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Início da narração

A descoberta do caminho marítimo para a Índia

Esta é a acção central d’ Os Lusíadas que começa, tal como era exigido no
modelo clássico da epopeia, in medias res, ou seja, com a viagem numa fase adiantada.
Nesse momento, os navegadores portugueses encontravam-se no meio do oceano Índico
– “Já no largo Oceano navegavam” – e, até então, tinham feito um percurso
previamente conhecido. Daí para a frente relata-se o verdadeiro caminho da
descoberta.
Camões assume o papel de narrador heterodiegético, omnisciente e subjectivo.

Vasco da Gama
QUANDO TUDO ACONTECEU...

1468 (?): Nascimento, talvez em Sines. Filho segundo do fidalgo Estêvão da Gama.
1497: A 8 de Julho parte de Lisboa comandando a frota que irá descobrir o caminho
marítimo para a Índia. A 18 de Novembro dobra o Cabo da Boa Esperança.
1498: A 20 de Maio chega
a Calecut e enfrenta a
hostilidade do respectivo
Samorim. A 5 de Outubro
inicia a viagem de regresso.
1499: Arriba a Lisboa em
fins de Agosto; é recebido
triunfalmente.
1502/04: Segunda viagem à
Índia. Represálias contra o
Samorim de Calecut. Firma
aliança com os reis de
Cochim e Cananor, onde
instala feitorias. Regressa a
Lisboa com carga avultada
de especiarias.
1524: Terceira viagem à
Índia, já com o título de
conde da Vidigueira e na
qualidade de Vice-rei.
Tenta pôr fim a desmandos
e abusos. A 25 de
Dezembro morre em
Cochim.
Síntese

Já os navegadores portugueses navegavam no oceano Índico, quando os deuses


se reuniram no Olimpo para decidirem se permitiam ou não que os portugueses
encontrassem um lugar onde pudessem descansar e recuperar novas forças para
enfrentar a viagem no desconhecido.

1. Sublinha os vários substantivos que se relacionam com navegação:

Já no largo Oceano navegavam,


As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas

A este grupo de palavras chamamos campo lexical.

Recorda:
Campo lexical é um conjunto de palavras que fazem parte da mesma realidade.
2. Identifica os adjectivos presentes no texto:

Já no largo Oceano navegavam,


As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas côncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vão cortando
As marítimas águas consagradas,
Que do gado de Próteo são cortadas

Se reparares bem, a maioria dos adjectivos aparece antes dos substantivos


que qualificam.
Este recurso serve para realçar as qualidades dos substantivos e dar mais
expressividade ao texto.

Ex.: “largo Oceano” (adjectivo anteposto ao substantivo) é mais expressivo do


que “Oceano largo”.

3. Em que tempo e modo se encontra a expressão “vão cortando”?

a) Presente do Indicativo
b) Pretérito Perfeito do Indicativo
c) Futuro do Indicativo
d) Mais-que-perfeito do Indicativo

3.1. Que nome dás a esta conjugação? Que sentido confere ao verbo esta
conjugação?
R.:______________________________________________________________

Vão verbo auxiliar - ir

Cortando verbo principal – cortar;


gerúndio

Trata-se de uma conjugação perifrástica. Se substituísses a expressão “vão


cortando” por “cortam”, a frase ficaria correcta mas perdia-se o sentido de
realização gradual da acção.
Para saber

A conjugação perifrástica consiste na utilização de um verbo auxiliar no


tempo em que se pretende conjugar, seguido do verbo principal no infinitivo ou
no gerúndio.
Os verbos que, normalmente, surgem como auxiliares da conjugação
perifrástica são: ir, vir, andar, dever, deixar, estar, ter, haver, começar, acabar,
continuar, entre outros, e podem exprimir diferentes ideias. Neste caso o auxiliar
ir marca a ideia de continuidade.

