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As fases do desenvolvimento da criança

Frequentemente os pais confundem características transitórias de


determinados estágios do desenvolvimento dos filhos como definitivas.

O período da infância é subdividido em fases ou estágios, cada um deles


com características próprias, durante os quais a criança vê o mundo e
age de modo diferente, interage com as pessoas e o ambiente de forma
diferente e está preocupada com questões diferentes.
Diversas linhas e teorias definem as fases ou estágios do
desenvolvimento infantil, desde as que analisam o desenvolvimento
neuro-psico-motor até aquelas clássicas desenvolvidas por autores
como Freud, Piaget, entre outros.
Em linhas gerais, os estágios mantêm uma seqüência estável, nenhum é
omitido, cada um é uma sequência do anterior e base para o seguinte,
sendo que, apesar de cada fase ter uma idade aproximada durante a
qual deve ocorrer, cada criança tem o seu próprio ritmo. Portanto,
mesmo considerando que a sequência é sempre a mesma (todos
passam por todas as fases), há variações individuais que dependem de
características pessoais, estímulos, etc.
Conhecer as características de cada fase ajuda a identificar o que é
normal e os desvios da normalidade. Assim o hábito do bebê levar tudo
o que estiver ao seu alcance à boca, as crises de brabeza, a
contestação dos limites, a insistência em responder todas as perguntas
com um “não”, vivenciar fantasias, manipular os órgão genitais,
manifestar uma curiosidade insaciável evidenciada pelo insistente “por
quê?”, gostar de fazer coleções, entre tantas outras, são características
transitórias e serão abandonadas na fase seguinte.
Um exemplo da transitoriedade destas características e da confusão
entre a normalidade e o distúrbio é a agitação da criança em torno de
dois anos de idade. De forma equivocada esta hiperatividade, normal e
saudável, é às vezes classificada como distúrbio e algumas destas
crianças até recebem tratamento!
Portanto, aqui o velho ditado “não há mal que sempre dure nem bem
que nunca acabe” é uma realidade. As fases difíceis irão passar com o
tempo, mas ao mesmo tempo a criança cresce, cria asas e voa...

No texto As etapas no desenvolvimento da criança encontra-se uma descrição


das principais características da criança do recém-nascido aos cinco anos de
idade e o texto Sinais de alerta no desenvolvimento infantil destaca marcos
importantes e suas respectivas idades em que devem ocorrer.

Fases difíceis no desenvolvimento infantil

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Se você olha para seu filho e pensa: “quando bebezinho, ele era tão fofinho que eu
tinha vontade de comê-lo. Hoje, eu me pergunto, porque eu não comi?”, é hora de
entender porque certas etapas do desenvolvimento infantil são mais difíceis.

Se o filho está apresentando comportamentos que desafiam a paciência dos pais, pela
freqüência e insistência com que ocorrem, não é de admirar-se que muitas vezes
estes quase percam o controle e fiquem ansiosos para que esta fase seja substituída
por períodos mais tranqüilos.

Nestas fases, na maior parte das vezes, as sugestões não são aceitas. Se os pais
querem ir embora, a criança quer ficar. Se eles dizem que está frio, ela insiste em não
se agasalhar. Além disso, a criança se considera o centro do universo: não há nada
mais importante e urgente do que as suas necessidades, idéias e pensamentos.
Contrariá-la significa a certeza de chuvas e trovoadas.

Nestes momentos os pais estão sendo colocados à prova para estabelecer de forma
justa e equilibrada a permissão para a conquista de uma necessária independência,
sem descuidar-se de impor alguns limites imprescindíveis. Mas conciliar esta relação e
fazer com que ela seja aceita pelo filho é uma tarefa que em certos momentos é difícil
e que exige muita paciência e negociação.

Estas fases se manifestam de forma mais intensa em certos momentos porque estes
são períodos de desequilíbrio no processo de desenvolvimento, durante os quais
muitas características estão alterando-se rapidamente e a assimilação destas
mudanças são difíceis. Elas são típicas da criança em por volta dos dois anos de
idade e no início da adolescência.
Descobrir-se com novas habilidades, saber exatamente o que fazer com elas e até
onde pode ir com segurança, são desafios a serem enfrentados pela criança e pelo
adolescente. Os padrões antigos de comportamento já não funcionam mais,
entretanto, os novos ainda não foram definitivamente consolidados.

