental Ltda.) • Ricardo Gonçalves Valente (Corpus Saneamento e Obras Ltda.) • Walmir Beneditti (Sanepav Saneamento Ambiental Ltda.)

Diretor Executivo Carlos Roberto Vieira Silva Filho

Ltda.) Diretor Executivo Carlos Roberto Vieira Silva Filho Conselho Editorial Carlos Roberto Vieira Silva Filho

Conselho Editorial Carlos Roberto Vieira Silva Filho (Diretor Executivo da ABRELPE e Diretor da ISWA para América Latina) • Ernesto Paulella (Professor da Escola de Economia e Administração da PUC - Campinas) • Flávio de Miranda Ribeiro (Doutor em Ciências Ambientais) • Francisco Humberto de Carvalho Jr. (Professor Titular do Instituto Federal em educação, Tecnologia e Ciência do Estado do Ceará – IFCE) • José Dantas de Lima (Mestre em Engenharia Civil e Ambiental. Professor convidado nas disciplinas sobre resíduos sólidos) • José Fernando Thomé Jucá (Professor Titular da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE).

Comitê Científico - GRAL Prof. Carlos R V Silva Filho Prof. Emilia Wanda Rutkowski - UNICAMP Prof. Francisco José Pereira de Oliveira - FRAL Prof. Fernando Lavoie - Instituto Mauá de Tecnologia Prof. Miriam Gonçalves Miguel - UNICAMP Prof. Roseane Maria Garcia Lopes de Souza - ABES Prof. Thelma Sumie Maggi Marisa Kamiji - FRAL

Sumário

Destaque

p. 9

• Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos

da construção e demolição

p.11

Artigos

p.23

• A importância da logística reversa de resíduos

eletroeletrônicos na política nacional de resíduos sólidos:

um estudo de caso na região nordeste

p.25

• Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos:

análise e proposições para a política brasileira à luz da

experiência européia

p.

37

• Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr (vi) em humedales construídos com policultivos tratando lixiviados

de aterros sanitários em escala piloto

p.49

• Como prevenir conflitos por causa dos resíduos

sólidos: um estudo de caso no encerramento do lixão de

rauyhuana, província huayllay-pasco (peru)

p.61

  • Otimização da alocação de cargas em aterros sanitários
 

Otimização da alocação de cargas em aterros sanitários

regionais

p.69

Implementação de um centro de compostagem como

estratégia de vanguarda e inovação para o ensino de
estratégia de vanguarda e inovação para o ensino de
estratégia de vanguarda e inovação para o ensino de

estratégia de vanguarda e inovação para o ensino de

educação e conservação do meio ambiente

p.81

Avaliação do processo produtivo de uma cooperativa de

materiais recicláveis no df – estudo de caso

p.89

Seleção de sistemas de tratamento de resíduos sólidos

residenciais através de técnicas multicritério

p.95

Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais

após estabilização por solidificação

p.107

Normas para publicação p. 119

Normas para publicação

p. 119

oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação p.107 Normas para publicação p. 119
oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação p.107 Normas para publicação p. 119
oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação p.107 Normas para publicação p. 119
oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação p.107 Normas para publicação p. 119
oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação p.107 Normas para publicação p. 119

Destaque

• Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.

Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.
Destaque • Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição.

ConEXÃo aCaDEMIa

A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da construção e demolição

GonçalvES, Pedro H. 1 ; BranDStEttEr, Maria Carolina 2 1 Programa de Pós-Graduação em Geotecnia, Estrutura e Construção Civil, Escola de Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás, e-mail: goncalves-pedro@hotmail.com 2 Programa de Pós-Graduação em Geotecnia, Estrutura e Construção Civil, Escola de Engenharia Civil, Universidade Federal de Goiás, e-mail: maria.carolina@uol.com.br

RESUMO

Muito se tem debatido a respeito da geração de resíduos, muitos países possuem o objetivo essencial de dissociar

a geração de resíduos do crescimento econômico. A crescente consciência das preocupações de gestão de resíduos

de construção e demolição levou ao desenvolvimento da gestão de resíduos como uma função importante da gestão de projetos de construção. Um dos fatos que agrava esta preocupação é que o custo dos materiais reduz em comparação com o custo da mão de obra, de modo que se torna “mais barato” materiais perdidos, ao invés de investir em treinamento na utilização de materiais de forma mais eficiente. O objetivo deste trabalho é levantar as dificuldades referentes à implantação dos Planos de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos da Construção Civil (PGRSCD), criando um escopo para uma ferramenta de gerenciamento de resíduo da construção dentro da realidade brasileira de acordo com Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Resolução 307/431/448 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Para analisar esta cadeia com suas problemáticas referentes aos PGRCC a metodologia utilizada abrangeu a revisão de trabalhos nacionais e internacionais relacionados ao tema voltados à eficiência e à dificuldade na implantação dos PGRCC e a aplicação de um questionário sobre o peso das ações dentro do planejamento dos planos de redução entre diversos agentes da cadeia produtiva. Os resultados apontam que a criação de um banco de informações e o desenvolvimento de métodos para reduzir o desperdício são os principais benefícios obtidos com a implementação de um método de planejamento e gerenciamento do resíduo. No entanto, o baixo incentivo financeiro e a falta de fiscalização são considerados como as principais dificuldades na implementação. A partir daí a mudança cultural é considerada como a principal medida para incentivar a implementação de uma metodologia de redução na geração de resíduos.

Palavras-chave: Resíduo, Construção Civil, Gerenciamento, Ferramenta.

waste

management

ABSTRACT There is a great discussion on waste generation, many countries have the essential goal to decouple waste generation from economic growth. The growing awareness of the concerns of construction and demolition waste management led to the development of waste management as an important function of construction projects management. One of the facts is that the reduced material costs compared with the labor cost, the materials lost

analysis

tool

for

construction

and

demolition

becomes cheaper than to invest in training in use of materials more efficiently. The objective of this work is to raise the difficulties related to the implementation of a Management Plan Solid Waste Construction (PGRSCD), create

a scope for a waste management tool construction in the Brazilian reality in accordance with the National Policy

GonçalvES, BranDStEttEr

12 Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da

on Solid Waste and 307/431/448 resolution of the National Council of Environment (CONAMA). To analyze this string with their problems pertaining to the methodology used was PGRCC, review of national and international work related to the topic focused on the efficiency and the difficulty of PGRCC deployment and application of a questionnaire on the actions weight within the reduction plans. The results showed that create a information database and the development of methods for reducing waste are the main benefits gained by implementing a method of waste planning and managing. However, the low financial incentives and lack of supervision are considered as the main difficulties. From this cultural change is considered as the main measure to encourage the implementation of a methodology to reduce waste generation.

Key Words: Waste, Construction, Management, Tool.

Herramienta de análisis para la gestión de los residuos de construcción y demolición

RESUMEN Se ha debatido mucho sobre la generación de residuos y muchos países tienen el objetivo final de disociarla del crecimiento económico. La creciente toma de conciencia sobre las preocupaciones que genera la gestión de residuos de construcción y demolición, llevó al desarrollo de la gestión de residuos como una función importante de la gestión de proyectos de construcción. Un hecho que agrava este problema es que el material tiene menor costo comparado con el costo de mano de obra, por lo que se hace “más barato” materiales perdidos, en lugar de invertir en la formación en el uso más eficiente del material. El objetivo de este trabajo es identificar las dificultades relacionadas con la aplicación de un Plan de Gestión de Residuos Sólidos de la Construcción (PGRSCC) y crear una herramienta de gestión de residuos de la construcción para la realidad brasileña , de acuerdo con la Política Nacional de Residuos Sólidos y la Resolución 307/431/448 del Consejo Nacional del Medio Ambiente ( CONAMA ). La metodología utilizada para analizar los problemas fue: Revisión de trabajos nacionales e internacionales ligados al tema de la eficiencia y la dificultad de implementación PGRSCC y la aplicación de un cuestionario para analizar el peso de las acciones, dentro de los planes de reducción. Los resultados dejaron evidencia de que crear una base de datos de información e implementar el desarrollo de métodos para la reducción de residuos son los principales beneficios que se obtienen mediante la aplicación de un método de planificación y gestión de los residuos. Los incentivos económicos bajos y la falta de supervisión fueron considerados como las principales dificultades en la implementación. A partir de estos resultados, es que se plantea que la modificación de la cultura, es la principal medida para fomentar la aplicación de una metodología para reducir la generación de residuos.

Palabras-clave: residuos, construcción, gestión, herramientas.

1. INTRODUÇÃO

O cenário a respeito da geração de resíduos é palco de muitos debates pelo mundo, vários países direcionam esforços há alguns anos para alcançar o objetivo de dis- sociar a relação direta entre geração de resíduos e cresci- mento econômico. Diante desta visibilidade mundial sobre a problemática dos resíduos, desde 1980 o empenho contínuo de muitos pesquisadores vem sendo voltado para a minimização da

geração dos resíduos da construção e demolição (RCD) em ordem de reduzir os impactos associados durante a construção e demolição dos edifícios (LU e YUAN, 2011). Porém existe o fato agravante sobre a preocupação da relação entre os materiais e a mão de obra, onde o custo dos materiais reduz em comparação com o custo da mão de obra. Desse modo se torna “mais barata” a perda de materiais do que o investimento em treinamento da mão de obra na utilização de materiais de forma mais eficien- te (CIB, 2011), aumentando assim os fatores impactantes

causados pela indústria da construção, no qual incluem a deterioração do uso da terra, esgotamento dos recursos naturais e as formas de poluição.

O gerenciamento de resíduos na indústria da constru-

ção não é controlado com sucesso e há a necessidade de mais esforços para se alcançar um nível satisfatório de desempenho. De acordo com Tam (2008), no passado, os resíduos da construção eram depositados normalmente em aterros, no entanto, esses aterros estão chegando ao seu limite, fato que implica na necessidade de métodos

para gerenciar e reduzir o desperdício. Wang et al. (2004)

e Yuan et al. (2012) afirmam que a limitação da capacida-

de dos locais de disposição juntamente com a dificulda-

de de desenvolver novos aterros, em especial devido ao novo contexto sobre a importância do meio ambiente que hoje se tornou uma preocupação generalizada da opinião pública, reforçam a necessidade de criação de um plano de redução das disposições. Determinando, assim, que haja investigações ao alcance de todos os tópicos sobre os diferentes temas a respeito de gerenciamento de re- síduos, desde a redução, reutilização e reciclagem até a sua disposição final. No Brasil existem trabalhos importantes voltados a te- mática de gerenciamento dos resíduos como, por exem- plo, Blumenschein (2007), Rocha (2006), Schneider (2003)

e Pinto (1999) com o intuito de analisar a eficiência dos

programas de gestão de resíduos. Pode-se observar em comum entre tais trabalhos a dificuldade de se levantar dados quantitativamente sobre essa geração de resíduos, sendo exposto pelos autores que em sua grande maioria este problema origina-se devido à falta de informações dentro do planejamento advinda de um mau gerencia- mento dos dados (ou a falta dos mesmos) desde o início do processo de criação do plano, resultando na criação de um programa com falhas já na sua origem. Este trabalho tem como objetivos levantar as dificul- dades referentes à implantação dos Planos de Gerencia- mento dos Resíduos Sólidos da Construção e Demolição (PGRSCD) no cenário nacional e criar um escopo para uma ferramenta de gerenciamento de resíduo da construção dentro da realidade brasileira de acordo com Política Na- cional de Resíduos Sólidos, Resolução 307/431/448 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), con- tribuindo para o desenvolvimento de boas práticas na ca- deia dos agentes responsáveis pela geração de resíduos.

2 - O PLANO DE GERENCIAMENTO DOS RESÍDUOS

A implementação do método de um Plano de Gerencia-

mento dos Resíduos Sólidos da Construção e Demolição

ConEXÃo aCaDEMIa

A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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(PGRSCD) possui importantes benefícios como, por exem- plo: a prevenção da poluição, melhor utilização dos re- cursos, maior conformidade nos produtos e avaliação dos riscos. Com a implantação de um planejamento eficiente, os agentes responsáveis conseguem prevenir os poten-

ciais problemas advindos do processo da construção civil.

E esse conjunto de ações significa uma redução de custos

tanto para as construtoras como para os cofres públicos.

WRAP (2007) estabelece o conceito de um PGRSCD como uma ferramenta que fornece uma estrutura que

pode ajudar os agentes responsáveis pela geração de re- síduos a prever, registrar a quantidade, planejar e auxiliar na criação de uma gestão adequada. Tal gestão deve re- sultar em ações para redução da quantidade de resídu- os que serão produzidos no processo da construção, de modo que o planejamento permita tanto durante o de- senvolvimento como ao final do processo de gestão, uma revisão dos resultados obtidos, a fim de retroalimentar

o processo e criar um ciclo de melhoria continua, como ilustrado na Figura 1.

Figura 1 - Processo do PGRSCD

como ilustrado na Figura 1. Figura 1 - Processo do PGRSCD No contexto mundial e principalmente

No contexto mundial e principalmente nos países mais desenvolvidos, os PGRSCD vêm ganhando popularidade e se tornando uma importante ferramenta para minimizar não só os impactos ambientais causados pela indústria da construção civil, mas também impactos econômicos e so- ciais. Os planos requerem a cooperação entre os agentes envolvidos no processo da construção, como clientes, cons- trutores, projetistas, engenheiros, subcontratados, colabo- radores e fornecedores (PAPARGYROPOULOU et al., 2011). Estes envolvem a cadeia de responsáveis desde o início da preparação, passando por todas as etapas, até o final para garantir a eficácia do gerenciamento dos resíduos. No Brasil a ação efetiva em termos legais, visando à mudança deste quadro foi a publicação da Resolução nº

GonçalvES, BranDStEttEr

14 Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da

307 do CONAMA (2002), em vigor desde janeiro de 2003. Com esta resolução foram estabelecidas responsabilida- des para os geradores em todas as etapas de produção, atribuindo uma maior importância nas práticas de ge- renciamento de resíduos dentro dos canteiros. A Reso- lução nº 307 sofreu alterações em algumas atribuições de acordo com a Resolução nº 431 de maio de 2011 e a Resolução nº 448 de janeiro de 2012, que reforçaram a necessidade e a obrigação dos PGRSCD. E por fim a aprovação da Lei Federal nº 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, onde o país passou a contar com uma definição legal de âmbito nacional do que são os resíduos sólidos urbanos. Porém, o que se prevê nas resoluções não é a realidade que ocorre efetivamente no país e hoje há uma grande dificuldade do governo em avançar as barreiras que difi- cultam a efetivação da execução das políticas.

2.1 - INFLUêNCIA DAS FERRAMENTAS NOS PGRSCD

Muitas das principais ferramentas de auxílio ao geren-

Figura 2 - Etapas do PGRSCD (LU; YUAN, 2011)

ciamento como, por exemplo, SMARTWASTE Plan (2009)

e WRAP (2007), foram criadas para auxiliar as etapas

na criação dos PGRSCD de forma que facilitem o enten- dimento do usuário, permitindo que se alcance o máxi- mo de eficiência dentro do planejamento de redução de resíduos. Suas influências podem ser inseridas no conceito de- senvolvido por LU e YUAN (2011) onde existem quatro componentes principais (Figura 2) dentro da cadeia de trabalho das estratégias de gerenciamento de resíduos:

1) as estratégias prioritárias; 2) o ciclo de vida do proje- to, indicando os estágios que o planejamento está sen- do conduzido; 3) o ciclo de vida dos materiais, ajudando

a traçar e analisar os desperdícios dos materiais; 4) os

espectro das abordagens, variando de técnicas a tecno- logias complicadas ou simples dentro do contexto eco- nômico e gerencial do ciclo de ações. Todos os compo- nentes citados foram desenvolvidos baseados na síntese dos principais conceitos do gerenciamento de resíduos, incluindo a geração, redução, reutilização, reciclagem e disposição final.

redução, reutilização, reciclagem e disposição final. LU e YUAN (2011) desenvolveram uma pesquisa onde analisaram

LU e YUAN (2011) desenvolveram uma pesquisa onde analisaram 250 artigos produzidos em diferentes países e chegaram a um resultado demonstrativo de que, dos arti- gos analisados, revelou-se que os pesquisadores devotam 42,2% a estudos relacionados à redução do resíduo, 23,8% à geração, 23,8% à reciclagem, 6,1% à disposição final e 4,1% à reutilização do material. Fica claro que a redução é o tópico mais importante dentro dos PGRSCD, refletindo que a influência da ação de redução a torna a principal es- tratégia dentro deste ciclo de redução do desperdício.

