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Enfermeiro como Educador: Uma contribuição da didática e da metodologia dialética na

atuação profissional

Luciana Angelo L. Campos

Resumo: A atuação do profissional enfermeiro na área de ensino apresenta-se como uma temática
pertinente em um momento de transformações no ensino caracterizado por mudanças sociais e novas
demandas educacionais da atualidade. Este estudo objetivou refletir sobre a formação deste profissional,
o perfil exigido para uma atuação que atenda as necessidades do mercado de trabalho e principalmente
dos educandos e a contribuição da didática e da metodologia dialética para a formação profissional do
docente. Foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica em livros e artigos nacionais. Pode-se
concluir que para uma excelente pratica educacional se faz necessário que se tenha conhecimento na
área pedagógica e sobre o processo de ensino-aprendizagem e de todos os elementos envolvidos no
processo: aluno, professor e objeto de estudo. Palavras- chave: enfermeiro- educador, formação, didática
e dialética. INTRODUÇÃO

Conforme a necessidade atual de se formar um profissional com características que atendam as


perspectivas do mercado de trabalho contemporâneo é que vem se repensando a prática pedagógica do
enfermeiro professor. O processo de redirecionamento na formação dos profissionais de enfermagem
deve estar voltado para as transformações sociais. Portanto, o profissional de ensino em saúde deve
integrar suas atividades á realidade dos alunos e incorporar aspectos inerentes à sociedade globalizada
deste século. (RODRIGUES; SOBRINHO, 2007).

O enfermeiro é um educador por natureza, pois ele é responsável por orientar os pacientes em prol da
prevenção de doenças e da promoção da saúde. Mais além de desenvolver atividades de educação em
saúdeatendendo necessidades sociais, atua como docente em diversos níveis de educação escolar.

Essa realidade nos faz questionar: Qual tem sido a conduta de trabalho do professor enfermeiro frente à
realidade atual?Os enfermeiros que atuam na área de educação estão preparados para enfrentar os
conflitos no processo de trabalho educacional e social?Quais têm sido as crenças e valores que orientam
a prática pedagógica dos enfermeiros-educadores?(VASCONCELOS; PRADO, 2004).

Segundo os autores citados acima, os profissionais enfermeiros que atuam na área educacional
enfrentam diversos fatores que causam sofrimento e dificuldades no desenvolver de sua atividade
pedagógica. Esses fatores vão desde os problemas de falta de valorização profissional, má remuneração,
dificuldade em refletir, transmitir, compreender e ser compreendido pelo educando, capacitação técnico-
pedagógica e deficiência no relacionamento com os alunos.

Para Rodrigues e Sobrinho(2007)é necessário que haja sempre a capacitação contínua de preparo
técnico, teóricoe pedagógico inserida no contexto econômico, político, social e cultural para que haja
transformações na atuação do enfermeiro-educador. Os sistemas educacionais modernos, atualizados,
empreendedores, possuírem percepção e serem capazes de oferecer condições de trabalho atendendo
aos anseios dos professores e alunos(VASCONCELOS; PRADO, 2004).

Para Rodrigues e Sobrinho(2007), a formação do educador é colocada como um dos principais fatores
que podem levar à melhoria da educação. Assim, a reflexão a cerca da formação do docente enfermeiro é
fundamental devido à complexidade da práticaprofissional inserida no processo de ensino-aprendizagem.
Vasconcelos e Prado(2004) afirmam que o enfermeiro educador entende que sua prática profissional
exige competência e comprometimento, mais a partir daí deve ser repensado que o saber, o saber fazer e
o saber ser, estão na mão do enfermeiro educador, condição principal de sua atividade de trabalho. Por
isso que o planejamento de seu trabalho deve estar relacionado ao processo de ensino-aprendizagem.

O Ministério de educação e Cultura diz ainda que as definições de estratégias de educação que articule
esses saberes, de aprender, de fazer, de conviver, de ser, visam desenvolver o aprender a aprender, a
conviver junto, a valorização das condições éticas e humanas, como também, desenvolver atitudes e
valores orientados para a cidadania e para a solidariedade. Todos esses atributossão indispensáveis à
formação do enfermeiro e o educador em saúde deve assegurar-se através de estratégias de ensino
baseados nessa perspectiva de educação. Educar para a cidadania ea participação plena na
sociedade(FERNANDES, 2004)

È fundamental que o professor crie condições para que o aluno desenvolva sua criticidade, voltada para
análise de problemas, substituindo explicações empíricas por princípios autênticos, refutando posições
alienantes, tornando-se questionador. (VILLA; CADETE, 2001 apud FREIRE, 1979). O educando e o
educador aprendem com a realidade, estabelecem uma relação dialógica, no qual ambos se
beneficiam .O professor deixa de ser o detentor do saber para compartilhar conhecimentos com os alunos
que chegam a escolas imbuídos de saberes e experiências que servirão de ponto de partida para o
processo ensino-aprendizagem(VILLA;CADETE,2001).

Para Fernandes(2004), no desenvolvimento da aprendizagem, a postura que o professor assume diante


do aluno, baseada no respeito, na confiança, na percepção do aluno como ser integral, favorece
mudanças na forma de agir e sentir do aluno que se considera melhor no seu papel como pessoa e
profissional.

Aescolha da pedagogia de ensino a ser aplicada, deve direcionar como o sujeito irá se comportar
socialmente A postura reflexiva do aluno diante o objeto de estudo, permitirá uma posição crítica e o
tornará capaz de tomar decisões acertadas diante das dificuldades(VILLA; CADETE, 2001).

Assim, exige-se do professor competências para a docência: ser competente em uma área do
conhecimento, ou seja, dominar conhecimentos básicos e possuir certa experiência profissional, ter
domínio na área pedagógica, que significa dominar o conceito de ensino-aprendizagem, integrando o
desenvolvimento cognitivo, afetivo-emocional e de habilidades que significa utilizar estratégias adequadas
(RODRIGUES; SOBRINHO, 2007 apud MASSETO, 2001).

O objetivo deste artigo foi repensar a respeito da formação do profissional enfermeiro que atua na área de
ensino em âmbito escolar, analisar o perfil necessário para uma docência de qualidade e refletir sobre
acontribuição da didática e do método dialético para a formaçãodo professor numa perspectiva reflexiva.
Foi realizada uma revisão bibliográfica incluindo publicações em livros e artigos publicados em língua
nacional.

