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BNAID =a NDO; SPT (Standard Penetration Test) Nem o equipamento nem os procedimentos de escavacéo foram completamente padronizados em nivel internacional no ensaio SPT. As diferencas existentes podem ser parcialmente justificadas pelos desenvolvimento e investimentos de cada pais. Porém mais importante sdo as adaptagées das técnicas de escavacdo as diferentes condigdes de subsolo. Treland, Moretto & Vargas, 1970 O Standard Penetration Test (SPT) é reconhecidamente a mais popular, rotineira c cconémica ferramenta de investigagio em praticamente todo o mundo, permitindo uma indicago da densidade de solos granulares, também aplicado & téncia de solos coesivos e mesmo de rochas brandas. Métodos ‘undagdes diretas e profundas usam sistematicamente os identificagio da con: rotineiros de projeto de resultados de SPT, especialmente no Brasil, O cnsaio SPT constitui-se em uma medida de resisténcia dindmica conjugada uma sondagem de simples reconhecimento. A perfuragao é realizada por tradagem ¢ circulagio de agua utilizando-se um teépano de lavagem como ferramenta de escavacio. Amostras representativas do solo sio coletadas a cada metro de profundidade por meio de amostrador-padrio, de didmetzo externo de 50mm. O procedimento de ensaio consiste na cravagio deste amostrador no fundo de uma escavagio (revestida ou nfo), usando um peso de 65,0 kg, caindo de uma altura de 750mm (ver ilustragio nas Figuras 2.1 ¢ 2.2). O valor Ny; € 0 numero de golpes amostrador penetrar 300mm, apés uma cravacio inicial de necessétio para fazer 0 Capitulo 2 Ensaios de campo e suas aplicagées & Engenharia de Fundagées roldana As vantagens deste ensaio com relagio aos demais sio: simplicidade do equipamento, baixo custo cobtencio de um valor numérico de ensaio que pode ser relacionado com regras empiticas de projeto. Apesar das criticas vilidas que sio continuamente feitas & diversidade de procedimentos utilizados para 2 execugio do enszio ¢ & pouca racionalidade de alguns dos métodos de uso ¢ interpretagio, este € ainda o processo dominante na pritica de Engeaha- tia de Pundacées, Este capitulo apresenta os aspectos relevan- tes & anilise do ensaio SPT e suas limitagdes, a luz dos conhecimentos recentes, esclarecendo os usuari- 08 dos cuidados envolvidos no uso ¢ interpretagio dos resultados do ensaio, ¢ divulgando 0 conheci- mento sobre técnica modernas. (a) segao Sequemétca assed, mn sah cant cpa ognananane 7” RIRRNE HO saute 13% (b) Foto do amostrador bipartido 2.1 Padrées de ensaio A normalizagio do ensaio SPT foi realizada em 1958 pela ASTM (Americam Society for Testing and Materials), sendo comum em todo o mundo 0 uso de ptocedimentos nio padronizados e equipamentos diferentes do padrio internacional. Em diversos paises existem normas nacionais com caracteristicas varidveis e um padrio internacional considerado como referéneia (International Reference Test Procedure - IRTP / ISSMFE). Na América do Sul a normalizagio norte-americana ASTM D 1.586-67 € utilizada com freqiiéncia, tendo o Brasil normalizagio propria, aNBR-6.484/1980. Chama-se a atengio aos cuidados necessirios a um programa de integragio (Mercosul) na extrapolagio de experiéncias, quando as pritticas regionais so reco- ahecidamente diferentes: por exemplo no Uruguai nao ¢ usual a execugio de SPT, mi Argentina 0 padrio local é 0 uso do amostrador de “Moreto” (Moreto, 1963). Em 1988, Ranzini sugeriu procedimentos adicionais ao ensaio, com a medigao de torque apés a execucio do SPT. A introdugio deste procedimento em servicos de sondagem ¢ 0 estabelecimento de regras basicas de interpretagio ver sendo objeto deestudos em Sto Paulo (e.g, Decourt ¢ Quaresma Filho, 1994). 