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A História Oculta de Hitler

Contradizendo a tudo o que tradicionalmente aprendemos na escola


sobre Hitler, descobrimos uma outra face deste personagem histórico, que
retinha consigo profundos conhecimentos ocultistas os quais poucos homens
ocidentais vieram conhecer naquela época.

A Cruz Suástica é o símbolo que traz sempre más lembranças, pois ficou
marcada pelas atrocidades do nazizmo.

No entanto a cruz Suástica é um símbolo (yantra) conhecido a mais de 5.000


anos e é considerada sagrada, representando equilíbrio, expansão e
evolução do universo e de grande magnetismo, conhecida como Lot'chu,
constando no I ching.

Ganesha, o Deus indiano mais cultuado, filho de Shiva e Shakti, o que


afasta os empecilhos, protetor dos negociantes, tem a suástica desenhada na
palma de sua mão (Abaya Mudra). Shiva também usa este yantra; assim
como, em vários templos na Índia o vemos desenhado na porta de entrada

Este símbolo usado no sentido anti-horário tem os resultados de destruição,


dissolução.

Hitler era interessado em magia e mantinha a seu serviço ocultistas que


orientavam Hitler ao uso da suástica no sentido da destruição e do grande
poder magnético pessoal.

É de se crer que seu poder influente sobre as massas do povo alemão fosse
algo incomum. Hitler era um homem que agia sabendo muito bem o que
fazia, e não era um mero louco e insano, sem objetivos concretos.
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Hitler possuía 25% de sangue judeu em suas veias. Nasceu num


povoado austríaco, centro de médiuns e videntes, com um ambiente
psicamente carregado que influenciou sua visão da realidade. Dois famosos
médiuns, os irmãos Schneider, nasceram no mesmo povoado e um deles teve
a mesma ama de leite que Hitler.

Quando pequeno estudou na abadia de Lambach, onde sonhava ser


sacerdote. Foi neste local que teve seu primeiro contato com o símbolo da
suástica, que teria sido trazida pelo abade Teodorich Hagen, que ordenou
que fosse esculpida em paredes, mesas e objetos de culto de toda a abadia.
Hagen, viajou pelo oriente e era profundo conhecedor de magia e ocultismo.

Nesta mesma época, a abadia recebeu a visita de um padre, Adolf


Joseph Lanz, cujo físico correspondia exatamente ao protótipo da raça
ariana. O padre Lanz se trancou várias vezes na biblioteca do monastério
onde estudou mais de 30 anos de pesquisas feitas pelo abade Hagen.
Segundo Lanz, que posteriormente veio a fundar a Ordem do Novo Templo
e editar o Jornal Ostara em Viena, os únicos seres realmente humanos são
os arianos louros de olhos azuis, o resto não passa de “macacos”, os símios
de Sodoma, evocados na Bíblia, os demônios saídos de Gog e Magog, raças
de cabelos escuros opostas aos arianos. Lanz afirma também que os arianos
são a obra prima de Deus, dotados de poderes paranormais emanados por
“centros de energia - chakras” e “órgão elétricos - kundalini”, que lhes
conferem supremacia sobre qualquer outra criatura.

A raça ariana era tida como a mais perfeita pelos Nazistas.

O Fürer era um vegetariano convicto, não bebia, nem fumava, e esta


atitude sua foi influenciada pela doutrina cátara de pureza, a exemplo da
vida de Átila, o huno. Durante sua fase de pintor em Viena, Hitler se
dedicava ao estudo do ocultismo e da magia e foi um assíduo leitor do
Jornal Ostara publicado por Lanz.

É importante informar quanto ao caráter vegetariano de Hitler, há


controvérsias, "Hitler não era vegetariano. Seu doutor às vezes prescrevia a
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dieta vegetariana para melhorar sua saúde. Goebbles, o Ministro da


Propaganda, tomou esse fato e distorceu-o para criar nas pessoas a idéia de
que o Furer era um homem santo como o contemporâneo vegetariano
Mahatma Gandhi. Hitler trapaceava quanto às ordens de seus médicos e
fingia ser um vegetariano, comendo macarrão recheado com carne picante
e coberto com molho de tomate."

(texto completo em http://www.vegetarianismo.com.br/hitler.html )

Em 1912 era fundada a Sociedade de Thule à qual Hitler veio ter


conhecimento, mas que nunca fez parte, adquirindo porém conhecimentos
desta ordem a partir de seu secretário e lugar-tenente Rudolf Hess. Criada
pelo barão Rudolf von Sebottendorf, que em viagem à Turquia entrou em
contato com iniciados drusos que afirmavam receber seus ensinamentos
espirituais do “Senhor do Mundo” o senhor de Thule ou Shambala - o
governo oculto do mundo, reino dos hiperbóreos. Daí o nome Thule. Para
Von Sebottendorf, a raça dos hiperbóreos (ariana) possuía um poder
oculto: “quem o controlá-lo poderia dominar o mundo” - este poder seria o
vril.

Hitler também teve contado com a ordem do Vril, ligada à Thule.


Esta ordem é um grupo esotérico que continua vivo ainda hoje na Índia, seu
país de origem, onde conta com mais de dois milhões de adeptos.

A palavra vril significa uma reserva formidável de energia presente


no homem e da qual ele utiliza apenas uma ínfima parte. Dentro dos
conhecimentos iogues, vril e kundalini siginifcam a mesma coisa: o fogo
serpentino - o 3o Logos.

Os adoradores do vril veneram o Sol levantando suas mãos em sua


direção numa saudação semelhante à feita pelos nazistas e pelos antigos
egípcios no culto a Rá, o Deus Sol. Os templos deste culto estão decorados
com grande variedade de cruzes gamadas, aliás, na Índia a cruz gamada é
tida como um símbolo de poder, porém ela é escrita em sentido horário,
onde representa a evolução e nos quadrados mágicos da numerologia
judaica tem o valor 360 representando o fogo - a espiritualidade e o Logos.
Os nazistas inverteram a posição da suástica, que veio representar o
elemento terra - Malchut na Cabala, tendo assim o valor 666 - o número da
Besta.

Mas em meio a tudo isto existia algo mais: haviam seitas tibetanas e
sua magia. A Thule e seus seguidores foram profundamente influenciados
pela magia negra tibetana e tiveram mesmo contato com os bompos
tibetanos de barrete negro na Alemanha. Estes teriam sido invocados para
agir politicamente na Europa através de sua magia tântrica.
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Mais uma coisa interessante sobre a personalidade de Hitler, era que


ele tinha a astrologia e a geomancia em alta conta, e as consultava antes de
seus ataques. Aliás, todos os ataques foram feitos seguindo as linhas de
força geomânticas e telúricas da Europa. A consulta ao pêndulo e à
rabdomancia para saber a posição dos barcos aliados era algo costumeiro,
feito muitas vezes por Himmler, uma brilhante mente do nazismo de Hitler.
Acredita-se que Hitler tivesse algum tipo de pacto demoníaco, onde oferecia
os judeus queimados nos fornos para adquirir mais poder para rodar a
suástica invertida sobre toda a Europa e assim conquistar o mundo. E o
teria feito se não tivesse vacilado em seu último combate.

Hitler veio falecer em abril de 1945, e sua morte ainda é uma


incógnita, não se sabe se ele fugiu, suicidou-se ou se foi assassinado. A morte
de Hitler é cercada de profundo mistério, mas recente exposição organizada
em Moscou, as autoridades russas expuseram uma parte superior do que se
supõe ser o crânio de Adolf Hitler, ditador da Alemanha entre 1933 e 1945,
que se suicidou no dia 30 de abril de 1945. Leia sobre os últimos dias que
antecederam a sua morte.

"Se não chegarmos a triunfar não nos restaria senão, ao soçobrarmos,


arrastar conosco metade do mundo neste desastre". - Hitler a
H.Rauschning, "Gesprache".

O ambiente no bunker era tenso, sufocante. Faziam mais de cem


dias, entre entradas e saídas, que um pequeno grupo de funcionários,
oficiais e oligarcas nazistas, estavam lá entocados como lobos acuados ao
redor de Adolf Hitler. Construída nos jardins da Chancelaria do Reich, em
Berlim, a casamata tinha a função de protegê-los dos ataques aéreos aliados
que devastavam a capital da Alemanha. Acentuando ainda mais a situação
troglodita e claustofóbica em que viviam, chegou-lhes a notícia que o
Exército Vermelho estava às portas. No dia 18 de abril de 1945, um colossal
vagalhão blindado de tanques, canhões e aviões, esparramou dois milhões e
meios de soldados russos para as cercanias da cidade. Mais de um milhão
deles combateram uma espetacular batalha de ruas, contra as derradeiras
forças da resistência alemã. Ao preço de 300 mil baixas, os soviéticos
penetraram-na por todos os lados.

A última aparição de Hitler

Hitler ainda recebeu alguns convidados mais próximos para seu


aniversário em 20 de abril. Há uma foto dele na ocasião. Com a gola do
capote levantada, ele cumprimenta, do lado de fora da Chancelaria do
Reich destruída, alguns jovens garotos da juventude nazista que haviam se
destacado na defesa desesperada da cidade. O Führer estava uma ruína
humana. Os últimos acontecimentos haviam-lhe retirado a seiva. Sua tez
acinzentou-se, o rosto encovou-se e os olhos adquiriram uma opacidade de
semimorto. Para consolá-lo e sacudi-lo da letargia depressiva em que se
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encontrava, Joseph Gobbels, seu Ministro da Propaganda, lia-lhe


diariamente trechos da "História de Frederico o Grande", de Carlyle,
especialmente a passagem onde é narrada a milagrosa salvação daquele
capitão-de-guerra prussiano na Guerra dos Sete Anos (1756-63), que
escapou do destino dos derrotados devido a um desacerto ocorrido entre
seus inimigos.

A determinação de ficar ali e travar a batalha final foi tomada


numa reunião no dia 22. Inspirando-se na tradição nórdica do herói que
morre solitariamente num último combate, ou no sepultamento do
guerreiro viquingue incinerado no seu barco de comando, Hitler comunicou
a todos a intenção de comandar pessoalmente as operações. Recebeu,
porém, telefonemas de alguns seguidores e de outros generais que instaram
para que se retirasse enquanto havia tempo. O Führer manteve-se
intransigente. Ninguém o arrastaria para fora da liça.

