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IntervenÇÃo Do ServiÇo Social Junto Á FamÍlia

IntervenÇÃo Do ServiÇo Social Junto Á FamÍlia

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INTERVENÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL JUNTO Á FAMÍLIA DO ALCOOLISTA NEIDA SILVA CASTRO

RESUMO: O presente artigo tem o objetivo de focalizar a questão do alcoolismo como um dos motivos de queixa apresentada por familiares atendidos pelo Serviço Social, no Serviço de Orientação à Família (SOF) Aparecida. Evidencia como o Serviço Social centra a sua orientação a partir de manifestação da família do alcoolista. A entrevista dialogada serviu para a coleta de informações do caso analisado.

Torna-se importante discutir alguns aspectos que marcam a expressão alcoolismo na sociedade brasileira, na medida que a mídia publicitária realça enfaticamente o estímulo ao consumo de bebidas alcoólicas.

Nos últimos 30 anos do século XX foram muitas as tentativas científicas do entendimento etiológico do alcoolismo, por meio de pesquisas sobre o metabolismo (hepático cerebral), e sobre aspectos sociológicos as mais destacadas. Nessa visão da síndrome da dependência do álcool a frase tem problemas porque bebe é mais aceita atualmente do que a antiga bebe porque tem problema (RAMOS, 1997, p. 224).

Entretanto não podemos esquecer os efeitos provocados pelo álcool, afetando o corpo e a mente do ser humano, pois não é apenas um conjunto de ossos, músculos e pele, mas possui uma mente que é o centro das funções vitais.

Milhões de pessoas incapacitadas pelo efeito do álcool enfrentam problemas devido ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas, envolvidas em acidentes de trânsito, situações diversas de violência, perda de emprego, conflitos familiares e outros.

Existem fatores que podem influenciar o adolescente a experimentação de bebidas alcoólicas: o modelo dos adultos; curiosidade e experimentação; pressão dos colegas; prazer, problemas emocionais (FISHMAN, 1988: p. 47-48).

Em relação a esses fatores FISHMAN coloca que podem influenciar a entrada do adolescente, por isso é importante que a prevenção ocorra na família, no relacionamento saudável entre os pais, assim o adolescente terá grandes chances de não enveredar pelo caminho das drogas.

O objetivo deste trabalho é entender que fatores podem influenciar a experimentação de bebidas alcóolicas? Como o Serviço Social dar conta do alcoolismo como doença da família no SOF?

Desse modo, a proposta de estudo que ora apresentamos resulta da experiência realizada com familiares de alcoólatras, moradores no Bairro de Pedreira e usuário do Serviço Social na Igreja Nossa Senhora da Aparecida SOF-Serviço de Orientação à Família. Meu interesse na abordagem deste tema é verificar as causas e conseqüências que podem levar uma pessoa a se tornar alcoolista, considerando que o alcoolismo.

1. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA DOENÇA DO ALCOOLISMO

Na sociedade brasileira o álcool, parece está perfeitamente integrado a grande parte dos ambientes e situações do cotidiano das pessoas, principalmente nos finais de semana e momentos de lazer, onde se mistura as atividades esportivas, viagens, trabalho (almoços de negócios) regadas a copiosas doses de uísque, cerveja, caipirinha e outras mais, “o alcoolismo é considerado uma doença de evolução crônica

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e progressiva acometendo todos os indivíduos, sem distinção de sexo, raça, nível sócio-econômico, escolaridade e atividade laborativa” (BARROS, 1994: 53)

Como percebemos o álcool é uma doença globalizada, pois atinge indistintamente as pessoas. O álcool não afeta apenas, o corpo, mas também, a mente do ser humano, o qual não é apenas um conjunto de ossos, músculos e pele, mas possui uma mente que é o cento das funções vitais. O hábito de ingerir bebidas alcoólicas afeta milhares de pessoas que morrem em acidentes causados por pessoas alcoolizadas: milhares de pessoas ficam mutilados ou desfigurados para o resto da vida.

