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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

RESOLUÇÃO DE EXAMES ANTERIORES E TESTES DE CIÊNCIA E SISTEMAS


POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS

Lisboa, em 22 de novembro de 2009

FONTE PRINCIPAL: MANUAL DE CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E


CONTITUCIONAIS – QUID JURIS SOCIEDADE EDITORA – MANUEL PROENÇA DE
CARVALHO

FONTES SECUNDÁRIAS:
v MANUAL DE DIREITO CONSTITUCIONAL - JORGE BACELAR GOUVEIA
v DICIONÁRIO DE POLÍTICA - NORBERTO BOBBIO, NICOLA MATTEUCCI E GIANFRANCO PASQUINO
v CURSO DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO – A. CASTANHEIRA NEVES
v ELEMENTOS DE TEORIA GERAL DO ESTADO - DALMO DE ABREU DALARI
v TEORIA GERAL DO ESTADO – REINOLD ZIPPELIUS
v WIKIPÉDIA

"Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma
com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com
vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a algum bem, é
evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais
que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade
e é a comunidade política" - Aristóteles (Pol., 1252a).

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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

EXAME 2008/2009
I- CARACTERIZE:
ESTADO ABSOLUTO, ESTADO CONSTITUCIONAL E ESTADO SOCIAL DE DIREITO .
Resposta:
"O ESTADO SOU EU", estas são as palavras do Rei Luís XIV, rei da França (1643
e 1715).
Esta frase sintetiza o que é o Estado Absoluto, pois a vontade do soberano se
confundia com a vontade do Estado.
O ESTADO ABSOLUTO também é entendido como uma forma de Governo em que
o detentor do poder (monarca/rei), exerce este poder sem dependência ou controle de
outros poderes, superiores ou inferiores (judicial, legislativo, religioso ou eleitoral, etc), ou
seja, exerce um poder absoluto. Este sistema é monocrático e centralizado (com "poder
ilimitado e arbitrário”). Em outras palavras, o Estado Absoluto é uma absoluta falta de
referências jurídicas, em sentido ocidental.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- A máxima concentração de poder no Rei;
b- O soberano é detentor do poder de fazer, alterar, executar, interpretar e
revogar as leis. Portanto, concentra em sí, os poderes legislativo, executivo e judicial;
c- A votade do monarca é a lei. Sendo que as regras definidoras do poder são
vagas e quase todas não reduzidas a escrito;
d- Não possui a fiscalização ou sanção pelo não cumprimento de quaisquer leis.

O ESTADO CONSTITUCIONAL (no sentido de Estado enquadrado num sistema


normativo fundamental) é uma criação moderna, tendo surgido paralelamente ao Estado
Democrático e, em parte, sob influência dos mesmos princípios. O constitucionalismo, assim
como a moderna democracia, tem suas raízes no desmoronamento do sistema político
medieval, passando por uma fase de evolução que iria culminar no século XVIII, quando
surgem os documentos legislativos a que se deu o nome de Constituição. Com efeito,
embora a primeira Constituição escrita tenha sido a do Estado de Virgínia, de 1776, e a
primeira posta em prática tenha sido a dos Estados Unidos da América, de 1787, foi a
Francesa, de 1789, que teve maior repercussão.
O Estado Constitucional, está fundamentado em três grandes objetivos, que,
conjugados, iriam resultar no constitucionalismo: a afirmação da supremacia do indivíduo,
a necessidade de limitação do poder dos governantes e a crença quase religiosa nas
virtudes da razão, apoiando a busca da racionalização do poder.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Limitação do poder político;
b- Advento de constituições;
c- Separação de poderes;
d- Reconhecimento da existência de direitos do homem;
e- Igualdade jurídica de todas as pessoas;
f- Primado da Lei, sendo o Estado fundado e limitado pelo direito;
g- Aparecimento dos Partidos Políticos;
h- Representação política; e,
i- Proteção da propriedade privada.

O ESTADO SOCIAL DE DIREITO surgiu na segunda metade do século XX, e


representou um avanço assinalável sobre o Estado Liberal do século XIX.
Mas a experiência da sua aplicação prática e as necessidades das sociedades
modernas e dos seus cidadãos, têm-lhe vindo a colocar novos desafios e a exigir o seu
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aperfeiçoamento. O Estado Social nasceu da consciência do valor da solidariedade como


expressão do valor da igualdade de todos os cidadãos no exercício das liberdades
fundamentais. Portanto, vem promover a relevância do bem estar e da justiça social como
fins do Estado, dando a este, uma nova escala de objectivos e funções.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Equilíbrio das clivagens sociais;
b- Estímulos regulativos e materiais do Estado a favor da justiça social;
c- Reajustamento das condições reais prévias à aquisição de bens materiais e
imateriais insdispensáveis ao próprio exercício de direitos, liberdades e garantias pessoais;
e,
d- Estabelecimento de regimes jurídicos em prol do emprego e dos direitos dos
trabalhadores.

II- COMENTE AS SEGUINTES FRASES:


a) A IMPORTANCIA DA CONSTITUIÇÃO NORTE-AMERICANA PARA A CIÊNCIA
POLÍTICA E O DIREITO CONSTITUCIONAL.
b) PESE EMBORA SER INTEGRADA POR ALGUNS TEXTOS ESCRITOS, COSTUMA
AFIRMAR-SE QUE A GRÃ-BRETANHA NÃO TEM NEM UMA CONSTITUIÇÃO
ESCRITA NEM UMA CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO FORMAL.
Resposta:
a. A Constituição dos EUA teve a sua relevante e importantíssima contribuição para a
afirmação do Direito Constitucional e para o desenvolvimento da Ciência Política,
senão vejamos:
Ø É a primeira grande Constituição escrita em sentido moderno;
Ø É a primeira Constituição republicana da era moderna;
Ø É a primeira a consagrar um Estado Federal;
Ø É a primeira a estabelecer um Sistema de Governo Presidencialista, por
influência do sistema de Separação de Poderes;
Ø É a primeira que institui um sistema de Garantia Judiciária da
Constitucionalidade das leis; e,
Ø É a primeira que comporta uma Declaração de Direitos.

b. A Constituição Britânica é consuetudinária, isto é, grande parte das regras sobre a


organização do poder político tem origem nos costumes, o que a constitui na
actualidade um caso único.
Quando se diz que ela não é escrita, quer se dizer que não é um documento
único codificado (em sentido instrumental). Mas ela possui diversos actos
normativos, que foram regulados desde 1215 até a actualidade. A união destes
actos normativos, no seu conjunto, formam a Constituição Britânica. Por ser
formada por diversas leis, o seu processo de modificação (revisão) é mais fácil,
podendo a qualquer altura ser alterada pelo Parlamento, nos mesmos termos de
uma lei ordinária. Por esta razão que é considerada uma Constituição Flexível.
Os actos normativos escritos que dão o arcabouço à Constituição Britânica,
são:
Ø Magna Carta (1215);
Ø Petição de Direito (1628);
Ø Lei de Habeas Corpus (1679);
Ø Declaração de Direitos (1689);
Ø Acto de Estabelecimento (1701);
Ø Acto da união com a Escócia (1707);
Ø Leis Eleitorais (sec. XIX e XX);

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Ø Leis sobre o Parlamento (1911,1949 e 1999);


Ø Estatuto de Westminster (1931);
Ø Lei sobre os Ministros da Coroa (1937, 1946 e 1957);
Ø Leis sobre o Pariato (1958 e 1963); e,
Ø E outras normas.
Portanto, conclui-se que a Constituição Britânica apresenta-se não em
sentido Instrumental, mas sim, em sentido material.

III- DESENVOLVA O SEGUINTE TEMA:


O PRESIDENTE AMERICANO E PRESIDENTE FRANCÊS: POSIÇÃO INSTITUCIONAL,
SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.
Resposta:

EXAME 2004/2005

I- COMENTE:
A FORMA DE GOVERNO DE DEMOCRACIA REPRESENTATIVA É A FORMA DE
GOVERNO DOMINANTE DESDE A I GUERRA MUNDIAL .
Resposta:
DEMOCRACIA REPRESENTATIVA: é o ato de um grupo ou pessoa a ser eleito,
normalmente por votação, para "representar" um povo ou uma população, isto é,
para agir, falar e decidir em "nome do povo". Os "representantes do povo" se
agrupam em instituições chamadas Parlamento, Congresso ou Assembleia da
República.
Enquanto na antiga democracia grega a participação no processo
democrático era limitada a alguns membros da sociedade, na democracia
representativa o sufrágio universal conseguiu quantitativamente garantir a
participação da grande maioria de cidadãos. Porém qualitativamente seus
mecanismos limitam a atuação dos participantes no jogo democrático. A
democracia representativa torna estrutural e permanente uma separação entre
dirigentes e dirigidos.
A Democracia Representativa é a forma de governo dominante no ocidente
desde a I Guerra Mundial.
Traços estruturais:
Ø Legitimidade democrática;
Ø Representação política com sufrágio universal em relação com os
partidos políticos;
Ø O Estado de partidos políticos;
Ø Existência de referendo;
Ø Pluralismo;
Ø Separação de poderes complexa;
Ø Factor político central: os partidos políticos e o sistema de partidos.

II- COMENTE:
O PRESIDENTE AMERICANO E O PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO: POSIÇÃO JURÍDICO-
INSTITUCIONAL, SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.
Resposta:

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III- COMENTE:
SÃO CONHECIDOS VÁRIOS MODOS DE ELABORAÇÃO DE UMA CONSTITUIÇÃO.
Resposta:
Os modos de elaboração de uma Constituição mais utilizados são:

1- PROCEDIMENTO CONSTITUINTE DIRECTO: Com base numa equipa de juristas


conceituados que elabora um projecto de constituição. É publicitado. E depois o eleitorado
vota o projecto. Se houver aprovação popular, este projecto passa a ser a constituição. Ex.:
Constituição Portuguesa de 1933.
2- PROCEDIMENTO CONSTITUINTE INDIRECTO OU REPRESENTATIVO: O eleitorado é
chamado a votar para a escolha e formação de uma assembléia constituinte. A assembléia
constituinte é a responsável pela elaboração de uma constituição. É indirecto, porque o
eleitorado vota para uma assembléia e esta elabora a constituição. Ex.: Constituição de
Portugal 1976.
3- PROCEDIMENTO CONSTITUINTE MISTO: O eleitorado elege a assembléia constituinte. A
assembléia constituinte elabora a constituição. O eleitorado vota esse projecto. Se houver
aprovação popular, este projecto passa a ser a constituição. Ex.: Constituição da 4ª
República Francesa de 1946.
4- PROCEDIMENTO CONSTITUTIVO MONARQUICO: O rei faz o favor de conceder uma
constituição ao povo. Ex.: Carta constituinte de 1826.

TESTE Nº1
I- CARACTERIZE:
CIÊNCIA POLÍTICA, POLÍTICA, FORMA DE GOVERNO LIBERAL E FORMA DE GOVERNO
DE DEMOCRACIA REPRESENTATIVA.
Resposta:
1. CIÊNCIA POLÍTICA - em sentido amplo e não técnico indica qualquer estudo dos
fenômenos e das estruturas políticas, conduzido sistematicamente e com rigor,
apoiado num amplo e cuidadoso exame dos factos expostos com argumentos
racionais. Ciência política, em sentido estrito e técnico, corresponde à "ciência
empírica da política" ou à "ciência da política", tratada com base na metodologia
das ciências empíricas mais desenvolvidas, como a física, a biologia, etc.
2. POLÍTICA - Derivado do adjetivo originado de pólis (politikós), que significa tudo
o que se refere à cidade e, conseqüentemente, o que é urbano, civil, público, e até
mesmo sociável e social. O termo Política se expandiu graças à influência da
grande obra de Aristóteles, intitulada Política, que deve ser considerada como o
primeiro tratado sobre a natureza, funções e divisão do Estado, e sobre as várias
formas de Governo.
A palavra política, hoje, denomina arte ou ciência da organização, direção e
administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da
nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa).
3. FORMA DE GOVERNO LIBERAL – Em ciência política, chama-se forma de
governo (ou sistema político) o conjunto de instituições políticas por meio das quais
um Estado se organiza a fim de exercer o seu poder sobre cada sociedade.
Observa-se o modo como se estrutura e exerce o poder político, estudando os
aspectos como a legitimidade, representação política, o pluralismo e a divisão do
poder.
A Forma de Governo Liberal (também chamada de Governo Representativo
Clássico) é a forma de governo que triunfou com a Revolução Francesa,
manifestando-se no século XIX essencialmente.
Traços estruturais:
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Ø Legitimidade democrática relativa;


Ø Representação política com sufrágio censitário;
Ø Pluralismo;
Ø Separação dos poderes;
Ø Factor político central: o Parlamento.
4. DEMOCRACIA REPRESENTATIVA: é o ato de um grupo ou pessoa a ser eleito,
normalmente por votação, para "representar" um povo ou uma população, isto é,
para agir, falar e decidir em "nome do povo". Os "representantes do povo" se
agrupam em instituições chamadas Parlamento, Congresso ou Assembléia da
República.
Enquanto na antiga democracia grega a participação no processo
democrático era limitada a alguns membros da sociedade, na democracia
representativa o sufrágio universal conseguiu quantitativamente garantir a
participação da grande maioria de cidadãos. Porém qualitativamente seus
mecanismos limitam a atuação dos participantes no jogo democrático. A
democracia representativa torna estrutural e permanente uma separação entre
dirigentes e dirigidos.
A Democracia Representativa é a forma de governo dominante no ocidente
desde a I Guerra Mundial.
Traços estruturais:
Ø Legitimidade democrática;
Ø Representação política com sufrágio universal em relação com os
partidos políticos;
Ø O Estado de partidos políticos;
Ø Existência de referendo;
Ø Pluralismo;
Ø Separação de poderes complexa;
Ø Factor político central: os partidos políticos e o sistema de partidos.

II- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


NÃO HÁ SISTEMAS ELEITORAIS PERFEITOS.
Resposta:
Antes de tudo, o Sistema Eleitoral é um conjunto de regras, com a sua lógica e
coerência internas, que vai determinar o modo de eleição dos titulares dos orgãos políticos.
O sistema eleitoral de Representação Maioritária e o sistema eleitoral de
Representação Proporcional, constituem as duas grandes famílias de sistemas eleitorais.
Quanto ao facto de não existir “sistemas eleitorais perfeitos” pois cada sistema
possui desvantagens quanto a representação partidária (a polarização na Maioritária e a
sobre-representação da mais votada e ligeira sub-representação da menos na Proporcional)
essencialmente. Portanto, foi criado um sistema misto, para atenuar os inconvenientes dos
dois sistemas. Entretanto existe uma tendência deste sistema ser levado para o lado
Maioritário ou para o Proporcional. Por esta razão, para resolver esta questão, foi
introduzido o sistema eleitoral misto equilibrado, que é uma espécie de adoção dos dois
sistemas que funcionam paralelamente.
Portanto, ainda assim, possui disfunções, não conseguindo traduzir na plenitude a
vontade integral da população nas urnas.

III- CARACTERIZE E EXEMPLIFIQUE:


REFERENDO, PLEBISCITO E TIPOS DE PROCEDIMENTO CONSTITUINTE.
Resposta:

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É corrente o entendimento de que há uma falta de uma definição unívoca de


Plebiscito que o diferencie do Referendo. Os dois termos são, a rigor, sinônimos. Apenas
pode-se observar uma certa diferença histórica no uso de um ou de outro termo.
PLEBISCITO é usado para designar eventos excepcionais, normalmente à margem
das previsões constitucionais, sendo um voto popular, exercido com condicionamento
autocrático ou monocrático – ditatorial.
Já em situações em que os textos constitucionais aludem mais freqüentemente são
considerados Referendo. Portanto, REFERENDO é um voto popular sobre uma questão que
tem que ver com o exercício da função do Estado, exercido em pleno exercício dos Direitos
Fundamentais dos cidadãos, existindo pluralismo ideológico e de organização política –
democrático. Pode ser consultivo ou vinculativo (mais forte que a palavra do poder
político). Pode ser obrigatório (tem que se realizar) ou facultativo. Pode ser de iniciativa do
poder político ou de iniciativa popular (não em Portugal, caso de Itália).
Há outros que entendam que plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma lei ser
constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; e o referendo
é uma consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica ("sanciona") a lei
já aprovada pelo Estado ou a rejeita.
Para efeito de nossa escola, adoptamos a primeira definição.

Segundo Emmanuel Sieyes, “(...) a divisão entre o poder constituinte e os poderes


constituídos”, reside a idéia da Teoria do Poder Constituinte, fruto de sua descoberta.
Pela razão de haver diferentes concepções do poder constituinte (elaboração de
uma nova constituição), levá-nos a deduzir que há PROCEDIMENTOS CONSTITUINTES
também distintos.
Assim, por exemplo, uma teoria monárquica do poder constituinte, ou soberania
monárquica, conduz naturalmente a um procedimento constituinte monárquico.
Uma concepção de soberania nacional, como a de Sieyes, encontra-se associada a
um procedimento constituinte representativo, traduzido na eleição de uma assembleia
constituinte soberana, dotada do poder de elaborar e aprovar uma Constituição.
Uma concepção de soberania popular próxima da de Rousseau liga-se ao
procedimento constituintes directo, encontrando-se directamente relacionada com a figura
do referendo constitucional.
Assim, por exemplo, pode adoptar-se um procedimento constituinte misto
representativo e referendário, assente na eleição de uma assembleia constituinte não
soberana, com o poder de elaborar a constituição, mas ficando a aprovação desta
reservada para uma consulta popular.
Exemplo de Referendo: o que ocorreu em 2007 em Portugal pela legalização da
Interrupção Voluntária da Gravidez.
Exemplo de Plebiscito: o que ocorreu na Venezuela, também em 2007, sobre a
reforma Constitucional.

IV- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


UMA DAS PARTICULARIDADES DO SISTEMA DE GOVERNO FRANCÊS RADICA NA
CHAMADA COABITAÇÃO.
Resposta:

Na França, temos o sistema semi-presidencialista. O Presidente cuida diretamente


da representação do país no exterior, da política externa e da orientação da política
interna (com poder de veto sobre decisões internas e de dissolução da Assembléia
Nacional) e outras atribuições, enquanto o Primeiro-ministro fica com a execução dos
assuntos internos. Sendo que o normal seria, evidentemente, que ambos fossem do mesmo
partido. Mas a Constituição da V República abre a possibilidade da coabitação, ou seja,
Presidente e Primeiro-ministro podem ser de partidos diferentes.
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Portanto, COABITAÇÃO é instituto em que o chefe de governo e o chefe de Estado


são eleitos separadamente e por partidos rivais, o que pode resultar num mecanismo
efectivo de freios e contrapesos ou num período de paralisia administrativa, a depender do
comportamento das duas facções políticas.

No campo estricto da política interna, em caso de coabitação, o Primeiro-Ministro


detém a supremacia sobre o Chefe de Estado, porquanto os diversos ministros exercerão
uma posição hegemónica, excepto nos raros domínios em que a Constituição dá ao Chefe
de Estado um poder de veto.

