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Efeitos Terapêuticos da Massagem

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Instituto Português de Naturologia

Disciplina de Massagem Ocidental, Drenante e Desportiva Ano lectivo 2007-2008

Efeitos Terapêuticos da Massagem

“A pressão das mãos faz correr as fontes da vida”
T.Namikoshi, 1972

Maria Sofia Fonseca Santos
Curso de Massagem (turma C) 11 de Janeiro de 2008

Maria Sofia Fonseca Santos

1. Introdução
A palavra “massagem” é derivada do grego “massein” que quer dizer aproximadamente “amassar”, e que está relacionada ao latim “manus”, mão. Todos os profissionais da massagem devem ter mãos bem treinadas para executar cm firmeza as manobras “manipulativas” aos tecidos moles do organismo. Segundo o grande filósofo e cientista árabe Avicewa, "o objectivo da massagem consiste em dispersar as matérias gastas (metabolitos) formadas no músculo e não expelidas pelo exercício. Ela faz com que a matéria gasta se disperse, removendo assim a fadiga". Embora a massagem dos tecidos moles (tecidos não esqueléticos, i.e., que excluem osso, ligamento, cartilagem e tecido fibroso) tenha sido aperfeiçoada ao longo de muitos milhares de anos, existe um número relativamente pequeno de estudos científicos sobre os seus efeitos e eficácia. A grande maioria dos textos sobre o assunto "massagem" concentra-se mais na descrição das técnicas e nos efeitos observados do tratamento do que nos esforços de investigações destes efeitos sob o ponto de vista científico. É recente o interesse na avaliação objectiva dos efeitos da massagem. Quais os efeitos que a massagem pode ter é um tema que não está totalmente entendido nem definido. Muita da informação baseia-se na experiência clínica, tanto em relatos objectivos como em testemunhos subjectivos dos pacientes. Alguns relatos são racionalizações de hipóteses baseadas no conhecimento da anatomia e da fisiologia. Outros, baseiam-se em estudos laboratoriais controlados, e alguns ainda podem ser definitivamente descritos como sendo frutos de pura especulação. Os efeitos da massagem já foram descritos e classificados de diversos modos. Mennel referiuse aos efeitos mecânicos (pressão e tensão), químicos, reflexos e psicológicos. Outros autores discutiram os efeitos gerais e locais. Contudo, é provável que a maioria dos tratamentos por massagem produza os seus efeitos em decorrência de uma combinação de factores mecânicos, fisiológicos e psicológicos.

2. Efeitos Mecânicos
O efeito principal da massagem consiste em produzir estimulação mecânica dos tecidos por meio de uma pressão e estiramento ritmicamente aplicados. Os movimentos de compressão, tracção, estiramento, pressão e fricção exercem evidentes efeitos mecânicos nos tecidos. As forças mecânicas associadas a cada técnica afectam os tecidos de diversas formas.

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A pressão comprime os tecidos moles e estimula as redes de receptores nas terminações nervosas. O estiramento aplica tensão nos tecidos moles e estimula as terminações nervosas receptoras. Ao aumentar o lúmen dos vasos sanguíneos e espaços intersticiais da rede linfática, estas duas forças afectam a circulação capilar, venosa, arterial e linfática. A massagem também pode soltar o muco e promover a drenagem do excesso de líquidos nos pulmões.

EFEITOS MECÂNICOS Movimentos de:
     

linfa; sangue venoso; secreções pulmonares; edema; conteúdo intestinal; conteúdo de hematomas.

Fig. 1 – Resumo dos efeitos mecânicos da Massagem

Devemos esperar, por exemplo, que as várias técnicas de amassamento e torcedura exerçam um considerável efeito mobilizador sobre a pele, tecidos subcut neos e músculos, graças à â alternância dos movimentos de compressão e estiramento. Em contraste, espera-se que a pressão gradualmente crescente da effleurage "empurre" o sangue venoso e a linfa presentes nos vasos superficiais na direcção do coração, promovendo assim uma boa circulação e a resolução do edema e do hematoma crónico. De modo semelhante, a pressão e direcção das técnicas de alisamento e effleurage promovem a mobilização do conteúdo intestinal. O modo como estas forças mecânicas são aplicadas é determinado, em grande parte, pela escolha das técnicas de massagem (alisamento, amassamento, percussão, vibração, fricção) pelo terapeuta e pela sua habilidade em ajustar a duração, pressão, velocidade e ritmo do estímulo. Estes efeitos também poderiam ser classificados como mecânicos, fisiológicos (inclusive reflexos) e psicológicos. Um efeito puramente mecânico pode ser demonstrado pelo alisamento das veias superficiais e, com uma pressão directa, a remoção do sangue que está no interior da veia submetida ao alisamento. Embora seja importante a identificação dos efeitos mecânicos da massagem, são os efeitos fisiológicos que devem ser levados em consideração com certo detalhe, visto que eles dão origem ao potencial terapêutico da massagem.

