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\ MENTE-CEREBROG FILOSOFIA FUNDAMENTOS PARA A COMPREENSAO CONTEMPORANEA DA PSIQUE mente | 0 NEOPRAGMATISMO MEE N| é | PRETENSAO » | AO/ABSOLUTO ; DO PENSAMENTO | PSICANALITICO E | RENOVA NOCOES Pauw) POR FREUD ca JAMES ea Gime DAVIDSON ‘g Ne nanny A REDESCRI A0 re aye Vale ee er DO ' | g mages ova E DW? @ RILAD PRAGMATISNG F NEOPRAGMATISNO esta edigio de Mente, Cérebro & Filosofia = 0 século XX, 08 leitores vio acompanhar uma nova trajetéria da filosofia, que atravessa 0 Atlantica lanes Estados Unidos. Os responsiveis por esse alargamento de fronteiras © pela guinada tedrica a ele associada foraa es nos 68 americanos William James e John Dewey, pioneiros do pragmatismo. James desenvolveu 08 pritcipios da novia abordagem, que negou a éxistén- Gia de verdades absoluras e romou-se um método de investigagao presente tna psicologia, na sociologia © em outras esferas do saber Dewey, por sua vez, eritico da metafisica tradicional, preocupou-se em reconduzir a filosofia-20 mundo dos homens, como um instrumento capaz de ajuda-los 4 resolver seus problemas € construit un mundo melhor ‘A partir da década de 60, aénda nos Estados Unidos, Donald Davidson aprimorou as propostas do prigmatismo, aliando-as a: dimensito'éla lingva- -gom, Prosseguinclo nessa direc, Richard Rorty combinow as teses clissicas dessa corrente com idéias extraidas de Davidson, Wittgenstein, Heidegger e outros autores, forjande 6 nicleo do neopragamutismo. Configurou-se desse ‘modo uma vigorosa comrente filosofica, na qual a idéia romtyana da elabora- god proposta dos primeiros prigmatisas de constragao de vin mundo melhor, Os vinculas entre pragmatismo © neopragmatisino ¢ os estudos. do psiquismo sio importantes. James e Dewey, os primeiros fildsofos pragma ersbes melhores de nds mesmos” expressa'a continuidade com a tistas, foram também os primeiros psicdlogos funcionalisias, responsiveis pela guinada que conduiziu a psicologia para escolas, fébricas ¢ consultonios, dando-the sua fisionomia atual. Davidson, por sua ver, realizou uma leitura, inovadora de Freud, apresentanda o sujeito como uum conjunto coerente e plausfvel de crengas © desejos. Dessa perspectiva, 0 inconsciente aparece como um Conjunto altemativo desses elementos, ¢ no como ‘um novo centro do individu, Comparivel a “esséncia” da metafisica tradicional, Apoiando-se nessa idéia davidsoniana, Rory empreendeu uma tedescrigio a psicandlise, apresentando-a como uma busca por auto-enriquecimento, Os artigos desta digo, escritos por especialistas, vo guiar 0 leitor por todos esses desclobramentos, de intensas repercussdes na psicologia, na psicandlise © na psiquiatria contemporineas, Cantos Eouarbo Matos Eattor de Mente, Cérebro & Flows 0 sécilo 3X MENTE-CEREBROS FILOSOFIA sev meter ca. aeTeR ce Nr DRETOR EET edi BRO & FLOSORA enna mene a céRe890 Mera reo & Fora ras cp os Man & Ct nase haan Sree ats 26100 ‘cowre Bxecuo PusLionAe seco ew ENTE CE ‘SSTENTE: iano Care de ceo muravon EVTPAL DEATENDIMENTO AO ASSRANTE HUSH: (011) S038 £50 (atendimantsBdulineor om ons ASSATURS (quasar ave coe. DOES VULSAS E ESPESUS foomandnartodterk com.) Fgh 1.158897 8 0065-17-8, ese om eieee fate @ BRAS: DNAP SA Rin ar Hark Shino, 67, ‘ier sndes poo sata a oma conta do. sient 30-17) 5400 - ooo se wrahetocombe {preg era io ent oe er IBPRESSAO: I? rica mrermaneroveielast mts = ANER IPP fi" aT Ae Ree ae ies oa is vere eRe err ara eau crt 34 ewe eaivraucenca 50 unctacen, vernape EDITORIAL = COOPERATIVA. EEXPERIENCIA = PAMESIETRODUCAD na discussdo entre elas exigérecias do rca tes proces Bed Sbapaina ho fae Hass Ta none 4 Orscasse noes WO crccircn E Ricard Rorty, a missia da 6435 DNS PENSAMEN TOY ELINGLALIEN INCONSCIENTE fee oa DONALD DAVIDSON = ‘novo modo de resolver ‘cervbnil eo mental ; 4B Pri i DERORTY St 3 are ia Femcererapcinatse, 7 SE DAVIDSON LEITOR 24 SCuttvo pa wsreRaNca ee ae DEFREUD Eee ena oe amen = Npertlanere contra Tahari! dietie Precea ned de elo de e ‘a metafisica traclicional canatistas brastleivos cemusalicaie mental William James -ragmatismo e psicologia Segundo o psicélogo e filésofo americano William James, © pragmatismo nao tem dogmas nem doutrinas, Aexcecao de seu método oR ARTHIIE.A,L. FERRERS PARA ENTENDIRMOS A IMPORTANCIA do prag- matismo, € necessirio elaborar um qua- dro da psicologia, especialmente como se produzia na Alemanha no final do EM SINTESE gc na época o centro mundial °4 Magi care prtpnatsno século XIX, na época o cent a da elaboragio académica e institucional -duas vias. Na primeira, esse saber, E muit ificil caras rar Foes hae desse saber, E muito diffeil caracteriz means essa psicologia, completamente estranha —_folo operador de uma transom capil est @ nosso quadro awal, Estranheza ma ado cathcimeti, a atiagio; ao contririo de hoje, em que a passgem de una andlse da r ‘eyerinci eonciene para Psicologia € um saber pritico de inter- — umeumede sa apecio se nea Rtibivers em aap, Na segunda, vengio nos mais diversos campos, em mE seu surgimento institucional ela s¢ clevo- _pensaneno pragmatic como A pesquisa pura, © que pesquisim os mm imsnmnio de renomgio ta & pesquisa pr 0 Que peep ‘concen presente em alguns: primeitos psicdlogos? seine da pscolog aa Fs a segunda estranheri: nto se encon- Ia nenhum clos abjetos em relagio 305 ‘quais 0s psicSlogos anualmente se dil diam, Nao encontnasemos o incon. ‘dos psicanalists, © componamento des Iehavioristss, ou mesmo a mente dos copniivistas,e sim o que pareceria 9-mals ccrticlvel de ods essa perspectivas: fexpentncia conseiente, No a experiencia cientifica, independentes dee ncxso sisters erveso, ¢ medias pelos mais diversas fnstrumentos que regula nossts tusdes pperceptivas. Mis a experiéncia comum fimediata, imprecist « crivada de tistes,E [Por que se estuda esse estranho objec? Terceira estranheza: 0 problema que 1 psicologia nio € a husen de ajustumenta dos individuos. desadapta- dos nem a tentative dee compreensto de ccertas psicopatologias, mas © problema ‘do erro percepiivo comum a expeninci cconsciente, Problema ortinde do século XVI, quando no iniclo tanto da Filosofia quanta da fisica moderna constata-se a inadequagio iene perinte as cenezs fomecidas elas -matemiticas, A maior parte de a expetiéneia cons. O pragmatisma de James vai ser responsavel pela virada funcionalista na psicologia, até hoje presente nossas experigncias mio rele mais fo mundo, mas apenas as formas. com que os senuides tavesteny © mando, A propésito desse aspecto, Gallen sugere uma distingdo entre qualidade primis f secundiras a experiéncla. AS prime ras clitam respeito as propriedades dos fobjetos, coma a extend, as demas serlam’ apenas quilidades projetadas pelos semtielas no muna, Cores, adores, sons, gosios, beleza, qualichicles moras flo “apontariam mais pura qualidades do mundo. esse ponto, con nove problema do pensimento. moder no, @ do conbecimento: como represen tar adequadamente © mundo? Razio ou sensiilidacle ~ nox séculos V1 XVIEL ddebate-se sobre que regiau Uo expiito € responsivel peli veedade, qual @ a cul 0 SECULO XX - LITERATURA pavel pelo emo, Se a filosofia toma consideracio © problema «avers buscando saber como 0 entendlimy to pode representar adequadament mundo, w psicologia do século XIX he © servigo: sujo de Ikdar com 0 que ‘do conliecimentor as Musics. Como. estudar clentiicamente © se mostra como principal cbssaculr conbiecimento cientifica ~ ness rencia imediata, dependente do sia nervioso ¢ reduc) de noses use? Qu estranheza: a psicologia oficial do final sécule XIX mio. utliza nem 3 ints 80 clinica, “nem tas sobre 0 compomamento dos dem organisms © sim ima forma particular nuospeccao. No a intspeccio inge ritcaela dese © final do século XVIHL peasidores como Immanuel Kane, lama intrespeccso objetiva, contolada experiment, tomada de empresa ds fisdlegas sensoriais Essi forma de in pecio visaa, de modo semelhante i mica analtica, puriear nossa experiénc fem seus elementos mitimnos, as ene sersorais, propricdades dhe nosos nen as observagtes 0 Pass ti ito buistaria telatar nossa expe sri de uma série de ajustes © Pprencdes Inconscienies fomeckéas pelt Giltura € pela experiéneis passida. Para on livrarmos dessas sinteses inconscientes ce chegir a0 elemento puro das senagees, resturia apenas uma anilixe conscienwe © = insinada de nossa experiencia Chima esiranhecat: os psicdlogos of ais do século XIX inventam com a intmospecio experimental uma curios forma de expenéncia mediata (controls dx) da nossa experiéncia imediat (ing fisa), Fm outras palavms, os psicdlogos fem seus laboratdrios mio estudam as pesos comuns, Muito menos erincas, animais « louces. Estucam outros psicé- logos: devidamente: ireinados na pritica $ da inwospersio experimental, tentando assim chegar a0 ceme de nossa experién- ‘a sensorial. mais part © mals ingénua GUINADA TEORICA Bem relagio a esse projeto fundacio- = nal di psicologi que 6 prigmatisina uaz uma importante problematizacto, notadumente no que diz respelto concepgio de verdade. Enrenclida nos ‘marcos do pensamento moderne como uma representigio mente de uma realidade extra-empitica juada em nossa eh vai ser novamente proposta como tua efeito adaptative de uma conducso bem-sucedida no fluxo de nossi expe » ajusie dle nassis agdes 30 Com ess now abontagem do mundo provesso dle conhecimento, © pray tismo val ser responsive pela virada comega adaras feigdes anais desse saber Funcionalista na psicologia, qh ‘A relagiio entre pragmatisme © fun sjonalismo é bastante esteet rus fildsofos: pragmatists. como William James ¢ John Dewey sto tumbe ‘primeiros psioclogos Funcionalisas. Mas ‘essa relagio & mis complexa. Por exer: plo, vemos em James uma psicologia anterior @ sua filosofia.pragm finds no € intelramente funcionalisu, ‘A pstcologia dos Principies de psteologia {(1890), camo Dewey ressilia, ainda no ‘€ plenamente funcional, Ela seria travada por obsticulos, como uma certa substan ws prime clalizagao do sujeito-€ © dualsmo entre mente © corpo advogado como atinude do psicdlogo. Fa partir dev pragmatismo {que 0 funcionalisma psicaldghco vat ser proposto em sua radicalidade. Para dar ce esses novos teferenciais funcio- nalistas, tormi-se necessiria uma. ripida apresentagio do pensamento flositice, ide James, Para tal, temos de recomer a algumas definigdes prévies, Passemos a palavra 90 proprio stator, PRAGMATISMO JAMESIANO Segundo Ja Primeiramente urn método, e em segun- do lugar, uma teoria genet entende por verlade”. (Pragmatismo: 25) Em seu primeino sentido, significa A atitude de olhar além das peimeins coisas, dos principios, das ‘ca es, 0 pragmatism sera a do que se das supostas necessidides; ¢ de proc rar pelas dlimas coisas, frutos, conse- gdénciss, faros". (Op. eit: 20) Arua de Exiraic de cada palavra 0 seu valor de compre lhar dents da comente de nossa expe riéacia, Desdobrse entiio, menos como 0, polo a tea. James observa que. ura 0 pragmatismo, 1 realidade estd sendo oma solugio.do que como um progama feita, a espera Ce S@U ser chamado de estratégia hum mals trabalho, « mais panicular Fs ta; © segundo, de estatéain empl pecto futuro indicagio dos cami- al, A. estate femamentas e a Fora ieciments. flexivel ssc manera, 2 ncebila or Contudo, na sua a alidade, entendida como fal fungia complemada na exp eneia”, hibitos present Seo método pragmitico une cos, para James 0 métod nileado a conduta, a teoria pragmitica as modificacoes na experién- da verdade implica a boa conduta em te, o limi mente ideal fem especial seu sentido adaptative, F essa.extensio espiritos”. (Op: cif: 90) Essa yeas. A teodia di ultima do méodo que Peirce rejeiari cia pune seria 0 fa \veementemente, rebatizando seu sistema se pode dizer qui a natural do primeiro. como. pri A verdace para nds € simplesmente nome ealesivo pam proc Ficagae, do mesmo modo que a saide 10, A tomada prag- quase excl mmatica da verdade, enquanto efeito OW novos ¢ os velhos conceitos. No entanil instramentos conceituais do seni wos de veri conduz, nia obra de Fames, a Flas levam a dois movimentos verdadeiros. “E ex xu os A vida, © cam 2s teorias tradicionals dana verdade sto como bem perseguilos, porque compensa per- verdade, um mais préximo ao front, 0 logaritmes, apenas atalhes A verdade é felts, do segui smo Guts, mais recusdo. © primeito poderia levarenos de uma parte a outra do ful NY TAY CO) FaY DO {NTO {BLAZE pltura de Bridget ly, 1962. Os plnetos da psesoglaineressaram-oe pos Tate ‘utc’ nbutos wre de perdpeto sasacados eperents mediate da experiéncia." (Op. ett: 68) Trams, cenfim, de um conjunto. de ferraments aruando em uma experiéncia fexivel e fluida 2 bem de niossa viel RAMO DE OLIVEIRA Nessa estatégia humanisa, a oposigio: as concepgbes taclionais de conhecimento. fazse 0. front de combate © de forma concadora, devide 8 mio estendida sos racionalismos ma constigio pragm de um mundo plural, dceiiando-os como pareeiros nessa “nova ordem inlustross Nese folerinciasiua-se sua opexico: na fronia de tomar as verdades soldamen- fe fincadas no terreno a represent como ‘meras. fey2es" prochrivas. Essa suposta conciliagio represent um made gandhiano de ataque pela nio-violgncia de uma realdade e uma ver ‘Ao explicar por que no sczulito no absolute, mesmo achando ser vwercideim que ele pode assegurar “era clos moms’ Aqueles que precisim (.), £0 fered a formulagio deena como um rime de oliveie concliatsrio,” Games, O signif: cad dat verdade: 110. © reconhecionento dese efeito pnitio em nossa expericneia, conde, m9 abole o reconherimento de ciferengas enaciis: “O comtniste essencial € que, para o mucionalismo, a eealidade 4 stk promtes e completa desde toda eterts- dade, enguuato part preqmatism esta sencio fella, a expend de seu aspect flake Pr unt ldo, o universo est absoluta men te firme, por outro, esti perseguindes suas aventuras™. (Pragmatism 93) Nilo € nevessitio it muito longe: para Fimaginar a recust so ~ramo de oliveit ‘ofertado por James A resposta do autor, ra sua adicalidade, emote ao entinche ramento da verdade nos fluxos coments chi experiéncia, pur, sem passibiidacle de concilagio. Dai seu empirtome “ser radical no embate contra as concepedes repwesentacionais do conhecinento, Aqul a verdade nao & mais 0 continente, mas 3 ascents da experiéneia pura, que flul em termes © Felagtes, conceitos © precetos Verdadeiea sera a passagem sentida como uma. “ansecipagio cognitiva™ a seu tenno perceptive, Pasig que comport una guia, urn rote de condugio, mas que se define methor mt imanéncia dios sen: tidos. Na esiritégia empirist ridical, essa experiénea puri € suposa mais eal no. ceeme do seu thixo que suas feramentas finelecmais. Como destacs Henn Berson er alte 1), 0 oposite que se pode estbelecer entre 0 lygar da verchide a estat erp adic © na brome niga 64 mesma que se pode extabelacer 0.8 vel” € 0 “bareo a vapor"; ontaria ce aaa form para ‘uma experiéness mus orginal, expertin- ola pura, sntesior a qualquer lagi, ac asc que segunda val Considerar ease ‘esado orginirie come meno limite, a ser manufiturad constnternente por nosso fnsrumertas one A. experiencia put é 2 tincheira di qual Jaenes avg (ou recut em seu combate As teorias repre: seniacionais, coniceme sus dius erate Je concepgilo da vezdid. Gontudo, s¢ a verdade representa 0 valor de uma condogio completada, ela por vezes poke ser amecipada, a fim de produ. Isso ocome quando a f@, ou ‘crenca no resultado é cond i produglo, James observa: “Os furuto movimentos das eureas on os fates da hisiona pussich estio decerminados agora, cle uma vez por todas. queiramos ‘ou nao. Fles neo dizem respeiio a me desejos, € nado 0 que conceme a e556 1p de vendade, as preferéncias subjetivas nao. ‘2m vez aqui: somente obscurecern 0 jul- famento, Mas em texto fato emt que entre tum elemento de contribuigio pessoal de inka parte, assim que essa conteibuigion pesscul demunde um ceo grit de ener gia subjetiva, que por sea vez, carece de lima. certs quantidade de: RE no resin unta cjue, depois de gud, o fata fato- ro € condicionade pela minha presente Fé nele — quao estipide par negrme @ uso do método subjetivea, método
  • campo ¢ Pst, por se caracterizarem como itvas, uma aktema- go terapeutica ilegitima, uma ve tiv A postin representaci buscar Cexperiénciaemiemein pes Contud, a aproximagao mais mento disespe- de uma relagio na qual nado hi ‘No cendro brasileiro ‘também podam ser observadas influéncias jamesianas, notadamente ‘no esforgo de pensar ‘puma einiea,e mesmo ‘numa psicologia, desprovidas do ideal ‘da verdade como ‘epresentacao. Esta ‘tem sido a marca de (grupos como os Nacleos de Subjetvidade © do ‘Singutaridade da pés- ‘graduagio em Psicologia Clinica da PUC de Sto Paulo, do grupo Gognigao fe Coletivos da UFRJ edo Programa de Estudos e Pesquisas da Acdo © do ‘Sujeto Pepas) da pos- ‘raduacio em Medicina Social de UERL. Em todas as vertentes sdesses grupos, ha & ‘busca de alterativas ‘que esvaziem a allanga ‘pistemoldgicafirmada ela psicologia desde ‘suas origens. SAo aventadas nowes ‘concepedes do tempo, Fiénclas de sugenito, Fsvas ser 1 apenas moxlificar 0s 5H J € nde conhect-los na sun vere lo de sujeitas", presente de cura, nlo € apenas. 304 as insigada. O que fariam a5 priticas terapeaticas psi, sendo_p de nome de una suposta verdade? ensamento jamesiano na pce ansal € conduaida por Vinciane De em Cas Emotions que buses seni a cle uma. versto al te tiv As abordagens das emogdes py wes na psicolo, social, sociologia © psicanalise, na sociedade um taco regula, in mocificagoes orginicas, Despre er fra no autor uma versio al ia de “fd nla menos intensi s fbr a laboratoral, psi tive dda verdade, do humana, dor além-do-humano, em ‘busca de abordagens audaciosas no plano da subjetividade. Aqui 0 insinua a presenca ‘de Foucault no que le designa como ontologia nistérica ‘de nés mesmos": recurso a historia na problemstizagio, ‘estranhamento e recusa de nosses formas de vide ‘atuals,abrindo todo um campo de pessiblidades. Consciencia e inconscient A contribuicao do pragmatismo de William James rox oUlLanewe ooTuAn Menico, rucoLoco E Msoro, William James foi, além disso, um inspirado criador de frases notiiveis. Entre os seus ditos ¢ escritos célebres ou sur- preendentes, hi coisas como: “Teorias slo instrumentas, € niio fespostas, a enigmas sobre as quais poderiamos descansar” ou “O rastro da serpente humana esti em tudo”, ou ainda “Lima idéia € verdadeira na medica em que acreditar nela pode ser itil para nossas vidas", ‘Todas essas frases _gravitam em torno de uma das idéias centrais do pragmatismo: a de que ndo hi no mundo nada fixo ‘ou imutavel, tal como esséncias ou como coisas mais proximas dla verdade com “v* maitisculo, em relagao as quis, poderiamos medir nassas crengas ou nosis agbes. Ao contririo, do ponto de vista de James, tudo © que pensamos esti irremediavelmente comprometide a forma de vida que partilhamos em termos de linguagem, A cultura na qual estamos inseridos, © num dado ponto do tempo. @ Se decidirmos levar essa idéia adiante, encontraremos um nove modo de resolver questoes metafisicas, no importa se pertencentes as esferas cla Filosofia, da psicologia, ou de qualquer outro campo: do conhecimento — mesmo aqueles das ciéncias ditas band, tais como a fisica ou a quimica. ‘William James chamou esse modo de resolugio das questdes de “método prigmitico” € resolveu apresenté-lo do modo que Se segue. Negando a existéncia de verdades absolutas, 0 pragmatismo de James fornece ‘um novo modo de resolver questies metafisicas "Meu primeiro ato de livre-arbitrio sera acreditar no 44 alguns anos, estando presente em |iyre-arbitrio", escreveu DEPRESSAO E LIVRE-ARBIT rae; James, Tal crenga Heng. james 81 marcou sua visao do mundo que Henry pal. Ele py A, embor jue Henny em diregao as principa suropéias era a de uma busca ativa campos oportuniades vivas: ir a0 encon berco dit cultura e da civilizagio (0 ESCRITOR & 0 FILOSOFO: os irmios Henry (6 sm (4) a Inglaterra em furante uma des maltesviagens dos James a0 Velho Continents que siwnifica na f tals © compor a educagto dos filhos de m ps preceptores. selecionaclos:, last juais pudlessem extmit ligde com elas, elaborar uma visio abran gente dl roprios filhos experimental. ¢ bases ila. © olbjetive ent api n modelo edlucacio cematizadk fe de exceléncia. Tal model gem dos James por muitus escnlas, ores, segundo ele, inerentes de ensina, Os resultados as instituigte: dessa cancepci 6s bons dos inmios, bem como em suits obras ¢ em suas vidas. No caso de William, uma hipstese ieressante € a de que a mobilidads im périplo de n realicades. diferentes, alguma forma inspirado seu primogénito a d ugar ncepgio de mundo, © entre outs as salicitigdes © mundo men Yido como um feito do desequilibrio produzido no or pelos estimulos vindos “de sdéas com : upriras earéncias leixadas. © modelo 1 tico jamais constituin um cam de maneira passiva. as. impresses mundo que, processadas pelo sise Je saber. Se Freud, quanelo vivo, use em cumprir esse ideal, com DEWEY E TROTSKY Em 1936 61997, nos _—*ilésafo pragmatico fol mals facilmente pelo processos de Moscou, marcado pelorespelto ‘eral americana, Trotsky e outros lideres mito, embora os dois Mises