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Estrelas para a Paz

Era uma vez um anjo que se chamava Segismundo. Vivia numa nuvem com vista para o mar e por
isso queria ser pescador. Sentava-se na borda da sua nuvem e aí ficava com a sua cana de pesca.
Mas o anjo Segismundo nuca tinha pescado nada. Apesar disso, nunca perdia a esperança de
apanhar qualquer coisa no seu anzol. Enquanto Deus não o chamava para levar a cabo alguma
missão, Segismundo esperava, com a sua cana.

Uma tarde de Sol, o anjo estava quase a pescar um peixinho. Já quase o tinha pescado, quando
ouviu que Deus o chamava. O anjinho saiu a voar e deixou, esquecida, a sua cana de pesca cravada
na nuvem, com o anzol no mar. E voou até à casa de Deus.

A casa de Deus era um grande castelo todo de nuvens, com arco-íris, papagaios de papel,
passarinhos, flores e borboletas. De cinco em cinco minutos, de dois em dois, de três em três...,
passavam anjinhos voando e cantando. No jardim havia seis coelhos brancos que brincavam às
estátuas. Havia escorregas de nuvens rosadas, torres cor de caramelo cheias de sol e era sempre
Domingo.

− Chamaste-me, Deus? - perguntou o anjo.


− Sim – disse Deus – preciso que te vistas de menino e vás a uma escola. Terás que ajudar
a educadora a fazer a paz. Mas… vá, anima-te, que te vejo um pouco abatido!...
− Mas eu estou muito animado...! - gritou o anjo Segismundo – sempre pronto!

E, disfarçado, desceu até à escola. Levava as asas dobradas debaixo do fato de treino. Assim ficava
igualzinho a qualquer menino. Mal chegou à escola, pôs-se a brincar. Mas logo a seguir surgiu um
problema:

− Esse balde é meu...! - gritou um menino.


− Nããããããoooooooo...! É meu...! - gritou uma menina.
− Olha que levas...!
− E eu puxou-te pelo cabelo...!
A educadora e o anjo correram para separar os dois meninos. A menina aceitou fazer as pazes. Mas
o menino, não. Estava muito zangado e não queria saber de nada. Tinha os olhos apertados de tanta
raiva. No seu coração havia como uma tempestade de raios e trovões. Dava pena. Não tinha nem
um bocadinho de alegria. Nem um bocadinho de paz. E a educadora eo anjo disfarçado começaram
a ficar tristes.

− Que pena …! - disseram os outros meninos – Estávamos a brincar tão bem...

Então, Segismundo teve uma ideia. Meteu a sua mão debaixo do fato de treino e, zás!, arrancou
uma peninha de uma das suas asas. Como toda a gente sabe, as asas dos anjos são muito especiais.
Por isso a peninha era luminosa de tão branca! Brilhava. E o anjo deu-a ao menino zangado.

− Olha, é para ti... gostas?


− Uma estrela...! - gritou o menino contente.

E ao ficar contente, riu-se e o sorriso apagou-lhe a raiva. Porque a paz é assim tão fácil!

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