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3. Efeitos Fisiológicos
EFEITOS FISIOLÓGICOS Aumento da circulação sanguínea e linfática; Resolução do edema e hematoma crónicos; Aumento do fluxo de nutrientes; Remoção dos produtos catabólicos e metabólicos; Facilitação da actividade muscular; Estimulação do processo de cicatrização; Aumento dos movimentos das articulações; Sono retemperador; Estimulação das funções autónomas; Alívio da dor; Estimulação das funções viscerais; Remoção das secreções pulmonares; Aumento da temperatura periférica da pele Mobilização da pele e dos tecidos subcutâneos Aumento da flexibilidade do tecido conjuntivo; Estímulo sexual; Promoção do relaxamento local e geral.

                

Fig.2 – Resumo dos Efeitos Fisiológicos da Massagem

3.1.

Efeitos na Circulação Sanguínea e Linfática

Considerando que todas as técnicas de massagem envolvem a manipulação da pele e dos tecidos subjacentes, é razoável esperar que elas exerçam um efeito considerável no fluxo sanguíneo e linfático nestes tecidos tratados. Wakim (1955) verificou que, aumentos moderados mas consistentes na circulação foram observados a seguir a massagens aplicadas a extremidades paralisadas e flácidas. A massagem vigorosa e estimulante resultou em elevações consistentes e significativas no fluxo sanguíneo médio da extremidade massajada. Os aumentos do fluxo sanguíneo são facilmente observáveis, pela hiperemia da pele após a massagem. O aumento do fluxo sanguíneo, em decorrência da massagem, foi demonstrado há muito tempo, no final do século XIX (Brunton & Turmiclifle, 1894-1895). Pemberton (1950) demonstrou que a pressão leve produz uma dilatação praticamente instantânea, se bem que temporária, dos vasos capilares, enquanto a pressão mais intensa pode promover uma dilatação mais prolongada. Á observação microscópica dos campos em que apenas alguns capilares estão abertos demonstra que a pressão pode fazer com que praticamente todos os vasos de menor calibre se tornem visíveis, por promover a circulação sanguínea através deles.

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Pemberton (1950) afirmava também que a massagem inquestionavelmente aumenta a hemoglobina e os valores eritrocitários no sangue circulante, e que ocorre um aumento limitado, mas definido, na capacidade de oxigenação do sangue após a massagem. Muitos autores afirmaram que o efeito reflexo do alisamento superficial melhora a circulação cutânea, especialmente o fluxo sanguíneo nas veias e linfáticos superficiais, auxilia na troca de líquidos teciduais, aumenta a nutrição dos tecidos e ajuda na remoção dos produtos da fadiga ou inflamação. Severini e Venerando (1967) informaram que a massagem superficial não produziu alterações significativas, excepto na temperatura da pele. Contudo, a massagem profunda aumentou o fluxo sanguíneo e o volume de batimento sistólico, e diminuiu a pressão arterial (max. e mín.) e a frequência de pulso. Bell recomendou a massagem para o tratamento do edema provocado por fracturas, devido aos seus efeitos no fluxo venoso e linfático. Nos capilares linfáticos e plexos cutâneos e subcutâneos, a linfa pode se movimentar em qualquer direcção. O seu movimento depende de forças externas ao sistema linfático como por ex. a gravidade, contracção muscular, movimento passivo e massagem. Se ocorre obstrução dos linfáticos mais profundos em determinada parte, é possível ainda manter abertos os linfáticos superficiais; e, se a parte é massajada ou tem a oportunidade de drenar por gravidade, a linfa movimentar-se-á através destes outros canais, na direcção da força externa. Experiências com animais demonstram ocorrer pouquíssimo fluxo linfático quando um músculo está em repouso. Von Mesengeil injectou repetidamente tinta nanquim em articulações correspondentes de coelhos. Uma articulação era massajada, e a articulação correspondente era deixada como controle. Nas pernas sem massagem, a tendência do material colorido em avançar na direcção do coração era muito pequena, mas nas pernas submetidas à massagem ocorreu grande absorção da tinta acima da articulação, nos tecidos conjuntivos intermusculares e nos nodos linfáticos. Os linfáticos aferentes aos linfonodos ficaram intensamente corados de negro, provando que há aumento do fluxo linfático após massagem. Drinker e Yoffey canularam os troncos linfáticos cervicais de um cão anestesiado e foram capazes de sustentar o fluxo linfático durante todo o dia, mediante a massagem da cabeça e do pescoço acima das cânulas. Quando a massagem era interrompida, o fluxo linfático cessava ou tornava-se desprezível. Neste estudo, os investigadores afirmam que, no tratamento de distúrbios inflamatórios crónicos em que é certo que ocorrerá fibrose caso o liquido tecidual e a linfa permaneçam estagnados no local, a massagem na direcção do fluxo linfático é a principal medida artificial para a mobilização do liquido intersticial para os linfáticos, e também para a mobilização da linfa na direcção da corrente sanguínea. A ideia de usar forças mecânicas para afectar a circulação sanguínea e linfática não está limitada ás técnicas de massagem manual. Nos últimos anos, foram criados diversos dispositivos
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pneumáticos capazes de promover uma série de alterações controladas da pressão ao longo da superfície de um membro. Com efeito, estes aparelhos efectuam um tipo de massagem mecânica e mostraram ser consideravelmente benéficos no tratamento de muitos distúrbios circulatórios agudos e crónicos, mas sobretudo em casos de edema linfático (ou Linfedema). Certamente que as técnicas da massagem manual também têm importante papel a desempenhar no tratamento do Linfedema (Mason, 1993).

