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http://dn.sapo.pt/2008/04/11/editorial/o_governo_dialogo_e_correccao_excess.html

O Governo do diálogo e da
correcção de excessos

Os sinais parecem indesmentíveis. A política inflexível com que este Governo começou a legislatura para
impor as reformas necessárias e urgentes para o País, cortando a direito para aplicar as mudanças de
fundo, está a ceder o passo a uma nova fase de diálogo social e correcção de excessos neste ano
pré-eleitoral.

Na saúde, a ênfase do desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) passou para a abertura de
novos serviços de proximidade, alargados a campos de actuação onde o SNS até agora não entrava. Na
educação, os oito pontos da plataforma negocial apresentada por toda a equipa ministerial à Plataforma
Sindical dos Professores ilustram o esforço de ir ao encontro de quem representa uma classe profissional
ferida no seu orgulho. Na frente laboral, e depois das sugestões apresentadas no Livro Branco para o
sector, o silêncio do Ministério do Trabalho indicia, porventura, a discreta sondagem dos parceiros sociais
para medidas que aumentem a competitividade das empresas e reduzam a insegurança do trabalho
precário, em expansão entre nós. Em resumo: da política bulldozer, passou-se ao diálogo e à
negociação, a palavra de ordem é ouvir primeiro e avançar depois.

O vento mudou com o calendário. A 18 meses das eleições legislativas, o Governo, tendo já concretizado
a parte de leão do seu programa, dá sinais de querer baixar a crispação social e evitar o protesto
continuado nas ruas, como os que estavam marcados para este mês por professores e pela CGTP.

O País só pode regozijar-se com os pequenos passos no sentido da pacificação da escola que foram
dados ontem, na mesa de negociações. A Plataforma Sindical dos professores e a ministra da Educação
devem-nos um esforço honesto para fazer com que as notícias vindas da escola deixem de ser dadas na
zona de escândalos dos telejornais ou nas páginas que os diários dedicam aos conflitos laborais. Temos
todos de remar na mesma direcção para melhorar um sistema que está doente e que todos os
indicadores gritam ser ineficiente.

A paixão guterrista pela educação não gerou os frutos desejados, como avalia, de uma forma fria e
desapaixonada, o sucessor José Sócrates: "Entre 1995 e 2005, o Estado gastou mais dinheiro, teve mais
professores, menos alunos e mais insucesso escolar."

O diagnóstico do relatório que acaba de ser divulgado pelo Fórum Económico Mundial não é nada
lisonjeiro para o nosso país, que apesar de ser o 21.º na lista de gastos é o pior da União Europeia no
que toca à qualidade do ensino de Matemática e Ciência.

É vergonhoso o 89.º lugar que ocupamos na qualidade da educação científica. E não podemos sentir-nos
confortáveis com o lugar do meio da tabela (65.º em 127 países) que ocupamos no ranking da qualidade
do sistema de ensino.

Por todas estas razões, ministra e professores devem apressar-se a arredondar as esquinas que os
separam e a concentrar os seus esforços na construção de uma escola melhor, uma vez que no século
XXI o conhecimento é a chave para a prosperidade das nações.

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