2.2 Fatores determinantes na medida de SPT Existem diferentes técnicas de perfuragio, equipamentos e procedimentos de ensaio nos diferentes paises, resultantes de fatores locais ¢ grau de desenvolvi- mento tecnolégico do setor, o que resulta em desuniformidade de significado dos resultados obtidos. As principais diferengas se referem 20 método de perfuragio, fluido estabilizante, didmetro do furo, mecanismo de levantamento ¢ liberacio de queda do martelo, rigidez das hastes, geometria do amostrador e método de cravacio. ‘Além desses fatores tem-se a influéncia marcante das caracteristicas e condigdes do solo nas medidas de SPT. Uma revis’o completa sobre o atual estado do conhecimento pode ser encontrada em Skempton (1986) ¢ Clayton (1993) ¢ consideracdes sobre a realidade sul-americana em Milititsky & Schnaid (1995). Na pritica de engenharia existe unanimidade a respeito de questdes relati- a “ensaios bem ou malfeitos”, empresas idéneas (fraudes), mé pritica, vicios exccutivos, entre outros. Os itens a seguir tratam somente dos aspectos que influ- Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) 1 Ensaios de campo e suas oplicagées & Engenharia de Fundagées No Brasil, o SPT deve seguir as recomendagées da Norma Brasileira NBR 6.484/80. Na América do Sul €é usada com freqiiéncia a norma americana ASTM D1.586/67. As normas nacionais utilizam um padréo internacional adotade como referéncia - IRTP/ ISSMFE. 2 enciam os resultados de ensaios realizados segundo recomendagées de normas ¢ da boa pritica de engenharia. Serio indicados os fatores que explieam porque no mesmo local duas sondagens realizadas dentro da téenica recomendada podem resultat em valores desiguais, considerando-se por exemplo: técnica de escavagio, equipamento € procedimento de enstio. Desses fatores certamente os relacionados com a técnica de escavagio sio 0s mais importantes, podendo-se destacar 0 método de estabilizacio: [a] perfuragio revestida © nio preenchida totalmente com Agua; [b] uso de bentonita; [c] tevestimento cravado além do limite de cravacio; [d] ensaio executado dentro da tegiio revestida. Existem inimeras publicagdes com o registro quantitative da variagio de desempenho do enssio devido aos procedimentos utilizados, incluin- do técnica de escavagio (Sutherland, 1963; Begemann & De Leew, 1979; Skempton, 1986; Mallard, 1983), 0 que reforca a necessidade de utilizagio de procedimentos padronizados. A questio da influéncia do equipamento relaciona-se com a energia transferida ao amostrador no processo de eravagio. O trabalho basico no tépico foi apresentado por Schmertmann & Palacios (1979), seguido por extensa biblio- grafia: Kovacs & Salamone, 1982; Kovacs & Salomone, 1984; Sced c outros, 1985; Skempton, 1986). A realidade brasileira pode ser aferida a partir do traba- Iho pioneizo de Belincanta (1998). Pode-se deserever os seguintes aspectos de equipamento como influenciadores nos resultados: {a] martelo - energia transferida pelos diferentes mecanismos de levantamento ¢ liberagio da queda, massa do martelo e uso de cepo de madeira no martclo; [b] hastes - peso e rigidez, compri- mento, perda de energia nos acoplamentos; [c] amostrador - integridade da sapata cortante, uso de valvula, uso de revestimento plastico interno (pritica america- nna). A tendéncia moderna recomenda a medida de energia para cada pratica, sen- do a norma ASTM D 4.633-86 indicada para tal finalidade, Além da influéncia do equipamento, deve-se reconhecer os efeitos das condigdes do solo na resisténcia i penctragio. Quando 0 amostrador é impelido para dentro do solo, sua penetragio ¢ resistida pelo atrito nas superficies externas ¢ internas ¢ na base do amostrador. Como resultado, a massa de solo nas proximida- des do amostrador é afetada pela energia de choque do martelo transmitida através das hastes. O excesso de pressdes neutras gerado tera dissipagio decorrente da permeabilidade do material testado, Como 0 comportamento dos solos depende da trajetéria de tensdes ¢ nivel de deformacio a que sto submetidos, teoricamente 0 ensaio de campo ideal de- veria impor um caminho de tensdes ¢ nf 1 de deformagdes uniforme em toda a Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) massa envolvida no processo, complementado por condigio perfeitamente nio- drenada ou de total dissipagio da pressio neutra. Nem o SPT nem outros ensaios de campo satisfazem completamente a essas condigdes. Na rotina os engenheiros Pt P preferem sempre utilizar os ensaios que funcionem em praticamente quaisquer condiges de subsolo ¢ que determinem indices ou indicadores ou informagées que aio podem ser obtidas de forma m is econdmica ou simples por outros pro- Apresenta-se na Tabela 2.1 uma compilacio de todos os fatores conhecidos que afetam a penetragio em solos granulates e seus efeitos. Tobela 2.1 Influéncia das propriedades de solos granulares na resisténcia a penetracéo Fator Influéncia Referéncias Indice de Vazios Tamanho médio da particula Coeficiente de uniformidade Presso neutra Angulosidade das particulas Cimentagao Nivel de tensées Idade Redugao do indice aumenta a resisténcia a penetrago ‘Aumento do tamanho médio aumenta resisténcia 4 penetraco Solos uniformes apresentam menor resisténcia & penetrag3o Solos finos densos dilatam aumentando a resisténcia; solos finos muito fofos podem se liqiefazer no ensaio ‘Aumento da angulosidade aumenta a resisténcia penetracao ‘Aumenta a resisténcia ‘Aumento de tensao vertical ou horizontal aumenta a resisténcia ‘Aumento da idade do depésito aumenta a resisténcia Terzaghi & Peck (1967); Gibbs & Holtz (1957); Holubeck et al (1973), Marcusson et al (1977) ‘Schultze et al (1961); DIN 4.094; Clayton et al (1982); Skempton (1986) DIN 4094 ~ Parte 2 Terzaghi & Peck (1967); Bazaraa (1967); de Mello (1971); Rodin et al (1874); Clayton et al (1982) Holubec & D'Appotonia (1973); DIN 4.094 DIN 4094 — Parte 2 Zolkov et al (1965); de Mello (1971); Dikran (1983); Clayton et al (1985); Schnaid & Houlsby, (1994) ‘Skempton (1986); Barton et al, (1989); Jamiolkowski et al, (1988) Em solos coesivos a resisténcia a penetragio é reconhecidamente fungi da resisténcia nao drenada, S,. Os fatores que controlam a resisténcia sio a plasticidade, sensibilidade ¢ fissuracio da argila, motivo pelo qual existem relagées diferentes entré © N na literatura. Além desses aspectos, deve-se Jevar em conta B Ensaios de campo e suas aplicagées 4 Engenharia de Fundagées 4 que a resisténcia nio drenada no é uma propriedade do solo, pois depende da trajetéria de tensdes e como conseqiténcia, do ensaio utilizado para sua determina- io. Em rochas brandas 0 SPT pode ser utilizado para a identificacio de propri- edade de massa de rochas brandas, sendo influenciada pela resiseéncia da rocha intacta, porosidade da rocha, espagamento, abertura e preenchimento das fissuras, além daqueles detivados do método de ensaio, especialmente a presenga de égua no proceso. 2.3 Corregées de medidas de Ny, Conhecidas as limitagdes do ensaio, causadas por fatores que influenciam os resultados € nao estio relacionadas as caracteristicas do solo, é possivel avaliar as metodologias empregadas na aplicagao de valores de N,,, em problemas geotécnicos, Para esta finalidade, as abordagens modernas recomendam a corregio do valor medido de Ny,» considerando o cfeito da energia de cravagio € do nivel de tensdes. Em primeiro lugar, deve-se considerar que a energia nominal transferida a0 amostrador, no proceso de cravacio, nio é a energia de queda livre teérica transmitida pelo martelo (e.g, Schmertmann & Palacios, 1979; Seed ¢ outros, 1985; Skempton, 1986). A eficiéncia do sistema é funcio das perdas por atrito e da propria dinamica de transmisséo de energia do conjunto, No Brasil é comum o uso de sistemas manuais para a liberagio de queda do martelo que aplica uma cnergia da ordem de 70% da energia teérica. Em comparacio, nos E.U.A. ¢ Europa o sistema é mecanizado e a energia liberada é de aproximadamente 60%. Atualme: te, a pratica internacional sugere normalizar o ntimero de golpes com base no padrio ameticano de N,j assim, previamente 