Fig. 3 – Exemplos de Edemas Linfáticos

3.2.

Efeitos no Metabolismo

 Em pessoas saudáveis não há um efeito imediato sobre o consumo basal de oxigénio.  O débito urinário fica aumentado, sobretudo após a massagem abdominal.  A excreção de ácidos não sofre alteração, e não há mudança no equilíbrio ácido-base;.  As taxas de excreção para a amónia (NH4+), fósforo inorgânico (P) e cloreto de sódio (NaCl) são aumentadas.  É importante que nos lembremos da importância crucial do sistema linfático, na remoção das proteínas plasmáticas e outras grandes moléculas, depois de terem sido depositadas no líquido intersticial.

3.3.

Efeitos no Tecido Muscular

Há mais de 100 anos, Maggiora (1891) descreveu a acção fisiológica da massagem no tecido muscular. Outros autores também descreveram os efeitos da massagem neste tecido. Grande parte da literatura que trata dos efeitos da massagem contém um número relativamente grande de declarações positivas e de implicações acerca dos efeitos da massagem sobre os músculos, em comparação com seus efeitos noutros sistemas e tecidos do corpo. Os efeitos principais da massagem no tecido muscular podem ser resumidos como se segue:  A massagem não aumenta directamente a força do músculo normal; co ntudo, a massagem é mais efectiva que o repouso na promoção da recuperação da fadiga
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causada pelo exercício excessivo. Portanto, teoricamente, a massagem torna possível praticar mais exercício, o que, por sua vez, aumenta a força e resistência musculares. Isso é particularmente relevante na medicina desportiva.  Em termos gerais, a massagem não aumenta o tonus muscular, mas certas manipulações podem ser aplicadas com o objectivo de facilitar a actividade muscular (sobretudo técnicas de percussão).  A fibrose tende a ocorrer no músculo imobilizado, lesionado ou desnervado. O músculo, como um todo, torna-se mais curto que seu comprime nto em repouso normal, principalmente porque o tecido fibroso perde elasticidade, e formam-se aderências entre as camadas do tecido conjuntivo.Com o uso cuidado de várias técnicas de massagem é possível aplicar tensão a este tecido fibroso; o objectivo consiste em impedir a formação de aderências, e na ruptura das pequenas aderências que já se formaram. As técnicas mais adequadas e para esta finaldade i de fricção são as diversas formas Quando complementadas d petrissage e por regimes (amassamento) profunda.

