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Sentenca - embriaguez e lesao corporal culposa na conducao de veiculo automotor - desacato - concurso material

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Alegou-se o concurso material dos crimes de embriaguez ao volante, lesoes corporais culposas na conducao de veiculo automotor e desacato contra autoridade federal (dai a competencia da justica federal).
Alegou-se o concurso material dos crimes de embriaguez ao volante, lesoes corporais culposas na conducao de veiculo automotor e desacato contra autoridade federal (dai a competencia da justica federal).

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PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL DE PRIMEIRA INSTÂNCIA SEÇÃO JUDICIÁRIA DA PARAÍBA 2ª VARA FEDERAL

Processo n. 2007.82.00.002375-2 Anexos n. 2007.82.00.001544-5 e n. 2007.82.00.002375-2 Ação Penal Pública Autor: Ministério Público Federal Réu: Marinaldo da Silva Rodrigues

S E N T E N Ç A1

PENAL

E

PROCESSO

PENAL.

EMBRIAGUEZ

NA

CONDUÇÃO DE bafômetro” e

VEÍCULO AUTOMOTOR (CTB, 306). testemunhais. Alegação de

Autoria e materialidade. Comprovação através de “teste de depoimentos nulidade do teste rejeitada. Condenação. PENAL (CTB, E PROCESSO PENAL. LESÕES CORPORAIS por laudos ver

CULPOSAS NA CONDUÇÃO DE VEÍCULO AUTOMOTOR 303). Materialidade: expressa da comprovação de que médicos. Autoria: confissão e depoimentos testemunhais. Manifestação processado o Condenação. PENAL E PROCESSO PENAL. DESACATO (CP, 331). Palavras de baixo calão e ameaças proferidas contra dois policiais rodoviários federais em serviço. Concurso formal (CP, 70). Materialidade e autoria comprovadas. Condenação. PROCESSO PENAL. CONCURSO MATERIAL (CP, 69). Prática de crimes cuja consumação ocorreu de forma independente e cumulativa. Aplicação da regra sobre concurso material. Cumulação das penas. vítima queria acusado. Prestação de socorro à vítima

impossibilitada em razão da condução coercitiva do réu.

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Sentença tipo D, cf. Res. CJF n. 535/2006.
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RELATÓRIO

Tratam os presentes autos de AÇÃO PENAL PÚBLICA movida pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL contra Marinaldo da Silva Rodrigues, já devidamente qualificado, dando-o a peça denunciativa como incurso no art. 331, c/c o art. 70, ambos do CP, bem como no art. 303, parágrafo único, da Lei n. 9.503/97, tudo c/c o art. 69 do CP. De acordo com a denúncia (f. 03-5): a) O acusado, na noite de 07/03/2007, ao conduzir o veículo Ford Ecosport XL 1.6 placa MOK-2058, sob efeito de álcool, colidiu com o veículo VW Fusca placa MNR-9666, provocando lesão corporal no condutor deste, o Sr. João Carlos de Oliveira. b) Negando-se a entregar aos PRF‟s documentos de identificação pessoal e do veículo e tentando evadir-se do local, recebeu voz de prisão e foi conduzido ao posto da PRF em Bayeux/PB. c) Durante o trajeto, o acusado teria desacatado os PRF‟s que o conduziam (Lúcio Flávio Berto de Araújo e Edgley Casimiro Lira), proferindo contra eles palavras de baixo calão e ameaças de morte. d) No Posto da PRF em Bayeux, o acusado concordou em fazer o teste de teor alcoólico, constatando-se uma concentração de álcool de 1,28mg/l, superior ao limite de 0,30mg/l, permitido pelo CONTRAN. Em razão disso, pugna o MPF pela condenação do acusado como incurso no art. 331, c/c o art. 70, ambos do CP, bem como no art. 303, parágrafo único, da Lei n. 9.503/97, c/c o art. 69 do CP. Indicou quatro testemunhas para oitiva em audiência. Denúncia recebida em 06/09/2008 (f. 12). Defesa prévia apresentada antecipadamente pelo acusado (f. 29), rebatendo a imputação contida na denúncia, não indicando testemunhas.