O alcoolista prejudica a si mesmo, sua família, esposa e seus filhos, muitas vezes privando-as de necessidades básicas como alimentação, vestuário e outros e, causando sofrimentos a seu cônjuge; castigando-os injustamente, e privando-os de sua companhia. Ademais, muitos crimes são cometidos sob a influência do álcool. “De forma direta o tema específico do alcoolismo foi incorporado pela OMS Organização Mundial de Saúde à Classificação Internacional das Doenças em 1967 (CID8), a partir da 8ª Conferência Mundial de Saúde” (alcoolismo. 2001).

Reconhecidamente o alcoolismo é uma droga e doença estimagtizante, na qual seus portadores são identificados como diferente na família e marginalizado no grupo de trabalho.

Por isso é importante esclarecer as pessoas que enfrentam problemas devido ao uso e abuso de bebidas alcoólicas, sobre a relação existente entre saúde,

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relações pessoais e desempenho no trabalho. Pois o alcoolista poderá desenvolver vários quadros clínicos, como doenças no estômago, intestino, fígado e pâncreas, sintomas esses que irão comprometer a disposição para viver e trabalhar. Essa indisposição prejudica o relacionamento com a família e diminui a produtividade, podendo levar à desagregação familiar e até ao desemprego “as medidas de Política Social, discriminando as populações alvo por critérios de idade ou de normalidade / anormalidade, transformaram esses mesmos grupos em anormais, em fracassados, em desaptados (FALEIROS, 2001. p 63)”.

A ideologia da normalidade pressupõe que o indivíduo possa trabalhar, produzir, para poder normalmente, com o salário obtido, satisfazer as suas necessidades de subsistência e as de sua família. E quando não consegue, com sua renda, obter essa vida normal, é discriminado, inclusive pelas políticas sociais, repassando ao indivíduo o seu fracasso através da exclusão.

Desde que Magnus Huss conceituou “alcoolismo como doença, os cientistas buscam formas eficazes de tratá-las” (apud RAMOS, 1997 p. 199). As formas de tratamento do alcoolismo são as mais diversas, desde a internação em clínicas especializadas em desintoxicação, como a terapia de grupo como AA – Alcoólicos Anônimos formada por ex-alcoolistas.

Nesse aspecto da prevenção, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, também realiza expressivo trabalho com esse público alcoolista por meio de uma rede de aproximadamente, 200 escolas de recuperação de alcoólicos e fumantes. A maioria destas escolas está concentrada no Estado de São Paulo, onde o trabalho teve início,

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em outubro de 1958. A idéia partiu do Dr. Ajax Walter Silveira – médico de renome internacional por sua dedicação à recuperação de viciados, e posteriormente, com o apoio dos Drs. Benedito Reis, Geraldo Leitzke, Gideon de Oliveira e outros. (SILVEIRA, 1997. p. 23)

O objetivo da criação dessas escolas foi, prioritariamente, combater o alcoolismo e o tabagismo os quais segundo afirma Dr. Ajax Silveira, são, assim, a porta de entrada para outras toxicomanias, pois estudos têm demonstrado que quase a totalidade dos viciados em drogas experimentam antes o álcool e o fumo. “Os

alcoolistas são pessoas que necessitam de álcool numa sociedade que estimula o seu consumo” (RAMOS, 1997: p. 222).

Sendo o álcool, uma droga legalizada, é consumido e comercializado livremente em nossa sociedade, quer seja em casa, entre amigos e reunião social, permeia a lógica de ser agradável incluir o álcool para animar as pessoas, a bebida alcoólica estimula a diversão e prazer.

Entretanto,

trata-se

de

um

viés

cultural

que

identifica

o

álcool

equivocadamente, pois a maioria dos prazeres e alegrias parece ser usufruído de forma mais intensa, sem os efeitos do álcool.