apropriados de exercícios e estiramento, as técnicas de massagem são um componente essencial na restauração do comprimento dos músculos e de seu funcionamento normal.  Experiências demonstraram que no caso de músculos lesionados, aqueles que foram massajados diariamente por um período médio de cerca de 7min. voltaram a apresentar aspecto normal, não tendo ocorrido a formação de tecido fibroso (cicatricial), não

apresentaram sinais de hemorragias intersticiais e possuíam um maior volume muscular em geral, quando comparados com os seus pares.  O objectivo da massagem no tratamento do músculo desnervado deve ser a manutenção dos músculos no melhor estado possível de nutrição, flexibilidade e vitalidade, de modo que, após a recuperação (caso isso seja possível) de um traumatismo ou enfermidade, o músculo possa funcionar no seu limite máximo.  As cãibras derivam duma contracção muscular excessiva. Podem ser aliviadas aflorando e massajando a região posterior da perna e solas dos pés. A massagem dos tecidos moles e o alongamento antes do exercício físico, evitarão o aparecimento de cãibras.  Na Fibromialgia, doença que afecta cerca de 2,5% das mulheres, mas muito poucos homens, ocorrem dores musculares espalhadas pelo corpo e rigidez, incluindo sintomas como intestino irritável, ansiedade, depressão e cefaleias. A massagem ajuda no tratamento, ao reduzir a dor e a rigidez e anula sintomas como a ansiedade e a depressão. Num estudo recente na Touch Research International, na Florida, massajaram-se doentes deste síndrome duas vezes por semana, durante 5 semanas. As hormonas de stress baixaram no sangue após cada massagem e os pacientes disseram que sentiam menos dor e rigidez muscular, tendo desaparecido a insónia.

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3.4.

Efeitos nos Ossos e Articulações

No passado, a massagem era amplamente utilizada no tratamento das fracturas, sendo então considerada benéfica por ajudar no reparo das lesões dos tecidos moles ocorridas na zona envolvente. Não foi estabelecido se, na verdade, a massagem ajuda na consolidação óssea. A opinião do Comitê de Fracturas do Colégio Americano de Cirurgiões era que, no processo do reparo ósseo normal após a fractura, "a eficácia e rapidez do crescimento do tecido dependem da circulação eficiente nas partes... Portanto, todos os esforços devem ser envidados, desde o inicio, no sentido de ajudar a eficiência da circulação". É difícil ver como estas técnicas podem ser aplicadas efectivamente sem causar movimento aos fragmentos ósseos num local fracturado; contudo, se o local fracturado está estável, as técnicas de massagem podem ter muita utilidade. Muitas das estruturas que circundam as diversas articulações do corpo, como ligamentos, bolsas, cápsulas e tendões, são, com frequência, locais de problemas crónicos. Em muitos casos de disfunção crónica, o tratamento objectiva a ruptura do tecido cicatricial nestas estruturas e das aderências entre elas. Tradicionalmente, a massagem por fricção profunda tem sido a técnica de escolha, visto que o seu vigoroso efeito mecânico no tecido cicatricial tem evidente utilidade na restauração da amplitude de movimentos normais e indolores numa articulação afectada (Cyriax, 1984; Hammer, 1993). A Osteoartrite, conhecida também por Doença Degenerativa das Articulações, afecta as mãos, ancas, joelhos e coluna. Em consequência da idade, as cartilagens que unem as articulações deterioram-se gradualmente, alargando-se e tornando-se rígidas e dolorosas. Uma massagem suave em torno dos pontos críticos é muito tranquilizante pois melhora a circulação: estimula o fluxo linfático e a remoção das toxinas, reduzindo a inflamação e a rigidez.

3.5.

