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Keila Linhares Alves

Luiza Valduga
Renata Guimarães Machado
Samantha Francesquet Gowacki

A nutrição e a imposição da imagem perfeita

Projeto de pesquisa apresentado ao


professor Antônio Henriques, pelas
alunas do 1º ano de Nutrição, para
obtenção parcial de nota bimestral.

Guarapuava
2007 – 2° Semestre
A Nutrição e a imposição da imagem perfeita

Keila Linhares Alves*


Luiza Valduga**
Renata Guimarães Machado***
Samantha Francesquet Gowacki****

RESUMO
Abordamos neste artigo os transtornos alimentares (anorexia nervosa e bulimia) que
resultam da influência da mídia sobre as pessoas e seu ideal de beleza em relação à
estrutura física de seus corpos, para discutir as conseqüências dessa influência e
analisarmos seu resultado na sociedade contemporânea.
Visando principalmente a área de Nutrição, para que os profissionais desse ramo
tenham um maior esclarecimento sobre esse assunto.

Palavras chave: Anorexia Nervosa; Bulimia; Transtorno alimentar; Nutrição; Mídia.

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* Acadêmica – UNICENTRO. *** Acadêmica - UNICENTRO


Acadêmica do 1° ano do curso de Nutrição Acadêmica do 1° ano do curso de Nutrição
Universidade Estadual do Centro Oeste – PR Universidade Estadual do Centro Oeste - PR
keilalinhares@msn.com renatabio12@yahoo.com.br

