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VANESSA DA SILVA CAVALCANTE

LIVRO ELETRÔNICO

RECIFE - PE
2009
VANESSA DA SILVA CAVALCANTE

LIVRO ELETRÔNICO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Departamento de Ciência da Informação do
Centro de Artes e Comunicação da Universidade
Federal de Pernambuco, como requisito parcial
para obtenção do Grau de Bacharel em
Biblioteconomia.

Orientador: Prof. Fabio Assis Pinho

RECIFE – PE
2009
C376L Cavalcante, Vanessa da Silva
Livro eletrônico / Vanessa da Silva Cavalcante. – – Recife, 2009.
viii, 62 f. ; 28 cm

Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em


Biblioteconomia) – Universidade Federal de Pernambuco, 2009.
Orientador: Fabio Assis Pinho
Bibliografia

1. Livros eletrônicos. 2. Projeto Democratização da Leitura. 3.


Portal Domínio Público. I. Título.

CDD 020
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
CENTRO DE ARTES E COMUNICAÇÃO
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA

FOLHA DE APROVAÇÃO

Vanessa da Silva Cavalcante

LIVRO ELETRÔNICO

Aprovado em: 02/12/2009

Banca Examinadora:

________________________________
Prof. Fabio Assis Pinho (Orientador)

_________________________________
Prof. Anna Elizabeth Galvão Coutinho Correia

_________________________________
Prof. Renato Fernandes Correa

Conceito Final:________

Recife – PE
2009
DEDICATÓRIA

À minha mãe Maria da Conceição,

Sou extremamente grata por ter sido a responsável por alimentar a minha paixão pela
leitura, através da série infanto-juvenil “Vaga-lume”; e, desde o início da minha trajetória
acadêmica, sempre acreditou na minha capacidade, me apoiando e estando presente em todos
os momentos da minha vida.
Sou o que sou hoje graças à sua dedicação, confiança, companheirismo, amizade,
crença e amor.

Obrigada por tudo!


AGRADECIMENTOS

A todas às pessoas que, diretamente e/ou indiretamente, contribuíram para a conclusão


deste trabalho, em especial a Ítalo Lopes, pelo apoio técnico no capítulo 4 e tradução do
resumo para a língua inglesa, Márcia Parra pelos conselhos nos momentos de desespero e
angústia, e Paulo Silvério pela presença nos meus momentos de instabilidade emocional.
Ao professor Fabio Pinho pela paciência, dedicação e comprometimento ao aceitar ser
meu orientador, mesmo nunca tendo sido sua aluna em nenhuma disciplina (infelizmente) e
por ter me ajudado a elaborar e concluir este trabalho.
A Andrea Sophia pela sua fiel companhia e auxílio a todo instante, incansavelmente,
preservando todo meu conteúdo acadêmico.
Ao Departamento de Defesa Norte-Americano pela criação do projeto militar Arpanet,
que deu origem à internet; Tim Berners-Lee e CERN, criadores da World Wide Web;
Gutenberg, responsável pela utilização da tipografia e impressão; Vannevar Bush e seu
conceito de livro eletrônico e de biblioteca digital, e tantos outros que se empenharam e se
empenham para aprimorar as novas tecnologias de informação e comunicação – sem eles, este
trabalho não teria fundamento algum para ser concebido.
Ao portal PDL por disponibilizar, gratuitamente, diversos e-books que não localizei
em bibliotecas tradicionais, e por enriquecerem e satisfazerem as minhas leituras. Graças aos
vários voluntários do fórum, tive (e ainda tenho) acesso a escritores que sempre tive vontade
de ler e à oportunidade para conhecer novas obras literárias.
Em especial para meus incentivadores: Jostein Gaarder, J.K. Rowling, Paulo Coelho,
Jane Austen, Friedrich Nietzsche, Pedro Bandeira, Ana Maria Machado, Marcos Rey, Eva
Furnari, Stephenie Meyer, Stephen King, Carlos Drummond de Andrade, Lemony Snicket,
Mario Quintana, Florbela Espanca, George Orwell, Marcos Bagno, Roald Dahl, Aldous
Huxley, Anthony Burgess, Meg Cabot, Stieg Larsson, Sidney Sheldon, J.D. Salinger,
Mauricio de Souza, William Gibson, J.R.R. Tolkien, Marcelo Duarte, Markus Zusak, José
Ricardo Moreira, Marian Keyes, Sylvia Orthof, André Vianco, Fanny Abramovitch, Kurt
Vonnegut Jr., Philip K. Dick, Isaac Asimov, Nicholas Sparks, C.S. Lewis e tantos outros
escritores que sempre me proporcionaram maravilhosos e apaixonantes poemas, grandes
histórias e enredos espetaculares, personagens cativantes e inesquecíveis e o precioso prazer
da leitura.
difícil prever exatamente o que resultará dessa (r)evolução, mas certamente os e-books terão lugar

É garantido na história; e isso não na qualidade de substituto dos livros convencionais. Ao conhecer esses
softwares, independente das peculiaridades de cada um, o usuário/leitor, ao utilizá-los, vai perceber que
são tecnologias diferentes e com propósitos distintos, sendo que ele é quem pode decidir qual deverá ser
o formato de livro que deverá predominar (SANTOS, 2003, apud BENÍCIO, 2003, p. 58).
RESUMO

A proposta deste trabalho é estudar a inserção dos livros eletrônicos (e-books) em portais de
acesso público através de uma pesquisa bibliográfica, desde o surgimento da escrita e dos
suportes físicos de armazenamento do registro do conhecimento humano. Conceitua, define,
caracteriza e analisa as vantagens e as desvantagens dos livros eletrônicos, além de explicar a
respeito dos dispositivos de leitura (devices) e dos programas específicos para sua leitura
(readers). Aborda as diversas nomenclaturas existentes para a biblioteca universal –
biblioteca digital, biblioteca eletrônica, biblioteca virtual, entre outras. Descreve a atuação do
bibliotecário na biblioteca digital. Comenta sobre as bibliotecas digitais gratuitas: Projeto
Democratização da Leitura (PDL), de caráter colaborativo, em que grupos de voluntários
digitalizam e disponibilizam livros, revistas e apostilas, e Portal Domínio Público, cujo acervo
é formado basicamente por obras de autores falecidos há setenta anos. Discute a questão dos
direitos autorais na Web devido ao processo de compartilhamento de livros digitalizados.

Palavras-chave: Livros eletrônicos. Biblioteca digital. Direitos autorais na Web. Atuação do


bibliotecário.
ABSTRACT

The purpose of this work is to study the history ‘e-books’ through a bibliographic research. It
will be guided since the establishment of human writing and all physical tools that store the
registers of human’s knowledge. Concept, define, characterize and analyze the advantages
and disadvantages of the use of ‘e-books’. Besides that, it is offered comments about ‘devices’
and ‘readers’. It explains the variety of concepts to ‘Universal Library’ – such as ‘digital
library’, ‘electronic library’, ‘virtual library’ and so on. It describes the performance of the
librarian toward digital library. It comments about for free digital libraries are carefully stated:
Project Democratization of Reading (PDR) – in which groups of people voluntarily provide
digitalized books, magazines, hand-outs. Plus, we have the Public Domain Portal whose
collection of books are mainly composed by writers deceased around 70 years ago. Moreover,
it discusses the issue of ‘Copyright’ in the web due to the process of digitalized books
sharing. It profiles governmental projects that intend to minimize the web access social
exclusion in Brazil and the current situation of the publishing market.

Keywords: Eletronic books. Digital library. Copyright in the Web. Librarian.


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 – MEMEX ........................................................................................................... 9


Figura 2 – Dispositivos eletrônicos portáteis .....................................................................10
Figura 3 – Rocket e-book e SoftBook Reader ...................................................................13
Figura 4 – Flepia.................................................................................................................14
Figura 5 – Kindle 2.............................................................................................................15
Figura 6 – Bbook (braile book) .........................................................................................15
Figura 7 – Adobe Acrobat eBook Reader .........................................................................17
Figura 8 – eRocket..............................................................................................................17
Figura 9 – MobiPocket Reader...........................................................................................18
Figura 10 – MS Reader.......................................................................................................18
Figura 11 – Paul Otlet com sua criação, o Mundaneum.....................................................24
Figura 12 – Internet (esquematização) ...............................................................................27
Figura 13 – Logomarca do PDL.........................................................................................37
Figura 14 – Tópicos do site PDL .......................................................................................37
Figura 15 – Home page do Portal Domínio Público ..........................................................39
LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Breve resumo das formas de armazenamento do conhecimento humano ........ 5


Quadro 2 – Aspectos do livro impresso .............................................................................. 7
Quadro 3 – Características dos livros eletrônicos ...............................................................19
Quadro 4 – Vantagens dos livros eletrônicos ......................................................................20
Quadro 5 – Desvantagens dos livros eletrônicos.................................................................20
Quadro 6 – Definições para a biblioteca do futuro .............................................................28
Quadro 7 – Resumo das definições .....................................................................................36
Quadro 8 – Violações dos direitos autorais ........................................................................45
Quadro 9 – Classificação das violações .............................................................................46
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 1
2 BREVE HISTÓRICO DOS REGISTROS DO CONHECIMENTO HUMANO..... 4
2.1 A escrita......................................................................................................................... 4
2.2 Livro impresso............................................................................................................... 5
2.3 Livro eletrônico (e-book) .............................................................................................. 7
2.3.1 Conceito................................................................................................................ 8
2.3.2 Definição .............................................................................................................. 9
2.3.3 Dispositivos eletrônicos de leitura (reading devices, e-books devices
ou e- readers) ......................................................................................................12
2.3.4 Softwares especiais de leitura (e-book readers ou readers).................................16
2.3.4.1 Adobe Acrobat eBook Reader .................................................................16
2.3.4.2 eRocket .....................................................................................................17
2.3.4.3 MobiPocket Reader .................................................................................17
2.3.4.4 MS Reader ................................................................................................18
2.3.5 Características, vantagens e desvantagens ...........................................................19
3 BIBLIOTECA DO FUTURO ........................................................................................23
3.1 Biblioteca universal .......................................................................................................23
3.2 Definição .......................................................................................................................28
3.2.1 Biblioteca Digital (BD) ou Biblioteca Eletrônica (BE) .......................................30
3.2.2 Biblioteca Híbrida (BH) .......................................................................................32
3.2.3 Biblioteca Virtual (BV) ........................................................................................33
3.3 Projeto Democratização da Leitura (PDL) ....................................................................36
3.4 Portal Domínio Público .................................................................................................39
4 DIREITO AUTORAL....................................................................................................40
5 A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA BIBLIOTECA DIGITAL......................49
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................51
REFERÊNCIAS ...............................................................................................................54
1 INTRODUÇÃO

“Ela disse em voz alta, com as palavras distribuídas por uma sala repleta de
ar frio e livros. Livros por toda parte. Cada parede era provida de estantes
apinhadas, mas imaculadas. Mal se conseguia ver a tinta. Havia toda forma
de estilos e letras diferentes nas lombadas dos livros, pretos, vermelhos,
cinzentos, de toda cor. Era uma das coisas mais lindas que Liesel Meminger
já tinha visto. Deslumbrada, ela sorriu à existência de uma sala daquelas!”
(ZUSAK, p. 123). 1

Ir à biblioteca e conseguir levar o livro desejado é um ato prazeroso para


qualquer leitor assíduo; todavia, frustrante quando não o encontra, ou porque existem
poucos exemplares disponíveis e foram todos emprestados, ou o mais grave, não há o
exemplar por ser uma obra esgotada ou que ainda não foi adquirida. Entretanto, em
apenas um clique, o livro que não havia na biblioteca está disponível na internet,
podendo ser lido a qualquer momento, sem se preocupar com a devolução.
Eis o fascínio que se encontra na internet, disponibilidade de acesso a diversas
bibliotecas digitais, nacionais e internacionais, abertas 24 horas por dia, acessíveis em
qualquer lugar, sem precisar sair de casa, e ainda, localizar vários títulos de obras –
algumas não mais publicadas – e até mesmo lançadas recentemente no mercado
editorial, com um preço, em determinados momentos, inacessível.
Com o surgimento da imprensa e do tipógrafo2 de Gutenberg, a partir do século
XV, que gerou “a difusão do livro” (CORREIA, 2000), as restrições de acesso à leitura
tornaram-se barreiras praticamente rompidas, ainda mais com o advento do livro
eletrônico, que pretende popularizar a disseminação à leitura; mas para isso, é
necessário que se criem políticas públicas para minimizar a infoexclusão (exclusão
digital).
Nota-se que as bibliotecas digitais tornaram-se um complemento para as
tradicionais, principalmente quando se busca uma determinada obra e não a encontra,
porém, acessível no meio eletrônico. Nesse novo ambiente, os profissionais da
informação terão um papel decisivo nos serviços que desempenham na biblioteca
tradicional, como de organização, administração dos acervos, catalogação, indexação e
de referência. Diniz (2000?) afirma que a grande quantidade de informação e a dinâmica