Cerca de 15% da população brasileira é alcoólatra, de acordo com o levantamento realizado pelo grupo interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREC), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.

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Este dado é preocupante, dada a possibilidade de crescimento de alcoolistas e os problemas decorrentes do uso de álcool. Além de outros dados que merecem ser apresentados e discutidos relacionados ao alcoolismo: • no Brasil 45% dos jovens entre 13 e 19 anos envolvidos em acidentes, haviam ingerido bebida alcoólica; • os motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo; • o alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo; • o abuso do álcool causa 350 doenças físicas e psíquicas; • no Brasil, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por

dependência de drogas, acontecem devido ao álcool; • em geral, o fígado leva uma hora para processar 30 gramas de álcool. (aproximadamente uma lata de cerveja); • um, entre dez usuários de álcool, se torna dependente da droga; • o uso de álcool aumenta as chances da pessoa ter comportamento de risco para a AIDS, (transar sem camisinha); • o álcool é a droga que mais detona o corpo (tanto como cocaína e crack), é a que mais faz vítimas e a mais consumida entre os jovens no Brasil (alcoolismo, 2001).

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Como percebemos pelos dados apresentados, o alcoolismo é uma doença caracterizada por 4 fases: Fase Social, sem dependência física, apenas dependência emocional. Inicia-se na primeira vez que se bebe lembrando-se que dois fatores são fundamentais: predisposição orgânica e benefícios, do contrário a doença não se desenvolve. Fase Social, sem dependência física e emocional, o organismo modifica-se: tem-se a tolerância aumentada, bebe-se mais que na fase social, não há problemas em conseqüência na ingestão de álcool. Fase problemática com dependência física e emocional, nesta fase o indivíduo bebe mais, apresenta muitos problemas emocionais, ressacas constantes, problemas em decorrência de bebida, problemas familiares; problemas de

relacionamento. Há o início da síndrome da abstinência, começam as “paradas estratégicas”, pode haver internações. Há boas expectativas de recuperação física, há muitas perdas. Fase problemática, com dependência física e emocional, o indivíduo Bebese muito pouco, menos que na fase 1, inicia-se a atrofia do cérebro. Pode ter delírios, mãos trêmulas por períodos excessivamente longos. Problemas físicos e emocionais extremos pode-se ter esquizofrenia, muitas vezes confunde-se com PMB (Psicose Maníaca Depressiva). Há poucas expectativas de recuperação física, perdas extremas. (alcoolismo, 2001)

A ingestão de álcool como vimos, comprovada em pesquisas e estudos, se utilizado com freqüência e em grande quantidade vai comprometer de forma perigosa o organismo do ser humano, levando até mesmo a desenvolver várias doenças.

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O alcoolista ao mesmo tempo em que é marginalizado pela sociedade, contraditoriamente, é estimulado a potencializar o consumo de álcool, com implicações sérias no descontrole emocional, muitas vezes com perda de emprego, de amigos e desagregação familiar.

De posse de algumas informações sobre o alcoolismo, percebo cada vez mais está aumentando a quantidade de alcoolistas no Brasil, principalmente jovens entre 13 e 19 anos, conforme pesquisa realizada nas principais capitais do país, o alcoolismo um problema muito sério que precisa ser revisto pelo governo e sociedade.

2. ALCOOLISMO: UMA DOENÇA FAMILIAR

A dependência química se caracteriza por ser uma doença familiar: não somente o dependente sofre, mas todas as pessoas a ele chegadas. Dificilmente, deixa de ocorrer, repercussões do comportamento do alcoolista nos familiares mais próximos, constituindo-se uma verdadeira doença emocional.