A conjugação perifrástica confere ao verbo determinados


sentidos, como:

• Necessidade - (ter de + infinitivo) Ex.: Tenho de trabalhar. (ter que + infinitivo)


• Certeza - (haver de + infinitivo) Ex.: Hei-de conseguir.
• Intenção ou proximidade de realização - (estar para + infinitivo) Ex.: Estou
para partir.
• Realização futura - (ir + infinitivo) Ex.: Vou ler.
• Realização prolongada - (andar a, estar a + infinitivo ou gerúndio) Ex.: Ando
a ler um livro.
• Realização gradual - (ir, vir + gerúndio ou infinitivo) Ex.: Vou lendo
calmamente.
• Acontecimento simultâneo - (estar a, ir a + infinitivo) Ex.: Ia a sair quando o
telefone tocou.
• Probabilidade ou dever - (dever + infinitivo) Ex.: Devo ter esse livro.
• Possibilidade - (poder + infinitivo) Ex.: Eles tinham sido avisados que podiam
reprovar.
• Início da realização - (começar + infinitivo) Ex.: Nós começámos a correr.
• Momento final da acção - acabar de + infinitivo / deixar de + infinitivo

Consílio dos Deuses no Olimpo (estrofes 20 a 23)


Esta 1ª parte descreve-nos o espaço e a organização dos deuses no consílio.

Os deuses deixaram os seus locais de governação, vindos do Norte, do Sul, do


Nascente e do Poente, para se dirigirem ao Olimpo para um consílio convocado da parte
de Júpiter pelo jovem Mercúrio. O poderoso pai dos deuses aguardava os seus súbditos
sentado num trono de estrelas. Como determinava a ordem, os deuses sentavam-se em
cadeiras marchetadas de ouro e pedrarias e em lugares determinados consoante a
antiguidade. Júpiter situava-se em lugar mais alto, seguido, mais abaixo, pelos deuses
mais velhos e, ainda mais abaixo, pelos deuses mais novos.

O plano da viagem e o plano mitológico

Repara

Em toda a narração estão presentes dois planos – O Plano da Viagem e o


Plano dos Deuses.

Esta associação revela que a viagem de descoberta do caminho marítimo


para a Índia depende do parecer favorável dos deuses.
Os deuses, ao dificultarem ou facilitarem a viagem dos portugueses, permitem
que a acção se desenvolva.

O Plano dos Deuses ou Mitológico era fundamental numa epopeia, mas nesta
obra os deuses não têm apenas a função de embelezar a acção, eles são elementos
geradores da própria acção.

4. Associa a cada expressão a entidade subentendida.

a) “neto gentil do velho Atlante” Nascente / Poente

b) “as partes onde / A Aurora nasce


e o claro Sol se esconde”. Júpiter

c) “Estava o Padre ali sublime e dino,


Que vibra os feros raios de Vulcano,” Mercúrio

d) "Eternos moradores do luzente


Estelífero pólo, e claro assento,” deuses

Nestes casos, o poeta substitui as palavras Mercúrio, Nascente e Poente por


expressões mais longas e descritivas, para chamar a atenção para características
específicas, e também para tornar o texto mais bonito.

Perífrase

A este recurso de estilo dá-se o nome de perífrase. O prefixo peri- significa


“andar à volta”, portanto, a perífrase consiste numa frase que “anda à volta”, que aponta
para uma entidade sem a referir.
A convocatória
Como pudeste ler, os deuses foram convocados para se reunirem em consílio no
Olimpo a fim de decidirem sobre o destino dos portugueses.

Ora, o documento usado para convocar as pessoas para uma reunião é


designado de convocatória e respeita determinadas regras. Observa atentamente o
exemplo:

Convocatória

A Associação de Estudantes da Escola Básica Integrada de Santo Onofre


convoca todos os finalistas para uma Assembleia Ordinária a realizar no dia 23 de Abril,
pelas 18.00h, no Refeitório da Escola, a fim de dar cumprimento à seguinte Ordem de
Trabalhos:

Ponto 1: Apresentação das propostas para o Baile de Finalistas;

Ponto 2: Apreciação das propostas apresentadas;

Ponto 3: Selecção da proposta mais adequada.

15 de Abril de 2006

João Paulo Mascarenhas


Presidente da Associação de Estudantes

A reunião é sempre convocada com a antecedência considerada necessária,


geralmente com o mínimo de 48 horas. Nas associações a antecedência é normalmente
de 8 dias.