depois das ‘da Revolugdo Russa foram tivessem divergido ‘auudiéncias no México, a acusads de espionagem abertamente em relagéo Gomissdo Dewey ‘a questfes como a ‘sou veredicto: "A base validade do materialismo de todas as proves, (..) altico. Dewey ‘constatamos que 0s eclarou agit “dentro_julgamentos [de Moscou) da tradigao americana, de agosio de 1838 © ‘de que nenhum homer janeiro de 1987 foram deve ser condenado —_farsas,(.) Comprovamos sem a poesiblidade de que Leon Trolsky ¢ Leon otenderse"; Trotsky, Sedov ho de Trotsky] prestando depoimentos no sio.cuipados”. Anos ‘em inglés —lingue que depois, Dewey afirmaria no dominava~,evitou sua admiragio pelo haves 12 “poder intelectual cam esforgou-se em “tradurir” que Totsky reunira ‘as controversias no seioe organizara a massa ‘do movimento operdrio de provas e argumentas internacional numa transmitira-nos 0 PROT ea ME tnguagem que ‘sentido de todos 08 Aepoimont 4 Comissba Dewey pucesse ser entendida relevantes". A REDESCRIGAG PRAGMATICA DO SUSEITO SF fem representa © méveis part a agao modelo da. vida recaloct em jogo miplativa do bomem como espectader, como também, recu Pera 9 modelo’ fotogréfico como a ilustragia bisica da formagho subjetiva, Para © leitor mais fami sera dificil relacionar a descriglo ea do, nto vida subjetiva como um precipitacio de repe iundo exerce: sobre o indi entagdes oriunclos. do: eet que duo com ‘certas versbes do sujeito da psi allguém cua falta, vazio © prec pela supléncia do condigao original constitu, dessa perspectiva psicanalit- Tanto Dewey quanto Winnicott acreditavam no potencial criativo do homem, que lhe permite alterar 0 curso dos acontecimentos a, um recurso teérice que responde por dois aspectos da vida subjetiva Peetende explicar tanto a origem: da a génese do interes. O SENTIDO DA VIDA ese adantar, seria uns entico nso da vida subjetva os psicanalistas hs caram, constiuir alremativas ao modelo reativo do funcionamento meatal © a0 fundamento salipsista dey homem press posio.no pensamento cartesian, Donal Winnicott, psicanaliser inglés caja farta producto te ses. psicanilise,€ um deles, Winnicott imponanes contribu buscou ‘conferie maior privikigio & rela © 0 ambieme psiquica, chamande a tendo da eomunickide ities do pOsgquern pans a limitaeo teérco-clin @ envolvide nas consideragdes sobre a subj Je uma perspecth nentemente Jor mundy meatal. Na concepsio de psicanalista, 0 duo no. pode ser: pensuco coma odo melo que 0 cineunds mais ~ 0 que vale tame para Part o seu desen. suid em perma: smo de Darwin, ECEN-HASCIDA, la origer do sult winnicotianenéo encontramos fs, escassex ou caréncs, mas sim a dependéncia do outro, sada pea total apendéncia do bebe recémnascide em relagio igure matemma 32 MENTE, CEREBNO & FILOSOFIA DONALD wnANICOTT em 196, Segundo opsicanalsta,indviduossuficintemente been amparados no Inkl ds wida tendem a alargar cada vex mals alcance de suas agbes que dear fortes marcas em set pens mento, Winnicot também via ‘como un ppodluts evalu fenie 0 onganismo © o meio, Recusando a separagao ontoldgica entre copa € mente de uma dimenso material « espiritua, psicanalisa defendia que a psique-soma (terme cunhaclo part selar esst_indis= tingia) compunha wm todo indissocii- vel. Para ambos os mutores, a diference fenire corpo € mente teria um inestimavel valor peagmtico, posto. corresponderem, 1 experiéncias cujas descricdes obedevem a jogos de inguagem dist diferentes contestos, Tss0 mio autoriza os e igeis em centudo, 0 sake ontokigico pretendido, ‘eatesianismo ao querer funds-las ne tlismo de substincia Come se-noti, sko multiplas as fon tes de semelhanga ent © pensimento, cos autores. Voltemos, contuda, & questio da ago, Winnicott fez da gio mio apenas uma especie de pressuposto fundamental dh on do sujet, mas um valor que encarna o- de wma norma dé stide x ser inielo da vida sem © apoio nageriat & afetivo do outro nao signi estar, desde sempre, fadaelo a perse guir um objeto perido e contr com mers recursos. subbsttutivos. para uma fala estritural, Winnicott vishan na origem do humano uma espécie de Impulso para o desenvolvimento, pant a atiidade, para exploragio do nundo prios recursos, Tai impul hem amparadi pelo outro no inicio da vida, tende alargar cada vex mais o alcance de: sus goes. A atividade exploratéria do. sje toa agressividade primiria, nos termos de Winnicott ~ faz da sua interagio com fo mundo menos o efeito da atragio dos jobjetos sobre 0 organismo do que um foco de interesse primairio e espontineo Viabilizado pela Talver em funclo das afinidades utores, eles algumas:erticas Intelectuais entre 0s paruiham, igualmente Ambos foram acusadas de tenem con scebido imagens demasiado otimists ¢, esse sentido, algo ingenus da natu humana. Teriam. jgnorado nossa sideragio do que ba de degradante ou condenivet > privilés acreditam ser Reflete antes, concedido > que hd de melhor no homens UUsir a imaginacdio criativa para semear sua capacidade de jueias © agdes que tornem 0 convivio humano mais livre © plural, Para ambos, € basicamente o efeito da crenga no polenctal criativo que permite, guar ando 0 “respeieo" pelos limites que ds & crenea no poder transformaclor das agdes, sem a lludo necessiria de que pode ser o agente ativo da resolucio de seus desejas e sem a conflanca de que pode legir aos outros a marca do- seu esforgo no mundo, # experiéncia hui preci pia daquio que the € mais 0: 0 proprio sentido da vida, @ PEDROSUEN é raluan er pang pla PUR} «em dura em si cal pela LER Pubic ie eux ene, Heke dares fh Ma] Dewy" Me ‘0 PONTO DE PARTIOA ‘0s paneros do pragmatism american Jet Shook DPA esa, 2003 ‘Verdade sem corespanncia com 2 realdade, ited Rory em Cistna Nag © Anno Marcos Peel (Om), Pagal: 1 fisotao9eragao eda mudarg. Ere tee, 00 | + Jon Dome: a insect pra Sxny Wack ets 128 ‘OESSENOIAL DO AUTOR ‘Experience and nature. Jon Dewey. Over Putlcatns, 2000 “Human nature ad conduc: an introduction to social psyehoiogy in Davey Promethaus, 200 PARA IA MALS LONGE ‘Praxis and acto: contomporeyphilosopis cod Dewey e a intelig€ncia cooperativa Para Dewey, ainteligéncia € social: manifesta-se no didlogo entre ‘0s interessados na solugio para determinado problema EM SiNTESE ‘0 ago apres as ins ters do posanento dein Dee umes planers da ‘losofia pragmatisia, centractas sta defnicfo inserumematisia de inteligincta como -capacittade avallativa e ni de smanongo, Mose como a -raiz da cefimicler de imteligéracia em Dewey deri ds Inflogactas da non pool Willan janes eda bagi ola de Cares Darwin A avaliagao dos problemas presentes Ox sosate De castno Pok prversas razors, observa-se o renascimento das concepcoes de John Dewey (1859-1952) na cena filosofica contemporinea, Enire elas, destacamos a recente publicacao da edigao critica de ‘oda a sua obra em 17 volumes, divididos em ondem eronolégica — “primeitos escritos’, “escritos intermedidrios” ¢ “escritos tar- dios”. Mas 0 fator que consideramos preponderante para a atual recuperigio da filosofia cle Dewey € a insatisfacdo crescente nos circulos intelectuais com st apatia