Dentro do gerenciamento da construção existem fato- res que definem qual a influência no aumento ou na di- minuição da produção de resíduos, afetando seu poder de reuso ou reciclagem em canteiros. Segundo Kim et al. (2006), existe uma significativa possibilidade de reduzir os desperdícios e aumentar a reciclagem de acordo com sua eficiência no gerenciamento. No Japão o índice de redução do desperdício está na casa dos 92% e isso se dá devido a várias ações pré-esta- belecidas por seus agentes como, por exemplo, durante

a fase de planejamento os projetistas consideram a des- construção do edifício em longo prazo e escolhem mate- riais de construção que facilite a reutilização e a recicla- gem dos resíduos gerados pelo processo de utilização dos materiais de forma mais eficiente, eficaz e rentável, sem- pre evitando materiais que contenham substâncias peri- gosas, pois são difíceis e caros de reciclar (CIB 364, 2011).

3 - METODOLOGIA

A pesquisa tem como intuito analisar a cadeia de RCD com suas problemáticas referentes aos planos de geren- ciamento de resíduos da construção e demolição (PGR- CD). Foi realizado um estudo exploratório por meio da aplicação um questionário baseado no trabalho de Tam (2008), sobre o peso das ações dentro do planejamen- to dos planos de redução e enviados a uma amostra não probabilística intencional de 50 agentes, divididos em 20 construtoras, 10 consultores/gestores ambientais, 10 empresas de reciclagem e 10 agentes do governo. O questionário analisa as dificuldades na implantação de um PGRSCD de acordo com a visão de cada agente em sua área de atuação, levantando quais os resíduos mais comuns na construção civil, qual a disposição de todos os agentes em reduzir o desperdício, bem como identifi- cação dos fatores mais/menos importantes na cadeia da construção. Os questionários têm como objetivo levantar qual o nível de importância de três cenários ao PGRSCD: 1) pro- postas de ações e métodos para melhorar a eficiência do programa de gestão; 2) problemas na implantação do plano de gerenciamento e 3) práticas para reduzir o des- perdício. As respostas foram classificadas em categorias

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de acordo com cada grupo avaliando o peso de cada res- posta conforme a classificação contida no questionário e indicando quais as maiores preocupações referentes a cada agente no contexto nacional. Para se determinar o grau de importância das ações foi estabelecido um peso de “1” menos importante a “5” mais importante e trans- formando-os em índices baseado na equação:

e trans- formando-os em índices baseado na equação: onde “ ” é a somatória das pontuações,
e trans- formando-os em índices baseado na equação: onde “ ” é a somatória das pontuações,

onde “ ” é a somatória das pontuações, “A”=5 sendo pontuação máxima, Q o número total de amostras e R o índi- ce relativo à importância, 0 ≤ R ≤ 1.

4 - RESULTADO DO LEVANTAMENTO DA CADEIA NACIO- NAL DE RCD

Os resultados foram obtidos a partir de 50 questionários enviados. Houve o retorno de 30, sendo 8 secretarias do governo, 6 consultores, 10 construtoras e 6 recicladoras. A seguir é apresentada a compilação dos resultados obtidos por meio dos questionários. Os resultados apresentados na Tabela 1 confirmaram que os resíduos de classe A são a maioria na construção civil, seguido por madeira, gesso e papelão, apontados por todos os agentes. A Resolução nº 448 define que estes tipos de resíduos, a partir de 2013, de- verão ser reutilizados, reciclados e ou encaminhados para aterros de preservação para uso futuro.

Tabela 1 - Resultado do questionário sobre os principais resíduos da construção civil

sobre os principais resíduos da construção civil Os resultados a respeito da existência de práticas para

Os resultados a respeito da existência de práticas para redução de resíduos (Tabela 2) foram negativos. Os agen- tes apontaram que ainda existe uma falta de consciência a

respeito da existência deste tipo de prática no Brasil e isso resulta em uma difícil trajetória para alcançar esta meta por falta de informações e metodologias.

Tabela 2 - Resultado do questionário sobre a existência de práticas para redução de resíduos

e metodologias. Tabela 2 - Resultado do questionário sobre a existência de práticas para redução de

GonçalvES, BranDStEttEr

16 Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da

Conforme a Tabela 3 os resultados referentes à boa von- tade dos agentes em implantarem um programa de redu- ção de resíduos mostrou que o governo (48%) e clientes (52%) estão dispostos a reduzir os resíduos, resultado negativo para as construtoras (48%) e projetistas (52%).

Tal fato pode ser explicado devido à produção de proje- tos mal detalhados, falta de conhecimento de métodos construtivos, desconhecimento do comportamento dos materiais e pela falta de comunicação entre os envolvidos nas etapas projetuais.

Tabela 3 - Resultado do questionário sobre a boa vontade em minimizar a geração de resíduos

sobre a boa vontade em minimizar a geração de resíduos Sobre os fatores de importância nas

Sobre os fatores de importância nas metas da constru- ção civil como custo, tempo, qualidade, meio ambiente e segurança (Tabela 4), o fator custo foi o mais importante (55,6%) e o tempo (44,4%) o menos importante na cadeia da construção. Uma das construtoras explicou que custo e qualidade são requisitos e que devem ser cumpridos,

principalmente nas atuais mudanças que o setor vem so- frendo. Mas se observa a nova tendência a respeito do meio ambiente de deixar de ser o menos importante, pois governos, instituições financeiras e o próprio merca- do tem dado maior visibilidade a esta temática.

Tabela 4 - Resultado do questionário sobre a importância das metas na construção civil

sobre a importância das metas na construção civil A Tabela 5 ilustra os resultados sobre a

A Tabela 5 ilustra os resultados sobre a importância das ações no PGRSCD. As ações tem finalidade de se tornar benefícios para a construção, prevenir poluição no can- teiro, melhor estocagem, organização na obra, entre ou- tras. Monitorar e auditar o gerenciamento do programa

de resíduos e desenvolver uma estrutural organizacional para gerenciar o resíduo foram as ações avaliadas como as mais importantes no planejamento, reforçando assim a necessidade de ferramentas que auxiliem o gestor no planejamento e no controle.

Tabela 5 - Resultado do questionário sobre a importância das ações no PGRSCD

o gestor no planejamento e no controle. Tabela 5 - Resultado do questionário sobre a importância

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A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5 17 O PGRSCD embora traga vários

O PGRSCD embora traga vários benefícios para a cons- trução, enfrenta várias dificuldades para sua implan- tação. Na pesquisa realizada, os resultados na Tabela 6 demonstram que o “comportamento e a cultura na cons- trução”, “falta de treinamento e educação” e a “falta de conhecimento de métodos efetivos de gerenciamento” são as maiores dificuldades na implantação do plano.

O baixo custo para a disposição revela ser um fator de baixa importância, não contribuindo para a mudança de comportamento no setor da construção. O que se obser- va em outros países é a aplicação de políticas para o au- mento do valor da disposição obrigando os geradores a reduzir seus resíduos, reduzindo seus custos.

Tabela 6 - Resultado do questionário sobre as dificuldades na implantação do PGRSCD

sobre as dificuldades na implantação do PGRSCD No questionário a respeito da importância das prá -

No questionário a respeito da importância das prá- ticas para a redução do resíduo, as ações levantadas para se reduzir os resíduos na construção civil (Tabe- la 7), a “educação e treinamento” e a “participação da

alta administração no gerenciamento” se mostraram as mais importantes no PGRSCD. Tais resultados mostram a necessidade da participação de todos os agentes para que os planos de gestão de resíduos sejam implanta-

GonçalvES, BranDStEttEr

18 Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da

dos de forma eficiente. A educação e o treinamento se mostraram os fatores de maior importância em todas as pesquisas, entendendo que para se desenvolver uma

estrutura organizacional de gerenciamento exige trei- namento e educação no seu planejamento, execução e monitoramento.

Tabela 7 - Resultado sobre a importância das práticas para a redução do resíduo no PGRSCD

das práticas para a redução do resíduo no PGRSCD Fica claro após as análises dos resultados

Fica claro após as análises dos resultados desta primeira etapa que a geração de resíduos é uma questão de gran- de importância pelo mundo e, no Brasil, ela tem ganhado força, com legislação própria, investimentos tanto públi- cos como privados e também devido à visibilidade que as preocupações ambientais ganharam nos últimos anos. A construção civil está inserida neste contexto por ser um dos maiores geradores de resíduos e consumidores dos recursos naturais, necessitando assim de uma meto- dologia efetiva que auxilia na redução deste problema. A complexidade da implantação de um sistema de geren- ciamento de resíduo é grande, mas não difícil de alcançar.

4.1 - ESCOPO DE UMA FERRAMENTA DE GERENCIA- MENTO

Por meio da análise dos resultados obtidos, propõe-se um escopo para o desenvolvimento de uma ferramenta de gerenciamento de resíduos baseados nos processos utilizados pelas ferramentas internacionais SMARTWast Plan e WRAP Plan. Os resultados ajudaram a traçar metas para que esse escopo fosse uma proposta dentro do ce- nário nacional, abrangendo as seguintes etapas:

Preparação: Antes do início do desenvolvimento das ati-

vidades os agentes devem levantar todas as etapas que po- dem influenciar na geração de resíduos. Listar quais os mate- riais mais impactantes, tomar e prever ações de acordo com seu grau de impacto, sistematizando-as e desenvolvendo um plano de orientação para as demais etapas. Neste planeja- mento deve-se ter um detalhamento da concepção dentro das legislações pertinentes, elencar os responsáveis, prever ações de redução ainda na fase de projeto e estimar essa redução valorizando os resíduos. Implantação na pré-construção: Buscar oportunidades para reduzir o desperdício durante o desenvolvimento dos projetos. Projetar pensando em ações para minimizar as per- das e aumentar o uso de materiais suscetíveis à reutilização/ reciclagem. A equipe de projeto é o principal agente para que esse objetivo seja alcançado. A ferramenta deve auxi- liar na identificação dos geradores, rastrear as destinações e seus transportadores, treinamento dos agentes e indicar quais são os deveres de cada um no planejamento. Implantação na construção: Esta etapa foi indicada nos resultados como a ação mais importante dentro do PGRSCD, definidas como execução, monitoramento e auditoria. Estas etapas são as responsáveis pela efetivação de todo o plane- jamento. A execução deve ser baseada nas práticas de se reutilizar, reciclar e recuperar.

O reuso é a reincorporação dos resíduos na construção civil

com o mínimo de energia embutida no processo como afirma Addis (2006), onde o reuso e á ideia de uma intervenção míni- ma exigida para que o material ou componente continue sen- do utilizado, ou reutilizado em outro local evitando o grande volume de entulho e a demanda de novos materiais. De acordo com Addis (2006) os materiais descartados no processo de produção podem ser coletados e melhorados (limpeza) a fim de reincorporá-los para serem utilizados como novos produtos. A reciclagem dentro do PGRSCD é uti- lizada como materiais descartados que se tornam um novo produto. Na construção normalmente se tem a mistura de materiais reciclados com materiais virgens.

Tabela 8- Estágios para implantação do PGRSCD

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A recuperação é um conceito muito utilizado fora do Bra- sil, consiste em utilizar os resíduos que não possuam possi- bilidade de reutilização nem reciclagem para gerar energia antes de serem encaminhados para a disposição final. Resultados e Revisão: Final do ciclo PDCA (Plan-Do-Che- ck-Action), criação de um banco de dados e de métodos im- plantados no PGRSCD possibilitando uma retroalimentação dos dados e métodos obtidos com a finalidade de melhorar o processo em futuros projetos. Deve-se fiscalizar as ações previstas anteriormente, medir os resultados e compará-los com os alcançados, gerando benchmarks do processo. Todo o processo de gerenciamento deve ser cíclico, conforme ilustrado na Tabela 8.

deve ser cíclico, conforme ilustrado na Tabela 8. A falta de conhecimentos a respeito de métodos

A falta de conhecimentos a respeito de métodos e in-

formações sobre o gerenciamento se dá pela falta de controle por não haver uma retroalimentação nos pla- nejamentos e a falha na criação de um banco de dados

sobre os resultados alcançados.

5 - CONCLUSÕES

A geração de resíduos é uma questão de grande im-

portância pelo mundo, no Brasil ela tem ganhando for- ça, com legislação própria, investimentos tanto públicos como privados e também devido à visibilidade que as preocupações ambientais ganharam nos últimos anos. A construção civil está inserida neste contexto por ser um

dos maiores geradores de resíduos e consumidores dos recursos naturais, necessitando assim de uma metodo- logia efetiva que auxilia na redução desde problema. A ideia de se aplicar uma metodologia cíclica é criar um banco de dados de informações que auxiliem os gestores já na concepção do projeto, auxiliando duran- te todo o restante do planejamento. É imprescindível que se crie uma agenda de reuniões da equipe, clien- te, planejador e a alta administração para apresentar as orientações do projeto do PGRSCD, bem como discutir o plano com todos os atores, identificar em todo o pro- cesso seus geradores, falhas, pontos positivos, permi- tindo a continuidade com o programa a fim de alcançar os objetivos.

GonçalvES, BranDStEttEr

20 Ferramenta de análise para o gerenciamento de resíduos da

5. REFERêNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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artigos

• A importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política nacional de resíduos sólidos: um estudo de caso na região nordeste

• Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e proposições para a política brasileira à luz da experiência européia

• Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr (vi) em humedales construídos com policultivos tratando lixiviados de aterros sanitários em escala piloto

• Como prevenir conflitos por causa dos resíduos sólidos: um estudo de caso no encerramento do lixão de rauyhuana, província huayllay-pasco (peru)

• Otimização da alocação de cargas em aterros sanitários regionais

• Implementação de um centro de compostagem como estratégia de vanguarda e inovação

para o ensino de educação e conservação do meio ambiente.

• Avaliação do processo produtivo de uma cooperativa de materiais recicláveis no df –

estudo de caso

• Seleção de sistemas de tratamento de resíduos sólidos residenciais através de técnicas

multicritério

• Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação

multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação
multicritério • Caracterização da borra oleosa de petróleo e dos materiais após estabilização por solidificação

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a importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política nacional de resíduos sólidos: um estudo de caso na região nordeste

lIMa, luã Sarmanho 1 ; DE MaCEDo, thatiana Cristina Pereira 2 ; FIGuEIrEDo, aline do vale 3 ; luCEna, luciana de Figueirêdo lopes 4 .

RESUMO

A diminuição do ciclo de vida dos equipamentos entre a produção e descarte agrava os problemas

ambientais na medida em que há uma maior rotatividade de artigos eletroeletrônicos, um menor interesse em reparos ou trocas e um aumento da geração de resíduos, para os quais não há uma destinação final ambiental adequada. Deste modo, a inserção de canais de distribuição reversos, ou logística reversa,

destes produtos descartados torna-se essencial para que possam retorná-los ao ciclo produtivo e diminuir

o impacto gerado. Visando reduzir os impactos provocados pela rápida obsolescência dos Resíduos

Eletroeletrônicos (REE), a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei 12.305 em 2010, torna obrigatória a estruturação e implementação de sistemas de logística reversa entre consumidores

e fabricantes de produtos eletrônicos e seus componentes. Com o objetivo de realizar um diagnóstico da cadeia da logística reversa compreendendo as empresas que trabalham diretamente com esse tipo de resíduo, buscou-se realizar uma análise da situação atual de coleta, beneficiamento e descarte de REE, mais especificamente na Região Nordeste do Brasil, e identificar a sua cadeia logística reversa. A partir de um levantamento realizado com aplicação de um questionário procurou-se realizar um mapeamento na região em estudo. A partir dos resultados obtidos, é possível concluir que poucas empresas trabalham desde a coleta do material até o beneficiamento e raramente possuem contatos interestaduais, atuando muitas vezes de maneira desintegrada. Notou-se o interesse pontual de alguns empresários já ativos no setor de coleta, recondicionamento e beneficiamento antes mesmo da sanção da PNRS e que, por meio de parcerias, enviam o material eletrônico para o Sudeste do país para que então seja encaminhado para outros países e assim reinserido na cadeia de produção. Desse modo, o êxito da cadeia reversa depende da participação dos consumidores, das empresas recicladoras e dos fabricantes para que se desenvolva uma gestão compartilhada de REE no país, cuja geração tem crescido exponencialmente.