“a dependência química pode ser um transtorno do controle do impulso, diz Dartin, do PROAD, do que se sabe, este transtorno está relacionado à alteração do comportamento de duas substâncias cerebrais: a dopamina, ligada às sensações de prazer e a sertomina que regula as emoções. As drogas modificariam o funcionamento e a quantidade dessas substâncias no cérebro” (VOMERO, 2001: p 52)

Nessa circunstância o alcoolista não se dá conta de que seu hábito vai se ajustando a sua condição de dependente. As relações de amizade também se modificam e com o passar dos anos, o alcoolista vai selecionando, para o seu convívio amigos também dependentes.

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Dificilmente encontramos alguém que não tenha um parente alcoolista na família provocador de sofrimentos freqüentes nos familiares, os quais reclamam do nervosismo, preocupação e insegurança advindo geralmente do comportamento do dependente químico.

Diante desses motivos a família juntamente com o alcoolista, precisam de tratamento, pois é a qualidade de vida familiar que está em jogo. O tratamento controlado permite o alcoolista ter maiores possibilidades de reencontrar a alegria de conviver com lucidez em ambiente familiar e no trabalho.
“o que se designa atualmente como família, é a família chamada nuclear, ou conjugal, formada pelo par andrógino e seus filhos, se buscarmos na história os vários tipos grupais que já receberam essa designação, vemos que ela se aplica basicamente ao grupo consangüíneo, originado da aliança entre homem e mulher, o que tem variado é a extensão do grupo. Podendo abranger mais de duas gerações, agregar membros sem vínculo de sangue, ser monogâmica ou poligâmica, tem variado também as funções do círculo familiar e a estrutura da relação de parentesco” (CUNHA, 1985: p: 9).

Sabemos que o ser humano ao nascer, e durante um período de tempo, necessita de dedicação, atenção e cuidado afetivo para crescer em condições saudáveis. A criança bem apoiada pelos pais terá grandes chances de não enveredar pelo caminho das drogas.

Entretanto é necessário que os pais, fiquem atentos no crescimento dos filhos, procurando saber quem são seus amigos, se é assíduo na escola quais atividades realiza fora do ambiente familiar. A participação, sem dúvida fortalece a relação entre pais e filhos.

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O alerta sobre o perigo da droga na adolescência tem sido objeto de discussão.

O perigo maior é na fase da adolescência, o período problema, uma fase da vida em que a criança que está começando a se tornar adulta está passando por uma série de transformações que a torna, muitas vezes, um ser incompreendido principalmente, na família. Nesta fase da vida o desenvolvimento biológico, incluindo aspectos físicos não têm acompanhamento psicológico, ou seja, o adolescente tem corpo de adulto, mas, ainda é imaturo. “considera-se criança, para os efeitos desta lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescentes aquela entre doze e dezoito anos” (ECA, artigo 2º , 1990, p 5).

De maneira geral o adolescente possui um sentimento de onipotência, para ele tudo é possível, permitido, gosta de esportes perigosos e tudo que representa risco, além de gostar de desafiar as autoridades dos pais, avós, e professores. É justamente nesta fase que o adolescente poderá experimentar drogas. “existem fatores que podem influenciar a experimentação de bebidas, alcoólicas: o modelo dos adultos; curiosidade e experimentação; pressão dos colegas; prazer; problemas emocionais. (FISHMAN, 1988, p: 47-48).

Em relação ao entendimento FISHMAN sobre os fatores que podem influenciar a experimentação de bebidas alcoólicas, vemos a importância de aprofundar essa compreensão, pautada nos cinco itens destacados pelo autor como o modelo dos adultos; curiosidade e experimentação; pressão dos colegas; prazer e problemas emocionais.

