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Radiações - Sua Natureza, Efeitos e protecção

Radiações - Sua Natureza, Efeitos e protecção

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Um trabalho sobre a radiação a sua natureza, efeitos e formas de protegermos as pessoas e o ambiente delas.
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João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO

RADIAÇÕES
Natureza, Efeitos e Protecção

2009
II

João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO

RESUMO
Apresenta-se as radiações, seus efeitos e formas de protecção de maneira geral. A sua natureza, origem, tipos e classificação são apresentados, além dos princípios básicos de Radiobiologia. Os mecanismos de interacção da radiação com a molécula de ADN, os tipos de danos que podem ocorrer, bem como os factores que influenciam a Radiossensibilidade celular são também apresentados.

ABSTRACT
One presents the radiations, its effects and forms of protection in general. Its nature, origin, types and classification are presented, as well as the basic principles of Radiobiology. The mechanisms of interaction of radiation with the molecule of DNA, the types of damages that may occur, as well as the factors that influence cellular radiosensitivity are also presented.

III

João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO

ÍNDICE
RESUMO ....................................................................................................................................... III ABSTRACT ..................................................................................................................................... III ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES E TABELAS ............................................................................................ VI §I I.1. I.1. I.2. §II II.1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 7 Objectivo do trabalho .................................................................................................... 8 Palavras-chave............................................................................................................... 8 Definição dos termos e acrónimos usados neste trabalho ............................................. 9 RADIAÇÕES E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS......................................................... 10 Radiação ...................................................................................................................... 10 Radiação mecânica .............................................................................................. 10 Radiação electromagnética .................................................................................. 10 Radiação de partículas materiais ......................................................................... 11 II.1.1. II.1.2. II.1.3. II.2.

Radiação ionizante ...................................................................................................... 12 Tipos de radiação ionizante ................................................................................. 13 Fontes de radiação ionizante ............................................................................... 13

II.2.1. II.2.2. §III -

GRANDEZAS, LIMITES E PRINCÍPIOS RADIOLÓGICOS ...................................................... 15 Grandezas de medição da radioactividade .............................................................. 15 Actividade ........................................................................................................... 15 Actividade específica .......................................................................................... 16 Lei fundamental da desintegração radioactiva .................................................... 16 Grandezas dosimétricas ........................................................................................... 18 Exposição ............................................................................................................ 18 KERMA ............................................................................................................... 19 CEMA .................................................................................................................. 20 Dose absorvida .................................................................................................... 20 LET ..................................................................................................................... 21 Taxa de dose absorvida ....................................................................................... 22 Grandezas de radioprotecção................................................................................... 22
IV

III.1. III.1.1. III.1.2. III.1.3. III.2. III.2.1. III.2.2. III.2.3. III.2.4. III.2.5. III.2.6. III.3.

João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO

III.3.1. III.3.2. III.3.3. III.4. III.4.1. III.4.2. III.4.3. III.5. III.5.1. III.5.2. III.5.3. §IV -

Dose equivalente ................................................................................................. 22 Taxa de dose equivalente .................................................................................... 24 Dose efectiva ....................................................................................................... 25 Gestão do risco radiológico ..................................................................................... 25 Princípio da Justificação da prática. .................................................................... 26 Princípio da optimização da protecção ................................................................ 26 Princípio da limitação da dose............................................................................. 26 Regras de protecção individual ............................................................................... 26 Distância .............................................................................................................. 26 Barreiras de protecção ......................................................................................... 26 Tempo de exposição ............................................................................................ 29

RADIOBIOLOGIA E EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES ............................................. 30 Mecanismos de interacção da radiação com o ADN ............................................... 30 Tipos de danos no ADN .......................................................................................... 31 Possíveis efeitos sobre a célula devido a sua interacção com a radiação ................ 31 Radiossensibilidade ................................................................................................. 32 Factores que influenciam a radiossensibilidade celular ...................................... 32 Efeitos estocásticos (probabilísticos) ...................................................................... 34 Efeitos determinísticos ............................................................................................ 35

IV.1. IV.2. IV.3. IV.4. IV.4.1. IV.5. IV.6. §V V.1.

CONCLUSÃO .................................................................................................................... 36 Recomendações ........................................................................................................... 36

Bibliografia .................................................................................................................................. 37 Índice remissivo........................................................................................................................... 39

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ÍNDICE DE ILUSTRAÇÕES E TABELAS
ILUSTRAÇÃO 1 - ANTOINE HENRI BECQUEREL. FÍSICO FRANCÊS, VENCEDOR DO PRÉMIO NOBEL DA FÍSICA EM 1903, DESCOBRIU A RADIOACTIVIDADE NO URÂNIO. (FOTO ENCARTA ENCYCLOPEDIA) ................ 7 ILUSTRAÇÃO 2 - JAMES CLERK MAXWELL. UM DOS MAIORES CIENTISTAS DO SÉCULO XIX, DESENVOLVEU UMA TEORIA MATEMÁTICA, DESCREVENDO AS PROPRIEDADES DOS CAMPOS ELÉCTRICOS E MAGNÉTICOS. (FOTO ENCARTA ENCYCLOPEDIA) ............................................................................... 10 ILUSTRAÇÃO 3 - ERNEST RUTHERFORD. FÍSICO NEOZELANDÊS, NOBEL DE QUÍMICA EM 1908, PIONEIRO DA FÍSICA NUCLEAR E PRIMEIRO HOMEM A TRANSMUTAR UM ELEMENTO QUIMICO. (FOTO ENCARTA ENCYCLOPEDIA)................................................................................................................................. 11 ILUSTRAÇÃO 4 - CARGA ELÉCTRICA DAS RADIAÇÕES ALFA, BETA E GAMA. AS RADIAÇÕES ALFA POSSUEM CARGA POSITIVA E DESLOCAM-SE NO SENTIDO DA PLACA NEGATIVA, AS RADIAÇÕES BETA TÊM CARGA CONTRÁRIA E MOVEM-SE NO SENTIDO DA PLACA POSITIVA. AS RADIAÇÕES GAMA SÃO FOTÕES E NÃO POSSUEM CARGA, CONSEQUENTEMENTE NÃO SOFREM DESVIO. ............................................... 12 ILUSTRAÇÃO 5 - LEI DO INVERSO DO QUADRADO DA DISTÂNCIA. O FLUXO F DE PARTÍCULAS QUE ATRAVESSA A SUPERFÍCIE DS DIMINUI COM O QUADRADO DA DISTÂNCIA. ......................................... 17 ILUSTRAÇÃO 6 - ABSORÇÃO. ESQUEMA DE UM ARRANJO EXPERIMENTAL PARA A DETERMINAÇÃO DA ABSORÇÃO DA RADIAÇÃO POR UM MATERIAL. ................................................................................... 27 ILUSTRAÇÃO 7 - NÚMERO DE CÉLULAS QUE SOBREVIVEM EM FUNÇÃO DA DOSE PARA DIFERENTES TAXAS DE DOSE. ............................................................................................................................................ 32 ILUSTRAÇÃO 8 – DEPENDÊNCIA DA TAXA DE SOBREVIVÊNCIA CELULAR, COM A DOSE PARA RADIAÇÕES DE DIFERENTES LET................................................................................................................................ 33

TABELA 1 - FACTOR F QUE RELACIONA A DOSE ABSORVIDA COM A EXPOSIÇÃO PARA FOTÕES COM ENERGIA DE 10 KEV A 2 MEV ........................................................................................................................... 21 TABELA 2 - VALORES DO LET DAS RADIAÇÕES MAIS COMUMMENTE USADAS. FONTE (SUNTHARALINGAM, ET AL., 2005) ..................................................................................................................................... 22 TABELA 3 - FACTOR DE PONDERAÇÃO DAS RADIAÇÕES. FONTE (IAEA, 1993) ........................................... 23 TABELA 4 - FACTORES DE PONDERAÇÃO DOS ÓRGÃOS. FONTE (IAEA, 1993) ............................................. 24 TABELA 5 - LIMITES DE DOSE RECOMENDADAS PELO ICRP. FONTE (ICRP, 1990) ...................................... 25 TABELA 6 - ESPESSURA MÍNIMA DE CHUMBO NECESSÁRIA PARA A PROTECÇÃO CONTRA OS RAIOS X, VS ENERGIA DA RADIAÇÃO. (FONTE WIKIPÉDIA) .................................................................................... 28 TABELA 7 - VALORES DE HVL E TVL, PARA ALGUNS MATERIAIS MAIS USADOS NA CONSTRUÇÃO DE BARREIRAS. FONTE (ANDREUCCI, 2007) ............................................................................................ 29