1
ZUSAK, Markus. A menina que roubava livros. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2007.
2
Impressão de livros por meio de caracteres em relevo.
2

da internet são os desafios para os bibliotecários desta nova era. No âmbito social, as
bibliotecas digitais facilitam no acesso a qualquer conteúdo disponibilizado na internet,
permitindo que escolas e universidades possam usufruir de materiais didáticos e livros
de literatura, por exemplo. Dessa maneira, todo esse material em formato eletrônico
poderá ser acessado de qualquer lugar que se tenha acesso à internet e, por isso, o
profissional deverá estar atento uma vez que a política de desenvolvimento de coleção
da unidade de informação estará influenciada por esse formato no qual as obras poderão
ser usadas, ou seja, cria-se uma coleção de livros eletrônicos.
Tem-se, então, definido o tema desta pesquisa que versa sobre os livros
eletrônicos. Para tanto, o problema da pesquisa indaga a falta de discussão com relação
à inserção dos livros eletrônicos em portais de acesso público e, consequentemente, a
negligência com relação aos direitos autorais e, em especial, a atuação do bibliotecário
nessa ambiência. A questão da pesquisa traz à tona a necessidade de identificar qual a
problemática da inserção do livro eletrônico nos portais de acesso público?
Desse modo, este trabalho tem como objetivo geral estudar a inserção do livro
eletrônico em portais de acesso público disponíveis na internet. Para alcançar o objetivo
geral foram considerados os seguintes objetivos específicos: descrever a inserção dos
livros eletrônicos nas bibliotecas digitais; escolher um termo apropriado para a
“biblioteca do futuro”; apontar vantagens e desvantagens do livro eletrônico; mencionar
o funcionamento das bibliotecas digitais gratuitas Projeto Democratização da Leitura
(PDL) e Portal Domínio Público; debater a questão dos direitos autorais na internet e
relatar a atuação do bibliotecário na biblioteca digital.
Portanto, a proposição deste estudo é saber como está sendo a inserção do livro
eletrônico em portais de acesso no meio eletrônico, identificando suas características,
onde as duas principais hipóteses são: que a inserção dos livros eletrônicos pode lançar
mão dos direitos autorais; e, o profissional bibliotecário deverá desenvolver outras
competências para atuar com esse tipo de material.
Com isso, essa pesquisa se justifica à medida que existem estudos incipientes
sobre a questão dos livros eletrônicos e, em especial, o impacto que eles provocaram no
mercado editorial e na internet, visto que “muita gente desconhece a existência dos e-
books e das possibilidades que eles podem oferecer a quem o utiliza” (BOTTENTUIT
JUNIOR; COUTINHO, 2007). Referente da escolha dos portais em análise (PDL e
Portal Domínio Público) foi motivada devido à gratuidade oferecida pelos mesmos, à
3

variedade de material disponível para download3, à popularidade e referências


conquistadas por diversos frequentadores das bibliotecas digitais supracitadas. Além
disso, a justificativa deste trabalho recai sobre o fato de que existem muitas experiências
frustrantes de não localizar o livro desejado nas bibliotecas, mas de conseguir encontrá-
los disponíveis na internet de forma gratuita, mesmo que para isso os direitos autorais
sejam desrespeitados. Isso também reflete no mercado de trabalho que está carente de
profissionais para trabalharem na organização e administração de bibliotecas digitais,
uma vez que a democratização do acesso à leitura através da internet e da inclusão
digital e social estão materializadas nesses portais.
Nesse sentido, este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica de
caráter exploratório, pois se pretende uma familiarização com o tema que trata dos
livros eletrônicos. Para isso, foi realizado um levantamento bibliográfico no período de
1994 até meados de 2009, em revistas da área de Ciência da Informação e correlatas à
área de Ciência da Computação, Comunicação Social e Direito Autoral.
Para tanto, organizou-se a estruturação deste estudo da seguinte maneira: na
primeira seção tem-se a introdução ao tema estudado; na seção 2, comenta-se sobre a
história da escrita e do livro impresso, definindo-se o livro eletrônico, além de abordar
suas características, vantagens e desvantagens. Na seção 3, elencam-se os vários termos
destinados à biblioteca do futuro, no qual, optou-se em utilizar a expressão biblioteca
digital e comentar sobre o Projeto Democratização da Leitura (PDL) e Portal Domínio
Público, administrado pela Secretaria de Educação a Distância do Ministério da
Educação. Na seção 4 explora-se sobre o direito autoral e sua legislação no meio
eletrônico. Na seção 5, analisou-se a função do bibliotecário e sua atuação na biblioteca
digital. A seção 6 traz as considerações finais no que tange ao futuro do livro impresso e
possíveis previsões quanto ao livro eletrônico, caracterizando, dessa forma, o paradigma
da informação impressa vivenciada na contemporaneidade.

3
Transferência de um para outro computador – estando ambos conectados à Internet – de banco de dados,
softwares, sons, imagens ou qualquer outra informação, sendo, assim, uma nova forma de transmissão
(eletrônica) e de eventual distribuição de obras intelectuais protegidas pelo direito autoral ou de domínio
público (GANDELMAN, 1997).
4

2 BREVE HISTÓRICO DOS REGISTROS DO CONHECIMENTO HUMANO

Nessa seção estão relatados os aspectos tangenciais dos registros do


conhecimento humano tais como a história da escrita e do livro impresso, bem como a
definição de livro eletrônico e suas características, vantagens e desvantagens.

2.1 A escrita

A escrita é apenas um – provavelmente o mais perfeito e menos obscuro –


entre inúmeros outros sistemas de linguagem visual (MARTINS, 1998, p. 33).

Desde que o homem desenvolveu a escrita, houve a necessidade de se armazenar


todo o conhecimento adquirido e produzido pela humanidade. Queiroz (2007) comenta
que sem a escrita, a cultura não existiria e que diversas atividades como a lei, a religião,
o comércio, a poesia, a filosofia e a história, seriam completamente restritas. Para Dias
(1999), a escrita trouxe uma nova perspectiva para a comunicação e passou a tomar
conhecimento de fatos presenciados ou relatos feitos por pessoas que viveram em outras
épocas e lugares. Segundo Carvalho (2006), a escrita veio para constituir em um
poderoso recurso de expressão do homem, sendo um instrumento de fixação de textos,
legitimando o registro escrito original e probatório.
Higounet (2003) classifica a escrita em não-alfabética e alfabética. As não-
alfabéticas são as escritas cuneiforme (do latim cuneus “cunha”, e forma “forma”),
hieroglífica (do grego hieros “sagrado”, glyphein “gravar) e ideográfica (caracteres
chineses). As alfabéticas (do latim alphabetum) são “um sistema de sinais que
exprimem os sons elementares da linguagem” (QUEIROZ, 2007). Correia (2000)
enfatiza a importância do alfabeto como uma condição de democratização do
conhecimento da escrita e veículo de transmissão do conhecimento de povos e culturas.
Com a escrita surgiu a necessidade da utilização de suportes físicos para então se
fazer o registro do conhecimento, perpetuar seu conteúdo e transmitir sua informação.
Benício (2003) cita vários artefatos utilizados: argila, ossos, conchas, marfim, folhas de
palmeiras, bambu, metal, cascas de árvores e couro. Machado (1994), Pereira (1995),
Martins (1998), Dias (1999), Pereira e Rutina (1999), Correia (2000), Costa (2000),
Silva (2000), Cavalcante e Duarte (2003?), Farbiarz e Nojima (2003), Aquino (2004),
5

Mello Junior (2004), Oliveira (2004), Niederauer (2006) e Queiroz (2007) relatam
outros suportes: alabastro, alumínio, bronze, cera, cerâmica, cimento, cobre, estanho,
latão, látex, mármore, ouro, papiro, pergaminho, pedras, plástico, prata, tábuas de
madeira, rolos, in-fólios4, códex5, papel6, até transformar o formato impresso no
formato digital ou eletrônico.

Quadro 1 – Breve resumo das formas de armazenamento do conhecimento humano


Pictográfica, cuneiforme, mnemônica,
Escrita ideográfica, hieroglífica e fonética (silábica e
alfabética).
Pedra, bronze, tabletes de argila, inscrições nas
paredes das cavernas e de pirâmides,
Suporte físico mausoléus, monumentos e placas de bronze no
Egito antigo, chumbo, prata e ouro,
pergaminho, papiro e papel.
Fonte: Adaptado de Silva (2000).

2.2 Livro impresso

O livro impresso foi considerado como um instrumento de libertação do


homem, por favorecer as classes menos favorecidas o acesso ao
conhecimento. (BENÍCIO, 2003, p. 30)

Os primeiros livros eram manuscritos7 produzidos por monges copistas nos


monastérios e abadias, uma exclusividade da Igreja, por serem considerados sagrados.
Carvalho (2006) comenta que a Igreja, através da imprensa, desencadeou um processo
de disseminação dos evangelhos ao público. De acordo com Martins (1998), os livros e
a palavra escrita eram o mistério, o elemento carregado de poderes maléficos e que
cumpria manuseá-los com os conhecimentos exorcismatórios indispensáveis. Persona
(2000?) complementa afirmando que o livro era um perigo porque transportava ideias
como estopim, além de ser considerado um problema para quem detinha o poder. Na
Idade Média, os livros eram feitos sob encomenda para a nobreza e para o clero e sua
circulação era restrita por falta de leitores devido ao analfabetismo. Queiroz (2007)

4
Conjunto de folhas reunidas bem mais simples para usar e armazenar informações que os rolos. Seria a
forma atual de um caderno (FARBIARZ; NOJIMA, 2003).
5
A formatação do livro atual se baseia no códice (códex)
6
De acordo com Persona (2000?) e Oliveira (2004), o papel surgiu na China, por volta do século II a.C.
7
Livros escritos à mão, que eram copiados, decorados e encadernados no formato de códex.
6

relata que a edição dos livros se fazia por iniciativa de nobres e clérigos: editavam-se
missais e manuais de teologia e obras de luxo, isto é, apenas quem possuía
conhecimento e dinheiro tinha acesso ao livro. Segundo Villaça (2002), a função do
livro era de conservação e manutenção da palavra sagrada.
No entanto, a limitação do acesso à leitura diminuiu com a invenção e a
utilização da imprensa e da tipografia8 de Gutenberg, surgindo, como definiu Chartier
(1994), dois dos três registros da mutação do livro: a revolução técnica e a revolução da
leitura silenciosa. Paiva (2008) considera este invento como um marco na história da
humanidade, propiciando a primeira revolução da informação. Rodrigues (2000?)
considera o livro como um repositório da experiência contínua das civilizações e
veículo da escrita do pensamento racional e científico e da informação, além de ser o
principal instrumento de extensão da memória coletiva e importante meio de
comunicação de massa, além de ter sido o instrumento de libertação do homem na
Revolução Francesa (1789). Para Frossard (2000) e Silva (2000) ocorreu a
popularização do conhecimento, criação de bibliotecas públicas, afrouxamento da Igreja
como única protetora do conhecimento e o surgimento do leitor. Segundo Silva (2000?)
houve maior disseminação da leitura, deixando de ser um ato exclusivo do clérigo e da
alta corte, iniciando a comunicação em massa e a entrada do impresso no cotidiano da
população. Para Chartier (2005), a impressa facilitou a circulação dos textos, permitindo
aos leitores acesso a mais textos. Já Queiroz (2007) argumenta que com a invenção
reduziu o tempo de reprodução do texto e a diminuição no custo do livro.

Com o invento da prensa de Gutenberg, o livro impresso, feito de papéis


costurados e posteriormente encapados, torna-se realidade. Com essa
invenção foi possível fazer vários exemplares da mesma obra a um preço
acessível, popularizando e democratizando a leitura (IG EDUCAÇÃO,
2009).

Para Benício (2003), a invenção da imprensa e a utilização do papel:

geraram uma nova situação de acessibilidade: o livro, tornando-o um


estímulo ao conhecimento das letras e a geração de novas informações,
configurando-se numa tecnologia revolucionária ao viabilizar um maior
acesso e disseminação da informação.

8
Impressão com tipos ou caracteres removíveis, reutilizáveis e feitos de metal (DIAS, 1999). De acordo
com Oliveira (2004) os chineses foram os precursores da técnica de utilização da imprensa. No século XI,
um alquimista chinês criou tipos móveis, letras reutilizáveis e agrupáveis para formar textos.
7

O alemão Johannes Gutenberg (1390?-1468), por volta do século XV, “em posse
do conhecimento do papel, da tinta e da matriz” (OLIVEIRA, 2004), fez a primeira
impressão da Bíblia (FERRARI; DEODATO; PEREIRA, 2009). Permitiu, segundo
Correia (2000), que os textos sagrados, durante a Reforma Protestante, passassem a ser
traduzidos para a língua vernácula (antes só eram em latim) para serem acessíveis aos
fiéis.
Através da imprensa, originou-se também, no período da Revolução Industrial,
no século XIX, o surgimento da prensa metálica, prensa de rolos e a pedal e mecânica a
vapor, fazendo aumentar a produção editorial, a divulgação cultural e a importância das
bibliotecas públicas, com a função de democratização da leitura, formação de acervos e
socialização das camadas sociais (RODRIGUES, 2000?).

Quadro 2 – Aspectos do livro impresso


Como artefato, resultado da produção
Físico cultural de uma determinada época e
sociedade.
Função de registro, ou seja, de testemunho
Documental
de fatos inscritos na sua superfície.
Não é somente um testemunho, mas
Mediático também um agente da difusão e
transferência da informação.
Fonte: Adaptado de Correia (2000).

2.3 Livro eletrônico (e-book)

A revolução do livro eletrônico é uma revolução das estruturas do suporte


material do escrito assim como nas maneiras de ler (CHARTIER, 1999, p.
13).

Explicaremos o conceito e a evolução da ideia de livro eletrônico, idealizada


pelo cientista norte-americano Vannevar Bush (1890-1974), além de abordar a respeito
dos dispositivos e softwares de leitura, características, vantagens e desvantagens.
8

2.3.1 Conceito

A informação digital constitui uma realidade como meio de registro e


disseminação do conhecimento (VELASCO; ODDONE, 2007).

Antes de adentrarmos a atual tecnologia do livro eletrônico, a ideia do seu


aparecimento foi visualizada, primeiramente, pelo cientista norte-americano Vannevar
Bush (1890-1974), diretor do Office for Scientific Research and Development
(Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento Científico) dos Estados Unidos
(PAIVA, 2008).
Em 1945, Bush escreveu um artigo para o periódico The Atlantic Monthly,
intitulado “As we may think”9, retratando sobre o primeiro protótipo de uma máquina de
leitura, o MEMEX (MEMory EXtension10), artefato no qual um indivíduo armazenaria
todos os seus livros, registros e comunicações (CRUZ, 2009?). Além de ser o
idealizador do MEMEX, Bush também foi um dos precursores do conceito de
hipertexto11 (PEREIRA, 1995).
O MEMEX, segundo Paiva (2008), permitiria que o usuário colecionasse seus
dados, guardando os processos mentais utilizados em suas pesquisas. Farbiarz e Nojima
(2003) relatam que o MEMEX fica muito próximo ao livro eletrônico de hoje e que
poderia armazenar centenas de materiais, incluindo notas manuscritas, registros
datilográficos e fotos. Sua descrição viria a ser o PC12 multimídia conectado à internet
ou um computador de bolso atual. Silva (2000) enfatiza que o equipamento seria um
armazenamento e recuperação para a leitura de várias obras disponíveis em um
dispositivo eletrônico. Procópio (2005) confirma que o MEMEX é o conceito do livro
eletrônico atual, usado para acessar informações e contribuir com a disseminação do
conhecimento mundial. Dias (1999) complementa:

Bush descreveu o Memex como um dispositivo mecanizado em que uma


pessoa guardaria todos os seus livros, fotos, jornais, revistas e
correspondências e poderia consultá-los de forma rápida e flexível, como se
fosse uma extensão de sua memória.