da filosofia académics,, profis- sional. Escrita em linguagem técnica ¢ hermética, apenas para ser lida por seus pares, essa produclo & marcada pela busea por definigdes absolutas, villidas universalmente, pelas formulagdes abstratas sobre questoes € conceitos nfo embasados 1a expe- Héncia conereia, © pelo desprezo pelos aspectos contingenciais dla vida humana. Em tais condigdes, a filosofia académica fot se distanciando cada vez mais dla Fungie de oferecer assisténcia na solugaa dos problemas éticas e politicos das sociedades contem- porineas, cada vez mais complexos. se dirctamente ma divulgagio fia social de John Dewey que ele estara, 20 ido de Heidegger e Wingensein, entre os pensador 9 XN, gmgas a seu trabalho de superagio dt traci para uma cultura que Rorty 1 de “pirllossitica Sabe-se que Dewey foi um dos funds dores ea Tinha de pensamento i pragmatismo”, Dente tu para a teoria, Para ser valida, qualquer forrmulago teérica deve ter impacto na realidade. Se uma teoria mle nos ajuda {entender melhor os prc © pariculares co presente com vistas emas socials O evolucionismo de Darwin e a psicologia de James forneceram a Dewey fundamentos para a rejeigao do pensamento metafisico ilo no Futuro, ela no seed Dela a dade de julgar-as teorias filow6ficas com impacto que elas promovem no 10 de nass4s agdes cole- tivas © individuais, considera-se que pragmatismo € antes um méiodo do que lima “teoria”, Dewey intitula de “instru entende que ela soft uma ferrament para 0 aperfeigoamento «lo. direcion mento ale nassis acies, principalmente as coletivas, que visam bem comum. Segundo ele, quanto mais cuicladosos formas 1a avallag20 dos pressupostos, hassas proble- emis. em direcio- Gauss © sohupoes ps nar positivamente nossas agdes fururas Ele chama “intelipencia” a esse poder humano de avaliagie dos problemas ,¢ busca de solugtes. As bases strumental da de problemas >, como tadicionalmente iio. de conhe: na biologia Ambas pars cimento, foram. encontr evolutiva e na “nova psicologia” recefiniram 2 natuseza rumana A BIOLOGIA EVOLUTIVA, A teoria de Chasles Darwin sobre at evo hugo das espécies provocou uma rewoll redefiniu 0. ser sobrepoe-se segundo alma e de cep eganiseno unitario vivo, coma qualquer outro nat Terra, & deve > das eras, de aperfelgour-s des impastas pelo fundamentos para a teeigio do pen- samento metilisico. Primeira, © cor Jextualismo, Se a realidade € fruto. de uma dindmica temporal processual, ito & de uma cadeia cxustl aio linear de acontecimentos, entko, no faz sentide uscarmos. conceituar os: fendmenos s sim analisar as la caso. Em mo esti 0 falibitiima, isto € a nose de que a despeito de termes sider (eae te adores _gamento ainda assim pode estar erido, [Nao almejamos mais achar o julgamento, final acerca de determinado grupo de Fenémenos, pois sabemas de antemao que estes no seguem regeas absolutas de comportamento, Por ultimo, 0 melio- imo, isto 6, a introduyde da dimensio Giica de responmabilidade a teda tipo de anilise € julgamento, Nao podemos cchumar mais pela neutraidade clesuifica 5 04 filosofica se assumimos como ponto le partida © fato de que 0 furuso: esté em nossas mAos. Ou seja, se assumimos ve agimos sobre um problema no. pre- fente a fim dé que ele no aparepa no Futuro, Isso nfo significa que tenhamos de adotar um ottmismo ingénua. de que 8 avert um futuro sem conflitos, pots fz ‘E pamte da dinamica processual da vida sparecimento de novos problemas © O othar evolucionista sobre o onganis- mo humano permitiu-nos olhar a mente 2 naturalissicamente. Ela debea de represen Star uma dimensio mio material e divin ganha contomos fisioldgions. Sua. pre {riangas em aula do horticuttura om escola de Nava York, 1984. Dewey consiserava a escola ‘im espago Fundamental por promover 0 desenvalvimente dz Inalggnciaeritea e coopertiva ssenga coniribal para o objetivo de toxlas as panes do organismo, ou seja, garantie 44 sobrevivencia do onganisme como um todo, aperfeigoundo-se. Essa visio fis logica da mente vat conmbuir pana uma suinada na orientaco da psicologa, ANOVA PSICOLOGIA © movimento intinilado “nova psicolo- Bia” apnjouse-nas descobertas da biolo- Bia part afastarse do modelo tdicional da mente, segunco a qual esta poderia ser investigada pelo método introspecti- +o de anise dos dados da consciéncia De acofdo com ess psicologtia intro pectiva, di qual Locke fot um dos repre= sentamies, as sensagdes seriam tnidades dda comseiéncia. Segundo a nova psico- logit, de James € Dewey, a sensacio nao pode ser separa do resante do forganismo, Ela é tum das elementos dos ajustes que © onganiamo fa para imte- rigir de modo satisfatério com @ meio. Dai a necessidade de desenvolver ma psicalogia empirica que se apoiasse em I} EH esperineias laborarorias © tio omits os aspectos fisioldgicos do fnclonamen- 10-do onsunismo ¢ dla mente. Depois de seu outoramento, em 188, Dewey minisou inimeros cursos cle psi cologia. Poblcou em 1887 uma coletines de enstics sobre o tema ¢ fol presidente di Associacso Americins de Psicologia (189961900). Nessa fis inci, ainda se pperocbe a presenca de elementos cht pak logis intospectva No entanio, apa a Jetura do Os principles de priclogia de James, publieado em 19%) cle det de lado sua crenga 1o metodo introspective € dere & tse jamesana de que o onzanisno biolégico tivo deve ser estudada pelo Inétodo da psicologia Fisica, Fm seus estudes sobre os reflexes, Dewey mostra que as-etapas perceptivas no poxiem ser analisick separadamente de modo mecinico, pois estio interligadas no todo do omganismo, Assim, o ato da ‘rianga de tocar na vela © se queimar nto seria cometamente desctito se separisse- so cada etapa dessa acto, atribuindo a cada uma delis um contexto perceptive espectfico, Ao Contritio, 56 aleangamos ‘um entendimento ca acho da ertanca, se «1 olharmos como tuma ag30 coordenada dos diversos movimentos. a sensio de brlho na vista, a ado de extender «deco e tocar na chama e, finalmente, 0 ato de tirara mio © a sensagio de dor Vista desde a perspectiva laboratorial ‘da psicologia fisioldgica, a mente € mais tum componente coxpereo, cuit finala- de & ausiliar 0 onganismo como tim todo snk sin preservagio. A despeito disso, a presenga nesse caso? As vas penguntas tem respostas positivas, A conseydéncia social € politica disso, ou seja, do Humanismo em sua jornach pela modemidade, € politica que lida com objetos. Thdo isso levasis, segunda 0 Figsafe violgneit e mesino a guermt —a manipu lagao real correspondente manipula fo mental, que € a representag a conta de Heidegger, a época da subjetivac > mundo ¢ objetifica ndo © do proprio homem, «ue é pega do mundo, Enquanto o Homem Humanismo te se rei, seu repre entanté de caine e osso na Terra ~ 0 homem enquanto individwo empirico = passa a servir um sistema que se agigan fae fazdele um honeco, O Humanism € mio qualquer o Heidegger, € 0 grande responsivel pela dois confltes mundiais, A CEBOLA NO LIXO. Essa Heidegger no agrida os pragr americanos. Todavia, a idéia de que a filosafia teria dado énfase demais na representaglo ¢ s¢ tor > ama