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§I - INTRODUÇÃO
“ […Com a radiação] Estás sempre a contrabalançar os riscos contra possíveis benefícios”. - Dr. Joseph R. Castro, chefe de radioterapia do Laboratório Lawrence Berkeley

“Radiação1. Dificilmente uma palavra em qualquer idioma gera mais ansiedade”. Estas palavras retiradas do artigo living with radiation, publicado em Abril de 1989 pela revista norte americana National Geographic, espelham bem o efeito que a radiação tem sobre as pessoas. A radiação é um dos temas mais controversos de ser abordado, porque ela pode ser altamente benéfica ou perigosa. De facto, segundo um relatório da American cancer society2, apenas em 2007 foram diagnosticados cerca de 12 milhões de
Ilustração 1 - Antoine Henri Becquerel. Físico Francês, vencedor do prémio Nobel da Física em 1903, descobriu a radioactividade no Urânio. (Foto encarta encyclopedia)

novos casos de cancro no mundo todo (UOL, 2007). Ora, para cerca de metade dos casos de cancro é aplicado radioterapia3 (IAEA, 2006). Dos casos que recebem radioterapia, cerca de 3/5 deles resulta em cura o que corresponde a mais de 3 milhões e

meio de pessoas livres desta enfermidade, graças a aplicação positiva das radiações. Talvez a melhor forma de expressar os benefícios do uso das radiações não esteja nas estatísticas, mas nas palavras como as que se seguem, ditas por uma paciente que recebia radioterapia no laboratório Lawrence Berkeley. “As pessoas deveriam estar orgulhosas disto…” (Cobb, 1989)

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Aqui radiação refere-se a radiação ionizante (ver pág. 7). Sociedade Americana do cancro. Tratamento com radiações 7|P ági na

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No entanto, logo após a descoberta dos raios X por Wilhelm Konrad Roentgen (1845-1923) em 1895, e da radioactividade natural em 1896 por Antoine Henri Becquerel (1852-1908), cedo tornou-se evidente que as radiações emitidas nestes processos não somente eram úteis para efeitos de diagnóstico e tratamento, mas também nocivos aos tecidos humanos (López, et al., 2005). Por exemplo, Cerca de 4 mil mortes são esperadas que venham a acontecer entre as pessoas mais afectadas pelo maior acidente envolvendo radiações: o acidente de Chernobyl (IAEA, 2005). Incrementar os benefícios e reduzir os perigos do uso das radiações, é o objecto da radioprotecção. Segundo Carvalho (2009), define-se protecção radiológica (radioprotecção) como a ciência e a prática de limitar os danos causados pelas radiações as pessoas e ao ambiente. Uma das razões principais para a criação e uso de normas e procedimentos de segurança é o facto de não se poder desfazer dos benefícios da radiação. Por exemplo, a importância das radiações na medicina e na indústria transcende a radioterapia e os testes não destrutivos de materiais essenciais; é utilizada como uma poderosa ferramenta de diagnóstico, não apenas nas tradicionais radiografias, mas em dispositivos mais complexos como nas tomografias computadorizadas e nos PET4. Além disto, as radiações são amplamente usadas na pesquisa e investigação científica, e em vários outros campos. I.1. OBJECTIVO DO TRABALHO Este trabalho tem como objectivo apresentar alguns conceitos sobre as radiações, a sua interacção com a matéria viva e as formas de protecção contra os riscos delas advindas, baseando-se em padrões internacionais de protecção radiológica. I.2. PALAVRAS-CHAVE Radiação, radioprotecção, blindagem, absorção, radioactividade, efeitos biológicos, dosimetria.

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PET – Positron Emission Tomography (tomografia por emissão de positrões).

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I.3.

DEFINIÇÃO DOS TERMOS E ACRÓNIMOS USADOS NESTE TRABALHO ALARA – As Low As Reasonable Achievable (tão baixa quanto razoavelmente c.d.o – Comprimento de onda. CEMA – Converted Energy by Unit mass (energia convertida por unidade de

possível).

massa). eV – Electrão-volt, unidade de energia equivalente a 1,6.10-19 Joule. HVL – Half Value Layer (Camada semi-redutora). IAEA – International Atomic Energy Agency (Agência Internacional de Energia Atómica). ICRP – International Commission on Radiological Protection (Comissão Internacional sobre Protecção Radiológica). ISO – Organização Internacional para padronização. KERMA – Kinetic Energy Released by Unit Mass (energia cinética por unidade de massa). KeV – Quilo electrão-volt. MeV – Mega electrão-volt. OER – Oxygen Enhancement Ratio (ratio de aprimoramento por oxigénio). rad – Radiation Absorbed Dose, unidade de dose absorvida. rem – Roentgen Equivalent Man, unidade de dose equivalente. SI – Sistema Internacional de Unidades. TVL – Tenth Value Layer (Camada Decimo-redutora).

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§II - RADIAÇÕES E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS
II.1. RADIAÇÃO Radiação é o processo de transmissão de energia com ou sem matéria5 através do espaço. A radiação consiste de ondas e partículas. Na verdade, a distinção entre onda e partícula não pode ser estabelecida. De acordo com De Broglie6, partículas e ondas são consideradas duas faces de uma mesma moeda, sendo mais correcta a denominação partícula-onda. De qualquer forma, a divisão da radiação como sendo constiIlustração 2 - James Clerk Maxwell. Um dos maiores Cientistas do século XIX, desenvolveu uma teoria matemática, descrevendo as propriedades dos campos eléctricos e magnéticos. (Foto encarta encyclopedia)

tuída por partículas ou por ondas é muito usada na bibliografia corrente e será também eventualmente usada neste trabalho. Segundo a sua natureza, as radiações podem ser divididas em três partes:

II.1.1. RADIAÇÃO MECÂNICA Este tipo de radiação depende de um meio material para a sua transmissão, e manifesta-se como onda, não havendo durante o processo transmissão de matéria. As radiações sonoras e sísmicas são alguns exemplos. II.1.2. RADIAÇÃO ELECTROMAGNÉTICA As radiações electromagnéticas foram inicialmente previstas, pelo Físico Escocês James Clerk Maxwell (1831-1879) no seu trabalho “treatise on electricity and magnetism” publicado em 1873. As radiações electromagnéticas não precisam de um meio para a sua transmissão, podendo ser transmitidas através do vácuo. Contudo, são

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O conceito de matéria neste trabalho é apresentado como todo o ente Físico para o qual existe

um sistema de referência qualquer em que este esteja em repouso. Esta definição é importante para distinguir matéria de partícula.
6

Louis Victor de Broglie (1892 – 1987). Prémio Nobel de Física em 1927, pela sua teoria de

1923 onde descrevia a natureza ondulatória dos electrões. 10 | P á g i n a

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influenciadas pela presença da matéria. São normalmente consideradas como ondas, embora tenham natureza dual (corpúsculo-onda). As “partículas” da radiação electromagnética - os fotões - não possuem massa em repouso, e no vácuo se deslocam todas com a mesma velocidade c7, transportando energia através do espaço. A energia das radiações electromagnéticas depende somente da sua frequência (e consequentemente do seu c.d.o), podendo variar desde ondas com energia muito pequena (frequência muito pequena; c.d.o muito grande) conhecidas como ondas de rádio, até ondas de altíssima energia (grande frequência; pequeno c.d.o), conhecidas como radiações gama (𝛾). Ao todo, a radiação electromagnética inclui uma grande sucessão de radiações que ficam entre estes dois extremos conhecida como espectro electromagnético. II.1.3. RADIAÇÃO DE PARTÍCULAS MATERIAIS Este tipo de radiação consiste de pequenos corpúsculos materiais (massa em repouso diferente de zero), que se movem com velocidades muito grande (perto da velocidade da luz c), não precisando portanto, de um meio para a sua transmissão, mas também são influenciadas pela presença da matéria. Estas radiações observam-se durante a desintegração radioactiva dos núcleos atómicos. Foi Ernest Rutherford (1871 – 1937) quem descobriu
Ilustração 3 - Ernest Rutherford. Físico Neozelandês, Nobel de Química em 1908, pioneiro da Física Nuclear e primeiro homem a transmutar um elemento quimico. (Foto encarta encyclopedia)

que durante a desintegração radioactiva, estavam presentes pelo menos dois componentes, as partículas alfa (𝛼), capazes de penetrar apenas alguns milionésimos de centímetro no alumínio, e as partículas beta (𝛽), que eram cerca de 100

vezes mais penetrantes que as partículas alfa (𝛼) (Lewin, 2008).