Palavras-chave: Resíduos eletroeletrônicos, logística reversa, PNRS.

the importance of logistic reverse in eletrical & electronics waste in the national policy solid waste: case study in northeast region

lIMa, DE MaCEDo, FIGuEIrEDo, luCEna

26 a importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política

ABSTRACT The decrease of the life cycle of the equipment between the production and disposal prejudices the environmental problems since there is an increasing turnover of electronics, a lower interest in repair or replacement and an increasing generation of wastes for which there is no proper environmental disposal. Thus, the insertion of discharged products into distribution reverse channels or reverse logistic becomes essential to promote their return to the production cycle and reduce the impact made. To reduce the impacts caused by the rapid obsolescence of Electrical & Electronics Waste (EEW), the National Policy on Solid Waste (NPSW), introduced by Law 12,305 in 2010, mandates the structuring and implementation of reverse logistics systems between consumers and manufacturers of electronic products and its components. In order to make a diagnosis of the reverse logistics chain comprising businesses that work directly with this type of waste, we attempted to perform an analysis of the current status of collection, processing and disposal of REE, more specifically in the Northeast of Brazil, and identify their reverse logistics chain. From a survey with a questionnaire aimed to conduct a mapping in the study area. The achieved results show that just few enterprises processes involve the collection of material until the processing activities. They also don´t have connections to each other and act in a disintegrated way. It was noted the interest off of some entrepreneurs who already operate in the collection, processing and reconditioning even before the enactment of PNRS and, through partnerships, send the electronics to the Southeast of the country to then be sent to other countries. Thus, the importance of reverse logistics depends on the participation of consumers, recycling companies and manufacturers in order to develop a shared management of REE in the country, given that its production has grown exponentially.

Key-words: Electrical & Electronic Waste, reverse logistics, NPSW.

la importancia de la logística inversa de los residuos de aparatos eléctricos y electrónicos en la política nacional de residuos sólidos: un estudio de caso en la región noreste

RESUMEN La disminución en el ciclo de vida de los equipamientos electrónicos entre su fabricación y su desuso agrava los problemas ambientales, debido a que existe una mayor substitución de estos artículos existiendo un menor interés en la reparación o reemplazo y un aumento en la generación de residuos para los que no hay una destinación final adecuada para el medio ambiente. Por lo tanto, la inserción de canales de distribución inversa o logística inversa a estos productos de desechos, se convierte en esencial para que regresen al ciclo de producción y disminuir el impacto generado. Para reducir los impactos causados por la rápida obsolescencia de los Residuos de Aparatos Eléctricos y Electrónicos (REE), la Política Nacional de Residuos Sólidos (PNR), fue introducida por la Ley 12.305 en 2010, obliga a la estructuración e implementación de sistemas de logística inversa entre los consumidores y fabricantes de productos electrónicos y componentes. Con el objetivo de realizar un diagnóstico de la cadena de logística inversa que comprende las empresas que trabajan directamente con este tipo de residuos, se busco llevar a cabo una análisis de la situación actual de recogida, tratamiento y eliminación de REE, más concretamente, en el noreste de Brasil, e identificar su cadena logística inversa. A partir de los datos reunidos por la aplicación de un cuestionario, se intento realizar un reconocimiento en la área de estudio. De los resultados obtenidos, se puede concluir que muy

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pocas empresas trabajan desde a recolección de material para el tratamiento y rara vez tienen contactos interestatales, actuando de forma desintegrada. Se observó el interés de algunos de los empresarios que ya trabajaban en la recogida de muestras, procesamiento y acondicionamiento, incluso antes de la promulgación de PNRS, a través de asociaciones, enviando material electrónico para el sureste del país, para exportar luego a otros países y así reintegrado en la cadena de producción. Por lo tanto, el éxito de la cadena inversa depende de la participación de los consumidores, las empresas de reciclaje y fabricantes con el fin de desarrollar una gestión compartida de REE en el país, donde a producción ha crecido de manera exponencial.

Palabras Clave: residuos de aparatos eléctricos y electrónicos, logística inversa, PNRS.

1. INTRODUÇÃO

A conscientização ecológica quanto aos impactos ambien- tais de produtos e materiais tem provocado uma mudança no modelo de gestão empresarial atual: o investimento na melhoria da cadeia produtiva, adicionando novos valores de sustentabilidade empresarial-ambiental e adotando os canais de distribuição reversos aos seus produtos. Tem se buscado por eficiência em custos e serviços, de maneira que haja uma visão holística tanto do processo produtivo como do fornecimento ao consumidor. Isso implica em in- vestir na inovação e contínuo lançamentos de novos produ- tos, contribuindo para a redução do ciclo de vida e gerando mais resíduos em menor tempo. Dentre os inúmeros resí- duos produzidos pela sociedade atual, além de domiciliar, de saúde, há um tipo específico que vem se destacando:

os eletroeletrônicos (REE), que tem sua classificação con- troversa entre um bem semidurável e descartável, devido ao fenômeno da obsolescência programada (BACHI, 2013). A obsolescência programada ou descartabilidade pode ser definida como o encurtamento do ciclo de vida de pro- dutos ou serviços, impulsionados pela cultura de inutilizar tais produtos na medida em que surgem de novas versões mais avançadas tecnologicamente, gerando consequências negativas nos âmbitos ambiental, econômico e social (SAKAI, 2009). Ambiental porque nem sempre esse produto despre- zado possui uma disposição final ambientalmente adequa- da; econômico porque os valores desses bens, quando com- parados com os produtos atuais, não despertam interesse em reparos e social porque essa troca dinâmica não se torna acessível para todo consumidor (LEITE, 2009). Com o pro- pósito de evitar o envio de materiais ainda servíveis para os aterros sanitários e agregar valor ao resíduo gerado, surgiu o conceito de logística reversa e a possibilidade de reinserção desses produtos no mercado. A Logística Reversa está relacionada com a garantia da

qualidade de produção em adequação a prazos e quanti- dades, com o contínuo planejamento logístico empresarial

e a preocupação com o meio ambiente no que diz respeito

a geração mínima de resíduo e máximo aproveitamento

do produto descartado para outros fins (LEITE, 2009).Este eixo de atuação da Logística inclui o caminho inverso da entrega do produto e/ou serviço, por meio dos canais de distribuição reversos de bens de pós-consumo nos quais uma parcela dos produtos julgados como “inservíveis” são reinseridos no ciclo produtivo, seja pela extensão do seu uso (reuso), pelo aproveitamento apenas dos componen- tes que estão em funcionamento (remanufatura), ou pela revalorização dos materiais descartados para outros fins (reciclagem) (SAKAI, 2009) A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou um estudo de Viabilidade da Logística Reversa de Eletroeletrônicos em 2012 e pontuou que o investimento nesta área poderá trazer além da redução de impactos am- bientais, o aumento do número de empregos; maior for- malização do setor de reciclagem; geração de renda com a reinserção de matérias primas e remuneração de ativida- des na cadeia produtiva; a promoção da imagem do setor eletroeletrônico junto à sociedade e a rejeição à práticas ambientais danosas . Ela estima que 800 mil toneladas de matérias primas sejam reinseridas no mercado, ente elas alumínio, aço, cobre, plástico e vidro; haverá á geração de 10 a 15 mil empregos, incluindo a fase de entrega ao reci- clador; e será mitigada a geração de 268 mil toneladas de Gases de Efeito Estufa ao meio ambiente (ABDI, 2012). O crescimento da Indústria Eletroeletrônica no Brasil está relacionado com o investimento aplicado em políticas públicas de fomento à inovação, como a Lei nº 10.973 de 2004 que ressalta a importância do alcance da autonomia, a ampliação da capacidade produtiva e o desenvolvimento tecnológico em setores estratégicos. Prova disso é a contri- buição anual do país na produção mundial de eletroeletrô-

lIMa, DE MaCEDo, FIGuEIrEDo, luCEna

28 a importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política

nicos que em 2005 produziu 2,3% a mais de equipamentos, por exemplo (BNB,2011).

O mercado brasileiro de eletroeletrônicos é dividido em

dois segmentos: o Elétrico, que possui suas inovações rela-

tivamente lentas e é considerado um setor com tecnologia madura; e o Eletrônico, avaliado como um dos mais dinâmi-

cos setores, pelo constante desenvolvimento tecnológico e

o contínuo processo de inovação dos equipamentos, levan-

do a uma rápida obsolescência e maior geração de resíduos eletroeletrônicos (ABINEE,2012). Natume (2011) pontua que o alto consumo de matéria- prima (na sua maioria recursos não renováveis) e energia utilizados na produção de eletroeletrônicos degradam o ambiente tanto quanto os riscos ambientais decorrentes de uma disposição final inadequada de REE. Os problemas relacionados à geração de resíduos sólidos desta natureza se referem não somente aos resíduos produzidos anual- mente, mas também aos pelos efeitos nocivos à saúde e ao meio ambiente devido a presença de elementos e com- postos químicos, como mercúrio, chumbo, cádmio, silício, amianto, arsênio 8, retardadores de chama bromados, és- teres difenílicos polibromados entre outros.

O dano ao ambiente ocorre quando há a contaminação

do solo por compostos e elementos químicos que atingem os lençóis freáticos e, por consequência, comprometem os

usos previstos dos recursos hídricos quando há uma dispo- sição final inadequada. Incinerar os resíduos ocorre a for- mação de dióxidos e furanos, compostos altamente tóxicos que atingem a comunidade do entorno destas regiões com- prometendo o ambiente (FAVERA, 2008).

O descarte de equipamentos eletroeletrônicos é geral-

mente realizado indiscriminadamente agregando-o ao lixo domiciliar. Em outros casos, utiliza-se de sistemas reversos pontuais, como coletas informais que nem sempre pro- movem uma destinação final ambientalmente adequada e culminam na disposição desses bens “inservíveis” em aterros sanitários ou lixões (SELPIS, 2012). Mais ainda,

a ausência de leis normativas federais que motivassem a

gestão integrada de REE e os fabricantes a terem a preo- cupação e/ou sensibilidade ecológica e sustentável quanto

as cadeias produtivas e o ciclo de vida dos produtos levou

a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS),sancionada em 2010, a incorporar essas recomen- dações em seu arcabouço jurídico.

Nesse contexto, o presente trabalho procura diagnosticar

a cadeia logística reversa de resíduos tecnológicos após a vigoração da PNRS, na Região Nordeste, bem como a sua importância para o meio econômico, social e ambiental.

A partir de dados primários com a aplicação de um ques-

tionário entre empresas que trabalham com esse resíduo

(coleta, triagem, beneficiamento, recondicionamento e

destinação) e por meio de dados secundários fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

e Sistemas Nacional de Informações sobre Saneamento

(SNIS) procura-se mapear a cadeira reversa dos resíduos eletroeletrônicos, possíveis conexões interestaduais entre organizações e de parcerias firmadas entre fabricantes e empresas de reciclagem.

2. ASPECTOS LEGAIS DA GESTÃO DE ELETROELETRÔ- NICOS

Partindo do pressuposto de que a gestão ambiental de re-

síduos sólidos tem como propósito a redução e eliminação dos impactos gerados ao meio ambiente, ela pode ser im- plementada a partir da adoção de normas brasileiras como

a NBR ISO 10.000 ou por meio de instrumentos legais que,

além da preservação do capital natural, objetivam o alcance de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida (DEL GROSSI, 2011). As discussões sobre os Resíduos Sólidos, de um modo geral, iniciavam há mais de 20 anos e, como instrumento

político-democrático, obtiveram a participação dos setores produtivo, civil e público, nas esferas municipais e estaduais, com o intuito de debater sobre temas como a gestão integra- da dos resíduos sólidos, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida, a logística reversa e a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis (MMA, 2013). Como fru-

to desse envolvimento, os Estados começaram a instituir as

suas políticas de Resíduos Sólidos anteriormente a um mar- co legal nacional. O surgimento de leis que delineassem os caminhos de uma Gestão Integrada de Resíduos Eletroeletrônicos (GIREE) ocorreu de forma pontual no país, inicialmente à nível estadual, a partir de 2001 até em 2010 atingir a esfera federal com a regulamentação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), influenciada pelo surgimento de legislações ambientais cada vez mais rigorosas e pela crescente consciência ecológica apresentada pela socie- dade” (SAKAI,2009). As primeiras normativas regulamentadoras de GIREE foram estabelecidas no Nordeste do país, como é o caso do Estado do Ceará, em 2001, com a criação de uma Po- lítica Estadual de Resíduos Sólidos (PERS). No Decreto Lei nº 13.103, de 24 de Janeiro de 2001, os resíduos eletro- eletrônicos são classificados como resíduos especiais e, portanto, os fabricantes e importadores são obrigados a desenvolver sistemas de coleta, acondicionamento, ar-

mazenamento, tratamento e disposição final. Além disso,

eles devem desenvolver processos de melhoramento na cadeia produtiva dos produtos favorecendo a prevenção da poluição, minimização dos resíduos, efluentes e emis- sões gerados na fabricação; beneficiando a reciclagem de seus componentes. O Estado do Pernambuco elaborou a própria Política Estadual de Resíduos Sólidos a partir do Decreto Lei nº 23.941, de 11 de Janeiro de 2001. Nela, os REE são clas- sificados da mesma forma que a ISO 10.000, em resíduos de Classe III - inerte, compreendendo: pilhas, baterias e assemelhados e componentes eletroeletrônicos. Os fa- bricantes e os importadores de pilhas, baterias e asseme- lhados são responsáveis pelo recolhimento, descontami- nação e pela destinação final adequada de seus produtos. Em 2003, o Estado do Rio de Janeiro regulamentou a Lei nº4191 que dispõe sobre a Política Estadual de Re- síduos Sólidos, porém não faz menção sobre os resídu- os eletroeletrônicos e sua gestão. O mesmo aplica-se ao Estado do Paraná que, em 1999, elaborou a própria lei estadual nº 12.493. A Lei nº 18.031, de 2009, que regulamenta a Política Estadual de Resíduos Sólidos no Estado de Minas Gerais não apresenta recomendações acerca da gestão de REE, no entanto, apresenta a Logística Reversa e atribui deve- res aos consumidores, titulares de serviços públicos de limpeza, fabricantes e comerciantes de produtos eletro- eletrônicos. Ainda acrescenta que o manejo desse tipo de resíduo sólido deve ser realizado por organizações de catadores de materiais recicláveis. No mesmo ano de 2009, o Estado de São Paulo promul- gou a Lei 13.576 instituindo normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e destinação de resíduo ele- troeletrônico, então denominado de lixo tecnológico. Foi

atribuída a responsabilidade sobre a destinação final dos resíduos aos fabricantes, comerciantes e importadores de equipamento elétricos e eletrônicos. A normativa estabe- lece que as formas de destinação ambientalmente ade- quada se restrinjam apenas aos processos de reciclagem

e aproveitamento do produto ou componentes; à práticas

de reutilização total ou parcial de produtos e componen- tes e à neutralização e disposição final apropriada dos componentes tecnológicos equiparados a lixo químico. A Resolução CONAMA nº401, publicada em 2008, contem- plou apenas pilhas e baterias e nela sendo estabelecidos os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e baterias, além de exigir que haja um gerenciamento ambien- tal adequado desses produtos. A proposta de gestão apre-

sentada inclui a coleta, reutilização, reciclagem, tratamento

e disposição final. É recomendado que existam programas

de conscientização aos consumidores sobre os riscos à saúde

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A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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e ao meio ambiente quanto ao descarte e preconizado que

fabricantes e importadores informem aos consumidores que após o uso de baterias chumbo-ácido, níquel cádmio e óxido mercúrio, eles devem devolver aos revendedores ou à rede de assistência técnica. Sancionada em Brasília no ano de 2010, a lei que insti- tui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), Decre- to Lei nº 12.305, conseguiu compilar em um documento

a preocupação com a destinação adequada dos resíduos

eletroeletrônicos e a importância da logística reversa para

a redução de volume descartado em aterros sanitários e

lixões. Foi destinado um capítulo para a instituição das res- ponsabilidades dos geradores e do poder público no qual

é conferida a importância de se firmar acordos setoriais e termos de compromisso em prol de um bem maior: a ges- tão adequada dos resíduos. Os acordos setoriais podem ser firmados entre consumi-

dores, revendedores, fabricantes de equipamentos eletro- eletrônicos, associações de catadores de materiais reciclá- veis e empresas de coleta-triagem-destinação adequada.

A valorização da função dos trabalhadores que trabalham

diretamente com a coleta de recicláveis é um dos pontos fortes da PNRS, com a inclusão social da classe após o fe- chamento de lixões e com a geração de emprego e renda com esses tipos de resíduos sólidos (NETO, 2011). É apresentada na PNRS a obrigatoriedade pela estrutu- ração e implementação de sistemas de logística reversa, promovendo o retorno do produto após o uso pelo con- sumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana, ou seja, como já previsto no CONAMA 407/08, os fabricantes e comerciantes de equipamentos

e componentes eletroeletrônicos, pilhas e baterias são

responsabilizados pela destinação final. Diante do dinamismo do mercado atual que exige uma alta rotatividade no estoque, tanto para bens de pós-ven- da como bens de pós-consumo, torna-se imprescindível que haja um planejamento integrado entre os usuários e fabricantes quanto ao ciclo de vida de produtos como os eletroeletrônicos, promovendo uma destinação adequa- da, seja através de empresas, ONGs, centros de recondi- cionamentos ou iniciativas individuais.

