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Rota dos escravos

Rota dos escravos

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A ROTA DOS ESCRAVOS

O
tráfico negreiro encarna a fusão dramática da história com a geografia. Esta tragédia que durou cerca de quatro séculos, é uma das maiores "empresas de desumanisação" da história da humanidade. Ela constitui uma das primeiras formas de mundialisação. Empresa económica e comercial, o sistema esclavagista dela resultante, uniu várias regiões e continentes: a Europa, a Africa, o Oceano Indico, as Caraíbas e as Américas. Ela baseou-se numa ideologia, a construção intelectual do desprezo pelo homem negro para justificar a venda de seres humamos neste caso, o negro africano - como um bem móvel, tal como o definia o seu quadro jurídico, nomeadamente, O Código Negro. A história desta tragédia ocultada, as suas causas profundas, as suas modalidades e as suas consequências ainda devem ser escritas. Trata-se, precisamente, do principal objectivo atribuido pelos Estados Membros da UNESCO ao projecto A Rota dos Escravos. Os desafios deste projecto são a verdade histórica, os direitos do homem e o desenvolvimento. A noção de "rota" significa, antes de mais, pôr em destaque os itinerários desumanos, ou seja, as trajectórias do comércio triangular. É neste sentido que se recorre à geografia como suporte para melhor compreensão da história. Com efeito, este mapa do comércio triangular, não sómente sustenta esta primeira forma de mundialisação, mas elucida, através das suas trajectórias, as motivações e os objectivos do sistema esclavagista. Este mapa do tráfico negreiro é tão sómente o primeiro esboço, baseado nos dados disponíveis sobre o comércio triangular e a escravatura. Assim sendo, esta obra será gradualmente complementada à medida em que as redes temáticas de investigação estabelecidas pela UNESCO revelarem, através da exploração dos arquivos e da tradição oral, as camadas profundas do “iceberg”. Nessa altura, poder-se-á compreender que o tráfico negreiro ilustra a matéria invível das relações entre a Africa, a Europa, o Oceano Indico, as Américas e as Caraíbas.

Açúcar, café, algodão, tabaco Pacotilha, armas Tráfico transatlântico F. DOUGLASS* W. E. DU BOIS* A. DUMAS* São BENEDITO*
Il Moro

A. S. PUSKIN*

Tráfico transaariano Tráfico em direcção ao Oceano Indico

Doudou Diène
Director da Divisão do Diálogo Intercultural

;;;;; ;;;;; ;;;;; ;;;;; ;; ;;;; ;;;; ;;;; ;;;; ;;;;
TOUSSAINT P. ROBESON* LOUVERTURE*

SCHOELCHER*

Copenhaga Liverpool Londres Bristol Nantes Bordeaux Amsterdão Roterdão Veneza Génova Roma Lisboa Sevilha Palermo Istambul

;;
BOBANGI

Porto negreiro europeu ou americano Grande porto do tráfico em Africa Centro de distribuição Zona de razias Zona de importação de escravos Fonte de abastecimento do comércio transatlântico de escravos Porcentagem de escravos deportados

BENIN e GANA são os nomes contemporâneos, diferentes da denominação na época do tráfico.

10%

Arquipélago dos Açores

* Personalidades históricas que lutaram contra a escravatura, foram escravos ou descendentes de escravos (San Benedito, Puskin)

Charleston

Ouargla Arquipélago das Canárias

Trípoli Alexandria

Bassorah

Nagazaki

40%

Murzuq Assouan

Carachi

CUBA

Mexico

Veracruz

JAMAICA

PORTO RICO Sto-Domingo

Arquipélago de Cabo-Verde

Cantão Macau

Tombuctu

Goa
GHANA BENIN

Ilha de GORÉ

Cartagena

Emp óri os

C osta d o s escravos

M

BA RU Ouidah YO ASHANTI Lagos DA BE ARA NI Calabar Elmina N Accra

A AR MB BA

Zabïd Aden
BOBANGI

nos ma çu ul

SOCOTRA

Málaca
EQUADOR

Cabinda

LO AN GO

LU
O KONG O G NDON
DU OVIMBUNDU MBUN

A ND

Mombassa

Pernambuco Bahía

ZANZIBAR

Luanda

40%

O C E A N O
A MAKU

Quelimane

Tamatave MADAGASCAR MAURÍCIAS REUNIÃO (Bourbon)

POPULAÇÃO DE AFRICA

Rio de Janeiro

O C E A N O
Ilha Robben

10%

Número de deportados do séc. VIII a meados do séc. XIX, todos os tipos de tráfico reunidos : 24 milhões no mínimo População total em meados do séc. XIX : 100 milhões Estimativas do que poderia ter sido a população em meados do séc. XIX : 200 milhões

Valparaíso

Montevideo

I N D Í C O

Buenos Aires

A T L Â N T I C O

Deportados nos séculos XV e XVI

Século XVII
Jamestown

Século XVIII
VIRGÍNIA

Século XIX
1807
0 70
70 00 00 0
0 00

ABOLIÇÃO * NOS EUA

30 000

550 000

700 000

400

Ca

r a íb

0 00

as

100

000

Ca

17
r a íb
as

00

000

100

000

CA

Sto-DOMINGO 1791
R AÍ

MA

OS OC RR
0 60
0 00

Goré

SENEGÂMBIA

Goré GUADALUPE REVOLTA DE 1656

SENEGÂMBIA GHANA
Reino do

BAS GUADALUPE 1737

00 200

0

Goré Elmina

C A Sto-Domingo R AÍ BAS

1 90 00 00
Goré Elmina

Ouidah

GUINÉ Conacry
Calabar
Reino do

GUINÉ Conacry
Ouidah Calabar
Reino do

00

CONGO
100 000
Bahía Rio de Janeiro

0

00

CONGO
Cabinda Luanda Zanzibar

Pernambuco Bahía

7

1

00 00 0

Pernambuco Bahía

1

0

3

ANGOLA

00 00 40
ABOLIÇÃO * NO BRASIL

REVOLTAS (1807 e 1835) BAHÍA

00

CONGO

© UNESCO 2000

1888
Rio de Janeiro

Zanzibar 900 Kilwa Ibo ANGOLA Cabinda Luanda

00

0

1 900 000
LourençoMarques Inhambane

Montevideo Buenos-Aires

*

Data oficial da abolição

Montevideo Buenos-Aires

40 7 0 0 0

Concepção e cartografia : Nancy FRANÇOIS – Gráfica : ARIZONA GRAPHIC

DINAMARCA 1792 HOLANDA 1815 ABOLIÇÃO * INGLATERRA 1807 NA EUROPA FRANÇA 1815 PORTUGAL 1830

0

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