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c é a velocidade da luz no vácuo e vale precisamente 299 792 458 m/s. 11 | P á g i n a

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Rutherford mostrou que as partículas alfa possuíam carga positiva (ver Ilustração 4) e que eram núcleos de hélio, as partículas beta possuíam carga negativa. As partículas β foram mais tarde identificadas como sendo electrões. Rutherford mostrou ainda a existência de uma Terceira forIlustração 4 - Carga eléctrica das radiações alfa, beta e gama. As radiações alfa possuem carga positiva e deslocam-se no sentido da placa negativa, as radiações beta têm carga contrária e movemse no sentido da placa positiva. As radiações gama são fotões e não possuem carga, consequentemente não sofrem desvio.

ma de radiação vinda dos processos radioactivos, que não possuía carga eléctrica a que denominou

radiação gama (γ). Apesar de as radiações α serem mais perigosas que as radiações β e γ (para iguais doses absorvidas destas radiações, é maior a dose equivalente das radiações alfa) (ver Dose equivalente na pág. 22) estas são de maior facilidade de protecção, porque só podem percorrer alguns poucos centímetros no ar, antes de serem totalmente absorvidas, e são facilmente detidas por uma simples folha de papel. As partículas β podem percorrer uma distância maior no ar, mas são detidas por alguns milímetros de alumínio. As radiações γ são mais difíceis de deter, percorrendo grandes distâncias no ar, e só são absorvidas por pesadas barreiras de betão ou chumbo. Finalmente, durante a desintegração radioactiva existem três tipos de radiação que Rutherford denominou de radiação alfa (𝛼), radiação beta (β) e radiação gama (γ). A radiação alfa é constituída de núcleos de hélio, a beta é formada por electrões, e a radiação gama por ondas electromagnéticas de elevada energia. II.2. RADIAÇÃO IONIZANTE Embora existam diversos tipos de radiação, do ponto de vista da segurança e protecção radiológica tem apenas interesse a radiação ionizante. É sobre estas radiações em particular, que se destina a radioprotecção e o presente trabalho. Radiação ionizante é a radiação que possui energia suficiente para ionizar átomos e moléculas (Wikipédia). Estas radiações tem a capacidade de ao atravessar um
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determinado meio, ionizarem-no, i.e., são capazes de arrancar os electrões das suas orbitas no cortejo electrónico, e por esta razão danificar tecidos vivos. II.2.1. TIPOS DE RADIAÇÃO IONIZANTE Neste grupo, encontram-se todas as radiações emitidas durante o processo de desintegração radioactiva, ou seja as partículas alfa, beta e gama, as quais adiciona-se a radiação X, neutrões (n), protões (p) e iões de elementos pesados. Na prática considera-se como radiação ionizante toda a radiação cuja energia seja superior a 14 eV (Primeiro curso nacional de protecção radiológica, 2009). As radiações ionizantes podem dividir-se em dois tipos:   Com carga eléctrica: neste grupo encontram-se as radiações α, β, protões (p) e iões de materiais pesados. Sem carga eléctrica: neste grupo encontra-se as radiações X, γ, e os neutrões. II.2.2. FONTES DE RADIAÇÃO IONIZANTE As fontes de radiação podem ser de dois tipos: II.2.2.1. Radiação de origem natural. Estas radiações têm origem em fontes que ocorrem naturalmente na natureza; a radiação terrestre, cósmica e interna são fontes de radiação natural. A radiação terrestre deve-se ao facto de existirem mais de 60 radioisótopos na crusta terrestre (Primeiro curso nacional de protecção radiológica, 2009), por exemplo o urânio, o tório, o carbono-14, e o radão-222. O radão-222 em especial requer tratamento diferenciado. Segundo carvalho (2009), este elemento é responsável por cerca de 50% de toda a dose de radiação a que uma pessoa está exposta. Os Raios Cósmicos são partículas extremamente penetrantes, dotados de alta energia, que se deslocam a velocidades próximas a velocidade da luz no vácuo e se originam no espaço sideral (Wikipédia). A radiação também pode advir de dentro dos organismos, algumas das substâncias que formam os seres vivos são na verdade isótopos radioactivos de elementos estáveis. Por exemplo, parte do carbono do nosso corpo é carbono-14, um isótopo radioactivo do carbono. Outros
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exemplos são o potássio-40 (40K), o rádio-226 (226Ra), o chumbo-210 (210Pb), o polónio210 (210Po), o urânio (U) e o tório (Th). II.2.2.2. Radiação de origem artificial. Estas radiações originam-se num dos três processos que se seguem:  Partículas carregadas aceleradas por uma diferença de potencial contínua ou alternada, curvadas por campos magnéticos em aceleradores de partículas.  Por radiação de travagem (bremsstrahlung). Partículas previamente aceleradas são bruscamente travadas por um alvo. É por este meio que se produzem os raios X.  Por radioactividade artificial. Uma parte da dose a que uma pessoa está exposta tem origem em isótopos radioactivos activados artificialmente. Os testes com explosivos nucleares por exemplo, emitiram quantidades consideráveis de césio-137 (137Cs), estrôncio-90 (90Sr), iodo-131 (131I), cério-144 (144Ce), trítio (3H) e carbono-14 (14C). Outra parte dos isótopos radioactivos artificiais é lançada para a atmosfera durante acidentes em centrais nucleares; são o caso do cobalto-60 (60Co), zinco-65 (65Zn), prata-110 (110Ag), césio-137 (137Cs), Plutónio-239 e 240 (239Pu e240Pu), amerício-241 (241Am), e o trítio (3H).

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§III - GRANDEZAS, LIMITES E PRINCÍPIOS RADIOLÓGICOS
As magnitudes radiológicas podem ser classificadas da maneira que se segue: Grandezas radiométricas. Magnitudes associadas a um campo de radiação (fluência e fluxo de energia e de partículas, energia radiante, etc.). Coeficientes de interacção. Magnitudes associadas com a interacção da radiação com a matéria (coeficientes de atenuação mássico, linear, secção eficaz, etc.). Grandezas dosimétricas. Magnitudes relacionadas com a medida da energia absorvida e da sua distribuição. Derivam das duas anteriores (Dose absorvida, KERMA, LET, etc.) Grandezas de medição da radioactividade. Magnitudes associadas com o campo de radiação produzido por determinadas substâncias (Actividade, actividade específica, etc.). Grandezas usadas em radioprotecção. Magnitudes relacionadas com os efeitos biológicos produzidos pelas radiações em determinados órgãos ou tecidos (Dose Efectiva, Dose Equivalente em órgão, etc.). III.1. GRANDEZAS DE MEDIÇÃO DA RADIOACTIVIDADE III.1.1. ACTIVIDADE A actividade (A) de uma fonte radioactiva é a grandeza Física que determina a rapidez com que uma fonte radioactiva se desintegra. Ela é igual ao número de núcleos que se desintegram na unidade de tempo. Matematicamente, expressa-se da seguinte forma: (1) 𝐴 = 𝑑𝑁
𝑑𝑡

Onde dN é o valor esperado de núcleos atómicos desintegrados espontaneamente durante o intervalo de tempo dt. No sistema SI, a unidade de actividade é o Becquerel [Bq], e corresponde a actividade de uma fonte radioactiva que em 1 segundo espera-se que desintegre 1 núcleo,
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ou 1 Bq = 1 desintegração por segundo (s-1). A unidade antiga de actividade é o Curie [Ci] e 1 Ci é a actividade de um grama de rádio. 1𝐶𝑖 = 3,7. 1010 𝐵𝑞. III.1.2. ACTIVIDADE ESPECÍFICA A actividade específica é a actividade de uma fonte por unidade de massa. (2) 𝐴𝑒𝑠𝑝 = 𝑚 𝑄