Efeitos no Sistema Nervoso

Existe pouca informação directa na literatura sobre os reais efeitos da massagem no funcionamento do sistema nervoso humano. Apesar disso, é possível descrever alguns efeitos prováveis, com base no que se sabe da neurobiologia do sistema. Por exemplo, sempre que a pele é tocada, ou os tecidos subjacentes são manipulados, são activados diversos receptores sensitivos em vários tecidos. Sinais aferentes avançam até a medula espinal, formam sinapses com diversos neurónios espinhais e terminam "encontrando seu caminho" até ao córtex sensitivo e outros centros cerebrais. Da espinha, podem ser disparados vários reflexos espinhais, dependendo do tipo e profundidade da técnica de massagem e da parte do corpo que está sendo massajada. Obviamente, existem duas vias possíveis pelas quais a massagem dos tecidos moles pode exercer acção no sistema nervoso: por efeitos directos e/ou indirectos.
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Diversos estudos demonstraram que, de fato, são possíveis muitos efeitos directos. Ficou demonstrado que a massagem (amassamento) realizada directamente no músculo causa uma diminuição significativa da amplitude da resposta do reflexo H (reflexo de Hoffmann), mas apenas durante o período da massagem (Sullivan, Williams, Seaborne & Morelli, 1991). Goldberg e colaboradores (1992) estudaram o efeito de duas intensidades de massagem na amplitude do reflexo H e demonstraram que uma técnica de massagem mais profunda produziu uma redução mais pronunciada na amplitude do reflexo H do que a massagem superficial. Estes resultados também são importantes, porque indicam que a massagem do tecido muscular e de suas estruturas afins (por exemplo, pele, tecidos subcutâneos) pode alterar o nível de excitabilidade dos neurónios motores espinhais. O efeito é de natureza reflexa, sendo provável que esteja associado a um aumento no disparo dos receptores pressossensíveis no músculo (efeitos indirectos). O efeito sedativo da massagem geral pode ser facilmente demonstrado, e já Mennell, em 1945, afirmava que "há provavelmente um efeito no sistema nervoso central, bem como um efeito local nos nervos sensitivos e, possivelmente, nos motores". A massagem poderá ter um papel na "conversão" do sistema nervoso autónomo de um estado de resposta simpática para parassimpática. A pressão aplicada durante a massagem poderá estimular a actividade do nervo vago (Field, 1998) que leva a uma redução de hormonas de stress as quais poderão estimular uma subsequente resposta parassimpática, por parte do sistema nervoso autónomo (Hulm e, Waterman, & Hillier, 1999). Ao esimular t

fisiologicamente uma resposta parassimpática, a massagem poderá originar reduções ao nível da ansiedade e depressão. Não é nova a ideia de promover efeitos específicos no sistema nervoso, ou de facto no controle nervoso de muitos órgãos e sistemas. A acupressão tradicional e muitas técnicas orientais de massagem propõem-se a afectar uma série de funções do siste ma nervoso (sistema de massagem japonesa conhecido como shiatsu). Exemplos deste princípio também podem ser encontrados nas teorias da Reflexologia, que defendem que a estimulação manual directa de diversas áreas do corpo (principalmente, mas não exclusivamente, os pés e mãos) produz efeitos em outros locais do corpo.

3.6.

Efeitos na Dor

A dor é um mecanismo protector essencial à sobrevivência. A sensação dolorosa é transmitida do seus receptores pela espinal medula até ao tálamo, no cérebro. Depois vai para o córtex sensorial que localiza o problema.

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Os receptores da dor são as terminações livres (pele, periósteo, paredes arteriais,...). A maior parte das fibras dolorosas pode ser excitada por tipos múltiplos de estímulos (frios, alongamento excessivo, calor,...), que são denominados nociceptores mecânicos, térmico e químico. Aliviar a dor pela fricção é um comportamento nitidamente instintivo, praticado pelos seres humanos e por muitos animais. A fricção da pele estimula mecanorreceptores cutâneos que, ao receber estes sinais aferentes são capazes de bloquear a transmissão dos sinais nociceptivos (dolorosos). Este efeito é facilmente demonstrável, e a maioria das pessoas já o experimentou. Melzak e Wall (1965) desenvolveram a Teoria do Portal da Dor – haveria um mecanismo ou “portal” que limitaria o número de impulsos transmitidos pela espinal medula ao cérebro, num determinado momento. Os nervos transportadores da sensação de luz, toque e pressão enviam impulsos mais depressa do que os que tratam da informação dos receptores da dor. A teoria explica porque a massagem alivia a dor. Se esfregar o cotovelo, depois de ter batido com ele na porta ajuda a abrandar a dor, porque a sensação da fricção chega primeiro ao portal da espinal medula. O portal fecha-se ao impulso da dor porque outro impulso, o da fricção, já está a ser recebido. Assim, a massagem como estímulo alternativo fecharia o portal a impulsos dolorosos. Além de distrair da dor, a massagem produz relaxamento, diminui a excitação e dá bem-estar. Temporariamente aumenta a circulação local, removendo (drenando) substâncias libertadas pelos tecidos lesionados, os chamados "metabolitos da dor" (histamina, prostaglandinas, ácido láctico) que sensibilizam os receptores da dor; tudo isto ajuda a reduzir a sua percepção. Field et al. (1996) sugerem que a aplicação da massagem poderá levar a uma redução de níveis de serotonina, que poderá inibir a transmissão de sinais nervosos ao cérebro (Field, 1998). Outros sugerem que manipulações como a effleurage, ou a aplicação de pressão, poderá estimular a libertação de endorfinas na corrente sanguínea (Oumeish, 1998) conduzindo ao alívio da dor e ao bem-estar geral. Diversos artigos sugerem que a massagem poderá acelerar a regeneração tecidular e promover a redução de dor através de efeitos mecânicos. As manipulações e pressão aplicadas durante a massagem poderão quebrar aderências subcutâneas e prevenir fibroses (Wilton, 2002), assim como promover a circulação sanguínea e linfática (Fritz, 2000).

