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POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ

DIRETORIA DE ENSINO

ACADEMIA POLICIAL MILITAR DO GUATUPÊ

ESCOLA DE FORMAÇÃO DE OFICIAIS

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, PR


2003
2

KARINE RAMOS DA ROSA BELLON

CONFRONTOS NOTURNOS

Trabalho didático apresentado ao


Curso de Formação de Oficiais
em virtude de Escala de Missões
Específicas.

Instrutor: Sr. 2º Ten LUCIANO


CORDEIRO

SÃO JOSÉ DOS PINHAIS, PR

2003
3

ÍNDICE

KARINE RAMOS DA ROSA BELLON...................................................................................2


CONFRONTOS NOTURNOS.........................................................................................................2
Trabalho didático apresentado ao Curso de Formação de Oficiais em virtude de Escala de
Missões Específicas...........................................................................................................................2
INTRODUÇÃO..........................................................................................................................4
CARACTERÍSTICAS DOS CONFRONTOS NOTURNOS....................................................5
O PREPARO............................................................................................................................5
A IMPORTÂNCIA DA LANTERNA........................................................................................8
AS 5 TÉCNICAS........................................................................................................................9
CONCLUSÃO..........................................................................................................................11
ANEXO.....................................................................................................................................12
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................13
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INTRODUÇÃO

Se for perguntado a muitos policiais, quantas vezes eles exercitam o tiro em


condições adversas de tempo, espaço e iluminação, poucos responderão
afirmativamente a esta questão. Infelizmente, o fato se deve ao erro cometido por
aqueles que são responsáveis por ensinar os homens a sobreviver em embates
armados. Isto, refere-se a instrutores despreparados, que e constituem uma minoria,
mas que comprometem, no fim, a imagem dos colegas que são bons instrutores.

Provavelmente, eles desconhecem, por exemplo, que grande parte das


situações envolvendo o uso de armas de fogo contra delinqüentes ocorre sob as
piores condições de iluminação. Isto porque 80% delas acontece no período
noturno, ou no diurno, mas com lugar em ambientes de visibilidade dificultada.

Talvez ignorem ainda a realidade e um país com problemas econômicos,


que não permite dotar seus policiais de óculos especiais de visão noturna,
conhecidos como “night vision goggles”- sejam eles de Sistema Ativo ou de Sistema
Passivo, de aproveitamento de luz residual.

Por estas razões, o assunto merece uma atenção especial, uma vez que
preparo técnico e tático do homem da lei tem uma importância fundamental para que
sua estrutura de defesa não seja comprometida.
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CARACTERÍSTICAS DOS CONFRONTOS NOTURNOS

Geralmente, os efeitos físicos e psíquicos provocados pela escuridão dão


características específicas às operações noturnas. A compreensão destes efeitos
psicofísicos é a chave para a sobrevivência nestas ocasiões.

A escuridão aumenta o medo e a sensação de mau presságio, em efeito que


normalmente seria sobrepujado, através do desenvolvimento da sensação de se
pertencer a uma equipe, de que não se está sozinho, mesmo quando isso não
represente a verdade. A capacidade de atuar bem em operações noturnas está
diretamente relacionada com a confiança nas próprias habilidades apuradas durante
o treinamento.

Aspectos físicos também devem ser considerados à noite, enxerga-se


através de células que são denominadas “bastonetes”. Existem poucas destas
células na área central dos olhos.

Assim, há imagens que tendem a desaparecer, aquelas que no escuro são


observadas diretamente, porque você está usando o centro de seus olhos. O
conveniente é, portanto olhar a área periférica do objeto pretendido.

No escuro, a noção de distância dica distorcida. Pequenos objetos parecem


figurar longe, os maiores dão impressão de estar perto e alguns outros poderão se
tornar totalmente invisíveis. Também objetos brilhantes parecerão estar mais
próximos que os opacos.

À noite, a audição fica mais apurada, provavelmente porque a concentração


aumenta, mas também porque há menos ruídos de fundo. Além disso, por ser frio e
mais úmido, o ar noturno conduz melhor o som. São detalhes para os quais a
maioria das pessoas não atenta, como a importância do uso de sentido do olfato,
que pode trazer benefícios ao policial. Quando a circunstância o exigir, o
fundamental é ater toda concentração ao odor.