Este instituto é considerado um dos aspectos mais singulares e complexos do sistema


político e constitucional francês. Ela ocorreu três vezes:

- Duas no governo de François Mitterrand: em 1986-88, com Jacques Chirac como


Primeiro-ministro, e em 1993-95, com Édouard Balladur como Primeiro-ministro.

- Uma no governo Jacques Chirac, em 1997-2002, com Lionel Jospin como Primeiro-
ministro.

TESTE Nº2
I- COMENTE A SEGUINTE FRASE:
AO INVÉS DA CIÊNCIA POLÍTICA, A POLÍTICA É UMA ACTIVIDADE EMINENTEMENTE DE
ORDEM PRÁTICA E PRAGMÁTICA .
Resposta:
A ciência política como uma ciência empírica, vale-se da observação do mundo, como
preconiza as teorias científicas. Já a Política, que é o objecto de estudo desta ciência, é
actividade humana de tipo competitivo que tem por objecto a conquista, a manutenção e o
exercício do poder no âmbito da sociedade. Portanto, a Política é estremamente dinâmica
(competitiva) e prática por natureza.

II- CARACTERIZE:
FORMA DE GOVERNO DE MONARQUIA ABSOLUTA, FORMA DE GOVERNO CESARISTA
E FORMA DE GOVERNO DE DEMOCRACIA REPRESENTATIVA.
Resposta:
Antes de tudo, entende-se como Forma de Governo, o modo como se estrutura e
exerce o poder político em cada sociedade, e que vai estudar aspectos como a
legitimidade, a representação política, o pluralismo e a divisão do poder.

MONARQUIA ABSOLUTA: É a forma de governo dominante antes de 1789. Na


actualidade, temos os seguintes estados que adotam este sistema: Arábia Saudita, Bahrein,
Sultanato de Brunei, Qatar, Suazilândia e Vaticano.
Adota-se os seguintes pressupostos:
Ø Legitimidade monárquica;
Ø Inexistência de representação;
Ø Monismo;
Ø Inexistência de separação de poderes;
Ø Factor Político Central: o Rei.

GOVERNO CESARISTA: é um conceito utilizado por diversos autores para definir


uma forma de governo centrada na autoridade suprema de um chefe militar e na crença em
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sua capacidade pessoal, à qual são atribuídos traços heróicos. Este líder, surgido em
momentos de inflexão política, se apresenta como a alternativa para regenerar a sociedade
ou conjurar hipotéticos perigos internos e externos. Por isso, este tipo de governo costuma
apresentar elementos de culto da personalidade.
Esta foi a forma de governo vigente com Napoleão I, revestindo de forma
atenuada com Napoleão III, sendo sua matriz Júlio César na Roma clássica.
Adota-se os seguintes pressupostos:
Ø Legitimidade democrática;
Ø Representação política com instituições representativas atenuadas pelo
recurso ao plebiscito;
Ø Monismo;
Ø Separação de poderes quase inexistente; e,
Ø Factor Político Central: Chefe Militar que personifica a figura de César.

DEMOCRACIA REPRESENTATIVA: é o acto de um grupo ou pessoa ser eleito,


normalmente por votação, para "representar" um povo ou uma população, isto é, para
agir, falar e decidir em "nome do povo". Os "representantes do povo" se agrupam em
instituições chamadas Parlamento, Congresso ou Assembleia da República.
Enquanto na antiga democracia grega a participação no processo democrático era
limitada a alguns membros da sociedade, na democracia representativa o sufrágio
universal conseguiu quantitativamente garantir a participação da grande maioria de
cidadãos. Porém qualitativamente seus mecanismos limitam a atuação dos participantes no
jogo democrático. A democracia representativa torna estrutural e permanente uma
separação entre dirigentes e dirigidos.
A Democracia Rpresentativa é a forma de governo dominante no ocidente desde a I
Guerra Mundial.
Traços estruturais:
Ø Legitimidade democrática;
Ø Representação política com sufrágio universal em relação com os
partidos políticos;
Ø O Estado de partidos políticos;
Ø Existência de referendo;
Ø Pluralismo;
Ø Separação de poderes complexa;
Ø Factor político central: os partidos políticos e o sistema de partidos.

III- COMENTE A SEGUINTE FRASE:


O PODER CONSTITUINTE NÃO É UM PODER ILIMITADO.
Resposta:
Quem teorizou acerca do Poder Constituinte foi Emmanuel Sieyès, pensador e
revolucionário francês do século XVIII.
Na teorização do poder constituinte, foi então traçado os seus aspectos
fundamentais, tais como: a originariedade, a independência e a absolutidade. Foi neste
último aspecto, o da absolutidade do poder constituinte, que originou a idéia da ilimitação
deste poder.
Entretanto, esta concepção hoje é ultrapassada, porque o poder constituinte foi
necessariamente absorvendo as exigências impostas pelo Estado de Direito em que foi
concebido. Portanto, o Poder Constituinte limita-se aos seguintes preceitos:
Ø Democraticamente legitimado;
Ø Materialmente limitado; e,
Ø Culturalmente situado.
Portanto, o poder constituinte realmente não é um poder ilimitado.

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V- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


NÃO OBSTANTE TER INÚMEROS PODERES, O PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO ESTÁ
LIMITADO NALGUNS ASPECTOS.
Resposta:
O Primeiro-Ministro Britânico é um deputado, líder do partido maioritário e do
Gabinete, tem no respeitante a vida política de seu país, um acervo de poderes dificilmente
igualável noutros países, por qualquer Chefe de Estado ou de Governo de um regime
democrático.
Entretanto, o PM possui limitações. A primeira e principal delas é a já inicial
imposição dos valores inerentes ao Estado de Direito Democrático, senão vejamos:
Ø Fiscalização por parte da oposição parlamentar;
Ø Fiscalização por parte da opinião pública e da comunicação social;
Ø Limitação pelos grupos de pressão; e,
Ø Não interferencia com o poder judicial.
O sistema político-constitucional britânico também impõe limites aos poderes do
PM, destacando-se:
Ø A existência institucional do cargo de “chefe da oposição”;
Ø Dificuldades em equacionar as divergências internas de seu partido, mesmo
considerando os partidos políticos britânicos disciplinados;
Ø Ter que confrontar com as disputas internas da liderança de seu partido, o
que coloca em risco a sua permanência no cargo de PM;
Ø A gestão dos calendários eleitorais;
Ø Sensibilidade do sistema eleitoral.

Portanto o PM possui muitos poderes, mas também possui diversas limitações


impostas pelo sistema político Britânico.

TESTE Nº3
I- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:
A POLÍTICA É UMA ACTIVIDADE SIMULTANEAMENTE FIRME E HUMANA .
Resposta:

II- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


ARISTÓTELES É RECONHECIDO COMO O FUNDADOR DA CIÊNCIA POLÍTICA.
Resposta:
Aristóteles desenvolveu diversas comparações entre diversas constituições gregas.
Além das comparações, desenvolveu análises e classificações, sendo considerado o
fundador da ciência política e seu primeiro politólogo.
Uma das suas principais obras foi a Política. Em seus ensinamentos, tratava dos
temas como regimes, monarquia, aristocracia, república, tirania, oligarquia,
democracia,etc.

III- CARACTERIZE E DISTINGA:


PARTIDOS POLÍTICOS E GRUPOS DE PRESSÃO.
Resposta:
O Partido Político é um produto do sistema político, nascido das revoluções liberais,
com o nascimento das assembléias parlamentares e a extensão do sufrágio.
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Hoje é difícil citar um Estado onde não haja ao menos um partido político.
O Partido Político está relacionado com os seguintes conceitos: associação de
pessoas, fins comuns, ideologia, organização, carta programática, representatividade,
poder, etc.
O PARTIDO POLÍTICO, pode ser definido como: uma organização de direito,
caracterizada pela união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas,
organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político.
Segundo a famosa definição de Weber, o Partido político também pode ser "uma
associação... que visa a um fim deliberado, seja ele 'objetivo' como a realização de um
plano com intuitos materiais ou ideais, seja 'pessoal', isto é, destinado a obter benefícios,
poder e, conseqüentemente, glória para os chefes e sequazes, ou então voltado para todos
esses objetivos conjuntamente".
Já o GRUPO DE PRESSÃO, se distingue do Partido Político, pois não possui a
pretensão de assumir o poder, mas apenas de o influenciar.
Portanto, GRUPO DE PRESSÃO é um grupo de pessoas ou organização que tem
como actividade buscar influenciar, aberta ou secretamente, decisões do poder público,
especialmente do poder legislativo, em favor de determinados interesses privados. Pressões
e manipulações exercidas por lobbies também são observadas em outras instâncias do poder
público (executivo e judiciário), e também sobre os meios de comunicação.
Possui as seguintes características fundamentais:
Ø Existência de um grupo organizado com carácter voluntário e durável;
Ø Defesa de interesses determinados;
Ø Exercício de uma pressão, no sentido de influenciar o poder, mas não de o
assumir.

V- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:

UMA DAS CARACTERÍSTICAS ESSENCIAIS DO SISTEMA POLÍTICO E CONSTITUCIONAL


NORTE-AMERICANO, CENTRA-SE NO CHAMADO SISTEMA DE FREIOS E
CONTRAPESOS.
Resposta:

O SISTEMA DE FREIO E CONTRAPESOS é, em primeira análise, um pensamento


aristotélico da idéia de equilíbrio ou balanceamento das classes sociais.
Mas na verdade, foi uma obra da doutrina da separação dos poderes, como
técnica de limitação do poder, levado a cabo por LOCKE e MONTESQUIEU.
Segundo LOCKE, “para que a lei seja imparcialmente aplicada é necessário que
não sejam os mesmos homens que a fazem, a aplicá-la”. Sendo, em decorrência disso,
necessária a separação entre legislativo e executivo. LOCKE não contempla expressamente,
em sua tripartição dos poderes da sociedade (Legislativo, Executivo e Federativo), o Poder
Judiciário, e, ainda, refere-se a este como actividade meio do poder legislativo.
É, contudo, MONTESQUIEU, o responsável pela inclusão expressa do poder de
julgar dentre os poderes fundamentais do Estado.
Assim, MONTESQUIEU, concluiu que "tudo estaria perdido” se o mesmo homem,
exercesse os três poderes, fazendo leis, executando as resoluções públicas e ao mesmo
tempo julgando as desavenças.
Desta forma a ordem constitucional dos países democráticos estabeleceu através do
controle externo - o sistema de freios e contrapesos, no qual os três poderes se regulam, a
fim de evitar abusos.
Em 1787 a Constituição dos EUA estabeleceu a divisão funcional dos poderes . Ao
mesmo tempo, os poderes de um ramo podem ser contestados por outro ramo. É isto que
significa o sistema de freios e contrapesos ( checks and balances).
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Existem três poderes do governo dos Estados Unidos, tal como estabelecido pela
Constituição. Primeiro, o Poder Legislativo de fazer a lei. Terceiro, o Poder Judiciário, em
interpretar a lei. Cada poder tem um efeito sobre os outro, isto é, possuem uma verdadeira
interdependência e colaboração entre si.
Eis alguns exemplos de controle externo, com base no checks and balances:

a. PODER LEGISLATIVO

• O CONTROLE DO EXECUTIVO
o Impeachment;
o Julgamento de impeachments (Senado);
o Vetos presidenciais ;
o Senado aprova nomeação de departamentos;
o Senado aprova embaixadores e tratados;
o Aprovação da substituição Vice Presidente;
o Poder de declarar guerra;
o Poder de decretar impostos e alocar fundos;
o Presidente deve, de tempos a tempos, entregar um discurso do Estado da
União.
• O CONTROLE DO JUDICIÁRIO
o Senado aprova os Juízes Federais;
o Impeachment;
o Julgamento de impeachments (Senado) ;
o Poder de iniciativa de emendas constitucionais;
o Poder de ESTABELECER tribunais inferiores à Suprema Corte;
o Poder para definir competência dos Tribunais;
o Poder de alterar o tamanho do Supremo Tribunal.
• O CONTROLO DO LEGISLATIVO - porque é bicameral, o Legislativo tem um grau
de auto-controlo.
o Contas devem ser aprovadas nas duas casas do Congresso.

b. PODER EXECUTIVO

• O CONTROLO DO LEGISLATIVO
o Poder de veto;
o Vice Presidente é o presidente do Senado;
o Comandante-em-chefe das Forças Armadas;
o De chamada de emergência na sessão de uma ou duas casas do Congresso.
• O CONTROLO DO JUDICIÁRIO
o Poder de nomear juízes.
• O CONTROLO DO EXECUTIVO
o O Vice Presidente e gabinete podem votar que o Presidente está
impossibilitado de exercer suas funções.

c. PODER JUDICIÁRIO

• O CONTROLO DO LEGISLATIVO
o A revisão judicial
• O CONTROLO DO EXECUTIVO
o A revisão judicial;
o Chefe de Justiça assenta como presidente do Senado durante o
impeachment presidencial.

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TESTE Nº4
I- RELACIONE:
O POLÍTICO, O INTERESSE GERAL E OS INTERESSES PARTICULARES.
Resposta:
O político é um indivíduo activo na política de uma sociedade, que deve actuar
segundo os princípios da actividade política, que visa o interesse geral e não os
interesses particulares. Portanto, o político deve visar o desenvolvimento equilibrado do
Estado, adotando medidas de bom senso assumidas com coragem e capacidade de decisão
e determinação para afrontar os lóbis mais diversos, as diferentes corporações, ou os
grupos mais poderosos ou influentes.

II- COMENTE:
A RAZÃO DE ESTADO E A AMORALIDADE POLÍTICA EM MAQUIAVEL.
Resposta:
Nicolau Maquiavel foi autor da obra entitulada de O Príncipe. Nesta obra, ele
trata destes dois conceitos, “a razão do estado” e a “amoralidade política”, que foi
posteriormente vulgarizada como maquiavelismo. Maquiavel defendia que “tudo que for
necessário para manter o poder será considerado legítimo”, ou seja, os fins justificam os
meios em defesa do poder do Estado.
Maquiavel argumenta que o governante deve ser dissimulado quando é necessário,
porém nunca deixando transparecer sua dissimulação. Não é necessário, a um príncipe,
possuir todas as qualidades, mas é preciso parecer ser piedoso, fiel, humano, íntegro e
religioso já que às vezes é necessário agir em contrário a essas virtudes, porém é
necessário que esteja disposto a modelar-se de acordo com o tempo e a necessidade.
Portanto, o interesse e a razão de estado surgem sempre como decisivos,
perspectivando-se, invariavelmente, como uma filosofia amoral, esta defendida por
Maquiavel.

III- RELACIONE:
PARTIDOS POLÍTICOS E IDEOLOGIAS POLÍTICAS, ESQUERDA E DIREITA
DEMOCRÁTICAS E ESQUERDA E DIREITA RADICAIS.
Resposta:
O Partido Político é um produto do sistema político, nascido das revoluções liberais,
com o nascimento das assembléias parlamentares e a extensão do sufrágio.
Hoje é difícil citar um Estado onde não haja ao menos um partido político.
O Partido Político está relacionado com os seguintes conceitos: associação de
pessoas, fins comuns, ideologia, organização, carta programática, representatividade,
poder, etc.
O PARTIDO POLÍTICO, pode ser definido como: uma organização de direito,
caracterizada pela união voluntária de cidadãos com afinidades ideológicas e políticas,
organizada e com disciplina, visando a disputa do poder político.

IV- COMENTE A AFIRMAÇÃO:


O PRESIDENTE FRANCÊS TEM VERDADEIROS PODERES EXECUTIVOS.
Resposta:

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O sistema de governo Francês é semi-presidencialista. Existem três órgãos políticos:


Chefe de Estado, Governo e Parlamento. Possui a interdependência entre estes vários ógãos
políticos e a repartição de competência entre os mesmos. O Presidente é o Chefe de
Estado.
Entretanto na prática, o Presidente Francês tem verdadeiros poderes executivos
quando possui a maioria governativa afim (nos períodos de concordância das maiorias).
Isto ocorre quando a maioria parlamentar na Assembéia Nacional está em consonância com
a orientação política do Presidente, em outras palavras, o Presidente detém a maioria no
Parlamento, influênciando-os politicamente.
O Primeiro-Ministro é o que detém a competência executiva, embora na prática, o
Presidente detentor da maioria presidencial e governativa, transfoma aquele em apenas um
ajudante ou Chefe do Estado Maior.
Para alguns, o sistema de governo Francês, nestas circunstâncias, deixa de ser
“semi” e passa a ser uma espécie de “hiper-presidencialismo”, pois combinam as forças dos
executivos dos EUA e da Grã-Bretanha, sem estar sujeito as limitações constitucionais
existentes a estes.
Portanto, quando o Presidente Francês e a maioria governativa são afins (nos
períodos de concordância das maiorias), o Chefe de Estado domina o sistema
constitucional, sendo o Primeiro-Ministro e o Governo subordinados a ele, ou seja, o
Presidente tem a iniciativa em todos os domínios.

TESTE Nº5
I- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:
A INFLUÊNCIA DE LOCKE E DE MONTESQUIEU PARA A HISTÓRIA DO
CONSTITUCIONALISMO É ENORME .
Resposta:
LOCKE fez avançar bastante a teoria da divisão de poderes. Segundo LOCKE,
“para que a lei seja imparcialmente aplicada é necessário que não sejam os mesmos homens
que a fazem, a aplicá-la”. Sendo, em decorrência disso, necessária a separação entre
legislativo e executivo. LOCKE não contempla expressamente, em sua tripartição dos
poderes da sociedade (Legislativo, Executivo e Federativo), o Poder Judiciário, e, ainda,
refere-se a este como actividade meio do poder legislativo. Por esta razão, a sua doutrina
estava longe de ser perfeita, uma vez que esquecia o poder judicial.
É, contudo, MONTESQUIEU, o responsável pela inclusão expressa do poder de
julgar dentre os poderes fundamentais do Estado.
Assim, MONTESQUIEU, concluiu que "tudo estaria perdido” se o mesmo homem,
exercesse os três poderes, fazendo leis, executando as resoluções públicas e ao mesmo
tempo julgando as desavenças. Nesta teoria, da separação dos poderes, bem como, o do
controle recíproco dos poderes e a subordinação do governo à lei, foram os contributos
importantíssimos de MONTESQUIEU.
Portanto, LOCKE em sua obra “Dois Tratados sobre o Governo” e MONTESQUIEU
em “O Espírito das Leis” influenciaram significativamente a história do Constitucionalismo.

II- CARACTERIZE:
FORMA DE GOVERNO LENINISTA, FORMA DE GOVERNO FACISTA E FORMA DE
GOVERNO LIBERAL.
Resposta:
Em ciência política, chama-se forma de governo (ou sistema político) o conjunto de
instituições políticas por meio das quais um Estado se organiza a fim de exercer o

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seu poder sobre cada sociedade. Observa-se o modo como se estrutura e exerce o
poder político, estudando os aspectos como a legitimidade, representação política,
o pluralismo e a divisão do poder.