9
Em português “Como poderíamos pensar”.
10
Em português memória extensiva.
11
Uma forma de texto que inclui links visíveis para páginas de texto ou de outras mídias, acessíveis
mediante o clique do mouse no link selecionado. Tecnologia pela qual se liga determinado texto, de uma
maneira não-linear, com outro texto, som e/ou imagens (GANDELMAN, 1997).
12
Abreviação de Personal Computer (computador pessoal).
9

Figura 1 – MEMEX
Fonte: Tolva (1999 apud DIAS, 1999)

Na figura acima, Dias (1999) explica que o MEMEX seria uma mesa com telas
translúcidas, com teclado, botões, alavancas e mecanismos de armazenamento, gravação
e projeção baseados no uso de microfilmes.
Allan Kay, outro cientista norte-americano, da Xerox Corporation, também teve
pensamento semelhante ao de Bush. Em 1968, ele previu a chegada, por volta da década
de 90, do Dynabook (CAVALCANTE; DUARTE, 2003?), que seria

(...) um livro dinâmico, espécie de computador portátil, de baixo consumo de


energia, com o tamanho e aspecto de um livro, com duas telas em forma de
páginas, com textos e ilustrações, em cores, e legibilidade perfeita, iguais às
de um livro impresso (SILVA; BUFREM, 2001).

2.3.2 Definição

O e-book desenvolveu-se graças ao aperfeiçoamento de programas que


imitam a diagramação de um impresso. Como hardware, oferece a qualidade
da portabilidade, armazenagem de vários textos ou livros em um único
exemplar, facilitando o transporte e permitindo a leitura no escuro (SILVA;
BUFREM, 2001).

Livro eletrônico, também conhecido pelos termos em inglês e-book (do


acrônimo electronic book)13 e i-book14, é um livro digital que pode ser lido em uma tela
de computador, notebook ou em algum dispositivo eletrônico portátil (conhecidos como
reading devices ou e-books devices), que são: HandHelds, PocketPCs, Palm Top
(denominados computadores de mão ou PDA15), em alguns aparelhos de celular, de
mp4 e variações. Também há a possibilidade de permitir que o iPhone, da Apple,
também possa servir para leitura de e-books. (BALLESTER RODRÍGUEZ, 2009).

13
Farbiarz e Nojima (2003); Procópio (2005).
14
Silva (2000).
15
Abreviatura de Personal Digital Assistant (assistente particular digital).
10

Velasco e Oddone (2007) conceituam o livro eletrônico como aquele que, em


formato digital, pode ser baixado, gratuitamente, na internet, através de download para o
computador. Oliveira (2000?) complementa a definição, comentando que o livro
eletrônico só existe como informação, como um conjunto de bits16, não tendo existência
geográfica concreta.

Figura 2 – dispositivos eletrônicos portáteis


Fonte: Bottentuit Junior e Coutinho (2007)

É necessário destrinchar o conceito de e-book, pois, tanto pode ser o dispositivo


de leitura como o próprio texto em formato eletrônico. Neste estudo, baseado em Mello
Junior (2004), que considera livro eletrônico “todo o livro produzido em suporte
digital”, o termo e-book será usado para definir o texto eletrônico.
O site Universia define e-book como um livro com capítulo, sumário, índice,
fotos e orelhas no formato eletrônico. De acordo com Rao (2005 apud PINSKY, 2009)
o livro eletrônico possui quatro dimensões: conteúdo – propriedade intelectual; formato
– documento ou formato do arquivo; leitor – software e aparelho de leitura – aparelho
portátil ou hardware17 de leitura. Da mesma opinião, Santos (2009?) divide o conceito
em três partes: o livro – o título em si ou a obra escrita, o reader – aplicativo que auxilia
na leitura do livro na tela e o dispositivo de leitura – o recipiente ou o suporte dos livros.
Silva e Bufrem (2001 apud CAVALCANTE; DUARTE, 2003?) comentam que o e-
book é um aparelho de leitura de textos, em formato digital, que fornece funcionalidades
de um livro de papel, inclusive a mais importante delas, a portabilidade. Para Bottentuit
Junior e Coutinho (2007) e-book é a utilização de livros através de dispositivos
eletrônicos. Correia (2000) prefere chamá-lo de armazenamento digital de informação.
Frossard (2000) analisa os e-books como uma disseminação instantânea do
conhecimento. Benício (2003) enfatiza que os e-books não são os livros eletrônicos que
16
Unidade mínima de informação processada por um computador. (ACADEMIA BRASILEIRA DE
LETRAS, 2008).
17
Unidades físicas, componentes, circuitos integrados, discos e mecanismos que compõem um
computador ou seus periféricos (DICIONÁRIO ELETRÔNICO MICHAELIS, [2000?]).
11

usam tecnologia de ponta e são lidos em minicomputadores portáteis, mas também os


arquivos de livros que podem ser acessados pela internet, disponíveis em sites de
bibliotecas eletrônicas, livrarias e lojas virtuais. Já Villaça (2002) aponta as facilidades de
compilação e vantagens quanto à eliminação de barreiras de tempo, espaço e seleção,
proporcionando rapidez e barateamento do acesso às obras. Para Silva (2000), o termo
ainda não possui uma designação própria; então, preferiu citar seis conceitos de outros
autores:

Uma coleção de páginas de informação dinâmicas, interativas que executam


a metáfora do livro (BARKER, 1991, p. 275 apud SILVA, 2000);

O livro eletrônico são sistemas de entrega de informação que são capazes de


prover seus usuários com acesso a páginas de informação eletrônica com que
podem interagir (BARKER, 1993, p. 32 apud SILVA, 2000);

Representações do conhecimento em hipertexto em um ambiente de rede


mundial (FROSSARD, 1998, p. 43 apud SILVA, 2000);

É um dispositivo para ler textos e ver imagens no formato eletrônico


(WHAT’S..., 1999 apud SILVA, 2000);

Dispositivo aplicado para funções específicas (MCKENNA, 1998 apud


SILVA, 2000);

São produtos híbridos que combinam as capacidades de visualização de


textos com a versatilidade dos computadores, entre as quais, ecrãs sensíveis
ao toque, portabilidade, capacidade de alteração do tipo e tamanho da fonte,
assim como a inclusão de dicionários gramaticais e/ou técnicos (RIBEIRO,
2000 apud SILVA, 2000).

Os e-books tornaram-se populares a partir de 2000, quando o escritor norte-


americano Stephen King, autor consagrado de literatura de suspense e de terror,
desafiou os seus leitores internautas, ao lançar, gratuitamente, o seu romance “Ride the
Bullet”, de 66 páginas (MELLO JUNIOR, 2004).
Oliveira (2000?) relata que os sites Amazon (cobrava U$ 2,50) e Barnes&Noble
(fez promoção para os seus visitantes ao distribuí-lo gratuitamente) ficaram
encarregados pela distribuição, sendo que os servidores de ambos ficaram
congestionados, causando a retirada da página do ar, devido ao excesso de downloads.
Após a experiência, King incitou novamente seus leitores, desta vez com “The
Plant”, que foi disponibilizado em seu site pessoal, apenas o primeiro capítulo
(PINSKY, 2009). Então propôs que:

se 75% dos leitores pagassem pelo primeiro trecho do livro, ele soltaria o
segundo. Se a mesma proporção dos que baixaram o segundo capítulo
pagassem por ele, o autor soltaria a terceira parte. E assim por diante
(MARQUEZI, 2000, p. 78).
12

No Brasil, esta mesma façanha aconteceu no site Submarino, ao lançar o livro


“Miséria e grandeza do amor de Benedita”, de João Ubaldo Ribeiro, vendendo quatro
mil cópias. E depois foi a vez de Mário Prata publicar no site Terra o livro “Anjos de
Badaró” (OLIVEIRA, 2000?).
Neste mesmo ano, começaram a surgir as editoras virtuais brasileiras (e-
editoras) Virtual Books18, Escreva, iEditora e Hotbook, cedendo oportunidade para
autores desconhecidos e iniciantes publicarem seus livros digitais (BENÍCIO, 2003).

2.3.3 Dispositivos eletrônicos de leitura (reading devices, e-books devices ou e-


readers19)

A inserção de novos suportes tecnológicos resultantes do avanço das


tecnologias da informação e da comunicação influencia os processos de
escrita e de leitura (CARVALHO, 2006).

Como e-book tanto pode ser o texto eletrônico ou o aparelho para a leitura, o
termo dispositivos eletrônicos, neste estudo, é utilizado para a leitura dos e-books,
denominados em inglês como reading devices, e-books devices ou e-readers. Estes
equipamentos são portáteis, do tamanho aproximado de um livro comum e podem ser
transportados facilmente para qualquer lugar e armazenar centenas de e-books, sendo
que pode ser transformado em uma “biblioteca de bolso”.
Um dos primeiros dispositivos de leitura para e-books lançados foram o Rocket
e-book, da empresa NuvoMedia Inc., e SoftBook Reader, pela SoftBook Press, em 1998.
Ambos são capazes de armazenar em média 5.000 páginas, com textos, gráficos,
ilustrações e figuras (BOTTENTUIT JUNIOR; COUTINHO, 2007). Na Europa, a
França foi a pioneira, ao lançar o Cytale (antes Cybook), no Salão do Livro de Paris, em
março de 2000 (SILVA; BUFREM, 2001).

18
<http://www.terra.com.br/virtualbooks>
19
Leitor de livros eletrônicos (VELASCO; ODDONE, 2007). Silva e Bufrem (2001) denominam leitoras
portáteis.
13

Figura 3 – Rocket e-book e SoftBook Reader


Fonte: site eBookZine20

Esses aparelhos possuem as principais características (SANTOS, 2009?):

• capacidade de grande armazenamento: milhares de páginas de texto e


gráficos;
• possui tela de LCD touchscreen (sensível a toque);
• permite luminosidade ajustável: um backlight ajusta a intensidade da luz na
tela do aparelho, concedendo à leitura no escuro;
• baterias duradouras;
• peso mínimo para garantir portabilidade;
• possibilidade de expansão da memória, através da utilização de cartões
micro-SD, entre outros.

Na feira do livro de Frankfurt, na Alemanha, em outubro de 2008, foram


lançados novos aparelhos como Readius, iLiad, Sony Reader PRS 505, JetBook, entre
outros (MARTINS, 2008), com design arrojado, praticidade e maior capacidade de
armazenamento, além de poder editar, anotar e marcar trechos (bookmarks21), sendo que
em alguns modelos, o usuário pode baixar o conteúdo diretamente da internet, através
de conexão wi-fi22 (ou wireless23). A maioria desses dispositivos é fabricada na Europa,
Estados Unidos e Japão e ainda não está disponível e nem comercializada no Brasil.

20
[IMAGENS de readers], Ebookzine, [2009?]. Disponível em:
<http://www.ebookcult.com.br/ebookzine/galeria/paginaimagens.html>. Acesso em 20 out. 2009.
21
Marcadores de páginas.
22
Nome (marca registrada) de uma tecnologia que permite a conexão sem fio e de alta velocidade com a
internet através de ondas de rádio. Fonte: AISA. Dicionário Internet. 2009. Disponível em:
<http://www.aisa.com.br/diciona.html>. Acesso em: 20 out. 2009.
23
Rede sem fio de comunicação via internet.
14

No entanto, existe apenas um modelo brasileiro, o eBook Reader, produzido e


comercializado pelo site eBookCult24; porém, sua aquisição ainda não é acessível a
todos. E há o projeto de um protótipo, o BR-100-NTX Braview, que será montado no
Brasil com peças importadas de Taiwan, com lançamento previsto para 2010
(SANTOS, 2009).
Em 2009, foram lançados mais dois novos equipamentos. Em fevereiro, o
Kindle 2, da livraria virtual norte-americana Amazon.com (MENDONÇA, 2009), e em
março, o Flepia, da empresa japonesa Fujitsu (G1, 2009). O Kindle 2 é do tamanho de
um livro pequeno e armazena por volta de 200 obras ao mesmo tempo. Possui um
teclado, possibilitando que o leitor faça anotações ou marque alguma página. É possível
comprar livros, jornais ou revistas nas principais cidades dos Estados Unidos, através de
conexão sem fio; no entanto, o usuário fica limitado a utilizar exclusivamente o site da
Amazon para fazer o download, pois esta possui todo o controle da sua coleção
(SANTOS, 2009), que está em torno de 230.000 títulos disponíveis para ler no
dispositivo (RODRÍGUEZ BALLESTER, 2009). Já o Flepia tem tecnologia de
comunicação wi-fi, Bluetooth252.0, uma entrada USB26 para conectar o aparelho ao
computador e permite o download de obras literárias, até mesmo com um telefone
celular conectado à internet. O aparelho pode armazenar, através de um cartão de
memória de quatro gigas, 5.000 obras digitais de 300 páginas (G1, 2009).

Figura 4 - Flepia
Fonte: site G127

24
<http://www.ebookcult.com.br>.
25
Sistema de comunicação sem fio para conectar eletrônicos de consumo e computadores. Recebeu este
nome em homenagem ao rei viking Harald Blatand (ou Bluetooth, dente azul), que governou a Dinamarca
entre os anos 940 e 981. Fonte: CRUZ, Renato. Glossário. 2007. Disponível em:
<http://www.estadao.com.br/tvdigital/glossariob.shtm>. Acesso em: 20 out. 2009.
26
Universal Serial Bus: protocolo para transferência de dados para dispositivos digitais. Fonte:
Microsoft. Glossário de fotografia digital. 2002. Disponível em:
<http://www.microsoft.com/brasil/windowsxp/using/digitalphotography/glossary/default.mspx>. Acesso
em: 20 out. 2009.
27
LIVRO eletrônico com tela colorida sai por US$ 1 mil no Japão. G1, 2009. Disponível em:
15

Figura 5 – Kindle 2, do site Amazon.com


Fonte: Blog E-books Grátis28

Além desses modelos, existem dois protótipos em andamento – um chinês e um


espanhol – para cegos, reforçando que foi através dos “grupos de apoio aos deficientes
visuais e à legislação específica sobre direitos autorais para cegos29 que surgiram boa
parte dos primeiros e-books na internet” (BLOG E-BOOKS GRÁTIS, 2009), e
lembrando que um dos objetivos dos e-books é a democratização do acesso à leitura
para todos.

Figura 6 – Bbook (braile book)


Fonte: Blog E-books Grátis30

<http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1049752-6174,00-
LIVRO+ELETRONICO+COM+TELA+COLORIDA+SAI+POR+US+MIL+NO+JAPAO.html>. Acesso
em: 20 out. 2009.
28
OS LIVROS do futuro já estão aqui, goste você ou não. Blog E-books Grátis, 2009. Disponível em:
<http://ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/papo-cabeca/papo-cabeca-os-livros-do-futuro-ja-estao-
ai-goste-voce-ou-nao/comment-page-1/#comment-3465>. Acesso em: 06 ago. 2009.
29
Não constitui ofensa aos direitos autorais: de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso
exclusivo de deficientes visuais, sempre que a reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante o
sistema Braille ou outro procedimento em qualquer suporte para esses destinatários (LEI n. 9.610, de
19/02/1998, artigo 46, inciso I, item d).
30
LEITORES de e-books para cegos próximos da realidade. Blog E-books Grátis, 2009. Disponível em:
<http://ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/papo-cabeca/curiosidades-leitores-de-e-books-para-
cegos-proximos-da-realidade/>. Acesso em: 16 jun. 2009.
16

2.3.4 Softwares especiais de leitura (e-book readers ou readers31)

“Uma nova tecnologia possa abolir alguma coisa que consideramos


preciosa (VILLAÇA, 2002, p. 102).

