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o brasil nas relações internacionais

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O Brasil nas Relações Internacionais Matias Spektor CPDOC A primeira década de século XXI foi marcada por transformações

na posição do Brasil no sistema internacional. O ambiente externo do país é mais complexo hoje que em qualquer período de sua história recente. As mudanças são produto tanto da evolução geral da sociedade internacional quanto da trajetória interna da sociedade brasileira. No plano global, a emergência de temas como governança financeira, comércio internacional, proliferação nuclear, democracia e mudança do clima conferiram ao país maior peso relativo em grandes foros. Somam-se os impactos ainda incertos da profunda crise econômica de 2008 e os severos problemas de legitimidade da ordem global contemporânea. Em âmbito regional, a proliferação de novas instituições e normas, e o acirramento de velhos e novos conflitos, levaram o Brasil a confrontar situações inusitadas. Parte do problema é a ausência de consenso regional sobre os melhores métodos para conectar democracia, crescimento econômico e integração. Internamente, a sociedade brasileira atravessa transformações de fundo que acirraram o debate sobre quão ativista deve ser a política externa e qual direção deve tomar. O debate sobre política externa encontra-se polarizado ao tempo em que o ativismo presidencial em assuntos diplomáticos ganha proporções inéditas. Este cenário impõe desafios e cria oportunidades para o país. O objetivo do curso é estudar os principais temas e dilemas do Brasil nas Relações Internacionais. Esta disciplina faz parte do Diploma de Formação Complementar em Relações Internacionais da FGV e é aberta para alunos das quatro escolas da Casa. Leitura Cada aula é dividida em duas partes. A primeira consiste em uma exposição temática e geral sobre o assunto do dia. A segunda lida explicitamente com o material de leitura programado. Somente assistirão à segunda metade de cada aula os alunos que tiverem lido o material. Avaliação A1: trabalho realizado em casa; A2: prova realizada em sala de aula. Literatura geral e de referência Albuquerque, José G., org., Crescimento, modernização e política externa. Sessenta anos de política brasileira (1930-1990) (São Paulo: Cultura, 1996). Baer, Werner, The Brazilian Economy: Growth and Development, 6th ed. (Rienner, 2009). Bethell, Leslie, ed. 2008. The Cambridge History of Latin America, vol IX.

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Brandford, Sue and Bernardo Kuchinski, eds. 2003. Politics Transformed: Lula and the Workers’ Party in Brazil. London: Latin American Bureau. Cervo, Amado L; Bueno, Clodoaldo, História da Política Exterior do Brasil (UnB, várias edições). Coutinho, Marcelo; Lima, Maria Regina Soares de. A Agenda Sul-Americana: Mudanças e Desafios no Início do Século XXI (Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2007). Danese, Sérgio F., Diplomacia presidencial (Rio de Janeiro: Topbooks, 1999). Damese. Sérgio F., A Escola da Liderança (Record, 2009). Fonseca, Gelson, A legitimidade e outras questões internacionais (São Paulo: Paz e Terra, 1998). Kingstone, Peter and Timothy Power, eds. 2000. Democratic Brazil: Actors, Institutions, and Processes. Pittsburgh: University of Pittsburgh Press. Lessa, Antonio Carlos; Oliveira, Henrique A. (Org.). Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas - Volumes 1 e 2. (São Paulo: Saraiva, 2006). Maxwell, Kenneth, Naked Tropics. 2003. Harvard UP. Vargas Garcia, Eugênio, org., Diplomacia brasileira e política externa: documentos históricos (1493-2008) (Contraponto, 2008). Paiva Abreu, Marcelo, ed., A Ordem do Progresso: cem anos de política econômica republicana (1889–1989) (Rio de Janeiro: Xcampus, 1992). Sites http://mundorama.net/ http://todososfogos.blogspot.com/ http://pedrodoria.com.br/ http://www.mre.gov.br (Seleção Diária de Notícias) http://www.youtube.com/user/MREBRASIL Módulo I Conceitos estratégicos Este módulo investiga os conceitos estratégicos básicos que informam a leitura brasileira do mundo. Para refletir sobre a experiência e comportamento de um país na política internacional é fundamental estudar o arcabouço conceitual que organiza o pensamento de suas elites políticas e diplomáticas. Esses conceitos e suas premissas básicas ajudam a entender as teorias implícitas que guiam o comportamento de um país nas relações internacionais, e ajudam a explicar por que a diplomacia faz o que faz à procura de influência, poder, prestígio, segurança, afluência e cooperação.