O GOVERNO LENISTA foi iniciado a partir da Revolução Bolchevista (em outubro de


1917), sendo que vigorou na antiga União Soviética até em 1991. Apresenta os seguintes
aspectos gerais:
Ø Legitimidade democrática, mas na concepção marxista;
Ø Inexistência de representação política nas instituições representativas;
Ø Monismo;
Ø Inexistência de separação de poderes;
Ø Factor político central: o Partido Comunista.

O GOVERNO FACISTA advém da doutrina totalitária (Facismo) desenvolvida por


Benito Mussoline na Itália (a partir de 1919) e durante seu governo (entre 1922 - 1943).
O governo do Partido Facista apresenta as seguintes linhas gerais:
Ø Legitimidade diversa;
Ø Inexistência de representação ou de formas de representação institucional;
Ø Monismo;
Ø Inexistência de separação de poderes;
Ø Factor político central: o Chefe e o seu partido.

O GOVERNO LIBERAL (também chamada de Governo Representativo Clássico) é a


forma de governo que triunfou com a Revolução Francesa, manifestando-se no
século XIX essencialmente.
Traços estruturais:
Ø Legitimidade democrática relativa;
Ø Representação política com sufrágio censitário;
Ø Pluralismo;
Ø Separação dos poderes;
Ø Factor político central: o Parlamento.

III- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


AS CHAMADAS LEIS DE DUVERGER, QUE ESTABELECEM A RELAÇÃO ENTRE OS
SISTEMAS ELEITORAIS E OS SISTEMAS DE PARTIDOS, DEVEM SER ENTENDIDAS DE
FORMA MERAMENTE TENDENCIAL.
Resposta:

O sociológo e politólogo francês Maurice Duverger desenvolveu uma teoria que


mais tarde seria chamada de Lei de Duverger. Consiste numa ligação directa entre o
sistema eleitoral e o sistema partidário, sendo que os sistemas eleitorais maioritários
favorecem o surgimento do bipartidarismo, inclui como mecanismo causal determinante um
«factor psicológico» através do qual votantes e elites (actores individuais concretos)
assumem comportamentos estratégicos.

Eis as três formulações de Duverger:

Ø O escrutíneo maioritário de uma volta tende para o bipartidarismo;


Ø A representação proporcional tende para um sistema de partidos múltiplos e
independentes uns dos outros; e,
Ø O escrutínio maioritário de duas voltas tende para um multipartidadrismo
temperado por alianças.
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Existem muitos sistemas eleitorais maioritários com dois partidos, embora também
haja vários exemplos que contradizem este modelo, como na Escócia. O Partido Liberal
Democrata é considerado por muitos um terceiro partido emergente do Reino Unido,
supondo a aparição de um sistema tripartidário.

Duverger, portanto, não considerou o seu princípio como algo absoluto, mas
meramente um valor tendencial.

IV- DESENVOLVA O SEGUINTE TEMA:


O PRIMEIRO-MINISTRO BRITÂNICO E O PRESIDENTE AMERICANO: POSIÇÃO
INSTITUCIONAL, SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.
Resposta:

TESTE Nº6
I- CARACTERIZE:
FORMA DE GOVERNO DE MONARQUIA LIMITADA, FORMA DE GOVERNO DE
DEMOCRACIA JACOBINA E SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR.
Resposta:
A MONARQUIA LIMITADA, como o nome está mostrando, combina a presença
do soberano com agências, ou órgãos, ou corpos de representação popular que
limitam a prerrogativa régia.
Antes do século XIX, quando se definiram as monarquias chamadas
constitucionais, depois da Revolução Francesa, a Monarquia Britânica já era
monarquia limitada e monarquia, portanto, constitucional, como se definiria no século
XIX.
Através do pacto constitucional a Monarquia cessava de ser uma instituição
acima do Estado e se tornava um órgão do Estado: o Estado, de fato, transmitia à
Monarquia todas as suas prerrogativas.
Portanto a Monarquia Limitada é a monarquia das Cartas Constitucionais. É a
forma de governo prevalecente na Alemanha e Áustria do século XIX.
Funda-se nos seguintes elementos estruturantes:
Ø Legitimidade monárquica, mas na prática, com atenuações
democráticas;
Ø Representação política com sufrágio censitário;
Ø Pluralismo reduzido;
Ø Separação de poderes com prevalência do Rei; e,
Ø Factor político central: o Rei mais que o Parlamento.

A DEMOCRACIA JACOBINA é a forma de governo que tem expressão na


Constituição Francesa de 1793. Estriba-se nos seguintes pressupostos:
Ø Legitimidade democrática;
Ø Representação política com comissários em vez de representantes;
Ø Monismo;
Ø Inexistência de separação de poderes; e,
Ø Factor político central: a Convenção.

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O SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR é um sistema de governo no


qual o poder executivo depende do apoio direto ou indireto do parlamento para
ser constituído e para governar. Não há, neste sistema de governo, uma separação
nítida entre os poderes Executivo e Legislativo, ao contrário do que ocorre no
presidencialismo.
Como exemplos de sistemas de governo parlamentaristas, temos os
seguintes países: Alemanha, Itália, Espanha, Grécia, Holanda, Japão e o Reino
Unido, mas também existem os casos do Canadá, Nova Zelândia, Austrália, Suécia,
Dinamarca e Noruega.
Existem as modalidades como o Parlamentarismo de Gabinete,
Parlamentarismo de Assembléia e o Parlamentarismo Racionalizado.

II- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


SÃO CONHECIDOS VÁRIOS SISTEMAS DE PARTIDOS.
Resposta:
Antes de tudo, os Sistemas de Partidos destinam-se ao estudo da dimensão eleitoral
e o modo de exercício de poder pelos partidos políticos numa determinada sociedade, bem
como as respectivas consequências, a possibilidade de alternativas governamentais, coesão
ou não da base de sustentação parlamentar e maior ou menor influência sobre as normas
constitucionais de repartição de competências dos órgãos políticos.

Temos o seguinte quadro dos vários sistemas de partidos:


Ø Sistema de Partido Único;
Ø Sistema de Partido Liderante em Regime Ditatorial;
Ø Sistema de Partido Liderante em Regime de “Democracia de Fachada”;
Ø Sistema de Partido Liderante em Regime Democrático;
Ø Sistema de Bipartidarismo Perfeito;
Ø Sistema de Bipartidarismo Imperfeito;
Ø Sistema de Multipartidarismo Perfeito; e,
Ø Sistema de Multipartidarismo Imperfeito.

III- DESENVOLVA O SEGUINTE TEMA:


O PRESIDENTE AMERICANO E PRESIDENTE FRANCÊS: POSIÇÃO INSTITUCIONAL,
SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.
Resposta:

IV- CARACTERIZE E EXEMPLIFIQUE:


CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO INSTRUMENTAL, FORMAL, MATERIAL, RÍGIDA E FLEXÍVEL.
Resposta:
1. CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO INSTRUMENTAL – Constituição em sentido
instrumental (O livro da constituição). Documento onde se inserem as normas tidas
como constitucionais.

2. CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO FORMAL – Conjunto de normas tidas como


formalmente constitucionais. Ex.: “Está constituído que…” – e na constituição
encontramos o sentido formal que nos encaminha para o local onde se descreve a
rigor as normas referidas. Portugal tem uma constituição em termos formais.

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3. CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO MATERIAL – Conjunto de regras que vão limitar


e regulamentar o poder politico. Ex.: Grã-bretanha, só tem constituição em termos
materiais.

4. CONSTITUIÇÃO RÍGIDA – Quando para a sua modificação são exigidos


processos e critérios diferentes da elaboração do Direito ordinário. Ex.: EUA.

5. CONSTITUIÇÃO FLEXÍVEL – Quando para a sua modificação é seguido um


procedimento idêntico ao do Direito ordinário. Ex.: Grã-bretanha.

TESTE Nº7
I- DISTINGA E CARACTERIZE:
FORMA DE ESTADO UNITÁRIO, FORMA DE ESTADO COMPOSTO E SISTEMA DE
GOVERNO PRESIDENCIAL.
Resposta:
Antes de tudo, entende-se por Forma de Estado, o modo de o Estado dispor o seu
poder em face de outros poderes de igual natureza (em termos de coordenação e
subordinação), e quanto ao povo e ao território (que ficam sujeitos a um ou mais de um
poder político).
ESTADO UNITÁRIO- Também denominado por Estado Simples. Existe uma unidade
de poderes políticos, de autoridade de governo, assim como uma só constituição. Ou seja, é
um Estado ou País que é governado constitucionalmente como uma unidade única. O poder
político do governo em tais Estados pode ser transferido para níveis inferiores.
Serão, por exemplo, os casos de Portugal, Espanha, França, Itália e Reino Unido.

ESTADO COMPOSTO- Ocorre quando coexistem uma pluralidade de poderes


políticos, de autoridades de governo, ou seja, é aquele que não possui um único poder
central, mas vários centros de poder, que atuarão autonomamente entre si (cada qual
atuando dentro de sua atribuição), pois é feita uma divisão de poder.
São consideradas formas compostas de Estado:
a) As Uniões (pessoal, real e incorporada);
b) As Confederações;
c) As Federações.
Alem dessas, há outras formações políticas, como a Comunidade Britânica de
Nações.
Como exemplos de estados compostos, temos: a Rússia, o Canadá, os EUA, o
Brasil, a Índia e a Austrália.

GOVERNO PRESIDENCIAL- Este sistema de governo apareceu com a Constituição


dos EUA de 1787, estando ainda hoje em vigor. É um sistema de governo no qual o
presidente da república é o chefe de governo e o chefe de estado. Como chefe de Estado, é
ele quem escolhe os chefes dos grandes departamentos ou ministérios. Juridicamente, o
presidencialismo se caracteriza pela separação de poderes Legislativo, Judiciário e
Executivo.
Também, existe uma interdependência funcional entre os órgãos no sistema
presidencialista. Isto de facto acontece, tendo em conta os poderes do presidente, que pode
vetar legislação emanada do parlamento ou enviar mensagens a este com manifestação de
vontades. Por outro lado, o presidente tem também o poder de autorizar ou não pedidos
de créditos orçamentais e nomeações de altos cargos do Estado. O parlamento pode
demitir o presidente em situações de impeachment. Já o presidente não pode dissolver o
Congresso, independentemente de circunstâncias.
- Tem as seguintes características gerais:
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- A existência de dois ógãos políticos: o Presidente e o Parlamento;


- O Presidente é o chefe de governo e o chefe de estado, não existindo o Primeiro-
Ministro;
- Os actos do Presidente não carecem de referenda ministerial;
- Existência de separação de poderes;
- O Presidente é eleito por sufrágio universal.

II- DISTINGA E EXEMPLIFIQUE:


SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO MAIORITÁRIA A UMA E DUAS VOLTAS E
SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO PROPORCIONAL.
Resposta:
O SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO MAIORITÁRIA - caracteriza-se pelo
processo de escrutíneo em que é eleito o candidato que obtiver o maior número de votos.
O SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO MAIORITÁRIA A UMA VOLTA – é o
modelo em que os candidatos eleitos são aqueles que obtiveram o maior número de votos,
mesmo que esta maioria seja relativa.
O SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO MAIORITÁRIA A DUAS VOLTAS - é o
modelo em que os candidatos eleitos são aqueles que obtiveram a maioria absoluta do
número de votos. Caso não se alcance a maioria absoluta de votos na primeira volta, terá
uma segunda volta, em que não será mais exigida a maioria absoluta e sim a relativa.
O SISTEMA ELEITORAL DE REPRESENTAÇÃO PROPORCIONAL - é o modelo em
que é atribuído a cada partido político um número de representantes em correspondência
com o número de votos alcançados. É o sistema predominante na Europa e na América
Latina.

III- COMPARE:
A POSIÇÃO DO PRESIDENTE FRANCÊS EM SITUAÇÃO DE COABITAÇÃO E EM CASO DE
MAIORIA GOVERNATIVA AFIM.
Resposta:

Na França, temos o sistema semi-presidencialista. O Presidente cuida diretamente


da representação do país no exterior, da política externa e da orientação da política
interna (com poder de veto sobre decisões internas e de dissolução da Assembléia
Nacional) e outras atribuições, enquanto o Primeiro-ministro fica com a execução dos
assuntos internos. Sendo que o normal seria, evidentemente, que ambos fossem do mesmo
partido. Mas a Constituição da V República abre a possibilidade da coabitação, ou seja,
Presidente e Primeiro-ministro podem ser de partidos diferentes.

Portanto, COABITAÇÃO é instituto em que o chefe de Governo e o chefe de Estado


são eleitos separadamente e por partidos rivais, o que pode resultar num mecanismo
efectivo de freios e contrapesos ou num período de paralisia administrativa, a depender do
comportamento das duas facções políticas.

No campo estricto da política interna, em caso de coabitação, o Primeiro-Ministro


detém a supremacia sobre o Chefe de Estado, porquanto os diversos ministros exercerão
uma posição hegemónica, excepto nos raros domínios em que a Constituição dá ao Chefe
de Estado um poder de veto.

Este instituto é considerado um dos aspectos mais singulares e complexos do sistema


político e constitucional francês. Ela ocorreu três vezes:

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- Duas no governo de François Mitterrand: em 1986-88, com Jacques Chirac como


Primeiro-ministro, e em 1993-95, com Édouard Balladur como Primeiro-ministro.

- Uma no governo Jacques Chirac, em 1997-2002, com Lionel Jospin como Primeiro-
ministro.

IV- ENUNCIE:
CONCEITO DO PODER CONSTITUINTE, CARACTERÍSTICAS E TITULARIDADES.
Resposta:
Foi Emmanuel Sieyès (pensador e revolucionário francês do século XVIII) quem
teorizou acerca do Poder Constituinte.
Historicamente o poder constituinte teve a sua origem na monarquia. O rei tinha
recebido o poder de Deus, representava-o na terra, e portanto, era o detentor do poder
constituinte. Num segundo momento, o povo, como pela assinatura de um contrato social,
concedia plenos poderes constituintes ao Imperador. Numa terceira fase, o poder
constituinte repousava sob a Nação - Soberania Nacional. E por fim, o Poder constituinte
passou a ser entendido como Soberania Popular, ou seja, o Povo como o seu titular.

CONCEITO - Para Hans Kelsen, o Poder Constituinte seria o poder de criar e revisar a
Constituição do Estado.
Para alguns pode ser entendido como a manifestação soberana da suprema
vontade política de um povo, social e juridicamente organizado.
Com as noções supracitadas, podemos conceituar o Poder Constituinte como uma
Força Política capaz de criar, revisar ou implementar uma Constituição (normas de força
constitucional) de um povo, social e juridicamente organizado.

CARACTERÍSTICAS GERAIS -
Pode-se ainda afirmar que o Poder Constituinte é um poder supremo e dotado de
soberania - não poderia deixar de ser dessa maneira, ou não criaria um Estado, pois não
pode ser compreendido o Estado sem soberania. Não há outro Poder maior do que o Poder
Constituinte, e este criará o Estado como manifestação de seu titular, tradicionalmente,
como veremos o povo (ou a Nação), dotado de soberania, como veremos com Sieyès – sua
vontade (do povo) é sempre a lei suprema.
Pela mesma razão, é da natureza do Poder Constituinte ser unitário e indivisível. A
não ser assim criar-se-iam dois ou mais Estados. Citemos aqui o artigo 3. ° da Declaração
Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão, antecipando, de certa forma, as idéias de
Sieyès: "Le príncipe de toute souveraineté réside essentiellement dans la Nation. Nul corps,
nul individu ne peut exercer d'autorité qui n'en émane expressément" (O princípio de toda
soberania reside essencialmente na Nação. Nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer
autoridade que não emane expressamente).

As características gerais do Poder Constituinte são:

- Poder inicial: Poder de todos os poderes (soberano).


- Autonomo: Não depende de nenhum outro.
- Omnipotente: Impõe-se a todos os outros.
- Limitação: É limitado, pois obedece a um sentimento jurídico que existe na comunidade.
Princípios consensualmente aceites. Obedece a uma série de horizontes - Democraticamente
legitimado, Materialmente limitado e Culturalmente situado.

CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS -

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 20


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Deveremos, assim, caracterizar especificamente o Poder Constituinte, a partir do


seu conceito que “é o poder de criar e revisar a Constituição”, resultando destes, dois novos
tipos de conceitos: o PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO e o PODER CONSTITUINTE
DERIVADO.

PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO - Também denominado por poder genuíno ou


poder de 1º grau ou poder inaugural.
É aquele capaz de estabelecer uma nova ordem constitucional, isto é, de dar
conformação nova ao Estado, rompendo com a ordem constitucional anterior.
Ocorre o Poder Constituinte Originário no surgimento da 1ª Constituição e também
na elaboração de qualquer outra que venha depois.
O Poder Constituinte Originário - Apenas está sujeito a certas limitações
(Democraticamente legitimado, Materialmente limitado e Culturalmente situado), devendo
elaborar uma Constituição coerente com essas determinantes (ou ela será apenas, no dizer
de Lassalle, uma folha de papel).

CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DO PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO:


Inicial - não se fundamenta em nenhum outro; é a base jurídica de um Estado;
Autônomo / ilimitado - não está limitado pelo direito anterior, não tendo que
respeitar os limites postos pelo direito positivo anterior; há apenas um condicionamento
(Democraticamente legitimado, Materialmente limitado e Culturalmente situado ).

PODER CONSTITUINTE DERIVADO -


Também é denominado de poder instituído, Reformador, Constituído, Secundário ou
Poder de 2º grau (é secundário, pois deriva do poder originário) ou Poder de Reforma
Constitucional.
Encontra-se na própria Constituição, encontrando limitações por ela impostas:
explícitas e implícitas.
Quanto ao Poder Constituinte derivado, além dessas mesmas limitações
sociológicas, há os limites jurídicos, impostos pelo próprio Poder Constituinte Originário
(ao ensejo da elaboração constitucional).

CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DO PODER CONSTITUINTE DERIVADO:


Derivado - deriva de outro poder que o instituiu, retirando sua força do poder
Constituinte originário;
Subordinado - está subordinado a regras materiais; encontra limitações no texto
constitucional. Ex. cláusula pétrea
Condicionado – seu exercício deve seguir as regras previamente estabelecidas no
texto da Constituição; é condicionado a regras formais do procedimento legislativo.

TITULARIDADES DO PODER CONSTITUINTE -


A questão do titular do Poder Constituinte pode ser esquematizada da seguinte
maneira:
Ø O titular representado por uma só PESSOA (que poderia ser
o Monarca, ou como representante da Divindade, ou a própria Divindade –
v.g., os faraós egípcios);
Ø Um GRUPO como titular do Poder Constituinte, gerando,
como v.g. para Aristóteles, a Aristocracia (forma pura do governo de um
grupo) ou a Oligarquia (forma impura do governo de um grupo); e,

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 21


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Ø Ou tradicionalmente, desde as idéias liberais consagradas na


Revolução Francesa, e com a obra de Sieyès (Emmanuel Sieyès - "Qu'est-ce
que le tiers État? - Qual é o terceiro Estado), o POVO.