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- Modelo dos adultos: como os adolescentes querem ser adultos, eles imitam os mais velhos e dão especial atenção às formas pelas quais eles obtêm prazeres, que lhes parecem mais intensos, do que os jogos e brincadeiras das crianças. O prazer dos adultos é mais pesado e inclui sexo e bebidas proibidas às crianças. Por isso os adolescentes são inclinados a imitar os adultos, os pais e outros parentes. É comum um adolescente dizer que começou a beber porque viu que isso era um hábito de alguém que ele admira. - Curiosidade e Experimentação: as crianças, em geral, vêem as bebidas alcoólicas sendo consumidas pelos adultos em eventos sociais ou festas familiares. Muitos adolescentes sentem curiosidade de experimentar o sabor da bebida, além de experimentar o sabor, os adolescentes são curiosos e querem explorar os efeitos da bebida e saber como é estar embriagado ou intoxicado. - Pressão dos colegas: todos os grupos humanos são suscetíveis a pressão social, que determina os padrões de comportamento de seus membros. Mas, os adolescentes formam grupos especialmente suscetíveis a esse tipo de pressão. Para muitos garotos e garotas seguir a moda pode ser uma necessidade, assim como gostar de certos tipos de música ou mesmo de uma comida preferida. Nesse estágio os adolescentes se encontram psicologicamente imaturos para exercer o senso crítico e capacidade de julgamento, absorvendo influências externas sem refletir sobre elas. Se beber está na moda entre determinado grupo de adolescente, poucos adolescentes provavelmente, serão dotados de segurança e senso crítico suficiente para recusar a bebida alcóolica. - Prazer: a crença de que uma reunião social possa não ser agradável sem que inclua consumo de álcool é comum na nossa sociedade. Muitos adolescentes

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acham que beber os estimula para a diversão e para o namoro, isto é, para os prazeres da vida. - Problemas Emocionais: um dos efeitos imediatos do álcool é o tranqüilizante, causador de euforia e bem-estar. Um adolescente que esteja enfrentando momentos de tensão, nervosismo e conflitos com a família ou com amigos pode entregar-se ao álcool para suprimir temporariamente a depressão, a ansiedade e os sentimentos de medo.

Percebemos através destes cinco fatores tratados por FISHMAN (1988) como um referencial de alerta para a família e adolescente, a prevenção de bebidas alcóolicas deverá acontecer na família, no relacionamento saudável entre os pais, baseado no amor e compreensão, na aceitação e na expectativa dos pais em relação aos seus filhos e dos filhos em relação a sua própria vida.

3. O SERVIÇO SOCIAL JUNTO À FAMÍLIA DO ALCOOLISTA NO SOF

O Serviço Social da Igreja de Nossa Senhora de Aparecida localizada na Av. Pedro Miranda nº 1566, no bairro da Pedreira, através do Serviço de Orientação à Família-SOF vem sendo procurado por familiares os quais apresentam queixas relacionada ao alcoolismo de pessoas na família, cujas conseqüências são as mais diversas , como agressão verbal, física e psicológica.

Conforme levantamento que realizamos nas fichas de pessoas atendidas relacionadas ao alcoolismo pelo Serviço Social nos anos de 2000 e 2001 (até o mês de setembro) foi de 40 casos.
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Quando os familiares, geralmente as esposas de alcoolistas procuram o SOF para obter ajuda, estão completamente transtornados, e na maioria dos casos o alcoolista é o chefe de família. O SOF em resposta a essa problemática orienta os familiares no sentido de amenizar o relacionamento familiar, enfraquecido pela questão alcoólica.

O SOF como um processo extensionista conjuga três eixos básicos: Serviço, Formação Profissional e Produtos Acadêmicos. Vamos tentar situar o SOF por tais parâmetros. O primeiro deles é sua condição de serviço, atendendo questões de conflito familiar; o segundo é um campo de estágio, podendo incluir alunos em sistema extracurricular e o terceiro o Serviço é um meio para que se construa produtos acadêmicos, permitindo elaborar dados e textos referentes : • aspectos antropológicos que permeiam situação de conflito no contexto familiar; • aspectos concernentes a questão da habitação e conflitos familiares; • reconfiguração do papel do idoso no contexto da família; • processos e técnicas de entrevista.