20 uso de uma correlago formulada nos B.U.A, deve-se majorar o valor medido de Ny, obtido em uma sondagem brasileira em 10.2 20% (Velloso e Lopes, 1996). Embora a pritica brasileira seja pautada pelas recomendagées da norma NBR 6.484, que estabelece critétios rigidos quanto a procedimentos de perfura- io © ensaio, com a adogio de um snico tipo de amostrador, no meio cécnico existem variagdes regionais de procedimentos de sondagem: (a) uso (ou auséncia) de coxim e cabeca de bater; (b) acionamento com corda de sisal ou cabo de aco, com c sem roldana e (c) variagio do tipo de martelo utilizado. A influéncia de alguns destes fatores, relacionados 4 pratica brasileira, foi quantificada por oe Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) Belincanta (1998) ¢ Belincanta ¢ outros (1984; 1994). Resultados tipicos de medida de energia de cravacio para distintos equipamentos sio apresentados nas Tabelas 22.024, As medidas de eficiéncia de energia dinamica referem-se & primeisa onda de compressio incidente, para uma composicio-tipo de 14m de comprimento, Valores médios de eficiéncia na faixa entre 65% e 80% da energia tedrica foram monitorados com freqiiéncia, reforgando a necessidade de normalizagio das medidas de Nyy; previamente a sua aplicagio em correlagdes de natureza empicica. As informagdes produzidas por Belincanta (1998) servem como avaliagao preliminar. Medidas locais de energia devem tomat-se rotina na préxima década, aumentando © grau de confiabilidade do ensaio, melhorando a acuricia de uso de correlagdes baseadas no SPT e quantificando a influéncia de fatores determinantes interpretagao racional do ensaio, como por exemplo a influéncia do comprimento da composigio. Tabela 2.2 Influéncia do tipo de martelo, para composicao de 14 m de comprimento, martelo com coxim de madeira e cabega de bater de 3,6kg (apés Belincanta, 1998) Eficiéncia das ener Equipamento Estado da Acionamento manual Aclonamento com gatiino posigao “Tnédia n° _Desvio média_n? —_desvio % _dados padrdo% —% —_dados _padro % Martelo cilindrico com pino velha 694 178 3,59 755 195 2,95 guia, acionamento com corda nova 727 1833.59 813 903.98 Martelo cilindrico com pino velha 632 45 (4,78 T4423 228 guia, acionamento com cabo nova 739 54 3.43 832 26 2.52 de ago Martelo cilindrico vazado, nova 665 503,74 742 38 5,30 acionamento com corde Tabela 2.3 Influéncia decorrente do uso de coxim, para composigao de 14 m de comprimento, martelo com pino guia e cabeca de bater de 3,6kg (apés Belincanta, 1998) Eficiéncia das energias ‘Sondagem Uso de coxim Acionamento manual Acionamento com gatitho médias? desvio média on? desvio % __dados _padrao % % __dados _padrao % Local 1 nao 28 1M 3,62 sim 710 104 3,58 Local 2 nao 761 9 4.54 sim 66781 2,73 755 195 2.95 6 Ensaios de campo ¢ suas aplicagées & Engenharia de Fundacées 16 Tabela 2.4 Influéncia decorrente da massa da cabeca de bater, para composicao de 14 mde comprimento, martelo cilindrico com coxim de madeira (apés Belincanta, 1998) Eficiéncia das energias Cabeca de pater Acionamento manual Acionamento com gatilho (kg) média on? desvio média n° desvio % _dados _padro% % —_dados _padréio % 12 735 13, 2,04 36 667 St 2.73 755 1952.95 14,0 664 23 1.70 Sempre que 0s resultados de ensaio forem intrepretados visando a estimati- va de parimetros de comportamento do solo, serio fornecidas recomendacdes, especificas quanto a necessidade de corregio dos valores medidos de Nyy, A cotrecio para um valor de penctragio de referencia, normalizado com base no padrio americano de N,,, é realizada simplesmente através de uma relagio linear entre a energia empregada e a energia de referéncia. Assim: Noy = (oop * Energia Aplicada) / 0,60 [2.1] Por exemplo, um ensaio realizado no Brasil, segundo a Norma Brasileira, com acionamento manual do martelo, fornecendo uma medida de energia de 66% da enesgia tedrica de queda livre, teria seu valor medido de penetracio de 20 golpes