Esta temática é de suma importância em virtude da necessidade de ampliar a concepção do enfermeiro


educador a cerca da capacitação pedagógica fundamental à atuação docente, repensando sua prática,
verificando quais estratégias permitem que o aluno seja atuante no processo de ensino-aprendizagem, ou
seja, participativo na construção de seu conhecimento, dando oportunidade ao professor de exercer seu
papel de educador com excelência. A discussão será apresentada em três tópicos: O professor no
contexto social, a contribuição da didática para formação do professor e o método dialético.
FUNDAMENTAÇÂO TEÒRICA

O PROFESSOR NO CONTEXTO SOCIAL

Nas últimas décadas tem-se questionado a importância do professorno processo ensino- aprendizagem,
principalmente pelo fácil acesso às informações fora da sala de aula proporcionado pelo avanço cientifico-
tecnológico que ocorreu de forma avassaladora e atingiu todas as classes sociais. Essa realidade dá
margem a questões como: o professorresponde as necessidades sociais da atualidade? Qual a função do
ensino hoje?O quê ensinar? Como ensinar? (GASPARIN, 2005).

Diante de profundas mudanças que a modernidade desencadeou, onde a sociedade encontra-se em crise
de valores e princípios, no qual somos levados a refletir e repensar nossas posições e atitudes,o papel do
profissional de educação precisa ser analisado. Partindo da premissa de que a educação e o ensino
fazem parte do contexto social e, como este se modifica, a educação e ensino também se tornam
dinâmicos. Dessa forma é que educador precisa estar sempre se atualizando (HAIDT, 2003).

O trabalho do professor é parte primordial do processo educativo mais amplo e global pelo qual os
membros da sociedade são preparados para a participação ativa na vida social. Para o funcionamento de
uma sociedade é necessário que haja a prática educativa, ou seja, a educação (LIBÂNEO, 2003).

Um computador nunca poderá substituir um professor pelo fato de que lhe falta o privilégio humano de
gesticular, de falar, de passar emoção, de vibrar com as conquistas dos alunos, de ser interrompido
fazendo-lhe refazer sua linha de discussão, de debater e abrir-se ao diálogo(REI [ ] apud CHALITA,
2001). Portanto o professor é fundamental ao aluno, assim como o aluno é fundamental ao professor, é
dessa interação que nasce o processo de ensino-aprendizagem, que se constroem conhecimentos, que
nascem cidadãos críticos e atuantes na vida social (REI) [ ]

Para Libâneo (2003), a prática educativa é uma exigência da vida em sociedade, atribui ao indivíduo
conhecimentos e experiências culturais que os tornam capazes de atuar no meio em que vive e
transformá-lo em função das necessidades de todos os aspectos, políticos, sociais e econômicos da
coletividade.

Ruiz (2000) afirma que, educadores e educadoras necessitam ser a ponte entre o aluno e a sociedade,
percebendo as possibilidades da ação social e cultural na luta pela transformação do meio, através do
encontro do aluno com o conhecimento.

Libâneo (2003) diz ainda que, o docente em seu exercício profissional deve permanentemente empenhar-
se para instrução e educação dos seus alunos, de forma que desenvolvam e dominem conhecimentos
básicos e habilidades, com o objetivo de capacitá-los no trabalho e enfrentar ativamente os problemas
sociais.

Gabriel Chalita(2001), em seu livro "Educação - a solução é o afeto"diz que o professor em meio todos os
aparatos materiais como computadores, laboratórios, quadras esportivas e materiais didáticos, sempre
terá maior destaque. Sem o professor, grande agente do processo educacional, nenhum desses recursos
tem valor, mesmo sendo importantes (REI) [ ].

Rei [ ] relata que desde os primórdios o professor tem função vital na construção de uma sociedade ativa.
As escolas de Sócrates, Platão e Aristóteles discutiam apenas o que era essencial, através da reflexão a
cerca do mundo que os rodeavam e dos problemas que o atingiam. Dessa forma não perdiam tempo com
conteúdos engessados, e a aula era preparada visando todo esse amadurecimento dos alunos (REI) [ ]

Para o exercício da profissão educacional há necessidade da formação do professor, não apenas a


graduação e a pós-graduação, mas a formação continuada, para que acompanhe todo o processo de
transformação social que ocorre permanentemente. Não basta que conheça especificamente uma
disciplina e sim todas as áreas que perpassem a disciplina que leciona, e ainda mais importante,
conhecer o aluno e todas as suas necessidades. Tudo que for inerente ao aluno deve ser de interesse do
professor para que atue com maestria no processo educacional (REI) [ ]

O papel do profissional de educação precisa ser repensado justamente porque não pode mais agir de
forma estanque e neutra. Não pode mais desenvolver sua atividade pautando-se em métodos e técnicas
e conteúdos apenas. Não pode ser omisso e alheio aos problemas que atingem o homem e o meio em
que vive. É exigida desse profissional uma posição concreta sobre tudo que acontece, sua opinião, suas
crenças e idéias. É visto com alguém que tem opinião formada e pode dar um parecer sobre as coisas,
dialogar e problematizar situações. (RUIZ, 2003)

Anastasiou [ ], afirma que cabe ao professor planejar, preparar e conduzir o processo contínuo de ações
que possibilitem aos estudantes, até mesmo os que têm maiores dificuldades, irem aos poucos e
conforme seu desenvolvimento, apreendendo o que se pretende oquadro teórico-prático, em momentos
seqüenciais e de complexidade crescente. O professor que não prepara as aulas não tem seus objetivos
alcançados, não respeita o aluno e a própria profissão.

O ponto de partida para o educador é acreditar naquilo que ensina, é ter convicção, só assim os alunos se
sentirão mobilizados e se envolverão em seus ensinamentos(REI, [ ] apud CHALITA, 2001). Resgatar sua
verdadeira função de professorde ensinar, orientar, preparar para a vida e dar condições aos alunos de
adentrar a uma vida profissional é tarefa primordial na formação do educador. È buscando uma prática
competente, assumindo uma responsabilidade para com seus educandos, que ele realizará a tarefa de
transformar pelo conhecimento, pela conscientização(LINS, 2008).