** Acadêmica – UNICENTRO. **** Acadêmica - UNICENTRO


Acadêmica do 1° ano do curso de Nutrição Acadêmica do 1° ano do curso de Nutrição
Universidade Estadual do Centro Oeste – PR Universidade Estadual do Centro Oeste - PR
xx_luh_xx@hotmail.com samanthafacul@yahoo.com.br
1 – Introdução
Vivemos em um mundo globalizado, onde os meios de comunicação evoluem
constantemente, muitas vezes até mais rápido do que podemos acompanhar, isso porque
se hoje for a uma loja e comprar, por exemplo, o último lançamento em televisões,
amanhã essa televisão estará ultrapassada.
Com toda essa evolução as pessoas também passaram a ter muito mais acesso
aos meios de comunicação e, ao mesmo tempo, passaram a desejar tudo o que viam e
ouviam neles, incluindo os corpos “perfeitos”, a beleza incomparável e a felicidade
transmitida junto com toda essa beleza.
Sempre, desde que se tem conhecimento da existência da raça humana, e
principalmente da vivência do homem em sociedade as pessoas buscaram ficar bonitas,
chamar a atenção de seus atuais ou futuros parceiros, isso é uma questão de instinto, de
necessidade para a procriação e continuidade da espécie humana.
Antigamente, quando as notícias não corriam tão rápidas, e os meios de
comunicação não eram tão evoluídos, por mais que as pessoas desejassem ser belas elas
não cometiam atrocidades por isso, e também não descriminavam quem não fosse belo.
Não havia um padrão ditado, as pessoas aceitavam sua raça, suas características e as
características de seu povo ou do lugar onde se encontravam.
Através dos meios de comunicação, a sociedade impõe um padrão de beleza
perfeito, e esse padrão é magro! Com algumas exceções de mulheres com seios fartos,
quadris largos e cintura fina e homens musculosos, porém esse padrão com poucas
formas são de pouquíssimas pessoas. O padrão mais visto e mais difundido por
conseqüência, o mais seguido, é do das pessoas bem magras, com manequim 36.
Com a imposição dessa imagem perfeita pelo meio de comunicação, muitas
pessoas, em busca dessa imagem, passam utilizar os mais diversos e imagináveis meios
para, principalmente, emagrecer, esquecendo-se, ou melhor, deixando de lado a saúde.
Para isso passam a realizar regimes restritivos, cirurgias de todos os tipos e
muitos ainda malham incansavelmente, prejudicando sua musculatura e sua estrutura
óssea. Em razão de todas essas influências dos meios de comunicação, dessa busca
incontrolável pela imagem perfeita, das loucuras cometidas nessa busca, muitos
sacrificam suas vidas.
Diante deste quadro, o presente trabalho visa servir como um alerta à sociedade,
e principalmente às pessoas que trabalham e estudam na área da Nutrição, para que em
sua prática profissional saibam como trabalhar com as pessoas que fazem qualquer coisa
pela imagem perfeita. E, assim, consigam ajudá-las a ter além de beleza, uma vida
saudável.
Assim, demonstrando a evolução dos meios de comunicação, e sua influência na
imposição da imagem perfeita, e expondo as conseqüências e os riscos dessa busca pela
imagem perfeita, tentamos relacionar esses dois pontos.
2 – A influência da Mídia.
A mídia consegue ter uma influência tão grande na mentalidade das pessoas e
nas suas opiniões, que é normal ver pessoas querendo ser como as modelos e atrizes
magras, ou até mesmo desnutridas.
O problema é que essa insatisfação com o corpo e essa idealização da magreza
faz com que muitas pessoas adquiram transtornos alimentares, como a anorexia e a
bulimia. Infelizmente, as pessoas que possuem essas doenças, ou não sabem que as tem,
ou as tem porque querem, como um “estilo de vida”.
Mas o que leva essas pessoas a idealizar tanto assim a magreza? Será que não é a
nossa sociedade que faz com que elas se sintam tão deslocadas e fora do normal? A
sociedade impõe um padrão de beleza, e é esse padrão que é refletido nos meios de
comunicação. Nós não vemos propagandas de cerveja com mulheres com alguns poucos
quilos a mais do que o padrão imposto, e quando vemos alguma propaganda com
mulheres obesas ou um pouco acima do peso é sempre para vender produtos
emagrecedores, aparelhos de ginásticas ou até mesmo roupas que disfarçam as gorduras,
e para incentivar o consumidor colocam mulheres bem magras e dizem que se
comprarmos aqueles produtos, ficaremos iguais a elas.
Essa situação encontrasse muito bem ilustrada e explicada pelo trecho do texto
“Eles gostam de celulite” a seguir: “Uma campanha publicitária a certa clínica estética enche as
ruas de Lisboa com cartazes exibindo a foto de uma jovem, alta,
magra, bronzeada, de longos cabelos dourados mexidos pelo
vento, biquini preto, saltos agulha, óculos escuros, acompanhada
por um dos seguintes slogans: “Perca peso, ganhe saúde” ou
“Eles não gostam de celulite”.
(...)
O discurso publicitário considera-se amoral. Pela minha parte,
considero-o, frequentemente, imoral e, acrescidamente, bestial.
Esta campanha publicitária, em particular, é um bom exemplo
disso. Veicula preconceitos, estereótipos, discrimina e engana. É
muito má. É um exemplo do pior que se pode fazer em
publicidade.
A imagem do outdoor apela ao que há de mais negativo no culto
do corpo; a imposição da imagem de série. A negação do DNA.”