O atentado de 20 de julho e o desencanto

Uma das razões, mais remotas, da aparência cinzenta e


desencantada de Hitler, resultou do choque que ele teve, nove meses antes,
do atentado cometido contra a sua vida. Naquela ocasião, no dia 20 de julho
de 1944, um grupo de conspiradores, quase todos altos membros da
hierarquia militar e integrantes da nobreza alemã, conseguiram fazer com
que o coronel do estado maior Claus Schenk von Stauffenberg, colocasse
uma bomba no quartel-general do Alto Comando. O artefato explodiu na
sala de reuniões onde Hitler estava presente, mas apenas provocou
pequenas escoriações nele. Refeito do susto, o ditador ordenou uma caçada
em massa contra todos os envolvidos, que terminaram executados depois de
serem sumariamente condenados à morte num Tribunal Popular. O outro
motivo que levou Hitler a desejar suicidar-se, e em seguida ser incinerado,
decorreu da notícia que ele recebeu do destino infausto do ditador fascista
Benito Mussolini. O Duce fora capturado em Dongo, no norte da Itália, por
partisans comunistas, e seu corpo foi exposto, pendurado de cabeça para
baixo num posto de gasolina em Milão, junto ao da sua amante Claretta
Petacci, em 28 de abril de 1945. Hitler temia que seu cadáver fosse
profanado ou levado como troféu de guerra para a URSS.

O casamento e uma traição

Hitler e Eva Braun


Poucos dias depois de ter tomado a decisão definitiva, resolveu
formalizar sua união com Eva Braun, encomendando um casamento de
emergência dentro do abrigo. O casal decidira por fim à vida juntos. Hitler
tinha-se mantido solteiro, até então, em nome da mística que sua solitária
figura messiânica exercia sobre o povo alemão. O salvador não poderia ser
um homem comum, com esposa e filhos, envolvido pela contabilidade
doméstica, e na rotina matrimonial burguesa.
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Teve ainda um espumante ataque de fúria quando soube (ele,


mesmo nos estertores, ainda era informado de tudo), que Heinrich
Himmler, o Reichsführer SS, havia, às suas costas, à socapa, contatado com
o legatário sueco, o conde Bernadotte, para negociar uma paz em separado
com os exércitos ocidentais, que avançavam Alemanha a dentro vindos do
Rio Reno. Numa das suas derradeiras ordens, determinou a expulsão
sumaria dele do Partido Nazista, exonerando-o de todos os cargos de chefia.
Mas aquela altura de nada adiantava.

O momento final

No dia 29 de abril, deu-se a reunião final. O General Weidling,


governador militar de Berlim, e comandante da LVI Panzer Corps, ainda
aventou a possibilidade de uma escapada pelas linhas soviéticas, mas Hitler
o dissuadiu. Não tinham nem tropas, nem equipamento, nem munições,
para qualquer tipo de operação. Era ficar e morrer!

O Führer então despediu-se formalmente das pessoas mais


próximas que ainda o seguiam até aquele momento. Pressentindo o suicídio,
os que estavam no bunker reagiram de uma maneira inesperada. Muitos,
após colocarem discos na vitrola, puseram-se a dançar e alegremente,
confraternizaram com os demais, como se um esmagador peso,
repentinamente, tivesse sido removido de cima deles. O fascínio de feiticeiro
que Hitler exercera sobre eles cessara como que por encanto.

Depois do almoço, no dia 30 de abril, trancou-se com Eva Braun


nos seus aposentos. Ouviu-se apenas um tiro. Quando lá penetraram
encontraram-no com a cabeça estraçalhada à bala e com a pistola caída no
colo. Em frente a ele, em languidez de morta, estava Eva Braun, sem
nenhum ferimento visível. Ela ingerira cianureto, um poderosíssimo
veneno. Eram 15:30 horas! Rapidamente os dois corpos, envolvidos num
encerado, foram removidos para o pátio e, com o auxilio de 180 litros de
gasolina que os embeberam, formaram, incendiados, uma vigorosa pira. Ao
redor deles, uma silenciosa saudação fascista prestou-lhes a homenagem
derradeira.

Berlim, o mausoléu de Hitler

Lá fora, a capital do IIIº Reich também ardia num colossal


braseiro. Monumentos, prédios públicos, palácios, edifícios, casas, praças e
avenidas, pareciam um entulho só. Os sobreviventes, apavorados com o
terrível rugido dos canhões e das bombas, que lhes soavam como se fosse o
acorde final do "Gotterdammerung", o wagneriano "Crepúsculo dos
Deuses", acreditavam que a hora do apocalipse chegara. Berlim, com 250
mil prédios destruídos, virara um cemitério lunar. A grande cidade,
transformada em ruínas, assemelhava-se a um fantástico mausoléu erguido
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pela barragem de fogo aliada para sepultar uma das monstruosidades do


século. Hitler suicidara-se aos 56 anos, e o seu regime, que segundo seus
propagandistas mais pretensiosos deveria ser o Reich de Mil Anos,
naufragou com ele doze anos depois dele ter assumido a Chancelaria da
república alemã, em janeiro de 1933.

O médium do Anticristo
Texto, na íntegra, de Hermínio C. Miranda publicado no Reformador de Março de 1976.

Um jovem de cerca de 20 anos vagava pelo Museu Hofburg, em Viena, como de


costume. estava deprimido como nunca. O dia fora muito frio, pois o vento
trouxera o primeiro anúncio do outono que se aproximava.
Ele temia novo ataque de bronquite que se aproximava. Ele temia novo ataque no
seu miserável quartinho numa pensão barata. Estava pálido, magro e de
aparência doentia. Sem dúvida alguma, era um fracasso.
Fora recusado pela Escola de Belas – Artes e pela Arquitetura. As perspectivas
eram as piores possíveis. Caminhando pelo museu, entrou na sala que guardava
as jóias da coroa dos Hapsburg, gente de uma raça que não considerava de boa
linhagem germânica. Mergulhado em pensamentos pessimistas, nem sequer notou
que um grupo de turistas, orientado por um guia, passou por ele e parou diante
de um pequeno objeto ali em exibição. -"Aqueles estrangeiros – escreveria o
jovem mais tarde – pararam quase em frente ao lugar onde eu me encontrava,
enquanto seu guia apontava para uma antiga ponta de lança.
A princípio, nem me dei ao trabalho de ouvir o que dizia o perito; limitava-se a
encarar a presença daquela gente como intromissão na intimidade de meus
desesperados pensamentos. E, então, ouvi as palavras que mudariam o rumo da
minha vida: "Há uma lenda ligada a esta lança que diz que quem a possuir e
decifrar os seus segredos terá o destino do mundo em suas mãos, para o bem ou
para o mal." Como se tivesse recebido um choque de alertamento, ele agora bebia
as palavras do erudito guia do museu, que posseguia explicando que aquela fora a
lança que o centurião romano introduzira ao lado do tórax de Jesus (João 19:34)
para ver se o crucificado já estava "morto". Tinha uma longa e fascinante
história aquele rústico pedaço de ferro.
O jovem mergulharia nela a fundo nos próximos anos. Chamava-se ele Adolf
Hitler. Voltou muitas vezes mais ao Museu Hofburg e pesquisou todos os livros e
documentos que conseguiu encontrar sobre o assunto. Envolveu-se em mistérios
profundos e aterradores, teve revelações que o atordoaram, incendiaram sua
imaginação e desataram seus sonhos mais fantásticos. Sabemos hoje, em face da
prática e da literatura espírita, que os Espíritos, encarnados e desencarnados,
vivem em grupos, dedicados a causas nobres ou sórdidas, segundo seus interesses
pessoais.
A inteligência e o conhecimento, como todas as aptidões humanas, são neutros em
si mesmos, ou seja, tanto podem ser utilizados na prática do bem como na
disseminação do mal. Dessa maneira, tanto os bons espíritos, como aqueles que
ainda se demoram pelas trevas, elaboram objetivos de longo alcance visando aos
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interesses finais do bem ou do mal. Em tais condições, encarnados e


desencarnados se revezam, neste plano e no outro, e se apoiam mutuamente,
mantendo constantes entendimentos especialmente pela calada da noite, quando
uma parte considerável da humanidade encarnada, desprendida pelo sono,
procura seus companheiros espirituais para debater planos, traçar estratégias,
realizar tarefas, ajustar situações.

Há, pois, toda uma logística de apoio aos Espíritos que se reencarnam com tarefas
específicas, segundo os planos traçados.
Estudando, hoje, a história secreta do nazismo, não nos resta dúvida de que Adolf
Hitler e vários dos seus principais companheiros desempenharam importante
papel na estratégia geral de implantação do reino das trevas na Terra, num
trabalho gigantesco que, obviamente, tem a marca inconfundível do Anticristo.
Para isso, eclodem fenômeno mediúnicos, surgem revelações, encontram-se as
pessoas que deveriam encontrar-se, acontecem "acasos" e "coincidências"
estranhas, juntam-se, enfim, todos os ingredientes necessários ao desdobramento
do trabalho.
August Kubizek descreve uma cena dramática em que Hitler, com apenas 15 anos
de idade, apresenta-se claramente incorporado ou inspirado por alguma entidade
desencarnada. De pé diante de seu jovem amigo, agarrou-lhe as mãos
emocionado, de olhos esbugalhados e fulminantes, enquanto de sua boca fluía
desordenadamente uma enxurrada de palavras excitadas. Kubizek, artudido,
escreve, em seu livro:
- Era como se outro ser falasse de seu corpo e o comovia tanto quanto a mim. Não
era, de forma alguma, o caso de uma pessoa que fala entusiasmada pelo que diz.
Ao contrário, eu sentia que ele próprio como que ouvia atônito e emocionado o
que jorrava com uma força primitiva... Como enxurrada rompendo diques, suas
palavras irrompiam dele. Ele invocava, em grandiosos e inspirados quadros, o seu
próprio futuro e o de seu povo. Falava sobre um Mandato que, um dia, receberia
do povo para liderá-lo da servidão aos píncaros da liberdade- missão especial que
em futuro seria confiada a ele.
Ao que parece, foi o primeiro sinal documentado da missão de Hitler e o primeiro
indício veemente de que ele seria o médium de poderosa equipe espiritual trevosa
empenhada em implantar na Terra uma nova ordem. Garantia-se a Hitler o
poder que ambicionava, em troca da fiel utilização da sua instrumentação
mediúnica. O pacto com as trevas fora selado nas trevas. É engano pensar que
essas falanges espirituais ignoravam as leis divinas. Conhecem-nas muito bem e
sabem da responsabilidade que arrostam e, talvez, até por isso mesmo, articulam
seus planos tenebrosos e audaciosos, porque, se ganhassem, teriam a impunidade
com que sonham milenarmente para acobertar crimes espantosos. Eles conhecem,
como poucos, os mecanismos da Lei e sabem manipular com perícia aterradora os
recursos espirituais de que dispõem.