Consílio dos Deuses no Olimpo (estrofes 24 a 29)


Depois de caracterizado o espaço onde se vão reunir os deuses, o consílio
inicia-se com o discurso de Júpiter.

O pai dos deuses refere que o valor dos portugueses é tão grande que pode
obscurecer a fama dos antigos impérios dos assírios, persas, gregos e romanos.
Júpiter faz uma descrição enaltecedora da nação portuguesa, forte, capaz de
actos grandiosos e que revela o propósito de navegar até ao Oriente como o destino –
“Fado eterno” – lhes prometeu.
Depois dos portugueses terem passado por “tão ásperos perigos”, das tripulações
estarem extenuadas pelos trabalhos da viagem, Júpiter determina, então, que os
navegadores sejam recebidos e “agasalhados” na costa africana. O discurso de Júpiter é
apresentado através do discurso directo.

Júpiter no Monte Olimpo

5. Lê com atenção as afirmações seguintes e assinala as verdadeiras.

a) O início da narração corresponde ao início da viagem.


b) O objectivo desta assembleia é o de eleger o presidente dos deuses.
c) Os deuses são convocados por Júpiter, por ordem de Mercúrio.
d) Vasco da Gama presidiu à reunião.
e) O consílio realizou-se no Olimpo.

6. Indica qual o objectivo da assembleia dos deuses.

a) Eleger o presidente dos deuses.


b) Armar uma cilada aos portugueses.
c) Decidir o futuro dos portugueses no Oriente.

7. Completa os espaços em branco com duas palavras que encontras na lista


seguinte:

Júpiter Atlante Próteu Mercúrio Vulcano Marte


a) Para esta assembleia, os deuses são convocados por ______________,
por ordem de ________________, que presidiu à reunião.

8. Sublinha todos os adjectivos presentes na descrição de Júpiter da estrofe 22


que se segue.

Estava o Padre ali sublime e dino


Que vibra os feros raios de Vulcano,
Num assento de estrelas cristalino,
Com gesto alto, severo e soberano.
Do rosto respirava um ar divino,
Que divino tornara um corpo humano;
Com uma coroa e ceptro rutilante,
De outra pedra mais clara que diamante.

Consílio dos Deuses no Olimpo (estrofes 30 a 35)


Esta terceira parte consiste na apresentação das opiniões dos outros deuses,
destacando-se os pareceres de Baco e de Vénus.
Baco Vénus

Depois de apresentada a decisão de


Júpiter, os deuses vão dando as suas opiniões.
Destas destacam-se a de Baco, que é contra os
portugueses, pois considera que eles se tornarão
superiores a si no Oriente, e a de Vénus, que
defende com amor os portugueses, pois via neles as virtudes romanas – a valentia, as
vitórias no norte de África e o idioma tão parecido com o latim.
Assim, Baco, com receio de perder a glória no Oriente, e Vénus, com desejo de a
ganhar, pois sabe que será celebrada onde quer que os portugueses cheguem, entram em
discussão e levanta-se um grande tumulto entre os deuses. As opiniões destes deuses
são transmitidas em discurso indirecto.
Se leres a estrofe 35, apercebes-te que a confusão gerada entre os deuses foi
grande, até os próprios verbos sugerem essa confusão: “rompendo”, Brama”,
“murmura”, “Rompem-se”, “ferve”. O tom utilizado nesta estrofe é hiperbólico, há um
exagero intencional da realidade para enfatizar a confusão.

Consílio dos Deuses no Olimpo (estrofes 36 a 40)

Esta quarta parte expõe o


discurso de Marte, deus da Guerra.

No meio da confusão gerada pelos


deuses, Marte, “dando uma pancada
penetrante” com o cabo da lança no
trono, apresenta a sua opinião
favorável aos portugueses. Marte
apoiava os portugueses
provavelmente porque estes eram
protegidos por Vénus, por quem
Marte “morria” de amores, ou então
porque reconhecia os feitos lusitanos,
considerando que era um povo que
merecia protecção. Marte aconselha
Júpiter a não voltar atrás na decisão
de apoio aos portugueses.