Software é a denominação para programas32. Os programas para a leitura dos e-


books são chamados de readers e são distribuídos, gratuitamente, para download
(UNIVERSIA, 2002; PROCÓPIO, 2005). Santos (2009?) define reader como um
software ou um aplicativo desenvolvido para auxiliar na leitura de livros digitais.
Existem diversos aplicativos, no entanto, o usuário precisa saber que nem todos
os formatos são compatíveis em alguns aparelhos. Caso queira ler no celular ou no mp4,
os formatos apropriados são PDF33 (Adobe Reader), DOC (Word) ou TXT (bloco de
notas).
Devido ao fato de existirem muitos readers, relatamos apenas quatro:

2.3.4.1 Adobe Acrobat eBook Reader34


Desenvolvido pela empresa norte-americana Adobe Systems é utilizado para
arquivos em digitais em formato PDF. Segundo o site Universia, “o programa vem com
recursos de segurança para comércio eletrônico de livros que protege os direitos autorais
de uma obra, evitando pirataria”. Santos (2003 apud BENÍCIO, 2003), o considera o
melhor leitor de livro eletrônico disponível, por possuir recursos como: marcador de
texto, lupa, melhor visualização de páginas duplas e apresenta-se num sistema de
livraria pessoal, que permite guardar e organizar e-books numa biblioteca digital.

31
Software ou aplicativo desenvolvido para auxiliar na leitura de livros nas telas de computadores de
mesa, nas telas de computadores portáteis ou de bolso, ou na tela de dispositivos dedicados. Fonte: OS
MELHORES softwares reader para e-books. eBookZine, 2001. Disponível em:
< http://www.ebookcult.com.br/ebookzine/ebookreadersoftware.htm>. Acesso em: 08 abr. 2009.
32
Conjunto de instruções que definem o que o computador deve fazer; software (ACADEMIA
BRASILEIRA DE LETRAS, 2008).
33
Abreviatura de Portable Document Format (arquivo em formato digital).
34
Disponível para download em: <http://get.adobe.com/br/reader/>.
17

Figura 7 – Adobe Acrobat eBook Reader


Fonte: Site Universia (2002)

2.3.4.2 eRocket35
Criado e disponibilizado, gratuitamente, pela empresa norte-americana
Nuvomedia, simula o Rocket eBook na tela do computador, proporcionando a leitura de
livros no formato RB (Rocket eBook).

Figura 8 – eRocket
Fonte: Ebooks Brasil (2003 apud BENÍCIO, 2003)

2.3.4.3 MobiPocket Reader36


Desenvolvido pela empresa francesa MobiPocket, é distribuído gratuitamente na
internet e há versões para diversos sistemas operacionais, sendo que aceita vários
formatos de livros digitais, como PBD (MobiPocket Reader), PRC (para Palm) e OeB37.

35
Disponível para download em:
<http://www.rocketreader.com/download/RocketReaderDownload.html>.
36
Disponível para download em: <http://www.mobipocket.com/en/DownloadSoft/default.asp>.
37
Padrão dos e-books (SANTOS, 2009?).
18

Figura 9 – MobiPocket Reader


Fonte: site Freeware (2009)38

4) MS Reader39
Desenvolvido e disponibilizado gratuitamente pela empresa norte-americana
Microsoft Corp., “dotado de tecnologia para segurança dos direitos autorais das obras
digitais” (UNIVERSIA, 2002). Benício (2003) comenta que permite a leitura de
arquivos no formato LIT40, e possui o software ClearType™41, que tenta fazer com que os
olhos do leitor não se cansem após horas de leitura, fazendo a tela do computador
parecer com a página de um livro, fornecendo a mesma resolução que há num livro
impresso (PROCÓPIO, 2005). O site Universia (2002) complementa, informando que
ele vem “equipado com uma ferramenta que melhora a resolução das letras na tela”. De
acordo com Santos (2009?), há “ferramentas exclusivas para quem pretende editar seu
próprio livro e distribuí-lo na Web”.

Figura 10 – MS Reader
Fonte: site Universia (2002)

38
Disponível em: < http://www.smartphone-freeware.com/pt/download-mobipocket-reader-v5-3-
582.html>. Acesso em: 23 out. 2009.
39
Disponível para download em: <http://www.microsoft.com/reader/downloads/pc.asp>.
40
Contração de literatura (BENÍCIO, 2003).
41
Disponível para download em: <http://www.microsoft.com/cleartype>
19

2.3.5 Características, vantagens e desvantagens

Uma máquina poética, que fizesse proliferar poemas inumeráveis; ou ainda


um gerador de textos, impulsionado por um movimento próprio, no qual
palavras e frases pudessem emergir, aglutinar-se, combinar-se em arranjos
precisos, para depois desfazer-se, atomizar-se em busca de novas
combinações (MACHADO, 1996, p. 165 apud VILLAÇA, 2002, p. 58).

O que torna os e-books atrativos? São muitas as características e as vantagens


que não deixam a desejar, mesmo com algumas desvantagens, que, conforme for a sua
evolução, poderão ser resolvidas, corrigidas e solucionadas.
Em relação às características, Niederauer (2002), Cavalcante e Duarte (2003?),
Farbiarz e Nojima (2003), Mello Junior (2004), Procópio (2005), Santos e Espírito
Santo (2006) e Santos (2009?) enumeram:

Quadro 3 – Características dos livros eletrônicos

Possibilidade de criação de biblioteca pessoal;


Acesso às livrarias e bibliotecas digitais, com a possibilidade de aquisição e atualização
de obras gratuitas;
Marcadores de página, facilitando à busca e recuperação de algum trecho do texto;
Alteração de fonte para melhor leitura;
Dicionário relacionado;
Mecanismos de busca de palavras, hipertexto e anotações;
Durabilidade: preservação do conteúdo textual;
Portabilidade: o conteúdo pode estar armazenado em qualquer parte, estando acessível
na internet;
Grande variedade de títulos disponíveis para download.

Silva e Bufrem (2001), Niederauer (2002), Villaça (2002), Mello Junior (2004),
Procópio (2005), Bottentuit e Coutinho (2007), site G1 (2009) e Pinsky (2009)
identificaram as principais vantagens:
20

Quadro 4 – Vantagens dos livros eletrônicos

Compra de capítulos ao invés do livro inteiro, principalmente na venda dos livros


eletrônicos científicos, técnicos e universitários, combatendo à pirataria;
Baixo custo de produção, reduzindo a impressão, gastos com gráfica, distribuição física
e transporte;
Ecologicamente correto, porque não consome papel;
O recebimento do livro pelo computador é imediato. Os e-books podem ser transmitidos
rapidamente para qualquer ponto do globo terrestre via internet, sem necessidade de
intermediários, como ocorre no livro tradicional;
Novo mercado de consumo (comércio eletrônico);
Eficiência e legibilidade, por trazerem uma enorme contribuição para: educação,
analfabetismo e fortalecimento da cultura e do ato de ler;
Permitem a utilização de links42 para sites externos e consultas;
Ajudam a fomentar o conhecimento livre na rede;
Possibilitam armazenar inúmeros textos no computador e transferi-los de um aparelho
para o outro, sem a necessidade de descartar nenhum;
A localização de termos ou palavras é mais rápida e eficaz, graças aos mecanismos de
busca e recuperação.

Correia (2000), Silva (2000), Silva e Bufrem (2001), Niederauer (2002),


Bottentuit; Coutinho (2007), site G1 (2009) e Pinsky (2009) citam as desvantagens:

Quadro 5 – Desvantagens dos livros eletrônicos

Consome muita energia (eletricidade, linha telefônica e baterias);


Leitura mais lenta e cansativa;
Preço dos dispositivos de leitura elevado e ainda não são comercializados no Brasil;
Crescente prática de crimes contra os direitos autorais;
Privilégio para pequenos grupos e camadas homogêneas (exclusão social e digital);
Não faz consulta de livros ao mesmo tempo;
Consumidores e produtores têm que saber dominar a tecnologia usada;
Pouca quantidade de exemplares disponíveis em determinadas áreas de conhecimento;
Número limitado de publicações;
Custos elevados de conexão.

Apesar dessas desvantagens, não podemos negar que os livros eletrônicos


chegaram para competir com os impressos, até porque, como observou Bottentuit e
Coutinho (2007), os fabricantes dos dispositivos de leitura tentam criar aparelhos
semelhantes com o livro tradicional, para popularizar a venda e a utilização dos e-books.

42
Ligações ou conexões feitas entre nós em um hipertexto. Os nós podem ser trechos, palavras, figuras,
imagens ou sons no mesmo documento ou em outro documento hipertexto. (GANDELMAN, 1997).
21

Mesmo com as desvantagens citadas acima, o e-book já tem o seu espaço


garantido, conforme averiguou Paiva (2008), em seu Trabalho de Conclusão de Curso,
ao estudar o hábito de leitura dos usuários que utilizam o site PDL. Pesquisas
semelhantes realizaram Santos e Espírito Santo (2006) com 20 pessoas, na faixa etária
de 17 a 47 anos, que estivessem cursando o ensino fundamental, médio e superior,
Velasco e Oddone (2007) abordaram professores e estudantes universitários da
Universidade Federal da Bahia (UFBA), enquanto Bottentuit e Coutinho (2007)
coletaram 405 respostas da comunidade acadêmica da Universidade do Porto, em
Portugal. Todas as pesquisas questionaram se os entrevistados conheciam o e-book e/ou
já o utilizaram e sobre seus hábitos de leitura. Paiva (2008) focou-se no meio de leitura
dos e-books, a experiência de uso, influência no hábito de leitura, se os usuários
comprariam o livro digital e as vantagens dos e-books. Um dos comentários de um
internauta, em relação ao último item, foi:

Primeiro porque não consomem papel e tinta, cuja produção, utilização e


descarte é responsável por vários problemas ambientais existentes; segundo
porque os livros podem ser mais baratos e assim favorecer o acesso de todos
à cultura geral; terceiro porque livros com o tempo tendem a estragar; quarto
porque além de estragarem, ocupam espaço (e muito), são um saco de
carregar em mudanças, viagens, etc, acumulam poeira e outras sujeiras e
estragam no manuseio; quinto porque é muito mais prático e fácil poder
carregar todos os seus livros num HD43, num pen drive44, palm ou algo do
tipo e ler ou usar para uma citação ou conferir algo a qualquer hora e lugar;
sexto porque o que importa mesmo é o conteúdo do livro e não se ele é
bonito” (PAIVA, 2008).

No trabalho de Santos e Espírito Santo (2006), concluiu-se que a maioria já


ouviu falar, mas não utiliza e que preferem, primeiramente, pesquisar na internet para
obter mais informações e depois ter acesso ao livro impresso. Bottentuit e Coutinho
(2007) relatam que 96% já ouviram falar dos e-books e 65% já os utilizaram, porém,
49% criticam que a falta de um suporte de leitura dos e-books é o principal problema da
sua utilização.
O preço é o fator contrário aos e-books, devido à não comercialização dos
dispositivos45 e o acesso à internet. No entanto, existem campanhas governamentais

43
Hard Disk (disco rígido). Local onde ficam armazenados os arquivos no computador.
44
Dispositivo de armazenamento constituído por uma memória flash, tendo aparência de um isqueiro ou
chaveiro e uma ligação USB permitindo sua conexão a uma porta USB de um computador. Fonte:
Wikipédia, 2009. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pen-drive>. Acesso em: 03 nov. 2009.
45
Conforme Ferrari, Deodato e Pereira (2009), a partir de outubro de 2009, o Kindle começou a ser
comercializado no Brasil; porém, a venda do aparelho é exclusiva no site da Amazon.com e é necessário
possuir cartão de crédito internacional.
22

para minimizar a infoexclusão em andamento (como o Vale-Cultura46 e o Mecdaisy47,


para deficientes visuais)48, sendo que pode-se dizer que, hoje em dia, um consumidor
que recebe o Programa Bolsa-Família tem condições de adquirir um computador, visto
que, a tendência do mercado é facilitar a aquisição dos equipamentos eletrônicos. Há
cinco anos era praticamente impossível comprar um computador, atualmente, com
menos de R$ 1.000,00 é possível possuir um. Em relação ao acesso à internet, em
Pernambuco, qualquer pessoa pode agendar uma hora de acesso, gratuitamente, nos
postos do Expresso Cidadão ou na Biblioteca Pública do Estado. No Núcleo de
Informação e Tecnologia (NIT), pertencente à Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE), também é possível acessar a internet. Devido à concorrência de operadoras de
celulares e de empresas de telecomunicações nos planos de banda larga e de conexões
via a rádio e por satélite, aumentou-se o número de usuários conectados à rede, sendo
que o Brasil ocupa, atualmente, a nona posição, com aproximadamente “um bilhão de
pessoas com idade de 15 anos, acessam a internet, de casa ou no trabalho” (YAHOO
NOTÍCIAS, 2009). Também devemos lembrar que, por vivermos num mundo
globalizado e competitivo, as oportunidades são limitadas a uma grande parte da
população, entretanto, isso não justifica que não se possa mudar o conceito de
infoexclusão e criar mudanças através de políticas públicas de inclusão social e digital49.

46
RAPOSO, Anna Carolina. Vale-cultura pode beneficiar 12 milhões de trabalhadores. Blog Ebooks
Grátis, 2009. Disponível em <http:// ebooksgratis.com.br/informacao-e-cultura/noticias-vale-cultura-
pode-beneficiar-12-milhoes-de-trabalhadores/>. Acesso em 16 jun. 2009.
47
MACHADO, Maria Clara. Programa amplia inclusão de pessoas com deficiência ao converter
texto em áudio. Abrelivros, 2009. Disponível em:
<http://www.abrelivros.org.br/abrelivros/texto.asp?id=4046>. Acesso em: 25 jun. 2009.
48
Mais projetos de inclusão digital veja em: Inclusão digital: o papel do Poder Público. In: NAZARENO,
Cláudio et al. Tecnologias da informação e sociedade: o panorama brasileiro. Brasília: Plenarium, 2007,
cap. 4, p. 50-89.
49
Mais projetos de inclusão digital veja em: TAKAHASHI, Tadao (Org.). Sociedade da informação no
Brasil: livro verde. Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. 153 p.
23

3 BIBLIOTECA DO FUTURO

A biblioteca do futuro é sem paredes, por possibilitar o acesso à distância a


seus catálogos, sem necessidade de se estar fisicamente nela. É eletrônica,
pois seu acervo, catálogos e serviços são desenvolvidos com suporte
eletrônico. E é virtual, porque é potencialmente capaz de materializar-se via
ferramentas que a moderna tecnologia da informação e de redes coloca á
disposição de seus organizadores e usuários (HENNING, 1994 apud
CUNHA, 1994, p. 187).