Vejamos outro exemplo: o relato da Segunda visita de Hitler à lança, narrada


pelo próprio.
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Novamente a sensação estranha de perplexidade. Sente ele que algo poderoso


emana daquela peça, mas não consegue identificar o de que se trata. De pé, diante
da lança, ali ficou por longo tempo a contemplá-la:
· Estudava minuciosamente cada pormenor físico da forma, da cor e da
substância, tentando, porém permanecer aberto à sua mensagem. Pouco a pouco
me tornei consciente de uma poderosa presença em torno dela – a mesma
presença assombrosa que experimentara intimamente naquelas raras ocasiões de
minha vida em que senti que um grande destino esperava por mim.
· Começava agora a compreender o significado da lança – escreve Ravenscroft – e
a origem de sua lenda, pois sentia, intuitivamente, que ela era o veículo de uma
revelação - "uma ponte entre o mundo dos sentidos e o mundo do espírito".
As palavras entre aspas são dos próprio Hitler, que prossegue:
· Uma janela sobre o futuro abriu-se diante de mim, e através dela vi, num único
"flash", um acontecimento futuro que me permitiu saber, sem sombra de dúvida,
que o sangue que corria em minhas veias seria, um dia, o veículo do espírito de
meu povo.
Ravenscroft especula sobre a revelação. Teria sido, talvez, a antevisão da cena
espetaculosa do próprio Hitler a falar, anos mais tarde, ali mesmo em frente ao
Hofburg, à massa nazista aglomerada, após a trágica invasão da Áustria, em
1938, quando ele disse em discurso:
· A Providência me incumbiu da missão de reunir os povos germânicos...com a
missão de devolver minha pátria 1 ao Reich alemão. Acreditei nessa missão. Vivi
por ela e creio que cumpri.
Tudo começara com o impacto da visão da lança no museu. Já naquele mesmo
dia, em que o guia dos turistas chamou sua atenção para a antiqüíssima peça, ele
experimentou estranhas sensações diante dela. Que fascínio poderia ter sobre seu
Espírito - espetacular ele próprio – aquele símbolo cristão ? Qual a razão daquele
impacto? Quanto mais a contemplava, mais forte e, ao mesmo tempo, mais
fugidia e fantástica se tornava a sua impressão.
· Senti como se eu próprio a tivesse detido em minhas mãos anteriormente, em
algum remoto século da História – como se eu a tivesse possuído, como meu
talismã de poder e mantido o destino do mundo em minhas mãos. No entanto,
como poderia isto ser possível? Que espécie de loucura era aquele tumulto no meu
íntimo?
Qual é, porém, a história conhecida da lança? Para saber mais
É o que tentaremos resumir em seguida.
Hitler dedicou-se daí em diante ao estudo de tudo quanto pudesse estar
relacionado com o seu fascinante problema. Cedo foi dar em núcleos do saber
oculto. Um dos seus biógrafos, Alan Bullock (Hitler: A Study in Tiranny), sem ter
alcançado as motivações do futuro líder nazista, diz que ele foi um inconseqüente,
o que se poderia provar pelas suas leituras habituais, pois seus assuntos prediletos
eram a história de Roma antiga, as religiões orientais, ioga, ocultismo,
hipnotismo, astrologia... Parece legítimo admitir que tenha lido também obras de
pesquisa espíritas, porque os autores não especializados insistem em grupar
espiritismo, magia, mediunismo e adivinhação, e muito mais sob o rótulo comum
de ocultismo.
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Sim, Hitler estudou tudo isso profundamente e não se limitou à teoria; passou à
prática. Convencido da sua missão transcendental, quis logo informar-se sobre os
instrumentos e recursos que lhe seriam facultados para levá-lo a cabo. O primeiro
impacto da idéia da reencarnação em seu espírito o deixou algo atônito, como
vimos, na sua primeira crise espiritual diante da lança, no museu de Hofburg;
logo, no entanto, se tornou convicto dessa realidade e tratou a sério de identificar
algumas de suas vidas anteriores. Esses estudos levaram-no ao cuidadoso exame
da famosa legenda do Santo Graal, de que Richard Wagner, um dos seus grandes
ídolos, se serviu para o enredo da ópera Parsifal.
Hitler foi encontrar nos escritos de um poeta do século XIII, por nome Wolfram
von Eschenbach, a fascinante narrativa da lenda, cheia de conotações místicas e
simbolismos curiosos, que captaram a sua imaginação, porque ali a história e a
profecia estavam como que mal disfarçadas atrás do véu diáfano da fantasia.
Mas, Hitler tinha pressa, e, para chegar logo ao conhecimento dos mistérios que o
seduziam, não hesitou em experimentar com o peiote, substância alucinógena
extraída do cogumelo mexicano, hoje conhecida como mescalina. Sob a direção de
um estranho indivíduo, por nome Ernst Pretzsche, o jovem Adolf mergulhou em
visões fantásticas que, mais tarde, identificaria como sendo cenas de uma
existência anterior que teria vivido como Landulf de Cápua, que serviu de modelo
ao Klingsor na ópera de Wagner.
Esse Landulf foi um príncipe medieval (século nono) que Revenscroft declara ter
sido "the most evil figure of the century" – a figura mais infame do século. Sua
influência tornou-se considerável na política de sua época e, segundo Ravenscroft,
"ele foi a figura central em todo o mal que se praticou então".
O Imperador Luiz II conferiu-lhe posto que o situava como a terceira pessoa no
seu reino, e concedeu-lhe honrarias e poderes de toda a sorte. Landulf teria
passado muitos anos no Egito, onde estudou magia negra e astrologia. Aliou-se
secretamente aos árabes que, apesar de dominarem a Sicília, respeitaram seu
castelo, em Carlata Belota, na Calábria. Nesse local sinistro, onde se situara no
passado um templo dedicado aos mistérios, Landulf exercia livremente suas
práticas horríveis e perversas que, segundo Ravenscroft, deram-lhe a merecida
fama de ser o mais temido feiticeiro do mundo. Finalmente, o homem que o
Imperador Luiz II queria fazer Arcebispo de Cápua, depois de elevá-la à
condição de cidade metropolitana, foi excomungado em 875, quando sua aliança
com o Islam foi descoberta.
Ravenscroft informa logo a seguir que, a seu ver, ninguém conseguiu exceder
Wagner em inspiração, quando este coloca, na sua ópera, a figura de Klingsor (
ou seja, Landulf) como um mago a serviço do Anticristo.
Aliás, muitas são as referências ao Anticristo no livro do autor inglês, em conexão
com a trágica figura de Adolf Hitler. Ainda veremos isto.
Guiado pela sua intuição, Wagner tranpôs para o terreno da arte, na sua genial
ópera, o objetivo de Klingsor e seus adeptos, que era "cegar as almas por meio da
perversão sexual e privá-las da visão espiritual, a fim de que não pudessem ser
guiadas pelas hierarquias celestiais". Essa atividade maligna Landulf desenvolveu
em seu tempo e suas horríveis práticas teriam exercido "devastadora influência
nos líderes seculares da Europa cristã", conforme Ravenscroft. Mas Hitler
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acreditava-se também uma reencarnação de Tibério, um dos mais sinistros dos


Césares. É fato sabido hoje que ele tentou adquirir ao Dr. Axel Munthe, autor de
O Livro de San Michele, a ilha deste nome, que, em tempos idos fora o último
reduto de Tibério, que lá morreu assassinado. O Dr. Munthe se recusou a vender
a ilha porque ele próprio acreditava ter sido Tibério, o que não parece muito
congruente com a sua personalidade. Aliás, as especulações ocultistas (usemos a
palavra) dos líderes nazistas estão cheias de fenômenos psíquicos e de buscas no
passado. Goering dizia, com orgulho, que sempre se encarnou ao lado do Führer.

Ao tempo de Landulf, ele teria sido o Conde Boese, amigo e confidente do


príncipe feiticeiro, e no século XIII fora Conrad de Marburg, amigo íntimo do
bispo Klingsor, de Wartburg. Goebbels, o ministro da Propaganda nazista,
acreditava-se Ter sido Eckbert de Meran, bispo de Bamberg, no século XIII, que
teria apresentado Klingsor ao rei André da Hungria.2 Se essas encarnações estão
certas ou não, não cabe aqui discutir, mas tais especulações evidenciam o
interesse daqueles homens pelos mistérios e segredos das leis divinas, que
precisavam conhecer para melhor desrespeitar e burlar. Por outro lado, contêm
alguma lógica, quando nos lembramos de certos aspectos que a muitos passam
despercebidos. Muitos espíritos reencarnaram-se com o objetivo de infiltrarem-se
nas hostes daqueles que pretendem combater, seja para destruir, seja para se
apossarem da organização, sempre que esta detenha alguma parcela substancial
de poder. Não seria de admirar-se, pois que um grupo de servidores das trevas,
com apoio das trevas, aqui e além, fosse alçado a postos de elevada influência
entre a hierarquia cristã da época, quando a Igreja desfrutava de incontestável
poder.
O papado não esteve imune – longe disso - e por várias vezes caiu em mãos de mal
disfarçados emissários de Anticristo. Lembremos outro pequeno e quase
imperceptível pormenor. Recorda-se o leitor daquela observação veiculada por
um benfeitor espiritual que relatou haver sido traçada, no mundo das trevas, a
estratégia do sexo desvairado, a fim de desviar os humanos dos caminhos retos da
evolução? Sexo transviado e magia negra são aliados constantes, ingredientes do
mesmo caldo escuro, onde se cultivam as paixões mais torpes. Quantos não se
perderam por ai...
1 Hitler era austríaco. Nasceu em 20 de abril de 1889, na encantadora vila de
Braunau-am-Inn, onde também nasceram os famosos médiuns Willy e Rudi
Scheider.
2 Segundo apurou Ravenscroft, esse Bispo Klingsor seria o CVonde de Acerra,
também de Cápua, um tipo sinistro, profundamente envolvido em magia negra
e que, como Landulf, séculos antes, reuniu em torno de si um círculo de adeptos
que incluia eminentes personalidades eclesiásticas da época. Afirma, ainda, o
autor que foi nesse grupo que se concebeu o medonho monstro da Inquisição.