O PREPARO

Para treinar um homem, com objetivo de melhorar seu desempenho num


determinado tipo de habilidade, nada melhor que colocá-lo sob as mesmas
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condições que encontrará na realidade. Em relação ao tiro noturno, o critério é valido
também: é necessário preparar o policial em precárias condições de visibilidade.

Uma boa maneira de simular situações desse tipo, na hipótese de não haver
um estande fechado, ou mesmo se esse estande não oferecer possibilidades de
variar a intensidade da luz, é fazer com que o atirador use óculos similares àqueles
utilizados por nadadores e esquiadores, mas que já tenham muito tempo de uso –
riscados e avariados o suficiente para prejudicar a visão.

Esse recurso é valioso porque facilita muito o acompanhamento que deverá


ser feito pelo instrutor. É ele, com campo visual limpo, quem corrige o aluno e o
mantém a salvo dos possíveis acidentes durante um treinamento. O grau de
dificuldade se estenderá entre todos os atiradores, o que não se pode garantir
quando a sessão se desenvolve à noite, em um estande aberto, com variações na
intensidade da luz.(v.Fig1, pág. )

Adicionalmente, o uso do óculos permite que o instrutor ministre suas aulas


durante um período normal de expediente. Isso pode parecer inócuo, mas num país
em que os policiais geralmente não são bem remunerados, e no qual não é costume
pagar horas extras ou com adicional noturno a seus homens, isto se torna relevante,
pois evitará que o instrutor permaneça após o expediente, à espera do anoitecer, ou
que decida ir embora para casa, retornando posteriormente, à noite.

Implicaria em perda de tempo e gasto desnecessário com transporte. Estes


são os impecilhos à preparação mais adequada de quem se expõe em ações
noturnas, quando o objetivo primordial é dotar o policial de conhecimentos e
habilidades que o tornem apto a agir de acordo com a lei.

Sabe-se, por outro lado, que na quase totalidade dos confrontos noturnos,
sempre existirá algum resquício de luz e, por menor que seja, esse fator terá que ser
bem explorado.

Logo de início, preocupando-se em portar armas dotadas de eficientes


aparelhos de pontaria – aqueles que possuem massa de mira larga (1/8 ou 3/16
polegadas), e pintadas com tinta contrastante (branca, alaranjada, etc.) , e alça de
mira com entalhe suficientemente grande para que, após o enquadramento da
massa dentro dele, ainda sobrem duas faixas laterais de luz.
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Um aparelho de pontaria que atenda a essas especificações será vital em
operações à noite ou em locais fechados. Alguns instrutores, como Timothy John
Millin, defendem a idéia de que o remédio mais comum para atuar em condições
pobres de iluminação, é partir para o tiro instintivo.

Outros não pensam dessa forma e alguns, como Massad F. Ayoob, chegam
a duvidar da existência do tal tiro instintivo.

Ele considera ficcional falar da manipulação de um objeto mecânico


meramente por instinto. A exceção é o instinto inato, que faz que sejamos capazes
de localizar rapidamente a fonte emissora de algum ruído. Massad cita o exemplo do
recém-nascido que, mesmo sem poder enxergar ainda, volta sua cabeça para o,
local de onde partiu o rumor.

Este sim, segundo ele, é o instinto que mantemos para o resto de nossas
vidas. Nesse caso, é natural que no escuro olhemos diretamente para a fonte
emissora do barulho que captamos eventualmente.

Massad Ayoob sugere a posição isósceles torre como a mais indicada para
situações de pouca iluminação. Nessa posição, o atirador terá seus braços esticados
e numa altura entre o queixo e o peito; procurará travar o pescoço para que gire
junto com o tórax, conforme a necessidade de girar o corpo. Dessa forma, quando
for ouvido algum ruído e a cabeça virar-se automaticamente, sua arma repetirá o
movimento, simultaneamente. Essa técnica funciona bem, não se em situações de
fraca iluminação, já é difícil adotar posições que exijam a realização de muitos
movimentos coordenados, nas situações de extremo estresse.