TESTE Nº8
I- CARACTERIZE:
ESTADO ABSOLUTO, ESTADO CONSTITUCIONAL E ESTADO SOCIAL DE DIREITO.
Resposta:
"O ESTADO SOU EU", estas são as palavras do Rei Luís XIV, rei da França (entre
1643 e 1715). Esta frase sintetiza o que é o Estado Absoluto, pois a vontade do soberano
se confundia com a vontade do Estado.
O ESTADO ABSOLUTO também é entendido como uma forma de Governo em que
o detentor do poder (em geral, um monarca/rei), exerce este poder sem dependência ou
controle de outros poderes, superiores ou inferiores (judicial, legislativo, religioso ou
eleitoral, etc), ou seja, exerce um poder absoluto. Este sistema é monocrático e centralizado
com "poder ilimitado e arbitrário”. Em outras palavras, o Estado Absoluto é uma absoluta
falta de referências jurídicas, em sentido ocidental.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- A máxima concentração de poder no Rei;
b- O soberano é detentor do poder de fazer, alterar, executar, interpretar e
revogar as leis. Portanto, concentra em sí, os poderes legislativo, executivo e judicial;
c- A votade do monarca é a lei. Sendo que as regras definidoras do poder são
vagas e quase todas não reduzidas a escrito;
d- Não possui a fiscalização ou sanção pelo não cumprimento de quaisquer leis.

O ESTADO CONSTITUCIONAL, no sentido de Estado enquadrado num sistema


normativo fundamental, é uma criação moderna, tendo surgido paralelamente ao Estado
Democrático e, em parte, sob influência dos mesmos princípios. O constitucionalismo, assim
como a moderna democracia, tem suas raízes no desmoronamento do sistema político
medieval, passando por uma fase de evolução que iria culminar no século XVIII, quando
surgem os documentos legislativos a que se deu o nome de Constituição. Com efeito,
embora a primeira Constituição escrita tenha sido a do Estado de Virgínia, de 1776, e a
primeira posta em prática tenha sido a dos Estados Unidos da América, de 1787, foi a
francesa, de 1789, que teve maior repercussão.
O Estado Constitucional, está fundamentado em três grandes objetivos, que,
conjugados, iriam resultar no constitucionalismo: a afirmação da supremacia do indivíduo,
a necessidade de limitação do poder dos governantes e a crença quase religiosa nas
virtudes da razão, apoiando a busca da racionalização do poder.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Limitação do poder político;
b- Advento de constituições;
c- Separação de poderes;
d- Reconhecimento da existência de direitos do homem;
e- Igualdade jurídica de todas as pessoas;
f- Primado da Lei, sendo o Estado fundado e limitado pelo direito;
g- Aparecimento dos Partidos Políticos;
h- Representação política; e,
i- Proteção da propriedade privada.

O ESTADO SOCIAL DE DIREITO surgiu na segunda metade do século XX, e


representou um avanço assinalável sobre o Estado Liberal do século XIX.

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Mas a experiência da sua aplicação prática e as necessidades das sociedades


modernas e dos seus cidadãos, têm-lhe vindo a colocar novos desafios e a exigir o seu
aperfeiçoamento. O Estado Social nasceu da consciência do valor da solidariedade como
expressão do valor da igualdade de todos os cidadãos no exercício das liberdades
fundamentais. Portanto, vem promover a relevância do bem estar e da justiça social como
fins do Estado, dando a este, uma nova escala de objectivos e funções.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Equilíbrio das clivagens sociais;
b- Estímulos regulativos e materiais do Estado a favor da justiça social;
c- Reajustamento das condições reais prévias à aquisição de bens materiais e
imateriais insdispensáveis ao próprio exercício de direitos, liberdades e garantias pessoais;
e,
d- Estabelecimento de regimes jurídicos em prol do emprego e dos direitos dos
trabalhadores.

II- CARACTERIZE E EXEMPLIFIQUE:


SISTEMA DE GOVERNO SEMI-PRESIDENCIALISTA, SISTEMA DE BIPARTIDARISMO
PERFEITO E SISTEMA DE MULTIPARTIDARISMO IMPERFEITO.
Resposta:
GOVERNO SEMI-PRESIDENCIALISTA – Este sistema de governo apareceu em 1919
na Finlândia e na Alemanha de Weimar. Conhecido também como Regime Misto
Parlamentar-Presidencial (também chamado de sistema híbrido de governo) é um sistema
de governo no qual o chefe de governo (geralmente com o título de primeiro-ministro) e o
chefe de Estado (geralmente com o título de presidente) compartilham em alguma medida o
poder executivo, participando, ambos, do cotidiano da administração pública de um
Estado. Difere do parlamentarismo por apresentar um chefe de Estado com prerrogativas
que o tornam muito mais do que uma simples figura protocolar ou mediador político;
difere, também, do presidencialismo por ter um chefe de governo com alguma medida de
responsabilidade perante o legislativo. Num sistema semipresidencialista, a linha divisória
entre os poderes do chefe de Estado e do chefe de governo varia consideravelmente de
país para país.
Traços gerais:
Ø Três ógãos políticos: Chefe de Estado, Governo e Parlamento.
Ø Eleição do Chefe de Estado e Parlamento por sufrágio universal directo;
Ø Efectivo poder de dissolução do Parlamento pelo Chefe de Estado;
Ø Distinção de funções do chefe de governo e o chefe de Estado;
Ø Os actos do chefe de Estado carecem de referenda ministerial (há
excessões); e,
Ø O Governo é sempre responsável politicamente perante a Cãmara
representativa.

São exemplos de países que adotam o semipresidencialismo: Argélia, Egito,


Finlândia, França, lìbano, Lituânia, Mongólia, Paquistão, etc.

SISTEMA DE BIPARTIDARISMO PERFEITO – Neste sistema de partidos, os dois


grandes partidos podem, em conjunto, alcançar 85 a 90% dos lugares no Parlamento,
dispondo cada partido, quando está no poder, de maioria absoluta.
Assim, a alternância governativa é sempre realizada entre os mesmos dois partidos,
que governam sozinhos e sem recurso a qualquer tipo de coligações ou alianças.
São exemplos de países que possuem o sistema de bipartidarismo perfeito: Reino
Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

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SISTEMA DE MULTIPARTIDARISMO IMPERFEITO – Também chamado de Sistema de


Partido Dominante, coexistem vários partidos com força eleitoral aproximada.
Todavia, um deles salienta-se, com cerca de 35% da representação eleitoral,
aproximando-se da maioria parlamentar, o que permite a formação de governos
monopartidários ou de coligação assimétrica com clara preponderância do partido
dominante.
Este modelo ocorreu em Portugal em 1976 e 1985.

III- CARACTERIZE E EXEMPLIFIQUE:


OS SISTEMAS ELEITORAIS MISTOS EQUILIBRADOS DE PREDOMINANCIA
PROPORCIONAL E DE PREDOMINANCIA MAIORITÁRIA.
Resposta:
Os sistemas Eleitorais Mistos servem para obviar aos incovenientes dos Sistemas
Eleitorais de Representação Maioritários e Proporcionais. Consiste na combinação dos
modos de apuramento típicos de ambos.
O Sistema Eleitoral Misto Equilibrado é aquele que ponderam de igual forma os
dois tipos de representação, isto é, funcionam simultaneamente e igualitariamente.
Portanto, o SISTEMA ELEITORAL MISTO EQUILIBRADO DE PREDOMINANCIA
PROPORCIONAL é aquele em que se opera o modelo do sistema maioritário em conjunto
com o sistema proporcional, tendo uma maior preponderância deste (proporcional). Por
exemplo, o modelo do Sistema Francês de 1951. Já o SISTEMA ELEITORAL MISTO
EQUILIBRADO DE PREDOMINANCIA MAIORITÁRIA é aquele em que se opera o modelo
do sistema proporcional em conjunto com o sistema maioritário, tendo uma maior
preponderância deste (maioritário). Por exemplo, ocorre nos seguintes Países: Japão, Itália
( de 1993 até 2005) e Nova Zelândia.

IV- CARACTERIZE:
AS ELEIÇÕES PRIMÁRIAS, OS CAUCUS E A ELEIÇÃO PARA O PRESIDENTE DOS
ESTADOS UNIDOS.
Resposta:

Os cáucus e as primárias, organizadas pelos dois grandes partidos americanos, visam a


eleger os delegados que escolherão, durante uma convenção, o candidato às eleições
presidenciais.

TESTE Nº9
I- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:
O GRANDE ESTADISTA É, DE CERTA FORMA, UM CRIADOR.
Resposta:

O Estadista é a pessoa versada nos princípios ou na arte de governar, activamente


envolvida em conduzir os negócios de um governo e em moldar a sua política. Para
Aristóteles, o que o estadista mais quer produzir é um certo caráter moral nos seus
concidadãos, particularmente uma disposição para a virtude e a prática de ações. Já em

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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Maquiavel, a condução do Estado é considerada uma arte, e o estadista, um autêntico


artista.

Portanto, o Grande Estadista é de certa forma um criador, pois tem que enfrentar
os grandes desafios impostos ao seu governo, criando e inovando as soluções (políticas)
viáveis aos casos concretos.

II- CARACTERIZE:
SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR DE GABINETE, PARLAMENTAR DE ASSEMBLÉIA E
PARLAMENTAR RACIONALIZADO.
Resposta:
Estamos diante das três modalidades do Sistema Parlamentarista. Vejamos cada um
deles:
SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR DE GABINETE- o sistema de governo de
gabinete possui uma relação de concordancia entre a maioria parlamentar e o gabinete,
ocorrendo quando existe um só partido que dispõe da maioria absoluta.
Esta realidade é resultante de uma situação de bipartidarismo, em decorrência do
sistema eleitoral de representação maioritária a uma volta.
SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR DE ASSEMBLÉIA – neste modelo o governo
é extremamente dependente do Parlamento, podendo ocorrer uma sucessão de governos
durante a mesma legislatura, sem que apresente a necessidade da dissolução do
Parlamento.
Esta realidade é resultante do modelo do sistema de partidos, que torna impossível
a existência de maiorias absolutas de um só partido, proporcionando uma grande
instabilidade ministerial (modelo de Parlamento forte e Governo débil).
SISTEMA DE GOVERNO PARLAMENTAR RACIONALIZADO – caracteriza-se pela
existência do instituto jurídico conhecido por Moção de Censura Construtiva (origem
Alemã). Este mecanismo tende a propiciar a estabilidade governativa dos governos
minoritários ou em coligação, assim como a cesactivar as chamadas “maiorias negativas”.
Este instituto é observado no sistemas parlamentaristas Alemão e Espanhol, bem como, no
sistema semipresidencialista Polonês.

III- DISTINGA:
SISTEMA DE PARTIDO LIDERANTE EM REGIME DITATORIAL, SISTEMA DE PARTIDO
LIDERANTE EM “DEMOCRACIA DE FACHADA” E SISTEMA DE PARTIDO LIDERANTE EM
REGIME DEMOCRÁTICO.
Resposta:
1. SISTEMA DE PARTIDO LIDERANTE EM REGIME DITATORIAL – Este modelo
ocorreu na antiga República Democrática Alemã. O poder político era exercido por
apenas um único partido (Partido Socialista Unificado – Comunista), mesmo
coexistindo outros partidos periféricos (Partido Socialista Unificado, União Cristã
Democrática, União dos Camponeses, etc). A oposição era reprimida como num
sistema ditatorial.

2. SISTEMA DE PARTIDO LIDERANTE EM “DEMOCRACIA DE FACHADA” – Este


modelo ocorreu no México por quase um século. Havia um partido hegemônico
(Partido Revolucionário Institucional) que se manteve no poder por sucessivas
eleições, mesmo na coexistência de diversos outros partidos. Mesmo os partidos
menores tendo uma postura de oposição ao partido hegêmonico, este se perdurava
no poder por circunstancialismos diversos (irregularidades eleitorais, controlo da
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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

máquina eleitoral, grande clientelismo, utilização de benesses, discriminação da


oposição, etc). Por se manterem tanto tempo no poder, há quem chame este partido
de Partido-Estado. O Partido Revolucionário Institucional se manteve até o ano
2000. Este modelo difere do anterior pois se mantém no poder, não pela via
ditatoria, mas pelo circunstancialismos políticos.

3. SISTEMA DE PARTIDO LIDERANTE EM REGIME DEMOCRÁTICO – Difere dos


modelos anteriores pois este modelo opera num sistema democrático. O eleitorado
mantém no poder, ao longo dos tempos, uma determinada força partidária,
deixando, no entanto, a enorme distãncia o segundo partido mais votado. Sendo
que o segundo partido mais votado, não ultrapassa os 50 % dos votos atribuídos
ao primeiro mais votado. Este exemplo ocorreu no Japão, e em alguns anos atrás,
também na Espanha e em Portugal.

IV- COMENTE AS SEGUINTES AFIRMAÇÕES:


a) A CONSTITUIÇÃO NORTE-AMERICANA É DE GRANDE IMPORTANCIA EM
TERMOS HISTÓRICOS, ASSIM COMO NOS SEUS CONTRIBUTOS PARA A
CIÊNCIA POLÍTICA E O DIREITO CONSTITUCIONAL.
b) PESE EMBORA SER INTEGRADA POR ALGUNS TEXTOS ESCRITOS, COSTUMA
AFIRMAR-SE QUE A GRÃ-BRETANHA NÃO TEM NEM UMA CONSTITUIÇÃO
ESCRITA NEM UMA CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO FORMAL.
Resposta:
a. A Constituição EUA teve a sua relevante e importantíssima contribuição para a
afirmação do Direito Constitucional e para o desenvolvimento da Ciência Política,
senão vejamos:
Ø É a primeira grande Constituição escrita em sentido moderno;
Ø É a primeira Constituição republicana da era moderna;
Ø É a primeira a consagrar um Estado Federal;
Ø É a primeira a estabelecer um Sistema de Governo Presidencialista, por
influência do sistema de Separação de Poderes;
Ø É a primeira que institui um sistema de Garantia Judiciária da
constitucionalidade das leis; e,
Ø É a primeira que comporta uma Declaração de Direitos.

b. A Constituição Britânica é consuetudinária, isto é, grande parte das regras sobre a


organização do poder político tem origem nos costumes, o que a constitui na
actualidade um caso único.
Quando se diz que ela não é escrita, quer se dizer que não é um documento
único codificado. Mas ela possui diversos actos normativos, que foram regulados
desde 1215 até a actualidade. A união destes actos normativos, no seu conjunto,
formam a Constituição Britânica. Por ser formada por diversas leis, o seu processo
de modificação (revisão) é mais fácil, podendo a qualquer altura ser alterada pelo
Parlamento, nos mesmos termos de uma lei ordinária. Por esta razão que é
considerada uma Constituição Flexível.
Os actos normativos escritos que dão o arcabouço à Constituição Britânica,
são:
Ø Magna Carta (1215);
Ø Petição de Direito (1628);
Ø Lei de Habeas Corpus (1679);
Ø Declaração de Direitos (1689);

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Ø Acto de Estabelecimento (1701);


Ø Acto da união com a Escócia (1707);
Ø Leis Eleitorais (sec. XIX e XX);
Ø Leis sobre o Parlamento (1911,1949 e 1999);
Ø Estatuto de Westminster (1931);
Ø Lei sobre os Ministros da Coroa (1937, 1946 e 1957);
Ø Leis sobre o Pariato (1958 e 1963); e,
Ø E outras normas.
Portanto, conclui-se que a Constituição Britânica apresenta-se não em
sentido instrumental, mas sim, em sentido material.

TESTE Nº10
I- CARACTERIZE:
REGIME POLÍTICO DEMOCRÁTICO, TOTALITÁRIO, MONÁRQUICO E REPUBLICANO.
Resposta:
Antes de tudo, entende-se por Regime Político como o conjunto de instituições
políticas por meio das quais um estado se organiza de maneira a exercer o seu poder sobre
a sociedade. Portanto, neste conceito tem-se a consideração nas concepções fundamentais
das relações entre indivíduo e a sociedade política cuja a ideologia o poder político tem
por missão verter a Ordem Jurídica.
Nestes termos, podemos qualificar, o regime democrático por contraposição ao
totalitário. E o regime monárquico em contraposição ao republicano.

REGIME POLÍTICO DEMOCRÁTICO- é um regime de governo onde o poder de


tomar importantes decisões políticas está com os cidadãos (povo), direta ou indiretamente,
por meio de representantes eleitos — forma mais usual. Uma democracia pode existir num
sistema presidencialista ou parlamentarista, republicano ou monarquico.
As Democracias podem ser divididas em diferentes tipos, baseado em um número de
distinções. A distinção mais importante acontece entre democracia direta (algumas vezes
chamada "democracia pura"), onde o povo expressa a sua vontade por voto direto em
cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada
"democracia indireta"), onde o povo expressa sua vontade através da eleição de
representantes que tomam decisões em nome daqueles que os elegeram.
Os benefícios do regime democrático são:
a. Ajuda a impedir o governo de autocratas cruéis e viciosos;
b. Garante aos seus cidadãos um conjunto de direitos fundamentais que os outros
sistemas não podem garantir;
c. Assegura aos seus cidadãos um espaço mais amplo de liberdade pessoal;
d. Ajuda os povos a protegerem os seus direitos fundamentais;
e. Ajuda os povos a exercerem a liberdade de autodeterminação;
f. Proporciona uma igualdade política (mesmo que relativa);
g. As democracias modernas tendem a serem pacíficas; e,
h. As democracias tendem a serem mais prósperas do outros estados que não são.

REGIME POLÍTICO TOTALITÁRIO – é um regime político baseado na extensão do


poder do Estado a todos os níveis e aspectos da sociedade ("Estado Total", "Estado
Máximo"). Também é considerado a prática de um regime político que defende a total
importancia do Estado sobre os interesses do cidadão. No regime totalitário, o Estado tem
um governo forte, capaz de controlar de forma absoluta os diversos sectores da vida
social, os meios de comunicação, os órgãos de segurança, os sindicatos dos trabalhadores
e outros. Em termos políticos o regime totalitário prega o fim da democracia liberal e a

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eliminação das oposições por meio de uma propaganda agressiva ou por meio da violência
física. A linha política do Estado é determinada por um partido único. Entre os exemplos
mais significativos, temos: o Facismo na Itália e o Nazismo na Alemanha.