Existem atualmente três frentes

de ação: ETAJJ (Escritório Técnico de

Assistência Jurídica e Judiciária; CLIFA (Clínica de Fonoaudiologia) e Igreja Nossa Senhora Aparecida. Há um cronograma de atividades a ser seguido pelos discentes. O programa ISSO é um detalhe importante, toda extensão conta com professores e não com técnico fixo. A ação do professor é de natureza pedagógica, sobretudo centrando

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atenção nos produtos acadêmicos, possivelmente haja atividades extensionistas descaracterizadas, centradas somente no Serviço. Entretanto, o SOF não pretende enveredar por esse desvio.

Os objetivos do SOF são prestar atendimento à família em situação de conflito como meio básico para obter conhecimentos sobre família e construir produtos acadêmicos elegidos pela universidade.

O SOF é um serviço e pode ser demandado, como a CLIFA-Clinica de Fonoaudiologia e o ETAJJ - Escritório Técnico de Assistência Jurídica e Judiciária. Trata-se de uma parceria entre o Laboratório de Serviço Social e as respectivas Clínica e Escritórios. Nesse contexto o SOF funciona como uma atividade meio e apoio disponibilizado a quem dele necessitar.

A clientela alvo do SOF varia de conformidade com o setor vinculado. No ETAJJ as situações apresentadas são de conflito de natureza civil ou criminal; na CLIFA são relacionados à negligência com atendimento das crianças e/ou adolescência. Na Aparecida atende todas as situações de conflito encaminhadas pela Pastoral.

O instrumental técnico utilizado no ETAJJ e na CLIFA são principalmente, a entrevista dialogada, técnicas de reflexão a partir do conteúdo veiculado pelas pessoas sob atendimento. Na Aparecida são trabalhados encontros com responsáveis de adolescentes e grupos de idosos, nesse particular outros instrumentos e técnicas de experiências, de dinâmica de grupo, recursos audiovisuais e visitas domiciliares.
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A função do professor orientador no ETAJJ civil e no ETAJJ criminal é discutir situações em função dos produtos acadêmicos, como auxiliar os estagiários a obterem maior rendimento técnico acadêmico a partir das experiências. Nas quartasfeiras às 18 h acontece o encontro de todos os estagiários do SOF para estudo de temáticas pertinentes ao trabalho, tendo com eixo a família e os produtos acadêmicos.

O atendimento no Serviço Orientação a Família-SOF é supervisionado e realizado por estagiários de Serviço Social e Psicologia, as terças, quartas e sextas feira, nos horários da tarde e noite. Os procedimentos técnicos do Serviço de Orientação à Família-SOF no atendimento aos familiares, no primeiro momento, é apenas para ouvir as queixas do familiar. Em seguida fazemos alguns questionamentos e as respostas do queixoso são registradas constando nome, idade, endereço telefone e ocupação além do motivo da queixa apresentada.

No atendimento que realizamos, utilizamos alguns procedimentos e técnicas, com meio de nos ajudar na obtenção de informações junto aos usuários como a observação, entrevista, diálogo, abordagem e debates.

Por ocasião dos atendimentos refletimos em conjunto com o familiar, sobre os aspectos de vida do alcoolista, seu relacionamento no trabalho e dentro de casa, alterados devido à questão alcóolica. Importante evidenciar por causa desta problemática o indivíduo pode ser excluído da sociedade, caso fique desempregado e com dificuldades de produzir; o lar deixa de ser um refúgio, o alcoolista prefere utilizar a bebida como meio para fugir da realidade. Na condição de alcoolista, alguns
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consideram-se mais predispostos a realizar ações as quais não fariam em condições sóbria.

Os encaminhamentos realizados pelo Serviço Social, caso o alcoolista aceite o tratamento são direcionados aos Alcóolicos Anônimos-AA, irmandade formada por ex alcoolistas; o AL- ANON (Álcool Anônimo), grupo de ajuda formada por familiares de alcoolistas, onde discutem seus problemas entre si e tentam se ajudar mutuamente. Esses grupos podem ser procurados também na igreja Nossa Senhora Aparecida, em reuniões realizadas semanalmente, as terças-feiras, no horário às 20 h.