3.7.

Efeitos nos Órgãos e Vísceras

 Beard e Wood defendem que a massagem do abdómen por amassamento e alisamento profundo é efectiva na estimulação do peristaltismo (ondas de contracção do aparelho digestivo que fazem avançar os alimentos pelo sistema) intensificando assim o esvaziamento do intestino desde que a massagem seja realizada no sentido do peristaltismo intestinal (sentido horário). Algumas porções do intestino grosso são bem

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constantes na sua relação com a parede abdominal, podendo ser seguida a passagem do conteúdo do duodeno, cólon ascendente, sigmóide e descendente.  Pesquisas na Universidade de Sheffield, Inglaterra, em doentes de síndrome de irritação intestinal, descobriram que o stress tem um papel influente afectando as funções intestinais de vários modos: nos propensos à prisão de ventre, a comida transita mais devagar pelo cólon, nos propensos a diarreia, transita mais depressa. A massagem ajuda em ambos os transtornos, por reduzir o stress, que pre judica as funções digestivas.  O tratamento por massagem do pâncreas foi sugerido por alguns autores. Mennell pensava que este órgão poderia ser afectado reflexamente, mas parece provável que este seja apenas um efeito indirecto de uma melhora generalizada do tonus vascular.  Mennell questionava o uso da massagem para os rins.  A massagem directa do coração é utilizada como tratamento de emergência. Kouwenhoven et al. comunicaram uma taxa de sobrevida prolongada de 70% para pacientes com paragem cardíaca e que foram submetidos à massagem cardíaca a peito fechado.

3.8.

Efeitos nas Secreções Pulmonares

As técnicas percussivas e vibratórias de massagem podem ser usadas em combinação com outras medidas de fisioterapia torácica, para evitar ou tratar distúrbios pulmonares agudos e crónicos.

3.9.

Efeitos na Pele

Este é o órgão de toque, tornando-se talvez no mais importante, no que concerne à massagem. É também o maior, com 1,5 a 2 m2 e um peso médio de 4,5 Kg. Indispensável à vida, mantém o corpo hidratado, protege-o do meio exterior e regula-lhe a temperatura. Em cada cm2 de pele calcula-se que haja 250 receptores nervosos sensíveis ao toque, pressão, dor e temperatura. Pouco se sabe acerca do metabolismo da pele, e assim torna-se difícil avaliar como este tecido pode ser afectado pela massagem. A observação clínica demonstra que, em seguida à massagem efectuada a uma parte do corpo previamente engessada durante algumas semanas, pode ser notada uma melhoria, definida na textura e aspecto da pele. Se a pele ficou com aderências aos tecidos subjacentes e se ocorreu formação de tecido cicatricial, aplicam-se movimentos de fricção e tensão com o propósito de conseguir um afrouxamento mecânico dos tecidos aderidos, bem como para o amolecimento de cicatrizes.

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Como a pele se adelgaça e perde elasticidade ao longo da vida, a massagem tem duas vantagens: aumenta a circulação, “alimentando” a pele com nutrientes orgânicos, e amacia-a, pelo uso dos óleos. A massagem e os óleos essenciais ajudam a cicatrizar úlceras e outras situações que podem surgir com a idade. O uso de uma quantidade excessiva de creme de massagem ou óleo na pele, pode colmatar a porosidade natural da pele e diminuir significativamente a sua função “respiratória”.

3.10. Efeitos no Tecido Conjuntivo
As conclusões obtidas de um estudo hospitalar com 75 mulheres sofrendo de Síndrome PréMenstrual (SPM) em que estas foram submetidas a duas sessões semanais de Massagem do Tecido Conjuntivo durante 3 ciclos menstruais, como proposta terapêutica não medicamentosa, produziu diminuição no “score” médio de dor ao longo do tempo de tratamento e após o seu término, além de redução da proporção de mulheres que usaram analgésicos. Assim, o estudo atribui um efeito positivo à Massagem do Tecido Conjuntivo, como terapêutica alternativa à medicamentosa para mulheres com dismenorréia.