De acordo com Sacristán e Gómez (1998) na sociedade contemporânea, a escola perdeu a supremacia
na transmissão e distribuição da informação. Os meios de comunicação de massa, que estão em todos os
cantos, oferecem de modo atrativo à maioria dos cidadãos uma grande bagagem de informações
variadas. Tais informações vão criando de modo sutil e imperceptível concepções ideológicas que serão
utilizadas para explicar e interpretar a realidade bem como tomar decisões. Os indivíduos chegam à
escola com uma gama de informações e com poderosas e acríticas pré- concepções sobre os diferentes
âmbitos da realidade.

É possível perceber, que os modernos meios de comunicação cumprem a função apenas da reprodução
da cultura dominante do que a reelaboração critica da mesma, não se preocupam em oferecer
ferramentas para que o sujeito se torne autônomo para um debate aberto e racional sobre qualquer
aspecto da vida. Somente a escola pode cumprir essa missão. A partir da análise das pré- concepções e
interesses dos educandos acerca da realidade, oferecer condições de questionamento e comparação
para construção de uma nova visão, com base na troca de suas relações anteriores (SACRISTÁN,
GÓMEZ 1998).

A CONTRIBUIÇÃO DA DIDÁTICA PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR


Em todas as esferas da vida social existe a atividade educativa de formas diferentes de organização. A
educação escolar é um sistema de instrução diferenciado porque possui propósitos intencionais, práticas
sistematizadas e alto grau de organização. O conhecimento é democratizado, formando a capacidade de
pensar criticamente os problemas e desafios postos pela sociedade. Dessa maneira, a formação
profissional do professor visa à atividade específica de docência, sendo a didática e as metodologias
especificas das matérias contribuintes para formação técnico- prática necessária a atuação profissional
(LIBÂNEO, 2003).

Para Haidt (2003), a didática é definida como a ciência e a arte do ensino. Considera ao mesmo tempo a
aprendizagem por parte do aluno e o ensino por parte do professor. Pode-se afirmar que a didática é o
estudo da situação instrucional, ou seja, do processo de ensino- aprendizagem que enfatiza esta relação.

Nessa direção, Veiga (2005) diz que a didática é, essencialmente, compreendida e analisada do ponto de
vista da concepção do ato de ensinar que coloca em evidencia a atuação do educador transmitindo
diretamente conhecimentos específicos, conduzindo e estimulando democraticamente a aprendizagem do
aluno, como também, no planejamento de atividades, almejando alcançar objetivos.

Bordenave e Pereira(2002), no livro "Estratégias de ensino-aprendizagem"apontam como uns dos


principais problemas do ensino superior o professor. Muitos pela falta de preparação didática,
demonstram insegurança no seu relacionamento com os alunos e, para manter sua autoridade e sua
auto-imagem, recorrem a um comportamento de auto-proteção, como por exemplo, formalidade na
comunicação, nível exagerado de exigência e complexidade nas provas, tom irônico e sarcástico para
dominar aqueles que não correspondem com suas expectativas.

Visando a transformação da prática educativa desenvolvida pela escola, a didática traz como conteúdo o
desenvolvimento de projetos adequados aos interesses dos alunos, da comunidade escolar e da
sociedade, novas tecnologias de comunicação e educação, trabalhos interdisciplinares e coletivos e
experiências de aprendizagem que valorizem a construção do conhecimento pela participação ativa dos
alunos (VEIGA, 2005).

Nesse contexto, a didática, é uma disciplina pedagógica de natureza teórico- prática voltada para a
compreensão do ensino e não está minimizada ao simples domínio das técnicas de orientação didática.
Culmina a elaboração de pressupostos teóricos críticos, a discussão teórica dos problemas e os desafios
da prática, a proposição de implicações metodológicas para o processo pedagógico no sentido de
colaborar para a superação das relações de dominação (Arnoni, et al 2002).

Libâneo (2003) relata que a didática trata das relações e ligações importantes entre o ensino e a
aprendizagem, investiga os fatores que influenciam esse processo, indica condições e meios para que o
ensino realmente produza conhecimento. Portanto o estudo da didática permite maior segurança
profissional, de modo que o professor ganhe base para pensar sua prática e melhore cada vez mais sua
atuação e qualidade de seu trabalho.

Bordenave e Pereira (2002) declaram que o segredo do bom ensino é o entusiasmo pessoal do professor
que vem de seu amor a ciência e aos alunos. Este entusiasmo só é possível mediante planejamento e
metodologia adequados visando acima de tudo uma resposta positiva dos alunos em realizarem
atividades por iniciativa própria lançando mão de esforço intelectual e moral que a aprendizagem exige.

Desse modo, a finalidade de se estudar didática é desmistificar o processo de ensino, campo principal da
educação escolar. São os conteúdos dos programas e dos livros didáticos, os métodos eformas
organizacionais do ensino, as atividades do professor e dos alunos e as diretrizes que regulam e orientam
esse processo. È fundamental para o profissional que vai atuar na área de educação escolar o estudo do
processo de ensino, é uma forma de garantir métodos seguros e eficazes para a assimilação dos
conhecimentos. A didática tem essa função: estudar o processo de ensino e colaborar com a formação
profissional do educador centrado na relação ensino-aprendizagem (LIBÂNEO, 2003).

O MÉTODO DIALÉTICO

A mediação pedagógico-dialética é uma relação dialética que caracterizao processo de ensino e o


processo de aprendizagem, uma vez que, em ambos os sujeitos envolvidos lidam com saberes, o mediato
e o imediato(ARNONI, 2006). Esse método de ensino considera que a realidade não pode ser
diretamente apreendida pelo sujeito, sendo necessário que a mesma seja apreendida pelo pensamento e
no pensamento, portanto, tendo a reflexão como condição fundamental (ANASTASIOU) [ ].