O Médium do Anticristo II

Alfred Rosemberg, o futuro teórico do nazismo, era então o profeta do


Anticristo e se incumbia de questionar os Espíritos manifestantes. Ravenscroft
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afirma que teria sido Rosemberg quem pediu a presença da própria Besta do
apocalipse, que na sua opinião(de Rovenscroft), sem dúvida dominava o corpo e a
alma de Adolf Hitler, através das óbvias faculdades mediúnicas deste. Essa
manifestação do Anticristo em Hitler foi assegurada por mais de uma pessoa,
além do lúcido e tranqüilo Dr. Walter Johannes Stein. Um desses foi outro
estranho caráter, por nome Houston Stewart Chamberlain, um inglês que se
apaixonou pela Alemanha e pela causa nazista. Ravenscroft classifica-o como
genro de Wagner e profeta do mundo pangermânico.
Também escrevia suas teses anti-racistas em transe, segundo atestou nada menos
que o eminente General Von Moltke, de quem ainda diremos algo importante
daqui a pouco Chamberlain era considerado um digno sucessor do gênio de
Friederich Nietzsche e, segundo o próprio Hitler, em "Mein Kampf", "um dos
mais admiráveis talentos na história do pensamento alemão, uma verdadeira
mina de informações e de idéias". Foi quem expandiu as idéias de Wagner,
desvirtuando-as perigosamente, ao pregar a superioridade da raça ariana.
Segundo testemunho de Von Moltke, Chamberlain evocou inúmeros vultos
desencarnados da história mundial e confabulou com eles. Que era uma
inteligência invulgar, não resta dúvida. Os poderes das trevas escolheram bem
seus emissários. Enganam-se, também, redondamente, aqueles que consideram
Hitler um doido inconseqüente que tentou, na sua loucura, botar fogo no mundo.
A julgar por todas essas revelações que ora nos chegam ao conhecimento, ele
sabia muito bem o seu papel em todo esse drama. Recebeu uma fatia de poder a
troco de certa missão muito específica. No domínio do mundo, se o tivesse
conseguido, ele continuaria a desfrutar de posição "invejável", como prêmio a um
trabalho "bem feito". Ainda bem que falhou, pois a amostra foi terrível.
Como se explicaria, sem esse apoio maciço de espíritos encarnados e
desencarnados, que um jovem pintor sem êxito, pobre, abandonado à sua sorte,
rejeitado pela sociedade, tenha conseguido montar o mais tenebrosos instrumento
de opressão que o mundo já conheceu? Como se explicaria que seu partido tenha
emergido de um pequeno grupo político, falido e obscuro, senão que os Espíritos
seus amigos o indicaram como sendo o primeiro degrau de escada que o levaria
ao poder? Hitler ainda se aprofundaria muito mais nos mistérios da sua missão
tenebrosa.
Precisava receber instruções mais específicas, e , como sabemos, tudo se arranja
para que assim seja. A hora chegaria, no momento exato, com a pessoa já
programada para ajudá-la. Um desses homens chamou-se Dietrich Eckhart. Sua
história á algo fantástico, mas vale a pena passar ligeiramente sobre ela, a fim de
entendermos seu papel junto a Hitler, que, antes de encontrar-se com Eckhart,
fizera apenas preparativos para o vestibular da magia e do ocultismo. Dietrich
Eckhart era um oficial do exército, de aparência afável e jovial e, ao mesmo
tempo, no dizer de Ravenscroft, "dedicado satanista, o supremo adepto das artes
e dos rituais da magia negra e a figura central de um poderoso e amplo círculo de
ocultistas – O Grupo Thule". Foi um dos setes fundadores do partido nazista, e,
ao morrer, intoxicado por gás de mostarda, em Munich, em dezembro de 1923,
disse, exultante:
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· Sigam Hitler! Ele dançará, mas a música é minha. Iniciei-o na "Doutrina


Secreta", abri seus centros de visão e dei-lhe os recursos para se comunicar com
os Poderes. Não chorem por mim: terei influenciado a História mais do que
qualquer outro alemão.
Suas palavras não são mero delírio de paranóico. Há muito, nas suas desvairadas
práticas mediúnicas, havia recebido "uma espécie de anunciação satânica de que
estava destinado a preparar o instrumento do Anticristo, o homem inspirado por
Lúcifer para conquistar o mundo e liderar a raça ariana à glória". Quando Adolf
Hitler lhe foi apresentado, ele reconheceu imediatamente o seu homem, e disse
para seus perplexos ouvintes: - Aqui está aquele de quem eu fui apenas o profeta
e o precursor.
Coisas espantosas se passaram no círculo mais íntimo e secreto do Grupo Thule,
numa série de sessões mediúnicas (Ravenscroft chama-as, indevidamente, de
sessões espíritas...), das quais participavam dois sinistros generais russos e outras
figuras tenebrosas.

A médium, descoberta por certo Dr. Nemirocitch-Dantchenko, era uma pobre


ignorante camponesa, dotada de variadas faculdades. Expelia pelo órgão genital
enormes quantidades de ectoplasma, do qual se formavam cabeças de entidades
materializadas que, juntamente com outras, incorporadas na médium,
transmitiam instruções ao círculo de "eleitos". Certa manhã de setembro de 1912,
Walter Stein e seu jovem amigo Adolf Hitler subiram juntos as escadarias do
museu Hofburg. Em poucos minutos encontravam-se diante da Lança de
Longinus, posta, como sempre, no seu estojo de desbotado veludo vermelho.
Estavam ambos profundamente emocionados, por motivos diversos, é claro, mas,
seja como for, o disparador daquelas emoções era a misteriosa lança. Dentro em
pouco, Hitler parecia Ter passado a um estado de transe, "um homem – segundo
Ravenscroft – sobre o qual algum espantoso encantamento mágico havia sido
atirado" . Tinha as faces vermelhas e seus olhos brilhavam estranhamente. Seu
corpo oscilava, enquanto ele parecia tomado de inexplicável euforia.
· Toda a sua fisionomia e postura – escreve Rovenscroft, que ouviu a narrativa do
próprio Stein – pareciam transformadas, como se algum poderoso Espírito
habitasse agora a sua alma, criando dentro dele e à sua volta uma espécie de
transfiguração maligna de sua própria natureza e poder.
Walter Stein pensou com seus botões: Estaria ele presenciando uma incorporação
do Anticristo? É difícil responder, mas é certo que terrífica presença espiritual ali
estava mais do que evidente. Inúmeras outras vezes, em todo o decorrer de sua
agitada existência, testemunhas insuspeitas e desprevenidas haveriam de notar
fenômenos semelhantes de incorporação, especialmente quando Hitler
pronunciava discursos importantes ou tomava decisões mais relevantes.
Ao narrar o fenômeno a Ravenscroft, 35 anos depois, o Dr. Stein diria que: -
...Naquele instante em que pela primeira vez nos postamos juntos, de pé, ante a
Lança de Longinus, pareceu-me que Hitler estava em transe tão profundo que
passava por uma privação quase completa de seus sentidos e um total eclipse de
sua consciência. Hitler sabia muito bem da sua condição de instrumento de
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poderes invisíveis. Numa entrevista à imprensa, documentou claramente esse


pensamento, ao dizer:
· Movimento-me como um sonâmbulo, tal como me ordena a Providência.
Havia nele súbitas e tempestuosas mudanças de atitude. De uma placidez fria e
meditativa, explodia, de repente, em cólera, pronunciando, alucinadamente, uma
torrente de palavras, com emoção e impacto, especialmente quando a conversa
enveredava pelos temas políticos e raciais. Stein presenciou cenas assim no velho
café em que costumava encontrar-se com seu amigo, em Viena, ali por volta de
1912/1913.
Passada a explosão, Hitler recolhia-se novamente ao seu canto, como se nada
tivesse ocorrido. Naqueles estados de exaltação, transformava-se o seu modo de
falar e sua palavra alcançava as culminâncias da eloqüência e da convicção. Era
como se um poder magnético a elas se acrescentasse, de tal forma que ele
facilmente dominava seus ouvintes. Seus próprios companheiros notariam isso
mais tarde, em várias oportunidades.

· Ao se ouvir Hitler – escreveu Gregor Strasser, um ex-nazista – tem-se a visão de


alguém capaz de liderar a humanidade à glória. Uma luz aparece numa janela
escura. Um homem com um bigode cômico transforma-se em arcanjo. De repente,
o arcanjo se desprende e lá está Hitler sentado, banhado em suor, com os olhos
vidrados.
Tudo fora muito cuidadosamente planejado e executado, inclusive com os sinais
identificadores, para que ninguém tivesse dúvidas. Nas trágicas sessões
mediúnicas do Grupo Thule, fora anunciado que o Anticristo se manifestaria
depois que seu instrumento passasse por uma ligeira crise de cegueira. Isto se
daria ali por volta de 1921, e seu médium teria, então, 33 anos.
Aos 33 anos de idade, em 1921, depois de recuperado de uma cegueira
temporária, Hitler assumiu a incontestável liderança do Partido Nacional
Socialista, que o levaria ao poder supremo na Alemanha, e, quase, no mundo. De
tanto investigar os mistérios e segredos da história universal, em conexão com os
poderes invisíveis, Hitler se convenceu de realidades que escapam à maioria dos
seres humanos. A história é realmente o reflexo de uma disputa entre a sombra e
a luz, representadas, respectivamente, pelos Espíritos que desejam o poder a
qualquer preço e por aqueles que querem implantar na Terra o reino de Deus,
que anunciou o Cristo.
Hitler sabia, por exemplo, que os Espíritos trabalham em grupos, segundo o seus
interesses e por isso se reencarnam também em grupos, enquanto seus
companheiros permanecem no mundo espiritual – na sombra ou na luz, conforme
seus propósitos – apoiando-se mutuamente. Não é à toa que Göering e Goebbels,
como vimos, reconheciam-se como velhos companheiros de Hitler. Este, por sua
vez, estava convencido de que um grupo enorme de Espíritos, que se encarnara
no século IX, voltara a encarna-se no século XX. O notável episódio ocorrido com
o eminente General Von Moltke parece confirmar essa idéia.

Vamos recordá-lo, segundo o relato de Ravenscroft.