REGIME POLÍTICO MONÁRQUICO – é uma forma de governo em que um


indivíduo governa como chefe de Estado, geralmente de maneira vitalícia ou até sua
abdicação, e "é totalmente separado de todos os outros membros do Estado". A pessoa que
encabeça uma monarquia é chamada de monarca.
Não há definição consensual de monarquia. Deter poderes políticos ilimitados no
Estado não é a característica mais recorrente, haja vista as muitas monarquias
constitucionais, como as do Reino Unido, Austrália, Suécia, Noruega, Dinamarca, Canadá,
Japão, etc.
As características fundamentais da monarquia, das quais decorrem os argumentos
favoráveis e contrários a ela, são:
Vitaliciedade. O monarca não governa por um tempo certo e limitado, podendo
governar enquanto viver ou enquanto tiver condições para continuar governando;
Hereditariedade. A escolha do monarca se faz pela simples verificação da linha de
sucessão. Quando morre o monarca ou deixa o governo por qualquer outra razão, é
imediatamente substituído pelo herdeiro da coroa. Houve alguns casos de monarquias
eletivas, em que o monarca era escolhido por meio de eleições, podendo votar apenas os
príncipes eleitores. Mas a regra sempre foi a hereditariedade;
Irresponsabilidade. O monarca não tem responsabilidade política, isto é, não deve
explicações ao povo ou a qualquer órgão sobre os motivos pelos quais adotou certa
orientação política.

REGIME POLÍTICO REPUBLICANO - é a forma de governo que se opõe à


monarquia, tem um sentido muito próximo do significado de democracia, uma vez que
indica a possibilidade de participação do povo no governo. Na Antigüidade há referências
à república, mas o sentido que se dá ao termo não corresponde ao moderno, como se
verifica, por exemplo, com a expressão "república romana", que identifica o próprio
Estado e não sua forma de governo. Modernamente, é com MAQUIAVEL que aparece o
termo república, em oposição a monarquia.

Aspectos fundamentais:
1. Interesse Colectivo. A palavra "República", significa "coisa" (Res) "pública (algo
que faz parte do património comum). Este é o lema central do republicano: colocar o
interesse comum acima dos interesses colectivos, velando para que a comunidade saia
beneficiada e não apenas alguns. Os interesses particulares são legítimos e devem ser
respeitados, mas não se podem sobrepor aos interesses da colectividade.
2. Equidade. O ideário republicano, forjado na lutas contra os regimes absolutistas
e ditatoriais, assumiu como matriz a exigência do primado da Lei, perante a qual todos são
iguais. Ninguém está acima da Lei. A primeira missão do Estado republicano é garantir a
imparcialidade e equidade na aplicação da leis da República.
3. Laicismo. A luta contra a intolerância religiosa conduziu os republicanos a
defenderem a separação entre a Igreja e o Estado, proclamando a liberdade religiosa.
4. Legitimidade Democrática. A república, sendo um regime político que a todos
pertence, deve assentar na mais ampla participação dos cidadãos na vida comunitária. O
exercício do poder tem que ser periodicamente legitimado pelo votos dos cidadãos. Ora,
sendo estes beneficiários do Bem Comum, têm igualmente o dever de contribuir com o seu
esforço e inteligência para a prosperidade da comunidade de que fazem parte. Nada pior
para um regime republicano do que um sistema político que limite a participação dos
cidadãos ou favoreça a perpetuação do poder das mesmas pessoas (recusa de cargos
vitalícios).
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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

5. Projecto Colectivo. Uma comunidade republicana só pode subsistir se os seus


membros se sentirem como fazendo parte de uma colectividade que não renega as suas
origens, história e símbolos colectivos, mas que também trabalha para que as novas
gerações venham a herdar uma comunidade mais próspera em todos os sentidos, dando
desta forma continuidade a uma obra de génese colectiva.

II- ENUNCIE E CARACTERIZE:


TIPOS DE SUFRÁGIO E MODOS DE SELECÇÃO DOS GOVERNANTES.
Resposta:

Ø RESTRITO – é aquele quando o direito de voto não é exercido por


todos os cidadãos que já dispõem de uma idade que se considera
como em condição mínima de maturidade, ou também, por todos
aqueles que se entenda estarem na plena posse das faculdades
mentais. Possui uma característica anti-democrática.
Na época em que só podiam votar as pessoas que possuíam
um determinado valor mínimo de rendimentos ou propriedades,
denomina-se de voto censitário.
Como também, o voto em que as pessoas tem que
demonstrar um mínimo de instrução ou de capacidade intelectual,
denomina-se sufrágio capacitário.
Existe também restrições em função do sexo, de questões
políticas e etnico-raciais.
Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio Universal.

Ø UNIVERSAL – é aquele quando todos os indivíduos podem exercer


o seu direito de voto (com a excepção daqueles que não têm a
capacidade de decidir, isto é, os menores. Igualmente os interditos
por não estarem na posse das suas faculdades mentais; ou também
alguns criminosos.
Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio Restrito.

Ø IGUALITÁRIO – é aquele em que cada eleitor dispõe de um voto -


“One man, one vote”. Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio
Não Igualitário.

Ø NÃO IGUALITÁRIO – é aquele em há a distinção do eleitor,


residindo na Questão de que uns podem ter mais votos do que outros
(que podem ter apenas o direito de votar uma vez). Este sufrágio
resulta do voto múltiplo ou do voto plural. Este tipo de sufrágio
contrapõem-se ao sufrágio Igualitário.

Ø OBRIGATÓRIO – é aquele em que os eleitores são obrigados a


votar sob sanções, que podem ser políticas (incapacidade temporária
de exercício de funções públicas) ou monetárias (pagamento de multa
ou coimas) ou ambas. O voto é obrigatório no Brasil, Bélgica, Grécia e
Luxemburgo. Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio
Facultativo.

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Ø FACULTATIVO – é aquele em que os eleitores não são obrigados a


votar. O voto é um dever cívico e não jurídico. Este tipo de voto ocorre
na maioria dos Países. Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio
Obrigatório.

Ø DIRECTO – é aquele em que os eleitores elegem os titulares dos


órgãos políticos sem quaisquer intermediários. Este tipo de sufrágio
contrapõem-se ao sufrágio Indirecto.

Ø INDIRECTO – é aquele em os eleitores votam para um colégio


eleitoral, colégio esse que, por sua vez, irá escolher os titulares
políticos. Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio Directo.
Ø
Ø UNINOMINAL – é aquele em que em cada círculo eleitoral há
apenas um lugar em discussão, pelo que cada partido apresenta apenas
um candidato à eleição, vindo, portanto, apenas a ser eleito um
candidato de um determinado partido. O voto uninominal ocorre na
França (Assembléia Nacional) e na Grã-Bretanha (Câmara dos
Comuns). Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio Plurinominal.

Ø PLURINOMINAL – é aquele em que o eleitorado vota em cada


círculo eleitoral para uma lista de vários candidatos apresentados por
cada partido, sendo, assim, eleitos diversos candidatos, de acordo com
a distribuição do número de votos pelos diversos partidos. Por
exemplo, as eleições para a Assembléia da República em Portugal.
Este tipo de sufrágio contrapõem-se ao sufrágio Uninominal.

III- COMPARE:
OS PODERES DO PRIMEIRO MINISTRO-FRANCÊS E OS PODERES DO PRIMEIRO-
MINISTRO BRITÂNICO.
Resposta:

PRIMEIRO- PRIMEIRO- PRIMEIRO-


MINISTRO MINISTRO MINISTRO
FRANCÊS FRANCÊS BRITÂNICO
(COM COABITAÇÃO) (COM MAIORIA AFIM AO
PRESIDENTE)
CONSIDERAÇÕES a. A França é uma a. A França é uma a. O Primeiro-Ministro do Reino
INICIAIS República democrática República democrática Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
semipresidencialista. O semipresidencialista. O do Norte é o Chefe de Governo
Presidente da República Presidente da República do Reino Unido e encabeça o
(président de la république) (président de la république) Governo de sua Majestade.
é eleito por sufrágio directo é eleito por sufrágio directo b. O Primeiro-Ministro é a figura
e universal. e universal. preponderante do Gabinete, bem
b. O Primeiro-Ministro é b. O Primeiro-Ministro é como, o centro da vida política
nomeado pelo Presidente. nomeado pelo Presidente. do País.

ESCOLHA E a. É o Presidente quem a. É o Presidente quem a. A Sua Majestade possui a


nomeia o Primeiro-Ministro nomeia o Primeiro-Ministro prerrogativa real de nomear o
CRITÉRIOS (premier-ministre), e preside (premier-ministre), e Primeiro-Ministro.
ao conselho de ministros. preside ao conselho de b. Normalmente, o primeiro-

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CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

b. Normalmente o Primeiro- ministros. ministro é o líder do maior


Ministro é escolhido porque b. Normalmente o Primeiro- partido político na Câmara dos
lidera a corrente política Ministro é escolhido porque Comuns, atualmente o Partido
mais poderosa, dentro da lidera a corrente política Trabalhista.
maioria parlamentar da mais poderosa, dentro da c. Só quando não há uma maioria
Assembléia Nacional maioria parlamentar da definida na Câmara dos Comuns
Francesa. Assembléia Nacional é que o Monarca exerce
Francesa. efetivamente o seu poder de
c. Mas o Presidente da escolha. Ocorreu apenas em
República pode nomear 1924.
uma personalidade que não
seja nem deputado, nem
senador. Foi o caso de
Georges Pompidou ou de
Raymond Barre ou, mais
recentemente, de
Dominique de Villepin.
a. Ao Primeiro-Ministro, a. Ao Primeiro-Ministro a. O primeiro-ministro exerce os
FUNÇÕES cabe a coordenação do dirigir a ação poderes que pertencem,
governo (gouvernement). governamental teoricamente, à Rainha. Ficando,
b. Na condição de (gouvernement) - decidida efetivamente ao Monarca, de
coabitação, a maioria pelo Presidente da maneira residual o poder de “ser
parlamentar é de origem República, em suas consultado, de encorajar e de
diversa do Presidente da grandes linhas. O Primeiro- advertir”.
República, fazendo com que Ministro é teoricamente o b. Tem as mesmas prerrogativas
o Primeiro-Ministro tenha chefe de governo mas, de dos demais primeiros-ministros
uma posição mais facto, o Presidente da da Commonwealth (que seguem
independente em relação a República é quem a forma constitucional chamada
influência presidêncial. desempenha este papel, de sistema de Westminster) .
c. Escolhe a composição enquanto o Primeiro- c. Exerce junto com os membros
do seu Gabinete. Ministro aplica a política do de seu gabinete, o poder
d. Nesta condição, o chefe de Estado. executivo do Governo britânico.
Primeiro-Ministro exerce de b. Sem coabitação, o d. De sua livre vontade, escolhe e
facto sua atribuições legais. Primeiro-Ministro é uma demite todos os membros do
e. Hoje, o Governo do espécie de Chefe do Estado gabinete.
Primeiro-Ministro atende a Maior do Presidente da e. Impõe sua vontade perante os
mais de uma centena de República. demais Ministros e todas as
serviços, auxilia o Primeiro- c. Em caso de consonãncia ações ministeriais devem ser
Ministro e participa no de maioria Presidencial e consultadas a ele.
desenvolvimento da política Governativa o Primeiro- f. Responsabilidade política
governamental. Ministro é reduzido a uma perante a Câmara dos Comuns.
f. É chefe da maioria “missão de sacrifício” g. Possui o poder de dissolução
parlamentar. tendo uma realidade de da Câmara dos Comuns, pois
g. Tem o poder de iniciativa “frustração e jubilação do aconselha ao Soberano ( que
de lei, o poder de iniciativa poder”. tradicionalmente segue suas
regulamentar e o poder de d. Escolhe a composição disposições).
nomeação dos funcionários do seu Gabinete. h. O Gabinete possui uma
civis e militares. Salvo, em e. Colaborador do hierarquia piramidal, sendo o
relação a previsão do artigo Presidente. Primeiro-Ministro o topo da
13º da Constituição. A f. Tem o poder de iniciativa pirâmide.
iniciativa legislativa é de lei, o poder de iniciativa i. Propõe, através do Gabinete, à
concorrente com a do regulamentar e o poder de Câmara dos Comuns as
Parlamento. nomeação dos funcionários principais medidas legislativas.
h. É o responsável pela civis e militares. Salvo, em j.Considerado um “Chefe de
Defesa Nacional. relação a previsão do artigo Partido”, pois tem que ter uma
i. Domina a política interna 13º da Constituição. A relação próxima com o
com supremacia em relação iniciativa legislativa é Parlamento e o seu partido
ao Presidente da República. concorrente com a do principalmente.
Parlamento
g. É o responsável pela

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 31


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Defesa Nacional.
j. Partilha a política interna
com o Presidente da
República, sobressaindo
este.

IV- COMPARE:
ACTIVIDADE LEGISLATIVA DOS PARLAMENTOS NORTE-AMERICANO, FRANCÊS E
BRITÂNICO, ASSIM COMO O DIREITO DE VETO DOS RESPECTIVOS CHEFES DE
ESTADO.
Resposta:

PARLAMENTO CONGRESSO PARLAMENTO


FRANCÊS EUA BRITÂNICO
CONSIDERAÇÕES
INICIAIS a. O Parlamento da França é a. O Congresso dos Estados a. O Parlamento do Reino
bicameral: Senado (sénat), Unidos é o Poder Legislativo Unido da Grã-Bretanha e
eleito indiretamente, e a do governo federal dos EUA. Irlanda do Norte é o corpo
Assembléia Nacional É bicameral, sendo que é legislativo supremo do Reino
(assemblée nationale), eleita composta da Câmara dos Unido e territórios britânicos
pelo voto popular. Representantes e do ultramarinos.
b. O Parlamento tem como suas Senado. Tanto os senadores b. Por si só têm Soberania
principais atribuições, o poder Parlamentar, o que lhe
quanto os deputados são
legislativo, o poder de revisão confere poder soberano sobre
todos eleitos por votação
constitucional e o controlo do todos os outros corpos
governo. direta. políticos do Reino Unido e
c. Assembléia Nacional é b. "Senate" (ou, "Upper seus territórios.
composta por 577 Deputados, House") c. É encabeçado pelo
eleitos por sufrágio directo e Em contraste, o Senado é Monarca do Reino
universal, em sistema eleitoral formado por cem senadores. (actualmente a Rainha Isabel II
de representação maioritária a Cada estado possui direito a do Reino Unido).
duas voltas, tendo que ter 23 dois senadores, d. É bicameral, com um
anos a idade mínima para independente de sua Senado (Câmara dos Lordes)
concorrer ao cargo de população. Os cem e com uma Câmara Baixa
deputado. senadores servem um termo (Câmara dos Comuns).
d. O Senado, constituido contínuo de seis anos; em e. A Câmara dos Lordes inclui
actualmente por 343 intervalos de dois anos cada dois diferentes tipos de
Senadores, eleitos por sufrágio (1) terço é eleito. Tanto os membros: Lordes Espirituais (o
indirecto. membros deputados quanto Clero sênior da Igreja da
os senadores são eleitos Inglaterra) e os Lordes
diretamente pela população, Temporais (membros da
nobreza). Os membros desta
embora em alguns estados,
câmara são eleitos pela
o governador possa
nobreza, e eram hereditários,
escolher um substituto mas agora apenas os
temporário quando uma remanecentes. Por outro lado,
posição de senador está os membros da Câmara dos
vaga. Comuns são eleitos
c. "House of democraticamente.
Representatives" (ou,
"Lower House") a Câmara f. Em teoria, o poder do
dos Representantes Parlamento está nas mãos do
(chamados de Monarca (" Rei-in-Parliament
"representatives”) é "). Costuma-se dizer, no
composta por 435 membros entanto, que a Rainha tem
representantes, cada um dos autoridade soberana, no
quais representa um distrito entanto, esta posição é

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 32


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

congressional. O termo dos discutível. Nos tempos


mandatos dos deputados é modernos, o verdadeiro poder
de dois anos. Cada estado vem das eleições
possui direito a um certo democráticas da Câmara dos
número de membros Commons. A Rainha actua
representantes, que apenas como uma figura de
depende primariamente da proa e os poderes da Câmara
população do dado estado dos Lordes são muito
limitados.
em relação à população do
país. Com o mandato é de 2
anos, sendo breve, eles são
acusados de estarem em
permanente campanha.

FUNÇÕES a. O poder de ambas as a. É um órgão legislativo, a. A função legislativa é a sua


Câmaras (Assembléia Nacional por excelência. principal função. É um órgão
e Senado) é semelhante. b. Detém o Poder legislativo soberano.
b. A iniciativa legislativa Constituinte; b. O processo legislativo de
concerne ao Parlamento e ao c. Detém o Poder Eleitoral ambas as Câmaras (Lordes e
Primeiro-Ministro. subsidiário em relação ao Comuns) é semelhante. A
c. As matérias de natureza Presidente e Vice; iniciativa legislativa pertence
financeira tem que ser d. Desempenha funções de a qualquer das câmaras. Por
submetidas primeiramente na exemplo: caso um projeto-lei
fiscalização política e
Assembléia Nacional. inicie na Câmara dos Comuns,
c. As demais matérias poderão judicial; terá o seu trâmite legislativo,
ser iniciadas por qualquer uma e. O Speaker é o Presidente sendo que aprovado,
das Casas. da Câmara dos transitará para a Câmara dos
d. Os Presidentes da Representantes, eleito pelo Lordes (se submetendo ao
Assembléia Nacional e do próprio órgão, exerce a mesmo rito), caso sendo
Senado, bem como, 60 função de lider da maioria aprovado, serão submetidos a
Deputatados ou 60 Senadores, que o escolheu, cabendo-lhe sanção real, convertendo-se
podem antes da promulgação, conduzir as reuniões. em Lei.
submeter as leis ao Conselho Também é o segundo na c. Desempenha funções de
Constitucional, para que este linha sucessória do fiscalização política;
órgão pronuncie a respeito da Presidente da República. d. As matérias de natureza
respectiva constitucionalidade. f. Cabe a Câmara dos financeira (money bills) tem
e. O Parlamento possui o poder Representantes escolher o que ser submetidas
de autorizar a Declaração de Presidente da República primeiramente na Câmara dos
Guerra. dentre os três candidatos Comuns.
f. A Assembléia Nacional pode mais votados, quando e. Por convenção
votar moções de censura ao nenhum deles reuna a constitucional, todos os
Governo. Ministros de Governo,
maioria dos eleitores.
g. O Senado é uma Assembléia incluindo o Primeiro-Ministro
g. Cabe a Câmara dos
parlamentar, o Senado vota a são eleitos na Câmara dos
lei, seja uma proposta do Representantes constituir Comuns.
governo ou uma iniciativa comissões de inquérito para f. Além das funções
parlamentar. investigar actos da legislativas, o Parlamento
h. O Senado pronuncia-se Administração Federal. também exerce funções
igualmente sobre todas as h. Cabe a Câmara dos judiciárias. O Monarca
revisões da Constituição, Representantes a iniciativa constitui o mais alto juíz, mas
fiscaliza a actividade do dos projectos de leis fiscais o Privy Council também
Governo e desempenha um e finaceiros. Embora, o exerce poder sobre algumas
papel particular no seio do Senado possa introduzir jurisdições. As funções
Parlamento, exercendo a emendas, que às vezes, judiciais cessarão em 2009,
função de representante dos configuram num novo com a entrada de um
órgãos de poder local e projecto. Supremo Tribunal.
regional (municípios, i. Cabe ao Congresso emitir g. De acordo com os juristas, o
departamentos, regiões, etc.) a declaração formal de Parlamento tem soberania em
i. O Presidente do Senado é o guerra. todo o território do Reino
garante da estabilidade das j. O Poder Constituinte é Unido e poder para extinguir
instituições. reservado às duas casas. leis, ampliá-las ou reduzi-las.
j. O Presidente do Senado O Poder parlamentar do
l. Cabe às duas Câmaras do