3. A GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS NO NORDESTE

Com 53.081.950 habitantes, o Nordeste é a tercei- ra maior região do Brasil com nove estados: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Ele tem apresentado um cres- cimento econômico relativo desde 2004, em decorrência da expansão do PIB, consequentemente, promovendo

lIMa, DE MaCEDo, FIGuEIrEDo, luCEna

30 a importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política

uma melhora na qualidade de vida da região (IBGE,2010) O desenvolvimento do Nordeste deriva do aumento do poder aquisitivo, expansão da classe média brasileira, como também a valorização do salário mínimo. Entre 2003 e 2008, apresentou o segundo maior crescimento real per capita das regiões do país, tanto para os indivíduos de baixa renda quanto para os demais. Hoje, a renda per capita da região é de R$ 9.561,00 e há a estimativa de que, em 2015, alcance o valor de R$ 11.240,00 (BNB,2011).

O aumento da qualidade de vida está intrinsecamen- te ligado com a melhoria do padrão de vida da sociedade moderna. Em 2010, por exemplo, havia uma equiparação entre o número de habitantes e a aquisição de equipa- mentos como rádio, televisão, máquina de lavar, geladei- ra, microcomputador e celular (Tabela 1). No entanto, as consequências dessa mudança tem influência direta no uso de matérias-primas e na geração de REE, requerendo uma preocupação acerca dos canais reversos desses produtos.

Tabela 1. Número de habitantes e aquisição de eletrodomésticos na Região Nordeste.

e aquisição de eletrodomésticos na Região Nordeste. Fonte: (IBGE, 2010) Os primeiros registros referentes às

Fonte: (IBGE, 2010)

Os primeiros registros referentes às iniciativas dos Es- tados – prefeituras, empresas e iniciativas individuais – na gestão adequada de REE iniciou em 2002, quando o Siste- ma Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) co- letou referentes aos dados de postos de coleta existentes no país. Porém, apenas em 2005, o sistema alcançou maior

abrangência de resultados. Até 2007, eram coletadas ape- nas informações dos pontos de recebimento de pilhas e baterias. A partir de 2008, foi incorporado o recolhimento dos resíduos eletroeletrônicos em estados como Alagoas, Bahia, Ceará (Figura 1).

Figura 1. Postos de Coleta de pilhas, baterias e eletroeletrônicos da Região Nordeste de 2005 a 2011 (un).

e eletroeletrônicos da Região Nordeste de 2005 a 2011 (un). Fonte: (SNIS, 2005,2006, 2007, 2008, 2009,

Fonte: (SNIS, 2005,2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011)

Bahia e Paraíba mantiveram menos de um posto de rece- bimento anualmente; já os estados de Maranhão, Pernam- buco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe não mantiveram

uma continuidade. Entre 2005 e 2007am a participação des- contínua na coleta de REE. O Estado do Ceará começou a gestão integrada a partir de 2007. (Figura 2)

A GIREE no Nordeste é executada por empresas, Organi-

zações Não-Governamentais (ONG’s) e Centros de Recon- dicionamento de Computadores (CRC’s). Cerca de 36% das empresas começaram a atuar no mercado após a regula- mentação da PNRS, em 2010, havendo empresas de até mais de 10 anos trabalhando com algum tipo de coleta e

Figura 2. Resíduos Coletados por Empresas do Nordeste

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destinação adequado de resíduos sólidos eletroeletrônicos. As empresas que atuam no setor são pequenas e apre- sentam um quadro de funcionários reduzidos entre 2 e 12 pessoas que trabalham em segmentos diversos como triagem de componentes, tratamentos mecânicos, recon- dicionamento e a destinação a empresas recicladoras. Os resíduos mais coletados por estas empresas são predo- minantemente as Placas de Circuito Impresso (Gabinetes/ CPU’S) e aparelhos celulares, além de pilhas e baterias, sucatas de informática (mouse, teclados, monitores, im- pressoras), equipamentos eletrônicos e computadores para recondicionamento (Figura 2).

e computadores para recondicionamento (Figura 2). A predominância da coleta de placas de circuito impres -

A predominância da coleta de placas de circuito impres-

so e aparelhos celulares pode indicar que estes bens pos- suem um maior valor de mercado e, consequentemente, um maior retorno financeiro, como no caso de empresas de celulares que adotam a reciclagem. Além de diminuir

a extração de metais na fonte, já que para cada 1kg de celular é possível reciclar 540g de metal e 250 de plástico,

a atividade pode fortalecer as cooperativas de catadores

como oportunidade de geração de renda (CARVALHO, 2011). Na informática, organizações como Dell, Itautec, IBM, HP, Positivo desenvolvem iniciativas de gestão am-

biental para os seus produtos com projetos de coleta para reciclagem das peças como as placas de circuito impresso

e também como ferramenta de inclusão social com recon- dicionamento (XAVIER,2010).

O recondicionamento também é realizado por CRC’s, pre-

sentes na região Nordeste no Estado de Recife e Bahia, cria- dos a partir do projeto Computadores para Inclusão Social em 2004. Esse projeto tem o objetivo de formar centros no país que, por meio de doações de bens de pós-consumo

eletroeletrônicos, eles conseguem testar as placas e recon- dicionar novos computadores que são doados a escolas

públicas. Além da remanufatura, eles capacitam jovens de comunidades carentes com cursos técnicos de manutenção

e recondicionamento de micros. Os resíduos são coletados pelas empresas a partir da

implantação de postos de recolhimento em pontos estra- tégicos das capitais ou até mesmo na própria sede, exem- plo da maioria das empresas. Vale ressaltar que há inicia- tivas de empresas no Estado da Paraíba que, para melhor gestão e gerenciamento da coleta, dispõem de mais de 15 ecopontos distribuídos na área metropolitana. Na Região Nordeste, parte dos resíduos destinados às empresas de coleta de REE são para recondicionamento em CRC’s ou em iniciativas individuais, a exemplo do Esta- do do Piauí que com parcerias firmadas com a prefeitura

e empresa de cartão de crédito desenvolve o projeto e

os equipamentos recondicionados são utilizados em uma biblioteca comunitária. Nesses locais, além da questão da logística com a entrega de micros recondicionados, ainda há a preocupação em qualificar a população para que se- jam formados profissionais capazes de desenvolver habi- lidades dessa área no mercado de trabalho e promover a inclusão digital.

lIMa, DE MaCEDo, FIGuEIrEDo, luCEna

32 a importância da logística reversa de resíduos eletroeletrônicos na política

Não obstante o trabalho dos CRC’s, há ONG’s como o Comitê para a Democratização da Informática (CDI) pre- sente no Ceará e na Bahia, que atuam também na logísti- ca reversa de equipamentos eletroeletrônicos, recolhen- do doações de equipamentos, capacitando aprendizes na área de Eletrônica e Programação de Computadores, par- ticipando de congressos e eventos da área, como também construindo parcerias com empresas privadas e universi- dades “para melhor embasamento técnico-científico”. As Universidades Federais, Estaduais e Institutos Fede- rais do Nordeste desenvolvem projetos voltados à Gestão Integrada de REE no campo da pesquisa, ensino e exten- são. Entre alguns exemplos dessas iniciativas acadêmicas podem ser citados a parceria firmada entre a Universi- dade Estadual do Maranhão (UEMA) com o Instituto Fe- deral do Maranhão (IFMA) em projetos de Gestão de REE e inclusão social, a exposição na Universidade Federal da Paraíba de artesanatos feito com peças de computado- res, os projetos de pesquisa e extensão da Universida- de Federal de Campina Grande em recondicionamento e inclusão digital com computadores e a pesquisa so- bre a percepção ambiental dos consumidores da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, sobre os REE. A maioria das universidades públicas do Nordeste dispõe de postos de recebimento de pilhas, baterias e resíduos tecnológicos de microcomputadores. A destinação, seja para tratamento ou disposição final em aterros, de resíduos sólidos é de responsabilidade in- dividual, coletiva e dos poderes públicos. Cada gerador de resíduo deve ser consciente e responsável pela des- tinação ambientalmente adequada. No Nordeste, essa preocupação ambiental tem se refletido na participação da população em geral, como também das empresas que lideram a sociedade civil organizada para a coleta de REE (Figura 3). Contradizendo um dos cernes da PNRS, a participação de catadores e cooperativas na GIREE tem se mostrado preocupante na região. Apenas 18% dos REE são coleta- dos por estes agentes, provavelmente devido às exigên- cias de adequação da coleta para atender ao licenciamen- to para o trabalho com REE, no caso resíduo perigoso, e à necessidade de capacitação específica para a realização dessa atividade, trazidos pelas PNRS. No que tange a ca- pacitação, Neto (2011) considera como principal alterna- tiva “a criação fóruns de discussão municipal, regional e Estadual para organização administrativa e operacional, saúde e segurança dos cooperativados, adequação de in- fraestrutura e elaboração de projetos de financiamento”, inserindo as cooperativas de catadores como atores na responsabilidade compartilhada dos resíduos.

Figura 3 - Participação da sociedade civil e organizada na destinação adequada de REE.

civil e organizada na destinação adequada de REE. A maioria dos atores envolvidos na cadeia reversa

A maioria dos atores envolvidos na cadeia reversa tra- balha de forma isolada na região. Cerca de 30% das empre- sas identificadas no Nordeste, apesar de saberem da exis- tência de outras organizações que trabalhem com resíduos eletroeletrônicos no próprio Estado, possuem contato ape- nas com cooperativas que comercializam e/ou possuem par- cerias com órgãos públicos e privados e 20% possuem algum tipo de parceria com outras empresas da região em estudo. Em todos os Estados do Nordeste, os resíduos coletados e beneficiados pelas empresas são encaminhados a outras empresas localizadas em São Paulo, para posterior envio a empresas estrangeiras de reciclagem de materiais eletroele- trônicos, como Bélgica e Chile ( Figura 4). O Estado da Bahia aparece como intermediário desse fluxo, recebendo mate- riais do Maranhão e Alagoas, antes do encaminhamento a São Paulo, representando a única conexão inter-regional identificada na presente pesquisa.

Figura 4 - Destinos dos REE coletados no Nordeste

a única conexão inter-regional identificada na presente pesquisa. Figura 4 - Destinos dos REE coletados no

Apesar da regulamentação e publicização da PNRS ter ocorrido a partir de 2010, o nível de conhecimento em 2013 acerca das diretrizes, do Plano Nacional de Resíduos Sóli- dos e da Logística Reversa de componentes e equipamentos eletroeletrônicos tem sido aprofundado, na maioria dos Es- tados do Nordeste.

4 . CONCLUSÃO

A geração de resíduos eletroeletrônicos vem aumentando

com a inovação tecnológica, na medida que novos produtos são lançados, tem ocorrido a substituição contínua, em um curto período, de aparelhos eletrônicos diversos. Embora a Região Nordeste não seja o maior pólo de descarte e coleta

desses rejeitos, percebeu-se o interesse pontual de algumas empresas que já atuam no setor de coleta, recondiciona- mento e beneficiamento antes mesmo da sanção da PNRS.

O grau de percepção dos consumidores quanto a impor-

tância da destinação adequada dos resíduos de todas as na- turezas estão aumentando, o que resulta em maior cobrança às empresas sobre a sua cadeia produtiva e formas susten- táveis de reuso, reciclagem e recondicionamento. Essa cons- ciência ecológico-econômica leva também o poder público, por meio de instrumentos legais, estabelecerem padrões mais rígidos de controle ambiental que não afetem a salubri- dade do meio. Mesmo se tratando de uma lei recentemente regulamen- tada, inciativas de manejo e gestão de REE já eram realizados antes de 2010. No entanto, hoje se faz necessário a elabo- ração de diagnósticos que possam avaliar a efetividade da implementação da política, no que diz respeito ao gerencia- mento adequado de resíduos especiais. Não menos impor- tante, a necessidade de munir o poder público fiscalizador de mapeamento dos acordos setoriais firmados, dos pontos de coleta como das empresas que atuam na Logística Rever- sa no país são essenciais na avaliação acerca da destinação dos resíduos eletroeletrônicos que crescem exponencial- mente no país.

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Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e proposições para a política brasileira à luz da experiência européia

MaGrInI, alessandra* 1 ; JaCCouD, Cristiane* 2 ; vEIGa, Lilian Bechara Elabras* 3 ; Kurtz, Cristina 4 1 Engenheira Química (UFRJ), Mestre em Planejamento Energético (COPPE/PPE/UFRJ), Doutora em Administração (COPPEAD/UFRJ), Professora Associada (COPPE/PPE/UFRJ) - ale@ppe.ufrj.br 2 Advogada e Engenheira Florestal, Mestre em Direito Ambiental (UNISANTOS), Doutoranda em Planejamento Ambiental (COPPE/PPE/UFRJ). - cristiane.jaccoud@gmail.com 3 Arquiteta, Mestre em Engenharia de Produção (COPPE/UFRJ), Mestre em Administração (Johns Hopkins University – USA), Doutora em Planejamento Energético (COPPE/PPE/UFRJ), Pós- Doutoranda em Planejamento Ambiental (COPPE/PPE/UFRJ) - lveiga@ppe.ufrj.br 4 Advogada, Mestranda em Administração (UFF) - cristinakm@gmail.com

RESUMO

O Brasil possui um setor portuário marítimo constituído de 34 portos públicos e cerca de 120 terminais de

uso privativo, distribuídos em uma consta de 8,5 mil quilômetros, e que movimentam anualmente cerca

de 900 milhões de toneladas de mercadorias. Por outro lado, a gestão dos resíduos sólidos das atividades portuárias, dos navios e das cargas apresenta-se como um problema de extrema relevência, tanto do ponto de vista das quantidades geradas como da diversidade dos resíduos, o que demanda um complexo

e integrado conjunto de práticas decorrentes não só de imposições legais, mas também de iniciativas

pró ativas das Autoridades Portuárias, das instituições do governo federal, bem como dos usuários, arrendatários e concessionários destes portos. Se por um lado, a legislação ambiental brasileira tem se tornado cada vez mais restritiva, particularmente em função da recente publicação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10), por outro, expectativas de crescente atividade dos portos brasileiros tornam premente a necessidade de alinhamento com as melhores práticas de gestão ambiental visando uma efetiva e sustentável inserção internacional. Neste contexto, presente trabalho tem como objetivo analisar a política de resíduos sólidos para portos marítimos no Brasil e na Europa com o intuito de propor melhores práticas de gestão ambiental, através de proposição de encaminhamentos e iniciativas para o setor.

Palavras chaves: : Resídus Sólidos, Portos, Gestão.

Solid waste management and sustainability in ports: analysis and proposals for policy under the brazilian experience european

MaGrInnI; JaCCouD; vEIGa; Kurtz

38 Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e

ABSTRACT Brazil’s maritime port sector is composed of 34 public ports and some 120 private terminals, distributed along a coastline stretching 8,500 kilometers and handling 900 million tonnes of cargo annually. The management of the solid wastes generated by port activities, ships and cargoes is a relevant problem, both because of the quantities and diversity, requiring a complex and integrated set of practices resulting not only from legal impositions, but also from proactive initiatives by port authorities, other government entities, users, lessees and concessionaires. While Brazilian environmental legislation is becoming increasingly strict, particularly with the recent establishment of the National Solid Waste Policy (contained in Law 12,305/10), the outlook for expansion of the nation’s port activity makes it necessary to adopt the best environmental management practices to assure effective and sustainable international insertion. In this context, this article analyzes the solid waste management policies for maritime ports in Brazil and Europe with the purpose of proposing improved environmental management practices for the sector in the country.

Keywords: Solid wastes, ports, management.