Esta seção faz um breve histórico do sonho da biblioteca universal, citando


cientistas como Paul Otlet e Ted Nelson e conceitua o que seria uma biblioteca do
futuro e seus respectivos sinônimos: biblioteca digital, biblioteca eletrônica, biblioteca
híbrida e biblioteca virtual, e também relata o funcionamento dos portais de acesso
gratuitos Projeto Democratização da Leitura (PDL) e Portal Domínio Público, da
Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação.

3.1 Biblioteca universal

A biblioteca tem um papel no mundo digital assim como no mundo impresso,


não apenas excluindo o acesso ao livro, mas encorajando caminhos de
acesso à qualidade (RUSBRIDGE, 1998, p. 10 apud GARCEZ; RADOS,
2002, p. 45).

A humanidade, desde a Antiguidade, sempre teve a ambição de unificar todo o


conhecimento do mundo produzido em livros e documentos, em todas as línguas, num
único local (FERRARI; DEODATO; PEREIRA, 2009). De acordo com Chartier (1994)
e Saldanha (2000?), esse local foi denominado biblioteca universal, onde estariam
centralizados todos os livros já publicados e todos os textos já escritos.
Assim, surgiu por volta do século III a.C. no Egito, a biblioteca de Alexandria,
construída pelo conquistador grego Alexandre, o Grande (FERRARI; DEODATO;
PEREIRA, 2009), “um grande centro cultural com o mesmo ideal de reunião do saber,
patrimônio coletivo da humanidade” (PEREIRA, 1995). Aquino (2004) comenta que ela
foi considerada, na época, o maior acontecimento do mundo. Martins (1998) relata que
a biblioteca de Alexandria possuía mais de 700 mil volumes, sendo que era dividida em
duas partes: 400 mil volumes depositados no bairro da cidade Bruchium, e 300 mil
volumes na biblioteca suplementar, que ficava no bairro de Serápio. A biblioteca foi
24

incendiada pelo sultão Omar, no século VII (GIRON; RAVACHE; PEREIRA, 2006);
porém, o sonho da biblioteca universal excita as imaginações ocidentais e se torna
imaginável (CHARTIER, 1999).
Paul Otlet50 (1868-1944) também visualizou a sua biblioteca universal. Em
1910, foi inaugurado, em mais de 150 salas do Palais du Cinquantenaire (Palácio do
Cinqüentenário), na Bélgica, o Projeto Mundaneum, que tinha a função de reunir e
registrar todo o conhecimento da humanidade, em fichas catalográficas de 3” x 5”, todas
classificadas, utilizando a CDU (PAIVA, 2008). Pereira (1995) o chama de “um tesouro
e um instrumento” e explica que:

as atividades documentárias do Mundaneum deveriam ser apoiadas em uma


coleção de documentos cobrindo todas as áreas de atividade humana,
servindo de apoio à pesquisa, ao ensino e aos congressos.

Figura 11 – Paul Otlet, ao fundo, com sua criação, o Mundaneum


Fonte: PAIVA (2008, p. 37)

Seguindo o mesmo ideal da biblioteca universal, Theodor Holm Nelson,


conhecido como Ted Nelson51, em 1963, idealizou o projeto Xanadu (CRUZ, 2009?).
Paiva (2008) aborda o objetivo do Xanadu:

(...) todo o saber literário e científico do mundo a que milhares de pessoas


poderiam se conectar para ler, escrever, comentar, interagir, estudar,

50
Junto com Henry La Fontaine, entre 1904 a 1907, desenvolveu a Classificação Decimal Universal
(CDU).
Em 1895, criou a Federação Internacional de Documentação e Informação – FID (PEREIRA, 1995).
51
Junto com Vannevar Bush, também é considerado um dos teóricos do conceito hipertexto.
25

utilizando-se de todos os recursos nela disponíveis, compostos não só de


textos, mas de imagens e sons. Entre outras coisas, o Xanadu permitiria que
quaisquer usuários criassem links permanentes de mão dupla entre quaisquer
documentos ou porção de documentos.

Seria, também, uma maneira de implantar uma rede de publicações eletrônica,


instantânea e universal (DIAS, 1999; SILVA, 2000).
O conceito do Xanadu, segundo Levacov (1997), seria de criar uma rede
mundial que fosse um grande depositário de todos os documentos da humanidade. Cruz
(2009?) afirma que Nelson foi o primeiro a imaginar a biblioteca total como um sistema
de rede, como é atualmente a internet, e explica:

o projeto Xanadu, concebido como uma rede de fácil acesso em que


documentos estariam disponíveis em formato eletrônico. Ele incluiria “uma
biblioteca universal, edição colaborativa, a possibilidade de traçar mudanças
nos documentos por meio de versões sucessivas, um modo de traçar e
creditar autoria, um sistema de direitos autorais e escrita não-sequencial”.

Cunha (1994), Paiva (2008) e Cruz (2009) relatam que o projeto jamais saiu do
papel, pois Nelson “nunca conseguiu transformar sua ideia em produto, por falta de
capacidade de armazenamento de dados” (CRUZ, 2009).
O Gutenberg Project Texts (Projeto Gutenberg)52 também seguiu a tendência
dos demais projetos citados anteriormente (PINSKY, 2009). Criado e organizado, em
1971, por Michael Hart, destina-se a digitalizar, disponibilizar e distribuir textos
completos de livros da língua inglesa, em formato digital, que já fazem parte do
domínio público, como a Declaração de Independência dos Estados Unidos, a Bíblia,
obras de Homero, Shakespeare e Mark Twain. Paiva (2008) enumera que, em 2007, já
possuía 20.000 livros e mais de 10.000 através de parceiros.
Recentemente, em 21 de abril de 2009, foi inaugurada a World Digital Library
(Biblioteca Digital Mundial) da UNESCO53, cuja intenção é desenvolver uma biblioteca
digital com trabalhos de todas as partes do mundo, e visa digitalizar materiais raros e
únicos de bibliotecas e outras instituições ao redor do mundo e torná-los disponíveis de
forma gratuita na internet.
E não poderíamos deixar de comentar sobre a própria internet, afinal, ela
também é uma biblioteca universal, ou melhor, “um sistema de informação global,

52
<http://www.gutenberg.net>
53
<http://www.wdl.org/pt>
26

formada por catálogos de bibliotecas, obras de referência, textos completos de livros,


artigos, imagens e sons, softwares, etc.” (RODRIGUES, 2000?), e também,

uma imensa biblioteca multimídia, constituída de documentos hipertexto,


com informações digitalizadas de textos, sons e imagens, conectados entre si
e espalhados por computadores no mundo inteiro (DIAS, 199).

Desenvolvida em 1969, pelo Departamento de Defesa Norte-Americano, durante


a Guerra Fria entre a União Soviética, como projeto militar denominado ARPAnet
(Advanced Research Project Agency Network)54, interligando as principais bases
militares americanas, para que pudesse continuar funcionando mesmo que a central de
computadores do Pentágono fosse destruída por um eventual ataque atômico (PINSKY,
2009). Considerada a grande rede mundial de computadores, às vezes é confundida com
a World Wide Web55 ou WWW, que é a interface gráfica da internet (BIT COMPANY,
1997). Produzida em março de 1989, pelo britânico Tim Berners-Lee e outros cientistas
do Centro de Física de Partículas Nucleares Europeu (CERN), criadores da linguagem
global do hipertexto – o “http56” e o primeiro navegador de rede (browser57), em
outubro de 1990. Porém, a partir de 1991, a WWW foi disponibilizada para uso mais
amplo na internet (YAHOO NOTÍCIAS, 2009), e em 1993 começou a prosperar e se
popularizar (CASTELLS, 1999 apud PINSKY, 2009).

54
Rede da agência de projetos de pesquisa avançados (TAKAHASHI, 2000).
55
Também denominada “The Web” (Teia Mundial), define áreas (sites) na internet nas quais contêm
arquivos multimídia que executam cruzamentos de informações entre textos, sons, imagens e outros
documentos, usando um determinado software ou programa. (GANDELMAN, 1997).
56
Hyper Text Transfer Protocol (Protocolo de Transferência de Hipertexto). Protocolo padrão que
permite a transferência de dados na Web entre os servidores e os navegadores, através do cruzamento de
informações de uma página por intermédio dos links do hipertexto. (GANDELMAN, 1997).
57
Termo em inglês que significa “procurar”, “buscar”, “pesquisar”. Na internet, é o programa utilizado
para visitar as páginas dos sites em busca de informações. Conhecido também como navegador. São:
Internet Explorer, Mozilla Firefox, Opera, etc. (GANDELMAN, 1997).
27

Figura 12 – Internet (esquematização)


Fonte: Bit Company (1997)

Muitas instituições, nacionais e internacionais, baseados na filosofia da


biblioteca universal, já estão disponibilizando seus materiais na internet. Cunha (1994),
Pereira (1995), Levacov (1997), Pereira e Rutina (1999), Costa (2000), Diniz (2000?),
Zang et al. (2000), Silva, Sá e Furtado (2004?), Giron, Ravache e Pereira (2006) e
Neuroth58 (2009) citam alguns projetos59: Ohio Computer Library Center (OCLC)60;
Library of Congress61; Bibliothèque Nationale de France62; Networked Digital Library
of Theses and Dissertations (NDLTD)63; New York Public Library64; Europeana
(Biblioteca Digital Europeia)65; Digital Library, da The British Library66; Biblioteca
Universalis67, dos países que compõem o G7: Alemanha, Canadá, Estados Unidos,
França, Itália, Japão e Reino Unido; Projeto Laurin68, da Comunidade Econômica
Europeia (CEE) e Vasconda69, da Alemanha. No Brasil, temos os casos: Biblioteca
Digital do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade
Federal de Santa Catarina (PPGEP/UFSC), considerada a pioneira; Biblioteca Digital do

58
NEUROTH, Heike. A sociedade do conhecimento e a biblioteca digital. Palestra apresentada na
Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco, em 22 de maio de 2009. (Evento realizado pelo Centro
Brasil-Alemanha).
59
Para saber mais de projetos de bibliotecas digitais, acesse:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Biblioteca_digital>.
60
<http://www.oclc.org/americalatina/pt/global/default.htm>
61
<http://www.loc.gov/index.html>
62
<http://www.bnf.fr/>
63
<http://www.ndltd.org/>
64
<http://www.nypl.org/>
65
<http://www.europeana.eu/portal/>
66
<http://portico.bl.uk/>
67
<http://www.culture.fr/culture/bibliuni/engbu1.htm>
68
< http://laurin.uibk.ac.at>
69
< http://www.vascoda.de/>
28

Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA); Biblioteca do Estudante Brasileiro70;


Biblioteca Digital de Teses e Dissertações71 (BDTD), do IBICT; Biblioteca Digital da
Universidade de Campinas (UNICAMP)72, Biblioteca Digital Paulo Freire73 e
Biblioteca Digital da Fundação Biblioteca Nacional74.

3.2 Definição

(...) digitais ou virtuais são aquelas bibliotecas que, além de serem acessadas
exclusivamente via internet, também coloquem nas mãos de seus usuários
ferramentas típicas do meio digital que auxiliem e otimizem os clássicos
métodos de pesquisar, recuperar e produzir informações. São bibliotecas
vivas e dinâmicas, que podem se expandir indefinidamente através de seus
próprios usuários (PAIVA, 2008, p. 48).

O termo biblioteca universal parece ser simples, mas ao analisar diversos


autores, houve várias discordâncias para se conceituar adequadamente o que seria uma
“biblioteca do futuro”. Deparamos com as seguintes nomenclaturas ilustradas no quadro
da página seguinte:

Quadro 6 – Definições para a biblioteca do futuro


DRABENSTOTT; BURMAN, 1997 apud COSTA,
Biblioteca biônica
2000.
RODRIGUES, 1995; CUNHA, 1999; FERREIRA,
2000?; LEMOS, 1998 apud COSTA, 2000;
GARCEZ; RADOS, 2002; SILVA; SÁ;
Biblioteca digital
FURTADO, 2004?; PROCÓPIO, 2005;
MASCARENHAS e SILVA, 200675; NEUROTH,
2009; WIKIPÉDIA, 2009?
ROSETTO, 1997; BENÍCIO, 2003; WIKIPÉDIA,
Biblioteca eletrônica
2009?
Biblioteca híbrida GARCEZ; RADOS, 2002; CARVALHO, 2006.
CHARTIER, 1994; HENSHAW, 1994 apud
Biblioteca do futuro
PEREIRA; RUTINA, 1999; DINIZ, 2000?
CHARTIER, 1994; RODRIGUES, 2000?; CUNHA,
Biblioteca sem muros
2003; WIKIPÉDIA, 2009?

70
<http://www.bibvirt.futuro.usp.br>
71
<http://www.teses.usp.br/>
72
<http://libdigi.unicamp.br/>
73
<http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/index.html>
74
<http://www.bn.br>
75
MASCARENHAS e SILVA, Fábio. Bibliotecas digitais: fundamentos. Palestra apresentada na
Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em 16 de outubro de 2006. (Evento realizado pelo
Diretório Acadêmico de Biblioteconomia).
29

CUNHA, 1994; BROWNING, 2002 apud CUNHA,


Biblioteca sem paredes
2003.
Biblioteca polimídia BARKER, 1994 apud MARCHIORI,1997
PEREIRA, 1995; LEVACOV, 1997; MARCHIORI,
1997; PEREIRA; RUTINA, 1999; COSTA, 2000;
DINIZ, 2000?; GOMES, 2000; MATTES, 2000;
Biblioteca virtual
ZANG et al., 2000; ANDRADE; BARAÚNA,
2001?; AQUINO, 2004; PAIVA, 2008;
WIKIPÉDIA, 2009?
Ciberteca MARCHIORI, 1997.
DRABENSTOTT; BURMAN, 1997 apud COSTA,
Máquina eletrônica
2000.