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Foi ainda na Primeira Guerra Mundial. No imenso e trágico tabuleiro de xadrez


em que se transformara a Europa, havia um plano militar secreto, sob o nome de
Plano Schlieffen, que previa a invasão da França através da Bélgica, antes que a
Russia estivesse em condições de entrar em ação. Helmuth Von Moltke era Chefe
do Estado-Maior do Exército Alemão, sob o Kaiser. Coube-lhe a responsabilidade
de introduzir alguns aperfeiçoamentos no plano e aguardar o momento de pô-lo
em ação, se e quando necessário.
O momento chegou em junho de 1914. Jogava-se a sorte da Europa. Von Moltke
passou a noite em claro, na sede do Alto Comando, tomando as providências de
última hora para que o plano entrasse em ação imediatamente. Estudava mapas,
expedia ordens, conferenciava com seus oficiais. O destino de sua pátria estava
em suas mãos e ele sabia disso. No auge da atividade, o eminente General perdeu
os sentidos sobre a mesa de trabalho. Parecia Ter tido um enfarte.
Chamaram um médico, enquanto seus camaradas, muito apreensivos
depositavam o seu corpo no sofá. Nenhuma doença foi diagnosticada. Na verdade,
Von Moltke estava em transe.
Sua metódica e brilhante inteligência não previra a interferência da mão do
destino, como diz Ravenscroft. Ou seria a mão de Deus? Julgou-se, a princípio,
que o poderoso General estivesse morrendo. Mal se percebia sua respiração e o
coração apenas batia o necessário para manter a vida; olhos abertos vagavam,
apagados, de um lado para outro.
O eminente General Helmuth Von Moltke estava experimentando uma crise
espontânea de regressão de memória, durante a qual em vívidas imagens que se
desdobravam diante de seus olhos espirituais, ele se viu como um dos Papas do
século IX, Nicolau I, o Grande, que a Igreja canonizou. Há estranhas
"coincidências" aqui. Segundo os historiadores, Nicolau ascendeu ao trono papal
mais por influência do Imperador Luis II do que pela vontade do clero. Lembra-
se o leitor de que Luiz II foi o mesmo que protegeu o incrível Landulf, príncipe de
Cápua? E que Landuf, um milênio depois, seria Adolf Hitler? Nicolau foi um
papa enérgico e brilhante.
Governou somente nove anos incompletos, de 858 a 867, mas teve de tomar
decisões momentosas e que exerceram profunda influência na História. Foi no seu
tempo que se definiu mais nitidamente a tendência separatista entre as igrejas do
ocidente e a do oriente. Foi ele quem elevou a novas culminâncias a doutrina da
plenitude do poder papal. Segundo seu pensamento, o imperador era apenas um
delegado, incumbido do poder civil. Enquanto essas vivências desfilavam diante
de seus olhos, Von Moltke, ainda estendido no sofá, vivia a curiosa experiência de
estar situado entre duas vidas; separadas por mil anos.
Em torno dele, entre as ansiosas figuras de seus generais, ele identificava alguns
de seus antigos cardeais e bispos. Uma das personalidades que ele também
identificou naquele desdobramento foi a de seu tio, o ilustre Marechal- de-
Campo, também chamado Helmuth Von Moltke, o maior estrategista de sua
época e que lutou na guerra de 1870. Fora também uma das poderosas figuras
medievais, o Papa Leão IV, o chamado pontífice-soldado, que organizou a defesa
de Roma e comandou seus próprios exércitos. Outra figura identificada foi o
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General Von Schlieffen, autor do famoso plano Schlieffen, que também


experimentara as culminâncias do poder papal, sob o nome de Bento II.
Ao despertar de sua singular experiência com o tempo, o General Von Moltke
estava abalado até às raízes de seu ser. Caberia a ele, um ex-Papa, deslanchar
todo aquele plano de destruição e matança? Se não o fizesse, o que aconteceria à
sua então pátria? Diz Ravenscroft que, após se reformas, Von Moltke escreveu
minucioso relato daquela experiência notável. Também ele se deixou envolver
pelo misterioso fascínio da Lança de Longinus, que certa vez visitou em
companhia de outro General, seu amigo; e, segundo o escritor inglês, conseguiu
apreender o verdadeiro sentido e importância daquela peça, "como um poderoso
símbolo apocalíptico".
Acreditava ele que se deveram à sua própria atitude negativa, como Nicolau I, em
relação ao intercâmbio com o mundo espiritual, os trágicos desenganos que se
sucederam na História subseqüente, a começar pela separação da cristandade em
duas e o progressivo abandono da realidade espiritual em favor das doutrinas
materialistas, que "virtualmente aprisionaram a criatura no mundo fenomênico
da medida, do número, do peso, tornando a própria existência da alma humana
objeto de dúvida e debate" (Ravenscroft). Por isso tudo, ao se erguer do sofá, Von
Moltke era outra criatura.
Como explicar tudo aquilo aos seus companheiros? Que decisões tomar agora, na
perspectiva do tempo e dos lamentáveis enganos que havia cometido no passado,
em prejuízo do curso da História? Parece, no entanto, que não dispunha de
alternativa. Como Longinus, tinha de praticar um ato de aparente violência, para
contornar uma crueldade maior. Tudo continuou como fora planejado, mas o
Chefe do Estado-Maior não continuou como fora. Aliás, ao ser elevado àquela
posição pela sua inesgotável e indiscutível capacidade profissional, houve dúvidas,
em virtude do seu temperamento meditativo e tranqüilo.
Seria realmente um bom General no momento de crise que exigisse decisões
drásticas? Era o que se perguntavam seus adversários, mesmo reconhecendo sua
enorme autoridade técnica. Ao se retirar do comando, diz Ravenscroft que ele era
um homem arrasado, porque mais do que nunca estava consciente da tragédia de
viver num mundo em que a violência e a matança pareciam ser os únicos
instrumentos capazes de "despertar a humanidade para as realidades
espirituais".
Após a sua desencarnação, em 1916, com 68 anos de idade, Von Moltke passou a
transmitir uma série de comunicações através da mediunidade de sua esposa
Eliza Von Moltke. Ah! que documento notável deve ser esse! Foi numa dessas
mensagens que o Espírito do antigo Chefe do Estado-Maior informou que o
Führer do Terceiro Reich seria Adolf Hitler, àquela época um obscuro e agitado
político, aparentemente sem futuro. Foi também ele que, em Espírito, confirmou
a antiga encarnação de Hitler como Landulf de Cápua, o terrível mágico
medieval que vinha agora repetir, nos círculos mais fechados do Partido, os
rituais de magia negra, cujo conhecimento trazia nos escaninhos da memória
integral.
Faltavam ainda algumas peças importantes para consolidar as conquistas do
jovem Hitler, mas todas elas apareceriam no seu devido tempo e executariam as
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tarefas para as quais haviam sido rigorosamente programadas nos tenebrosos


domínios do mundo espiritual inferior. O General Eric Ludendorff seria uma
delas. Von Moltke identificou-o com outro papa medieval, que governou sob o
nome de João VIII, que Ravenscroft classifica como "o pontífice de mais negra
memória que se conhece em toda a história da Igreja Romana, que, como amigo
de Landulf de Cápua, ajudou-o nas suas conspirações no século IX". Novamente,
sob as vestes de Eric Ludendorff, o antigo Papa daria a mão para alçar Landulf
(agora Adolf) ao poder.
Outro elemento importante, nessa longa e profunda reiniciação de Hitler, foi Karl
Haushofer, que, no dizer de Ravenscroft, "não apenas sentiu o hálito da Besta
Apocalíptica 3 no controle do ex-cabo demente, mas também buscou,
conscientemente e com maligna intenção, ensinar a Hitler como desatrelar seus
poderes contra a humanidade, na tentativa de conquistar o mundo". É um tipo
estranho e mefistofélico esse Haushofer, mas, se fôssemos aqui estudar todo o
elenco de extravagantes personalidades que cercaram Hitler, seria preciso
escrever outro livro. Diz, porém, Ravenscroft que foi Haushofer quem despertou
em Hitler a consciência para o fato de que operavam nele as motivações da "
Principalidade Luciferina", a fim de que "ele pudesse torna-se veículo consciente
da intenção maligna no século vinte". (destaque do autor).

Vejamos mais um episódio.

Em 1920, era tão patente, através da Alemanha, essa expectativa messiânica, que
foi lançado na Universidade de Munich um concurso de ensaios sobre o tema
seguinte: "Como deve ser o homem que liderará a Alemanha de volta às
culminâncias de sua glória?" O vultoso prêmio em dinheiro foi oferecido por um
milionário alemão residente no Brasil (não identificado por Ravenscroft) e quem
o ganhou foi um jovem chamado Rudolf Hess que, em tempos futuros, seria o
segundo homem da hierarquia nazista! Sua concepção desse messias político
guarda notáveis similitudes com a figura do Anticristo descrita nos famosos (e
falsos) "Protocolos do Sião", segundo Ravenscroft. Consta que Hitler considerava
Rudolf Steiner, o místico, vidente e pensador austríaco como seu arquiinimigo.
Segundo informa Ravenscroft, Steiner, em desdobramento espiritual, penetrava,
conscientemente, os mais secretos e desvairados encontros, onde se praticavam
rituais atrozes para conjurar os poderes que sustentavam a negra falange
empenhada no domínio do mundo. Que andaram muito perto dessa meta, não
resta dúvida.
Conheciam muito bem a técnica do assalto ao poder sobre o homem, através do
próprio homem. Hugh Trevor-Roper, no seu livro "The Last Days of Adolf
Hitler", transcreve uma frase do Führer, que diz o seguinte: Não vim ao mundo
para tornar melhor o homem, mas para utilizar-me de suas fraquezas. Estava
determinado a cumprir sua missão a qualquer preço. - Jamais capitularemos –
disse, certa vez, repetindo o mesmo pensamento de sempre. – Não. Nunca.
Poderemos ser destruídos, mas, se o formos, arrastaremos o mundo conosco – um
mundo em chamas. Muito bem. É tempo de concluir. Por exemplo, o que
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aconteceu com a Lança de Longinus? Continua no Museu de Hofburg, em Viena,


para onde foi reconduzida após novas aventuras.
Primeiro, Hitler tomou posse dela, ao invadir a Austria, em 1938 e lançou-a para
a Alemanha, cercada de tremendas medidas de segurança. Lá ficou ela em
exposição, guardada dia e noite, pelos mais fiéis nazistas. Quando a situação da
guerra começou a degenerar para o lado alemão, construiu-se secretíssima e
inviolável fortaleza subterrânea para guardá-la. Apenas meia dúzia de elevadas
autoridades do governo sabiam do plano. Uma porta falsa de garagem disfarçava
a entrada desse vasto e sofisticado cofre-forte, em Nüremberg, que o Führer
ordenou fosse defendido até à última gota de sangue. Quando se tornou evidente
que o Terceiro Reich se desmoronava de fato, ante o avanço implacável das
tropas aliadas, Himmler achou que a Lança de Longinus precisava de um abrigo
alternativo.
Uma série de providências foi propaganda, com uma remoção fictícia, para um
ponto não identificado da Alemanha; e outra, verdadeira, sob o véu do mais
fechado segredo, para um novo esconderijo, onde o talismã do poder ficaria a
salvo dos inimigos do nazismo. Por uma dessas misteriosas razões, no entanto, um
dos cinco ou seis oficiais nazistas que sabiam do segredo, ao fazer a lista das peças
que deveriam ser removidas, mencionou a Lança de Mauritius, aliás, o nome
oficial da peça.
Acontece que, entre as peças históricas do Reich, havia uma relíquia de nome
parecido, ou seja, "A Espada de Mauritius", e esta foi a peça transportada, e não
a Lança de Longinus.