Na perspectiva da mediação dialética, o processo de ensino-aprendizagem é trabalhado com dois


saberes; o saber científico e o saber cotidiano, ambos representandodiferentementeo ambiente natural e
social. No desenvolver do trabalho educativo, esses saberes não são hierarquizados, e sim igualmente
valorizados de forma que o saber cotidiano é imediato e o saber científico, mais elaborado e fruto de
reflexão, o saber mediato. Assim, pela mediação dialética, se defrontam os dois saberes, gera-se a
contradição, responsável pelo movimento do processo ensino-aprendizagem. Ocorre a superação do
imediato pelo mediato, onde o aluno elabora suas sínteses, o saber propriamente aprendido. (ARNONI,
2004)

Para Arnoni(2006), a metodologia da mediação dialética consiste em uma proposição metodológica


formada por uma seqüência de situações de ensino(processo de ensino) que potencializa ao aluno a
aprendizagem do conteúdo trabalhado(processo de aprendizagem). Exige uma preparação organizada e
articulada por parte de quem ensina. A mediação dialética possibilita ao professor planejar suas ações
prevendo intervir de forma ativa no processo de aprendizagem, permitindo a elaboração do conhecimento
pelo aluno.

O professor que age no contexto da reflexidade dialética desenvolve sua capacidade julgadora. È capaz
de apropriar-se criticamente e permanentemente de uma realidade complexa. A teoria reflexiva tem o
papel de oferecer aos professores perspectivas de análise para compreenderem os contextos históricos,
sociais, culturais, organizacionais e de si mesmos como profissionais, nos quais se dá sua atividade
docente, para nele intervir, transformando-os ( ARNONI, 2004))

Para Anastasiou [ ], isto quer dizer que a apreensão que o professor/pesquisador faz de seu objeto de
estudo, considerando os elementos do movimento, contradição, alteração qualitativa, e outros, é uma
apreensão dialética. O professor quando analisa, registra e organiza a síntese de seu estudo para enfim
transmitir está explicitando, através de textos, aula expositiva, ou qualquer atividade, as relações que fez
as suas descobertas e elementos que foram acrescentados pelapesquisa realizada.

Em cada situação de ensino, o conteúdo é retomado de forma diferenciada, e cada uma delas serve de
base para novas abordagens e para reflexões mais profundas seguintes. Dessa formaas situações de
ensino nunca são estanques e isoladas,ao contrário,são totalmente interligadas e interdependentes. A
metodologia dialética é composta por momentos pedagógicos ou etapas que favorecem essa reflexão
(ARNONI, 2006).
Resgatar, que é o ponto de partida para o processo de ensino. Desse momento são descobertos os
saberes cotidianos e imediatos sobre o objeto de estudo e feito uma comparação com aquilo que se
pretende ensinar. È o diagnóstico do conhecimento prévioou empírico a cerca do tema. Problematizar,
que se caracteriza pelo momento de questionar o saber imediato em direção ao saber mediato que se
pretende. Não pode ser uma problematização facilitada, nem dificultada em demasia, para que possa ser
compreendida e percebida pelo pensamento e ser entendida(ARNONI, 2006)

Para a autora citada acima, ainda restam dois momentos: sistematizar, que se caracteriza pela
internalização do conhecimento. È a elaboração da síntese pelo aluno com o intermédio do diálogo
promovido pelo professor. Produzir, que provisoriamente é o ponto de chegada do processo de ensino, de
forma que logo será superado por novas sínteses. È um saber mais completo que se tinha no primeiro
momento.

Para Anastasiou [ ], enquanto método tradicional visa à memorização, dando ênfase a aulas expositivas e
questionários corrigidos e decorados, a metodologia dialética defende a construção do conhecimento no
pensamento e pelo pensamento do aluno através de suas relações e com a mediação do professor.

A metodologia dialética entende o homem como ser ativo e de relações. Dessa forma, o conhecimento é
construído pelo indivíduo a partir da interação com o mundo que o cerca. Assim, os conteúdos que são
abordados na escola devem ser analisados, refletidos e reelaborados pelos alunos. O resultado é a
construção do conhecimento próprio educando. A metodologia dialética aponta ser necessária a
mobilização para o conhecimento, a construção do conhecimento e elaboração da síntese do
conhecimento, fases inseparáveis e que devem fazer parte da preocupação do
professor(VASCONCELLOS, 1992).

Segundo Vasconcellos(1992), o professor deve despertar o interesse pelo objeto de estudo. Fazer com
que o aluno tenha vontade de saber mais sobre o que se pretende ensinar. Deve atribuir significado ao
conteúdo de forma que se torne importante para o educando. Deve permitir que o aluno passe pelos três
momentos da construção do conhecimento: síncrese, análise e síntese.E através do método dialético que
vai do abstrato para o concretoconsiderando tal movimento do pensamento elaborar seu conhecimento
particular e único.

Nesse contexto, é necessário planejar e desenvolver o trabalho educativo na perspectiva da mediação


dialética, cujo cerne é a contradição. Dessa maneira, será possível a construção de sínteses onde os
alunos poderão realmente aprender. Parao trabalho educativo possibilitar, de forma direta e
intencionalmente, que cada aluno internalize os saberes científicos, produzidos pela humanidade,
histórica e coletivamente, é fundamental que se adote os fundamentos da mediação dialética como
embasamento pedagógico(ARNONI, 2004).

CONCLUSÃO

A reflexão sobre a formação do profissional enfermeiro que atua na área de educação nos permite afirmar
que a prática educacional exige uma formação específica onde sejam considerados o processo de
ensino-aprendizagem e os elementos que nele são envolvidos: o professor, o aluno e o objeto de estudo.

Dessa forma acredita-se que a relação de ensino-aprendizagem está diretamente relacionada à interação
professor-aluno e suas trocas de saberes. È fundamental que o professor no momento do planejamento
de suas atividades considere as experiências de seus alunos e a realidade de cada um para desenvolver
seu papel de educador com qualidade.
O conhecimento na área pedagógica e implementação de estratégias que valorizem o educando como
ser singular e capaz de participar ativamente do processo educacional possibilitam uma atuação docente
que desencadeia a construção do conhecimento pelo alunoque será capaz de participar da vida em
sociedade de forma significativa. Um bom educador em enfermagem tem de ter muito mais que boa
vontade, tem de ter um perfil que se caracterizana preocupação com a formação crítica do aluno.