A sua unidade SI é o Bq/Kg. III.1.3. LEI FUNDAMENTAL DA DESINTEGRAÇÃO RADIOACTIVA A probabilidade de que um certo número de núcleos excitados dN emita radiação no intervalo de tempo dt não é afectada por processos Físicos e Químicos. Só depende de 3 factores: 1. Do Número de núcleos radioactivos N não desintegrados existentes. 2. Do tempo dt. 3. Do elemento radioactivo (representado pela constante característica do isótopo radioactivo λ). Assim se chega a seguinte equação diferencial de variáveis separáveis. 𝑑𝑁 = −𝜆𝑁𝑑𝑡 Onde o sinal (-) significa que o número de núcleos não desintegrados diminui com o tempo. A partir desta equação podemos escrever: 𝑑𝑁
𝑑𝑡

= −𝜆𝑁 Ou seja a actividade A da fonte é igual a 𝐴 = 𝜆𝑁

(3)

Resolvendo a equação acima podemos escrever a solução como (4) 𝑁 𝑡 = 𝑁0 𝑒 −𝜆𝑡

Ou o seu equivalente para a actividade (5) 𝐴 𝑡 = 𝐴0 𝑒 −𝜆𝑡 .

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III.1.3.1. Período de semi-desintegração O intervalo de tempo no qual, uma fonte radioactiva desintegra metade dos seus núcleos excitados, restando apenas N0/2 núcleos excitados é conhecido por período de semi-desintegração (T1/2). Da equação 𝑁 𝑡 = 𝑁0 𝑒 −𝜆𝑡 , chega-se a relação entre T1/2 e λ. (6) 𝑇1
2

= 𝑙𝑛

2 𝜆

0,693 𝜆

O período de semi-desintegração dos elementos radioactivos pode variar de alguns milionésimos de segundo, a milhares de milhões de anos. Para vários radiofármacos8, interessa principalmente o tipo de radiação que emitem, e que tenham T1/2 relativamente pequenos (de poucas horas a alguns dias). Em termos práticos uma fonte pode ser considerada como não radioactiva passado no mínimo 5 períodos de semi-desintegração, desta maneira pode-se usar o T1/2 como forma de descontaminação de uma área caso o elemento radioactivo em causa tenha um T1/2 pequeno como no caso dos radiofármacos. III.1.3.2. Lei da proporcionalidade inversa do quadrado da distância Seja 𝐴 = 𝐴(𝑡), a actividade total de uma fonte radioactiva. Seja 𝐹 o fluxo, i.e., o número de partículas que atravessa a superfície 𝑑𝑆 no ponto P por unidade de tempo (ver figura a esquerda), nesta figura, a distância entre o detector e a superfície dS é apenas ilustrativa, na verdade, considera-se o detector situado sobre o ponto P, o módulo do
Ilustração 5 - Lei do inverso do quadrado da distância. O fluxo F de partículas que atravessa a superfície dS diminui com o quadrado da distância.

vector 𝐹 , será a actividade 𝐴𝑑 da fonte no ponto P, i.e., 𝐹 = 𝐴𝑑 .

8

Elementos radioactivos usados em medicina. 17 | P á g i n a

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Então: 𝑑𝐴 = 𝐹 ∙ 𝑛 𝑑𝑆 ⇒ 𝐴 = 𝑆

( 𝐹 𝑛 cos⁡ (𝜃)𝑑𝑆 𝑛 É o vector unitário ( 𝑛 = 1) normal a superfície 𝑑𝑆; mas como o vector 𝐹 é

paralelo a 𝑛 (𝐹 ∕∕ 𝑛) quer dizer 𝜃 = 0, logo cos⁡ = 1. (𝜃) Isto é: 𝐴 = 𝑆 𝐴𝑑

𝑑𝑆

Vamos além disto considerar que 𝐴𝑑 é o mesmo em todos os pontos da esfera S (A radiação emitida não depende da direcção e é igualmente distribuída no espaço). 𝐴 = 𝑆 𝐴𝑑

𝑑𝑆 = 𝐴𝑑 𝑆 𝑑𝑆

= 4𝜋𝑟 2 𝐴𝑑 𝐴
1 4𝜋 𝑟 2

(7) 𝐴𝑑

=

= 𝐴0

1 𝑟 2

A equação acima demonstra a relação da proporcionalidade inversa com o quadrado da distância r. Ela é válida caso o tamanho da fonte seja muito menor que a distância ao ponto de interesse P, deste modo a fonte pode ser considerada pontual. III.2. GRANDEZAS DOSIMÉTRICAS III.2.1. EXPOSIÇÃO Exposição (X) é o valor absoluto da carga dos iões de um mesmo sinal produzidos no ar quando todos os electrões libertados pelos fotões por unidade de massa de ar são completamente detidos. Define-se para a radiação electromagnética ionizante, com base na sua capacidade de produzir ionizações no ar. Esta grandeza é definida unicamente para a radiação electromagnética que interactua no ar. A sua expressão matemática é: (8) 𝑋 = 𝑑𝑚
18 | P á g i n a 𝑑𝑄

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Aqui, dQ corresponde a carga eléctrica total dos iões formados pela radiação, e dm é o elemento de massa de ar. No sistema SI, a unidade de exposição é o Coulomb por quilograma [C/Kg], e corresponde a actividade de uma fonte radioactiva, que cria 1 C de carga eléctrica, em 1 Kg de ar seco. Outra unidade muito usada é o Roentgen [R] (Ler “réntguen”). 1 𝐾𝑔 = 3976 𝑅 É possível obter a exposição X que produz uma fonte pontual de actividade A num ponto situado a uma distância r durante um tempo t mediante a expressão: (9) 𝑋 =
Γ∙𝐴∙𝑡 𝑟 2 𝐶

Γ é uma constante específica de exposição, que é característica de cada radionuclídeo. Ora, como os valores de Γ são bem conhecidos e tabelados, esta equação é muito útil na determinação da exposição, e concomitantemente da dose absorvida (ver Determinação da dose absorvida conhecida a exposição na pág. 20). III.2.2. KERMA KERMA (K) energia cinética libertada por unidade de massa, é uma grandeza não estocástica, aplicável a radiações indirectamente ionizantes como os fotões e os neutrões. Quantifica a energia média transferida da radiação indirectamente ionizante para a radiação directamente ionizante, sem levar em conta o que acontece após a transferência (Seuntjens, et al., 2005). (10) 𝐾 = 𝑑𝐸𝑡
𝑑𝑚

Onde 𝐸𝑡 é a energia média transferida pela radiação indirectamente ionizante para as partículas carregadas (electrões), e m é a massa do meio exposto a radiação. A sua unidade SI é o Joule por quilograma [J/Kg], denominada Gray [Gy]. 𝐺𝑦 = 𝐾𝑔 𝐽

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João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO

III.2.3. CEMA CEMA (C) energia convertida por unidade de massa. Ela é uma grandeza não estocástica, aplicável a radiações directamente ionizantes como os protões e os electrões. (11) 𝐶 = 𝑑𝐸𝑐
𝑑𝑚

Aqui dEc é a energia perdida pelas partículas carregadas (excepto electrões secundários), numa unidade de massa. A unidade de CEMA é o Gray. III.2.4. DOSE ABSORVIDA A dose absorvida (D) é a energia média 𝑑𝐸 cedida pela radiação a um material de massa dm e volume dV no ponto de interesse. Esta é uma grandeza não estocástica, que se aplica tanto a radiações indirectamente ionizantes, como para aquelas directamente ionizantes. A energia 𝑑𝐸 é a soma de toda energia que entra no volume de interesse dV, menos toda a energia que sai deste mesmo volume, tendo em conta toda a conversão massa-energia que venha a ocorrer (Seuntjens, et al., 2005). A dose absorvida é a grandeza mais comummente medida, e a magnitude dosimétrica de maior interesse. A sua expressão matemática é: (12) 𝐷 = 𝑑𝑚 𝑑𝐸

A unidade SI de dose absorvida é o Gray (Gy). Outra unidade de dose absorvida conhecida como unidade antiga é o rad e equivale a 0,01 Gy, i.e., 1Gy = 100 rad. III.2.4.1. Determinação da dose absorvida conhecida a exposição É possível calcular a dose absorvida num meio material conhecida a exposição, pela equação: (13) 𝐷 = 𝑓 ∙ 𝑋

Nesta equação D e X são a dose absorvida e a exposição correspondente respectivamente.