3.11. Efeitos no Tecido Adiposo
Alguns pesquisadores investigaram que após aplicarem uma massagem vigorosa em certas áreas da parede abdominal em animais, de forma tão intensa, o suficiente para causar pequenas hemorragias, efectuaram uma análise microscópica às áreas massajadas e às áreas não tratadas, mostrando que não há mudança no tecido adiposo de ambas. Krusen sustentava que as tentativas de redução dos depósitos localizados de gordura são inúteis.

4. Efeitos Psicológicos
EFEITOS PSICOLÓGICOS
         

Relaxamento físico Alívio da ansiedade e do stress Estimulação da actividade física Alívio da dor Estímulo Sexual Sensação geral de bem-estar Aumento da auto-estima Fé Optimização da vitalidade Acção harmonizante e reguladora

Fig. 4 – Resumo dos efeitos Psicológicos da Massagem
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Muitos dos efeitos fisiológicos da massagem descritos anteriormente têm um componente psicológico significativo. A atenção concentrada do terapeuta para com o paciente, combinada com a sensação física agradável, frequentemente estabelece uma relação de confiança, e o paciente sente-se à

vontade para revelar os seus problemas, preocupações, e factos sobre sua saúde que ele pensava serem mínimos para contar ao médico. O terapeuta deve agir como ouvinte e guardar toda a informação revelada como confidencial. Deve ser cuidadoso em prevenir que se crie muita dependência do seu relacionamento e deve aconselhar o paciente a revelar ao médico todos os factos sobre a sua saúde.

4.1.

Relaxamento Físico

O conceito de relaxamento não é principalmente físico. É, na verdade, tanto fisiológico quanto psicológico. Para que os músculos relaxem é necessário um esforço consciente do paciente para "se soltar". Técnicas de massagem apropriadas podem contribuir para este processo. A massagem faz “respirar” corpo e mente – dá-lhes tempo para se relaxarem e descontraírem. Quem não se preocupa dorme melhor e e consegue viver a vida com mais equilíbrio, o que ajuda a enfrentar os problemas.

4.2.

Alívio da Ansiedade e do Stress

Quando o indivíduo reage a uma situação aflitiva, as hormonas do stress invadem-no, os músculos ficam tensos, a respiração acelera-se e os batimentos cardíacos aumentam. Sem actividade intensa para eliminar as hormonas do stress, o organismo sofre, surgindo irritabilidade, fadiga, insónias, depressão, dores nas costas, cefaleias, ansiedade, indigestão e tensão alta. À medida que a massagem promove relaxamento, também ajuda a reduzir a ansiedade e tensão, porque permite um desligamento psicológico dos problemas diários. Para diminuir a ansiedade, a massagem é melhor que a maior parte das actividades físicas. Em 1988 investigadores na North Texas State University, EUA, compararam os efeitos relaxantes de vários desportos com 30 minutos de massagem e concluíram que só caminhadas rápidas igualam esta.

4.3.

Estimulação da Actividade Física

Certas técnicas de massagem são bastante estimulantes, produzindo uma forte sensação de revigoramento.

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4.4.

Alívio da Dor

A percepção da dor é em grande parte um conceito psicológico. Tem importantes substratos fisiológicos, mas há necessidade da mente consciente para que haja percepção da dor. Ferrell-Torry & Glick (1993) investigaram que a massagem pode modificar a ansiedade e a percepção de dor em pessoas com cancro. Este tópico está mais desenvolvido no ponto 3.6.

4.5.

Estímulo Sexual

É tanto um processo psicológico, como físico: a estimulação sexual ocorre na mente. Certamente, a estimulação periférica ajuda, mas todo o processo não é apenas uma simples acção reflexa.

4.6.

Sensação Geral de Bem-estar

Há indícios cada vez maiores de que a saúde física e mental são inseparáveis e de que a massagem acalma o espírito, ao relaxar o corpo. Alivia o esforço duma atenção constante induzindo uma sensação de bem-estar no paciente. Um estudo de Weinberg & Kolodny (1988) investigou a relação entre o exercício, a massagem e o aumento da disposição. Os pesq uisadores concluíram que a mas sagem relacionou-se consistentemente ao aumento de humor positivo transitório e ao bem-estar psicológico.

4.7.

Aumento da Auto-Estima

A massagem ajuda também a combater a depressão. Muita gente concordará com este testemunho: “ A massagem fortaleceu-me a confiança e deu-me o apoio que precisava. É formidável ser tocada, acarinhada e sentir-me valorizada. Levou-me a interessar-me outra vez por mim mesma.”