Nesse contexto, é de fundamental importância que se estabeleçam programas de educação continuada


onde o educando possa refletir sua prática educacional, avaliar sua conduta e promover mudanças na
forma de sentir, pensar e atuar das pessoas em relação a si mesmas e aos outros.

O enfermeiro educador necessita desenvolver a consciência de que não é o detentor do saber e nem o
centro do processo educacional, e sim direcionar toda atividade profissional ao
desenvolvimentoemocional, político e social do aluno para que possa colaborar realmente com a
formação de profissionais éticos e capazes de superar dificuldades de qualquer natureza.

INTRODUÇÃO

Conforme a necessidade atual de se formar um profissional com características que atendam as


perspectivas do mercado de trabalho contemporâneo é que vem se repensando a prática pedagógica do
enfermeiro professor. O processo de redirecionamento na formação dos profissionais de enfermagem
deve estar voltado para as transformações sociais. Portanto, o profissional de ensino em saúde deve
integrar suas atividades á realidade dos alunos e incorporar aspectos inerentes à sociedade globalizada
deste século. (RODRIGUES; SOBRINHO, 2007).

O enfermeiro é um educador por natureza, pois ele é responsável por orientar os pacientes em prol da
prevenção de doenças e da promoção da saúde. Mais além de desenvolver atividades de educação em
saúde atendendo necessidades sociais, atua como docente em diversos níveis de educação escolar.

Essa realidade nos faz questionar: Qual tem sido a conduta de trabalho do professor enfermeiro frente à
realidade atual?Os enfermeiros que atuam na área de educação estão preparados para enfrentar os
conflitos no processo de trabalho educacional e social?Quais têm sido as crenças e valores que orientam
a prática pedagógica dos enfermeiros-educadores?(VASCONCELOS; PRADO, 2004).

Segundo os autores citados acima, os profissionais enfermeiros que atuam na área educacional
enfrentam diversos fatores que causam sofrimento e dificuldades no desenvolver de sua atividade
pedagógica. Esses fatores vão desde os problemas de falta de valorização profissional, má remuneração,
dificuldade em refletir, transmitir, compreender e ser compreendido pelo educando, capacitação técnico-
pedagógica e deficiência no relacionamento com os alunos.

Para Rodrigues e Sobrinho(2007)é necessário que haja sempre a capacitação contínua de preparo
técnico, teórico e pedagógico inserida no contexto econômico, político, social e cultural para que haja
transformações na atuação do enfermeiro-educador. Os sistemas educacionais modernos, atualizados,
empreendedores, possuírem percepção e serem capazes de oferecer condições de trabalho atendendo
aos anseios dos professores e alunos(VASCONCELOS; PRADO, 2004).

Para Rodrigues e Sobrinho(2007), a formação do educador é colocada como um dos principais fatores
que podem levar à melhoria da educação. Assim, a reflexão a cerca da formação do docente enfermeiro é
fundamental devido à complexidade da prática profissional inserida no processo de ensino-aprendizagem.
Vasconcelos e Prado(2004) afirmam que o enfermeiro educador entende que sua prática profissional
exige competência e comprometimento, mais a partir daí deve ser repensado que o saber, o saber fazer e
o saber ser, estão na mão do enfermeiro educador, condição principal de sua atividade de trabalho. Por
isso que o planejamento de seu trabalho deve estar relacionado ao processo de ensino-aprendizagem.

O Ministério de educação e Cultura diz ainda que as definições de estratégias de educação que articule
esses saberes, de aprender, de fazer, de conviver, de ser, visam desenvolver o aprender a aprender, a
conviver junto, a valorização das condições éticas e humanas, como também, desenvolver atitudes e
valores orientados para a cidadania e para a solidariedade. Todos esses atributos são indispensáveis à
formação do enfermeiro e o educador em saúde deve assegurar-se através de estratégias de ensino
baseados nessa perspectiva de educação. Educar para a cidadania e a participação plena na
sociedade(FERNANDES, 2004)

È fundamental que o professor crie condições para que o aluno desenvolva sua criticidade, voltada para
análise de problemas, substituindo explicações empíricas por princípios autênticos, refutando posições
alienantes, tornando-se questionador. (VILLA; CADETE, 2001 apud FREIRE, 1979). O educando e o
educador aprendem com a realidade, estabelecem uma relação dialógica, no qual ambos se
beneficiam .O professor deixa de ser o detentor do saber para compartilhar conhecimentos com os alunos
que chegam a escolas imbuídos de saberes e experiências que servirão de ponto de partida para o
processo ensino-aprendizagem(VILLA;CADETE,2001).

Para Fernandes(2004), no desenvolvimento da aprendizagem, a postura que o professor assume diante


do aluno, baseada no respeito, na confiança, na percepção do aluno como ser integral, favorece
mudanças na forma de agir e sentir do aluno que se considera melhor no seu papel como pessoa e
profissional.

A escolha da pedagogia de ensino a ser aplicada, deve direcionar como o sujeito irá se comportar
socialmente A postura reflexiva do aluno diante o objeto de estudo, permitirá uma posição crítica e o
tornará capaz de tomar decisões acertadas diante das dificuldades(VILLA; CADETE, 2001).

Assim, exige-se do professor competências para a docência: ser competente em uma área do
conhecimento, ou seja, dominar conhecimentos básicos e possuir certa experiência profissional, ter
domínio na área pedagógica, que significa dominar o conceito de ensino-aprendizagem, integrando o
desenvolvimento cognitivo, afetivo-emocional e de habilidades que significa utilizar estratégias adequadas
(RODRIGUES; SOBRINHO, 2007 apud MASSETO, 2001).

O objetivo deste artigo foi repensar a respeito da formação do profissional enfermeiro que atua na área de
ensino em âmbito escolar, analisar o perfil necessário para uma docência de qualidade e refletir sobre a
contribuição da didática e do método dialético para a formação do professor numa perspectiva reflexiva.
Foi realizada uma revisão bibliográfica incluindo publicações em livros e artigos publicados em língua
nacional.