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A f. 32 o advogado do acusado, Dr. Washington Luís Soares Ramalho, requereu o adiamento da audiência. Instado a se manifestar, o MPF discordou do pedido. Em audiência, indeferi o pedido (f. 33-4), nomeando defensor para o ato. Interrogatório do acusado (f. 35-8). Defesa prévia novamente apresentada pelo acusado (f. 46-7),

impugnando a imputação contida na denúncia e indicando quatro testemunhas e uma declarante para inquirição em juízo. Inquirição das testemunhas indicadas na denúncia: Lúcio Flávio Berto de Araújo (f. 62-3), Alisson Ricardo do Nascimento Montenegro (f. 64-5) Edgley Cassimiro Lira (f. 66-7) e João Carlos de Oliveira (f. 68-9). Inquirição das testemunhas e declarante indicadas na defesa: Sindilânia Araújo Rodrigues (f. 87-8), Janeide Simplício da Silva Rufino (f. 89) e Luismar Campos da Silva (f. 90-1). Em diligências, o MPF (f. 95) e a defesa (f. 98) nada requereram. Em alegações finais, o MPF (f. 102-6) pugnou pela condenação do acusado, enquanto a defesa (f. 110-4) pugnou pela improcedência do pedido. É o relatório. DECIDO.

FUNDAMENTAÇÃO

Não há preliminares ou prejudiciais a resolver. Registro que, quanto à condição de procedibilidade em relação ao delito de lesões corporais culposas na condução de veículo automotor, tenho-a como preenchida, considerando expressa menção da vítima de que queria ver processado o acusado. Passo ao mérito. Narra o MPF em sua denúncia que o acusado teria praticado as condutas de conduzir veículo automotor em estado de embriaguez, gerando risco de dano, de causar lesão corporal culposamente na condução de veículo automotor e, finalmente, de desacatar policiais rodoviários federais.
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Em seu interrogatório judicial, o acusado disse que em momento algum desacatou os policiais rodoviários, tendo sido maltratado por eles. Admitiu que conduzia o veículo Ford Ecosport de placa MOK-2058, que havia ingerido apenas uma cerveja momentos antes na casa de sua sogra, que teria colidido com o proprietário do veículo VW Fusca no dia do evento, mas que dito veículo estava em lugar inapropriado (no recuo do canteiro central), sem qualquer sinalização (triângulo ou mato). Com a colisão, disse que saiu do carro para prestar o devido socorro, quando chegaram os policiais rodoviários e os populares que passavam pelo local. Como estivesse sendo tratado com grosseria pelos PRF‟s, decidiu ir até seu carro, momento em que um deles perguntou-lhe se queria ir embora, ao que teria retrucado que não. Nesse momento, um dos PRF‟s teria afirmado estar o acusado embriagado, motivo pelo qual fora algemado e levado ao posto. Teria ficado algemado até sua condução à DPF e a chegada do oficial de dia. Os PRF‟s, ao realizarem o exame de alcoolemia, resolveram encaminhar o réu à DPF. Diante disso, o acusado pediu-lhes que assim não o fizesse, pois era membro da polícia militar, tendo sido esta, segundo o réu, a primeira vez que lhe pediram identificação. O acusado foi ainda assim levado algemado à DPF, passando a noite inteira na delegacia. Foi liberado após pagamento de fiança, vindo sua esposa e filha a obter a liberação do veículo, que pertenceria ao Estado da Paraíba. Ouvido em audiência, o PRF Lúcio Flávio Berto de Araújo afirmou que, após a informação da colisão noticiada nos autos, dirigiu-se ao local juntamente com PRF Casimiro. Ali chegando, constataram que o dono do VW Fusca havia sido ferido no acidente. Colocando-se a tomar os dados do acusado, que fora o condutor do Ecosport, este teria começado a ficar exaltado e passado a detratar os PRF‟s com palavras de baixo calão, motivo pelo qual deram início aos procedimentos para prisão por desacato. Prosseguiu dizendo que o acusado dava sinais de que estava