Epis temologia, € uma conclusio bem-vinda part Richard Rorty; por isso, 0 fildsefo slemao pode ser visto eoidjuvanie do pragmatismo. E uma deniincia acolhida por essa corrente de pensimento, Rorty a considera um bom passa pari nos livrarmos ca epistemor logia, da heranga neokantiana disciplina ¢ A questio de Rorty pode ser posta centio, da yelha cebok do seguinte-modo uma filosof problemas de Heidegge que pa b de filosofin ‘coma tendo: sido um equivoce, com tal Filosofia. E a critics € mais que suficiente Sete MOS eSSE th Ligada 4 descentralizagao do sujeito, a afirmacao Livrando-nos da rpresentayao, moe Freud, de que “0 @U — nazistes logo apos o fim da Segunda temos mais de ficar checando nos sas crengas da cebola, elas correspondem aa "mundo 1a for (© mundo-nio-cebola, Livrando-nos da capresso (o comelato, para situagdes interna, da represeniago), nao terfamos de ficar veriicando a autenticidade dos desejos vindas sabese Ii de que parte slas camadas cla cebola, ‘Com isso, descartamos 0 proble- ma do ceticismo ¢, enfim, sew corre Jato, © problema do firndacionisma, Pols enquanto houyer céticas, sempre haveri os que desejario responder a eles com funeamentos para se colocar as justificagdes, jf que x definicio de conheciment. @ a de “crenga verda» dein jusiicads”. Mas, se a questio de averiguar se a representagio espelha ©, mundo eal por terra, uma vex que, ‘com 0 fim da cebota, no teriamos mais que falar de representagio exata ou comespondéncia correta, entlo © cético, para ver se ndo é senhor em sua propria casa”, deveria inquietar as pessoas perde sua fungio, de um lado, © os fundacionistas desaparecem, cle outro, Sobra espaco para um modelo de subje- LUvidaele mals crativo na medida em que jogamos a cebola no lixe, Bem, mas temos um modelo melhor pana substituir et cabo? (© modelo de Freud ndo deixa de ser criativo. Rony encanta-se com ele, em especial com a frase: "O eu nao ¢ senor em sua propria casa", Todavia, essa idgia tem seus inconvenientes Rony penst que se pucler lidar com ess frase de um modo inteligente, podert esquecer de fato da cebola e adotar 0 modelo freudiano. Os INIMPUTAVEIS Sabemos que Freud, 20 falar de suas conquisas tedricas, liza a tese ca descentalizaglo: do suf to: ou do eu. A idéia de que “0 ‘eu nao € senhor em sta propria cease” deveria espantar a8. pes soas. E de fato, para os letores mas atentos, € uma nolo pee ‘ocupante. Como que € possivel que tenhamos, no mesmo espago fisico de um corpo, um eu que fo 36 no € senlior ali, mas que, mio miro, aparece como um objeto qualquer na mao de outros quase-cis, que o submetem © praticamente se apossam de ido que cabe 2 um eu fazer te? © filésofo francés Jean-Paul Sarre langou uma das mais sérias acusagoes. contra, Freud, por causa dessa confissiio do eu como alguém povco enésgico autonome no seu proprio lr acusagao tem uma parte de sur histéia envolvida com fatos politicos, Diante do ‘Tribunal de Nuremberg, no julgamente. dos ‘Guerra Mundial, surgiram dividas sobre ‘2 responsabilidade dos oficiais alemies pos chamados crimes de guerra. Eles ‘diziam que foram apenas bons soldados, ccumpriram ordens. Sartre aunca aceitou fal conversi, © homem é responsivel pelo que fiz, sempre — ou ento é um, covarde. O existencialismo de Sartre sempre foi implacavel a esse respeito, Todavia, como conciliar essa evidente wwerehide do existencialismo com a nada desprezivel verdade da psicanilise que ppoderia dar aval pari os que, nde riro, querem tim a responsabilidade do eu? Podemos responsabilizar 0 eu, encuan- to forga consciente, pelo que: f12? ‘Uma vez que nio € senhor em sua propria casa, 0 eu poderia, a qualquer ‘momento, evocar os angumentos util zades pelos nazistas: “O que fiz, fiz sob, © imperative de alguém que esté aqui comigo, um quise-cu, que acabeu sendo © senhor na casa em alguns momentos. Se € para punir, que punam somente ‘este que usurpou meu lugar’. Mas quem? ‘No limite, dizer que temos um quase-eu £ dizer que somos todos esquizofrenicos, “Todavia, negar o suber ds psicandlise, de que agimos sob comandos que mio nos S¥o HO claros, seria possivel hoje em. ia? Tentar usar da cebols part mona ‘ese eu subdividido nao é boa coisa, Hi ‘quem fica isso, mas o caminho nao leva ‘a.nada de bom. © modelo da cebola ji ino eta adequaco para o- eu unificado, Dior ainda diante do descentrado. Rorty cathe solugio de Davidson ¢, com ‘sso, praticamente redescreve a nogiio de ‘Gu Sem os inconvenientes que 0 modelo vvindo do século XVII tornou regra para Posso imaginar Romy falando no meu jamglo, a respelto de Sante, da seguinte maneira: nio hi ddvida de que Sartre tem riz4o ao cobrir respemsabilidade de quem quer que seja, mas 0 paso que ‘nao devemos das, a paris dat, € acredi- Tr que essi responsthilidade 36 pode ser cobracla legisimamente se volkarmos. pensar como pensivamos antes de Freud; ou sea, nto wemos de voltar ‘nossa fé antiga em um eu singular con- tido em um corpo, Nem temos nada a ‘ganar se, a6 jogarmios fora a cebola, Rory 4 sibstuirmas por algo que seria uma ces de ceboas — 0 compo sende a cesta ‘© 0 diversos ens sendo as cebolas 2s tese de um ex endo, coro a de Freud, pode bem sobreviver em concor- dincia com as necessidades moris de responsabilidad, calacla em nossas dou teins liberals, © que, indepenclentemente dd politica de Same, aparecem em seu aaaque aos nazitas€ a Freud. Come Rory 4 a doutring de Freud do eu cindido ste melhor do. que ouras weorias para tum aang eom a moral aber ‘Como Rory Ké Freud? De que modo, le lida com 0 problema inquietan- te exposto na sentenga "0 eu ndo & seahor em sua propra casa"? Esse problemi precisa ser equacionado, sc uisermos adotar Freud sem sucurnbir ante da censura de Same. final, podems conviver com a idéit de que fhos enganamos, mas nto podemos conviver tranghilamente coma sensa- io de que alguém esti usando nossos chinelos, eonio diz Romy, Nao podemos ae Rorty indaga quais seriam os melhores instrumentos para tecer as redes de crengas e desejos que nos relacionam com 0 ambiente ficar tranghilos se somos informados {que temtos “eus” em nosso, compe, GUE somos esquizofrénicos © que somos todos inimputiveis. Quem viverta relati- ‘vamente trangdilo num mundo de ini putiveis, mesmo que fosse: um deles? O FREUD DAYIDSONIANO A idea de Rory para compreender revel nada mais € que a sua versio de aspectos da filosofia de Davidson, em especial 0 que esti contido no arigo *Paradoxos. da iracionalidade”, Aqui, nessa pare, quero mance a palavras dee Romy em seu sentido exato, ste argo fo é imparaniisime. “Davidson delende a segmentagio freudiana mostrando que mio hit rurao para dizer que voce incenscientemente acredl- ta que pi em ver de ‘hd algo em voet que causa ‘uma sua agio como se voce sereditasse que p a menos que se. ex preparado para refinar a Caracterizagae do quise eu inconscéente que ‘awed que p! por meio da att buigio de um hospeeleiro de outa erengas (a maio- ria verdadeira, a maionia conistente com p> 4 esse quase eu, Pode-se atriiit tuma crenea a alguns coist somente se, simultant atribuigia de um bocado ADRIAEN BROUWER. 