Esta temática é de suma importância em virtude da necessidade de ampliar a concepção do enfermeiro


educador a cerca da capacitação pedagógica fundamental à atuação docente, repensando sua prática,
verificando quais estratégias permitem que o aluno seja atuante no processo de ensino-aprendizagem, ou
seja, participativo na construção de seu conhecimento, dando oportunidade ao professor de exercer seu
papel de educador com excelência. A discussão será apresentada em três tópicos: O professor no
contexto social, a contribuição da didática para formação do professor e o método dialético.
FUNDAMENTAÇÂO TEÒRICA

O PROFESSOR NO CONTEXTO SOCIAL

Nas últimas décadas tem-se questionado a importância do professor no processo ensino- aprendizagem,
principalmente pelo fácil acesso às informações fora da sala de aula proporcionado pelo avanço cientifico-
tecnológico que ocorreu de forma avassaladora e atingiu todas as classes sociais. Essa realidade dá
margem a questões como: o professor responde as necessidades sociais da atualidade? Qual a função
do ensino hoje?O quê ensinar? Como ensinar? (GASPARIN, 2005).

Diante de profundas mudanças que a modernidade desencadeou, onde a sociedade encontra-se em crise
de valores e princípios, no qual somos levados a refletir e repensar nossas posições e atitudes, o papel
do profissional de educação precisa ser analisado. Partindo da premissa de que a educação e o ensino
fazem parte do contexto social e, como este se modifica, a educação e ensino também se tornam
dinâmicos. Dessa forma é que educador precisa estar sempre se atualizando (HAIDT, 2003).

O trabalho do professor é parte primordial do processo educativo mais amplo e global pelo qual os
membros da sociedade são preparados para a participação ativa na vida social. Para o funcionamento de
uma sociedade é necessário que haja a prática educativa, ou seja, a educação (LIBÂNEO, 2003).

Um computador nunca poderá substituir um professor pelo fato de que lhe falta o privilégio humano de
gesticular, de falar, de passar emoção, de vibrar com as conquistas dos alunos, de ser interrompido
fazendo-lhe refazer sua linha de discussão, de debater e abrir-se ao diálogo(REI [ ] apud CHALITA,
2001). Portanto o professor é fundamental ao aluno, assim como o aluno é fundamental ao professor, é
dessa interação que nasce o processo de ensino-aprendizagem, que se constroem conhecimentos, que
nascem cidadãos críticos e atuantes na vida social (REI) [ ]

Para Libâneo (2003), a prática educativa é uma exigência da vida em sociedade, atribui ao indivíduo
conhecimentos e experiências culturais que os tornam capazes de atuar no meio em que vive e
transformá-lo em função das necessidades de todos os aspectos, políticos, sociais e econômicos da
coletividade.

Ruiz (2000) afirma que, educadores e educadoras necessitam ser a ponte entre o aluno e a sociedade,
percebendo as possibilidades da ação social e cultural na luta pela transformação do meio, através do
encontro do aluno com o conhecimento.

Libâneo (2003) diz ainda que, o docente em seu exercício profissional deve permanentemente empenhar-
se para instrução e educação dos seus alunos, de forma que desenvolvam e dominem conhecimentos
básicos e habilidades, com o objetivo de capacitá-los no trabalho e enfrentar ativamente os problemas
sociais.

Gabriel Chalita(2001), em seu livro "Educação - a solução é o afeto"diz que o professor em meio todos os
aparatos materiais como computadores, laboratórios, quadras esportivas e materiais didáticos, sempre
terá maior destaque. Sem o professor, grande agente do processo educacional, nenhum desses recursos
tem valor, mesmo sendo importantes (REI) [ ].

Rei [ ] relata que desde os primórdios o professor tem função vital na construção de uma sociedade ativa.
As escolas de Sócrates, Platão e Aristóteles discutiam apenas o que era essencial, através da reflexão a
cerca do mundo que os rodeavam e dos problemas que o atingiam. Dessa forma não perdiam tempo com
conteúdos engessados, e a aula era preparada visando todo esse amadurecimento dos alunos (REI) [ ]

Para o exercício da profissão educacional há necessidade da formação do professor, não apenas a


graduação e a pós-graduação, mas a formação continuada, para que acompanhe todo o processo de
transformação social que ocorre permanentemente. Não basta que conheça especificamente uma
disciplina e sim todas as áreas que perpassem a disciplina que leciona, e ainda mais importante,
conhecer o aluno e todas as suas necessidades. Tudo que for inerente ao aluno deve ser de interesse do
professor para que atue com maestria no processo educacional (REI) [ ]

O papel do profissional de educação precisa ser repensado justamente porque não pode mais agir de
forma estanque e neutra. Não pode mais desenvolver sua atividade pautando-se em métodos e técnicas
e conteúdos apenas. Não pode ser omisso e alheio aos problemas que atingem o homem e o meio em
que vive. É exigida desse profissional uma posição concreta sobre tudo que acontece, sua opinião, suas
crenças e idéias. É visto com alguém que tem opinião formada e pode dar um parecer sobre as coisas,
dialogar e problematizar situações. (RUIZ, 2003)

Anastasiou [ ], afirma que cabe ao professor planejar, preparar e conduzir o processo contínuo de ações
que possibilitem aos estudantes, até mesmo os que têm maiores dificuldades, irem aos poucos e
conforme seu desenvolvimento, apreendendo o que se pretende o quadro teórico-prático, em momentos
seqüenciais e de complexidade crescente. O professor que não prepara as aulas não tem seus objetivos
alcançados, não respeita o aluno e a própria profissão.

O ponto de partida para o educador é acreditar naquilo que ensina, é ter convicção, só assim os alunos se
sentirão mobilizados e se envolverão em seus ensinamentos(REI, [ ] apud CHALITA, 2001). Resgatar sua
verdadeira função de professor de ensinar, orientar, preparar para a vida e dar condições aos alunos de
adentrar a uma vida profissional é tarefa primordial na formação do educador. È buscando uma prática
competente, assumindo uma responsabilidade para com seus educandos, que ele realizará a tarefa de
transformar pelo conhecimento, pela conscientização(LINS, 2008).

De acordo com Sacristán e Gómez (1998) na sociedade contemporânea, a escola perdeu a supremacia
na transmissão e distribuição da informação. Os meios de comunicação de massa, que estão em todos os
cantos, oferecem de modo atrativo à maioria dos cidadãos uma grande bagagem de informações
variadas. Tais informações vão criando de modo sutil e imperceptível concepções ideológicas que serão
utilizadas para explicar e interpretar a realidade bem como tomar decisões. Os indivíduos chegam à
escola com uma gama de informações e com poderosas e acríticas pré- concepções sobre os diferentes
âmbitos da realidade.