Na Confusão que se seguiu, ninguém mais deu pelo engano, e o oficial que o
cometeu, um certo Willi Liebel, suicidou-se pouco antes do colapso total do Reich.
A essa altura, Nüremberg não era mais que um monte de ruínas e, por outro
estranho jogo de "coincidências", um soldado americano. Perambulando pelas
ruínas, descobriu um túnel que ia dar em duas portas enormes de aço com um
mecanismo de segredo tão imponente como o das casas-fortes dos grandes bancos
mundiais. Alguma coisa importante deveria encontrar-se atrás daquelas portas.
E assim, às 14h10m do dia 30 de abril de 1947, a legítima Lança de Longinus
passou às mãos do exército americano. Naquele mesmo dia, como se em
cumprimento de misterioso desígnio, Hitler suicidou-se nos subterrâneos da
Chancelaria, em Berlim.
Como ficou dito atrás, a Lança de Longinus encontra-se novamente no Museu
Hofburg, em Viena. Estará à espera de alguém que venha novamente disputar a
sua posse para dominar o mundo? Vejamos, para encerrar, algumas
considerações de ordem doutrinária.
Haverá mesmo algum poder mágico ligado aos chamados talismãs? Questionados
por Allan Kardec ( perguntas 551 a 557), os Espíritos trataram sumariamente da
questão, ensinando, porém, que "Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum
sinal cabalístico, nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíritos,
porquanto estes só são atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais".
Continuando, porém, a linha do seu pensamento, Kardec insistiu, com a pergunta
554, formulada da seguinte maneira:
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· Não pode aquele que, com ou sem razão, confia no que chama a virtude de um
talismã, atrair um Espírito, por efeito mesmo dessa confiança, visto que, então, o
que atua é o pensamento, não passando o talismã de um sinal que apenas lhe
auxilia a concentração?
· É verdade - respondem os Espíritos – mas da pureza da intenção e da elevação
dos sentimentos depende a natureza do espírito que é atraído.
Os destaques são meus e a resposta à pergunta 554 prossegue, abordando outros
aspectos que não vêm ao caso tratar aqui. Nota-se, porém, que os espíritos
confirmaram que os chamados talismãs servem de condensadores de energia e
vontade, e podem, portanto, servir de suporte ao pensamento daquele que deseja
atrair companheiros desencarnados para ajudá-lo na realização de seus interesses
pessoais.
Disseram mais: que os Espíritos atraídos estarão em sintonia moral com aqueles
que os buscam, ou seja, se as intenções e os sentimentos forem bons, poderão
acudir Espíritos bondosos; se, ao contrário, as intenções forem malignas, virão os
Espíritos inferiores.
Por toda parte, no livro de Trevor Ravenscroft, há referências repetidas de que
duas ordens de Espíritos estão ligadas à mística da Lança de Longinus: os da luz e
os das trevas, segundo as intenções de quem os evoca. Além disso, é preciso
lembrar que os objetos materiais guardam, por milênio a fora, certas
propriedades magnéticas, que preservam a sua história.
Essas propriedades estão hoje cientificamente estudadas e classificadas como
fenômenos de psicometria, tão bem observados, entre outros, por Ernesto
Bozzano.

Médiuns psicômetras, em contato com objetos, conseguem rever, às vezes com


notável nitidez, cenas que se desenrolaram em torno da peça de ferro deve estar
altamente magnetizada pelos acontecimentos de que foi testemunha, desde que foi
forjada alhures nos tempos bíblicos, passando pelo momento do Calvário, diante
do Manso Rabi agonizante, até que Hitler a perdeu em abril de 1945. Seja como
for, a peça reúne em torno de si uma longa e trágica história, tão fascinante que
tem incendiado, através dos séculos, a imaginação de muitos homens poderosos e
desatado muitas paixões nefandas.
E, como explicaria os Espíritos a Kardec, não é a Lança por si mesma que move
os acontecimentos, é o pensamento dos homens que se concentram nela e querem
a todo preço fazer valer o poder que se lhe atribui. Nisso, ela é realmente um
talismã. Ainda uma palavra antes de encerrar. É certo que Hitler foi médium
dedicado e desassombrado de tremendos poderes das trevas. Esses irmãos
desarvorados, que se demoram, por milênios sem conta, em caliginosas regiões do
mundo espiritual, por certo não desistiram da aspiração de conquistar o mundo e
expulsar a luz para sempre, se possível.
Tudo farão para obter esse galardão com o qual sempre sonharam, muito embora
a nós outros não nos assista o direito de duvidar de que lado ficará a vitória final.
Nesse ínterim, porém valer-se-ão de todos os meios, de todos os processos, para
alcançarem seus fins. É claro, também, que não se empenham apenas no setor
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político-militar, por exemplo como Hitler, mas, também procuram conquistar


organizações sociais e religiosas que representem núcleos de poder.
É evidente a obra maligna e hábil que se realizou com a Igreja, infiltrando-a em
várias oportunidades e em vários pontos geográficos, mas sempre nos altos
escalões hierárquicos, de onde melhor podem influenciar os acontecimentos e a
própria teologia. O movimento espírita precisa estar atento a essas investidas,
pois é muito apurada a técnica da infiltração. O lobo adere ao rebanho sob a pele
do manso cordeiro; ele não pode dizer que vem destruir, nem pode apresentar-se
como inimigo; tem de aparecer com um sorriso sedutor, de amizade e modéstia,
uma atitude de desinteresse e dedicação, um desejo de servir fraternalmente, sem
condições e, inicialmente, sem disputar posições.
Muitas vezes, esses emissários das sombras nem sabem, conscientemente, que
estão servindo de instrumentos aos amigos da retaguarda. A sugestão pós-
hipnótica foi muito bem aplicada por Espíritos altamente treinados na técnica da
manipulação da mente alheia. É a utilização da fraqueza humana de que falava
Hitler.
A estratégia é brilhantíssima e extremamente sutil, como, por exemplo, a da
"atualização" e da "revisão" das obras básicas da Codificação, a da criação de
movimentos paralelos, o envolvimento de figuras mais destacadas no movimento
em ardilosos processos de aparência inocente ou inócua. Estejamos atentos,
porque os tempos são chegados e virão, fatalmente, vigorosas investidas, antes
que chegue a hora final, numa tentativa última, desesperada, para a qual valerá
tudo. Muita atenção. Quem suspeitaria de Adolf Hitler, quando ele compareceu,
pela primeira vez, a uma reunião de meia dúzia de modestos dirigentes do Partido
dos Trabalhadores?

A grande Alemanha, um sonho


esotérico
Entrevista com Giorgio Galli a respeito das raízes ocultistas do
nazismo, que estão entre as fontes da idéia de que o “espaço
vital” do Terceiro Reich deveria chegar até os Urais. Um
aspecto pouco estudado pelos historiadores, do qual se voltou
a falar depois da queda do muro de Berlim

de Paolo Mattei
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O professor Giorgio Galli não se considera apto a avaliar o


esoterismo “por dentro”. Mas é um reconhecido estudioso do tema. A
posição que assume, em suas palavras, “é a de um historiador e
politólogo que considera que a cultura esotérica se entrelaça com a
historiografia e as ciências políticas mais do que essas disciplinas
consideraram até hoje”.
Foi também com esse posicionamento que estudou a história do
Terceiro Reich, publicando o resultado de seu trabalho num livro de
1989 que se tornou famoso: Hitler e il nazismo magico. Le componenti
esoteriche del Reich millenario (Milão, Rizzoli). Galli enxerga
coincidências significativas no ano de 1989: é o centenário do
nascimento de Hitler, mas também o bicentenário da Revolução
Francesa. Como explica no prefácio à segunda edição do livro, “esse ano
de 1989 entraria para a história graças à revolução no Leste: exatamente
um século depois do nascimento do Führer, caía o muro de Berlim,
premissa de uma Alemanha novamente unida, potência hegemônica na
Europa”.
Depois de quinze anos e de tantos fatos, depois da tragédia de 11 de
setembro de 2001, estopim para guerras que continuam até hoje, a
história de violência e morte da qual Hitler e o nazismo foram
protagonistas continua a suscitar perguntas inquietantes, e a impor-se No alto, um cartaz das SS (Schutz-Staffeln,
como parâmetro para medir a violência e a morte que todos os dias se “Esquadrões de Proteção”), com a estilização
rúnica da sigla. Os símbolos rúnicos foram
espalham pelos lugares do mundo martirizados pelos conflitos. O estudados por Guido von List, um esoterista
possível substrato ocultista, mágico e esotérico do nazismo desperta o que foi referência para Adolf Hitler (embaixo)
nos anos de sua formação intelectual
interesse de muita gente. A televisão tratou do tema várias vezes, e neste
último ano ao menos dois livros tiveram razoável difusão na Itália de
Giorgio Galli (Marco Dolcetta, Nazionalsocialismo esoterico, Roma,
Cooper Castelvecchi, 2003; Mel Gordon, Il mago di Hitler. Eric Jan
Hanussen: un ebreo alla corte del Führer, Milão, Mondadori, 2004).
Dirigimos algumas perguntas ao historiador, autor, entre outros
ensaios sobre esoterismo e política, de La politica e i maghi (Milão,
Rizzoli, 1995), Politica ed esoterismo alle soglie del 2000 (Milão,
Rizzoli, 1992) e Appunti sulla new age (Milão, 2003), obra na qual
analisa esse movimento cultural a partir também de documentos
pontifícios.