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 33


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submete as leis ao Conselho Congresso aprovar o Reino Unido frequentemente é


Constitucional, para o controle orçamento e os créditos, controlado na Constituição
de constitucionalidade das não podendo os recursos Britânica.
normas. financeiros do Governo h. As Leis sancionadas pelo
l. Os Presidentes da Assembléia serem utilizados sem a Parlamento britânico são
Nacional e do Senado podem prévia autorização. Neste válidas em todo o Reino
nomear três membros do campo, sobressai a Unido, porém algumas leis não
Conselho Constitucional, cada supremacia do Poder são no território da Escócia
um. devido a um acordo político
Legislativo face ao
ratificado em 1999 no qual é
Executivo.
bem claro que a Escócia
m. Ao Senado cabe a possui uma legislatura
nomeação dos Secretários particular, o Parlamento
escolhidos pelo Presidente Escocês. Embora qualquer lei
da República. do Parlamento escocês possa
n. Ao Senado cabe dar o seu ser anulada pelo Parlamento
assentimento à nomeação britânico, elas tem de ser
dos Juízes do Supremo ratificados para o povo
Tribunal Federal pelo escocês como uma forma de
Presidente da República. valides da Constituição da
o. Cabe ao Senado constituir Escócia.
comissões de inquérito e i. O Governo mantém-se em
ratificar os tratados funções enquanto tiver a
internacionais. confiança política da Câmara
p. Cabe ao Senado dar dos Comuns, confiança essa
anuência à nomeação de que será retirada quando uma
embaixadores, cônsules, votação nos Comuns puser em
causa aspectos essenciais da
representantes diplomáticos
política geral traçada pelo
e altos funcionários.
Primeiro-Ministro.
q. Cabe ao Senado Julgar o j. O presidente da Câmara dos
Presidente, o Vice e todos Comuns é o Speaker. É
os funcionários civis dos escolhido entre os membros
EUA por responsabilidade da maioria, devendo ser
criminal ( em caso de aceito pela oposição, só
acusação por traição). participando nas votações em
r. Cabe ao Senado proceder caso de empate.
o Impeachment do Vice- l. A Câmara dos Lordes, hoje
Presidente, dos Juizes do possui atribuições muito
STF ou dos funcionários reduzidas, tendo pouca
civis federais. influência na vida política.
Hoje, fundamentalmente,
funciona como um fórum de
debate de elevada qualidade,
proporcionando o
aperfeiçoamento dos
projectos-leis.
m. O presidente na Câmara
dos Lordes é o Lord Speaker.
SEMELHANÇAS a. O Parlamento Francês é a. O Congresso EUA é a. O Parlamento Britânico é
bicameral. bicameral. bicameral.
b. As matérias de natureza b. As matérias de natureza b. As matérias de natureza
financeira tem que ser financeira tem que ser financeira tem que ser
submetidas primeiramente na submetidas primeiramente submetidas primeiramente na
Câmara Baixa. na Câmara Baixa. Câmara Baixa (Comuns).
c. A Câmara Baixa representa c. A Câmara Baixa c. A Câmara Baixa representa
o povo e Câmara Alta os entes representa o povo e Câmara o povo e Câmara Alta os
territoriais. nobres.
Alta os entes territoriais.
d. Possuem a competência de d. Possuem a competência de
fiscalização do executivo d. Possuem a competência fiscalização do executivo
(Governo). de fiscalização do executivo (Governo).
e. Possuem o Poder Constituinte (Governo). e. Possuem o Poder
Derivado. e. Possuem o Poder Constituinte Derivado, que é

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 34


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f. O Parlamento possui o poder Constituinte Derivado. flexível (rito ordinário).


de autorizar a Declaração de f. O Congresso possui o
Guerra. poder de autorizar a
g. O Presidente do Senado é o Declaração de Guerra.
substituto do Presidente e eleito g. O Presidente do Senado é
Indirectamente (embora o o Substituto do Presidente e
mecanismo eleitoral seja eleito Indirectamente
totalmente diferente). (embora o mecanismo
eleitoral seja totalmente
diferente).

VETO DO CHEFE DE Na França não há uma previsão Compete ao Presidente da Compete ao Monarca a
constitucional a respeito ao República o direito ao Veto, competência da rejeição ou
ESTADO veto. Mas ao Presidente da promulgação das leis.
veto esse que só poderá ser
República compete assinar os ultrapassado (pelo
decretos-leis (ordennances) e Congresso) por uma
os decretos aprovados em votação por maioria de dois
Conselho de Ministros, pelo que terços dos membros
a sua recusa em os assinar se
presentes em cada uma das
configura como um verdadeiro
direito de veto. Câmaras.

PECULIARIDADES Para além das funções Os habitantes da cidade de a. A Câmara dos Lordes e a
legislativa, o Senado, possui Washington não tem direito Câmara dos Comuns reúnem-
uma missão específica: de voto nas eleições para o se em salas separadas no
representar os órgãos de poder Congresso, só podendo Palácio de Westminster
local e regional da República – votar nas eleições (vulgarmente conhecido como
municípios, departamentos e presidenciais. A cidade é o Houses of Parliament) em
regiões – na metrópole e representada no Congresso Londres - capital britânica.
ultramarinos. apenas por dois deputados
observadores (sem direito a b. O Parlamento britânico é
voto). Também, Washington muitas vezes chamado de
não possui assembléia "Mãe dos parlamentos", no
estadual. contexto de apoio às
demandas dos direitos de voto
nos países que começaram a
introduzir um governo
parlamentar.

V- ENUNCIE:
O PROCESSO DE REVISÃO CONSTITUCIONAL NA GRÃ-BRETANHA, FRANÇA E
ESTADOS UNIDOS, CLASSIFICANDO AS RESPECTIVAS CONSTITUIÇÕES QUANTO AO
MODO DE SUBSISTENCIA DAS SUAS NORMAS.
Resposta:

REVISÃO REVISÃO REVISÃO


CONSTITUCIONAL CONSTITUCIONAL CONSTITUCIONAL
FRANCÊS EUA BRITÂNICO
CARACTERÍSTICAS a. No que se refere à revisão Conforme o artigo V da
constitucional, indica-se que a Constituição dos EUA, diz o a. A Constituição do Reino
iniciativa pertence seguinte: Unido é o conjunto de leis e
concorrentemente ao “Sempre que dois terços princípios debaixo do qual o
presidente da República, dos membros de ambas as Reino Unido é governado.
mediante proposta do primeiro- Câmaras julgarem b. Não é constituido de um
ministro e aos membros do necessário, o Congresso único documento
Parlamento. A proposta de constitucional.

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 35


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revisão deve ser votada pelas proporá emendas a esta c. É muitas vezes dito que o
duas assembléias e Constituição, ou, se as país tem uma constituição
posteriormente deve ser sujeita legislaturas de dois terços "não-escrita" ou de facto
a aprovação por referendo, dos Estados o pedirem, ("na prática").
com exceções, a exemplo de convocará uma convenção
projeto que o presidente para propor emendas, que, d. Os alicerces da constituição
submete ao Parlamento, e que em um e outro caso, serão britânica tem sido,
lá recebe maioria qualificada válidas para todos os efeitos tradicionalmente, a Soberania
de três quintos dos votos Parlamentar, segundo a qual
como parte desta
válidos. os estatutos são aprovadas
Constituição, se forem
b. A forma republicana de pelo Parlamento do Reino
governo não pode ser objecto ratificadas pelas legislaturas Unido supremo e última fonte
de revisão constitucional. de três quartos dos Estados de direito. Isto significa que os
ou por convenções reunidas membros do Parlamento
para este fim em três podem mudar a constituição
quartos deles, propondo o simplesmente por passar novas
Congresso uma ou outra leis pelo Parlamento.
dessas maneiras de
ratificação. Nenhuma
emenda poderá, antes do
ano de 1808, afetar de
qualquer forma as cláusulas
primeira e quarta da Seção
9, do Artigo I, e nenhum
Estado poderá ser privado,
sem seu consentimento, de
sua igualdade de sufrágio no
Senado”.

CLASSIFCAÇÃO DA
Constituição Escrita e Rígida. Constituição Escrita e Constituição Flexível e em
CONSTITUIÇÃO sentido não instrumental (não
Rígida.
QUANTO A SUA escrita).
SUBSISTÊNCIA
(ESTABILIDADE)

TESTE Nº11
I- COMPARE:
a) SISTEMA DE GOVERNO ORLEANISTA E SISTEMA DE GOVERNO
SEMIPRESIDENCIALISTA.
b) ELEMENTOS DO ESTADO E FINS DO ESTADO.
Resposta:
a- O SISTEMA DE GOVERNO ORLEANISTA é aquele que vigorou em França, entre
1830 a 1848, com Luís Felipe de Orleãns. Caracterizou-se pelo equilíbrio entre os
poderes do Rei e do Parlamento. Havia uma dupla responsabilidade política do
Governo perante o Parlamento e o Rei, isto é, estes poderia demitir o Governo.
Havia uma certa limitação dos poderes do Monarca, entretanto, ainda assim,
poderia dissolver o Parlamento.

Já o SISTEMA DE GOVERNO SEMIPRESIDENCIALISTA apareceu em 1919 na


Finlândia e na Alemanha de Weimar. Conhecido também como Regime Misto
Parlamentar-Presidencial (também chamado de sistema híbrido de governo) é um
sistema de governo no qual o chefe de governo (geralmente com o título de

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 36


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

primeiro-ministro) e o chefe de Estado (geralmente com o título de presidente)


compartilham em alguma medida o poder executivo, participando, ambos, do
cotidiano da administração pública de um Estado. Difere do parlamentarismo por
apresentar um chefe de Estado com prerrogativas que o tornam muito mais do que
uma simples figura protocolar ou mediador político; difere, também, do
presidencialismo por ter um chefe de governo com alguma medida de
responsabilidade perante o legislativo. Num sistema semipresidencialista, a linha
divisória entre os poderes do chefe de Estado e do chefe de governo varia
consideravelmente de país para país.
Traços gerais:
Ø Três ógãos políticos: Chefe de Estado, Governo e Parlamento.
Ø Eleição do Chefe de Estado e Parlamento por sufrágio universal directo;
Ø Efectivo poder de dissolução do Parlamento pelo Chefe de Estado;
Ø Distinção de funções do chefe de governo e o chefe de Estado;
Ø Os actos do chefe de Estado carecem de referenda ministerial (há
excessões); e,
Ø O Governo é sempre responsável politicamente perante a Câmara
representativa.
São exemplos de países que adotam o semipresidencialismo: Argélia, Egito,
Finlândia, França, lìbano, Lituânia, Mongólia, Paquistão, etc.
O que estes dois sistemas tem em comum, são:
a. Responsabilidade do Governo perante o Parlamento;
b. A possibilidade de dissolução do Parlamento pelo Chefe de Estado; e,
c. A existência de três ógãos políticos: Chefe de Estado(o primeiro – o Rei/ o
segundo – o Presidente da República), Governo e Parlamento.

b- Os ELEMENTOS DO ESTADO são três:


1. O POVO – é o conjunto de pessoas que ao Estado se encontram
ligadas por especiais vínculos jurídicos (de nacionalidade ou
cidadania). Este difere do conceito de População, pois designa o
conjunto de nacionais, estrangeiros e apátridas que se encontram no
território do Estado. E Nação é a comunidade cultural de raiz
histórica, cimentada através de tradições e ideais de cultura.
2. O PODER POLÍTICO – é o elemento político de Estado, sendo
caracterizado como a faculdade de traçar as estruturas e os rumos
da vida em comum, e de impor o acatamento das directivas e das
normas para uma e outra coisa estabelecidas.
3. O TERRITÓRIO- é o espaço jurídico próprio do Estado. Desta
concepção resulta que:
a. Só existe poder do Estado quando ele consegue impor a sua
autoridade em nome próprio sobre certo território;
b. É o território que define o âmbito de soberania de um
Estado em relações aos outros;
c. É o território que define a plenitude do que a cada Estado é
lícito exercer sobre as pessoas;
d. No seu território cada Estado tem o direito de excluir
poderes concorrentes de outros Estados (ou de preferir a
eles);
e. No seu território, cada Estado só pode admitir, com sua
autorização, o exercício de poderes doutro Estado sobre
quaisquer pessoas;e,
f. Os cidadãos só podem beneficiar da plenitude de protecção
dos seus direitos pelo seu Estado no território deste.
ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 37
CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

E os FINS DO ESTADO visa a segurança, a justiça e o bem-estar. Vejamos, cada


um deles:

a. SEGURANÇA – é a defesa contra o inimigo externo, a


garantia da ordem e tranquilidade públicas internas e a
protecção contra as calamidades naturais.
b. JUSTIÇA – é a ação da sociedade política que vem impor
a substituição da violência individual (que surge das
relações entre os homens – identidade de interesses X
conflito de interesses) por regras de direito ditadas pela
razão, que satisfazem o instinto natural de justiça.
c. BEM-ESTAR – Estado de perfeita satisfação física ou
moral ou conforto social. Isto quer dizer que não é apenas
o bem-estar material dos indivíduos, mas também, o bem-
estar cultural e espiritual.

Portanto, só a prossecução conjugada e integral dos três fins mencionados permite


cumprir cabalmente a razão de ser do Estado.
No meu entender os Elementos do Estado é um componente objectivo e os Fins do
Estado é o componente subjectivo do ponto de vista “macro” da relação estatal.

II- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


OS GRUPOS DE PRESSÃO TÊM UM PAPEL MUITO IMPORTANTE NO SISTEMA POLÍTICO
E CONSTITUCIONAL NORTE-AMERICANO.
Resposta:
Os Grupos de Pressão são considerados uma terceira câmara no Congresso EUA,
possuindo um papel fundamental na cena política dos EUA.
Podemos citar inúmeros grupos e entidades, tais como: NRA –Associação Nacional
de Armas de Fogo, Indústria de Armamento (Military Industrial Complex), Associações de
Produtores (algodão, milho, trigo, soja, laranja, leite, etc), Associações de Automóveis,
Bancos, Seguradoras, Aço, Tabaco, ex-fumadores, ecologistas, entidades religiosas, ongs,
empresas multinacionais, indústria nuclear, sindicatos, associações pacifistas, Indústria do
Entretenimento, turismo, alimentação, bebidas, restauração, etc.
São tantos os interesses que a actividade lobista se profissionalizou nos EUA,
estando regulamentada.
Portanto, todos estes grupos de pressão possuem um enorme peso na sociedade
norte-americana, influenciando directamente os poderes constituidos, moldando muitas das
vezes, o rol de normas existentes naquele País.

III- COMPARE:
OS PODERES DO CONGRESSO NORTE-AMERICANO E OS PODERES DO PARLAMENTO
FRANCÊS.
Resposta:
PARLAMENTO CONGRESSO
FRANCÊS EUA
CONSIDERAÇÕES INICIAIS
a. O Parlamento da França é a. O Congresso dos Estados Unidos
bicameral: Senado (sénat), eleito é o Poder Legislativo do governo
indiretamente, e a Assembléia federal dos EUA. É bicameral,

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 38


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Nacional (assemblée nationale), sendo que é composta da Câmara


eleita pelo voto popular. dos Representantes e do Senado.
b. O Parlamento tem como suas Tanto os senadores quanto os
principais atribuições, o poder deputados são todos eleitos por
legislativo, o poder de revisão votação direta.
constitucional e o controlo do b. "Senate" (ou, "Upper House")
governo. Em contraste, o Senado é formado
c. Assembléia Nacional é composta por cem senadores. Cada estado
por 577 Deputados, eleitos por possui direito a dois senadores,
sufrágio directo e universal, em independente de sua população.
sistema eleitoral de representação Os cem senadores servem um
maioritária a duas voltas, tendo que termo contínuo de seis anos; em
ter 23 anos a idade mínima para intervalos de dois anos cada (1)
concorrer ao cargo de deputado. terço é eleito. Tanto os membros
d. O Senado, constituido deputados quanto os senadores são
actualmente por 343 Senadores, eleitos diretamente pela
eleitos por sufrágio indirecto. população, embora em alguns
estados, o governador possa
escolher um substituto temporário
quando uma posição de senador
está vaga.
c. "House of Representatives" (ou,
"Lower House")
A Câmara dos Representantes
(chamados de "representatives"
pelos estadunidenses) é composta
por 435 membros representantes,
cada um dos quais representa um
distrito congressional. O termo dos
membros deputados é de dois
anos. Cada estado possui direito a
um certo número de membros
representantes, que depende
primariamente da população do
dado estado em relação à
população do país.
O mandato é de 2 anos, sendo
breve, acusados de estarem em
permanente campanha.

FUNÇÕES a. O poder de ambas as Câmaras a. É um órgão legislativo, por


(Assembléia Nacional e Senado) é excelência.
semelhante. b. Detém o Poder Constituinte;
b. A iniciativa legislativa concerne c. Detém o Poder Eleitoral
ao Parlamento e ao Primeiro- subsidiário em relação ao
Ministro. Presidente e Vice;
c. As matérias de natureza d. Desempenha funções de
financeira tem que ser submetidas fiscalização política e judicial;
primeiramente na Assembléia e. O Speaker é o Presidente da
Nacional. Câmara dos Representantes, eleito
c. As demais matérias poderão ser pelo próprio órgão, exerce a
iniciadas por qualquer uma das função de lider da maioria que o
Casas. escolheu, cabendo-lhe conduzir as
d. Os Presidentes da Assembléia reuniões. Também é o segundo na
Nacional e do Senado, bem como, linha sucessória do Presidente da
60 Deputatados ou 60 Senadores, República.
podem antes da promulgação, f. Cabe a Câmara dos
submeter as leis ao Conselho Representantes escolher o
Constitucional, para que este órgão Presidente da República dentre os
pronuncie a respeito da respectiva três candidatos mais votados,
constitucionalidade. quando nenhum deles reuna a
e. O Parlamento possui o poder de maioria dos eleitores.
autorizar a Declaração de Guerra. g. Cabe a Câmara dos

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 39


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

f. A Assembléia Nacional pode Representantes constituir comissões


votar moções de censura ao de inquérito para investigar actos
Governo. da Administração Federal.
g. O Senado é uma Assembléia h. Cabe a Câmara dos
parlamentar, o Senado vota a lei, Representantes a iniciativa dos
seja uma proposta do governo ou projectos de leis fiscais e finaceiros.
uma iniciativa parlamentar. Embora, o Senado possa introduzir
h. O Senado pronuncia-se emendas, que às vezes, configuram
igualmente sobre todas as revisões num novo projecto.
da Constituição, fiscaliza a i. Cabe ao Congresso emitir a
actividade do Governo e declaração formal de guerra.
desempenha um papel particular no j. O Poder Constituinte é reservado
seio do Parlamento, exercendo a às duas casas.
função de representante dos órgãos l. Cabe às duas Câmaras do
de poder local e regional Congresso aprovar o orçamento e
(municípios, departamentos, regiões, os créditos, não podendo os
etc.) recursos financeiros do Governo
i. O Presidente do Senado é o serem utilizados sem a prévia
garante da estabilidade das autorização. Neste campo,
instituições. sobressai a supremacia do Poder
j. O Presidente do Senado submete Legislativo face ao Executivo.
as leis ao Conselho Constitucional, m. Ao Senado cabe a nomeação
para o controle de dos Secretários escolhidos pelo
constitucionalidade das normas. Presidente da República.
l. Os Presidentes da Assembléia n. Ao Senado cabe dar o seu
Nacional e do Senado podem assentimento à nomeação dos
nomear três membros do Conselho Juízes do Supremo Tribunal
Constitucional, cada um. Federal pelo Presidente da
República.
o. Cabe ao Senado constituir
comissões de inquérito e ratificar
os tratados internacionais.
p. Cabe ao Senado dar anuência à
nomeação de embaixadores,
cônsules, representantes
diplomáticos e altos funcionários.
q. Cabe ao Senado Julgar o
Presidente, o Vice e todos os
funcionários civis dos EUA por
responsabilidade criminal ( em caso
de acusação por traição).
r. Cabe ao Senado proceder o
Impeachment do Vice-Presidente,
dos Juizes do STF ou dos
funcionários civis federais.