É possível perceber, que os modernos meios de comunicação cumprem a função apenas da reprodução
da cultura dominante do que a reelaboração critica da mesma, não se preocupam em oferecer
ferramentas para que o sujeito se torne autônomo para um debate aberto e racional sobre qualquer
aspecto da vida. Somente a escola pode cumprir essa missão. A partir da análise das pré- concepções e
interesses dos educandos acerca da realidade, oferecer condições de questionamento e comparação
para construção de uma nova visão, com base na troca de suas relações anteriores (SACRISTÁN,
GÓMEZ 1998).

A CONTRIBUIÇÃO DA DIDÁTICA PARA A FORMAÇÃO DO PROFESSOR

Em todas as esferas da vida social existe a atividade educativa de formas diferentes de organização. A
educação escolar é um sistema de instrução diferenciado porque possui propósitos intencionais, práticas
sistematizadas e alto grau de organização. O conhecimento é democratizado, formando a capacidade de
pensar criticamente os problemas e desafios postos pela sociedade. Dessa maneira, a formação
profissional do professor visa à atividade específica de docência, sendo a didática e as metodologias
especificas das matérias contribuintes para formação técnico- prática necessária a atuação profissional
(LIBÂNEO, 2003).

Para Haidt (2003), a didática é definida como a ciência e a arte do ensino. Considera ao mesmo tempo a
aprendizagem por parte do aluno e o ensino por parte do professor. Pode-se afirmar que a didática é o
estudo da situação instrucional, ou seja, do processo de ensino- aprendizagem que enfatiza esta relação.

Nessa direção, Veiga (2005) diz que a didática é, essencialmente, compreendida e analisada do ponto de
vista da concepção do ato de ensinar que coloca em evidencia a atuação do educador transmitindo
diretamente conhecimentos específicos, conduzindo e estimulando democraticamente a aprendizagem do
aluno, como também, no planejamento de atividades, almejando alcançar objetivos.

Bordenave e Pereira(2002), no livro "Estratégias de ensino-aprendizagem"apontam como uns dos


principais problemas do ensino superior o professor. Muitos pela falta de preparação didática,
demonstram insegurança no seu relacionamento com os alunos e, para manter sua autoridade e sua
auto-imagem, recorrem a um comportamento de auto-proteção, como por exemplo, formalidade na
comunicação, nível exagerado de exigência e complexidade nas provas, tom irônico e sarcástico para
dominar aqueles que não correspondem com suas expectativas.

Visando a transformação da prática educativa desenvolvida pela escola, a didática traz como conteúdo o
desenvolvimento de projetos adequados aos interesses dos alunos, da comunidade escolar e da
sociedade, novas tecnologias de comunicação e educação, trabalhos interdisciplinares e coletivos e
experiências de aprendizagem que valorizem a construção do conhecimento pela participação ativa dos
alunos (VEIGA, 2005).

Nesse contexto, a didática, é uma disciplina pedagógica de natureza teórico- prática voltada para a
compreensão do ensino e não está minimizada ao simples domínio das técnicas de orientação didática.
Culmina a elaboração de pressupostos teóricos críticos, a discussão teórica dos problemas e os desafios
da prática, a proposição de implicações metodológicas para o processo pedagógico no sentido de
colaborar para a superação das relações de dominação (Arnoni, et al 2002).

Libâneo (2003) relata que a didática trata das relações e ligações importantes entre o ensino e a
aprendizagem, investiga os fatores que influenciam esse processo, indica condições e meios para que o
ensino realmente produza conhecimento. Portanto o estudo da didática permite maior segurança
profissional, de modo que o professor ganhe base para pensar sua prática e melhore cada vez mais sua
atuação e qualidade de seu trabalho.

Bordenave e Pereira (2002) declaram que o segredo do bom ensino é o entusiasmo pessoal do professor
que vem de seu amor a ciência e aos alunos. Este entusiasmo só é possível mediante planejamento e
metodologia adequados visando acima de tudo uma resposta positiva dos alunos em realizarem
atividades por iniciativa própria lançando mão de esforço intelectual e moral que a aprendizagem exige.

Desse modo, a finalidade de se estudar didática é desmistificar o processo de ensino, campo principal da
educação escolar. São os conteúdos dos programas e dos livros didáticos, os métodos e formas
organizacionais do ensino, as atividades do professor e dos alunos e as diretrizes que regulam e orientam
esse processo. È fundamental para o profissional que vai atuar na área de educação escolar o estudo do
processo de ensino, é uma forma de garantir métodos seguros e eficazes para a assimilação dos
conhecimentos. A didática tem essa função: estudar o processo de ensino e colaborar com a formação
profissional do educador centrado na relação ensino-aprendizagem (LIBÂNEO, 2003).

O MÉTODO DIALÉTICO

A mediação pedagógico-dialética é uma relação dialética que caracteriza o processo de ensino e o


processo de aprendizagem, uma vez que, em ambos os sujeitos envolvidos lidam com saberes, o mediato
e o imediato(ARNONI, 2006). Esse método de ensino considera que a realidade não pode ser
diretamente apreendida pelo sujeito, sendo necessário que a mesma seja apreendida pelo pensamento e
no pensamento, portanto, tendo a reflexão como condição fundamental (ANASTASIOU) [ ].

Na perspectiva da mediação dialética, o processo de ensino-aprendizagem é trabalhado com dois


saberes; o saber científico e o saber cotidiano, ambos representando diferentemente o ambiente natural e
social. No desenvolver do trabalho educativo, esses saberes não são hierarquizados, e sim igualmente
valorizados de forma que o saber cotidiano é imediato e o saber científico, mais elaborado e fruto de
reflexão, o saber mediato. Assim, pela mediação dialética, se defrontam os dois saberes, gera-se a
contradição, responsável pelo movimento do processo ensino-aprendizagem. Ocorre a superação do
imediato pelo mediato, onde o aluno elabora suas sínteses, o saber propriamente aprendido. (ARNONI,
2004)

Para Arnoni(2006), a metodologia da mediação dialética consiste em uma proposição metodológica


formada por uma seqüência de situações de ensino(processo de ensino) que potencializa ao aluno a
aprendizagem do conteúdo trabalhado(processo de aprendizagem). Exige uma preparação organizada e
articulada por parte de quem ensina. A mediação dialética possibilita ao professor planejar suas ações
prevendo intervir de forma ativa no processo de aprendizagem, permitindo a elaboração do conhecimento
pelo aluno.