Depois de todas essas investidas para que as pessoas emagreçam, ainda colocam
programas de conscientização contra os transtornos alimentares. Mas como a mídia quer
que essas pessoas percebam que estão doentes, se essa mesma mídia é a que impõe que
elas sejam magras? Até mesmo as agências de modelo, que para o público condenam a
prática da anorexia e da bulimia, para contratarem suas modelos exigem delas um peso
quase sobre-humano, extremamente magro.
3 – A pesquisa de campo
Foi feita uma pesquisa via internet com pessoas que participam de comunidades
sobre anorexia nervosa e bulimia no site de relacionamentos [http://www.orkut.com].
Analisando as respostas obtidas através da pesquisa, entendemos que a busca pela
magreza, depois de certo tempo se torna obsessiva, fazendo com que as pessoas que
fazem essa busca tenham várias complicações de saúde, e mesmo assim continuem
nesse caminho.
Para melhor ilustrar esse problema iremos colocar algumas das conversas que
tivemos, mostrando a gravidade desse problema. A pedido das pessoas que participaram
da pesquisa não os identificaremos a seguir.
Esta foi a mensagem que o grupo enviou para essas pessoas: “Estudamos na
UNICENTRO (universidade estadual do centro-oeste do PR) e estamos fazendo uma
pesquisa sobre a IMAGEM PERFEITA, te achamos na comunidade de Anorexia e
gostaríamos de saber o que é a imagem perfeita pra você? O que te faz querer ser assim
(magra/magro)? Você tem medo de morrer? Tem algum acompanhamento nutricional
ou psicológico? Se puder responder, me adicione para poder mandar a resposta por
depoimento, que eu salvarei e manterei sua identidade anônima!
Obrigada.
:*”
Algumas das respostas foram bastante perturbadoras, e nos mostraram como
esse problema é realmente sério. Aqui vou colocar apenas uma que nos deixou bastante
chocada em ver como a vida para essas meninas e meninos vale tão pouco.
“Dra. Anna OFF: Não me importo de responder perguntas para sua
pesquisa e esse profile já é anônimo. Já fui enorme, bem, peso saudável na
verdade, e penso que o mundo nos faz ser magra. A magreza está em todos
os lugares, presente com agente! As modelos a nossa volta... Gordas se
sentem mal, entram em depressão, choram as escondidas , são desprezadas e
ao fazer uma dieta e ficar obsessiva, sentimos que temos poder sobre 1 coisa
vital. Nosso corpo. Como eu quero ser?
Comecei querendo ser Juliana Paes, depois, como a Anna Hickman, agora
só queso ser um osso, chegar a um IMC 14,13,12! Sei que um dia tudo vai
acabar, mais quero que está experiência seja intensa, profunda. Sei que um
dia vão descobrir, de uma forma ou outra, mais quero sair como forte. Sim,
escravas, admito, mais da beleza. O que o mundo seria sem a beleza? Sei
que nem sempre foi belo pra mim ver modelos anoréxicas mais agora eu
acho lindo, e nada mais tem sentido. A anna* eh a minha amiga,
companheira. Quando estou nervosa, admito que nem eh por comer, mais
enfio o dedo na guela e me sinto melhor. Assim , controlo um pouco minhas
emoções. Espero sorte na pesquisa princess mais não seje contra nós, um dia
talvez você saiba como eh prazeroso um estomao vazio, a dor de um Nf**...
Bjo
Soh qm morre é qm perde o controle e o objetivo eh ganhar controle, mais
não. A morte faz parte, e eh melhor morrer felz que viver triste
E depois da Anna fiquei mais feliz.”.
Como pode ser observada nesse depoimento, a menina não tinha mais um
controle sobre as suas ações, o que ela entendia como controle do seu corpo, era na
verdade uma perda dele, porque ela se tornou realmente escrava dessa doença.
4 – Conclusões
O problema de transtorno alimentar é conseqüência da influência que a mídia
possui na mentalidade das pessoas, o que se percebe na pesquisa de campo, é que a
maioria das pessoas que querem ser modelos e que o são, sabem que possuem esses
transtornos, e muitas querem sair, mas não querem recuperar o peso. E algumas até
consideram isso como um aliado, como se apenas essa doença lhe entregasse a
felicidade.
A mídia tem um papel fundamental nessa situação, e acreditamos que esse
quadro pode sim, ser revertido com programas de conscientização, mas só depois que
todas as propagandas e o sistema de mídia tiverem uma renovação de valores,
colocando a vida em primeiro lugar e depois a beleza.

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* expressão que se refere à doença chamada de Anorexia Nervosa.


** No food – quando passa dias sem comer nem ao menos uma fruta.
REFERÊNCIAS

MARQUES, Dayse. “As Vênus contemporâneas”.


<http://www.polemica.uerj.br/pol18/cimagem/p18_dayse.htm> Acesso em 20 de Abr.
2007, às 10:43.

MOIN, Cíntia Renata. “Transtornos alimentares e padrão de beleza”


<http://www.redepsi.com.br/portal/modules/smartsection/item.php?itemid=354>
Acesso em 20 de Abr. 2007 às 11:03

MOTTA, Mauren “A beleza real da comida”.


<http://mmottadedentroprafora.blogspot.com/> Acesso em 20 de Abr. 2007, às 10:57.

SERRA, Giane Molinari Amaral; DOS SANTOS, Elizabeth Moreira. “Saúde e mídia na
construção da obesidade e do corpo perfeito” <http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S1413-81232003000300004> Acesso em 20 de Abr. 2007, às
10:24