20 | P á g i n a

João Manuel Oliveira RADIAÇÕES - SUA NATUREZA, EFEITOS E PROTECÇÃO 𝑓

é um factor que depende do tipo de radiação, e das unidades de dose e exposição escolhidas. Por exemplo, A energia absorvida em 1 gr. de ar exposto a 1 R de raios X é 0,869 rad. Quando as unidades de dose e de exposição são o rad e o Roentgen respectivamente os valores de 𝑓 são em geral, muito próximos a 1 para os raios X de diagnóstico, em todos os tecidos biológicos excepto no tecido ósseo. A Tabela 1 apresenta alguns valores do factor f para fotões de energia dos 10 KeV a 2 MeV.
Tabela 1 - Factor f que relaciona a dose absorvida com a exposição para fotões com energia de 10 KeV a 2 MeV

Dose absorvida/exposição Energia (KeV) 10 15 20 30 40 50 60 80 100 150 200 300 400 500 600 800 1000 1500 2000 Água Gy∙Kg/C 35,4 35,0 34,7 34,4 34,5 35,0 35,6 36,7 37,2 37,6 37,7 37,8 37,8 37,8 37,8 37,8 37,8 37,8 37,8 rad/R 0,914 0,903 0,895 0,888 0,891 0,903 0,920 0,946 0,960 0,971 0,973 0,974 0,974 0,975 0,975 0,975 0,975 0,975 0,974 Osso Gy∙Kg/C 135 150 158 165 157 137 113 75,4 56,2 41,3 38,1 36,6 33,3 36,2 36,1 36,1 36,1 36,0 36,1 rad/R 3,48 3,86 4,09 4,26 4,04 3,53 2,91 1,94 1,45 1,065 0,982 0,944 0,936 0,933 0,932 0,931 0,931 0,930 0,931 Músculo Gy∙Kg/C rad/R 35,8 0,925 35,8 0,924 35,8 0,922 35,7 0,922 35,9 0,925 36,1 0,932 36,5 0,941 36,9 0,953 37,2 0,96 37,4 0,964 37,4 0,965 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,966 37,4 0,965

III.2.5. LET A dose absorvida por si só não é suficiente para estimar o risco radiológico associado a uma radiação. Ela requer uma estimativa paralela do grau em que a energia depositada esta concentrada em volumes comparáveis com as porções sensíveis da célula (Schimmerling, 2009). Isto consegue-se através do LET.

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O LET (L) representa a energia dissipada dE por uma partícula carregada ao atravessar um comprimento dl em todas as colisões com electrões. O LET tem grande importância em Radiobiologia e em Radioprotecção, porque serve de base para o cálculo dos factores que ponderam a Qualidade da Radiação na avaliação do dano biológico. (14) 𝐿 = 𝑑𝐸
𝑑𝑙

A unidade SI de LET é o J/m, o KeV/µm é a unidade mais usada. Valores típicos do LET de para radiações comummente usadas são apresentados na Tabela 2.
Tabela 2 - Valores do LET das radiações mais comummente usadas. Fonte (Suntharalingam, et al., 2005)

Radiação Raio X Raio gama (60Co) Electrões

Energia 250 KVp 3 MeV

LET (KeV/µm) 2 0.3 0.3

1 MeV

0.25

III.2.6. TAXA DE DOSE ABSORVIDA A Taxa de dose (P): a taxa de dose representa a dose absorvida por um material na unidade de tempo. (15) 𝑃 = 𝑑𝐷
𝑑𝑡

A unidade de P no SI é o Gy/s ou Sv/s. Também usa-se o rad/s. III.3. GRANDEZAS DE RADIOPROTECÇÃO III.3.1. DOSE EQUIVALENTE A dose absorvida como definida acima não reflecte o grau de perigosidade associado a cada tipo de radiação. Na verdade, observou-se que para iguais doses, alguns tipos de radiação são mais perigosos do que outros. Por esta razão, definiu-se a dose equivalente num meio (HR) como a dose absorvida por um material, multiplicado pelo factor de qualidade wr desta radiação e o produto dos factores de modificação representado por N. N normalmente assume-se igual a unidade.
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(16) 𝐻𝑅

= 𝐷𝑅 ∙ 𝑤𝑟 ∙ 𝑁 = 𝐷𝑅 ∙ 𝑤𝑟

DR é a dose absorvida pelo meio exposto a radiação R. O factor wr, denominado factor de ponderação da radiação R, representa o peso da radiação em causar um dano biológico, wr é uma grandeza adimensional maior ou igual que a unidade. A unidade SI de dose equivalente é o Sievert [Sv] (1Sv = J/Kg). A unidade antiga de dose equivalente é o rem, e equivale a 0,01 Sv, i.e., 1Sv = 100 rem. Na Tabela seguinte apresenta-se os factores de ponderação wr para as radiações.
Tabela 3 - Factor de ponderação das radiações. Fonte (IAEA, 1993)

Tipo de radiação Fotões Electrões9 e muões

Energia Todas Todas <10 KeV 10 - 100 KeV 100 KeV - 2 MeV 2 - 20 MeV >20 MeV >2 MeV

wr 1 1 5 10 20 10 5 5 20

Neutrões

Protões Partículas alfa, núcleos pesados fragmentos de fissão

III.3.1.1. Dose equivalente em órgão A probabilidade de uma radiação causar um dano em determinado tecido orgânico, não é o mesmo para todos eles. Verifica-se que determinados tecidos sofrem danos maiores que outros para igual dose de uma mesma radiação (mesma dose equivalente). Por este motivo quando o meio irradiado for um tecido ou órgão, define-se a dose equivalente em órgão HT como o produto da dose equivalente a que um órgão está exposto, pelo factor de ponderação wt, que representa a susceptibilidade deste mesmo órgão em sofrer um dano radiológico. (17) 𝐻𝑇 = 𝐻𝑅 ∙ 𝑤𝑡

9

Excepto para electrões Auger emitidos do núcleo ao ADN, onde são aplicadas considerações

micro-dosimétricas especiais. 23 | P á g i n a

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Tabela 4 - Factores de ponderação dos órgãos. Fonte (IAEA, 1993)

Tecido ou órgão Gónadas Medula óssea (vermelha) Cólon Pulmão Estômago Bexiga Peito Fígado Esófago Tiróide Pele Superfície óssea Restante

wt 0,20 0,12 0,12 0,12 0,12 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,01 0,01 0,05

Se o campo de radiação a que o órgão está exposto for composto de diferentes tipos de radiação com diferentes factores de ponderação, então a dose equivalente neste órgão é igual a soma das doses individuais de cada radiação, multiplicada pelo seu respectivo factor de ponderação. (18) 𝐻𝑇 = 𝑟 𝑤𝑡

∙ 𝐻𝑅 = 𝑟 𝐷𝑇

,𝑅 ∙ 𝑤𝑡 ∙ 𝑤𝑟 = 𝑤𝑡 ∙ 𝑟 𝐷𝑇

,𝑅 ∙ 𝑤𝑟

DT,R é a dose absorvida pelo órgão (ou tecido) T exposto a radiação R. A Tabela 4 apresenta os valores de wt, para os diferentes órgãos. Nesta tabela restante inclui todo o órgão não explicitamente apresentado. III.3.2. TAXA DE DOSE EQUIVALENTE A taxa de dose equivalente (𝐻 ) Representa a dose equivalente absorvida por um tecido na unidade de tempo. (19) 𝐻 = 𝑑𝐻
𝑑𝑡

A unidade SI de taxa de dose equivalente é o Sv/s, mas é muito comum o uso de outras unidades como o Sv/h (sievert por hora) e o rem/h.