Gestión de residuos sólidos y sostenibilidad en puertos:

análisis y propuestas de política en la experiencia brasileña europea

RESUMEN Brasil tiene un sector marítimo portuario que consta de 34 puertos públicos e aproximadamente 120 terminales privados, distribuidos en una faja costera de 8500 km, que mueven anualmente alrededor de 900 millones de toneladas de mercancías. Por otro lado, la gestión de los residuos sólidos resultantes de la actividad portuaria, de los buques y de las cargas, representa una cuestión de suma importancia tanto en relación a la cantidad como a la diversidad de los residuos generados, lo que requiere la aplicación de un conjunto complejo e integrado de prácticas que surgen no solamente de las imposiciones legales, sino también de las iniciativas pro activas de las Autoridades Portuarias, las instituciones del gobierno federal, así como de los usuarios y arrendatarios de estos puertos. Si por un lado, la legislación ambiental brasileña se ha vuelto cada vez más restrictiva, sobre todo teniendo en cuenta la reciente publicación de la Política Nacional de Residuos Sólidos (Ley 12.305/10 ), por otro lado, la expectativa de crecimiento de la actividad portuaria aceleran la necesidad de un alineamiento con las mejores prácticas de gestión ambiental buscando la integración internacional de forma sostenible y eficaz. En este contexto, el presente trabajo tiene como objetivo analizar la política de residuos sólidos en los puertos de Brasil y Europa con el fin de mejorar la gestión del medio ambiente, mediante la proposición de acciones e iniciativas para este sector.

Palabras clave: Residus Sólidos, Puertos, Gestión.

1. INTRODUÇÃO

O setor portuário marítimo brasileiro tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos. Segundo dados da ANTAQ (2012), entre os anos de 1990 e 2012, a mo- vimentação total nos portos brasileiros quase triplicou, passando de 306 milhões de toneladas em 1990 para 904 milhões de toneladas em 2012. Cerca de 90% dessa movi- mentação ocorre em portos e terminais marítimos. Nesse contexto de magnitude e crescimento do setor, a gestão ambiental tem sido preocupação constante, tanto em nível internacional quanto nacional. Na Europa, destacam-se as iniciativas da European Sea Ports Organisation (ESPO) que buscam incorporar, além de segurança e eficiência, questões relacionadas à susten- tabilidade ambiental portuária. Em nível nacional, a Agên- cia Nacional de Transporte Aquaviários (ANTAQ) publicou em 2011, sob o título “Porto Verde”, uma compilação das questões ambientais relativas às áreas portuárias, onde apresenta, ainda que de maneira tímida, direcionamentos ao setor. (ANTAQ, 2011). No âmbito da gestão ambiental portuária, um aspecto que se destaca é a gestão dos resíduos, sejam eles ope- racionais, de embarcação ou de carga. Embora especi- ficamente os resíduos de embarcação sejam objeto de regulamentações internacionais, diferentes países desen- volvidos vêm implementando políticas próprias através de regulamentações e iniciativas pró-ativas por parte das entidades setoriais e autoridades portuárias, o que se- gundo a ESPO (2009), contribuiu de maneira significativa para o aprimoramento da gestão nos últimos anos. No Brasil, a implementação de uma gestão adequada frente a regulamentações sobre o tema ainda é um fator a ser aprimorado. MURTA (2012), ao analisar os portos brasileiros, constata que gerenciamento de resíduos só- lidos ainda não está implantado ou consolidado, mesmo sendo tema de convenções internacionais e de políticas nacionais, como legislação de meio ambiente e de vigi- lância sanitária. Segundo a Associação Nacional de Transportes Aqua- viários (ANTAQ, 2011), os resíduos das embarcações e os resíduos das atividades portuárias são apontados como os principais fatores causadores de impacto da atividade. Em recente iniciativa, a Secretaria de Portos da Presidên- cia da República (SEP/PR), vem desenvolvendo desde o ano de 2012 o “Programa de Conformidade do Gerencia- mento de Resíduos Sólidos e Efluentes nos Portos Maríti- mos Brasileiros”, no intuito de inventariar os resíduos dos portos marítimos e propor melhores práticas de gestão (MAGRINI et al, 2012).

ConEXÃo aCaDEMIa

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Assim, o objetivo do presente trabalho é analisar a estru- tura regulatória e institucional inerente à gestão de resíduos sólidos portuários no Brasil e contrapô-la com as iniciativas legais e voluntárias da União Européia, no intuito de identifi- car aspectos a serem ser aprimorados.

2. BREVE QUADRO INSTITUCIONAL RELATIVO AO SE- TOR PORTUÁRIO NO BRASIL

Em consequencia, principalmente, da expansão e refor- mulação do setor público brasileiro que começou na déca- da de 90, o atual quadro institucional que envolve o setor portuário brasileiro é formado por distintos órgãos com di- ferentes níveis de atuação e desempenho. No que tange à vinculação à estrutura governamental e subordinação regulamentar, atualmente os portos brasilei- ros, sejam públicos ou privativos, são vinculados a dois ór- gãos distintos. Os portos fluviais e lacustres estão vinculados ao Ministério dos Transportes (MT), criado em 2001. Já os portos marítimos, passaram à ingerência da Secretaria Espe- cial de Portos (SEP/PR), desde sua criação em 2007. A SEP/PR é órgão vinculado à Presidência da República, com competência para assessorar de forma direta o Execu- tivo na formulação de políticas e diretrizes para o desenvol- vimento e o fomento do setor, e, especialmente, promover a execução e avaliação de medidas, programas e projetos de apoio ao desenvolvimento da infraestrutura e superestrutu- ra dos portos e terminais portuários marítimos. Com o processo de privatização em curso a partir da década de 90, iniciou-se também a criação de “agências reguladoras”, que, em sua área específica disciplinam e controlam a pres- tação dos serviços públicos pelos particulares. Assim, todo o setor portuário atualmente está sob a ingerência da Agencia Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), criada em 2001 com vinculação ao Ministério dos Transportes e à SEP/PR, e que, dentre outras funções, implementa as políticas formu- ladas para o setor, regula, supervisiona e fiscaliza os serviços prestados e a exploração da infraestrutura portuária. No que tange especificamente às questões ambientais e de resíduos sólidos, existem ainda agências reguladoras e órgãos que, embora não vinculados diretamente ao quadro institucional portuário, possuem interveniência no setor em razão da necessidade de observância de aspectos relaciona- dos à segurança sanitária e proteção ambiental. Nesse senti- do, cabe destacar a Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONA- MA), sem prejúízo de outras instituições, os quais têm inse- ridos em suas competências a elaboração de normas regula- mentares que, de forma direta ou indireta, incidem sobre o setor portuário e/ou a gestão de resíduos sólidos nos portos.

MaGrInnI; JaCCouD; vEIGa; Kurtz

40 Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e

A ANVISA, criada em 1999 e vinculada Ministério da Saú-

de, atua em diversos setores, com objetivo de resguardar a saúde da população. Na área portuária, especificamente em relação aos resíduos sólidos, possui atribuições norma- tivas e fiscalizatórias. Já o CONAMA, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, estabelece normas regulamentares de cunho ambiental no âmbito federal, que versam também so- bre resíduos e as quais os portos estão submetidos. No que tange a estrutura portuária marítima brasileira, esta é composta principalmente por portos públicos, deno- minados “Portos Organizados” e “Terminais de Uso Privati- vo”, operados pela iniciativa privada. Existem atualmente 34 (trinta e quatro) Portos organizados, administrados direta- mente pela União, por entidade delegada pela União (Muni- cípios, Estados ou consórcios públicos) ou por entidade con- cessionária e cerca de 120 (cento e vinte) Terminais de Uso Privativo (TUP), administrados pelos respectivos particulares autorizatários.

para resíduos portuários, a norma define procedimentos mí- nimos para o gerenciamento. Na seguência cronológica, faz-se destaque a duas normati- vas editadas pela ANVISA: a RDC 56/2008 e a RDC 72/2009. A RDC ANVISA 56/2008 trata do Regulamento Técnico de Boas Práticas Sanitárias no Gerenciamento de Resíduos Sóli-

dos nas áreas de Portos, Aeroportos, Passagens de Fronteiras

e Recintos Alfandegados. Assim como a Resolução CONAMA

05/1993, reitera a necessidade de PGRS para os portos, que deve apontar e descrever as ações relativas ao manejo das

diferentes classes de resíduos. A classificação proposta para

os resíduos de portos é semelhante à classificação proposta na referida Resolução CONAMA e há direcionamentos rela-

cionados às etapas de gestão (geração, segregação, acondi- cionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamen-

to e disposição final) específicas para cada classe.

Já a Resolução RDC ANVISA 72/2009 trata de Regula- mento Técnico que visa à promoção da saúde nos portos

3. A LEGISLAÇÃO APLICÁVEL À GESTÃO DE RESÍDUOS

de controle sanitário em território nacional e embarcações que por eles transitem, dispondo sobre as formalidades

SÓLIDOS EM PORTOS ORGANIZADOS NO BRASIL

e

exigências sanitárias para entrada, trânsito, operação

e

permanência de embarcações em território brasileiro.

Consoante o quadro institucional apresentado, a estru- tura legal e regulatória brasileira sobre gestão de resíduos sólidos de portos marítimos é extensa e complexa, envol- vendo desde normas gerais relativas a resíduos sólidos, oriundas da legislação federal e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), até normas específicas rela- cionadas diretamente à gestão de resíduos portuários, de embarcações e de carga, oriundas de Convenções Interna- cionais, como a MARPOL 73/78 e de diferentes setores da Adminsitração Pública, como CONAMA, ANVISA e ANTAQ. Sob o prisma cronológico, a gestão dos resíduos sólidos de portos em normas específicas é anterior à tratativa do tema de forma genérica.

A primeira normativa acerca do assunto, a Resolução CO-

NAMA 05/1993, se insere no âmbito da legislação ambiental e dispõe sobre o gerenciamento de resíduos sólidos gerados nos portos, aeroportos, terminais ferroviários e rodoviários. Tal resolução atribui aos respectivos responsáveis pela área portuária a responsabilidade pelo gerenciamento dos res- pectivos resíduos, desde a geração até a disposição final. Para tanto, institui o “Plano de Gerenciamento de Resídu- os Sólidos” (PGRS), como parte integrante do licenciamento ambiental, o qual deve apontar e descrever as ações relati- vas ao manejo de resíduos sólidos, no âmbito dos estabe- lecimentos contemplando os aspectos referentes à geração, segregação, acondicionamento, coleta, armazenamento, transporte, tratamento e disposição final, bem como a pro- teção à saúde pública. Além de uma classificação específica

Como se trata de uma norma de controle sanitário há re- gramento sobre vários aspectos, como oferta de alimentos

e água potável a bordo, higienização e outros, dentre os

quais são incluídos os resíduos sólidos. Especificamente em relação às boas práticas do gerencia-

mento de resíduos de portos, a referida norma reitera as responsabilidades previstas na Resolução CONAMA 5/93 e

a expande às empresas terceirizadas, quando a retirada de

resíduos sólidos gerados nas embarcações ou na área portu- ária for realizada por estas. Com relação aos resíduos sólidos de embarcação, a norma condiciona sua retirada à manifes- tação prévia da autoridade sanitária, não prevendo, entre- tanto um Plano de Gerenciamento ou Retirada de Resíduos de Embarcação. Estabelece apenas disposições genéricas vinculando a autorização da retirada à existência de procedi- mentos de coleta, acondicionamento, transporte, armazena- mento intermediário, se houver, tratamento e destino final por parte dos agentes responsáveis por estas operações. Ainda com relação aos resíduos sólidos de embarcações,

a Convenção MARPOL 73/78, constitui-se de diretivas que objetivam minimizar a poluição dos mares, preservar o am- biente marinho pela eliminação completa de poluição por óleo e outras substâncias prejudiciais, bem como, minimizar as consequências nefastas de descargas acidentais de tais substâncias. Ratificada pelo Brasil em 2009, dispõe que todo navio de arqueação bruta igual ou maior que 400 e todo navio que esteja certificado para transportar 15 pessoas ou mais deverá ter a bordo um plano de gerenciamento do lixo a

ser seguido pela tripulação, que deverá conter procedimen- tos escritos para coleta, armazenamento, processamento e descarga do lixo, incluindo o uso de equipamentos de bordo. A MARPOL 73/78 permite, em casos excepcionais e sob determinadas condições, a descarga de óleo (Anexo I, Re- gras 4 e 34), a descarga de esgoto (Anexo IV, Regras 3 e 11) e o lançamento de lixo no mar - à exceção de plásti- cos (Anexo V, Regra 5). O que não for descarregado no mar poderá ser incinerado, descarregado para outro navio ou para instalações de recebimento em terra. Para tal contro- le, deverá também ser adotado Livro Registro do Lixo, que deverá ser redigido no formato estabelecido no apêndice do Anexo V da MARPOL 73/78. A MARPOL estabelece ainda a obrigatoriedade aos por-

tos em dispor instalações e infraestrutura adequada para o recebimento de resíduos. Contudo, deixa o detalhamento de critérios sobre tais instalações para a legislação interna de cada país. Em 2011 foi editada pela ANTAQ a Resolução 2.190/2011 que disciplina a prestação de serviços de retirada de resídu- os de embarcações. Tal procedimento é feito por empresas previamente cadastradas no porto, através de credencia- mento feito pela autoridade controladora, conforme os procedimentos e documentos estabelecidos nos Anexos I

e II da Referida normativa. No entanto, cabe à autorida-

de controladora do porto a manutenção de registros dos procedimentos, a fiscalização e o fornecimento de “facili- dades” para a retirada dos resíduos das embarcações, seja a contra-bordo ou ao longo do cais, sendo necessário ob- servar as condições de segurança, eficiência operacional, tempo mínimo de estadia da embarcação, armazenagem temporária e destinação final dos resíduos. Segundo procedimentos estabelecidos na referida norma-

tiva, a retirada de resíduos de bordo é previamente solicita- da à autoridade controladora, pelo comandante ou agente marítimo, por ocasião do encaminhamento de notificação de chegada da embarcação à instalação portuária. Nesta ocasião, a embarcação apresenta um “manifesto de resídu- os”, onde discrimina estimadamente tipologias e quantida- des que deverão ser retiradas. A contratação das empresas para retirada de resíduos da embarcação é de responsabili- dade do comandante da embarcação, que poderá realizá-la de forma direta ou através de seu agente marítimo. Ao retirar o resíduo da embarcação, a empresa contrata- da emite “Certificado de Retirada de Resíduos das Embar- cações”, que deve conter, entre outras informações, o tipo de resíduo retirado, as respectivas quantidades solicitada

e retirada de cada classe de resíduos e o responsável pelo

local do destino final. Destaca-se que a classificação para os resíduos de embar-

ConEXÃo aCaDEMIa

A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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cação adotada na referida Resolução ANTAQ é baseada na classificação proposta pela International Maritime Organiza- tion (IMO) e diferente das classificações estabelecidas nas Resoluções CONAMA 05/1993 e ANVISA 56/2008. Após a retirada de resíduos de embarcação, os resíduos ficam sob a égide dos procedimentos (classificação, coleta, armazena- mento temporário, transporte e segregaçao final) estabele- cidos na legislação nacional. No que tange às normativas gerais sobre resíduos, cabe destacar a ABNT 10.004, que estabelece o critério de classi- ficação para todas as tipologias de resíduos em perigosos e não perigoros, estes ultimos subdivididos em inertes e não inertes. Em 2010, através da Lei Federal 12.305, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos e, mesmo não sen- do específica para portos, se aplica a estes. Tal norma, além de classificar os resíduos quanto à origem, adota também a classificação conforme a periculosidade, consoante a ABNT 10.004. A norma ratifica a responsabilidade dos operadores portuários pelo gerenciamento de seus resíduos e pela ela- boração dos respectivos Planos de Gerenciamento. Estes, por sua vez, tiveram seu conteúdo modificado e/ou ampliado.

4. A GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS EM PORTOS NA UNIÃO EUROPÉIA (UE)

Segundo a ESPO (2004), os portos europeus diferem entre si em diversos aspectos: propriedade, estrutura econômica, atividades e responsabilidade ambiental. Alguns organismos portuários são responsáveis pela gestão de toda a zona por- tuária, podendo ser em alguns casos proprietários de em- presas portuárias (incluindo as que manipulam as cargas), enquanto em outros são simplesmente arrendatários do espaço portuário ou, ainda, podem ter funções mistas de exploração do porto. Estas diferenças influenciam as moda- lidades de gestão ambiental e de gestão dos resíduos dos portos europeus. Não obstante, alguns aspectos comuns são identificados e passam a ser analisados. No que tange à legislação, analogamente ao caso brasi- leiro, na União Européia o quadro regulatório também se constitui de normas gerais relativas à gestão de resíduos e normas específicas direcionadas aos portos. A grande ênfase na UE é dada para os resíduos de embarcações já que, pelo que pôde ser levantado, parece prevalecer o senso comum de que os resíduos das áreas portuárias são objeto de prá- ticas e normativas comuns às demais atividades produtivas, além de possuírem especificidades inerentes aos diferentes países. Além da MARPOL 73/78, as principais normas que tratam sobre o tema são a Diretiva 2008/98/CE Parlamento Europeu

MaGrInnI; JaCCouD; vEIGa; Kurtz

42 Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e

e do Conselho, relativa aos resíduos e a Diretiva 2000/59/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, relativa aos meios portuários de recepção de resíduos gerados em navios e de resíduos da carga. Ademais, destacam-se também as pres- crições da ESPO, quais sejam: Código de Práticas Ambientais (Environmental Code of Pratice, 2004) e o Guia Verde (Green Guide: towards eexcellence in port environmental manage- ment and sustainability, 2012), os quais, mesmo sendo de cunho prescritivo, possuem direcionamentos interessantes para uma adequada gestão de resíduos sólidos portuários.

