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Fredric Jameson e o new historicism: uma forma narrativa pós-moderna

Esta proposta de trabalho tem o objetivo de compreender a percepção de new
historicism do crítico literário norte-americano, Fredric Jameson. Este autor examina o
chamado “novo historicismo” sob o viés do (também) crítico literário Stephen Greenblatt,
no polêmico livro Renaissance self-fashioning (1980), obra em que o segundo autor
elabora uma crítica ao “historicismo” e seus critérios de cientificidade. Neste sentido,
tentaremos estabelecer um diálogo com a leitura jamesoniana acerca dos escritos de
Greenblatt e seu suposto a-criticismo que na ótica de Jameson emana da ausência dos
critérios de imanência e transcendência como partes integrantes do relato histórico e das
possíveis filosofias e teorias da História.
Um dos trabalhos que contribuem para pensarmos a percepção do historicismo e
sua contribuição para a teoria e metodologia da História é o trabalho de Reinhart Koselleck
e a metodologia empregada por meio da historicidade dos conceitos, em especial de
Modernidade, o qual possibilita problematizar as filosofias da história e o método
historicista – focado na especificidade do evento e objetividade metodológica –, o qual
sofreu críticas, e por vezes foi deturpado pela historiografia francesa. Esta discussão é
relevante para debatermos os lampejos anti-teóricos de Greenblatt a partir de uma
redução da ideia de “historicismo” e do processo de valorização exacerbada da forma, em
detrimento do conteúdo sob um viés foucaultiano, conforme argumentado Estevão C. de
Rezende Martins. Para Jameson, estes impulsos excessivamente “negativativistas” às
teorias e filosofias da História são aporias do pós-modernismo e uma crise de
representação do sujeito ao visualizar o passado.
Esta discussão é relevante na medida em que problematiza os rumos da pesquisa
histórica, o legado de algumas das faces do “historicismo” e a cultura histórica no pós
linguist turn. Em outras palavras, o debate elaborado por Jameson (ainda que um autor
sem formação na disciplina histórica) pode contribuir para os debates acerca das
possibilidades e limites da narrativa histórica e, assim, da Teoria da História
contemporânea.