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III.3.3. DOSE EFECTIVA A Dose Efectiva E é a soma das doses ponderadas em todos os tecidos e órgãos T do corpo devido as irradiações internas e externas. Como os factores de ponderação wt, e wr são adimensionais, então a unidade de dose efectiva é também o Sv. (20) 𝐸 = 𝑇
𝐻𝑇

As grandezas dose equivalente e dose efectiva, são denominadas de magnitudes limitadoras, porque é sobre elas a que se estabelecem os padrões de protecção radiológica, limitando a dose a que determinado órgão ou indivíduo pode estar exposto, tanto profissionalmente como não (membros do público). Embora os limites de dose estejam sujeitos a aprovação dos governos de cada país, os limites de dose recomendados pelo ICRP em 1990 costumam ser adoptados pela maioria dos países e organizações internacionais. Os limites de dose recomendados pelo ICRP são apresentados na Tabela 5.
Tabela 5 - Limites de dose recomendadas pelo ICRP. Fonte (ICRP, 1990)

Limites de dose Ocupacional Dose efectiva Dose equivalente anual no Cristalino Pele Braços e pernas 100 mSv em 5 anos (20 mSv por ano10 em média) 150 mSv 500 mSv 500 mSv Pública 1 mSv num ano11

15 mSv 50 mSv -

III.4. GESTÃO DO RISCO RADIOLÓGICO Os princípios que se seguem são considerados regras de ouro na gestão do risco radiológico.

10

O valor de dose efectiva ocupacional, não deve ultrapassar 50 mSv num único ano. Esta dose deve advir de fontes artificiais não incluindo portanto a dose a que um indivíduo está

11

exposto devido a radiação de fundo local. 25 | P á g i n a

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III.4.1. PRINCÍPIO DA JUSTIFICAÇÃO DA PRÁTICA. Nenhuma prática envolvendo exposição a radiações deve ser tomada, a menos que esta produza benefício suficiente ao indivíduo ou a sociedade para compensar os prejuízos causados pela radiação (ICRP, 1990). III.4.2. PRINCÍPIO DA OPTIMIZAÇÃO DA PROTECÇÃO Na prática envolvendo fontes de radiação, a dose individual, o número de pessoas expostas a radiação, e a probabilidade de ocorrência de exposição a radiações, devem ser mantidas tão baixo quanto razoavelmente possível (ALARA). III.4.3. PRINCÍPIO DA LIMITAÇÃO DA DOSE As doses a que um indivíduo está exposto resultantes das combinações de todas as práticas relevantes devem ser sujeitas a limites. Este princípio tem como objectivo, garantir que ninguém é exposto aos riscos da radiação julgados inaceitáveis para aquela prática em situação normal (ICRP, 1990). III.5. REGRAS DE PROTECÇÃO INDIVIDUAL III.5.1. DISTÂNCIA A protecção contra as radiações ionizantes, usando-se a distância como factor de redução da exposição é o meio mais prático, de baixo custo e mais rápido numa situação normal ou de emergência (Andreucci, 2007). Como foi mostrado, a radiação diminui inversamente com o quadrado da distância (ver pág. 17), i.e., a intensidade da radiação diminui 4 vezes quando a distância duplica. Por este facto, a distância representa um poderoso método para protecção radiológica, a quando da ocorrência de acidentes, porque é de simples entendimento, e fácil aplicação. III.5.2. BARREIRAS DE PROTECÇÃO O uso de barreiras é também um meio de protecção. Embora mais dispendioso, porque envolve a obtenção de meios para construção, além de requerer autorização da

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autoridade competente, é o meio mais eficaz, permitindo que se usem fontes maiores com um máximo de protecção. Na construção de blindagens, salvo casos em que se trabalha com fontes de muito elevada energia (𝐸 > 10 𝑀𝑒𝑉), as blindagens costumam ser construídas para protecção contra radiações gama, ou X. A razão para tal, consiste no facto de as partículas carregadas e de massa em repouso diferentes de 0, serem fortemente absorvidas pelos materiais, o que permite a sua total absorção com poucos mm de alumínio por exemplo. Já as radiações electromagnéticas por não possuírem carga eléctrica nem massa em repouso são mais difíceis de controlar, exigindo vários cm de chumbo para reduzi-la a níveis aceitáveis. A absorção de radiação electromagnética segue a lei de Bouguer-Lambert, i.e., a intensidade de um feixe de raios gama, ao atravessar um material, diminui exponencialmente com a espessura do material atravessado: (21) 𝐼(𝐸) = 𝐼0 𝑒 −𝜇 𝐸
𝑥

Aqui, I é a intensidade da radiação que atravessa o meio de espessura 𝑥, I0 é a intensidade do feixe antes de incidir sobre a barreira. O chumbo é o protector mais comummente usado na protecção aos raios-X por causa da sua alta densidade
Ilustração 6 - Absorção. Esquema de um arranjo experimental para a determinação da absorção da radiação por um material.

(11340 Kg/m3), facilidade de instalação e do baixo custo (Wikipedia).

A Tabela 6 mostra a espessura recomendada do chumbo que se deve usar como protecção em função da energia do raio-X (os valores da energia não devem ultrapassar os picos de tensão dados), saídas das recomendações do segundo Congresso internacional de Radiologia. Um elemento muito importante a ter em conta nos cálculos de barreiras é o HVL simbolizada por “X1/2”. Define-se HVL, como a espessura necessária para que um material absorva metade da radiação que o atravessa, i.e., a intensidade da radiação que atra27 | P á g i n a

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0 vessa a barreira é igual a 50% (𝐼 = 2 ) da radiação que sobre ela incide. O conhecimento 𝐼

desse valor torna prático o cálculo imediato da espessura do material necessário para reduzir o nível da radiação num local a ser protegido a níveis recomendados. (Andreucci, 2007) A partir de (21) e aplicando a condição 𝐼 = (22) 𝐻𝑉𝐿 = 𝑙𝑛
2 𝜇 𝐼0 2

chega-se a expressão para a HVL.

0,693 𝜇

Tabela 6 - Espessura mínima de chumbo necessária para a protecção contra os raios X, Vs energia da radiação. (Fonte Wikipédia)

Picos de voltagem de geração dos raios-X (KV) 75 100 125 150 175 200 225 300 400 500 600 900

Largura mínima de chumbo (mm) 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 4.0 5.0 9.0 15.0 22.0 34.0 51.0

Seguindo o mesmo raciocínio, define-se o TVL simbolizado por X1/10, como sendo a espessura tal que deve ter um material, para que a radiação que sobre ele incida seja reduzida em 1/10. Alguns valores para a HVL e a TVL dos materiais mais usas na construção de barreiras são apresentados na Tabela 7. Pode-se estabelecer uma relação entre HVL e TVL: (23) 𝑋1
10

= 𝑙𝑛

10 𝑙𝑛 2

∙ 𝑋1

2

= 𝑙𝑜𝑔2 10 ∙ 𝑋1

2

≅ 3,322 ∙ 𝑋1

2

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Tabela 7 - Valores de HVL e TVL, para alguns materiais mais usados na construção de barreiras. Fonte (Andreucci, 2007)

Fonte radiação 100 KVp 200 KVp Raios X 250 KVp 300 KVp 400 KVp Irídio 192 Cobalto 60 Césio 137

Alumínio 2,3 g/cm3 (cm) HVL 10,24 2,2 3,66 5,36 4,17 TVL 34 7,32 12,16 17,8 13,85

Chumbo 12 g/cm3 (cm) HVL 0,026 0,043 0,088 0,147 0,25 0,55 1,1 0,65 TVL 0,087 0,142 0,29 0,48 0,83 1,9 4 2,2

Concreto 2,3 g/cm3 (cm) HVL 1,65 2,59 0,28 0,31 0,33 4,3 6,3 4,9 TVL 5,42 8,55 0,94 1,04 1,09 14 20,3 16,3

Aço 7,8 g/cm3 (cm) HVL 1,3 2 1,6 TVL 4,3 6,7 5,4

III.5.3. TEMPO DE EXPOSIÇÃO A dose total acumulada é directamente proporcional ao tempo em que uma pessoa está exposta, então, uma forma de reduzir a dose total absorvida por um indivíduo, consiste em manter a carga de trabalho num valor estritamente necessário. Segundo Andreucci (2007), Se as condições de trabalho não permitem reduzir a taxa de exposição ambiental, a carga de trabalho consiste na ferramenta indispensável para compensar a dose recebida por trabalhadores.