Dependendo também de cada caso, o Serviço Social encaminha os familiares para serem acompanhados por psicólogos, que prestam serviço voluntário na Igreja Nossa Senhora Aparecida.

Os acompanhamentos dos cursos são feitos diariamente pelos estagiários do Serviço de Orientação à Família-SOF, assim como, o atendimento a quem procura, para desabafar e informar a situação de seu familiar. O alcoolista, geralmente resiste em procurar diretamente ajuda, a qual é feita por familiar.

E com esse entendimento, que, no contexto deste estudo, analisamos a situação de um caso de uma família, que possui alcoolista e recebeu orientação do profissional de Serviço Social no SOF Aparecida.

Na época da realização das entrevistas em agosto/setembro/(2001), caso de (RM) chamou a minha atenção por ter sido a família do alcoolista (RM) que procurou
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o Serviço Social, a esposa (L)), e os dois filhos adolescentes. Na realidade ouvimos a queixa da família. A partir da entrevista contendo perguntas, com o objetivo de obter informações detalhadas sobre a situação da família do alcoolista como: os prováveis motivos que o tornaram alcoolista; o início do alcoolismo; a educação recebida da família; a relação do alcoolista (RM) com a esposa e filhos e a procura de ajuda para tratamento.

Quanto a análise das respostas fornecidas pela esposa (L) e 2 filhos do (RM), relacionada ao motivo que contribuiu para se tornar alcoolista, obteve-se as seguintes respostas: “Quando era criança sua mãe trabalhou como garçonete em uma boate e ele sempre
ficava em sua companhia. Por isso desde os 5 anos de idade ele começou a beber” (Entrevistada L).

Por esse motivo, continuou (L) discorrendo sobre a situação de (RM):
“Desde muito cedo ele cultivou o hábito pela bebida, porque, foi uma criança criada apenas pela mãe, em um ambiente não muito favorável e desde cedo freqüentava boate com sua mãe”(Entrevistada L)

E quanto a educação que recebeu (RM):
“ele sempre falava que sentia muita falta de seu pai, sua mãe, todavia não tinha condições para lhe dar a devida criação, ou seja, sua infância foi marcada pela ausência de um lar familiar completo e feliz” (Entrevistada L).

Quanto ao relacionamento de (RM) com a esposa:
“E muito conflitante, porque quando está alcoolizado briga com a esposa e filhos, fazendo com que a relação familiar se enfraqueça” (Entrevistada L e filhos).

E se (RM) já havia procurado ajuda para desintoxicação:

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“Sim, ele já fez parte da AA- Alcóolicos Anônimos de 1996 a 1998. Foi uma ótima fase, pois naqueles momentos éramos felizes com o pai se ajudando e melhorando a relação familiar” (Entrevistada L e filhos).

O que aconteceu com (RM) no AA-Alcóolicos Anônimos.
“Depois que ele saiu não voltou na AA Alcóolicos Anônimos – freqüento o ALANON – Associação dos familiares de alcoólatras, participo de reuniões as terças –feiras, tento incentivar RM voltar para a AA, mas até agora, ele ainda não quis voltar” (Entrevistada L).

Percebemos por meio da entrevista dialogada que estabelecemos com (L) a esposa de (RM) o papel explícito da mãe na educação do filho, confirmando as

colocações de FISCHMAN (1998) sobre os fatores que podem influenciar a experimentação de bebidas alcóolicas. Neste caso, identificamos os fatores relacionados diretamente com o modelo dos adultos, porque quando RM era criança viu alguém que ele admirava, a própria mãe, consumindo álcool.

Relacionado com outro fator, provavelmente a curiosidade de experimentar o sabor da bebida que após algum tempo ele não pode mais controlar.