convertide em um valor de N,, = 22, ou seja N,, = (20x0,66) / 0,60 = 22. A corregio do valor medido de Nyy, para considerat 0 efeito das tensdes geostiticas in situ & pritica recomendivel para ensaios realizados em solos granu- lates. Reconhecendo que a resisténcia 4 penetragio aumenta linearmente com a profundidade (¢ portant com a tensio vertical efetiva, para uma dada densidade) € aumenta em funsio do quadrado da densidade relativa, para 0”, constante (Meyerhof, 1957), Skempton (1986) sugeriu a seguinte correlagio: ) o, N=D%(a+0C, 2 (2.2) (a Too’ 2.2) sendo D, a densidade relativa a, b fatores dependentes do tipo do material Cy fator de corregio da resisténcia em fungao da historia de tenses 6’, tensio vertical efetiva em kPa ee i = mer ee RON tae Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) O valor de o’, pode em geral ser estimado com razoavel grau de precisio. O valor de Cy é unitirio para solos normalmente adensados, NA, ¢ aumenta com OCR, tefletindo o aumento da tensio efetiva horizontal 0°, e portanto das ten- ses efetivas médias (p’=1/3[0" +20°,]). Com base nesta abordagem, foram propos- tos 0s coeficientes de correcio de Nj», tepresentados de forma grafica na Figura 2.3 cexpressos segundo: Ny =NoerCuCog (23) | = 10 10 - - | 2 awh & oak | = B £ sob 2 ost | = «cob S ost J wl Bak }@ page sg) yee es ge | ° os 6 tee 101828253035 a0 Fator de correcto Cy para acias KolKeouy normalmente adensadas Figura 2.3 Fator de correcao de N,,, considerando 0 efeito do nivel de tensées onde Cy representa a corregio devida 4 tensto efetiva de sobrecarga e Cy, a cor- recio pata a histéria de tenses (Liao e Withman, 1985; Jamiolkowski ¢ outros, 1985; Clayton, 1993). A justificativa do uso de C,, para converter 0 valor medido de N,,, em um valor de referéncia N,, adotado para uma tensio de 100 kPa (1 atmosfera), considerando-se o solo NA, é demonstrada fazendo-se uso da equa- cio [2.2} Ny Di(a+b) __a/b+1 Ng, Datb%) (@/b+ 2 : 100 100 [2.4] a 7 Ensaios de campo e suas aplicagées 4 Engenharia de Fundacées Correcao do valor medido de Nyy para tensées efetivas atuantes e energia de cravagéo é recomendavel. Sua prética, entretanto, nao é disseminada no Brasil 8 Considere, por exemplo, uma areia normalmente adensada, conforme dis- cutido recentemente por Quaresma ¢ outros (1996). Admita, por simplicidade, auséncia do nivel d’agua, peso especifico 7, de 18 KN/ ensaio em duas profundidades: 0 resultados de um 2) Profundidade z= 2,0m e portanto 0",, = 36,0 KN/m? para N,,=5 tom-se (N,)qy = C,x5 = 1,7x5 = 8,5 b) —Profundidade z = 20,0m e portanto o”,, = 360,0 KN/m? para N,, = 16 tem-se (N,),, = C,x5 = 0,5x5 = 8,0 Portanto, a arcia a 20m de profundidade apesar de registrar um valor de N,, = 16 tem a mesma densidade relativa de uma areia a 2m de profundidade com valor medido de Ny, = 5. Para solos pré-adensados, a desconsideracio dos efeitos do nivel de tensdes acarreta a obtengio de valores de Dr e 6” superiores aos valores reais, conforme discutido por Schnaid c Milittsky (1995) e apresentado na Figura 2.4 10 ° ® feces oo 2 ;™ : z ga Bw a = s™ a. » * core | booms » » = Sores | 2 Senero » i ee eo a a Neer Noor Figura 2.4 Influéncia da historia de tensées nos parametros de resisténcia 2.4 Aplicagdes dos resultados Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) O ensaio SPT tem sido usado para inémeras aplicagdes, desde amostragem para identificagio dos diferentes horizontes, previsdo da tensio admissivel de fundagdes diretas em solos granulares, até correlagdes com outras propriedades geotécnicas. As correlagées de oti- gem empirica sio obtidas em geral em condigdes particulates ¢ especi- ficas, com a expressa limitagio de uso por parte dos autores, mas aca- bam extrapoladas na pritica, muitas s de forma nao apropriada. Além disto, resultados de ensaios SPT realizados em um mesmo local podem apresentar dispersio significa- tiva, Um exemplo tipico de ensaios SPT realizados na