0 sabor marge, . 1635, Segundo Rory, te racial, uma rede de crngas © desejos que ‘ora altmativa passa a imperar de-ouunis crengas—a maiorin verdadeia, ‘1 maori consistente. Crengas © descos, diferentemente de idGias © impresses hhumeanis, vém em pacotes.” (Rory, "Freud and moral reflection", em Esuys ‘on Hetdegger and ethers = pilsopbical ‘papers, pig, 147) Greio que Romy faz bem em se uti- lizar cle Davidson para fdersificar uma pessoa nao a partir do modelo da cebo- Ja, Uma pessoa, para Davidson, & uma pessoa enquanto um conjunto coerente ¢ pllausivel dle crengas © desejs. Sendo assim, a forga do. argumento que diz, ‘que uum ser humano algumas vezes se ‘comport irracionalmente wer do ato de que ele, nao rire, exibe compor tamentos que mo ha como explicar por referencia a um conjunto tinico de crengas ¢ desejos. A divisio ou particto do eu enlee a conscigneia e 0 incons- ciente = como esti em. Freud ~ pode set vista por meio de considerarmos © Inconsclente- simplesmente como. um conjunio-alternativo de crencas e de jos. Bsse conjunto pode ser chamado de alternativo porque ele € incon- sistente com © conjunto Familiar que identificamos com a conseiéncia, mas suficientemente coerente do pono de vista interno pars que se posst contar ‘como uma pessoa. Cito novamente "Freud and nigral reflectioa, € pego que voc® fique ainda mais atento agora: “Ess. estratéuia abre 4 possibilidade de que © mesmo corpo humano pode desempenhar 0 papel de hospedeiro de duas ou mais pessoas Fssis pesos emtram em relagbes ccausals uma com, Outra,ranto quanto com 0s movimentos do corpo que so provocaddos pelas crengas © deseos de tums ou de outa. Mas elas no tm, aormalmente, relagdes conversacio- fais, sto €, a5 crengas do inconsciente ‘io sao. rasdes para uma mudangs. nas rengas do consciente, mas eles podem set causas de mudanieas destas, exata mente como porgbes do corpo fazer’ (Getina, pontis dos dedos, glandula = pituitnia, gonades)” (Op. oft, pg. 147, geile negro meus) : Fase modelo davidsoniano que Rony | endoss e, enfim, mostra a skit mani ra, resolve. dais problemas: senclo un modelo causal, nto precisa criar relatos sezes misteriosos vunia parte da ew con: g sempre problematica no modelo da cebola; akém disso, estabelecendo que 3 frencas © desejos segundo alguma hic- Mfurgaia de consitencia © de uso © coninto em detrimento de outro, nao # peecisamos abrir mao de responsabitizar E as pessoas pelo que fazem. © caso de 3 anormalidade a esquizotienia por exemplo, aslo pode ser diagnost quando uma rede de erencas © des F alternativa e passa a imperar, e isso em detrimento de nida que hi nos outros conjuntos de crenas & desejos, AUTOCRIAGAO E CORAGEM Bem, mas 0 que ganhamos ao fazer esse contorno davidsoniano, coma Ronty 0 Pan mostrar. que Freud consegue ser aprovado ne exime de contempari- neidade? © que, no campo ético-moral, temos:como vantagem? A.cebola e.2 pergunta "Quem somos" hos levatn a procurar ou na sociexade ou nia Natureza Ou nario on seja Ii no que for algo que mosire como que x cebola funciont. Todavia, quando falamos do 6 como rede de crengas € desejos, ¢ enti podemos filar em recomes dessa rede, mio temos mais nuda em fancio namento comet, O model que Rory prope, © que endossa Freud, perme colecir como importante mio “quem somos” ov * que somes”, mas, sim, i Gey Cetera rr renee) ‘qutis seriam os melhores: instrumentos ara tecer as redes de crencas e desejos Families ¢ as mais alternativas que vio nos colocar em relagio com todo 0 meio ambiente, Nesse casa, as porias esto as para a autocriagio. Uma Flos fla calgada nesse_tipe de abordager psicologica & altamente ccontjosa: nada ha mais que seja espelho, pant ent entender © que somos dé modo a nos feencontramos com nossa destino’ Mao hi destino, Nem reencontro, Pois nao vemos espelhos, per Cada ido da rede, ¢ achamos que aquele desenho, daquele lado, ficou melhor do que o de outros. Acreditamos que de uum lade da rede esi 03 pontos que mais nes deram prager, © que outros Iadas nos deram trabalho demais e pouco praver. A peicologia que fala disso, que nos eneaminha para a filoso. ado (ecslag de al ticsmo, ¢ adceasta sd or corajasos. Voce est entie cle? @ ALU CATRALL deat sal pea. SP vor neh ac Pots meds esl el UE. Pro tise Peder Seo (Peas sitcoce e txos eco Aer (Ga) eee Pl ele sc a Pla Tami ch (Gantrnporary Paton, Nore ore ‘in tote pin 2 cop eh, 208). Dagar pgm east, 2008) ‘© PONTO De Pasion © Rot @ a redesct-do. Gideon Cale asp, 2008 ESSENCIAL D0 AUTOR ‘© Afilosofia © o espetho da Natureza Achar | Ay Don Ou, 2004, | ‘= Consequences of pragmatim. ican Ray, Ushers of Minnesota res, 2. ‘Objectivity, relativism, and frat — sfilosophical papers. char ty, ‘Gantrioge Unive Press, 1928 ‘Freud and moral refleto, Richard Roty em ‘says on Mesepgr and aes Papers Carte Unversity Pres, 1201, PARAIR MAIS LONGE ‘*Reocing Rot. an Malachy, ‘ace, 121 row Jost caRLos mouAtew Nos aRTIGO FAMOSO, JORGE LUIS BoRGES, escritor argen- tino de maior reconhecimento internacional no século XX, afirmou provocativamente que toda a historia da filosofia poderia se resumir no etemo embate entre Plato ¢ Aristételes, Segundo ele, os fildsofos posteriores tetiam apenas produzido variagdes dos argumentos platonicos ou aristotélicas e, grasso mode, tanto 0 idealismo de um quanto o realismo de outro estarlam na base sub-repticia de todas as grandes querelas que animaram o debate filoséfica ao longo do tempo, @ O século XX foi prédigo em tentativas de solucao para esse embate entre as diversas filosofias, que tanto assombrou 0 autor de Funes, 0 memorioso. Wittgenstein, por exemplo, tentou primeiramente no ‘Tratactus Logico-Philosopbicus demarcar a. estrutura da linguagem, e pretendeu com isso, que todo ¢ qual- quer problema filoséfico poderia, em principio, ser finalmente: solucionado com a exibigio dessa estrutu- ra, © significado de uma palavra seria dado pela sua correspond figurada. Toda proposi¢lio poderia ser decomposta ia a uma referencia, que estaria nela em elementos simples, sendo estes sempre passiveis de relacionar+ ¢ com algo que pudesse representar 0 mundo, a0 qual o significado estaria vinculado. pragm< Ao redescrever apsicandlise, permitindo apreendé-la, como uma busca por auto- enriquecimento, Rorty influenciou diversos analistas brasileiros Ent SiNTESE Be ain apreseta uma 0 sera da concep sobre a candle que Recrd Rory elaboro a purr da ex de read e busca har os ns ais importantes da eee do seu pense na picnic bras, a fig de rar Frere Cost. lm dso, daa 2importnci dasa na format pcanise brass as xg, sige A confuénca de eres sem perder dimers das eng — que a picaise de orto pats pode ter com um picanaisa serial como sis Neko UM NOVO ABSOLUTO © objetivo. dessa tentativa do. primiro ‘Wagenstein € duplo: por um lado, solu- one de uma vez por todas as dspatas nine sisters © dotrins Slosccos: por outro, preservar a autanomia da leno fin que, desde Kant, tem sido retraita, perdendo espago para outras disciplinas rnascidas dela mas indepenclentes, como a lingditca, a psicologia a