Você está na página 1de 13

PELOS CAMINHOS DE SANTIAGO

21 e 22 de Fevereiro de 2009
Os Caminhos de Santiago são os percursos percorridos pelos peregrinos que afluem a
Santiago de Compostela desde o Século IX. Estes são chamados de Peregrinos, do latim "Per
Agros", "aquele que atravessa os campos". Têm como seu símbolo uma concha, normalmente
uma vieira designada localmente por "venera", costume que já vinha do tempo em que os
povos ancestrais peregrinavam a Finisterra.
Os caminhos espalham-se por toda a Europa e vão todos desaguar aos caminhos
franceses que posteriormente se ligam aos espanhóis, com excepção das várias vias do
Caminho Português, que têm origem a sul, e do Caminho Inglês que vinha do norte. A
Basílica de Santiago de Compostela é o ponto final dos Caminhos de Santiago
O Caminho de Santiago entrou na história há doze séculos, quando foram encontrados os
restos mortais do apóstolo, São Tiago, ou Santiago, na que hoje é a cidade de Santiago de
Compostela.
Esta rota une diversas zonas da Europa a Compostela e foi seguida por milhões de pessoas das
mais variadas procedências. O itinerário mais famoso é o Caminho Francês, que se dirige a
Santiago atravessando o nordeste de Espanha, mas existem outros percursos não menos
importantes vindos de Portugal, do sul de Espanha que atravessava a cidade portuguesa de
Chaves, e do oeste e norte da Europa por via marítima.
O chamado Caminho Francês, que absorve a maioria dos caminhos vindos do continente
europeu se juntam para entrar na Península Ibérica, entra na Espanha por Roncesvalles, no
sopé dos Pirenéus, e de lá segue em cerca de 800 km até chegar a Santiago de Compostela.
O Caminho de Santiago atingiu o máximo esplendor nos séculos XI e XII, e depois após a
contra-reforma no ínicio do século XVII por Portugal. Nas últimas décadas voltou a ganhar
protagonismo, sendo convertido num itinerário espiritual e cultural de primeira ordem. Foi
declarado Primeiro Itinerário Cultural Europeu (1987) e Património da Humanidade na
Espanha (1993) e França (1998).

Os Caminhos de Santiago têm vindo a assumir-se como um marco quase obrigatório


nas andanças dos amantes do BTT. Não há betetista que se preze que não tenha feito ou que
não pense em fazer estes trilhos tão marcantes para os povos da Península Ibérica.
Por motivos religiosos, por convívio ou por mero desafio, é um percurso que definitivamente
ganhou dinâmica própria e que anualmente arrasta milhares de peregrinos a pé, a cavalo e de
bicicleta.
A credencial de peregrino, a mística da Cidade de Santiago e o diploma emitido à chegada à
Catedral dão um sabor especial a este desafio. Tendo em mente todas estas razões, os
betetistas da BBIKES organizaram uma ida a Santiago de Compostela pelos históricos
“Caminhos de Santiago”
Este desafio foi acolhido pelo Luís Filipe, Rui Machado, Joaquim Silva, Júlio Sousa,
Hélder Costa, Fernando Pinheiro e, no segundo dia, pelo Benjamim Silva. Trata-se de um
grupo muito heterogéneo mas que pedala em perfeita sintonia:
Luís Filipe Silva
Vila Verde
37 Anos
KTM Prowler AT2

Rui Machado
Soutelo – Vila Verde
26 Anos
Scott Genius MC10

Joaquim Silva
Loureira – Vila Verde
40 Anos
KTM Prowler zero

Júlio Sousa
Soutelo – Vila Verde
36 Anos
KTM Lycan 3.0
Hélder Costa
Barbudo – Vila Verde
24 Anos
KTM Prowler 1.0

Fernando Pinheiro
Loureira – Vila Verde
45 Anos
Trek

Benjamim Silva
Soutelo – Vila Verde
42 Anos
KTM Prowler Moto

O grupo constituído pelos primeiros seis betetistas partiu da Vila de Ponte de Lima por
voltas das 08:30H de Sábado, dia 21 de Fevereiro.
Com a boa disposição de sempre, o momento foi registado com uma foto de grupo e
deram-se as primeiras de muitas pedaladas até Santiago.
Largo de Camões – Ponte de Lima

Este início ficou logo marcado pela “azelhice” do Rui Machado que, mal entrou nos
trilhos de terra, fez questão de enterrar completamente um pé na lama.

Ponte de Lima
Foi um momento divertido para quem tinha os pés secos…
Para o Rui Machado não terá sido tanto porque foi obrigado a lavar o pé e o sapato nas águas
geladas e continuar a trilhar caminho.
O início foi, de facto, marcado pelo Rui Machado. A sua bike, uns metros mais à frente,
obrigou-nos a parar novamente para aumentar a pressão do amortecedor. Nada que
betetistas prevenidos não resolvam… duas bombadas e novamente prontos para enfrentar os
trilhos.
Apesar de todos estes contratempos iniciais a manhã foi pautada por um ritmo muito
regular que só abrandou na difícil escalada dos trilhos da Labruja. É uma parte do percurso
onde é impossível pedalar e onde é obrigatório arrastar as bikes pelos autênticos degraus que
o trilho nos reserva.

A meio desta difícil parte do percurso, foi possível descansar uns breves minutos e tirar
uma foto de grupo junto de um dos muitos “cruzeiros” que se encontram ao logo dos
caminhos.
A zona da Labruja é, de facto, complicada quer a subir quer a descer.

