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Análise crítica ao Modelo de Auto-Avaliação

das Bibliotecas Escolares.

“This Man Wants to Change your Job.” É sempre um pouco esta sensação
que experienciamos quando nos querem introduzir mudanças na nossa
rotina diária. Mesmo acreditando que as mudanças irão imprimir uma
melhoria, há sempre algum receio ….

Ao ler o título do texto de Mike Eisenberg, achei interessante comparar o


novo modelo de avaliação a alguém que quer interferir na maneira como
funciona a nossa biblioteca.

O autor do texto segue dizendo: “Of course, changing perceptions is


never easy.”

Até há pouco tempo a biblioteca era apenas um espaço agradável, mais


ou menos apetrechado, que desenvolvia algumas actividades para
dinamizar a comunidade para aqueles que quisessem participar. Nos
últimos anos temos assistido a uma mudança de paradigma, pelo que a
reflexão partilhada da escola e, por conseguinte, a avaliação serão
caminhos obrigatórios.

Surge, então, a necessidade de medir o impacto da BE nos resultados


escolares dos alunos. Como nos diz Michael B. “ How can we ensure that
school librarians are central players in our school? “ A BE tem que se
constituir como um núcleo pedagógico. É importante que cada
estabelecimento de ensino conheça o impacto que as acções
desenvolvidas pele BE têm nas atitudes, valores e conhecimento dos
utilizadores, bem como o grau de eficiência dos serviços prestados e da
satisfação da utilizadores.

“How do school Library impact student learning?”, desta necessidade de


avaliação das bibliotecas escolares e de gerir a mudança apareceu,
lançado pela RBE e apoiado em vários estudos internacionais, o Modelo
de Auto-Avaliação das Bibliotecas Escolares.

O Modelo, que à partida parece bastante extenso, complicado e


minucioso, revela-se, a meu ver, um instrumento pedagógico bastante
organizado e estruturado, de fácil leitura e que poderá ser realmente o
motor para constatarmos, reflectirmos, corrigirmos e ajustarmos todo o
trabalho da BE.

Este será um modelo de avaliação, mas essencialmente de formação.


Estou certa que todos nós iremos aprender com a aplicação do Modelo.
Através da sua estrutura detalhada de domínios, indicadores, factores
críticos de sucesso, evidências e acções de melhoria e da sua articulação
com os quatro níveis de desempenho, conseguimos saber exactamente o
ponto em que nos encontramos e o que poderemos fazer para melhorar.

Como sabemos o nível em que a BE se encontra? Através das evidências.


É preciso recolher, avaliar e interpretar as evidências. Antes, quando a BE
realizava uma actividade o mais usual seria escrever um relatório sobre
tal, mas as provas documentais ficavam um pouco esquecidas.

Tal como Ross Todd nos diz “evidence-based practice emphasizes the
actual work of the school librarian, including the creation of local
initiatives that document and demonstrate the individual school library’s
impact as learning outcomes.

A recolha dessas evidências tem que entrar na rotina, tem que se traduzir
num desenvolvimento de práticas sistemáticas do dia a dia – “evidence of
practice is derived from systematically measured…” Se essa não se tornar
uma prática diária será muito difícil a aplicação do modelo. Tudo gira à
volta das evidências, as quais têm que ser de diferentes fontes e tipos.

Depois de compreender o modelo e considerá-lo muito bem concebido


surgem as dúvidas: se a escola não colaborar na aplicação do modelo,
como poderemos avaliar sozinhos? Pessoalmente estou confiante na
colaboração de toda (ou quase toda) a comunidade escolar da minha
escola, mas certamente haverá outras escolas onde a tarefa será mais
dificultada. E o apoio financeiro? Há certas acções de melhoria que só se
conseguirá com financiamentos e se esses não existirem? A avaliação de
BE será prejudicada por factores que nós não controlamos?

O perfil do professor bibliotecário é também essencial no sucesso da


aplicação do modelo, mas carece do envolvimento de toda a comunidade.
O PB (tal como vimos na sessão anterior) tem que ser líder na promoção
desta mudança, mas também colaborativo e criar uma empatia com toda
a comunidade escolar.

Neste momento estou muito optimista em relação à aplicação do modelo,


mas será que tenho a mesma opinião no final do ano lectivo? Só
trabalhando no terreno sentimos as dificuldades, e essas eu ainda não
comecei a sentir.

Tal como comecei com o título de um dos textos da sessão, também vou
terminar com o mote do texto de Ross Todd: ” If School librarians can’t
prove they make a difference, they may cease to exist.” E somos nós,
Professores Bibliotecários, que temos que fazer a diferença nas nossa
Bibliotecas.

Fátima Nunes