regiio de Por- to Alegre, RS é apresentado na Fi- guta 2.5, onde o ntimero de golpes Ny, € plotado contra a profundida- de. A variagio observada nos perfis € representativa da propria variabi- lidade das condigdes do subsolo, sendo necessitio avaliar para cada ptojeto as implicagdes da adogio de perfis minimos ou médios de resis- téncia A primeira aplicagio atribui- da ao SPT consiste na simples deter- minagio do perfil de subsolo ¢ identificagao tctil-visual das diferen- 5 to 18 20_Nser, . -s1 af m8 2 = 3 a 4 5 6 7 8 8 19 v 0 20_Nser ° 4 maxima 2 3 E 4 minim Rs 6 7 8 8 10], media de 4 furos Figura 2.5 Resultados tipicos de ensaios SPT em um local de projeto tes camadas a partir do material recolhido no amostrador-padrio. A classificagio do material é normalmente obtida combinando a descricéo do testemunho de sondagem com as medidas de resistencia 4 penetragio. O sistema de classificagao apresentado na Tabela 2.5, amplamente utilizado no Brasil ¢ recomendado pela NBR 7.250/82, € baseado em medidas de resisténcia a penetragio sem qualquer 19 Ensaios de campo e suas aplicagdes & Engenharia de Fundagées cortegio quanto & energia de cravacio e nivel de tensdes. Alternativamente pode-se utilizar a proposta de Clayton (1993) apresentada na Tabela 2.6. Tabela 2.5 Classificagao de solos (NBR 7.250/82) indice de resistencia a Solo Ponies Designagao Areia e Silte arenoso <4 Fofa 5-8 Pouco compacta 18 Medianamente compacta 19-40 Compacta >40 Muito compacta e Silte argiloso <2 ‘Muito mole 35 Mole 6-10 Media 11-19 Rija >19 Dura Tabela 2.6 Classificagao de solos ¢ rochas (Clayton, 1993) indice de resisténcia poo Material esi rial eons Designagao Arelas (N:)ie 03 Muito fofa 38 Fofa 8-25 Média 25-42 Densa 42-58 Muito densa o4 Muito mote 48 Mole 15 Firme 15-30 Rija 30-60 Muito Rija >60 Dura Rochas Brandas Ney 0-80 Muito brandas 80-200 Brandas >200 Moderadamente brandas Nota: N; — valorde Neor corrigido para uma tensdo de referéncia de 100 kPa Ne» valor de Nepr corrigido para 60% da energia teérica de queda livre (N:)eo_ valor de Nepr cortigido para energia e nivel de tensbes 20 Capitulo 2 - SPT (Standard Penetration Test) A interpretagao de resultados para fins de projetos geotéenicos pode ser obtida através de duas abordagens distintas (conforme discutido no Capitulo 1): a) Métodos indiretos: nesta abordagem os resultados do ensaio sio utili- zados na previsio de parimetros constitativos, representativos do comportamento do solo. b) Métodos diretos: resultados de SPT sto aplicados dirctamente na previsio da capacidade de carga ou recalque de um elemento de fundagio, sem a necessidade de determinagio de parimetros intermediatios. 2.5 Métodos indiretos: estimativas de parametros geotécnicos O SPT pode ser utilizado na pritica de engenharia na obtengio de parimetros a serem adotados na andlise de problemas geotécnicos. Algumas indicagdes do uso do SPT sao discutidas neste capitulo, sendo que uma revisio mais extensiva pade ser encontrada em Stroud (1989) ¢ Clayton (1993) para aprofundamento do tema, E sempre desejivel comparar os valores de parimetros estimados empiricamente através das medidas de Ny, com aqueles obtidos através de outros ensaios (de campo ou Inborat6rio), bem como verificar sua adequagio na faixa de variaclo estimada para as condigdes do subsolo, a) Solos granulares Sabendo-se que o Ny, fornece uma medida de resisténcia, é pritica co- mum estabelecer correlagdes entre No, € a densidade sclativa D, ou angulo de atrito efetivo do solo 6”. Algumas cortelagdes usuais adoradas na pritica de enge- nharia sio apresentadas abaixo — as proposigées de Gibbs & Holtz (1957) ¢ ‘Skempton (1986) sio usadas na estimativa de D,, enquanto as proposigécs de de Mello (1971) ¢ Bolton (1986) no sio aplicadas diretamente ao valor de N, mas usadas para converter as estimativas de D, em @”, ‘er N 4 D, =| ———__ 5 Z a (amt =i} Gibbs & Holtz (1957) (2.5) va al Skempton (1986) [2.6] p,-|— i (ac 7