4.1. A LEGISLAÇÃO DA UNIÃO EUROPÉIA APLICÁVEL À GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS PORTUÁRIOS

A Diretiva 2008/98/CE estabelece o enquadramento le- gal para o tratamento dos resíduos na Comunidade. Define conceitos-chave e estabelece os requisitos essenciais para

a gestão de resíduos, como necessidade de licenciamento

das empresas que operem a gestão e elaboração de “Pla- nos de Gestão de Resíduos” pelos Estados Membros. As-

semelha-se, em termos de diretrizes e hierarquia, à Política Nacional de Resíduos Sólidos, possuindo aplicabilidade aos resíduos sólidos advindos de atividades portuárias. Especificamente em relação aos resíduos de embarca- ções e de carga, a regulamentação aplicável é anterior à normativa geral e oriunda da preocupação da Comunida- de Européia acerca da poluição dos mares e das costas dos Estados-Membros causadas por descargas não controla- das ou ilegais, em conformidade com a Convenção MAR- POL 73/78. A principal normativa sobre o tema, Diretiva 2000/59/CE, trata da recepção de resíduos gerados em navios e de resíduos da carga, preceitua aspectos refe- rentes aos meios portuários de recepção, obrigatoriedade de planos de recepção de resíduos e prescrições para sua elaboração, procedimentos de notificação e entrega, bem como, diretrizes para o estabelecimento de mecanismos de recuperação dos custos envolvidos na gestão dos resíduos, através da instituição de taxas. Os Estados-Membros devem assegurar instalações, de- nominadas “meios portuários de recepção”, adequadas às necessidades dos navios que normalmente utilizam o porto e com capacidade suficiente de recepção dos tipos

e quantidades de resíduos gerados, a fim de evitar atrasos indevidos. Além das instalações, a Diretiva estabelece que os por- tos devam ter “Planos de Recepção e Gestão dos Resídu- os Gerados em Navios e Resíduos de Cargas”. Tais planos devem conter obrigatoriamente previsões estabelecidas pela norma, como: descrição do tipo e capacidade dos meios portuários de recepção; descrição detalhada dos

procedimentos de recepção e recolhimento dos resídu- os gerados em navios e dos resíduos da carga; descrição do equipamento e processos de pré-tratamento eventu- almente disponíveis no porto; descrição dos métodos de registro da utilização dos meios de recepção, e das quan- tidades de resíduos recebidas; descrição do modo de eli- minação dos resíduos gerados em navios e dos resíduos da carga, dentre outras. Do ponto de vista dos procedimentos, à exceção dos navios de pesca e embarcações de recreio com autoriza- ção para um máximo de doze passageiros, as demais em- barcações devem, segundo a Diretiva, proceder à “notifi- cação” prévia antes de chegar ao porto, discriminando as quantidades e tipos de resíduos que pretendem entregar. Cabe ressaltar que todos os resíduos gerados no navio devem ser entregues em um meio portuário de recepção antes que o navio deixe o porto. A exceção somente se aplica mediante comprovação de capacidade de armaze- namento suficiente até a escala seguinte. A Diretiva prevê ainda mecanismos de inspeção, me- didas de acompanhamento e sanções, dentre outros as- pectos.

4.2. AS INICIATIVAS DA EUROPEAN SEA PORTS OR- GANISATION (ESPO)

A European Sea Ports Organisation (ESPO) é organiza- ção uma que representa as autoridades portuárias, as as- sociações e as administrações de portos marítimos de 27 países na Europa. Não obstante suas prescrições sejam de cunho facultativo, a instituição tem papel de destaque na indução de boas práticas de gestão ambiental nos portos europeus, incluindo a gestão de resíduos sólidos. Em 1994 a ESPO publicou um Código de Boas Práticas Ambientais (Environmental Code of Practice), revisto pos- teriormente em 2004, no qual estabelece uma política ambiental para os portos europeus em consonância com a política ambiental da União Européia (UE), recomenda práticas ambientais para sua administração em relação à ampliação de suas áreas, dragagem, contaminação do solo, gestão de ruído, de resíduos, de qualidade da água, de qualidade do ar, monitoramento e contingência. Pro- põe ainda recomendações para a interface porto/embar- cações e para a área marítima, em particular para a gestão de resíduos de navios, movimentação da carga e cargas perigosas, emissões de navios e segurança marítima. Fi- nalmente, aborda alguns instrumentos de gestão ambien- tal, suporte à decisão e comunicação. (ESPO, 2004) No que diz respeito às regras referentes à gestão de re- síduos sólidos em portos, a ESPO reconhece que os meca-

nismos de remoção e responsabilidades podem variar de

nação para nação de acordo com a legislação de cada país. No entanto, recomenda que a gestão envolva sistemas de utilização que sejam técnica e economicamente viáveis e que cumpram a legislação nacional e comunitária de saú- de pública e meio ambiente. Para tanto, sugere que sejam considerados aspectos relacionados ao reuso, reciclagem

e queima para recuperação energética dos resíduos. No que tange aos resíduos de embarcação, reitera a importância e a pertinência da Diretiva da UE 2000/59/

CE, em especial em relação às instalações de recebimento

e às responsabilidades legais, financeiras e práticas dos

diferentes operadores envolvidos na entrega de resíduos dos navios e da carga nos portos europeus. Nesse sen- tido, estabelece recomendações para a administração portuária em relação à elaboração dos “Planos de Gestão de Resíduos de Embarcações” no sentido de: i) consultar as partes interessadas; ii) analisar as quantidades e tipos de resíduos gerados pelos navios que usam os portos; iii) considerar o tipo e a capacidade das instalações neces- sárias; iv) considerar a localização e a facilidade de uso das instalações; v) garantir que os sistemas de recupera- ção dos custos pelo uso das instalações portuárias de re- cepção não incentivem a descarga dos resíduos em mar;

v) garantir a efetiva publicidade sobre as instalações; vi) submeter o Plano à autoridade competente; e, revisar re- gularmente o processo de planejamento.

O Código recomenda ainda a adoção, por parte das au-

toridades portuárias, de instrumentos de gestão ambien- tal, estabelecido pelo Sistema de Informação de Gestão Ambiental (Environmental Management Information Sys- tem - EMIS) e desenvolvido pela Fundação EcoPorts, uma rede de profissionais portuários de vários portos euro- peus comprometidos à troca de pontos de vista e desen- volvimento de ferramentas e metodologias para o apri- moramento do desempenho ambiental. Os instrumentos de gestão sugeridos são: Auditoria Ambiental (Self Diag-

nosis Methodology - SDM), Sistema de Análise Ambiental de Portos (Port Environmental Review System – PERS), Sis- tema de Gestão Ambiental (Eco-Management and Audit Scheme - EMAS) e Sistema de Apoio à Decisão (SAD).

O SDM é uma auto auditoria ambiental que pode ser

usada para verificar o estágio de desenvolvimento do

programa ambiental do porto como etapa inicial para im- plementação do Sistema de Gestão Ambiental e/ou como auditoria periódica, permitindo verificar o desempenho do porto ao longo do tempo ou em relação ao benchmark europeu.

O PERS foi desenvolvido especificamente para portos

com o intuito de definir um padrão de boa prática para

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A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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análise e registro dos aspectos relevantes de gestão am-

biental de portos. Inclui a possibilidade de adoção volun- tária de um Certificado de Verificação por uma entidade independente.

O SAD consiste em uma ferramenta de Tecnologia de

Informação e Comunicação (TIC) constituída de um banco de dados de soluções com base em informações de me-

lhores práticas do setor portuário e levantamentos de ins- trumentos, dispositivos e medidas que têm potencial de aplicação na gestão ambiental de portos europeus. Com a integração da EcoPorts à ESPO em 2011, estes instrumentos de certificação passaram a ser adotados por diversos portos. Um novo documento foi publicado em 2012, intitulado “Green Guide; towards excellence in port environmen- tal management and sustainability” (ESPO, 2012), onde

é reiterada a visão de sustentabilidade a ser alcançada

pelos portos europeus. Os compromissos e ações para a melhoria contínua do desempenho ambiental são basea- dos em “5 Es”, quais sejam: i) Exemplify, referente à de- monstração de excelência na gestão de seu desempenho ambiental; ii) Enable, referente ao fornecimento de con- dições operacionais e de infraestrutura que propiciem a melhoria do desempenho ambiental na área do porto; iii) Encourage, referente à criação de incentivos à mudança de comportamento dos usuários e indução da melhoria continua de seu desempenho ambiental; iv) Engage, re- ferente ao compartilhamento do conhecimento, meios

e habilidades com os usuários do porto e as autoridades

competentes visando projetos conjuntos de melhoria am- biental; e, v) Enforce, referente ao uso de mecanismos que reforcem a adoção de boas práticas ambientais pelos usuários do porto. Há ainda orientações às autoridades portuárias para o alcance dos objetivos e compromissos ambientais defini- dos. Assim, reforça instrumentos de gestão já utilizados, como SDM, PERS, ISO 14.001 e EMAS e aponta algumas iniciativas para os diferentes aspectos ambientais a serem priorizados pelos portos (qualidade do ar, conservação de energia e mudanças climáticas, gestão de ruído, gestão de resíduos e gestão do consumo e disponibilidade de água) para se enquadrarem em cada uma das classificações cor- respondentes aos 5Es.

No que tange as ações européias para a gestão dos re- síduos (5 Es), o guia estabelece-se iniciativas específicas que visam possibilitar a melhoria continua do desempe- nho, conforme explicitado na Tabela 1.

O Anexo I do Guia reporta o primeiro levantamento das

políticas implementadas por alguns portos europeus, se-

gundo a referida classificação dos 5 Es.

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44 Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e

Tabela 1 - Ações para a melhoria do desempenho da gestão de resíduos sólidos baseadas nos “5 Es”

da gestão de resíduos sólidos baseadas nos “5 Es” Fonte: adaptado de ESPO, 2012. 5. CONCLUSÔES

Fonte: adaptado de ESPO, 2012.

5. CONCLUSÔES E RECOMENDAÇÕES: ALGUMAS SUGES- TÕES PARA O BRASIL À LUZ DA EXPERIêNCIA EUROPÉIA

A breve análise do quadro normativo aplicável à gestão de resíduos sólidos nos portos matítimos brasileiros nos permite algumas percepções. Em primeiro lugar, a mul- tiplicidade de normas sobre o tema torna complexa sua aplicabilidade. Observa-se ainda que, em alguns casos, as normativas mencionadas possuem dispositivos conflitan- tes em relação às etapas de gestão dos resíduos sólidos portuários, e, em outros casos, lacunas a serem supridas. Ademais, ante a vigência de uma normativa geral mais recente e hierarquicamente superior (Lei 12.305/2010), vislumbra-se a necessidade e a oportunidade de revisão

e compatibilização das normativas específicas anteriores. A análise das iniciativas européias permitiu traçar um quadro de referência para subsidiar proposições de repro- dução e/ou adaptação de boas práticas para o caso brasilei- ro, auxiliando, assim, na definição de diretrizes e proposi- ções gerais relativas à gestão ambiental e relativas à gestão de resíduos sólidos para os portos marítimos no Brasil. No que se refere à gestão ambiental, da análise efe- tuada, pode-se inferir que na Europa houve um grande avanço na gestão ambiental de portos, seja em razão da regulamentação e da estratégia européia relacionada a meio ambiente, seja de atitudes pró-ativas das institui- ções setoriais e dos próprios portos europeus. Observa-se ainda uma crescente preocupação com o planejamento,

a conscientização e o diálogo entre os diferentes agentes

no sentido de estruturar e implementar ações articuladas dentro do conceito de melhoria contínua. Apesar das possíveis diferenças administrativas, técni- co-operacionais e de logística existentes entre Europa e Brasil, entende-se, que algumas iniciativas poderiam ser replicadas e/ou adaptadas para sua aplicação nos portos brasileiros através principalmente da ação da SEP e das Autoridades Portuárias. Cabe destacar que estas ações, voltadas para implementação de boas práticas ambientais, requerem tempo para que seja criada cultura, conscientiza- ção e capacitação no ambito dos agentes envolvidos. Neste sentido, sugere-se como primeira etapa a elabo- ração e aprovação pela SEP/PR de um “Código Ambiental” específico para portos, nos moldes do Codigo da ESPO de 2004. O mesmo deverá conter aspectos relacionados à:

i) Política Ambiental para os portos brasileiros, que con- templasse, além dos resíduos, outros aspectos ambientais significativos nos portos, como água e efluentes, fauna si- nantrópica, emissões, dragagem, ruído, monitoramento

e contingência; ii) diretrizes gerais de boas práticas para cada um dos aspectos ambientais previstos; iii) filosofia

e os princípios da gestão ambiental portuária (reiterando

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A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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a conformidade legal e estimulando a adoção de instru-

mentos de gestão ambiental pro-ativos como a avaliação

de desempenho e indicadores de sustentabilidade e a cer- tificação ambiental); e, iv) estabelecimento de priorida- des e um planejamento destas prioridades no tempo com

a clara identificação de objetivos e resultados esperados. Entende-se que o código servirá como base para cada Autoridade Portuária elaborar um “Guia de Boas Práti- cas” de caráter operacional e adaptado às especificida- des de cada porto, o qual deverá ser aprovado pela SEP com o intuito de verificar sua conformidade com os pre- ceitos e diretrizes do Código. Adicionalmente, sugere-se a elaboração, por parte da SEP/PR, de um Sistema de Apoio à Decisão, nos moldes do proposto pelo Environmental Code of Practice da ESPO, consistente em um sistema de informações que permitiria, em tempo real, maior integração da gestão ambiental dos diferentes portos e formação de um banco de dados sobre as melhores práticas portuárias para ca- paz de servir como base de conhecimento para a tomada de decisão. A Figura 1 apresenta o esquema dos instrumentos su- geridos e as respectivas responsabilidades:

Figura 1 - Proposta de instrumentos de gestão ambiental e respectivas responsabilidades

de gestão ambiental e respectivas responsabilidades No que se refere especificamente à gestão dos resíduos

No que se refere especificamente à gestão dos resíduos sólidos, entende-se que, analogamente ao que se observou nas primeiras iniciativas dos países europeus, tal aspecto é uma prioridade na gestão ambiental a ser explicitada no pro- posto “Código Ambiental” específico para portos. Dessa forma, propõe-se a revisão das normativas específi- cas que tratam sobre o tema, compatibilizando os dispositi- vos constantes nas diversas normativas que tratam da temá- tica e atualizando-os consoante as inovações trazidas pela

legislação federal. Ademais, sugere-se ainda a incorporação de boas práticas baseadas na experiência européia e das di- retrizes gerais objeto do mencionado Código Ambiental, ga- rantindo assim os procedimentos, atribuições e instalações para a gestão de todo o ciclo dos resíduos. Nesse sentido, sugere-se que a SEP/PR elabore diretrizes a serem seguidas pelas Autoridades Portuárias de cada porto, que contemplem: i) requisitos para os Planos de Gerencia- mento de Resíduos Sólidos de atividades portuárias, de na-

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46 Gestão de resíduos sólidos e sustentabilidade em portos: análise e

vios e de carga; ii) identificação de responsabilades das Auto- ridades Portuárias, dos arrendatários e dos demais agentes atuantes nos portos e as modalidades tarifárias. Ademais, faz-se necessária, por parte da SEP, uma ação continuada junto aos diferentes órgãos envolvidos para ga- rantir a compatibilidade da legislação ambiental seja entre si, seja em relação às convenções internacionais. Entende-se, por fim, que a inserção da gestão dos resí- duos sólidos dentro de um contexto de gestão ambiental portuária tratá maior sincronia nas atividades desenvolvi- das. Ademais, a reformulação das normativas especificas vigentes, além de compatibilizar aspectos conflitantes e suprir lacunas, trará mais clareza e consequentemente, otimizará sua aplicabilidade.

6. REFERêNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Eliminacion de dqo, nitrgeno (tkn, nh4+, no3) y cr (vi) en humedales construidos con policultivos tratando lixiviados de rellenos sanitarios a escala piloto

SanDoval, andrés Erwin Cortes 1 ; Parra, Carlos arturo Madera Parra 2 ; varón, Miguel Ricardo Peña 3 ; SalaManCa, Enrique J Peña 4 ; lEnS, Piet 5 . 1 Andrés Erwin Cortes Sandoval, Universidad del Valle, Cali, Colombia, andres.erwin.cortes@correounivalle.edu.co 2 Carlos Arturo Madera Parra Universidad del Valle, Escuela EIDENAR, Cali, Colombia, carlos.a.madera@correounivalle.edu.co 3 Miguel Ricardo Peña Varón Universidad del Valle, Instituto Cinara, Cali, Colombia, miguel.pena @correounivalle.edu.co 4 Enrique J Peña Salamanca, Departamento de Biologia, Universidad del Valle, enrique.pena@ correounivalle.edu.co 5 Piet Lens, UNESCO-IHE Institute for Water Education, Pollution Prevention and Resource Recovery Core, Delft, the Netherlands. p.lens@unesco-ihe.org

RESUMEN Este estudio evaluó durante 5 meses el desempeño de Humedales Construidos subsuperficial de Flujo Hhorizontal (HCFSS) a escala piloto, sembrados con policultivo de las especies tropicales Gynerium sagittatum-Gs, Colocasia esculenta-Ce y Heliconia psittacorum-He para la eliminación de DQO, COD, DBO5, NTK, NH4+, NO3-, P-PO4 y Cr (VI) tratando lixiviado de Relleno Sanitario Regional de Presidente (RSRP). Cuatro humedales con área de 17,94m2 y 0,60m (h) cada uno, con 0,5m de grava como medio de soporte fueron operados a gravedad a flujo continuo (Q=0,5 m3d-1) y 7d de TRH teórico cada uno. Tres HCFSS fueron divididos en tres secciones de 5,98m2 y en cada sección se sembraron 36 individuos de una misma especie, la otra unidad se plantó aleatoriamente. La distribución final de las especies vegetales en los biorreactores fueron: HCFSS I (He-Ce-Gs); HCFSS II (al azar), HCFSS III (Ce-Gs-He), HCFSS IV (Gs-He-Ce). Las unidades recibieron el efluente de una laguna anaerobia de alta tasa (BLAAT®). Los resultados muestran un ambiente ligeramente alcalino en la matriz sólido-líquido (pH=8.0) y ligeramente reductor con presencia de OD (0.5 a 2 mg L-1). Las eficiencias de eliminación para los parámetros evaluados DQO y COD (alrededor del 50%), DBO5 (9,7-37,3%), NTK y NH4 (43,0-52,9%), NO3 HCFSS I, IV (11,4-27,3%) y II, III (Negativo), PO4 (alrededor del 60%) y para Cr los HCFSS I, III (Negativo) y II, IV (4.6-50.6%). Los HCFSS sembrados con policultivo de plantas tropicales se pueden utilizar para la fitorremediación de lixiviados con un buen potencial de para los parámetros evaluados. El HCFSS IV mostró el mejor comportamiento, indicando que la distribución de las plantas, dentro del reactor influye positivamente en el desempeño de la unidad permitiendo cumplir con la normatividad colombiana. Los resultados también mostraron que el HCFSS, como un sistema secundario, podría ser una alternativa de bajo costo y operación para el tratamiento de lixiviados de rellenos sanitarios.

Palabras clave: Humedal construido, Relleno sanitario, Cr (VI), fitorremediación.

SanDoval; Parra; váron; SalaManCa; lEnS 50 Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr(vi) em humedales

removal of cod, nitrogen (tkn, nh4+, no3) and cr (vi) constructed in wetlands with polycultures landfill leachate in pilot scale

ABSTRACT This study evaluated 5 months Constructed Wetlands perform subsurface horizontal flow (SSFCW) pilot scale polyculture planted with tropical species Gynerium sagittatum-Gs, Colocasia esculenta-Ce and Heliconia psittacorum-He for the removal of COD, TOC , BOD5, TKN, NH4+, NO3-, P-PO4 and Cr (VI) treating landfill leachate Regional President (LLRP). Four wetlands area 17.94m2 and 0.60 m (h) each, with 0.5m of gravel as a means of support were operated continuous flow gravity (Q = 0.5 m3d-1) and theoretical HRT 7d each. Three SSFCW were divided into three sections and each section 5.98m2 seeded 36 individuals of the same species, the other unit was planted randomly. The final distribution of plant species in the bioreactors were:

SSFCW I (He-Ce-Gs) SSFCW II (randomly), SSFCW III (Ce-Gs-He), SSFCW IV (Gs-He-Ce). The units received the effluent from a high rate anaerobic lagoon (BLAAT®). The results show a slightly alkaline environment in the solid-liquid matrix (pH = 8.0) and slightly reducing the presence of OD (0.5 to 2 mg L-1). The removal efficiencies for COD and TOC parameters evaluated (about 50%), BOD5 (9.7-37.3%), TKN and NH4+ (43.0- 52.9%), NO3- SSFCW I, IV (11.4-27.3%) and II, III (Negative), PO4 (about 60%) and the SSFCW Cr I, III (Negative) and II, IV (4.6-50.6%). The SSCW polyculture planted with tropical plants can be used for phytoremediation of leachate with a good potential for the parameters evaluated. The SSFCW IV showed the best performance, indicating that the distribution of plants within the reactor can positively influence the performance of the unit enabling compliance with Colombian law. The SSFCW also showed that, as a secondary system, could be a low-cost operation for treatment of landfill leachate.

Keywords: Constructed wetlands, Landfill leachate, Cr (VI), fitorremediación.

Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr (vi) em humedales construídos com policultivos tratando lixiviados de aterros sanitários em escala piloto

RESUMO Este estudo avaliou cinco meses de desempenho de wetlands construídos de escoamento horizontal subsuperficial (WCHSS) em escala piloto de policultura plantada com as espécies tropicais Gynerium sagittatum-Gs, Colocasia esculenta-Ce e Heliconia psittacorum-He para a remoção de DQO, COT, DBO5, NTK, NH4 +, NO3 -, P-PO4 e Cr (VI) no tratamento de lixiviados do aterro sanitário do Presidente Regional (ASPR). Quatro wetlands com uma área de 17.94m2 e 0,60 m (h) cada, com 0,5 m de cascalho como meio de suporte foram operados com uma vazão contínua (Q = 0,5 m3d-1) por gravidade e um TDH teórico de 7 dias cada. Três WCHSS foram divididos em três partes e cada seção de 5.98m2 foi semeada com 36 plantas da mesma espécie, enquanto a outra unidade foi plantada aleatoriamente. A distribuição final das espécies vegetais nos biorreactores foi: WCHSS I (He-Ce-Gs), WCHSS II (aleatoriamente), WCHSS III (Ce-Gs-He), WCHSS IV (Gs- He-Ce). As unidades receberam o efluente de uma lagoa anaeróbia de alta taxa (BLAAT ®). Os resultados mostraram um ambiente ligeiramente alcalino na matriz de sólido-líquido (pH = 8,0) e uma redução ligeira de OD (0,5 a 2 mg L-1). As eficiências de remoção dos parâmetros avaliados foram: DQO e COT (cerca de 50%), DBO5 (9,7-37,3%), NTK e NH4 + (43,0-52,9%), NO3- WCHSS I, IV (11,4-27,3%) e II, III (Negativo), PO4 (cerca de 60%) e o Cr WCHSS I, III (negativo) e II, IV (4,6-50,6%). A policultura do WCHSS com plantas tropicais pode ser usada para fitorremediação de lixiviados, mostrando um bom potencial para remoção dos parâmetros avaliados. O WCHSS IV apresentou o melhor desempenho, indicando que a distribuição das plantas dentro

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51

do reactor pode influenciar positivamente o desempenho da unidade, e estando em conformidade com a legislação colombiana. O WCHSS também mostrou que, como um sistema secundário, poderia ser operado como um sistema de baixo custo para o tratamento de lixiviados de aterros.

Palavras-chave: Humedales construidos, lixiviados de aterros, Cr (VI), fitorremediação.

1. INTRODUCCION

Los rellenos sanitarios (RS) siguen siendo el método más utilizado para la disposición final de residuos sólidos en el mundo (Renou et al. 2008). Estos sitios se generan y descargan al ambiente subproductos como gases y li- xiviados (LX). Estos últimos son clasificados como aguas residuales de matriz compleja que se caracterizan por contener una gran variedad de compuestos como materia orgánica, (biodegradable y refractaria), amoniaco, entre otros (Obersteiner et al., 2007; Renou et al. 2008; De feo and Malvano, 2009). La descarga de LX sin tratar en cuerpos hídricos es un problema común en muchos países en desarrollo, lo cual, unido a lo complejo y variable de la composición de este residuo líquido, coloca en evidencia una clara necesidad de trabajar con tecnologías confiables y de bajo costo para el tratamiento de LX. En este sentido, los humeda- les construidos subsuperficiales han sido empleados re- cientemente para tratar estos residuos, por ser de bajo costo, ambientalmente amigable, y presentar buenos desempeños en la eliminación global de contaminantes como lo demuestran varios estudios (Mæhlum 1995; Bulc et al. 1997; Yalcuk & Ugurlu 2009; Akinbile et al. 2012). Sin embargo, las experiencias hasta ahora son en su mayoría limitadas a los países desarrollados con climas estaciona- les o templados y el uso de plantas, principalmente cos- mopolitas (Vymazal & Kröpfelová 2009; Chiemchaisri et al., 2009; Vymazal 2009). En los humedales construidos, la materia orgánica se elimina por las bacterias aerobias adheridas al medio fil- trante y raíces de plantas. En este sentido, las raíces de las plantas estabilizan la superficie del lecho, proporcio- nando buenas condiciones para la filtración y absorción de nutrientes, y previenen obstrucciones, además de pro- veer área superficial para el crecimiento de los microor- ganismos adheridos, y favorecer la formación de zonas aerobias alrededor de las raíces, generando una especie de esfera conocida como rizósfera (Brix 1994 A). La elimi- nación de nitrógeno se logra no sólo por la acción de las bacterias, sino también por absorción de las plantas, la adsorción donde el amoníaco ionizado reacciona con el

medio filtrante. La eliminación del fósforo se da princi- palmente por los fenómenos de adsorción con el medio filtrante y su precipitación cuando reacciona con otros minerales (Brix 1994 B). En este sentido, el presente estudio evaluó durante 5 meses, con fines de reuso en riego agrícola, el desempeño de Humedales Construidos subsuperficial de flujo hori- zontal (HCFSS) a escala piloto, sembrados con policultivo de las especies tropicales Gynerium sagittatum-Gs, Co- locasia esculenta-Ce y Heliconia psittacorum-He, para la eliminación de DQO, COD, DBO5, NTK, NH4+, NO3-, P-PO4

y Cr (VI) presente en lixiviado de rellenos sanitarios (LX).

2. MATERIALES Y METODOS

2.1 DISEñO EXPERIMENTAL

La investigación se desarrolló en el Relleno Regional de Presidente (San Pedro-Colombia) (3º 56`01.54” N y 76º 26`26.05”O), que genera entre 2 y 5 l s-1 de lixiviados. Como se ilustra en la Figura 1a, se construyeron en con- creto cuatro HCFSS a escala piloto (Canales rectangulares 7,80x2,30x0,60 m de largo, ancho y profundidad, respec- tivamente), con una pendiente de 1%, debidamente im- permeabilizados a los cuales se les realizó prueba de es- tanqueidad para luego ser acondicionados con 0.6m(h) de lecho de grava (D60=22 mm, porosidad= 50,8%, K23=0,219 cms-1, WT/WV=1.45 grcm-3) con elementos principales (CIC 4,89meq/100gr, COT 0,15 y Na 0,12 %w/w, Ca 17,0, Mg 120 y K 0,04 g kg-1, pH 9,8 a 28,5ºC) obtenida de can- tera. Las unidades operaron a gravedad a flujo continuo con un caudal de diseño (Q=0,5 m3d-1) y 7d de TRH teó-

rico cada uno. El caudal promedio de entrada y salida fue de: HCFSS I, II y III (Qi=0,9 y Qe=0,3 m3d-1) y IV (Qi=0,6

y Qe=0,3 m3d-1), respectivamente. Se utilizaron tres es-

pecies de plantas: caña brava (Gynerium sagittatum-Gs), heliconia (Heliconia psittacorum-He) y oreja de burro (Co- locasia esculenta-Ce) Figura 1c, las cuales fueron sembra- das y mantenidas en condición de vivero siendo monito- readas bajo condiciones específicas de riesgo y aplicación de nutrientes (solución Houland: 100 ml/planta), por un periodo de 17 semanas de crecimiento inicial.

SanDoval; Parra; váron; SalaManCa; lEnS 52 Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr(vi) em humedales

Tres HCFSS fueron divididos en tres secciones de 5,98m2 y en cada sección se sembraron 36 individuos de una misma especie; la otra unidad se plantó aleatoriamente. La distri- bución final de las especies vegetales en los biorreactores se esquematizan en la Figura 1b. Las unidades recibieron el efluente de una laguna anaerobia de alta tasa (BLAAT®) a través de una cámara cuadrada (0,8x0,5m) con vertedero

triangular que permite regular el caudal de entrada y el nivel de agua en su interior. El efluente de cada HCFSS sale a una cámara por una tubería de 1’’ a través del fenómeno de va- sos comunicantes; ello permitió mantener el nivel de agua

a 0.5m por debajo de la superficie del humedal. La toma de

muestras y datos se realizó en las estructuras de entrada (1)

y salida (2) según Figura 1 b.

(a)
(a)

(b)

I II III IV
I
II
III
IV

(c)

y salida (2) según Figura 1 b. (a) (b) I II III IV (c) Figura 1

Figura 1 (a) Sección esquemática a lo largo de uno de los HCFSS, (b) Distribución general de la instalación y puntos para toma de muestra, (c) Especies vegetales empleadas

El arranque de las unidades se hizo por un periodo de 9 semanas acorde a lo recomendado por Kadlec y Wallace, (2009), buscando llegar a las condiciones estables antes que se realizara la fase de experimentación que se realizó durante un periodo de tiempo de 21 semanas. El diseño de los HCFSS

se hizo sobre la base de una concentración máxima de 300 mg L-1 N- NH4+ (0.008 kg N-NH4+ m-2d-1) en el afluente de cada humedal, ya que valores mayores pueden ser tóxicos para las especies vegetales (Clarke y Baldwin, 2002); de igual manera 0.002 kg DBO5 m-2d-1 y 0,011 Kg DQO m-2d-1 con

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una calidad esperada de eliminación de 54,5% y 45,0%, res- pectivamente.

2.2 TOMA DE MUESTRAS Y MEDICIONES

Los parámetros fisicoquímicos en la matriz agua fueron medidos (Tabla 1) en los humedales con base a muestras puntuales, las cuales fueron transferidas inmediatamente al laboratorio. Todos los análisis se realizaron de acuerdo con

Tabla 1 - Técnicas utilizadas para análisis de la matriz agua.

las técnicas descritas en los Métodos Estándar para Análisis de Agua y Agua Residual (APHA, 2005). Se tomaron datos in situ como pH, CE, ORP, OD y TºC utilizando un medidor multiparamétrico WTW Modelo 340i. Datos meteorológicos (temperatura del aire, velocidad del viento, precipitación, ra- diación solar y evapotranspiración) se registraron en el lugar con un intervalo de tiempo de cada quince minutos, utilizan- do una estación meteorológica WeatherLink® for Vantage Pro® and Vantage Pro2™.