sociolowia. © inveresse de Wittgenstein em demar- car os limites cs linguagem ext em Cconsondineit com 0 que veio a se tomar, dle diversas mani, leur de Ronty, uma abtude central a nmites fidsofos no séaulo XX a tentativa de temar a lingua gem um nove absoluo, em subesiuicao 4k mene, A consciéncia ot 8 expenéacia, ‘que foram encarupadas por outras disc plinas, como a biologi, ¢ naturlizds. A Hinguagem parecia 2 fil6safos como Frege © Huset, enire ntros, como capaz de evitar a relativagto hiscica, © assim manter 4 idensidade expecta dla filbsoba. Essai busca por ima essen por um @ prion, € um Jugarcomum presente em toda a historia dn filosoia: muitos pensadores.acreditam até ser essa a 0 tinea tne Para estes, a auséncia dessa ‘procura implicara a. inexisén- Gia do proprio filosolar A histéria da filosoa. ‘mareada por csst_insisténcia fem buscar universais ou a rated infrinsect das ebl- sas, Além disso, encostiar 0 funclumento, 2 eséncia, seia do home, seb dla Natureet fou de Deus, sempre for um melo para balla, le manetra tempol, 4 étiea 3 mora ‘Nos sitimos 150 anes, porém, a busca pelo a prion! por um, Funelamento iltime para as cris, tem sido abalada como empreendimento filoséico. Nietesche, Mare ¢ Freud, cesses mesires cla suspelta — “mais de sexipgon, na bela expressio de Paul Ricoeur —, feauguraram uma, critica 208 conceitos centrais da metafisica ociden- tal, herdeira do cattesianismo, apesar de Freud nao ter conseguide desvencitharse: totalmente de Descartes: 0 sujeito abso- luto, lado da histéris, expar: de escruti- har a natureza do mundo € de si mesmo, tem sido paulatinamente substimmido por lum sujeito marcaclo pela sovieclade, pela histéria, ou pelo inconsciente. (Os conctitos tradicional da metafis ca esto nix base das distingdes-do tipo, aparéncia-realidade, que tangenciam a problematica sobre a verdade. De origem platOnica, essa idéla de uma revelaglo paulatina da reilidade que vai sendo sueessivamente disinguich da aparéncia = numa ascese da ignarincia ao conbe- uo oa historia da filosofia, vendo a base mmetafsica da ciéncia modkema, A flosofia, em. sua protons tarefa de constr a revelagio paulatina da realidade, tem se diclo como meio 0 conceito de representeyito, A suposigio de que haverit um modo de representar 1 realidade de. maneira fidedigna tem sido © ponto de apoin arquimediano na flosofia, ¢ & censiderida peda bastlar para 0 senso comum. Essa idea pane tha premissa dle que existe uma diferena tssenclal entre as aparéncias das coisas © uma ealidade inrinscea, independent de nds, que podemas conhecer quando dirimimos. as disorées que a_mente pode ter na sua. leimura da realidade- A ESSENCIA £ OS JOGOS Para © prigmatisimo, © mundo mio nos ‘condiciona a abordi-to de uma mancira especifica, cor rela. Fundamentando-se no seguado Whigensein — que aindonou a busca por uit esti da tinguagern, Rovty val argoir que abordamos 0 ‘mundo dentia de um vocab- aio, de jogos de Hnguagem, e penhum deles esta mais perio da descrigo de como 0 mundo € em si mesmo. A rnogio de jogo de linguagem 4 anilese de uma esséncia curso da agzio. Hit gamento, tendo tudo sido considera Hid outra que se posielons lizugo da aio. O melhor contra 3 2g a favor da julgamento € 0 resultado da deliberagac contradigio moral. Todas us agdes que tem algo a ser dito contra e a favor dela prés © contras. assumem valores apro ximados. Part um homem racional, 0 melhor a ser feto & considerir as das 1$0es, ulgne qual seria melhor, tendo tudo sido eonsiderado, ¢ a executar, (© que requer explicaglo € a aga que uma das razdes € prepor No ato acritico, © agente. vai can: tra seu principio de segunda ordem que é fazer 0 que ele julga ser melhor tendo considerado todos os argumentos. eras quando a ago & assim descria, lum problema part explics agente mio segue esse principio, entio, fembor sua ago possa ser consiclerads lmacional do nosso ponto de vista, ela io € imicional do seu, Part conside ramos inacional seu compo & a © agente pa principio de segunda onde, mas aja imsencionalmente de modo contrisio a seu proprio: principio, A. irracionalidade opera jodi ponanto, quando 0 des ir de determinado ‘agente suprimir ot descon- siderar sev proprio principio de segunda -Embora ordem. Pols, afirma Davidson: © seu motivo para iar cipio fosse a justficat lo, ele nfo era uma justifiattva contra © proprio pr motivo foi vtliza intengio, ele se tornon irrelevant coma pio; assim, quando o ra, tanto para 0 prinetpi quanto para a ago" (Tivo paradees of rrationality, pag. 297). Sendo assim, se Fendmenos psicoldgicos, como desejos, expectativas, vontades, emogées, crengas, medos, podem Ser vistos como uma acao intencional 10 motivo deixou de ser uma justficativa para agio, @ que prevocou a ago Fol luma casi que no € raze. Ou Sef, relacionaca com a 0, Na lrracional dade, as relagdes causals permanecem enguanto a relagdo légica € perdida PARTES SEMI-AUTONOMAS (0 praradoxn que Davidson tentaresoiver & como conclliar a explicagao que apresenta ra emoo come nl com a U sscrigho racional do evento nente, a descrigao da causa em rmentais a torna uma. jastiicativa para a aglo. Pari explicarmos © efe Coad eal eer ore any mental, que € a propria aio, precisamas de tama causa mental que sefu tambéon lama nizio pars esse efeito. Contudo, hl le um evento mental poder ‘outro evento mental sem. ser luma nxzao para cle, ¢ ainda manter suas aacteristicas como mental, £ nevessari que causa © efeito estejam adequada a cause € 0 efeito ocomerem em elf tes panes dla mente Davidson prope a utllizago fimagems freudiana da menie partida ¢ fas semiindependentes em ine raglo, O paradoxo da imucionalidade € ‘que, ao explicarmos a iracior transformamos numa “forma oc racionalidade", Cada provincia mental € definida como cestaclos mentais agente: cocrente, © 0s mente, Cada pare da mente deve exibir uum gra maior de con: nalidadle do que € atribuid: Tambem deve haver um certo g Independencia entre as partes, p elas sejam capazes de a cia ¢ interagir nium nivel causal. Um ‘mental de us parte pode ta agit causalmente com um outro estado mental de uma outra parte sem estar conectido a ele numa relagio, td Supontia dois departamentos. semi sutGnomos da mente, A-€ B, cada um com um conjunto de supane de rzes, expectativas, suposigoes, ath tudes € desejos proprio: A pane A, diante de uma tomada de decisio, ava lia as justificativas contra ¢ at favor da alo, segunda seu principio de segunda aardem, © decide em fivor do que con- sideray ser 9 melhor curso da agio, A pane B também faz 0 proceso de delibera por oir curse da ago. Mas os fatores em, competica0 susgem na-mesma parte eda mente. As justiicativas de uma pare no sto leva Jas em conta pela outra, pols as crengas desejas de: uma parte iio mantém uma relagio logic com og da outra, apenas ‘uma relagao causal. A tese de Davidson € que uma deliberagio, um impulse, uma renga ou desejo da parte B funcionam come lima causa pars a aco do agente (Qu soja, trasi-se de uma causa que nae justcativa, para agio, pois: funciona come uma fora que altera @ curse