Marte

9. Qual a consequência da “pancada penetrante” que Marte deu?

a) Os deuses ficaram todos muito assustados.


b) Júpiter não gostou e expulsou Marte da Assembleia.
c) O céu tremeu.

Na realidade, uma pancada, por muito forte que seja, não faz tremer o céu.
Estamos perante um exagero do poeta, que pretende, com este recurso, dar mais força ao
texto. A este recurso dá-se o nome de hipérbole.

A hipérbole é um recurso estilístico que consiste em referir-se a um ser,


circunstância, sentimento ou objecto, exagerando os seus atributos
Consílio dos Deuses no Olimpo (estrofes 41)
Decisão final de Júpiter e conclusão do Consílio.

Depois de Marte apresentar a sua opinião favorável aos portugueses. Júpiter


concordou, com uma inclinação de cabeça, e deu por terminado o consílio. Os deuses
partiram de regresso às suas moradas.
Resumindo, Júpiter e os deuses consentiram a paragem e o descanso dos
portugueses na costa africana para recuperarem
forças e, posteriormente, seguirem viagem
rumo ao desconhecido, à Índia.

Armada de Vasco da Gama, século XV, constituída pelas naus "São Gabriel", "São Rafael" e "Bérrio", de
120, 100 e 50 tonéis, respectivamente. Descobriu o caminho marítimo para a Índia em 1497/98.
Reprodução de pintura a óleo de Alberto Cutileiro

Discurso directo, indirecto e indirecto livre

Discurso directo – surge quando o narrador dá a conhecer os pensamentos da


personagem através da fala desta, isto é, o narrador introduz a personagem e deixa que
ela própria fale. Discurso de 1.ª e 2.ª pessoa.

Repara no exemplo: “Quando Júpiter alto, assim dizendo,/Cum tom de voz


começa, grave e horrendo:”. O Poeta indicou a personagem que ia falar, utilizando para
isso um verbo declarativo “dizendo”, os dois pontos e a mudança de verso para iniciar o
discurso de Júpiter: “Eternos moradores do luzente…”
Depois de apresentada a decisão de Júpiter, os deuses vão dando a sua opinião,
destacando-se a de Baco e a de Vénus. As suas opiniões não são, no entanto,
transmitidas em discurso directo, mas sim em discurso indirecto.

Discurso indirecto – surge quando o narrador reproduz ele próprio a fala das
personagens, não lhes dando lugar para falar. Discurso de 3.ª pessoa.
DISCURSO DIRECTO DISCURSO INDIRECTO

Verbo declarativo (dizer, perguntar,


responder, pedir, etc.)
Tempos e modos: Tempos e modos:
• Presente • Imperfeito
• Pretérito perfeito • Mais-que-perfeito
• Futuro • Condicional
• Modo imperativo • Modo conjuntivo
Pessoa gramatical usada nos verbos e Pessoa gramatical usada nos verbos e nos
nos pronomes (pessoais e possessivos): pronomes (pessoais e possessivos):
• 1.ª pessoa ou 2.ª pessoa • 3.ª pessoa
Pronomes e determinantes Pronomes e determinantes demonstrativos:
demonstrativos: • aquele, aquela, aquilo
• este, esta, isto; esse, essa, isso
Advérbios: Advérbios:
• de tempo -agora • de tempo - então
- hoje, ontem - naquele dia, no dia anterior
- amanhã - no dia seguinte
• de lugar - aqui • de lugar - ali, além, acolá
- cá - lá
Aparece frequentemente o vocativo O vocativo desaparece ou passa a
complemento indirecto

Repara no exemplo: “O padre Baco ali não consentia/No que Júpiter disse,
conhecendo…”. Neste exemplo, não foi Baco que transmitiu a sua opinião, mas sim o
Poeta que a deu a conhecer.
Há ainda uma terceira forma de discurso que não surge neste caso, mas que
deves conhecer, o discurso indirecto livre.

Discurso indirecto livre – surge quando há uma combinação entre o discurso directo e
o discurso indirecto, pois dá-se uma aproximação entre o narrador e a personagem que
discursa, parecendo que falam ao mesmo tempo, em uníssono. Na realidade é o narrador
quem fala (discurso indirecto), mas através das palavras da personagem (discurso
directo). Esta forma de discurso mantém a expressividade do discurso directo, omitindo
o verbo declarativo que introduz este discurso, e operando as mesmas transformações do
discurso indirecto.