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§IV - RADIOBIOLOGIA E EFEITOS BIOLÓGICOS DAS RADIAÇÕES
Efeitos biológicos da radiação são os efeitos que ocorrem quando a radiação ionizante actua sobre tecidos vivos, causando danos ao material celular. As funções celulares podem ser temporal ou permanentemente prejudicadas pela radiação ou a célula pode ser destruída. A severidade da lesão depende do tipo de radiação a que a pessoa está exposta, da dose absorvida total, da taxa de dose absorvida e da radiossensibilidade do tecido envolvido (Encarta encyclopedia, 2008). Outro factor importante de que depende a severidade da lesão é a presença de substâncias químicas como o oxigénio, ou compostos considerados radiossensibilizadores. Os efeitos biológicos da radiação provêm quase exclusivamente da modificação da estrutura do ADN celular (Material de apoio ao estudante de Física Nuclear, 2009). Estes dão-se segundo uma sequência de etapas. Na primeira etapa há a ionização do material celular levando a ocorrência de reacções químicas. Seguem-se as alterações químicas nas moléculas importantes como o ADN, concomitantemente, ocorre a morte ou mutação da célula, e os efeitos ao organismo. IV.1. MECANISMOS DE INTERACÇÃO DA RADIAÇÃO COM O ADN A interacção da radiação com o ADN dá-se de forma directa ou indirecta. No mecanismo directo, a radiação actua directamente sobre a molécula de ADN, causando a sua ionização e alteração da sua estrutura química, ou a ruptura de uma ou mesmo das duas cadeias de nucleotídeos. No mecanismo indirecto, a radiação ioniza o meio, por exemplo o citoplasma, criando espécies químicas reactivas (formação de radicais livres principalmente OH+, H3O+, H+ etc) que por sua vez interagem com a molécula alvo tal como o ADN. A grande maioria das interacções radiação-ADN dá-se por mecanismo indirecto. Segundo Alves (2009), cerca de 2/3 destas interacções são devido a este mecanismo. Como o corpo humano é 60 – 90% água, grande parte das interacções são através de mecanismos indirectos sobre as moléculas de água.

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A interacção da radiação com a água, provoca a formação de pares de radicais H2O e H2O-. Como estes são iões instáveis, dissociam-se e formam cada um mais um ião e um radical livre (marcado com um ponto). 𝐻2 𝑂+ → 𝐻 + + 𝑂𝐻 ° 𝐻2 𝑂− → 𝐻 ° + 𝑂𝐻 − Os radicais livres são espécies químicas altamente reactivas que podem combinar com outros radicais livres para formar água ou combinarem-se entre si para formarem peróxido de hidrogénio, H2O2 (água oxigenada), este composto é altamente tóxicos para a célula. A molécula de peróxido de hidrogénio é quimicamente muito reactiva provocando danos em moléculas de maior importância biológica. A presença de oxigénio no meio celular potencia a actividade dos radicais livres e consequentemente o seu efeito danoso. IV.2. TIPOS DE DANOS NO ADN Os danos causados pela radiação a molécula de ADN podem ser:      Rotura de uma das cadeias; Destruição ou modificação de uma base; Rotura das duas cadeias em pontos próximos; Ligação cruzada entre cadeias; Múltiplos danos numa zona localizada;
+

Os primeiros tendem a ser mais prováveis que os últimos, mas também menos graves. Devido a presença de mecanismos de reparação do ADN, os danos simples não costumam provocar efeitos biológicos (Material de apoio ao estudante de Física Nuclear, 2009). IV.3. POSSÍVEIS EFEITOS SOBRE A CÉLULA DEVIDO A SUA INTERACÇÃO COM A RADIAÇÃO Devido a interacção com a radiação, sobre a célula pode ocorrer um dos seguintes efeitos: 1. Não há efeito. Neste caso os mecanismos de reparação celular são capazes de reparar os danos causados a célula.
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2. Mutação. A célula sobrevive com o seu ADN modificado. Caso estas mutações ocorram nos genes responsáveis pela proliferação celular, deste efeito pode resultar em carcinogénese, ou formação de cancro. 3. Falha reprodutiva. A célula morre ao tentar dividir-se. 4. Morte celular. Da interacção com a radiação podem ser formados radicais tóxicos a célula ou a destruição de mecanismos essenciais da célula, resultando na morte celular (apoptosis ou necrose). IV.4. RADIOSSENSIBILIDADE Algumas células e tecidos são mais sensíveis a radiação do que outros, i.e., são mais fáceis de ser afectados pela radiação do que outras, e costumam manifestar estes efeitos mais cedo também. Estas células e tecidos são designados como radiossensíveis. Pelo contrário, outros tecidos costumam ser mais resistentes a radiação e denominam-se radioresistentes. IV.4.1. FACTORES QUE INFLUENCIAM A RADIOSSENSIBILIDADE CELULAR Existem vários factores que influenciam a radiossenssibilidade de uma célula. IV.4.1.1. Factores Físicos: Taxa de dose. Embora os efeitos biológicos da radiação costumam a ser expressos em relação a dose absorvida, a taxa de dose absorvida tem muito mais importância ao nível da radiobiologia, pois os efeitos biológicos da radiação dependem não necessariamente da dose mas da rapidez com que esta dose é cedida a célula. É por esta razão que os limites de dose costumam a ser desenvolvidos em função da
Ilustração 7 - Número de células que sobrevivem em função da dose para diferentes Taxas de dose.

taxa de dose e não da dose. Na Ilustração 7 mostra-se um gráfico que representa a taxa

de sobrevivência das células em função da dose para duas taxas de dose distintas. A medida que a taxa de dose aumenta, a pendente da curva faz-se mais pronunciada,
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expressando uma maior eficácia das altas taxas de doses, este fenómeno deve-se porque as ionizações se produzem “concentradas” no tempo. LET. Tal como já foi supracitado (ver LET na pág. 21), o LET é o principal factor na determinação da capacidade de uma radiação produzir um dano numa célula. Em geral as radiações de maior LET costumam ser mais danosas, (Material de apoio ao estudante de Física Nuclear, 2009). Na Ilustração 8, está representada graficamente a taxa de sobrevivência celular para amostras irradiadas com radiações de baixo, e alto LET, a ordenada deste gráIlustração 8 – Dependência da taxa de sobrevivência celular, com a dose para radiações de diferentes LET.

fico representa a taxa de sobrevivência celular. A pendente da curva faz-se mais

pronunciada para as radiações de alto LET do para as de baixo LET, expressando uma maior eficácia das radiações de alto LET na destruição das células. Fraccionamento. Nos anos 20 do séc. XX verificou-se experimentalmente que o efeito biológico de uma irradiação com uma dose DT é distinto ao de uma série de N irradiações repetidas, cada uma com uma dose d = DT/N. Esta diferença deve-se ao desencadeamento de mecanismos de reparação celular após a irradiação. IV.4.1.2. Factores Químicos: Presença de oxigénio. A presença ou não de oxigénio molecular, no interior da célula influencia o efeito biológico das radiações sobre esta. Quanto maior for a quantidade de oxigénio molecular na célula, maior será o efeito biológico da radiação sobre esta. Para determinar o grau de influência do oxigénio, estabelece-se o parâmetro OER. O OER define-se como a razão entre a dose D necessária para produzir um efeito X sobre uma célula sem Oxigénio e a dose Do necessária para produzir este mesmo efeito na presença de oxigénio.
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(24) 𝑂𝐸𝑅