embriagado, como exaltação, palavras desconexas, odor característico, além de outros. Conduzindo o réu ao posto da PRF, realizaram o exame do “bafômetro” e constataram que ele estava realmente embriagado, resolvendo assim conduzi-lo a uma delegacia de polícia civil, mas como os impropérios continuaram entre o local do fato e o posto da PRF, decidiram conduzi-lo a uma delegacia de polícia federal. Chegando à DPF, foram os dois PRF condutores ouvidos pela autoridade policial, deixando lá o acusado sob custódia. Em momento algum o acusado tentou agredir fisicamente os PRF‟s.
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Disse o PRF Alisson Ricardo do Nascimento Montenegro que estava no posto da PRF quando recebeu o comunicado do acidente na BR 101 e que presenciou quando os PRF „s retornaram trazendo algemado o acusado e dizendo que ele estava exaltado. A própria testemunha disse ter presenciado que o acusado se mostrava exaltado, proferindo diversos palavrões contra os PRF‟s Flávio e Casimiro, inclusive ameaças de morte. Disse ter sido ele o responsável pelo exame de alcoolemia no réu, constatando que seu teor alcoólico era superior ao permitido. Prosseguiu dizendo que, após isso, o réu se identificou como policial militar através de um contracheque. Ato contínuo, os PRF‟s levaram o réu, inclusive a testemunha, à Superintendência de Polícia Federal e, após serem ouvidos, lá deixaram o acusado sob a responsabilidade da DPF. Ouvido em juízo, o PRF Edgley Casimiro Lira corroborou o depoimento do PRF Flávio, afirmando inclusive que foi empurrado pelo acusado, bem como que este se encontrava com desequilíbrio corporal e hálito típico de embriaguez. Quando dominado, o acusado passou a proferir contra os PRF‟s diversas palavras de baixo calão. Após o exame de alcoolemia no posto da PRF, constataram que o acusado “estava muito embriagado”. Corroborou também as informações sobre a identificação do acusado como policial militar e sua condução à DPF. Por fim, ouviu-se a vítima do acidente, o Sr. João Carlos de Oliveira. Disse a testemunha que seu veículo VW Fusca teve um problema mecânico, motivo pelo qual o parou no recuo do retorno na BR 101, ligou o pisca-alerta mas não utilizou o triângulo por acreditar que, sendo noite, ninguém o veria. Recorda-se de que, quando batia no motor com uma chave de boca (por acreditar que a agulha do carburador estivesse colada), fora colhido por trás por outro veículo, sendo jogado por sobre o Fusca, tombando em seguida para o lado esquerdo. Registrou que não recebeu do denunciado qualquer tipo de socorro no momento do fato ou mesmo assistência posteriormente ao fato. Com a chegada do socorro médico, foi imobilizado e levado ao Hospital de Trauma e, embora ali não tenha chegado a passar um dia inteiro, precisou ser suturado nas duas perdas e na cabeça, bem como fazer uso de diversos remédios. Registrou que queria ver o acusado processado pela justiça. A declarante indicada pela defesa, esposa do réu, Sra. Sindilânia de Araújo Rodrigues, registrou em seu depoimento que não estava presente ao local dos fatos no momento em que ocorreram; que teve contato com seu esposo apenas pelas 23h, na delegacia de polícia federal, e que o mesmo não apresentava sinais de embriaguez; que seu irmão lhe dissera ter o denunciado tomado apenas uma cerveja; que no dia seguinte aos fatos mandou sua irmã ao Hospital de
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Traumas para prestar algum tipo de assistência à vítima, tendo sido informado que a vítima já havia saído do hospital. As testemunhas indicadas pela defesa do réu foram uníssonas no sentido de que não estavam presentes ao local dos fatos no momento em que ocorreram, bem como que nada conheceriam que pudesse desabonar a reputação do denunciado. Examinando as provas contidas nos autos, quanto ao delito de embriaguez ao volante (CTB, art. 306), comprovou-se nos autos do inquérito anexo (2007.82.00.002375-2), a partir da realização de teste de alcoolemia (f. 16), que o acusado apresentava concentração alcoólica de 1,28 mg/l (um vírgula vinte e oito miligramas de álcool por litro de sangue), número superior ao limite estabelecido pelo CONTRAN. Além disso, sua conduta gerou efetivo perigo de dano a terceiros, e prova