Apesar de não haver nenhum caso de discurso indirecto livre no texto, imagina
este exemplo: Entre os deuses, Baco dava a sua opinião. Não consentia! Então, os
portugueses iam tornar-se mais famosos do que ele no Oriente? Nem pensar em perder a
sua glória!

A acta
O encontro dos deuses (consílio), que nos é relatado, é semelhante a uma
reunião onde os participantes debatem sobre um assunto e no fim tomam uma decisão.
O resumo da reunião e as decisões que foram tomadas ficam registadas
num documento designado por acta.

Atenta no exemplo de acta que se segue:

Acta do Consílio dos Deuses


Aos dois dias do mês de Março de mil quatrocentos e noventa e oito realizou-se, pelas
dez horas, no Olimpo, um Consílio dos Deuses com a seguinte ordem de trabalhos: ---
Ponto único – Deliberação sobre a ajuda a dar aos portugueses na descoberta do
caminho marítimo para a Índia. ---------------------------------------------------------
A reunião foi presidida por Júpiter e estiveram presentes todos os deuses
convocados. ------------------------------------------------------------------------------------------
A abrir a sessão, Júpiter recordou à Assembleia os feitos heróicos já realizados pelos
portugueses, um povo com pouco poder, mas tão valoroso que já tinha vencido
mouros e castelhanos. Referiu ainda que, no momento presente, enfrentava, com parcos
recursos, mas grande determinação, os perigos marítimos, tendo como objectivo chegar
às terras do Oriente. ------------------------------------------
Declarou, também, que já lhe estava prometido pelo Fado eterno, o domínio, por
muito tempo, dos mares do oriente. Tinham passado um Inverno rigoroso no mar e
enfrentado duros perigos. Os navegantes estavam exaustos, por isso, decidira que a
armada fosse amigavelmente recebida na costa africana, para retemperar forças antes de
prosseguir a viagem.--------------------------------------------------- -----------------------------
Na sequência desta declaração, Baco manifestou a sua discordância, defendendo que, se
chegassem ao Oriente, os portugueses dominariam a região e os seus feitos fariam
esquecer as famas anteriores. Ele próprio, Baco, deixaria de ser adorado e perderia a sua
glória. -------------------------------------------------------------------------------------------------
A deusa Vénus, discordando de Baco, apoiou a decisão de Júpiter, argumentando com
as qualidades do povo português, semelhantes às do povo romano, descendente do seu
filho. --------------------------------------------------------------------------------------------------
Gerou-se, então, grande tumulto na Assembleia. ----------------------------------------
O deus Marte, levantando-se para expor as suas razões, repôs a ordem na reunião e
dirigindo-se a Júpiter, incentivou-o a não dar ouvidos a Baco, pois as suas opiniões não
se baseavam na razão, mas em sentimentos mesquinhos, como a inveja, e aconselhou-o
a não voltar atrás com a decisão tomada, pois seria sinal de fraqueza. ----------------------
Júpiter concordou com as palavras de Marte, fazendo um gesto de aprovação, e, de
seguida, espalhou néctar sobre os deuses que se preparavam já para regressar aos seus
planetas.
-----------------------------------------------------------------------------------------------
E nada mais havendo a tratar, deu-se por encerrada a sessão da qual se lavrou a presente
acta que, vai ser assinada nos termos da lei. -----------------------------------------------------
----------------------------------------------------------------------------------------------------------
O Presidente: Júpiter
O Secretário: _______________

10. Antes da realização da reunião, os deuses foram todos convocados. Procede


à elaboração da Convocatória que deu origem à Assembleia, da qual se lavrou a
acta acima transcrita.

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Como reparaste, numa acta há determinadas regras que têm de


ser obrigatoriamente cumpridas:

 Os números têm de ser escritos por extenso.