4.8.

Fé Generalizada na Deposição das Mãos

A ideia de que a cura pode ser facilitada pelo toque no paciente é, certamente, muito antiga e comum a muitas culturas antigas. Se o acto de tocar uma pessoa faz com que esta pessoa acredite que irá ocorrer a cura, então não é demasiadamente difícil imaginar que a cura poderá, de facto, ocorrer.

4.9.

Optimização da Vitalidade

Os pacientes afirmam que depois de uma massagem se sentem mais optimistas, tranquilos e revitalizados. Só o prazer da massagem pode ser por si só um factor de protecção, ajudando-nos

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a “vacinar” contra as doenças. Sgundo o Dr. Warburton, Director de Psicofarmacologia na Reading University, Inglaterra “acontecimentos agradáveis têm um efeito protector que dura dias”. Nos EUA, investigadores avaliando a função imunitária, concluiram que pessoas com boa disposição são mais saudáveis do que as outras.

5. Efeitos terapêuticos principais
Neste momento, já devem estar evidentes os efeitos terapêuticos da massagem, visto serem baseados nos efeitos mecânicos, fisiológicos e psicológicos desta técnica, e descritos anteriormente: relaxamento (local e geral), alívio da dor, aumento da amplitude dos movimentos das articulações e membros, estimulação da circulação sanguínea e linfática e facilitação da cura. Esta tabela indica os efeitos associados aos movimentos específicos, visto ser óbvio que manipulações diferentes promovem efeitos diferentes.

MOVIMENTOS Effleurage Alisamento Rolamento da pele Amassamento Torcedura Beliscamento Percussão Cutiladas Pancadas Palmadas Vibrações Agitações Fricção profunda

EFEITOS Estimulação da circulação linfática e sanguínea superficial; mobilização da pele e dos tecidos subcutâneos, promoção do relaxamento local e geral; alívio da dor. Mobilização do tecido muscular; estimulação da circulação mais profunda; promoção do relaxamento; alívio da dor. Estimulação da actividade muscular e da circulação profunda.

Mobilização e remoção das secreções pulmonares. Mobilização e alívio da dor em tendões; músculos, ligamentos e cápsulas articulares.

Fig. 5 – Quadro-Resumo dos efeitos terapêuticos dos vários tipos de movimentos usados na massagem sueca sobre os tecidos moles

14 - E f e i t o s T e r a p ê u t i c o s d a M a s s a g e m

Maria Sofia Fonseca Santos

6. Conclusão
Pode não haver dúvida de que a massagem tem muitos efeitos mecânicos, fisiológicos e psicológicos a oferecer, e nem pode restar qualquer dúvida de que a massagem tem muitas aplicações terapêuticas. Apesar da tecnologia cada vez mais sofisticada, a arte antiga da massagem provavelmente ainda terá um papel importante no século XXI e por muito tempo depois. Parece-nos extremamente improvável que qualquer máquina venha algum dia a substituir a sensibilidade e o poder das mãos humanas treinadas que trabalham em contacto com outros seres humanos. A actual popularidade dos diversos conceitos da saúde holística provavelmente também irá assegurar que a massagem continuará a ser uma prática terapêutica popular no futuro previsível.

7. Bibliografia

BIENFAIT, M., 1989. Fisiologia da terapia manual. Editora Summus FILHO, BLAIR, J.R., 2002. Massagem Neuromuscular. In site: www.wgate.com.br FRITZ, S., 2000 Fundamentos da Massagem Terapêutica. Ed. Manole http://www.fisiozone.com site de Fisioterapia e Reabilitação MAXWELL-HUDSON, 1999. Massagem – Guia Ilustrado Completo. Livraria Civilização Editora, 168 pp. NAMIKOSHI, T., 1992. o LIVRO COMPLETO DA Terapia Shiatsu. Ed. Manole., 269 pp. REIS, CONCEIÇÃO A.S., 2005. O efeito da massagem do tecido conjuntivo em mulheres com dismenorreia primaria, Faculdade de Ciencias Medicas, dissertação de mestrado. WOOD, E.C. & DOMENICO, G.D., 1998. Massagem de Beard. Editora Manole TAVARES, A.M., 2004. Os efeitos da Massagem. In site: http://br.geocities.com

E f e i t o s T e r a p ê u t i c o s d a M a s s a g e m - 15

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