Código del Standard Methods

Parámetros

Técnica

Frecuencia de

 

medición

Potencial de Hidrogeno (pH) Temperatura (°C) Oxígeno Disuelto (OD) Potencial de óxido reducción (ORP) Conductividad Eléctrica (CE)

Potenciómetro

-

1/semana

Termómetro

-

1/semana

Potenciómetro

-

1/semana

Potenciométrico

-

1/semana

Electrométrico Macro-Kjeldhal Titulométrico Destilación preliminar Titulométrico Electrodo de nitratos Reflujo cerrado Oxitop (respirométricos) Temperatura alta de Combustión Espectrometría absorción atómica

con horno de

grafito

-

1/semana

 

4500-B

Nitrógeno total kjeldhal (NTK)

4500-C

1/semana

Amoniaco (NH 4 + )

4500-B

4500-C

1/semana

Nitratos (NO 3 ) Demanda química de Oxigeno Demanda bioquímica de Oxigeno

4500-D

1/semana

5220-D

1/semana

5210-D

mensual

Carbono orgánico Disuelto

5310-B

1/semana

Fosfatos (P-PO 4 -3 )

4500-P

1/semana

Cromo Hexavalente- Cr (VI)

3500-B

Quincenal

El caudal de entrada y salida se aforó diariamente de forma volumétrica con el fin de medir la pérdida de agua asociada a la evaporación que se genera en la superficie del humedal y la transpiración en las plantas, así mismo, permitir el cálculo de la carga aplicada al sistema. Cálculos de eficiencia de eliminación se basaron en el si- guiente balance de masas:

estadísticamente. Se verificaron los supuestos para datos paramétricos y no se cumplieron, por lo que se empleó herramientas no paramétricas, siendo el test de Fried- man la alternativa para el análisis de varianza del diseño de bloques, con un nivel de significancia p <0.05 y prueba Post-hoc (a posteriori), a fin de determinar si existen di- ferencias entre las medianas de las variables específicas.

η =

⎛

⎜

⎝

C i Q i C e Q e

C

i Q i

⎞ ⎟× 1 0 0

⎠

Donde Ci y Ce son las concentraciones afluentes y efluentes en mg L-1, Qi y Qe son los caudales afluente y efluente en m3d-1, respectivamente. El diseño experimental fue de bloques completamente al azar, siendo las mediciones temporales las repeticio- nes de cada bloque. Los resultados fueron analizados

3. RESULTADO Y DISCUSION

La temperatura promedio del área de estudio fue de 24°C, velocidad del viento 0,47 m s-1, precipitación 3,51 mm d-1, radiación solar 179,06 W m-2, evapotranspiraci- ón 3,6 mm d-1 y fotoperiodo de 12:12 horas. Como lo indica la Tabla 2, el pH del afluente fue ligera- mente alcalino, con valores de pH en el rango de 7,8-8,4. Igualmente, se observó en la matriz sólido-líquido que la vegetación modificó los valores de pH en los efluentes en un rango de 6,8-9,3. Sin embargo, pese a los valores de

53

SanDoval; Parra; váron; SalaManCa; lEnS 54 Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr(vi) em humedales

pH de 9.3, éstos en su mayoría fueron alrededor de 8,0. Estas diferencias de pH podrían interpretarse como varia- ciones en los procesos de transformación y eliminación de los nutrientes y la materia orgánica (Vymazal 2007), que contribuye también en la disolución-precipitación de ciertos elementos minerales (Doumett et al. 2010). El ORP presentó un valor promedio en el afluente de 55 mV, y para los efluentes fue ligeramente reductor entre (-10,8 a 13,3 mV); ello confirma su estrecha relación con el aumento de OD (0,5 a 2 mg L-1), sugiriendo que las

plantas influyen sobre el balance de oxígeno en la colu- mna de agua debido al oxígeno transferido a la rizósfera (Brix 1994 A). La temperatura se mantuvo entre 26 y 27 oC, evidenciando buenas condiciones para desarrollo del proceso biológico en la matriz sólido-líquido. Por otra parte, la CE mostró diferencias significativas entre los efluentes de los HCFSS; en promedio hubo una acumula- ción global de sales alrededor del 70%. Los resultados de CE confirman el comportamiento observado en la DQOt, DQOf y COD del HCFSS IV.

Tabla 2 - Parámetros fisicoquímicos monitoreados en los HCFSS.

Parámetro

Efluente

Valores Máximos

Límites

 

Afluente

Permisibles ab

 
 

HCFSS I

HCFSS II

HCFSS III

HCFSS IV

pH

7,8-8,4

6,8-9,2

7,1-9,3

7,1-9,3

7,0-9,3

4.5 - 9.0 ab

 

T ( o C)

 

40 ab

 

Promedio

28,1

26,9

26,7

27,1

26,6

SD

1,7

1,8

1,6

1,6

1,6

CE (µS cm -1 )

 

3000 ab

 
 

Promedio

5211

3703

3831

3688

3392

SD

988

1020

975

1036

1192

OD (mg L -1 )

 

4.0-5.0 ab

 
 

Promedio

0,52

2,48

1,30

2,55

2,70

SD

0,33

3,41

0,93

3,89

3,92

ORP (mV)

 

-

 

Promedio

55,0

-10,8

-8,1

-6,0

13,3

SD

192,9

90,2

93,8

91,2

91,6

DQO total (mgL -1 )*

 

400 b

 
 

Promedio

661,9

510,1

539,9

518,1

394,8

SD

187,7

147,6

150,1

157,8

169,6

DQO filtada (mg L -1 )*

 

-

 

Promedio

515,7

402,9

415,9

410,8

390,0

SD

175,9

124,1

136,1

143,2

133,3

COD (mg L -1 )*

 

-

 

Promedio

253,4

205,9

207,5

198,7

195,9

SD

81,2

62,0

61,1

60,5

62,3

DBO 5 (mg L -1 )***

 

80% en carga a y

200

b

 
 

Promedio

151,7

112,5

105,8

108,3

100,0

SD

94,5

50,4

53,0

41,6

44,6

NTK (mg L -1 )*

 

20

b

 

Promedio

286,1

238,1

231,7

230,7

222,5

SD

88,4

59,3

51,0

55,2

49,2

N–NH 4 + (mg L -1 )*

 

10

b

 

Promedio

214,2

178,7

174,7

163,7

159,6

SD

70,0

44,5

44,6

42,5

39,1

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Valores Máximos

Parámetro

Efluente

Límites

 

Afluente

Permisibles ab

 

HCFSS I

HCFSS II

HCFSS III

HCFSS IV

N–NO 3 (mg L -1 )*

10 ab

Promedio

13,1

13,6

15,2

14,3

14,0

SD

18,5

16,5

19,5

17,3

17,3

P-PO 4 - (mg L-1)*

5 b

Promedio

6,4

5,0

5,1

4,9

4,6

SD

4,1

2,9

2,8

2,6

2,7

Cr (VI) (µg L -1 ) ***

100 ab

Promedio

148,2

120,2

105,7

120,6

115,5

SD

214,4

135,3

100,6

125,4

98,9

( : N=18. : N=14. : N= 11.*: N=21. **: N=6. ***: N= 10.), República de Colombia, a Decreto ley 1594/84 y b 3930/2010

Se realizó una comparación entre las concentraciones de los efluentes de las unidades y los límites máximos permisibles por la normatividad Colombiana bajo el de- creto ley 1594 de 1984 y 3930 de 2010. Estas concentra- ciones permitidas se lograron para algunos de los pará- metros monitoreados (Tabla 2). Es de tenerse en cuenta que los humedales construidos en Colombia no se han

puesto a operar de manera individual como unidades a gran escala, y para el caso de esta investigación siendo

a escala piloto, como tratamiento secundario; es posible

que los criterios de vertimientos se puedan lograr en un sistema a escala real. La figura 2 ilustra el comportamiento de las eficiencias de eliminación para los diferentes parámetros fisicoquí- micos monitoreados a la entrada y salida de las cuatro unidades durante el período de operación. Para DQOt, DQOf, COD, DBO5, NTK, N-NH4, PO4 fueron muy simila- res con una disminución gradual en todas las unidades, no presentaron diferencias significativas (p<0,05). DQOt, DQOf y COD, en la semana 9 a la 11, se presen- taron las mayores eficiencias de eliminación para todas las unidades, con una eficiencia promedio global (alrede-

dor de 50%). En los humedales I, II y III las concentracio- nes de DBO5 se redujeron en promedio en un 9,7, 37,3 y 27.0% respectivamente. Se observó valor negativo en la eliminación de la DBO5 en el Humedal IV (-3,1%), lo que puede explicarse por el hecho de que, posiblemente, en el humedal la asimilación de contaminantes por las plan- tas y los procesos microbianos que se desarrollan en la zona de la raíz no se han dado lo suficiente debido al cor- to desarrollo de la mismas en las primeras cinco semanas del experimento, condición que fue mejorando poste- riormente con el crecimiento de las especies vegetales

y el desarrollo de su sistema radicular durante su ciclo

de vida. Sin embargo, estos valores son inferiores a los

reportados por Mæhlum (1995), que al evaluar humeda- les sembrados en policultivo Phragmites australis, Typha

latifolia y Scirpus lacustris presentaron una eliminación entre (60-95%) para materia orgánica (DQO, DBO5, COD)

y por Akinbile et al. (2012), empleando Cyperus haspan

con valores de DQO y DBO5 que oscilaron de 39,2-79,9%

y 60,8-78,7%, respectivamente. Estas investigaciones de-

muestran el uso de humedales construidos como siste- mas acopladas o como unidades individuales para el tra- tamiento de lixiviados de rellenos sanitarios. La relación DBO5/DQO fue inferior a 0,2, indicando que la materia orgánica disponible es de difícil degradación biológica, y casi el 80% de la DQO estaba bajo forma solu- ble, lo cual indica, por consiguiente, el predominio de la materia orgánica refractaria. Del mismo modo, Bulc et al. (1997) encontró una relación DBO5/DQO de 0.15, en pro- medio, lo que refleja la no biodegradabilidad del carbono orgánico, factor que clasifica al efluente dentro de un rel- leno sanitario en etapa metanogénica, que se caracteri- za por bajas concentraciones de ácidos grasos volátiles y relativamente altas cantidades de compuestos húmicos y fúlvicos, y, en consecuencia, poco susceptible a ser tra- tado por medios biológicos (Renou et al. 2008). Por otra parte, la relación COD/DQO de 0,5 en promedio, que cor- responde a la materia orgánica fácilmente biodegradable, nos confirma que el problema está en la poca biodegrada- bilidad del lixiviado y, por lo tanto, la materia orgánica no removida deberá ser tratada por otro tipo de sistema de tratamiento, como el aerobio o el fisicoquímico. La concentración de NO3- fue mayor a la salida (13,6- 15,2 mgL-1) que en la entrada (13,1 mg L-1), lo que evi- dencia que el proceso de transformación de amonio y conversión a nitrato (nitrificación) se presentó en los hu- medales (Vymazal 2007). Este incremento, al igual que un ambiente ligeramente reductor en los efluentes de los

SanDoval; Parra; váron; SalaManCa; lEnS 56 Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr(vi) em humedales

humedales, es un claro indicio de la formación de biopelí- cula aerobias en la rizósfera de los humedales, los cuales catalizan la oxidación del amonio a nitratos por medio de las bacterias nitrificantes. Pese a ser evidente el proceso de la nitrificación en los humedales, el poco aumento en las concentraciones de nitratos registradas pueden ser el resultado neto de la utilización de estos como acepto- res finales de electrones durante el proceso acoplado de la desnitrificación. Los valores negativos observados de eliminación en los humedales II y III (-2,1 a -4,7%) fue debido al aumento en las concentraciones de efluentes con respecto a los del afluente. Los humedales I y IV pre- sentaron valores positivos (23,7-11,4%). Estos resultados son aceptables al ser comparados con los reportados por Bulc et al. (1997) que estudiaron en un periodo de siete años tres humedales interconectados; dos de flujo ver- tical y una etapa horizontal, plantados con Phragmites australis y Typha latifolia, donde las concentraciones de NO3- variaron desde 0,3 hasta 6,2 mg L-1 con eficiencias de eliminación negativas y sólo una positiva de 17%, para el humedal de flujo vertical. Curiosamente, la disminución de NH4+ en los humeda- les no fue seguido por un aumento de NO3-, lo que sería de esperar si la nitrificación había tenido lugar. Puede ser que la nitrificación completa o parcial y desnitrificación completa ocurrieron de manera simultánea y rápidamen- te durante la primera semana del experimento. Para el NTK, después de la semana once, las concentraciones entre el afluente y el efluente de los cuatro humedales fueron similares, lo que puede explicarse por el hecho de que, posiblemente, la asimilación de contaminantes por las plantas y los procesos microbianos que se desarrollan en la rizósfera se están dado de manera aceptable, situ- ación que se contrasta en las primeras semanas. El NTK y NH4+, de todos HCFSS mostraron un buen rendimien- to con una eliminación del 43,0-47,2% y el 43,1-50,8%, respectivamente. La disminución de las especies de N en HCFSS también puede ser una consecuencia de una gran variedad de complejos procesos físicos y químicos como los son: sedimentación, filtración, adsorción química, entre otros. En eliminación de amonio se comprueba la importancia de la presencia de las plantas, ya que éstas proporcionan el oxígeno necesario para la ocurrencia del proceso de nitrificación, y, además, incorporan el amonio para su crecimiento. Los resultados fueron similares con lo reportado por Akinbile et al. (2012) en un HCFSS sem- brado con Cyperus haspan con eficiencias de eliminación para NTK y NH4 fueron de 29,8-53,8% y 34,9-59,0%, res- pectivamente. La eficiencia de eliminación del P-PO4- fueron muy si-

milares, y satisfactoria en todos los HCFSS del 52,9-55,6% lo cual es consecuente con lo reportado por Yalcuk & Ugurlu (2009), quienes al emplear varios tipos de hume- dales encontraron una eficiencia global de eliminación 26-83% de P-PO4- . Ello puede estar asociado, en parte,

a la absorción del orto fosfato a través de las plantas que

lo incorporan a sus tejidos (Brix, 1994 A), y que también

se rige principalmente como consecuencia de la adsorci- ón, complejación, y reacciones de precipitación con mi- nerales tales como aluminio, hierro, calcio con el medio filtrante. En este sentido, los minerales que componen la grava empleada pueden desempeñar un papel significa- tivo en la eliminación de fósforo mediante la adsorción de este compuesto por la grava.

Las concentraciones Cr (VI), encontradas en los afluentes, fueron superiores a las del valor límite permisible por la ley colombiana en el reuso del agua para riego (100 µgL-1). Las eficiencia de eliminación en los HCFSS II y IV (4,6 y 50,6%), y eficiencias negativas en los HCFSS I y III (-26,9 y -57,9%) indica que el Cr (VI) muy posiblemente se está acumulando en el sistema. La reducción de Cr (VI) en las unidades de HCFSS puede ser como consecuencia de sus reducciones a

la forma trivalente que puede ocurrir en condiciones anóxi-

cas y en presencia de un donador de electrones, tales como el hierro bivalente y/o sulfuros o la reducción de los com- puestos (Doumett et al. 2010). Esto también muestra clara- mente el efecto plantas sobre el metal, ya que no se podría reducir en los humedales artificiales, siendo el HCFSS IV con una mayor capacidad de fitorremediación.

Figura 2 - Comportamiento de las eficiencias en cada uno de los HCFSS.

IV con una mayor capacidad de fitorremediación. Figura 2 - Comportamiento de las eficiencias en cada

Figura 2 - Comportamiento de las eficiencias en cada uno de los HCFSS.

ConEXÃo aCaDEMIa

A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano III - Volume 5

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uno de los HCFSS. ConEXÃo aCaDEMIa A Revista Científica sobre Resíduos Sólidos Dezembro 2013 - Ano

SanDoval; Parra; váron; SalaManCa; lEnS 58 Eliminação de dqo, nitrogênio (tkn, nh4+, no3) e cr(vi) em humedales

4. CONCLUSIONES

Los HCFSS sembrados con policultivo de plantas tro- picales se pueden utilizar para la fitorremediación de li- xiviados con un buen potencial de eliminación para los parámetros evaluados DQO y COD (alrededor del 50%), DBO5 (9,7-37,3%), NTK y NH4+ (43,0-52,9%), NO3 HCFSS

I, IV (11,4-27,3%) y II, III ( Negativo), PO4- (alrededor del

60%) y para Cr los HCFSS I, III (Negativo) y II, IV (4.6-50.6%). La selección de especies adecuadas en el humedal cons- truido puede ser crucial para mejorar la eficiencia de eli- minación del contaminante criterio. El HCFSS IV mostró el mejor comportamiento, indicando que la distribución de las plantas dentro del reactor puede influir positivamente en el desempeño de la unidad, permitiendo cumplir con la normatividad colombiana en lo concerniente a la descarga de efluente a un cuerpo receptor cuyo uso sea para riego. Los resultados mostraron que el HCFSS, como un sistema secundario, podría ser una alternativa de bajo costo para el tratamiento de lixiviados de rellenos sanitarios.

AGRADECIMIENTO

Los autores quieren expresar su agradecimiento a la Vi-

cerrectoría de Investigaciones de la Universidad del Valle

y a la empresa Bugaseo SA ESP y al Instituto UNESCO-IHE,

Institute for Water Education, a través del programa UPaRF,

proyecto EVOTEC, quienes apoyaron financieramente este proyecto.

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