disso é que o risco criado se realizou na colisão a que deu causa e nas lesões corporais sofridas pela vítima João Carlos de Oliveira. A prova da embriaguez se completa com os depoimentos prestados pelos PRF‟s no sentido de que o acusado apresentava visíveis sinais de embriaguez, a exemplo de desequilíbrio corporal e hálito característico. Não assiste razão ao acusado quando pede a nulidade do “teste do bafômetro”, dizendo que os policiais rodoviários federais não sabiam qual era o limite permitido do teor alcoólico, que o resultado do exame não lhe foi apresentado, que não teve direito de defesa e que não havia testemunhas no momento do exame. Ora, independentemente do conhecimento que tivessem os PRF‟s sobre os limites permitidos pelos CONTRAN ou mesmo pela lei (como ocorre hoje), ou mesmo da apresentação do laudo ao acusado, ainda assim o réu teria estado a conduzir veiculo automotor com aquela concentração de álcool no sangue, gerando perigo de dano a terceiros. Outrossim, não cabia falar em direito de defesa naquele momento, pois sequer inquérito policial existia. Além disso, a prova da embriaguez, como se viu, não se resumiu ao “bafômetro”, mas fora contundentemente complementada pela prova oral. Por fim, apenas para registro, o exame técnico pericial de constatação de embriaguez e teor alcoólico não foi realizado, conforme ofício enviado à polícia federal pelo perito criminal Dr. Humberto Jorge de Araújo Pontes (f. 55 – 2007.82.00.002375-2), porque o acusado se recusou a ceder material para sua realização. O delito de lesões corporais culposas na condução de veículo automotor (CTB, art. 303) também restou cabalmente demonstrado. Dos autos constam
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laudos de exames médicos realizados na vítima, Sr. João Carlos de Oliveira (f. 49-54) dando conta de que o mesmo sofrera lesões corporais em razão da colisão noticiada. O próprio acusado não nega que tenha sido o autor do abalroamento e toda a prova oral o aponta como sendo o conduto do veículo Ecosport que atingiu a vítima. O depoimento da vítima complementa o acervo probatório que certifica a ocorrência das lesões. Quanto à alegação de que o réu não haja prestado socorro à vítima da colisão – em razão de que se lhe deveria aplicar o parágrafo único do art. 303 –, tenho que não lhe teria sido realmente possível prestar dito socorro. De fato, sem mesmo se ausentar do local, fora ato contínuo conduzido coercitivamente ao posto da PRF para o teste de alcoolemia. A prestação de auxílio, no caso, era-lhe fisicamente impossível. Por fim, no que concerne à imputação pela prática de desacato (CP, art. 331) contra os PRF‟s FLÁVIO e CASIMIRO, observo que os depoimentos prestados pelos últimos foram bastante coerentes entre si, contando com o reforço do depoimento prestado por uma terceira testemunha, o PRF Alisson Montenegro, que afirmou ter presenciado o acusado proferindo ameaças e palavras de baixo calão contra os dois primeiros PRF‟s. Segundo esses relatos, o acusado teria proferido contra os PRF‟s FLÁVIO e CASIMIRO expressões agressivas como “filho da puta”, “filho de rapariga”, bem como ameaças, a exemplo de “vou lhe pegar” e “vou lhe matar” (f. 64). A defesa procura desacreditar os depoimentos prestados pelos PRF‟s, atribuindo-lhes a pecha de arbitrários e abusivos no exercício de sua função. A generalização empregada contra a Polícia Rodoviária Federal e seu objetivo de infirmar os depoimentos prestados por PRF‟s não me convencem. As testemunhas, prestando compromisso, depuseram sobre fatos. Tais fatos é que deveriam ter sido objeto de argumentação pela defesa do acusado em suas intervenções. Ora, em meu entender, o MPF logrou demonstrar, ao longo da instrução probatória, a prática da conduta de conduzir veículo automotor em estado de embriaguez, com a geração concreta de perigo de dano. Demonstrou também a ocorrência de lesões corporais culposas na condução de veículo automotor, no mesmo contexto de fato. Por fim, demonstrou a prática, na seqüência dos fatos, do crime de desacato contra os dois PRF‟s que se conduziram ao local. A defesa nada produziu – em termos de prova – que pudesse infirmar o convencimento sobre esses dados de fato, limitando-se a argumentar contra a imputação.