A longa temporada de chuvas intensas deixou a descoberto muitas pedras que


dificultaram a descida em muitos locais.

Estes “maus caminhos” fizeram os estragos físicos e


obrigaram o Luís Filipe Silva a parar numa farmácia
para se socorrer de um gel para dores musculares.

Apesar de todas as dificuldades, o ritmo imposto pelo grupo da BBIKES foi sempre
muito regular e, por volta das 12:00h, já estávamos no café esplanada, em Valença, para mais
uns minutos de descanso e a colocação de mais um carimbo na credencial de peregrino.
Seguiu-se a travessia da velhinha ponte metálica que liga Valença a Tui e a visita ao
belo centro histórico de Tui. Tui é, quase sempre, uma zona de passagem a caminho de outros
destinos espanhóis e, por isso, o seu interior é pouco conhecido. Vale a pena perder uns
minutos para apreciar esta zona granítica de Tui.

Por esta altura já todos tinham o pensamento no farnel que cada um carregava,
decidindo-se (por unanimidade) parar no primeiro local apropriado para o tão necessário
reconforto dos estômagos. Não tardou muito. Mal se entrou novamente em trilhos de terra e
logo apareceu uma margem de um riacho excelente para tal intento.
As fotos não enganam!!
Todos fizeram o gosto ao dente apreciando os bolinhos de bacalhau, os panados, o
frango e até o coelho. Claro que para acompanhar tal repasto não faltou o vinho branco que o
Júlio fez questão de levar. Verdadeiros betetistas…

Com os níveis de energia repostos, depressa se chegou ao albergue de Redondela.


Trata-se de um albergue situado mesmo no centro da localidade, num edifício antigo mas
muito bem cuidado.
Como é da praxe, recolhemos mais um carimbo para as credenciais e
Pedalou-se rumo a Pontevedra para pernoitar.
A caminho de Pontevedra, fomos parando para apreciar as paisagens das diversas
localidades que nos iam surgindo pelo caminho. O bom ritmo da manhã e início da tarde
permitiu um final de tarde nas calmas e com tempo para tudo.

Os caminhos de Santiago ganham outro sabor quando


há tempo para saborear estes momentos.
Foi possível, entre muitas outras coisas, confirmar a abun-
dância de peixe nos diversos rios e ribeiras.

A chegada a Pontevedra foi antecedida por uma parte empedrada com dificuldades
semelhantes às da Labruja. Foi necessário, mais uma vez, carregar as bikes por entre pedras
escorregadias e atravessar algumas partes com muita água. Foi uma parte do percurso que
demorou largos minutos.
Mesmo assim, com este contratempo, chegamos a Pontevedra de dia, com tempo para
lavar as bikes e a respectiva lubrificação e afinação para o dia seguinte.
O desfile de Carnaval que estava a decorrer nesta localidade obrigou a uma paragem
longa no albergue e ao adiar do jantar. Houve, uma vez mais, tempo para tudo: para dormir,
comer, telefonar, guardar as bikes e apreciar o desfile de Carnaval.
O desfile de Carnaval motivou um grande atraso na chegada dos “carros de apoio”
que transportavam os sacos com mudas de roupa. Fomos, por este motivo, obrigados a
“desfilar” pelas ruas do cortejo mascarados à ciclistas…
Embora desenquadrados, ninguém notou que apenas estávamos naquelas andanças
por mero “acidente” de percurso.

Para a história do desfile fica a lembrança do


Júlio “mascarado” de mergulhador. O saco cama de cor
vermelha mais parecia uma bóia da série Marés Vivas…

Depois de um banho rápido seguiu-se o jantar. A


parrilhada de carnes deixou um pouco a desejar.
Mas como era Carnaval ninguém levou a mal.
O segundo dia iniciou-se com o encontro com o Benjamim Silva que, devido a
compromissos profissionais, só se juntou ao grupo no segundo dia de percurso. Fica registado
a sua vontade em participar neste desafio e o apoio que deu ao grupo no que toca a
componentes e acessórios para o caso de se verificar alguma avaria com as máquinas.
Depois de um saboroso pequeno-almoço, seguimos o símbolo da concha que
caracteriza os caminhos de Santiago. A primeira parte deste segundo dia foi marcada por
trilhos inundados de água o que fez pensar no que seria caso esta aventura fosse efectuada em
tempo de chuva.
Foram, mesmo assim, trilhos muito agradáveis de fazer e marcados por paisagens
deslumbrantes.

Comprovando a boa preparação física dos betetistas da BBIKES, este segundo dia
também foi marcado por um ritmo muito acelerado, só abrandado por uma tendinite que
surgiu no joelho direito do Luís Filipe Silva. Foi uma lesão que não impediu a chegada a
Santiago em grupo mas que provocou um atraso significativo.
Mesmo com este contratempo inesperado, houve tempo para parar, recolher carimbos,
tirar fotos, comer… e até para colocar a conversa em dia.
Por voltas das 14:00H, os betetistas da BBIKES chegaram a Santiago de Compostela.
A chegada é marcada pela exigência de um último esforço. A subida em asfalto junto
ao hospital de Santiago é demolidora para quem já acusa os quilómetros nas pernas.
Foi, apesar de tudo, uma prestação acima da média dos grupos que se tem aventurado
por estes trilhos que terminou, como já é habitual, com boa disposição, em torno da mesa
onde nos foi servida uma picanha no espeto.
Para mais tarde recordar, ficam os últimos registos fotográficos e os diplomas passados
pela oficina do peregrino em Santiago de Compostela.