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A autonomia Andrew Hurrell, “The foreign policy of modern Brazil”, mimeo. A unipolaridade Celso Amorim. O Brasil e a Ordem Internacional Pós-Golfo. In: Contexto Internacional. Rio de Janeiro, vol.13, n.1, jan/jun91, pp.25-34. Celso Lafer. Reflexões sobre a inserção do Brasil no contexto internacional. Contexto Internacional, Rio de Janeiro, v. 11, n. 11, p. 33-43, 1990. A periferia Samuel Pinheiro Guimarães Roberto Abdenur. A Política Externa Brasileira e o “Sentimento de Exclusão”. In: Gelson Fonseca Jr. e Sérgio Nabuco (org). Temas de Política Externa Brasileira II. São Paulo: Paz e Terra, 1994, p.31-46. A dependência Cardoso, Fernando Henrique and Enzo Faletto. 1979. “Postcriptum”. Dependency and Development in Latin America. University of California Press. A globalização Amann, Edmund and Werner Baer. 2002. “Neoliberalism and its Consequences in Brazil”, Journal of Latin American Studies 34: 945-959. Bresser Pereira, Luiz Carlos. 2009. Developing Brazil: overcoming the failure of the Washington Consensus. Lyenne Reiner. O projeto nacional Celso Lafer, “Brazilian International Identity and Foreign Policy: Past, Present, and Future”. Daedalus, v. 129, n. 2, p. 207-238, 2000. João Marcelo Maia, “The intellectual roots of Brazil’s national project”, mimeo (2009). Leituras do desafio internacional Amaury de Souza. A agenda internacional do Brasil: a política externa brasileira de FHC a Lula. Rio de Janeiro: Elsevier: CEBRI, 2009, p. 1-56.

Módulo II O Brasil na região O Brasil responde por mais da metade da riqueza, território e população da América do Sul. Entretanto, não é uma potência regional tradicional: nem busca impor-se pela força nem promove um sistema altamente institucionalizado com elementos de supranacionalidade. A região, apesar de ser relativamente pacífica, tem enfrentado amplos problemas de caráter inter ou transnacional: pobreza e desigualdade, fragilidade institucional, corrupção, conflitos civis, atividades ilícitas e crime organizado, degradação ambiental, interdependência econômica e financeira e fluxos migratórios. Além disso, o fracasso das negociações sobre a ALCA, somado às crises internas ao Mercosul a partir de 1999 e o avanço de

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outras iniciativas de âmbito regional, como a UNASUL, fazem com que o futuro da integração regional seja incerto. Esta situação tem gerado para o Brasil crescentes dilemas de política externa com repercussões estratégicas, diplomáticas e éticas. O Brasil é uma potência regional? Hurrell, Andrew, ‘Brazil as a Regional Great Power: a Study in Ambivalence’, in Neumann, Iver, ed., Regional Great Powers in International Politics (London: St Martin’s Press, 1992), pp. 16–49. O Brasil é uma potência regional? (II) Burgess, Sean. 2008. “Consensual Hegemony: Theorizing Brazilian Foreign Policy after the Cold War”, International Relations 22 (1): 65-84. Qual é a região do Brasil? Spektor, Matias. 2009. “Idéias de ativismo regional: a transformação das leituras brasileiras da região”, in Revista Brasileira de Política Internacional (no prelo). Módulo III O Brasil e os Estados Unidos Por ser um país com anseios de autonomia que vive sob hegemonia norteamericana, o Brasil vive uma tensão perene entre cooperação estreita com os Estados Unidos e estratégias de distanciamento. A última década assistiu a uma evolução importante nas relações bilaterais que, apesar de positivas, não são particularmente próximas. É claro que não há espaço para uma política de alinhamento aos desígnios americanos, mas quais são os outros modelos de relacionamento possíveis? Andrew Hurrell. O Brasil e os Estados Unidos: reflexões comparativas. In: Mônica Hirst. Brasil-Estados Unidos: desencontros e afinidades. Rio de Janeiro: FGV, 2009, p. 167-229. Módulo IV O Brasil nos organismos internacionais Instituições internacionais são foros privilegiados para a atuação de países como o Brasil. Elas servem como plataformas para que potências emergentes possam exercer alguma influência sobre as relações internacionais. Também facilitam a relação com grandes potências, uma vez que a existência de regras e procedimentos formais podem mitigar em alguma medida a hierarquia de poder, limitando a influência dos mais fortes. Além disso, instituições internacionais funcionam como espaços para que países emergentes possam fazer demandas e revisar as regras existentes do sistema. No caso brasileiro, as instituições internacionais vêm tendo um papel importante como marco no qual o país busca construir novas coalizões. Regimes internacionais Ramalho, Antonio Jorge, “O Brasil e os regimes internacionais”. In: Henrique Altemani de Oliveira e Antonio Carlos Lessa. (Org.). Relações internacionais do Brasil - Temas e agendas. 1 ed. São Paulo: Saraiva, 2006, v. 2, p. 75-124.