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Diante de tudo acima exposto, concluo haverem sido demonstradas autoria e materialidade em relação aos delitos de embriaguez na condução de veículo automotor, lesões corporais culposas na condução de veículo automotor e desacato. Passo à fixação da pena.

FIXAÇÃO DA PENA

1. Embriaguez ao volante (CTB, art. 306) Examinando as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, constatei o seguinte: a culpabilidade, como juízo de reprovabilidade pessoal da conduta, dada a condição de policial militar do acusado e sua função de cumprir e fazer cumprir as leis, mostrou-se intensa e relevante; o réu não possui antecedentes criminais; a conduta social e a personalidade, como elementos sem qualquer ligação com o fato, não podem ser valorados contra o réu sob pena de adotar-se um autêntico direito penal do autor; o crime não foi praticado com motivação especial, nem em circunstâncias especiais que imponham uma exasperação da reprimenda; as conseqüências do crime (comprovadas nos autos) constituem crime autônomo e como tal serão valoradas; finalmente, não é possível dizer que a conduta da vítima tenha influído na infração. Diante disso, e considerando os limites abstratos contidos no preceito secundário do art. 306 do CTB, fixo a pena-base em 1 (um) ano de detenção. Não detectei circunstâncias agravantes ou atenuantes, causas gerais ou especiais de aumento ou redução da pena. Assim sendo, fixo a pena privativa de liberdade em 1 (um) ano de detenção, devendo ser cumprida inicialmente em regime aberto. Considerando os mesmos fundamentos acima, bem como os limites abstratos contidos no art. 49 do Código Penal, fixo a pena de multa em 75 (setenta e cinco) dias-multa. Considerando os elementos contidos nos autos sobre a situação econômica do réu, fixo o valor do dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente na data do fato, devidamente reajustado até o pagamento. Considerando os mesmos fundamentos acima, bem como as disposições contidas no preceito secundário do art. 306 do Código de Trânsito Brasileiro, decreto, pelo prazo de 2 (dois) anos, a suspensão da habilitação do acusado
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para a condução de veículo automotor, a contar da extinção, substituição ou suspensão da pena privativa de liberdade aplicada, devendo depositar em juízo sua CNH, comunicando-se a decisão aos órgãos competentes para efetivação e fiscalização da suspensão. 2. Lesão corporal culposa na condução de veículo automotor (CTB, art. 303) Examinando as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, constatei o seguinte: a culpabilidade, como juízo de reprovabilidade pessoal da conduta, dada a condição de policial militar do acusado e sua função de cumprir e fazer cumprir as leis, mostrou-se intensa e relevante; o réu não possui antecedentes criminais; a conduta social e a personalidade, como elementos sem qualquer ligação com o fato, não podem ser valorados contra o réu sob pena de adotar-se um autêntico direito penal do autor; o crime não foi praticado com motivação especial, nem em circunstâncias especiais que imponham uma exasperação da reprimenda; as conseqüências do crime comprovadas nos autos dão conta de internação da vítima em hospital e a necessidade de suturas e medicamentos, bem como afastamento de suas atividades, justificando valoração negativa; a conduta da vítima, deixando de usar o instrumento de sinalização adequado (triângulo), pode ter contribuído para a ocorrência do fato. Diante disso, e considerando os limites abstratos contidos no preceito secundário do art. 303 do CTB, fixo a pena-base em 1 (um) ano de detenção. Não detectei circunstâncias agravantes ou atenuantes, causas gerais ou especiais de aumento ou redução da pena. Assim sendo, fixo a pena privativa de liberdade em 1 (um) ano de detenção, devendo ser cumprida inicialmente em regime aberto. Considerando os mesmos fundamentos acima, bem como as disposições contidas no preceito secundário do art. 303 do Código de Trânsito Brasileiro, decreto, pelo prazo de 2 (dois) anos, a suspensão da habilitação do acusado para a condução de veículo automotor, a contar da extinção, substituição ou suspensão da pena privativa de liberdade aplicada, devendo depositar em juízo sua CNH, comunicando-se a decisão aos órgãos competentes para efetivação e fiscalização da suspensão. 3. Desacato (CP, art. 331)

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Examinando as circunstâncias judiciais do art. 59 do Código Penal, constatei o seguinte: a culpabilidade, como juízo de reprovabilidade pessoal da conduta, dada a condição de policial militar do acusado e sua função de cumprir e fazer cumprir as leis, mostrou-se intensa e relevante; o réu não possui antecedentes criminais; a conduta social e a personalidade, como elementos sem qualquer ligação com o fato, não podem ser valorados contra o réu sob pena de adotar-se um autêntico direito penal do autor; o crime não foi praticado com motivação especial, nem em circunstâncias especiais que imponham uma exasperação da reprimenda; não há provas nos autos de conseqüências do crime que justifiquem valoração negativa; finalmente, não é possível dizer que a conduta da vítima tenha influído na infração. Diante disso, e considerando os limites abstratos contidos no preceito secundário do art. 331 do CP, fixo a pena-base em 6 (seis) meses de detenção. Não detectei circunstâncias agravantes ou atenuantes, causas gerais ou especiais de aumento ou redução da pena. Assim sendo, fixo a pena privativa de liberdade em 6 (seis) meses de detenção, devendo ser cumprida inicialmente em regime aberto. Considerando que a conduta foi praticada contra dois policiais