Aliada a essa técnica proposta por Ayoob, é possível usar uma outra
denominada “Muzzle Flash”. Em termos bastante simples, essa técnica utiliza do
clarão produzido pela chama que sai do cano da arma, quando do disparo, para
iluminar as miras da arma. É como se alguém disparasse um rápido flash de luz à
frente do cano da arma.

Isto fará que, após muito treinamento, o atirador possa estudar o


alinhamento de suas miras, permitindo correções com vistas aos próximos tiros. A
preocupação de manter os olhos bem abertos, durante todo transcorrer da ação, é
vital para o melhor resultado com a técnica. É uma das regras básicas de combate
em locais fechados ou escuros. A utilização do “Muzzle Flash” independe do calibre
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que esteja sendo empregado, como também de ser revólver ou pistola, cano curto
ou longo – prática que provou que, quanto maior o clarão, melhor o resultado,
conquanto se diga que o clarão do disparo cega o atirador. Normalmente, isto não
ocorre com armas de porte.

A IMPORTÂNCIA DA LANTERNA

Certa vez, um instrutor policial perguntou a Massad Ayoob porque ele e


outro mestre, Ray Champman, ensinavam cinco técnicas de uso de lanterna,
quando raros são os policiais que se envolvem em confrontos recorrendo a uma
lanterna. Ayoob respondeu com naturalidade: “É o que indicam as estatísticas
porque também são poucos os policiais que recebem treinamento para saber usar
uma lanterna”.

Da divergência saiu a certeza que a maioria simplesmente não sabe usar, e


Ayoob ressalta que este acessório policial não pode ser descartado. O início de
tudo se dá coma escolha da lanterna ou “flash-light” como os norte-americanos a
denominam.

Deve ser robusta, não muito pesada com um comprimento aproximado de


30 cm e largura de 4 cm, feita de material não oxidante (de preferência alumínio),
dotada de lâmpada potente (normalmente halógena) e, finalmente, seu corpo deve
ter formato cilíndrico.

Todas as exigências visam a sua correta utilização, dentro das cinco


principais funções que são as seguintes: viabilizar o caminho de ida e volta, em
outras palavras, iluminação; identificar positivamente o alvo antes de um disparo;
cegar o oponente enquanto o policial atira; uso como imobilização e condução de
presos, quando não for requerido o uso de força letal; e iluminação do alvo,
permitindo um tiro mais preciso.

É claro que será possível atirar melhor, recorrendo à empunhadura dupla e


sem lanterna, mas, para atingir as finalidades acima, é preciso estar o tempo todo
com o “flash-light” nas mãos. Isso obriga a aprendizagem de técnicas que permitam
atirar bem, apesar da lanterna.
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AS 5 TÉCNICAS

Uma análise rápida sobre as cinco técnicas mais empregadas nos Estados
Unidos: a primeira é a que foi desenvolvida por Mike Harries, um pioneiro em
treinamento para confrontos armados.

No método de Harries, os braços ficam cruzados, ligeiramente dobrados


como a posição Weaver, e as costas das mãos apoiadas uma na outra, o que cria
uma pressão dinâmica que estabiliza a arma.

Essa é uma técnica que proporciona tiros precisos, porém tem algumas
desvantagens. A primeira delas é o recuo da arma não é devidamente controlado,
fazendo que as mãos se separem a cada tiro. Outro inconveniente é que dificilmente
deixa-se ambas as mãos paralelas e, nesse caso, a lanterna sempre ficará mais a
direita que as miras da arma (um problema quando se for atirar em longas
distâncias).

Por fim, uma questão de segurança: é comum ao adotar a posição que o


cano da arma cruze com o pulso da mão que empunha a lanterna, algo muito
perigoso sob estresse agudo.

A segunda técnica consiste em colocar a base da coronha da arma sobre a


lanterna. Pode até oferecer um certo conforto, mas traz novos inconvenientes: a
arma fica mais alta que o facho de luz da lanterna, além de deixar a arma totalmente
à mercê do recuo.