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Conselho de Segurança das Nações Unidas Vargas, João, “Persuadir e Legitimar: a argumentação brasileira em favor da reforma do Conselho de Segurança”, Cena Internacional, 119-138, vol. 10, n. 2, 2008. Organização Mundial do Comércio Abreu, Marcelo de Paiva. . The G20 Agenda, Trade, and the Developing World'. In: Carolyn Deere Birkbeck e Ricardo Meléndez-Ortiz. (Org.). Rebuilding Global Trade: Proposals for a fairer, more sustainable future. : GEG - ICTSD, 2009. Abreu, Marcelo de Paiva. O Brasil e o Gatt: 1947-1990. In: ALBUQUERQUE, J.A.G. (org.). Sessenta Anos de Política Externa Brasileira: Diplomacia para o Desenvolvimento. São Paulo: Cultura Editores Associados, 1996. Módulo V O Brasil e as novas normas internacionais Durante a década de 2000 o Brasil adaptou-se a novas normas internacionais, procurou moldá-las em benefício próprio ou buscou resisti-las. Em muitas instâncias ainda há tensões não resolvidas entre essas normas e o comportamento brasileiro. Tome-se, por exemplo, a atitude brasileira em relação ao regime global de não-proliferação, que deu uma guinada dramática, indo da dura oposição brasileira ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) para a adesão em 1998. A noção emergente passou a ser a de que mudanças no sistema internacional, no caráter do regime de não-proliferação e na política nuclear brasileira favoreciam não só a participação plena do Brasil, mas sugeriam também que o país adotasse uma posição ativista sobre a questão. O Brasil é visto como um dos atores-chave para o sucesso de qualquer acordo global sobre mudança do clima. Sua atitude na mesa de negociações apresenta variações significativas nos últimos anos, embora a ênfase continue recaindo no vínculo entre proteção ambiental e desenvolvimento, a reafirmação da soberania nacional e a oposição a normas internacionais intrusivas. Assim, a postura do país por vezes aproximou-se de China, Índia e África do Sul. Entretanto, há fatores que pressionam por outro tipo de alinhamento, como os impactos prementes das mudanças climáticas sobre o país e as oportunidades de parceria com países industrializados no desenvolvimento de uma matriz energética alternativa baseada no etanol. Há outras instâncias em que o perfil do país tem sido mais dúbio. A partir de 2004, por exemplo, a diplomacia brasileira passou a articular a noção de “nãoindiferença”, um complemento ao princípio da não-ingerência nos assuntos internos de terceiros países. A idéia ainda tem sido utilizada em casos que incluem situações de conflito, violação de princípios democráticos, demandas de países mais fracos, etc. A tônica é a de uma “solidariedade ativa” do Brasil que adviria tanto das possibilidades abertas pelo crescimento do país quanto pelas responsabilidades que esta posição de primazia evoca. Entretanto, ainda não há precisão quanto ao uso da “não-indiferença” na condução dos negócios internacionais do país.

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Meio ambiente Andrew Hurrell, “Brazil and the International Politics of Amazonian Deforestation”, in A. Hurrell and B. Kingsbury, The International Politics of the Environment (Oxford, 1992), pp. 398-429. Eduardo Viola, “Mitigação da Mudança Climática e Oportunidades para o Brasil”, in Revista Interesse Nacional, 2008, v. 1, p. 46-57. Larry Rohter. Deu no New York Times. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008, p. 280-305 Intervencionismo Seintenfus, Ricardo; Cristine Zanella e Pâmela Marques, “O direito internacional pensado em tempos de ausências e emergências: a busca de uma tradução para o princípio da não-indiferença”, RBPI, 50/2, 2007, Discurso Lula, AGNU, 2004. Discurso Lula, China, 2004. Não-Proliferação Wrobel, Paulo. 1996. “Brazil and the NPT: Resistance to Change?”, Security Dialogue 27 (3) (September): 337-347. Módulo VI O Brasil no século XXI Este módulo estuda o lugar do Brasil nos BRICs e as possíveis conseqüências da atual crise financeira global sobre a trajetória internacional do país. Hurrell, Andrew, Ensaio analítico, in Monica Hirst e Andrew Hurrell, Brasil-Estados Unidos: desencontros e afinidades (FGV, 2009). Hurrell, Andrew, Brasil y la tormenta que se avecina, Foreign Affairs en Español.

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