rodoviários simultaneamente, entendo que se aplica ao caso o art. 70 do CP, configurando hipótese de concurso formal de dois crimes de desacato. Assim sendo, aumento a pena em 1/6 (um sexto), fixando-a em 7 (sete) meses de detenção, para cumprimento inicial em regime aberto. 4. Concurso material de crimes (CP, art. 69) Como se pode ver, os crimes foram praticados e se consumaram independentemente dos demais, não obstante a conexão. Significa dizer que houve um concurso real de delitos no caso concreto, ensejando a aplicação do art. 69 do Código Penal para efeito de cumulação das penas ora fixadas. Em razão disso, após a aplicação do art. 69 do Código Penal, ficam as penas assim definidas: a) Pena privativa de liberdade de 2 (dois) anos e 7 (sete) meses de detenção, para cumprimento inicial em regime aberto;

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b) Pena de multa de 75 (setenta e cinco) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente na data do fato, devidamente corrigido até o cumprimento; c) Pena de suspensão da habilitação para a condução de veículo automotor pelo prazo de 4 (quatro) anos, a contar da extinção, substituição ou suspensão da pena privativa de liberdade aplicada. 5. Substituição (CP, art. 44) Considerando preenchidos os requisitos dos artigos 44 e seguintes do Código Penal, e entendendo que a medida se mostra conveniente aos fins a que se propõe, substituo as penas privativas de liberdade – preservadas as demais – acima aplicadas por duas penas restritivas de direitos. A primeira pena restritiva de direitos consistirá em prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (CP, art. 46), na razão de uma hora de trabalho por dia de pena privativa de liberdade substituída, não podendo seu cumprimento se dar em prazo inferior à metade do tempo da pena. O lugar, a forma e as condições de cumprimento serão definidas pelo juízo das execuções penais. A segunda pena restritiva de direitos consistirá em prestação pecuniária (CP, art. 45, §1º) que ora fixo no mesmo valor da pena de multa já definida, sem prejuízo desta, a ser revertida em benefício da vítima, sem prejuízo do pleito, na esfera cível, de indenização complementar pelos danos comprovados.

DISPOSITIVO

Diante de todo o exposto, com fundamento no art. 387 do Código de Processo Penal brasileiro, julgo procedente o pedido contido na denúncia para declarar o acusado Marinaldo da Silva Rodrigues incurso nos artigos 306 e 303 do CTB, artigo 331 (duas vezes) c/c 70 (concurso formal), ambos do CP e, finalmente, todos c/c o artigo 69 (concurso material) do CP e, nos termos da fundamentação acima, condená-lo às seguintes penas: a) Pena privativa de liberdade de 2 (dois) anos e 7 (sete) meses de detenção, para cumprimento inicial em regime aberto;
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b) Pena de multa de 75 (setenta e cinco) dias-multa, fixado o valor do dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo vigente na data do fato, devidamente corrigido até o cumprimento; c) Pena de suspensão da habilitação para a condução de veículo automotor pelo prazo de 4 (quatro) anos, a contar da extinção, substituição ou suspensão da pena privativa de liberdade aplicada. Considerando preenchidos os requisitos dos artigos 44 e seguintes do Código Penal, e entendendo que a medida se mostra conveniente aos fins a que se propõe, substituo as penas privativas de liberdade – preservadas as demais – acima aplicadas por duas penas restritivas de direitos. A primeira pena restritiva de direitos consistirá em prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas (CP, art. 46), na razão de uma hora de trabalho por dia de pena privativa de liberdade substituída, não podendo seu cumprimento se dar em prazo inferior à metade do tempo da pena. O lugar, a forma e as condições de cumprimento serão definidas pelo juízo das execuções penais. A segunda pena restritiva de direitos consistirá em prestação pecuniária (CP, art. 45, §1º) que ora fixo no mesmo valor da pena de multa já definida, sem prejuízo desta, a ser revertida em benefício da vítima, sem prejuízo do pleito, na esfera cível, de indenização complementar pelos danos comprovados. Transitada em julgado a presente sentença, após a devida certificação: preencha-se e encaminhe-se ao IBGE o boletim individual do acusado; oficie-se ao TRE/PB para os fins do art. 15, III, da CF/88; inscreva-se o nome do réu no rol dos culpados; e remetam-se os autos ao juízo das execuções penais. Custas “ex lege”. Sentença publicada em mãos do diretor de Secretaria. Registre-se no sistema informatizado. Intimem-se o acusado e seu defensor. Cientifique-se o MPF. João Pessoa, 18 de novembro de 2008. Rogério Roberto Gonçalves de Abreu Juiz federal substituto

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