Para compreender alguns dos vocábulos acima, consultou-se o dicionário da


Academia Brasileira de Letras (2008):

• digital: (Inform.) Relativo a um dispositivo que pode ler, escrever ou


armazenar dados numa forma numérica (p. 443).
• eletrônica: Tecnologia fundada nos conhecimentos que têm por fim a
produção de dispositivos eletrônicos (p. 470).
• virtual: (Inform.) Que existe somente como representação feita por
programa de computador; simulação: uma biblioteca virtual; uma realidade
virtual (p. 1294).

Devido às discrepâncias entre os autores sobre um termo apropriado para definir


a “biblioteca do futuro” (DINIZ, 2000?), optamos por utilizar o termo biblioteca digital
relacionado ao documento. Todo texto impresso pode se tornar digital (através do
processo de digitalização) e permanecer num ambiente eletrônico (ou digital), assim
como um digital pode se transformar em impresso. Cunha (1999) comenta que a
biblioteca digital também é conhecida como biblioteca eletrônica (termo utilizado pelos
britânicos). Os dois portais de acesso em estudo, Projeto Democratização da Leitura
(PDL) e Portal Domínio Público, na verdade, são bibliotecas digitais, pois não
pertencem a um ambiente virtual, visto que não é possível visitá-las, andar em seus
corredores e retirar livros de suas estantes. A utilização da palavra virtual, segundo
Levy (2001 apud OLIVEIRA, 2000?), é equivocada, pois “há um erro corrente de
considerar o virtual como oposto do real, ou seja, uma pura e simples ausência de
existência, de realidade, de presença tangível”. Oliveira (2000?) reforça, ao afirmar que
30

a origem da palavra virtual vem do latim virtuallis, derivado de força, potência, e que
para a filosofia escolástica, virtual é aquilo que existe em potência, não em ato. Cunha
(1999) enfatiza que o termo biblioteca virtual é mais apropriado quando utiliza os
recursos de realidade virtual. Como considerar uma biblioteca virtual se nem ela mesma
possui um ambiente de realidade virtual? A nosso ver, o melhor seria classificar como
uma biblioteca digital ou eletrônica, já que ambas praticamente são sinônimos, quando
nos referimos ao documento impresso que foi digitalizado para ser eletrônico ou digital.

3.2.1 Biblioteca Digital (BD) ou Biblioteca Eletrônica (BE)

(...) bibliotecas eletrônicas e digitais, que reúnem suportes não-


convencionais e facilitam a disseminação da informação em tempo real, de
forma que uma mesma informação pode ser acessada por vários usuários ao
mesmo tempo (BENÍCIO, 2003, p. 35).

Como comentado anteriormente, biblioteca digital e biblioteca eletrônica são


praticamente sinônimos, a diferença é que a terminologia biblioteca eletrônica
(electronic library) é mais empregada pelos britânicos (CUNHA, 1999). Expusemos,
nesta subseção, os conceitos de alguns autores e suas visualizações em relação aos dois
vocábulos.
Gomes (2005) e Paiva (2008) consultaram o tesauro da American Society for
Information Science (ASIS, 1998), que diz:

bibliotecas cujos conteúdos estão originalmente em formato eletrônico e são


acessados por meio de computadores. Os conteúdos podem estar contidos no
local ou ser acessados remotamente, por meio de redes eletrônicas.

Benício (2003) comenta que a biblioteca digital constitui um acervo estritamente


digital (discos magnéticos e óticos) e dispõe de todos os recursos de uma biblioteca
eletrônica, oferecendo pesquisa e visualização dos documentos (texto completo, vídeo
etc.) tanto local como por meio de redes de computadores. Em seu Trabalho de
Conclusão de Curso, a autora opinou na utilização do termo biblioteca eletrônica, e
informa que a mesma se direciona para ampliar o uso de computadores na
armazenagem, recuperação e disponibilidade da informação, podendo envolver-se em
projetos para a digitalização de livros e comenta:
31

(...) novo conceito para a armazenagem e disseminação da informação, que


utiliza a forma eletrônica, independentemente de sua localização física,
geográfica ou temporal. Nessa perspectiva conceitual, o processo de
organização da informação na biblioteca eletrônica se dá sob a forma digital,
podendo ou não transferir para uma cópia em papel, de modo que o
documento passa a ser uma fonte digitalizada e o papel um estado transitório
(BENÍCIO, 2003).

Para Rosetto (1997), a biblioteca eletrônica possui praticamente as mesmas


funções da biblioteca tradicional, entretanto, seu acesso é eletrônico, através da internet
e proporciona ao usuário um acesso muito mais amplo e ágil às informações
mundialmente disponíveis. Lemos (1998 apud PEREIRA; RUTINA, 1999) é da mesma
opinião, porém, prefere nomeá-la como biblioteca digital. Marchiori (1997)
complementa que a biblioteca eletrônica será uma nova estratégia para o resgate de
informações, onde o texto completo de documentos está disponível on-line. Chartier
(1999) acredita que a biblioteca eletrônica permite compartilhar aquilo que até agora era
oferecido apenas em espaços onde o leitor e o livro deveriam necessariamente estar
juntos e que será uma promessa do futuro.

A biblioteca eletrônica é aquela que dá a seus usuários acesso em linha, não


somente a catálogos, mas também a uma grande variedade de recursos
eletrônicos existentes na própria biblioteca e fora dela, como por exemplo,
índices e resumos bibliográficos, bases e bancos de dados (de informação e
texto completo), sistemas de CD-ROM, entrega de documentos, jornais
eletrônicos, bases de dados de imagens, e, ainda, acesso a correio eletrônico
para comunicação com bibliotecários especialistas (CAVALCANTI, 1996, p.
90 apud COSTA, 2000).

A enciclopédia colaborativa Wikipédia (2009?) define como uma biblioteca


constituída por documentos primários, que são digitalizados quer sob a forma material,
permitindo o acesso à distância, através da internet. Para Takahashi (2000), são
bibliotecas cujos conteúdos estão em forma eletrônica e digital e são acessados por meio
de redes de comunicação.
Cunha (1999) caracteriza a biblioteca digital como acesso remoto pelo usuário,
por meio de computador a uma rede; utilização simultânea por várias pessoas; inclusão
de produtos e serviços de uma biblioteca ou centro de informação e acesso a textos
completos. Em outro estudo (1994), ele a qualifica em quatro itens:

• reduz as limitações impostas pelo tempo e lugar;


• permite a criação e uso de novos e mais dinâmicos formatos, integrados para
a representação de dados, informação e conhecimento;
32

• pode apoiar novas formas de grupos de colaboradores na criação e uso da


informação; novas práticas comunitárias;
• permite a personalização da informação, incluindo assistência no
gerenciamento da informação quando ocorrer excesso de dados (ATKINS,
1993, p.2 apud CUNHA, 1994).

Para Neuroth (2009), bibliotecas digitais são organizações que disponibilizam


recursos para selecionar, estruturar, interpretar, difundir e tornar acessíveis objetos
digitais, zelando por sua integridade/autenticidade e por seu armazenamento
permanente, de modo a torná-los acessíveis, a baixo custo, para as comunidades. Silva,
Sá e Furtado (2004?) comentam que o conceito de biblioteca digital é impreciso e não
há consolidação na terminologia; por isso, os autores preferiram citar as conceituações
de outros estudiosos:

Coleções organizadas de informação digital. Combinam estrutura e conjunto


de informação de bibliotecas e arquivos, com a representação digital que
computadores tornaram possível (PINHEIRO, 2002 apud SILVA; SÁ;
FURTADO, 2004?);

Conjunto de objetos digitais construídos a partir do uso de instrumentos


eletrônicos, concebidos com o objetivo de registrar e comunicar
pensamentos, idéias, imagens e sons disponíveis a um contingente ilimitado
de pessoas, dispersas onde quer que a plataforma WWW alcance.
(ALVARENGA, 2001 apud SILVA; SÁ; FURTADO, 2004?);

Conjunto de artefatos, conhecimentos, práticas e uma comunidade, que


engendra compromissos realísticos assumidos por profissionais da
informação, analistas de sistemas e usuários. (DIAS, 2001 apud SILVA; SÁ;
FURTADO, 2004?).

3.2.2 Biblioteca Híbrida (BH)

Garcez e Rados (2002) foram os únicos autores que questionaram o conceito de


biblioteca híbrida, à qual eles definiram como:

designada para agregar diferentes tecnologias, diferentes fontes, refletindo o


estado que hoje não é completamente digital, nem completamente impresso,
utilizando tecnologias disponíveis para unir, em uma só biblioteca, o melhor
dos dois mundos (o impresso e o digital).

Entendemos que, a ideia de biblioteca híbrida, na prática, ocorre em diversas


bibliotecas universitárias, como no caso da UFPE, em que se realizam pesquisas, tanto
no sistema de informação para bibliotecas Pergamum como no Portal de Periódicos
33

CAPES e em diversas bases de dados nacionais e internacionais, bastando apenas ao


aluno, professor e pesquisador ir a qualquer biblioteca setorial e solicitar o acesso.
Os autores usaram este termo baseados em Levy (apud CUNHA, 1997), que
comenta que “a atual definição de biblioteca digital é muito restrita e não irá satisfazer
as necessidades futuras dos usuários. Assim, ele propõe que haja uma integração das
mídias (documentos híbridos)”, ou seja, que haja compartilhamento entre a biblioteca
tradicional com a digital, visto que, “o nome biblioteca híbrida deve refletir o estado
transacional da biblioteca, que hoje não pode ser completamente impressa nem
completamente digital” (GARCEZ; GRADOS, 2002).

3.2.3 Biblioteca Virtual (BV)

É unânime à escolha do vocábulo biblioteca virtual pela maioria dos autores,


mesmo após analisar que a nomenclatura é utilizada indevidamente. Notamos que
alguns conceitos direcionados para a biblioteca virtual, basicamente, são melhor
atribuídos à biblioteca digital. No entanto, expomos as diferentes percepções dos
autores averiguados.
Paiva (1998) consultou o site do Prossiga76 e obteve a seguinte afirmação:

biblioteca virtual é um serviço de informação especializada que reúne em


único espaço virtual, informações dispersas, capturadas da Rede e de outras
ambiências, que são integradas de acordo com normas, padrões,
metodologias e tecnologias comuns, organizadas em forma de base de dados
e disponibilizadas na internet.

O autor, assim como Gomes (2005), pesquisaram no tesauro da American


Society for Information Science (ASIS, 1998) o que é uma biblioteca virtual:

bibliotecas cujos conteúdos estão originalmente em formato eletrônico e são


acessados por meio de computadores. Os conteúdos podem estar contidos no
local ou ser acessados remotamente, por meio de redes eletrônicas.

Lemos (1998 apud PEREIRA; RUTINA, 1999) define biblioteca virtual como
um local que possui praticamente todos os serviços de uma biblioteca tradicional,
porém, que existe apenas no lugar eletrônico. Zang et al. (2000) complementa que não
existe num ambiente físico, e é real, como acervo, quando podemos ter acesso físico ao

76
<http://prossiga.ibict.br>
34

seu conteúdo ou remotamente. Diniz (2000?) a considera como uma troca de


informações de mídia on-line e na criação de fontes de informação. Para Gomes (2005)
e Mattes (2005) é um serviço de informação construído na internet que oferece acesso à
informação e comunicação e “abriga documentos tradicionais de uma biblioteca
tradicional que pode ser acessado a qualquer hora, além de contribuir para o resgate dos
registros produzidos pela pesquisa científica em suportes materiais” (GOMES, 2000).
Gomes (2005) também retrata as atribuições da BV:

características: a internet requer a criação de um lugar hospitaleiro de


informação especializada, adaptado às particularidades do meio eletrônico e
às novas exigências da pesquisa;

importância: para que se atinja plenamente seus objetivos, a construção da


BV requer o envolvimento dos seguintes profissionais: especialistas da área
temática focalizada, o profissional da informação e os profissionais de
informática e rede;

funcionamento:
-credibilidade: estar sempre disponível para consulta;
-capacidade de resposta: não apresentar falhas na busca da informação;
-eficiência: sempre buscar fazer o melhor uso dos programas e
equipamentos;
-suportar o crescimento: de usuários, de informação e de serviços.

Seguindo as ideias acima, Levacov (1997) enumerou alguns benefícios da


biblioteca virtual:

• automação dos serviços e referência, catalogação e indexação, facilitando e


sendo mais eficaz à recuperação da informação;
• preservação dos documentos em formato digital (mostrando seus prós e
contras, como o fato das obsolescências das tecnologias de preservação,
armazenamento e recuperação);
• altos custos de produção e distribuição de livros e periódicos, que ocasionam
em redução nas verbas das bibliotecas acadêmicas, permitindo-se o acesso à
internet (disseminação da informação com maior rapidez e atualização e/ou
inclusão de novos dados);
• troca de informações on-line;
• compartilhamento de recursos: catálogos, documentos, coleções, através de
repositórios virtuais;
35

• personalização de documentos, permitindo que deficientes visuais possam


usufruir de um texto, utilizando sintetizadores de voz; textos com
multimídia.

Percebe-se que as definições para a biblioteca virtual também podem ser


acrescentadas para a biblioteca digital, e eis o ponto no qual, ao nosso entendimento,
definiremos a biblioteca virtual. Na opinião de Rodrigues (1995), a biblioteca virtual
está integrada no seu funcionamento e aplicação no ambiente de realidade virtual.
Moraes (1993 apud PEREIRA; RUTINA, 1999), explica realidade virtual como “a
técnica de criar um universo imaginário; que requer o uso de capacetes com telas de TV
por dentro e que permitem uma visão de 120 graus e luvas especiais para manusear, na
tela do computador”, parecido com o que foi retratado na trilogia do filme Matrix77, dos
diretores Wachowski. As autoras completam:

a história da realidade virtual está ligada ao artista e engenheiro da


computação Myron Krueger, e seu livro Realidade Artificial, de 1982.
Entretanto, o livro que fez as pessoas pensarem sobre o espaço cibernético foi
Neuromancer, do escritor norte-americano William Gibson, lançado no
Brasil, pela Editora Aleph, em 1984 (PEREIRA; RUTINA, 1999).

Logo, uma biblioteca para ser considerada virtual deverá ter um ambiente de
realidade virtual. Não adianta possuir diversos materiais de multimídia78 e textos
eletrônicos, se o seu ambiente não “imita” o de uma biblioteca tradicional, em que o
usuário poderá percorrer seus corredores através do mouse e se sentir dentro de uma
Matrix.