Em seu ensaio sobre o Nazismo mágico, o senhor identifica uma


“ponte esotérica” entre a Inglaterra e a Alemanha, entre teorias e
sociedades esotéricas e ocultistas presentes nas duas nações na
passagem do século XIX para o XX. Essa ponte chegaria até os
fundadores do nazismo. Como seria isso?
GIORGIO GALLI: Entre o final do século XIX e o início do século
XX, as tradições esotéricas ganharam novo vigor tanto na Alemanha
quanto na Inglaterra. Efetivamente, uma “ponte esotérica” entre os dois
Estados, a ponte da Ordem Rosa-cruz, remonta já ao século XVII,
inserida no quadro de uma cultura ocultista que não foi estranha à
Guerra dos Trinta Anos, que devastou a Alemanha. Nas últimas décadas do século XIX, as relações entre os grupos
esotéricos ingleses e alemães recobram sua força, e estabelecem-se laços estreitos entre pessoas influentes - baseados
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esotéricos ingleses e alemães recobram sua força, e estabelecem-se laços estreitos entre pessoas influentes - baseados
numa concepção “mágica” da realidade -, laços que se transmitem por algumas gerações. Há também elementos
inquietantes nessa reconstituição. Um deles consiste na chamada “magia sexual”, ou seja, a conquista de poderes
“especiais” derivados de práticas sexuais: em 1888, ano seguinte ao da fundação da Hermetic Order of the Golden
Dawn, Londres foi agitada por uma série de crimes sexuais, cometidos por Jack, o estripador. O mistério a respeito
dele dura até hoje. Alguns personagens e algumas relações marcam significativamente essa reimersão da cultura
esotérica na Europa, como o encontro, em Londres, entre o ocultista francês Eliphas Levi, pseudônimo bíblico de
Alphonse-Louis Constant, um ex-seminarista que depois se tornou revolucionário em Paris em 1848, e Edward
Bulwer-Lytton, que teria um papel crucial no desenvolvimento da sociedade Rosa-cruz na hermética Golden Dawn.
Depois de várias peripécias, entre atividades políticas e ocultistas, Levi escreveria um livro, A raça vindoura: nele, o
autor fala do “Vril”, a forma de energia que viria a dar o nome a uma sociedade que, ao lado da atividade do fundador
do Instituto de Geopolítica de Berlim, Karl Haushofer, forneceria uma contribuição fundamental para a elaboração da
ideologia nazista, no que diz respeito à idéia de raça ariana e de “espaço vital”, o Lebensraum.
Qual é o precedente cultural e quais são as teorias comuns a esses grupos?
GALLI: Em primeiro lugar, uma concepção segundo a qual a história que conhecemos é apenas uma parte da
história da humanidade. Só algumas elites de iniciados conhecem “toda” a história. A história antiqüíssima de
civilizações puras e incorruptas. Esse saber e esses conhecimentos, dos quais é possível haurir mediante práticas e
ritos ocultistas, transmitem um poder particular aos iniciados, que devem desempenhar também um papel político
para administrar o futuro de uma humanidade decaída cujos dotes e características perdidos com o tempo é preciso
restituir. Os componentes dessa sociedade se consideram depositários de uma antiga sabedoria primordial, que se
manifesta muitas vezes em ritos particulares. Um fato interessante é que alguns adeptos de grupos esotéricos ocupam
funções também nos serviços secretos de seus países. Um personagem chave, nesse sentido, é o alemão Theodor
Reuss, da sociedade ocultista Ordo Templi Orientis, mestre do inglês Aleister Crowley. Crowley, também mestre do
ocultismo e ao mesmo tempo agente do serviço secreto inglês, no final do século XIX adere à célebre Golden Dawn -
uma derivação, como eu já disse, da Sociedade Rosa-cruz - e depois funda uma seção inglesa da Ordo Templi
Orientis. A Golden Dawn, por sua vez, está ligada a associações alemãs conectadas à doutrina secreta da russa
madame Elena Blavatskij - fundadora da Sociedade Teosófica, em Nova York, em 1875 - e à antroposofia de Rudolph
Steiner.
Mas a história de Hitler e do nazismo se desenvolve depois desses episódios...
GALLI: Minha hipótese é de que essa “ponte”, que, como expliquei, unia a cultura esotérica, as ordens herméticas
e os serviços secretos ingleses e alemães entre os séculos XIX e XX, tenha continuado a existir também no período
imediatamente posterior, de modo tal que a formação intelectual de Hitler e de parte do grupo dirigente nazista se dá
nesse tipo de cultura ocultista. Reuni dados que me permitem dizer também que esse grupo, que chegou à cúpula do
Terceiro Reich, discute em seu âmbito como pôr em prática uma estratégia derivada daquela cultura, ou seja, a
reconquista da “sabedoria ariana”. Da mesma forma, tenho condições de afirmar que a decisão de Hitler de entrar em
guerra, convicto de que a Inglaterra não interviria, possa ser compreendida na ótica daquela cultura esotérica, a
respeito da qual ambientes na cúpula da vida política inglesa estavam também informados. Toda a história do
nazismo, a meu ver, deve ser lida levando em conta esse fator também.
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De que forma Hitler entrou em contato com as experiências


esotéricas? Quem foram seus mentores?
GALLI: O ponto de referência inicial pode ser a revista Ostara, da
qual Hitler foi leitor assíduo, nos anos que passou em Viena. A
publicação - que leva o nome de uma antiga deusa germânica da
primavera, denotando, portanto, a ligação com a tradição nórdica e com
as velhas divindades pagãs anteriores à difusão do cristianismo na
Alemanha - foi fundada em 1905 por um ex-frade, Jörg Lanz von
Liebenfels, que, entre outras coisas, instituiu uma sede em Werfenstein,
o “Castelo da Ordem”, onde provavelmente, com o apoio financeiro de
industriais, começou a patrocinar uma organização baseado na teoria da
superioridade da raça ariana. Outro ponto de referência para a formação
No alto, Hitler reconstitui o Partido Nacional- esotérica do futuro Führer é Rudolf von Sebottendorff, estudioso da
Socialista (cassado depois do putsch de 1923),
em Munique, no ano de 1925; o primeiro, a cabala, de textos alquímicos e rosa-crucianos e das práticas ocultistas
partir da esquerda, é Alfred Rosenberg; o
primeiro, a partir da direita, é Heinrich Himmler,
dos dervixes, e promotor, em Munique, no ano de 1918, da Thule
chefe das SS desde 1929, idealizador e Gesellschaft, associação derivada da Germanorden, uma sociedade que
organizador dos campos de extermínio;
embaixo, o ocultista Aleister Crowley, agente nasceu nos primeiros anos da década de 1910, fortemente caracterizada
do serviço secreto inglês e membro da Golden por elementos de anti-semitismo e racismo. Ao redor da Thule
Dawn
gravitaram Hitler, Rudolf Hess, Karl Haushofer e Hans Frank, o futuro
governador-geral da Polônia. Era uma associação na qual dominavam a
cultura ocultista e as doutrinas secretas amadurecidas nas décadas
anteriores. A Thule - a mítica Atlântida, pátria dos hiperbóreos - foi,
portanto, a matriz do grupo de intelectuais que está na origem do
nazismo. Von Sebottendorff, além disso, publicou um livro em 1933,
Antes que Hitler chegasse, no qual, desejando reacender o debate em
torno das origens esotéricas do nazismo, conta ter sido o mestre ocultista
do Führer. Mas aquele grupo de intelectuais, então já no poder, decidira
havia tempo que era conveniente manter ocultos os elementos esotéricos
e ocultistas a que fazia referência, para pôr em primeiro plano a
organização política. Hitler, no ano da publicação do livro de Von
Sebottendorff, já era chanceler do Reich. O ensaio, por isso, foi retirado
das livrarias.
Quais são as características fundamentais do grupo esotérico a
que Hitler faz referência?
GALLI: É preciso dizer como premissa que uma das dificuldades
quando se trabalha neste campo é o fato de que a historiografia oficial, a historiografia acadêmica, ocupa-se pouco
dessas coisas. O trabalho sobre o setor da cultura esotérica é deixado às vezes a estudiosos minoritários ou até a
personagens muito extravagantes, que de qualquer forma elaboram freqüentemente pesquisas marginais. O fato de a
historiografia oficial não se empenhar nessa direção torna mais difícil o encontro de documentos seguros. Estou
convencido de que, se houvesse mais interesse, alguma coisa se encontraria. Mas respondo a sua pergunta. Mencionei
civilizações e patrimônios sapienciais antiquíssimos - a Atlântida é a referência mais importante -, um componente
cultural baseado na história fantástica, na geografia fantástica, na cosmogonia fantástica e nas leis ocultas que as
guiaram. Hitler considera que as razões fundamentais de sua ação política se encontram nesse passado distante, numa
sabedoria mágica que deve ser recuperada e na qual está o instrumento para forjar o futuro luminoso. O grupo de
intelectuais da Thule, que na década de 1920 decide transformar a seita ocultista em partido político de massas, crê
convictamente nessas coisas. Existem, portanto, duas dinâmicas: a profunda convicção dos iniciados que trabalham
nesses grupos e, ao mesmo tempo, uma certa influência que eles, por motivações amplamente aprofundadas pelos
estudiosos, exercem em alguns momentos históricos sobre os movimentos políticos. Hitler, Himmler, Hess,
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estudiosos, exercem em alguns momentos históricos sobre os movimentos políticos. Hitler, Himmler, Hess,
Rosenberg, Frank: eles se consideram os herdeiros de uma sabedoria antiga que lhes permitirá serem construtores de
uma nova civilização. Deve-se dizer que até um historiador muito admirado e “tradicional” identificou e valorizou
alguns desses filões esotéricos: foi George Mosse, que, nas Origens culturais do Terceiro Reich, aponta
explicitamente para o esoterista Guido von List e sua simbologia rúnica como um dos pontos de referência de Hitler.
Das runas estudadas por Von List provém a sigla das SS, as milícias que Himmler utilizará para pôr em prática seus
projetos elaborados no âmbito da cultura ocultista.
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Hitler é descrito muitas vezes como um homem ignorante, um