SEMELHANÇAS a. O Parlamento Francês é a. O Congresso EUA é bicameral.


bicameral. b. As matérias de natureza
b. As matérias de natureza financeira tem que ser submetidas
financeira tem que ser submetidas primeiramente na Câmara Baixa.
primeiramente na Câmara Baixa. c. A Câmara Baixa representa o
c. A Câmara Baixa representa o povo e Câmara Alta os entes
povo e Câmara Alta os entes territoriais.
territoriais. d. Possuem a competência de
d. Possuem a competência de fiscalização do executivo
fiscalização do executivo (Governo).
(Governo). e. Possuem o Poder Constituinte
e. Possuem o Poder Constituinte Derivado.
Derivado. f. O Congresso possui o poder de
f. O Parlamento possui o poder de autorizar a Declaração de Guerra.
autorizar a Declaração de Guerra. g. O Presidente do Senado é o
g. O Presidente do Senado é o Substituto do Presidente e eleito
substituto do Presidente e eleito Indirectamente (embora o

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 40


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Indirectamente (embora o mecanismo eleitoral seja


mecanismo eleitoral seja totalmente totalmente diferente).
diferente).
PECULIARIDADES Para além das funções legislativa, o Os habitantes da cidade de
Senado, possui uma missão Washington não tem direito de
específica: representar os órgãos de voto nas eleições para o
poder local e regional da República Congresso, só podendo votar nas
– municípios, departamentos e eleições presidenciais. A cidade é
regiões – na metrópole e representada no Congresso apenas
ultramarinos. por dois deputados observadores
(sem direito a voto). Também,
Washington não possui assembléia
estadual.

TESTE Nº12
I- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:
A EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO ESTADO MODERNO TEM SIDO SIGNIFICATIVA.
Resposta:
A evolução histórica do Estado Moderno está dividida em cinco importantes períodos: o
Estado Estamental, o Estado Absoluto, o Estado Polícia, o Estado Constitucional e o Estado
Social de Direito. Vejamos em linhas gerais cada um deles:
Ø Estado Estamental: Também conhecido por Monarquia Limitada, pois compreende
um período de transição até que o Rei ganhe força, tornando assim a monarquia
absoluta. A monarquia está limitada porque têm que contar com o apoio dos
estamentos (teia de relacionamentos que constitui um determinado poder e influi em
determinado campo de actividade), tais como: os Parlamentos, os Estados Gerais,
as Dietas ou Cortes. Este período é considerado um momento de equilíbrio.
Ø Estado Absoluto: "O ESTADO SOU EU", estas são as palavras do Rei Luís XIV, rei
da França (entre 1643 e 1715). Esta frase sintetiza o que é o Estado Absoluto,
pois a vontade do soberano se confundia com a vontade do Estado.
Este sistema é monocrático e centralizado com "poder ilimitado e arbitrário”. Em
outras palavras, o Estado Absoluto é uma absoluta falta de referências jurídicas, em
sentido ocidental.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- A máxima concentração de poder no Rei;
b- O soberano é detentor do poder de fazer, alterar, executar, interpretar e
revogar as leis. Portanto, concentra em sí, os poderes legislativo, executivo e
judicial;
c- A votade do monarca é a lei. Sendo que as regras definidoras do poder são
vagas e quase todas não reduzidas a escrito;
d- Não possui a fiscalização ou sanção pelo não cumprimento de quaisquer leis.

Estado Polícia: é o estado absoluto levado as últimas consequências. O fundamento


não é mais divino e sim racional. O Príncipe é o interventor em todas as áreas e domínios
do interesse público (“raison d'etat” – devido ao estado), alargando assim a intervenção do
estado aos domínios até então ignorados. Ao Príncipe incumbe pessoalmente a imensa
tarefa de prosseguir os fins do Estado.

Estado Constitucional: no sentido de Estado enquadrado num sistema normativo


fundamental, é uma criação moderna, tendo surgido paralelamente ao Estado Democrático
e, em parte, sob influência dos mesmos princípios. O constitucionalismo, assim como a
moderna democracia, tem suas raízes no desmoronamento do sistema político medieval,

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 41


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

passando por uma fase de evolução que iria culminar no século XVIII, quando surgem os
documentos legislativos a que se deu o nome de Constituição. Com efeito, embora a
primeira Constituição escrita tenha sido a do Estado de Virgínia, de 1776, e a primeira
posta em prática tenha sido a dos Estados Unidos da América, de 1787, foi a francesa, de
1789, que teve maior repercussão. O Estado Constitucional, está fundamentado em três
grandes objetivos, que, conjugados, iriam resultar no constitucionalismo: a afirmação da
supremacia do indivíduo, a necessidade de limitação do poder dos governantes e a crença
quase religiosa nas virtudes da razão, apoiando a busca da racionalização do poder.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Limitação do poder político;
b- Advento de constituições;
c- Separação de poderes;
d- Reconhecimento da existência de direitos do homem;
e- Igualdade jurídica de todas as pessoas;
f- Primado da Lei, sendo o Estado fundado e limitado pelo direito;
g- Aparecimento dos Partidos Políticos;
h- Representação política; e,
i- Proteção da propriedade privada.

Ø Estado Social de Direito: surgiu na segunda metade do século XX, e


representou um avanço assinalável sobre o Estado Liberal do século XIX. Mas a experiência
da sua aplicação prática e as necessidades das sociedades modernas e dos seus cidadãos,
têm-lhe vindo a colocar novos desafios e a exigir o seu aperfeiçoamento. O Estado Social
nasceu da consciência do valor da solidariedade como expressão do valor da igualdade de
todos os cidadãos no exercício das liberdades fundamentais. Portanto, vem promover a
relevância do bem estar e da justiça social como fins do Estado, dando a este, uma nova
escala de objectivos e funções.
Possui os seguintes traços estruturais:
a- Equilíbrio das clivagens sociais;
b- Estímulos regulativos e materiais do Estado a favor da justiça social;
c- Reajustamento das condições reais prévias à aquisição de bens materiais e
imateriais insdispensáveis ao próprio exercício de direitos, liberdades e garantias pessoais;
e,
d- Estabelecimento de regimes jurídicos em prol do emprego e dos direitos dos
trabalhadores.

II- COMENTE AS SEGUINTES AFIRMAÇÕES:


a) OS PARTIDOS POLÍTICOS TÊM OS SEUS ANTECEDENTES;
b) OS PARTIDOS POLÍTICOS PODEM SER CLASSIFICADOS QUANTO ÀS
SUAS ORIGENS E TIPOS.
Resposta:
a) Os primeiros partidos políticos tiveram o surgimento na Inglaterra (Whigs e
Tories), França (Girondinos e Jacobinos) e EUA (Federalistas e Anti-Federalistas)
entre os séculos XVIII e XIX. Aparecerem vinculados à extensão do sufrágio popular
e às prerrogativas parlamentares. Mesmo assim, ainda no século XVIII, os partidos
não tinham a influência que hoje é dada, eram alguma coisa nebulosa e
inconsistente, representando uma tendência, uma opinião ou corrente de opinião
pública ou político social.

b) A classificação clássica dos partidos políticos é quanto a sua ORIGEM, que foi
desenvolvida por Maurice Duverger. Esta classificação considera a existência de
ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 42
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partidos de origem eleitoral, de origem parlamentar e de origem exterior. Senão


vejamos:
Ø Origem Eleitoral: são os partidos que aquando da progressiva
institucionalização do sufrágio universal. Por exemplo, em França, a partir
de 1848, resultam da criação de comités eleitorais com vista a enquadrar
as massas populares.
Ø Origem Parlamentar: São aqueles que derivam da necessidades de
deputados, que prefessam opiniões semelhantes reunindo-se em grupos
parlamentares, de molde a fazerem vingar as suas opiniões em sede
parlamentar.
Ø Origem Exterior: são aqueles que se constituiram fora do parlamento, a
partir de sindicatos, sociedades de pensamento e grupos intelectuais.

Duverger, também classificou os partidos quanto o seu tipo,


especificamente, quanto ao âmbito e extensão social dos partidos. Dividiu em
Partidos de Quadros ou de Notáveis e Partidos de Massa ou de Militantes.
Vejamos:
Ø Partidos de Quadros ou de Notáveis: São aqueles que posuem nas suas
fileiras, grandes personalidades, que dão notoriedade ao partido, pelo seu
prestígio, sua influência ou sua fortuna. Ex.: Partido Trabalhista Britânico.
Ø Partidos de Massa ou de Militantes: São aqueles que surgiram da
necessidade de se estruturarem através de uma quotização (contribuição
financeira) regular por seus integrantes, surgindo então a necessidade de terem
um número elevado de filiados. Também, no plano ideológico, visavam a uma
verdadeira educação política da classe operária. Estes partidos passaram a
espelhar o alargamento da democracia, se abrindo a quase totalidade da
população.

Nos anos 60, um novo tipo de partido aparece: Partido de Eleitores


(também chamado de Reunião ou Eleitoral de Massas). Possui um eleitorado
socialmente diversificado. Visa especificamente os eleitores, diversamente os outros
que privilegiam os militantes. Apresentam as seguintes características:

Ø Redução drástica da base ideológica;


Ø Redução do papel do militante individual do partido;
Ø Diminuição da importância conferida a uma certa classe social ou uma
platéia religiosa ou confessional, visando a população em geral; e,
Ø Abertura a diversos grupos de interesses.

III- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:


NÃO OBSTANTE A COROA BRITÂNICA TER IMENSOS PODERES, OS MESMOS
NÃO SÃO REAIS.
Resposta:
A Coroa Britânica possui um conjunto de poderes que são conhecidos como
“Prerrogativa Real”. No entanto, não são tão reais quanto a acepção da palavra, uma vez
que é Primeiro-Ministro e o Gabinete Ministerial que acabam “usurpando” estas
competências. Conforme o dito, o Rei “reina, mas não governa”.
Em decorrência desta circunstância, a Coroa é irresponsável politicamente e
juridicamente, sendo atribuídas estas responsabilidades ao Governo.

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 43


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Eis algumas “Prerrogativas Reais”:


Ø O comando e a nomeação dos Altos Chefes das Forças Armadas;
Ø O direito de proclamar a guerra e declarar a paz;
Ø O direito de nomear o Primeiro-Ministro;
Ø A dissolução do Parlamento;
Ø A rejeição e promulgação das Leis;
Ø O direito de concluir tratados;
Ø E outras atribuições.

IV- COMPARE:
O BIPARTIDARISMO NOS ESTADOS UNIDOS E O BIPARTIDARISMO NO REINO
UNIDO.
Resposta:
O BIPARTIDARISMO NOS ESTADOS UNIDOS advém da existência de dois
grandes partidos: Partido Republicano e Partido Democrata. Estes são partidos que
possuem chances de assumir o Executivo e o Legislativo. Portanto os Presidentes e Vices são
oriundos de suas fileiras. O mesmo se repete no âmbito dos Estados Federados, com os
Governadores e as Câmaras.
Já o BIPARTIDARISMO NO REINO UNIDO é caracterizado pela existência de dois
grandes partidos que se alternam no poder, a saber: Partido Conservador e Partido
Trabalhista. Ambos alcançam entre 75 a 80% dos votos expressos e entre 90 a 95% da
representação da Câmara dos Comuns.
Existe uma terceira força, o Partido Liberal-Democrata, entretanto, não tem
qualquer influência na formação das maiorias governamentais. Face a este antecedente,
pode ser classificado o Sistema de Partidos do Reino Unido como “Bipartidarismo
Perfeito”.
Em relação aos dois sistemas, o Americano e o Inglês, as diferenças residem no
sistema de eleição de seus representantes e na qualidade dos partidos. Os Americanos
possuem partidos de quadros eleitorais, enquanto os ingleses possuem partidos mais
ideológicos, sendo estes são mais disciplinados, enquanto aqueles, indisciplinados.

V- COMPARE:
O PAPEL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NOS EUA COM O PAPEL DO
CONSELHO CONSTITUCIONAL FRANCÊS.
Resposta:
CONSELHO SUPREMO TRIBUNAL
CONSTITUCIONAL FEDERAL DOS EUA
FRANCÊS
O Conselho Constitucional faz parte a. A Supremo Tribunal Federal ou
CONSIDERAÇÕES da família das Cortes e Tribunais Tribunal Supremo dos EUA (Supreme
INICIAIS constitucionais criados na Europa após
a 2a Guerra Mundical, inicialmente
Court of the United States) é a mais
alta corte federal dos EUA, ou seja,
na Alemanha, Áustria e Itália, depois possui autoridade jurídica suprema
na Espanha, Portugal, Bélgica, dentro do país para interpretar e
multiplicando-se ainda mais após a decidir questões quanto à lei federal,
queda do Muro de Berlim, nos países incluindo a Constituição dos EUA.
da Europa central e oriental. b. Os EUA desde o seu início vivem
sob o princípio da
Constitucionalidade.
c. O pressuposto para a admissão de
uma fiscalização judicial radica na
idéia de que a Constituição tem a

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 44


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primazia sobre qualquer lei ordinária,


não podendo, ser alterada por via
desta última.
ESCOLHA E CRITÉRIOS a. É constituído por nove membros, a. Os juízes (atualmente nove), são
designados pelo Presidente da nomeados vitaliciamente pelo
República, pelo Presidente da Presidente dos EUA e confirmados
Assembléia Nacional e pelo com um voto majoritário (ratificação)
Presidente do Senado, cada uma pelo Senado. Um destes nove serve
dessas autoridades nomeando um como Juiz Chefe; os membros
membro cada três anos, no limite de restantes são designados Juízes
três cada. Associados.
b. Mandato de nove anos, não b. Não há limite de permanência dos
renovável. juízes.
c. Fazem ainda parte deste órgão,
além dos nove membros, os antigos
Presidentes da República, por direito
próprio e a título vitalício.
FUNÇÕES/ATRIBUIÇÕES/ a. Além do controle da a. Como em todos tribunais federais,
constitucionalidade das leis, incumbe a jurisdição do tribunal é limitada.
COMPETÊNCIAS o Conselho Constitucional velar pela Enquanto a Suprema Corte possui
regularidade da eleição do jurisdição original em alguns casos
Presidente da República e julgar os entre estados, a maior parte dos
litígios relativos às eleições trabalho consiste na revisão de
parlamentares. apelações de casos procedentes de
b. O Conselho tem atualmente uma supremas cortes estaduais ou de
participação importante no sistema tribunais federais inferiores.
constitucional e político, contribuindo b. Os poderes da Suprema Corte são
para assegurar o equilíbrio, estabelecidos na primeira e segunda
notadamente quando direita e seção do Artigo Terceiro da
esquerda se alternam ou convivem no Constituição dos EUA:
exercício do poder. Não somente tem Seção 1:
participado da construção do Estado O Poder Judiciário dos Estados
de direito, submetendo as leis ao seu Unidos será investido em uma
controle e assegurando o respeito dos Suprema Corte e nos tribunais
direitos fundamentais, como provocou inferiores que forem oportunamente
uma mutação da ordem jurídica, estabelecidos por determinações do
pondo em movimento um processo de Congresso. Os juízes, tanto da
constitucionalização dos diferentes Suprema Corte como dos tribunais
ramos do Direito. inferiores, conservarão seus cargos
c.Aprecia e Julga também os enquanto bem servirem, e
tratados. perceberão por seus serviços uma
d. Pronuncia-se sobre os remuneração que não poderá ser
impedimentos temporários ou diminuída durante a permanência no
definitivos do Chefe de Estado e cargo.
incompatibilidades dos parlamentares. c. É no Supremo Tribunal que se
discute matérias de grande
relevância para a sociedade, tais
como: costumes, sexualidade,
religião, políticas, despenalização do
aborto, defesa do ambiente,
protecção dos deficientes minorias
étinicas, etc.
d. Foi no Supremo que foi decidida a
eleição polêmica de G.W. Bush em
2000, proibindo a recontagem dos
votos na Flórida e atribuindo-lhe a
vitória.
a. Revisão Constitucional das leis. a. Revisão Constitucional das leis.
SEMELHANÇAS b. Possuem nove membros. b. Possuem nove membros.
Exerce funções consultivas e de a. Todos os outros tribunais federais
PECULIARIDADES controlo, se o Presidente decidir usar são criados pelo Congresso dos EUA.
as atribuições plasmadas no artigo 16 b. No sistema de judicial “review”
da Constituição. americano, uma norma que viola a

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Constituição é nula e daí o Juiz antes


de decidir qualquer litígio de acordo
com esta norma, deve examinar se
ela está ou não em conformidade
com as normas e princípios
constitucionais.
c. As decisões do Supremo Tribunal
são sempre adoptadas por maioria,
verificando o quorum de seis dos seus
membros.