77
Nas telas do cinema, Matrix é um mundo de sonhos gerado por computador, o qual, por meio de uma
realidade virtual, simula o nosso mundo como é hoje. Fonte: IRWIN, William (Org.). Matrix: bem vindo
ao deserto do real. São Paulo: Madras, 2003.
78
Qualquer combinação de texto, arte gráfica, som, animação e vídeo transmitida pelo computador.
Fonte: VAUGHAN, Tay. Multimídia na prática. São Paulo: Makron Books, 1994.
36

Quadro 7 – Resumo das definições


A informação apenas existe na forma digital e
não há livros em formato tradicional, sendo que
Biblioteca Digital (BD) o conteúdo pode ser acessado em locais
específicos e remotamente, por meio de redes
de computadores.
Os processos básicos são de natureza
eletrônica, através da utilização de
computadores na armazenagem, recuperação e
Biblioteca Eletrônica (BE)
disponibilidade de informação, podendo
envolver-se em projetos para a digitalização de
livros.
União, em uma única biblioteca, de fontes de
Biblioteca Híbrida (BH)
informação impressas e digitais.
Para existir, depende da tecnologia de realidade
virtual, isto é, simulando o ambiente de uma
Biblioteca Virtual (BV)
biblioteca em duas ou três dimensões ao criar
um espaço de interação.
Fonte: Adaptado de Barker (1994 apud MARCHIORI, 1997).

3.3 Projeto Democratização da Leitura (PDL)

A biblioteca está num momento de transição, passando de uma organização


totalmente ligada ao material impresso para outra onde tudo, ou quase tudo,
será armazenado sob a forma digital (CUNHA, 1999, p. 257).

O Projeto Democratização da Leitura (PDL)79, estreou em janeiro de 2002. É um


portal de acesso considerado como uma biblioteca digital80 gratuita e colaborativa, em
formato de fórum de discussões, permitindo a interação entre os usuários. Funciona
através de doações voluntárias de obras digitalizadas e traduções de livros pelos
próprios participantes. Para utilizá-lo, deve-se criar um cadastro, e não há restrições ou
limites de download, sendo que se podem baixar quantos materiais quiser, sem precisar
pagar taxa de mensalidade. Além de possuir obras de escritores ainda vivos, também se
encontram livros não mais editados e/ou com as edições esgotadas, revistas comerciais,
como Veja e Superinteressante e audiobooks (livros de áudio). Grande parte de seu
acervo é distribuído em HDs virtuais, isto é, sites gratuitos que servem como servidores
externos, porém, com limitações de uso (em alguns, o acesso é restrito na quantidade de

79
<http://www.portaldetonando.com.br>.
80
No entanto, o site é descrito como uma biblioteca virtual. Contudo, não possui um ambiente de
realidade virtual e não condiz com nosso pensamento, já discutido, sobre a denominação biblioteca
virtual.
37

downloads; se o usuário pagar, não terá limitações): eSnips, 4Shared, Rapidshare,


MegaUpload e Bandongo.

Figura 13 – Logomarca do PDL


Fonte: site PDL (2009)

Na opinião de Paiva (2008), o PDL é

um espaço de compartilhamento de livros digitais totalmente gratuito, onde


qualquer usuário pode contribuir com seu arquivo, trocar links e discutir
sobre livros e assuntos em geral. Compartilha-se qualquer livro, muitos deles
ainda sob a proteção das leis de direito autoral, que representam um dos
maiores entraves para a evolução das bibliotecas virtuais. (...) O PDL é fruto
da paixão gratuita pela leitura, da democratização das ferramentas de
produção e distribuição e da popularização da internet.

A estrutura e organização do site são baseados em fóruns e subfóruns, em


categorias:

Figura 14 – Tópicos do site PDL


Fonte: site PDL (2009)
38

Para melhor visualização, padronização e facilitação na recuperação da


informação quando é realizada uma busca nos fóruns e subfóruns, os tópicos são
organizados na forma [Categoria] SOBRENOME, Nome, sendo que categoria refere-
se ao assunto principal e no caso de sobrenome, nome, a “priorização do sobrenome é
um recurso emprestado dos conceitos clássicos da arquivologia, presente em bibliotecas
físicas e referências bibliográficas” (PAIVA, 2008).
Os grupos Digital Source, Papyrus Digitais, Toca da Coruja (também conhecido
como Toca Digital) e Viciados em Livros são responsáveis pela formação e
administração do acervo, digitalização de textos, distribuição dos materiais para evitar
possíveis repetições e correções nos links nos HDs virtuais onde estão armazenados
grande parte dos documentos do fórum.
Em todos os materiais digitalizados, os organizadores informam:

Esta obra foi digitalizada pelo grupo Digital Source para proporcionar, de
maneira totalmente gratuita, o benefício de sua leitura àqueles que não podem
comprá-la ou àqueles que necessitam de meios eletrônicos para ler. Dessa
forma, a venda deste e-book ou até mesmo a sua troca por qualquer
contraprestação é totalmente condenável em qualquer circunstância. A
generosidade e a humildade é a marca da distribuição, portanto distribua este
livro livremente. Após sua leitura considere seriamente a possibilidade de
adquirir o original, pois assim você estará incentivando o autor e a publicação
de novas obras;

Se os livros tivessem preços acessíveis, todos poderíamos comprá-los. A


digitalização desta obra é um protesto contra a exclusão cultural e, por
consequência, social, causadas pelos preços abusivos dos livros editados e
publicados no Brasil. Assim, é totalmente condenável a venda deste e-book
em qualquer circunstância. Distribua-o livremente.

No seu estudo, Paiva (2008) aplicou um questionário on-line para conhecer os


hábitos de leitura dos participantes do site, além de defender a democratização do
acesso à leitura. O autor não acredita que o livro eletrônico veio para acabar com o
impresso, e sim, ser um complemento e afirma que

as bibliotecas virtuais têm muito a oferecer à democratização do


conhecimento, mas para isso é preciso avançar muito em outras vias,
democratizando primeiro o acesso aos meios, juntamente com uma política
educacional que promova uma aproximação entre tecnologias e pessoas
(PAIVA, 2008).
39

3.4 Portal Domínio Público

Sem materialidade, sem localização, o texto, em sua representação


eletrônica, pode alcançar qualquer leitor equipado do material necessário
para recebê-lo (...) convertidos em textos eletrônicos, todos os textos
existentes, sejam manuscritos ou impressos, é a universal disponibilidade do
patrimônio escrito que se torna possível (CHARTIER, 1994, p. 193).

O Portal Domínio Público81, da Secretaria de Educação a Distância do


Ministério da Educação, foi lançado em novembro de 2004, com a proposta de
compartilhar o conhecimento de forma igualitária, colocando a disposição uma
biblioteca digital, que permite a coleta, integração e preservação, e promover o amplo
acesso às obras literárias, artísticas e científicas, já em domínio público ou que tenham a
sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro
e universal. As obras eletrônicas disponíveis no site estão de acordo com a lei nº. 9.610,
de 19/02/1998, referente ao direito autoral, que consta que após 70 anos da morte do
autor (art. 41), sua obra torna-se domínio público.
O site possui objetivos parecidos com os do PDL, com a diferença que seu
acervo é formado praticamente de títulos em domínio público. Podem-se consultar teses
e dissertações e acessar o Portal de Periódicos da CAPES.

Figura 15 – Home page82 do Portal Domínio Público


Fonte: Portal Domínio Público (2009)

81
http://www.dominiopublico.gov.br
82
Primeira página de um endereço eletrônico (GANDELMAN, 1997).
40

4 DIREITO AUTORAL

Piratas são eles, nós não estamos à procura do ouro (AMADEU, 2009, p.
73).

Começamos este capítulo analisando a epígrafe acima quando se refere à palavra


“piratas”. Afinal, o que é ser um pirata? Pirata é considerado um ladrão do mar e faz
alusão aos navegantes dos mares que saqueavam embarcações. Atualmente, a internet é
denominada o local onde se “navega”, digamos assim, “no mar de informações” que ela
proporciona, e o internauta que comete o crime de pirataria, é considerado um “pirata
cibernético”. Os dicionários eletrônico Michaelis (2000?) e o da Academia Brasileira de
Letras (2008) definem:

Pirataria = (s.f.) 1. Assalto criminoso, no alto mar ou na costa, praticado pela


tripulação ou passageiros de um navio armado, de existência clandestina, contra outro
navio, para se apoderar de sua carga, bens, equipagem ou passageiros. 2. (Por ext.)
Extorsão, roubo. 3. Cópia de material comercializado ilegalmente. 4. Fabricação de
cópias ilegais de um determinado produto e comercializá-las. 5. Contrafação83.

De acordo com Gandelman (1997), pirataria é a atividade de copiar ou


reproduzir, bem como utilizar indevidamente – isto é, sem a expressa autorização do
autor – livros ou qualquer material audiovisual que contenha obras intelectuais
legalmente protegidas.
Quem surgiu primeiro: a pirataria ou os direitos autorais?
Tudo começou após a invenção da tipografia de Gutenberg, que popularizou a
comercialização e disseminação do livro impresso, ocasionando “o problema em relação
aos direitos autorais, a proteção e a remuneração dos autores” (MARTINS FILHO,
1998). Antes disso, na Idade Média, segundo Mello Junior (2004), as obras pertenciam
à humanidade, e podiam ser copiadas, corrigidas e alteradas. O autor comenta ainda que
nos séculos XVI e XVII começaram a surgir às acusações de plágio e muitos livreiros
impressores passaram a defender a propriedade das obras editadas, pois eram eles que
tinham direitos e não os autores da obra. Manso (1987) reforça que era necessário
legislar sobre a publicação de obras, principalmente literárias, pois os privilégios do

83
Cópia não autorizada de uma obra (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITOS
REPROGRÁFICOS, 2009?).
41

direito autoral eram concedidos exclusivamente aos editores Além disso, a Igreja
também queria o controle sobre os textos, para, futuramente, poder punir os autores em
caso de heresia e subversão.
Em meados do século XVIII, Inglaterra (Copyright, de 1709) e França (Droit
d’Auteur, de 1791) tornaram consistentes as leis de direito autoral, que perduram até
hoje (GANDELMAN, 1997). Paula (2005) complementa que a partir dos séculos XVIII
e XIX os direitos autorais passaram a receber tratamento jurídico, pois a impressa
passou a circular de forma comercial com maior amplitude. O copyright começou a ser
reconhecido na Inglaterra por meio do Copyright Act de 1790, que protegia as cópias
impressas por 21 anos, contados a partir da impressão. Obras não-impressas eram
protegidas por apenas 14 anos. Porém, já em 1662, existia o Licensing Act que proibia a
impressão de qualquer obra que não estivesse registrada. Era uma forma de censura, já
que só se licenciavam livros que não ofendessem o licenciador. Na França, o Droit
d’Auteur assegura a primazia do autor sobre a obra e ao ineditismo (direito à
paternidade e à integridade de sua obra) e seus direitos são inalienáveis e se estende por
toda a vida do autor (MARTINS FILHO, 1998).
A proteção dos direitos autorais não está restrita apenas aos seus países de
origem. Manso (1987), Gandelman (1997) e Martins Filho (1998) noticiam os diversos
tratados internacionais assinados entre alguns países, incluindo o Brasil: Convenção de
Berna84 (09/09/1886); Convenção Universal (24/07/1971); Convenção de Roma
(26/10/1961); Convenção de Genebra (29/10/1971); Acordo sobre aspectos dos Direitos
de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, que tratam do:

princípio da reciprocidade no tratamento jurídico da autoria, isto é, dar aos


autores e titulares de países aderentes aos convênios a mesma proteção legal
que cada país dá a seu autor ou titular nacional (GANDELMAN, 1998).

No Brasil, a Lei de Direito Autoral (LDA) foi citada na primeira Constituição,


em 1891, no parágrafo 26, do artigo 72: “aos autores de obras literárias e artísticas é
garantido o direito exclusivo de reproduzi-las pela imprensa ou por qualquer outro
processo mecânico. Os herdeiros dos autores gozarão desse direito pelo tempo que a lei
determinar” (MANSO, 1987). Em 1973, ela começou a ser aplicada na Lei n. 5.988, de
14/12/1973, entretanto, foi revogada pela Lei 9.610, de 19/02/1998, que regula e

84
Segundo Manso (1987), os países membros da Convenção de Berna protegem os direitos do autor até
50 anos do falecimento do mesmo.
42

protege os direitos autorais para as obras literárias, artísticas e científicas. Martins Filho
(1998) e Castro (2000?) estudaram, em detalhes, todos os artigos da Lei de Direito
Autoral, explanando que o autor possui dois direitos em relação à sua obra: o moral e o
patrimonial. O primeiro garante ao criador o direito de ter seu nome impresso na
divulgação de sua obra e o respeito à integridade desta, além de lhe garantir os direitos
de modificá-la, ou mesmo impedir sua circulação, e são inalienáveis e irrenunciáveis
(não podem ser transferidos e nem renegados). Já o segundo, regula as relações jurídicas
da utilização econômica das obras intelectuais, garantindo-lhe poderes de usar e dispor
de sua obra, bem como de autorizar sua utilização por terceiros no todo ou em parte,
sendo que podem ser alienáveis (transferidos). Assim sendo, os autores complementam
com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), outorgada pela
Assembleia Geral das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, artigo 27, inciso 2
que cita: “todo homem tem direito à proteção dos interesses morais e materiais
decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor”.
Vários autores conceituaram, de maneiras distintas, o direito autoral. De acordo
com Martins Filho (1998), os direitos autorais lidam basicamente com a imaterialidade,
principal característica da propriedade intelectual. Para Gandelman (1997) o direito
autoral é uma ciência jurídica que está presente em quase todas as atividades do mundo
contemporâneo, sejam elas puramente criativas – produções artísticas, científicas,
publicitárias – ou apenas industriais. Manso (1987) é mais técnico, ao relatar:

Direito autoral é o conjunto de prerrogativas85 de ordem patrimonial (direito


de sua publicação) e de ordem não-patrimonial (direito de não publicada a
obra) atribuídas ao autor de obra intelectual que, de alguma maneira,
satisfaça algum interesse cultural de natureza artística, científica, didática,
religiosa, ou de mero entretenimento.

Oliveira (2000?) acredita que o direito autoral é a decorrência direta do


individualismo e da noção de autoria e que a imprensa criou a ideia de que o autor
deveria receber pela fluição de seu trabalho intelectual.
No entanto, com a popularização da Web, os conceitos mudaram. Negroponte
(1995 apud VILLAÇA, 2002) afirma que a lei de direito autoral está totalmente
ultrapassada. Segundo Paula (2005) a internet representa o ápice das ilicitudes
praticadas em relação aos direitos autorais. Gandelman (1997) acredita que, devido o
impacto das modernas e sofisticadas tecnologias de comunicação de massa, a lei do
85
Prerrogativa: 1. direito, inerente a um ofício ou posição; privilégio. 2. Regalia. 3. Propriedade,
característica, atributo (DICIONÁRIO ELETRÔNICO MICHAELIS, [2000?]).
43

direito autoral precisa ser reavaliada e adaptada para a Web. Silva (2000?) é da mesma
opinião e completa:

O direito autoral é tema de grande debate por conta das facilidades de


publicação e reprodução de documentos produzidos na e para a internet.
Sempre que se criam novas formas tecnológicas de reprodução e
armazenamento de documentos, modifica-se o conceito de direito do autor e,
ao mesmo tempo, abre-se discussão acerca das formas de
remuneração/arrecadação do que é devido ao autor na nova mídia.