Na técnica que já foi utilizada pelo Federal Bureau of Investigation, e que por
isso recebe a denominação de método FBI, a lanterna de ser segura com o braço
esticado para o lado, à altura dos ombros e ligeiramente a frente de seu corpo,
fazendo que você ilumine o alvo e não seja iluminado por sua própria lanterna.

Além disso, caso o oponente resolva atirar, o fará em direção ao foco da


lanterna. Por várias razões, isso não funciona: a luz da lanterna pode refletir em
paredes ou objetos grandes e iluminá-lo quase totalmente; os marginais também
conhecem a técnica por esse motivo atirarão mas abaixo e à esquerda do facho de
luz; inconscientemente, um braço virado mais para trás iluminará seu corpo; o
método é bastante cansativo, prejudicial em longas ações; e a precisão dos tiros é
muito afetada.
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O método Ayoob é indicado para utilização em distâncias curtas. Consiste
em se unir a base dos polegares, mantendo arma e lanterna paralelas, sendo que
esta última ficará ligeiramente apontada para o alto, atingindo a vista do oponente
com o facho, desde que em pequenas distâncias. O único inconveniente é a sua
limitação quanto à distância, pois a medida que o alvo se afasta, o facho de luz
incide cada vez mais alto, perdendo a sua função.

Apresenta como vantagem o fato de que a lanterna estará sendo


empunhada da mesma forma que ao ser utilizada para iluminação. Também é fácil
unir rapidamente arma e lanterna: permite um controle maior do recuo e a utilização
da posição isósceles torre.

A última técnica é chamado método Chapman, que determina cobrir o tubo


da lanterna com os dedos polegar e indicador, fazendo um sinal como de “OK”.
Sobram três dedos, destinados a envolver a mão que empunha a arma e o
interruptor da lanterna é facilmente acionado pelo polegar.(v.Fig2, pág. )

Há nesta técnica um controle considerável sobre o recuo da arma, o que


proporciona excelente recuperação para o tiro seguinte. Alguns instrutores advertem
que o usuário de mãos grandes ou que utilize uma lanterna muito fina, sofrerá
desvantagem com essa técnica.

O fato é que as coisas funcionam em conjunto, não se podendo analisar


separadamente os itens componentes do método. É necessário escolher
corretamente a lanterna e a arma, pois nenhuma das outra técnicas funcionará
suficientemente bem, se usarmos arma e lanterna de dimensões inadequadas.

Seja qual for a técnica, vale lembrar a dos “três f” – flash, fire e flight (flash,
fogo e fuga), o que significa: iluminar o alvo, identificá-lo, atirar e mudar de posição o
mais rápido possível, tornando a repetir tudo novamente, se for o caso.
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CONCLUSÃO

Extremamente importantes são as técnicas e táticas empregadas em


perseguições a indivíduos armados e em troca de tiros em locais pouco iluminados e
de terreno irregular. A tensão do atirador é ampliada pelo escuro, já que as sombras
parecem aumentar e diminuir adquirindo formas irreais. O silêncio e a escuridão nos
trazem estranhas sensações. Além do que precisamos ter em mente a possibilidade
de se balear, por engano, algum colega, ou de ser baleado por ele; ou mais, de se
balear, também por engano, um inocente.

Por todos esse motivos e também porque é extremamente complicado correr


no escuro em terrenos baldios, com seus buracos, pedras e mato, ou em quintais
com garrafas, baldes e outros obstáculos que podem atrapalhar a ação policial é que
é recomendável o uso de lanternas.

Não depende somente do policial para aplicar as técnicas, mas também,


necessita-se de um bom instrutor, a fim de que não ocorram erros quando as
abordagens forem realizadas.
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ANEXO

Fig1. Atiradores posicionados para confrontar


em local pouco iluminado, dificultando a ação.

Fig2. Treinamento de entrada em


locais fechados e pouco
iluminados, usando técnicas de
uso da lanterna.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DOS SANTOS, Iranil


DOS SANTOS, Itamar. Táticas e Técnicas Policiais – Hunter

The Hunter’s Page – endereço eletrônico