homem sem qualidades. Como consegue se impor no grupo esotérico
do qual faz parte?
GALLI: A tendência muito difundida a designá-lo como um
ignorante caracteriza também o trabalho de Joachim Fest, o biógrafo do
Führer, que foi consultor deste último filme sobre Hitler que saiu na
Alemanha, Der Untergang (A queda). Fest compôs uma excelente
biografia de Hitler, mas tende a representá-lo como um líder de batalhão
e homem de poucas leituras, limitadas a opúsculos de propaganda anti-
semita. Isso não é exato. Hitler leu Nietzsche e Schopenauer. Ele se
destaca no grupo de Rosenberg, Hess, Himmler e Frank porque possui
duas características que podem até prescindir da cultura esotérica. É um
orador extremamente eficaz e um hábil organizador. Talvez tenha
aprendido com o mago Hanussen a primeira característica, a forma
quase hipnótica de se comunicar com os ouvintes. Sabemos, com
segurança, que Hitler tomava aulas de dicção com Hanussen. Mas
aprendeu alguma coisa a mais daquele mago. Hanussen era um
personagem dotado de capacidades hipnóticas, e o livro de Mel Gordon
reconstrói bastante bem essa história. Em Mein Kampf, Hitler propõe,
além de uma ideologia esotérica, também programas precisos de
No alto, Adolf Hitler com Rudolf Hess numa foto
organização, que dão a idéia de que foram elaborados por um bom de 1939; embaixo, militares ingleses removem
político. Himmler, o burocrata do extermínio, tem características os restos do aeroplano com o qual, em maio de
1941, Hess voou à Grã-Bretanha para tentar um
organizativas semelhantes, mas não é de modo algum um bom acordo pouco antes da invasão alemã à Rússia
comunicador. Tal como Hess também não é. Rosenberg é apenas um
escritor muito eficaz... Desse grupo ligado à cultura esotérica, ninguém
tinha, enfim, os dois dotes específicos que Hitler possuía.
No Mein Kampf são indicados os objetivos prefixados por Hitler:
a criação de uma Eurásia de fronteiras orientais indefinidas, um
“condomínio” mundial com a Inglaterra...
GALLI: Sim, é uma estratégia esotérica, na qual se entrelaçam
ocultismo e geopolítica. Haushofer é quem elabora as teorias relativas ao
“espaço vital”. Baseado em considerações místicas e espirituais que
identificam a nação alemã como o centro do mundo, mas também
fazendo referência a outros teóricos de geopolítica - como o inglês
Halford John Mackinder, que havia identificado a Europa Oriental e a
Rússia européia como o “coração da terra” -, Haushofer está convencido
de que para reconstituir a civilização ariana seja preciso construir uma
grande área que vá da Europa Ocidental aos Urais. O espaço vital - o
Lebensraum - da nova sociedade ariana. A Alemanha é o fundamento
dessa organização geopolítica que prenuncia a criação de uma nova
civilização e de um homem novo que recupere as antigas virtudes
perdidas. Os judeus, que têm um sonho hegemônico mundial
contraposto a este, são marginalizados e, depois, eliminados. Portanto, o Drang nach Osten nasce desse projeto de
natureza esotérica.
Mas há homens na cúpula do Terceiro Reich que não compartilham da mesma cultura de Hitler e de seus
companheiros...
GALLI: É verdade, mas eles também são influenciados pelo ocultismo: o pragmático Göring interessa-se pela
teoria da “terra oca”, Goebbels fica intrigado com Nostradamus... De qualquer forma, Goebbels e Göring
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teoria da “terra oca”, Goebbels fica intrigado com Nostradamus... De qualquer forma, Goebbels e Göring
compartilham o programa de Hitler justamente porque, de um modo ou de outro, são sugestionados por suas
convicções esotéricas.
Chegamos à viagem de Hess à Escócia, em maio de 1941. Essa travessia acontece também sob signo
esotérico...
GALLI: O projeto de condomínio com a Inglaterra, com base no Lebensraum como premissa para a construção de
uma nova humanidade, nunca foi deixado de lado, nem mesmo depois do início da guerra, quando ficou evidente que
a previsão de neutralidade da Grã-Bretanha não se havia realizado. A “ponte” ainda estava de pé. O episódio da prisão
dos tanques alemães em Dunquerque, em 1940, que permitiu a fuga dos anglo-franceses, pode ser interpretado
também com essa chave de leitura: seria uma tentativa de chegar a um acordo com os interlocutores esotéricos
presentes na Ilha. Em 10 de maio de 1941, Hess voa para a Escócia para tentar convencer esses interlocutores a não
intervirem no momento da invasão da URSS. Provavelmente, quer encontrar os herdeiros de sociedades do tipo da
Golden Dawn, com os quais se pode discutir, e que têm relações com a Família Real. Seja como for, é o duque de
Hamilton que Hess busca, sem dúvida. Ele é uma pessoa de confiança do rei da Inglaterra. É filonazista e há muito
tempo tem relações com Hess e a cúpula do Reich. A decisão dessa viagem nasce provavelmente depois de um debate
na cúpula esotérica nazista; portanto, é plausível que Hitler estivesse a par dela. A operação recebe a cobertura de um
maciço esquema de desinformação. Mas Hess e os nacional-socialistas se iludem: aquela “ponte” ainda existe, mas já
está fraca demais para permitir que passe por ela uma espécie de acordo entre a Alemanha e a Inglaterra a respeito do
Drang nach Osten. Em maio de 1941, os aristocratas ingleses também já estão “resignados” a declarar guerra contra a
Alemanha.
Em seu livro, o senhor explica como Hitler procura chegar a um acordo com a
Inglaterra até o último minuto.
GALLI: Sim. Depois da derrota na Rússia, Hitler, em vez de tentar combater a
contra-ofensiva russa, desloca as divisões blindadas do front oriental para o ocidental. A
tática é sempre a mesma: “Obrigar a Inglaterra à paz pela força”, como ele mesmo
parece ter dito. Hitler acredita até o fim que aquela “ponte” esotérica possa ser
reconstruída.
Como é possível que a partir de experiências esotéricas se consiga chegar a um
poder tão grande como o que detiveram Hitler e seus sócios na Alemanha?
GALLI: Eu sempre procurei evitar privilegiar exclusivamente a chave de leitura do
esoterismo para explicar determinados fatos. Como eu já disse, certamente esse é um
aspecto importante e negligenciado. Mas Hitler chega ao consenso por razões que a
historiografia já estudou abundantemente e que eu não ponho em discussão: a
Hans Frank, governador-
humilhação alemã depois da Primeira Guerra Mundial, as frustrações que derivaram da
geral da Polônia nos anos derrota e do Tratado de Versalhes, a crise econômica de 1929, que produz 6 milhões de
do Terceiro Reich, fez
parte do grupo que desempregados, a política de Weimar, que não consegue exprimir uma resposta eficaz a
gravitava em torno da esses problemas. Essas são as principais razões que permitem a Hitler tomar o poder.
associação esotérica
Thule Gesellschaft, matriz Hitler consegue enfrentar o desemprego mesmo antes do rearmamento, por meio de
do grupo de intelectuais grandes obras públicas, aceitando os conselhos do financista e político Hjalmar Schacht,
que deu vida ao nazismo
que é um keynesiano. Por outro lado, Hitler, no Mein Kampf, apresenta um projeto
político que têm aspectos normais, como, justamente, a luta contra o desemprego.
August von Galen, bispo de Münster durante o período nazista, definido pelo
New York Times como “o opositor mais obstinado do programa nacional-socialista anticristão”, falou do
nazismo como um “engano religioso”...
GALLI: De certa forma, é mesmo. Pio XI também demonstrou sua forte preocupação por meio da publicação da
Mit Brennender Sorge. Ele falava do neopaganismo. Na realidade, pode-se falar de algo mais que o neopaganismo.
Todas as cerimônias nacional-socialistas seguem um modelo religioso: as luzes, o Führer que aparece como uma
revelação mágica. Todas têm um caráter de liturgia mágica.
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revelação mágica. Todas têm um caráter de liturgia mágica.


Parece que Churchill, o grande opositor dos programas esotéricos do Führer, também não desdenhava da
companhia dos ocultistas...
GALLI: Em meu livro La politica e i maghi, eu explico como até mesmo Churchill acreditava em videntes.
Churchill era um conservador absoluto e um anticomunista absoluto. Não nos esqueçamos de que colaborou com o
Popolo d’Italia de Mussolini. Em sua visão de mundo, só os povos de língua inglesa estão à altura da democracia.
Para os outros povos, serve qualquer forma de regime. Para ele, a história do Ocidente coincide com a história dos
povos anglófonos. Hitler, portanto, poderia até tê-lo agradado, como agradava a certos setores conservadores da
sociedade inglesa. Mas, a meu ver, Churchill tinha relações com sociedades esotéricas que lhe haviam fornecido certo
número de informações relativas à “contra-iniciação do Führer”.
Como assim?
GALLI: Na cultura esotérica, existe uma diferença fundamental entre
“iniciação” e “contra-iniciação”. A iniciação - a maçônica, para dar um
exemplo claro - seria positiva. A contra-iniciação, por sua vez, teria algo
de diabólico: Churchill ficou sabendo que Hitler era um “contra-
iniciado”. Churchill, portanto, estando a par do precedente “esotérico-
diabólico” da contra-iniciação de Hitler, temia que, por trás dos
objetivos negociáveis - mão livre na Europa e no Leste da Alemanha e
garantia de continuidade do Império inglês -, que provavelmente ele
poderia aceitar, houvesse objetivos não negociáveis: o império do mal.
Hitler não queria apenas um império de tipo geopolítico. Queria um
império sobre as consciências, baseado numa série de valores que até o
conservador anticomunista Churchill via como negativos e inegociáveis.
O fato é que a profecia de Hitler sobre o fim do império britânico Karl Haushofer, fundador do Instituto de
substancialmente se realizou. Hitler profetizou que Churchill destruiria o Geopolítica de Berlim e principal idealizador da
teoria nazista do Lebensraum, o “espaço vital”
império inglês e entregaria o cetro imperial aos Estados Unidos.
Uma última pergunta, professor. René Girard disse recentemente
numa entrevista que “o desprezo nazista pela ternura cristã para
com as vítimas não tem origem na história”. O professor francês afirmou também temer que “no futuro
alguém tente reformular o princípio de maneira mais politicamente correta, talvez revestindo-o de
cristianismo”. O que o senhor diz disso?
GALLI: Girard é um grande estudioso, documentado e de intuições muito ricas. Creio que seja possível pensar
num nazismo “revestido de cristianismo”, mesmo porque o nazismo, com suas características específicas, é
irrepetível. Eu não acredito que a democracia representativa possa ser posta em crise por movimentos autoritários
como os das décadas de 1920 e 1930. Existe, porém, o risco de que nas democracias ocidentais se mantenha a forma
da democracia, sem a substância. Os partidos já não serão postos fora da lei, as liberdades civis serão garantidas em
certa medida, mas, ao mesmo tempo, pode haver o risco de que só restem as fórmulas da democracia e se elimine a
substância. Poderia haver uma não-democracia disfarçada de democracia. Da mesma forma, a intuição de Girard é
plausível: tal como é possível que uma antidemocracia se apresente com fórmulas aparentemente democráticas, do
mesmo modo é possível que um anticristianismo que despreza as vítimas como fez o nazismo possa, na realidade, agir
revestido de formas cristãs. Eu não gostaria de entrar demais num campo que não conheço, mas sei que existem, e são
cada vez mais difundidas, publicações que exprimem tendências que eu creio possam ser definidas como
“integralismo apocalíptico”. Essas tendências poderiam de alguma forma prefigurar um risco como esse de que fala
Girard. Algumas das características isoladas que concorreram para a difusão do nazismo poderiam reaparecer nesse
contexto.
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