O desejo de ter possuído uma família constituída de pai e mãe, frustrou a sua aspiração de criança e adolescente, refletindo, provavelmente, no seu comportamento de adulto no relacionamento com os familiares (esposa e filhos).

E como (RM) abandonou o tratamento de desintoxicação no AA, retornou as agressões físicas com os familiares, contribuindo para o clima de difícil relacionamento. O desdobramento deste caso foi conduzido pelo ETAJJ em virtude do respaldo jurídico que oferece para os usuários.

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Consideramos que o SOF constitui-se um espaço privilegiado ao exercício da prática profissional, do assistente social, devido permitir aproximação com as famílias, entender o que se passa com elas e no compromisso ético de buscar alternativas de solução junto a rede de serviços sociais locais.

Temos, também, neste estudo de caso no depoimento de (L) o conhecimento do alcoolismo como doença, evidenciando que o alcoolista, não é um indivíduo isolado, já que está inserido numa realidade social, econômica, cultural e familiar.

Conforme VECCHIA (1999) os familiares de alcoolistas vivem geralmente uma contradição, quando se deparam com este problema, pois, querem auxiliar o alcoolista, mas não sabem como, e muitas vezes, reproduzem o estigma que a sociedade lhe impinge. E assim, há uma tripla estigmatização: o alcoolista pela

sociedade, da família do alcoolista pela sociedade e do alcoolista pela sua própria família.

Sendo assim, a família emerge como uma representação reprodutora e estigmatizante da doença do alcoolismo.

Ao mesmo tempo em que o alcoolismo

é considerado uma doença da

família, por envolver o bem estar dos familiares, afetado emocional e fisicamente.

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Com o propósito de dar um apoio a estes familiares o Serviço Social, no SOF tem a responsabilidade de prestar orientação e encaminhamento, utilizando a rede de serviços.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vimos neste estudo, que o alcoolismo é considerado uma forma de privação, devido em parte, a influência que o alcoolista recebe da família e da sociedade para continuar nessa condição, ocasionando conseqüências, como transtornos físicos, emocionais, psicológicos, que irão afetar o alcoolista e seus familiares.

O SOF Serviço de Orientação à Família é o espaço onde os membros da família encontram oportunidades de receber ajuda e orientação para tratamento e recuperação de seu alcoolista.

Verificamos na experiência/prática o que nos ensinou a teoria apreendida no Curso de Serviço Social em FISHMAN sobre a orientação da família que a criança e o adolescente tem menor possibilidade de dissabores no futuro. O papel da família é relevante na prevenção, tratamento e recuperação do alcoolista com motivações para soluções e equilíbrio no relacionamento da família.

No caso objeto de análise deste estudo observamos que há uma tendência a conceituar a família a partir da menção dos papéis desempenhados pelos seus membros. A família é o grupo social responsável pela pessoa como cidadão, embora seja constituída pela família monoparental, com chefia feminina, no caso estudado.

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A convivência do alcoolista, quando criança com pais alcoolistas em ambiente permissivo, facilitador e motivador ao consumo de álcool contribuiu para os filhos tornarem-se um alcoolista no futuro.

Consideramos o alcoolismo uma doença da

família, sob dois aspectos:

primeiro, porque o adolescente recebe incentivo na própria família, no exemplo de pais e outros parentes e segundo, devido o contágio que o alcoolista repassa para sua família na forma de conflitos.

Neste sentido, acreditamos que conseguimos entender os motivos que levam as pessoas a experimentação do álcool e como o Serviço Social no SOF intervém com a questão do alcoolismo em família, merecendo ser percebido como tal pelo próprio indivíduo (incluído na sociedade), especialmente da prevenção e tratamento.

Melhor seria se as pessoas não fossem estimuladas ao consumo de álcool, certamente seríamos uma sociedade sóbria, justa e humana.

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