O professor que age no contexto da reflexidade dialética desenvolve sua capacidade julgadora. È capaz
de apropriar-se criticamente e permanentemente de uma realidade complexa. A teoria reflexiva tem o
papel de oferecer aos professores perspectivas de análise para compreenderem os contextos históricos,
sociais, culturais, organizacionais e de si mesmos como profissionais, nos quais se dá sua atividade
docente, para nele intervir, transformando-os ( ARNONI, 2004))

Para Anastasiou [ ], isto quer dizer que a apreensão que o professor/pesquisador faz de seu objeto de
estudo, considerando os elementos do movimento, contradição, alteração qualitativa, e outros, é uma
apreensão dialética. O professor quando analisa, registra e organiza a síntese de seu estudo para enfim
transmitir está explicitando, através de textos, aula expositiva, ou qualquer atividade, as relações que fez
as suas descobertas e elementos que foram acrescentados pela pesquisa realizada.

Em cada situação de ensino, o conteúdo é retomado de forma diferenciada, e cada uma delas serve de
base para novas abordagens e para reflexões mais profundas seguintes. Dessa forma as situações de
ensino nunca são estanques e isoladas,ao contrário,são totalmente interligadas e interdependentes. A
metodologia dialética é composta por momentos pedagógicos ou etapas que favorecem essa reflexão
(ARNONI, 2006).

Resgatar, que é o ponto de partida para o processo de ensino. Desse momento são descobertos os
saberes cotidianos e imediatos sobre o objeto de estudo e feito uma comparação com aquilo que se
pretende ensinar. È o diagnóstico do conhecimento prévio ou empírico a cerca do tema. Problematizar,
que se caracteriza pelo momento de questionar o saber imediato em direção ao saber mediato que se
pretende. Não pode ser uma problematização facilitada, nem dificultada em demasia, para que possa ser
compreendida e percebida pelo pensamento e ser entendida(ARNONI, 2006)

Para a autora citada acima, ainda restam dois momentos: sistematizar, que se caracteriza pela
internalização do conhecimento. È a elaboração da síntese pelo aluno com o intermédio do diálogo
promovido pelo professor. Produzir, que provisoriamente é o ponto de chegada do processo de ensino, de
forma que logo será superado por novas sínteses. È um saber mais completo que se tinha no primeiro
momento.

Para Anastasiou [ ], enquanto método tradicional visa à memorização, dando ênfase a aulas expositivas e
questionários corrigidos e decorados, a metodologia dialética defende a construção do conhecimento no
pensamento e pelo pensamento do aluno através de suas relações e com a mediação do professor.

A metodologia dialética entende o homem como ser ativo e de relações. Dessa forma, o conhecimento é
construído pelo indivíduo a partir da interação com o mundo que o cerca. Assim, os conteúdos que são
abordados na escola devem ser analisados, refletidos e reelaborados pelos alunos. O resultado é a
construção do conhecimento próprio educando. A metodologia dialética aponta ser necessária a
mobilização para o conhecimento, a construção do conhecimento e elaboração da síntese do
conhecimento, fases inseparáveis e que devem fazer parte da preocupação do
professor(VASCONCELLOS, 1992).

Segundo Vasconcellos(1992), o professor deve despertar o interesse pelo objeto de estudo. Fazer com
que o aluno tenha vontade de saber mais sobre o que se pretende ensinar. Deve atribuir significado ao
conteúdo de forma que se torne importante para o educando. Deve permitir que o aluno passe pelos três
momentos da construção do conhecimento: síncrese, análise e síntese. E através do método dialético que
vai do abstrato para o concreto considerando tal movimento do pensamento elaborar seu conhecimento
particular e único.

Nesse contexto, é necessário planejar e desenvolver o trabalho educativo na perspectiva da mediação


dialética, cujo cerne é a contradição. Dessa maneira, será possível a construção de sínteses onde os
alunos poderão realmente aprender. Para o trabalho educativo possibilitar, de forma direta e
intencionalmente, que cada aluno internalize os saberes científicos, produzidos pela humanidade,
histórica e coletivamente, é fundamental que se adote os fundamentos da mediação dialética como
embasamento pedagógico(ARNONI, 2004).

CONCLUSÃO

A reflexão sobre a formação do profissional enfermeiro que atua na área de educação nos permite afirmar
que a prática educacional exige uma formação específica onde sejam considerados o processo de
ensino-aprendizagem e os elementos que nele são envolvidos: o professor, o aluno e o objeto de estudo.

Dessa forma acredita-se que a relação de ensino-aprendizagem está diretamente relacionada à interação
professor-aluno e suas trocas de saberes. È fundamental que o professor no momento do planejamento
de suas atividades considere as experiências de seus alunos e a realidade de cada um para desenvolver
seu papel de educador com qualidade.
O conhecimento na área pedagógica e implementação de estratégias que valorizem o educando como
ser singular e capaz de participar ativamente do processo educacional possibilitam uma atuação docente
que desencadeia a construção do conhecimento pelo aluno que será capaz de participar da vida em
sociedade de forma significativa. Um bom educador em enfermagem tem de ter muito mais que boa
vontade, tem de ter um perfil que se caracteriza na preocupação com a formação crítica do aluno.

Nesse contexto, é de fundamental importância que se estabeleçam programas de educação continuada


onde o educando possa refletir sua prática educacional, avaliar sua conduta e promover mudanças na
forma de sentir, pensar e atuar das pessoas em relação a si mesmas e aos outros.

O enfermeiro educador necessita desenvolver a consciência de que não é o detentor do saber e nem o
centro do processo educacional, e sim direcionar toda atividade profissional ao desenvolvimento
emocional, político e social do aluno para que possa colaborar realmente com a formação de profissionais
éticos e capazes de superar dificuldades de qualquer natureza.

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