= 𝐷 𝐷 𝑜

Este efeito é tanto maior para radiações de menor LET, e toma um valor proximo de 1 (𝑂𝐸𝑅 ≈ 1) para radiação com LET superior a 135 KeV/µm (Suntharalingam, et al., 2005). Radioprotectores e radiossensibilizadores. Variados compostos químicos podem alterar a forma como uma célula responde a radiação. Aquelas substâncias que aumentam a sensibilidade da célula denominam-se radiossensibilizadores e as que aumentam a resistência da célula são denominados radioprotectores. Elas geralmente influenciam os efeitos indirectos da radiação por eliminação dos radicais livres. IV.4.1.3. Factores inerentes a célula: Fase do ciclo celular. As células são mais sensíveis a radiação durante a fase da Mitose e a fase de pós-síntese da ADN, durante a Mitose a metafase é a mais sensível. Contudo, são menos sensíveis durante o período preparatório para a síntese do ADN e durante a síntese do ADN. Grau de diferenciação. Quanto menos diferenciadas forem as células, mais sensíveis são a radiação, i.e., células pouco especializadas numa tarefa específica são mais sensíveis a radiação. É por esta razão que as células tronco da medula óssea são fortemente afectadas durante a exposição a radiação. Pelo contrário células altamente especializadas como as células musculares e nervosas são menos afectadas pela radiação. Taxa Mitótica. São mais sensíveis as células de alta taxa mitótica (células com grande capacidade de divisão celular), as células nervosas além de altamente especializadas, tem uma taxa mitótica extremamente reduzida ou nula, daí a serem umas das células com maior radioresistência. IV.5. EFEITOS ESTOCÁSTICOS (PROBABILÍSTICOS) Teoricamente qualquer radiação, independentemente da sua dose pode produzir um efeito biológico. Isto porque mesmo no menor valor possível de dose (aquela que é produzida pela exposição a um único “quantum” ou “partícula” de radiação ionizante),
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esta possui energia suficiente para ionizar o material celular, e causar um efeito biológico. Por esta razão, mesmo quando a dose de radiação é suficientemente pequena para não produzir um efeito visível, permanece uma probabilidade de que esta radiação cause um efeito danoso sobre as células ou tecidos. Os efeitos estocásticos podem aparecer para qualquer nível de dose (não há limiar) mas a probabilidade de que se produzam efeitos aumenta com a dose. A sua aparição pode ocorrer anos depois da irradiação. O cancro induzido pela radiação e os efeitos genéticos são estocásticos (Material de apoio ao estudante de Física Nuclear, 2009). IV.6. EFEITOS DETERMINÍSTICOS Quando a dose absorvida por um tecido ultrapassa um certo valor (limiar), os efeitos da radiação podem ser observados, i.e., pode ser estabelecido uma relação causa e efeito entre a radiação incidente e o dano observado. Estes efeitos podem ser imediatos ou observados em períodos de tempo relativamente curtos. Por exemplo, uma dose de 100 Sv distribuída sobre o corpo todo matará rapidamente uma pessoa, por dano no sistema nervoso central. Uma dose de 3 Sv sobre todo o corpo leva a morte em 50% dos casos. Entre os 3 e 1 Sv é bastante provável que venha a ocorrer um ferimento, devido a radiação (Cobb, 1989). As exposições a pequenas partes do corpo são por sinal os acidentes mais comuns e levam a danos localizados. Os danos causados aos vasos sanguíneos da zona afectada, causa mau funcionamento do órgão, e em caso de doses mais elevadas levam a necrose e a gangrena (Encarta encyclopedia, 2008). Os efeitos determinísticos são provocados pela morte celular ou pelo falho reprodutivo, quando afectam uma importante proporção das células de um tecido. Os efeitos determinísticos não aparecem até que a irradiação supere um determinado valor limiar de dose. Se esse valor limiar é superado, a severidade do dano aumenta com a dose.

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§V - CONCLUSÃO
As radiações são na verdade, um dos temas mais controversos dos tempos modernos. Embora criem alguma ansiedade na sua abordagem, pelo facto de estarem associados a mitos e a acidentes nucleares, elas constituem um marco importante alcançado pelo saber humano. A comprovar isto, está a sua enorme aplicação na medicina, na indústria, na pesquisa científica, etc. Contudo, independentemente da sua importância e da sua natureza, os riscos provenientes da sua utilização são reais e devem ser tratados com a cautela que lhe é devida, porque os seus efeitos sobre os tecidos podem causar lesões graves ou mesmo a morte. Neste trabalho, estão espelhados os principais conceitos relacionados com a radiação, sua natureza, efeitos sobre os tecidos vivos, e os principais padrões e regras de protecção individual. Finalmente, para uma pessoa em geral, o assunto sobre as radiações pode parecer um tema distante e assustador, mas o mais provável é que acabará precisando das radiações em alguma altura da sua vida. V.1. RECOMENDAÇÕES Recomenda-se neste trabalho a criação e aprovação de legislação especial que regulamente o uso e aplicação de fontes de radiação no país, embora reconhece-se aqui, que a aprovação da lei nº 4/07 de 5 de Setembro, que institucionaliza a criação da Autoridade Reguladora de Energia Atómica (AREA) e o Conselho Nacional de Radioprotecção e Segurança Nuclear (CNRSN), constituem marcos importantes na criação de condições para a regulamentação destas no país.

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BIBLIOGRAFIA12
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Segundo a norma ISO 690 – primeiro elemento e data. 37 | P á g i n a

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UOL. 2007. Estudo: mais de 12 milhões de casos de câncer no mundo em 2007. UOL. [Online] 17 de Dezembro de 2007. [Citação: 29 de Setembro de 2009.] http://noticias.uol.com.br/ultnot/afp/2007/12/17/ult34u195256.jhtm. Wikipédia. Radiação cósmica. Wikipédia. [Online] [Citação: 30 de Setembro de 2009.] http://pt.wikipedia.org/wiki/Radia%C3%A7%C3%A3o_c%C3%B3smica. —. Radiação ionizante. Wikipedia. [Online] [Citação: 30 de Setembro de 2009.] http://pt.wikipedia.org/wiki/Radia%C3%A7%C3%A3o_ionizante. —. Raios X. wikipedia a enciclopédia livre. [Online] [Citação: 9 de Fevereiro de 2009.] http://pt.wikipedia.org/wiki/Raios_x. —. X Rays. Wikipedia, the free enciclopedia. [Online] [Citação: 9 de Fevereiro de 2009.] http://en.wikipedia.org/wiki/X_rays.

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ÍNDICE REMISSIVO
de ponderação do tecido · 23

A
absorção · 8, 27 Actividade · 15 Específica · 16 ALARA · 9, 26

de qualidade da radiação · 22 f · 21 Factores Físicos · 32 inerentes a célula · 34 Químicos · 33 fotões · 11, 18, 19, 21

B H
Becquerel · 8, 15 Antoine Henri · 8 blindagem · 8 bremsstrahlung · 14 HVL · 9, 27, 28, 29

I
IAEA · 9, 37 ICRP · 9, 25, 37

C
CEMA · 9, 20

Ionizante Fonte de radiação · 13

D
Dose absorvida · 15, 20, 21 dosimetria · 8

Tipos de radiação · 13 isótopo radioactivo · 13, 16

K
KERMA · 9, 15, 19

E
Efeitos Determinísticos · 35 Estocásticos · 34 Ernest Rutherford · 11 espectro electromagnético · 11 Exposição · 18 Tempo de · 29

L
LET · 15, 21, 22, 33, 34

M
Mecanismo de interação Directo · 30

F
Factor

Indirecto · 30

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O
OER · 9, 33

electromagnética · 10 Gama · 12 Interna · 13 Ionizante · 12 mecânica · 10

P
Partículas alfa · 11 beta · 12 Princípio da justificação da prática · 26 da limitação da dose · 26 de optimização da protecção · 26 protecção radiológica · 8, 12, 25, 26, 37

mecanismos de interação com o ADN · 30 possíveis efeitos sobre a célula · 31 Terrestre · 13 radioactividade · 8, 14, 15 Artificial · 14 radioprotecção · 8, 12, 15, 22 Radioprotectores · 34 radiossensibilidade · 30, 32 Radiossensibilizadores · 34 rem · 9, 23, 24 Roentgen · 8, 9, 19, 21

R
rad · 9, 20, 21, 22 Radiação · 10 Alfa · 12 Beta · 12 cósmica · 13 de origem artificial · 14 de origem Natural · 13 de partículas materiais · 11 de travagem · 14

Wilhelm Konrad · 8

S
semi-desintegração · 17

T
Taxa Mitótica · 34 TVL · 9, 28, 29

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