Tanto a criança de dois anos como o jovem adolescente estão na busca de mais
independência, procurando caminhos para estabelecer suas próprias identidades.
Quando os pais se conscientizam da necessidade do filho conquistar sua vida própria,
e que para isto alguns períodos difíceis de transição são necessários, terão mais
tranqüilidade para enfrentarem os desafios. E todos, pais e filhos, estarão prontos para
vivenciar novas e mais tranqüilas etapas.

Sinais de alerta no desenvolvimento infantil

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Alguns marcos que sugerem um desenvolvimento normal da criança no primeiro
ano de vida e algumas características que podem alertar sobre a possibilidade de
problemas.
O primeiro ano de vida é um período incrível e surpreendente para quem
acompanha o desenvolvimento de uma criança, porque as mudanças que ocorrem
são rápidas e impressionantes. Nesta fase as pessoas se admiram ao observar
como a criança está constantemente adquirindo novas habilidades e evolui de um
ser extremamente dependente para outro com uma quantidade enorme de
habilidades que lhe permitem movimentar-se e explorar sozinho o ambiente e
relacionar-se com as demais pessoas.. E estas mudanças ocorrem em curtos
períodos, pois uma criança de um mês de idade é bem diferente de outra de 3
meses.
A importância do primeiro ano na formação do indivíduo é algo que está bem
estabelecido. Muitas características futuras serão definidas durante este curto
período e por isso o adequado acompanhamento é fundamental. Todas as
crianças devem ter seu crescimento e desenvolvimento avaliados em serviços de
saúde mensalmente durante o primeiro ano de vida.

A seguir estão relacionados alguns marcos do desenvolvimento normal da criança


no primeiro ano de vida:
Ao completar 3 meses a criança deve sustentar a cabeça, fixar o olhar e seguir
objetos em 180º, sorrir ao interagir com outras pessoas e brincar com as próprias
mãos.
Ao completar 6 meses deve sentar com apoio, firmar membros inferiores quando
colocado em pé e pegar objetos voluntariamente.
Ao completar 9 meses o bebê deve estar sentando sem apoio e ter reações
equilibratórias (quando sentado, apoiar-se com as mãos quando se desequilibra) e
estranhar pessoas desconhecidas.
Ao completar 12 meses deve apoiar-se em moveis e erguer-se, ficar em pé e
caminhar com apoio e pegar objetos pequenos usando os dedos polegar e
indicador.
É interessante observar que engatinhar não é um marco do desenvolvimento
infantil e muitas crianças normais não engatinham. E também que muitas crianças
normais não falam ou andam sozinhas ao completarem um ano de idade. Estes
eventos frequentemente ocorrem nos primeiros meses após completar um ano em
muitas crianças normais.
Quanto aos sinais de alerta, ou seja, que podem sugerir problemas no
desenvolvimento de uma criança e exigem uma avaliação profissional, são:
Ao completar 3 meses ter um olhar apagado, não firmar a cabeça e não sorrir ao
contato com outras pessoas.
Ao completar 6 meses apresentar os membros inferiores contraídos e rígidos, for
muito “paradona” e irritada, ter movimentos raros, lentos, incompletos e sem
direção e ter pouco interesse pelo meio onde se encontra (olhar vazio ou apagado,
acompanhamento ocular descontínuo, pouco interesse pelos objetos).
Ao completar 9 meses não sentar sozinha, ter rigidez de membros inferiores,
ausência de reações equilibratórias, não pegar objetos com as mãos com firmeza,
mãos persistentemente fechadas, pernas entrecruzadas e braços flexionados,
sorriso eventual e débil.
Ao completar 12 meses evidenciar uma exploração do local onde se encontra ou
dos objetos ao seu alcance de má qualidade ou monótona, ser pouco receptiva às
pessoas e muito irritada e ter um sorriso pobre ou imotivado.