 Os espaços em branco têm de ser trancados.
 Não se usam abreviaturas nem siglas.
 Os erros têm de ser corrigidos directamente, por exemplo. “…, digo,
…”- não é permitido o uso de corrector ou borracha.
 No caso de esquecimento de algum aspecto, antes das assinaturas, deve
escrever-se “Em tempo… seguido do assunto omitido.
 As actas normalmente escrevem-se em livro próprio para esse fim.
 A acta é lida, aprovada ou não, e assinada na reunião seguinte àquela a
que diz respeito.

Para redigires uma acta, deves ter em atenção:

• O número de ordem da acta.


• A data, a hora e o local da reunião realizada.
• O tipo de reunião: ordinária ou extraordinária.
• A pessoa que preside à reunião, quem a convocou, e as pessoas
presentes e ausentes.
• A ordem de trabalhos.
• O resumo das principais intervenções.
• As decisões tomadas.
• A fórmula de encerramento.
• As assinaturas do Presidente da reunião e secretário ou de todos
os presentes.

11. Atenta na acta que se segue, elaborada de acordo com a convocatória


apresentada anteriormente e coloca por ordem as partes que a constituem.

□ Ponto três: Selecção da proposta mais adequada. ----------------------------------------------------


□ ---------------------------------------- Acta número sete ------------------------------------------------
□ Ponto um: Apresentação das propostas para o Baile de Finalistas; -------------------------------
□ Aos vinte e três dias do mês de Maio do ano de dois mil e seis, pelas dezoito horas, no
Refeitório da Escola Básica Integrada de Santo Onofre, reuniram em assembleia ordinária,
presidida pelo Presidente da Associação de Estudantes, os finalistas da escola com a seguinte
Ordem de Trabalhos: ----------------------------------------------------------------------------------------
□ Ponto dois: Apreciação das propostas apresentadas; ------------------------------------------------
□ Nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião da qual se lavrou a presente acta que,
depois de lida e aprovada, vai ser assinada pelo Presidente e por mim que a secretariei.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
----------
□ Depois de lida, aprovada e assinada a acta da reunião anterior, a sessão foi aberta com …
□ O Presidente: João Paulo Mascarenhas
O Secretário: …………………………..

12. Passa para o discurso indirecto:


Vénus disse:
- Os portugueses merecem ser ajudados. Baco é invejoso, não lhe dês ouvidos.

R.:_________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

12.1. Coloca, agora, no discurso indirecto livre.

R.:_________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

12.2. Passa para o discurso directo:


Baco declarou que não ajudava os portugueses, porque se eles chegassem à
Índia, ele cairia no esquecimento e perderia toda a glória ali conquistada.

R.:_________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
13. Assinala com Verdadeiro e Falso as seguintes afirmações:

a) Os deuses estão dispostos segundo a ordem de chegada.


b) Júpiter presidiu à reunião.
c) Júpiter salienta o passado glorioso dos portugueses.
d) A decisão de Júpiter é favorável aos portugueses.

14. Relê o verso da estrofe 37: “O céu tremeu, e Apolo, de torvado,”. Indica a
figura de estilo presente.

a) Sinédoque
b) Metonímia
c) Perífrase

15. A decisão de Júpiter provocou uma grande polémica no Olimpo, com uns
deuses a favor e outros contra os portugueses.
Assinala as afirmações verdadeiras (V) ou falsas (F).

a) Baco e Vénus apresentam-se como adjuvantes em relação aos


portugueses.
b) Vénus lidera as forças que apoiam a decisão de Júpiter.
c) Baco é o principal oponente.
d) Vénus constitui a força oponente aos desígnios de Júpiter.

16. Caracteriza o estado de espírito de Marte associando o substantivo ao


respectivo verso.

a) gravidade “Mui seguro/Por dar seu parecer”


b) determinação “(Merencório no gesto parecia)”
c) revolta “dando hua pancada penetrante”

17. Identifica os fenómenos fonéticos presentes nos vocábulos abaixo


transcritos:

a) antre > entre


b) pera > para
c) alevantando > levantando
d) mui > muito
e) hua > uma
f) co > com
g) infiado > enfiado
h) assi > assim
i) apousentos > aposentos
( assimilação regressiva; paragoge; prótese; aférese; dissimilação; epêntese;
síncope; nasalação; desnasalação)

Bom trabalho!
Maria Filomena Ruivo Ferreira Santos

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