TESTE Nº13
I- COMENTE A SEGUINTE AFIRMAÇÃO:
PARA ALÉM DOS ESTADOS FEDERAIS, EXISTE AINDA O PARLAMENTO
BICAMERAL NOUTRAS FORMAS DE ESTADO.
Resposta:
No federalismo cooperativo os Estados Membros dos EUA são células
administrativas que complementam a política federal. Tendo como enfoque a política
descentralizada. Com essa nova estruturação fica evidente que se ampliou os poderes da
federação, por sua vez limitando os poderes dos Estados-membros.
Como competência, pertence aos Estados Federados, nomeadamente, o poder local
e a legislação sobre matéria civil e criminal (daí as diferenças de penas entre os estados,
penas de morte, casamento e divórcio, etc).
Com efeito, em cada estado federado existe um Governador (eleito por dois ou
quatro anos), que é a imagem do Presidente, detém o poder executivo.
Existe igualmente um Senado e uma Câmara dos Representantes em cada estado
federado (com excepção do Nebraska, desde 1934, só com uma câmara), tal como sucede
ao nível do Estado Federal, detendo o poder legislativo.
Nesta articulação entre os vários órgãos políticos, vigora igualmente a separação
de poderes e o sistema de freios e contrapesos característicos do sistema federal, possuindo
o governador o direito ao veto face ao poder legislativo.
Na maioria dos estados, o governador é assistido por um vice-governador, ao
espelho do plano federal.
De igual modo, a estrutura judicial do Estado Federado, apresenta semelhanças com
o Estado Federal, pois os tribunais são hierarquizados tendo no seu topo o supremo tribunal
do estado federado à imagem do Supremo Tribunal Federal.
Refira-se, ainda, que em certos estados federados vigoram processos de
democracia semidirecta, nomeadamente o instituto do referendo, figura jurídica que não
existe aonível do Estado Federal, bem como a iniciativa popular.
Em vários estados (dezoito), existe um instituto muito original: o recall (revogação
pelo povo de um mandato dos titulares já eleitos).
Portanto, é de concluir que no federalismo americano a autonomia política dos
Estados federados é de igual intensidade com uma repartição constitucional de competência
política, administrativa, legislativa, de modo a possibilitar-lhes capacidade de organização,
administração e legislação própria, não sujeitas à autoridade de outra pessoa política, mas
apenas da própria constituição.

II- COMPARE:
O PAPEL DO PRESIDENTE DO SENADO FRANCÊS COM O PAPEL DO VICE-
PRESIDENTE DOS EUA.
Resposta:

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Por se tratar de funções distintas, mas iremos abordar apenas as competências


convergentes relacionados aos dois cargos políticos. Temos o seguinte quadro abaixo:

PRESIDENTE DO VICE-PRESIDENTE
SENADO FRANCÊS DOS EUA
a. O Parlamento tem como suas a. O Vice-presidente actua como
CONSIDERAÇÕES principais atribuições, o poder Presidente do Senado, como
INICIAIS legislativo, o poder de revisão
constitucional e o controlo do
indica o primeiro artigo da
Constituição dos EUA.
governo, sendo composto pela b. O Senado dos EUA é uma das
Assembléia Nacional e pelo duas câmaras do Congresso. No
Senado. Senado, cada estado norte-
b. O Senado é uma Assembleia americano é igualmente
parlamentar, o Senado vota a lei, representado por dois membros,
seja uma proposta do governo ou independente de sua população.
uma iniciativa parlamentar. Como resultado, o número total
c. O Senado pronuncia-se de senadores no Senado norte-
igualmente sobre todas as americano é cem.
revisões da Constituição, fiscaliza
a actividade do Governo e
desempenha um papel particular
no seio do Parlamento,
exercendo a função de
representante dos órgãos de
poder local e regional
(municípios, departamentos,
regiões, etc.)

A escolha do Senador é feita por a. A escolha é feita por critério


ESCOLHA E eleição indirecta (sufrágio político (Normalmente, os
CRITÉRIOS universal indirecto), por um
colégio eleitoral composto, em
candidatos presidenciais que
estão em vantagem elegem os
cada departamento. A idade seus companheiros de
mínima para ser Senador é de 30 candidatura durante a convenção
anos. do partido. É habitual que os
candidatos elejam um Vice-
presidente que seja de outra
parte do país ou que pertença a
outra franja do partido, a fim de
conquistar o apoio de muitos
sectores) e assunção ao cargo de
Vice-presidente está
condicionada a eleição do
presidente, que também é por via
indirecta.
b. É necessário que o Vice-
presidente cumpra com os
mesmos requisitos constitucionais
que o Presidente para ocupar o
cargo, ou seja, deve ser um
cidadão nativo dos Estados
Unidos, ter no mínimo 35 anos de
idade, e ter residido nos Estados
Unidos pelo menos 14 anos.
c. Segundo a décima segunda
emenda da Constituição, o
Senado possui o poder de eleger
o vice-presidente caso nenhum
candidato a Vice-Presidente
tenha recebido uma maioria de
votos no Colégio Eleitoral dos

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 47


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

EUA.
6 anos 4 anos
DURAÇÃO
a. O Presidente do Senado é o a. O Vice-presidente dos EUA é o
FUNÇÕES garante da estabilidade das Presidente do Senado ex-officio,
instituições. sendo este o cargo mais alto de
b. Submete as leis ao Conselho um membro do Senado; durante
Constitucional, para o controle de a sua ausência, o Presidente pro
constitucionalidade das normas. tempore preside ao Senado.
c. O Presidente do Senado pode Normalmente, nem o Vice-
nomear três membros do presidente nem o Presidente pro
Conselho Constitucional. tempore presidem; em seu lugar,
este cargo fica geralmente
delegado a outro senador do
partido com maioria no Senado.
b. O Vice-presidente, quando não
actua como Presidente do
Senado, é o porta-voz para a
política da administração e o
conselheiro do Presidente.
c. O Vice-presidente, não é o
responsável político perante o
Congresso.
Substitui o Presidente da Como primeiro na linha de
SUBSTITUIÇÕES República em caso de sucessão presidencial, o Vice-
falecimento ou renúncia. presidente exerce o mandato de
Presidente de forma imediata
quando o Presidente morre,
renuncia, ou é afastado do cargo
por decisão judicial. Oito Vice-
presidentes assumiram a
Presidência por morte do
Presidente, e um por causa de
renúncia.
a. Substituto do Presidente; e a. Substituto do Presidente; e
SEMELHANÇAS b. É eleito Indirectamente b. É eleito Indirectamente
(embora o mecanismo eleitoral (embora o mecanismo eleitoral
seja totalmente diferente) seja totalmente diferente).
PECULIARIDADES Para além das funções legislativa, a. O presidente do Senado, pro
O Senado, possui uma missão tempore, preside no Senado.
específica: representar os órgãos b. Não há limites para a
de poder local e regional da recondução ao cargo de Vice-
República – municípios, presidente.
departamentos e regiões – na
metrópole e ultramarinos.

III- CARACTERIZE:
O FEDERALISMO NORTE-AMERICANO.
Resposta:
HISTÓRICO – A origem da divisão dos Estados Unidos da América em "Norte" e
"Sul" data dos tempos coloniais, quando a área que actualmente constitui os Estados Unidos
ainda era colónia de três países - Espanha, França e Reino Unido.
A federação americana derivou da independência das 13 ex-colônias que se
fundiram dando origem aos Estados Unidos da América. Com a fusão formularam a
Constituição Federal, impondo a superioridade da União, em face da Constituição dos
Estados.
Neste processo destaca-se alguns momentos importantes no processo evolutivo dos
EUA:
ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 48
CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

- Em 1776, 4 de Julho, as 13 colónias, alvo da discórdia com a Grã-Bretanha


devido a impostos sem regalias, declaram a independência. São criados 13 países
diferentes. A Grã-Bretanha não aceitou a independência e iniciou uma guerra, o que
obrigou a uma união de esforços dos 13 países, apoiados pela França.
- Terminada a guerra, em 1787, era importante definir o modelo de organização,
com mecanismos de colaboração. Em 1787, com a convenção de Filadélfia, foi aprovada
uma constituição (não a primeira, que foi a de Virgínia) e a progressiva ratificação de
todos os 13 Estados. Esta convenção devia melhorar a confederação, mas acaba por criar
uma constituição, que depois de ratificada por todos, da origem em 1789 a uma República
federal.
- Constituição.
- Na década de 1850, os Estados Unidos já haviam se expandido até seus actuais
limites territoriais na América do Norte (posteriormente, adquiriria o Alasca da Rússia,
Havaí e outros territórios ultramarítimos).
- Grande tensão inicial - Guerra de Secessão.
- Conversão numa potência mundial - fim da 1.ª Grande Guerra.
- Conversão numa superpotência - fim da 2.ª Grande Guerra.
- Conversão na única superpotência - fim da URSS.

ACTUALIDADE – Na actualidade, como já dito, os EUA formam uma Federação


constituida por 50 estados federados: aos 13 estados iniciais, foram-se adicionando com o
tempo outros, uns por compra, outros por conquista e outros ainda pela expansão
colonizadora, sendo os estados mais recentes o Alasca (1958) e Hawai (1959).
Adotou um sistema de governo que prima pela separação rígida de poderes. Os
constituintes americanos defenderam a separação absoluta de poderes, contra a
concentração de poderes. Logo foi importante dividir estes poderes, onde cada poder tem
a capacidade de controlo (checks and balances). Cada órgão de Estado tem um poder, ou
seja, cada poder tem uma função. O congresso é o único com o poder legislativo, o
Presidente é o único com poder executivo, e os tribunais com o poder judicial. Há uma
delimitação positiva, mas também há uma delimitação negativa na medida que o executivo
governa, mas não possa legislar. (As “executive orders” de origem presidencial não são leis
são ordens normativas que estão dependentes das leis).
Não há mecanismos de responsabilidade política, cada órgão de Estado tem
poderes para controlar, mas não tem poderes para fazer depender dele. A legitimidade é
perante o povo, que tem a capacidade de destituir/revogar o mandato por causas
políticas. Há controle pelos outros órgãos de Estado, mas não responsabilidade política,
julgamento.

PLANO FEDERAL - Para ocorrer a unificação cada Estado-membro abriu mão de


uma parcela de seu poder repassando para a União. Assim, a União detém uma esfera de
poder e representava a coletividade dos Estados federados, o sistema de governo adotado
foi o representativo republicano, o bicameralismo, estabelecia a supremacia da
Constituição Federal, a separação de poderes, talvez, o mais importante, prescrevia sobre
a Declaração de Direitos (Bill of Rights). Cabendo a Corte Suprema a interpretação da
competência do poder federal.
O federalismo dualista foi aos poucos sendo conquistado pelo federalismo
cooperativista, no qual o poder se concentra no governo federal, que se funda em uma
interação federal-estadual para a solução de objectivos comuns, tais como: problemas
sócio-econômico e resolução das necessidades públicas.
O Executivo, sistema presidencialista, é representado pelo Presidente da República.
O Legislativo é composto por duas Câmaras, ou seja, o sistema é bicameral, no qual o
Senado é composto por dois senadores que representam os seus respectivos Estados perante
a Federação. E a A câmara dos Representantes é composta pelos Deputados Federais que
ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 49
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representam seus Distritos (deputados que representam o povo), que é previamente


delimitado pelo Poder Legislativo local.
A competência que diz respeito a União vem expressa na Constituição Federal, que
ainda, determina que a ela incumbe garantir a forma republicana de Governo; garantir que
o Poder Legislativo seja efectivado conforme determinações legais, ou seja, que a
representação popular na Câmara seja respeitada e a representatividade dos Estados
federados perante a União se concretize com a participação dos Senadores; e, de garantir
que não ocorra a invasão de um Estado-membro pelo outro.
Ainda, em se tratando de competência dos Estados e da União existe competência
exclusiva, v.g., regulamentação de comércio entre Estados, defesa dos direitos
constitucionais e política internacional, atribuída a União, competência concorrente
imputadas à ambas, mas é de salientar que aos Estados federados e defeso certas funções,
v.g., negociar Tratados, Alianças, ou tributar importações ou exportações. Ainda, são
competências específicas: defesa nacional, Forças Armadas, possibilidade de declaração de
guerra e fazer a paz, a moeda, os correios, a organização dos tribunais federais e as
relações diplomáticas.

A CONSTITUIÇÃO – A Constituição dos EUA é a lei fundamental do país. A


constituição estabelece a forma federal do Estado, os órgãos de poder, as suas
competências e forma de funcionamento.
Foi discutida e aprovada pela Convenção Constitucional de Filadélfia - na
Pensilvânia, entre 25 de maio a 17 de setembro de 1787. Naquele ano os Estados Unidos
aprovaram a sua primeira e, até hoje, única Constituição.
A Constituição exprime um meio-termo entre a tendência estadista defendida por
Thomas Jefferson, que queria grande autonomia política para os Estados membros da
federação, e a tendência federalista que lutava por um poder central forte.
A constituição tem sete artigos, numa constituição rígida (com limites à sua revisão)
e elástica (porque com 13 colónias, alargou-se para 50 Estados sempre conseguindo
acompanhar a sua abertura). Os sete artigos definem os poderes do Estado, do Congresso,
do Presidente, do Tribunal e a revisão constitucional. Esta constituição foi sujeita a várias
emendas (primeiras 10 em 1791) e outras mais com direitos fundamentais dos cidadãos.
Não serve para regular tudo, mas prevê o fundamental. A actuação dos tribunais é que
regula o funcionamento, como criação é fonte de direito.
A Constituição dos Estados Unidos prevê um sistema de alterações, por intermédio
de Emendas, tendo ao longo dos anos sido aprovadas um total de 27. As 10 primeiras são
designadas por Bill of Rights por conterem os direitos básicos do cidadão face ao poder do
Estado. Não tendo sido consensual a sua inserção no texto original da Constituição, foram
apresentadas depois da entrada em vigor da Constituição. Nota-se que qualquer
aditamento à Constituição terá obrigatoriamente de ser aprovado por dois terços dos
membros das duas câmaras e pela ratificação de três quartos dos estados federados.
Um Tribunal Supremo composto por juízes indicados pelo Presidente e aprovados
pelo Senado resolve os conflitos entre Estados e entre estes e a União, garantindo a
supremacia da Constituição Federal em relação as Constituições estaduais e as leis do país.
Tratando-se de um Estado Federal, coexiste assim a Constituição do Estado Federal
com as constituições dos 50 estados federados, livremente estabelecidas por cada estado,
se bem que estas tenham que respeitar a Constituição Federal, assim como não contender
com a forma republicana de Governo.
Conclui-se que os Estados federados são independentes constitucionalmente, mas
não define claramente acerca da responsabilidade entre o governo federal e os Estados-
membros, delegando poderes à Nação e outras aos Estados, obscurecendo por completo
qual responsabilidade é incumbida a um e ao outro.

ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 50


CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

O PODER EXECUTIVO - O poder executivo nos Estados Unidos é chefiado pelo


Presidente. Este é auxiliado pelo Vice-Presidente e por secretários que têm a seu cargo
cada um dos departamentos em que se organiza a Administração. Os departamentos são
os seguintes: de Estado (State Department), da Defesa (Department of Defense), do Exécito
(Department of Army), da Marinha (Department of the Navy), da Força Aérea
(Department of the Air Force), do Tesouro (Department of the Treasury), da Justiça
(Department of Justice), do Interior (Department of the Interior), da Agricultura
(Department of Agriculture), do Comércio (Department of Commerce) , do Trabalho
(Department of Labor), da Habitação e Desenvolvimento Urbano (Department of Housing
and Urban Development), dos Transportes (Department of Transportation), da Energia
(Department of Energy), da Saúde e Serviços Humanos (Department of Health and Human
Services), da Educação (Department of Education) , dos Antigos Combatentes (Department
of Veterans Affairs) e da Segurança Interna (Department of Homeland Security).

O PRESIDENTE - é eleito pelo período de quatro anos pelos cidadãos eleitores num
sistema em que os candidatos não ganham diretamente pelo número absoluto de votos no
país, mas dependem da apuração em cada Estado, que manda para uma espécie de
segunda eleição votos em número proporcional a sua população para o vencedor em seu
território.

O CONGRESSO – Duas casas compõem o Congresso: a câmara dos


Representantes (deputados que representam o povo), com delegados de cada Estado na
proporção de suas populações; e o Senado (senadores que representam os Estados), com
dois representantes por Estado (É um bi-camaralismo perfeito, este é o único órgão
representativo do povo, porque é o único eleito pelo povo). O Congresso vota leis e
orçamentos. O Senado vela pela política exterior principalmente.
Os estados federados participam na formação da vontade da política federal. Os
435 representantes são eleitos consoante a proporcionalidade ao número de eleitores. No
caso do Senado, são dois senadores por Estado, 50 Estados, 100 Senadores.
Os poderes de ambos são basicamente idênticos, uma lei tem de ser aprovada nas
duas câmaras, em matéria legislativa. Quanto à responsabilidade política, não existe. A
confirmação de altos funcionários da Administração é só objecto de confirmação pelo
Senado, bem como, a ratificação de tratados internacionais.
O sistema é maioritário a uma volta, em círculos uninominais (tal como na Grã-
Bretanha) o que explica o bipartidarismo. Os senadores têm mandatos de 6 anos, 1/3
cada 2 em 2 anos, o que dá estabilidade política. Os Representantes (deputados) têm
mandatos de 2 anos. As duas câmaras não podem ser dissolvidas.

PLANO ESTADUAL- No federalismo cooperativo os Estados são células


administrativas que complementam a política federal. Tendo como enfoque a política
descentralizada. Com essa nova estruturação fica evidente que se ampliou os poderes da
federação, por sua vez limitando os poderes dos Estados-membros.
Como competência, pertence aos Estados Federados, nomeadamente, o poder local
e a legislação sobre matéria civil e criminal (daí as diferenças de penas entre os estados,
penas de morte, casamento e divórcio, etc).
Com efeito, em cada estado federado existe um Governador (eleito por dois ou
quatro anos), que é a imagem do Presidente, detém o poder executivo.
Existe igualmente um Senado e uma Câmara dos Representantes em cada estado
federado (com excepção do Nebraska, desde 1934, só com uma câmara), tal como sucede
ao nível do Estado Federal, detendo o poder legislativo.
Nesta articulação entre os vários órgãos políticos, vigora igualmente a separação
de poderes e o sistema de freios e contrapesos característicos do sistema federal, possuindo
o governador o direito ao veto face ao poder legislativo.
ALTAMIRO RAJÃO - | DIREITO 51
CIÊNCIA POLÍTICA E SISTEMAS POLÍTICOS E CONSTITUCIONAIS 2009

Na maioria dos estados, o governador é assistido por um vice-governador, ao


espelho do plano federal.
De igual modo, a estrutura judicial do Estado Federado, apresenta semelhanças com
o Estado Federal, pois os tribunais são hierarquizados tendo no seu topo o supremo tribunal
do estado federado à imagem do Supremo Tribunal Federal.
Refira-se, ainda, que em certos estados federados vigoram processos de
democracia semidirecta, nomeadamente o instituto do referendo, figura jurídica que não
existe ao nível do Estado Federal, bem como a iniciativa popular.
Em vários estados (dezoito), existe um instituto muito original: o recall (revogação
pelo povo de um mandato dos titulares já eleitos).
Portanto, é de concluir que no federalismo americano a autonomia política dos
Estados federados é de igual intensidade com uma repartição constitucional de competência
política, administrativa, legislativa, de modo a possibilitar-lhes capacidade de organização,
administração e legislação própria, não sujeitas à autoridade de outra pessoa política, mas
apenas da própria constituição.

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