Aí está a polêmica: como fica a lei dos direitos autorais na Web? Ainda são
válidos para os documentos eletrônicos? Villaça (2002) afirma que as leis do copyright
do mundo material não se aplicam ao virtual. Bottentuit Junior e Coutinho (2007)
acrescentam que muitas pessoas acreditam que todas as informações disponíveis na
internet são de domínio público, porém esta prática é ilegal e quem pratica este crime,
quando denunciado, recebe punições e sanções. Martins Filho (1998) reforça, dizendo:

o fato de alguém ter comprado um livro, digitalizado e colocado na internet


não dá o direito de explorá-lo comercialmente sem a autorização do autor da
obra; se o editor adquirir os direitos de edição de uma obra, isso não lhe
assegura o direito de traduzi-la, adaptá-la para teatro, cinema etc., sem que o
autor esteja de acordo.

Gandelman (1997) afirma que os direitos autorais continuam a ter vigência no


mundo on-line, da mesma maneira que no mundo físico. A transformação das obras
intelectuais para bits em nada altera os direitos das obras originalmente fixadas em
suportes físicos, o que significa que o direito de reproduzir uma obra é exclusivo de seu
titular, inclusive o direito de reproduzi-la eletronicamente; por isso, deve-se pedir
autorização do autor, e caso for publicada sem autorização, estará infringindo a lei.
Martins Filho (1998) ressalta que todas as obras intelectuais (livros, vídeos, filmes,
fotos, obras de artes plásticas, música, intérpretes etc.), mesmo quando digitalizadas,
não perdem sua proteção, portanto não podem ser utilizadas sem prévia autorização.
Gurgel et al. (1999) expôs que muitos autores não têm conhecimento de que suas obras
estão sendo violadas na internet. O site E-commerce86 enfatiza que quando se compra
um livro eletrônico, está apenas adquirindo o direito à leitura e obtenção do
conhecimento e NÃO o direito de reprodução, distribuição e comercialização, o que
significa que e-books não podem ser alterados, plagiados, distribuídos ou

86
<http://www.e-commerce.org.br>
44

comercializados de nenhuma forma, sem a expressa autorização de seu autor; isto é,


todas as obras digitalizadas continuam a ser protegidas (GANDELMAN, 1997).
Para asseverar o que foi exposto acima, o artigo 5º, inciso XXVII da
Constituição Federal (1988), garante “aos autores o direito exclusivo de utilização,
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a
lei fixar". O artigo 7º, da lei 9.610, afirma que “são obras intelectuais protegidas as
criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte,
tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro”. Já o artigo 29, inciso
VII, refere-se à autorização prévia para a utilização de qualquer obra e afirma:

a distribuição para oferta de obras ou produções mediante cabo, fibra ótica,


satélite, ondas ou qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a
seleção da obra ou produção para percebê-la em um tempo e lugar
previamente determinados por quem formula a demanda, e nos casos em que
o acesso às obras ou produções se faça por qualquer sistema que importe em
pagamento pelo usuário.

O que significa, reforçando os comentários citados anteriormente, que qualquer


material, para ser disponível na internet, deve-se, primeiramente, solicitar autorização
do titular ou de seus representantes (no caso de falecimento ou transferência dos direitos
do autor).
E como o titular de qualquer obra pode se assegurar de que seus direitos serão
respeitados? De acordo com a Lei 9.610, artigo 11, “autor é a pessoa física criadora de
obra literária, artística ou científica”, e o artigo 12 complementa: “para se identificar
como autor, poderá o criador da obra usar seu nome civil, completo ou abreviado até
por suas iniciais, de pseudônimo ou qualquer outro sinal convencional”. Logo, o autor
não é obrigado a fazer o depósito legal para garantir que a obra referida é mesmo sua,
conforme afirma o artigo 18: “a proteção aos direitos de que trata esta Lei independe de
registro”. Gandelman (1997) explica que o depósito legal87 é uma forma de se registrar
uma obra publicamente e de garantir, eventualmente, o respeito ao direito autoral de
seus titulares e que é um ato declaratório que serve como prova de autoridade. Contudo,
como a Lei diz que não é obrigatório88 - já que os direitos do autor já estão garantidos
de qualquer maneira89 - é sempre mais prudente pecar em excesso do que em falta.

87
Lei n. 10.944, de 14/12/2004.
88
É facultado ao autor registrar a sua obra no órgão público definido no caput e no § 1º do art. 17 da Lei
n. 5.988/1973 (ARTIGO 19, lei n. 9.610/1998).
89
A proteção dos direitos de que trata esta Lei independente de registro (ARTIGO 18, lei n. 9.610/1998).
45

Os direitos autorais, então, seriam um paradoxo no ambiente da Web, cuja


filosofia é a democratização ao acesso à leitura e à cultura? Neste caso, estamos
tratando de determinadas limitações, visto que, o mesmo artigo 27, da DUDH, que
protege os direitos do autor, também garante o acesso à cultura, comentado no inciso 1:
“todo homem tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de
fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios”. O artigo 215
da Constituição Federal (1988) assegura: “O Estado garantirá a todos o pleno exercício
dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a
valorização e a difusão das manifestações culturais”. No capítulo IV, da Lei 9.610,
titulado das limitações aos direitos autorais, os artigos 46 a 48 asseveram quais
materiais podem ser utilizados, sem estarem, necessariamente, desrespeitando o direito
do autor. Também há o caso específico para as obras em domínio público, atribuído no
artigo 41: “os direitos patrimoniais do autor perduram por 70 anos contados de 1º de
janeiro do ano subsequente ao seu falecimento, obedecida à ordem sucessória da lei
civil”, sendo que todos que quiserem poderão, livremente, explorar aquelas obras
intelectuais, sem nenhuma necessidade de autorização dos que tinham sido, até então, os
titulares do direito exclusivo de utilizá-las economicamente (MANSO, 1987). No
entanto, não é o suficiente para evitar as violações.
Ao se tratar das violações e sanções, a Lei 9.610, através dos artigos 102 a 104,
especificam as infrações e as suas punições para quem infringir os direitos autorais. Nos
quadros abaixo, Manso (1987) aborda, sinteticamente, as violações e suas
classificações.

Quadro 8 – Violações dos direitos autorais

Violação Detalhes
Omissão do nome do autor na publicação
da obra, alteração desse nome ou sua
Ofensa ao direito moral do autor ursupação (indicação de outro nome, de
outra pessoa real ou imaginária, no lugar
do verdadeiro nome do autor).
Modificação ou alteração não autorizadas,
Ofensa à integridade da obra intelectual plágio, reprodução fraudulenta.
Publicação sem autorização do autor.
Direito de utilização econômica da obra
Fonte: Adaptado de Manso (1987).
46

Quadro 9 – Classificação das violações

Consiste na utilização de obra intelectual sem


autorização do titular. (Exceção: a lei considera
Contrafação como não ofensiva nos casos de citação, publicação
de discursos em público, cópias para uso pessoal ou
as apresentações públicas para fins escolares).
Sempre que uma obra alheia for apresentada como
própria, total ou parcialmente, desde que a obra
Plágio fraudulenta apresentada se manifeste na mesma
forma de expressão da obra plagiada: texto em texto,
música em música, etc.
Combinação dos dois delitos citados anteriormente.
O plagiário apresenta como sua a obra alheia e
Plágio-contrafação
apresenta-se sob outra forma de expressão: texto em
música.
Fonte: Adaptado de Manso (1987).

Manso (1987) explica quais são os órgãos competentes que punem os infratores
e as devidas sanções:

• administrativas: Departamento de Censura da Polícia Federal, Polícia


Estadual, Conselho Nacional de Direito Autoral (CNDA), Escritório Central
de Arrecadação e Distribuição (ECAD) e Associação Brasileira de Direitos
Reprográficos (ABDR);
• penais: processo judiciário conduzido por juiz competente, baseado no
artigo 184 do Código Penal90: “crime contra a propriedade imaterial”,
praticado com dolo (“pirataria”). Crime de reprodução não autorizada, quem

90
Art. 184. Violar direitos de autor e os que lhe são conexos:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.
§1º Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por
qualquer meio ou processo, de obra intelectual, interpretação, execução ou fonograma, sem autorização
expressa do autor, do artista intérprete ou executante, do produtor, conforme o caso, ou de quem os
represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
§2º Na mesma pena do § 1º incorre quem, com intuito de lucro direto ou indireto, distribui, vende, expõe
à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra intelectual ou
fonograma reproduzido com violação do direito de autor, do direito de artista intérprete ou executante ou
do direito dos produtos de fonograma, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou
fonograma, sem a expressa autorização dos titulares dos direitos ou de quem os represente.
§3º Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou
qualquer outro sistema que permita ao usuário realizar a seleção da obra ou produção para recebê-la em
um tempo e lugar previamente determinados por quem formula a demanda, com intuito de lucro, direto
ou indireto, sem autorização expressa, conforme o caso, do autor, do artista intérprete ou executante, do
produtor de fonograma, ou de quem os represente:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (LEI n. 10.695, de 01/07/2003).
47

vende, expõe à venda, adquire, oculta ou tem um depósito para o fim de


venda, original e cópia;
• civis: sentença emitida por juiz cível, em processo cível, depois de transitada
em julgado (quando não for permitido mais nenhum recurso processual).
Penas: indenização, tanto de danos patrimoniais como morais, busca e
apreensão do material e publicação de notas na imprensa, anúncios em rádio
e televisão.

O debate em relação aos direitos autorais na internet ainda é extenso e


controvertido, necessitando de medidas mais eficazes para se proteger a Lei e permitir o
acesso democrático dos livros eletrônicos. Paiva (2008) é da opinião do surgimento de
leis mais dignas de copyright, que remunerem escritores e editoras, mas que não sirvam
de barreira à obtenção do conhecimento. Gandelman (1997) sugere que se exija dos
servidores da internet avaliações do conteúdo disponibilizado para se cobrar um valor
justo a ser repassado para os titulares, e também faz questionamentos para se definir
quem é o responsável pelas violações: o servidor de acesso ou de quem incorpora
conteúdo e os transmite? Ele ressalta que sem a remuneração correta dos direitos
autorais, corre-se o risco de que não haja criação e produção de novas obras
ocasionando ‘empobrecimento cultural’ (GANDELMAN, 1997). Martins Filho (1998)
opina na criação de um código universal plenamente funcional, evitando a pergunta “de
quem é a responsabilidade sobre os direitos autorais na internet?”, lembrando que, como
citado por Gurgel et al. (1999), a internet não tem proprietário, por isso, uma de suas
maiores características é a ‘liberdade ilimitada’ fornecida aos seus navegantes. Farbiarz
e Nojima (2003) sugerem que:

o leitor pode adquirir um livro inteiro, em capítulos ou em partes, através de


um sistema chamado Books on Demand (livros sob demanda). Isto significa
que o autor também recebe direito autoral sobre uma única poesia, um único
conto, ou mesmo um artigo técnico que ele possa ter escrito para uma
publicação especializada. Para realizar o repasse de direitos autorais para
editores e autores, foi desenvolvido para a internet o DRM (Digital Rights
Management91) que trabalha com tecnologia de criptografia para arquivos.

Procópio (2005) explica que o DRM intimida a pirataria e guarda todos os


direitos autorais sobre um documento eletrônico. Borges (2000 apud SILVA, 2000)
sugere a criação do Sistema de Empréstimo de Objetos Digitais (SEOD) para preservar

91
Gerenciamento dos direitos digitais.
48

os direitos autorais e ser fiel aos processos bibliotecários para a transição do formato
digital. Já Silva (2000) sugere o pagamento para obtenção de publicações eletrônicas,
permitindo a negociação entre internautas e editoras na aquisição de um e-book. No
entanto, ele acredita que é necessária a regulamentação do direito autoral, no entanto,
isso não resolve o problema de cópias ilegais na internet, até porque o princípio da rede
é disponibilizar informações gratuitas para todos, indo de encontro aos interesses de
diversos setores (SILVA, 2000?).
49

5 A ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA BIBLIOTECA DIGITAL

Nossa missão como bibliotecários é facilitar aos indivíduos o acesso à


informação e possibilitar, desta forma, o desejo de aprender, de discutir,
enfim, a formação do conhecimento ou o conhecimento em formação. Desta
forma, nossa missão como agentes de transformação social é plenamente
realizada (CUNHA, 2003, p. 46).

Através de diversos projetos de bibliotecas digitais, conforme abordadas na


subseção biblioteca universal, nota-se à necessidade de profissionais aptos para
trabalhar neste novo ambiente, no qual continuarão a desempenhar a função que sempre
exerceram: “promover o acesso à informação, organizando-a, descrevendo-a,
preservando-a e criando instrumentos que facilitem a sua localização e difusão”
(RODRIGUES, 1995). Garcez e Rados (2002), Cunha (2003) e Ferreira (2003)
comentam que a profissão de bibliotecário está passando por grandes transformações
geradas com o advento da internet e com a revolução tecnológica das últimas décadas, e
que o mesmo deve estar preparado para responder às novas exigências da sociedade da
informação e do conhecimento. Benício (2003) nomeia o bibliotecário de “guardião da
memória documental”, pois ele precisa empenhar-se em agregar valor à informação e
não apenas em organizar para preservar, mas organizar para facilitar seu acesso e uso
para disseminá-la. Para Dias et al. (2004) os bibliotecários devem ter habilidades
especiais em relação ao ensino/aprendizagem da localização de recursos, a formulação
adequada das buscas, a decodificação da informação, a localização, a seleção e consulta
de registros e de documentos em diferentes suportes e formatos.
Entretanto, como o bibliotecário poderá levar seus conhecimentos
biblioteconômicos para a biblioteca digital? Dias e Belluzzo (2003 apud DIAS, 2004)
sugerem que a adequada capacitação do profissional na utilização de modernas e
eficazes ferramentas que agreguem valor à informação e novas abordagens de
gerenciamento favorecerão a oferta de informações transmitindo o conhecimento
contido nas fontes. Rodrigues (1995) e Cunha (2003) afirmam que a ocupação do
profissional exige novas competências, novos conhecimentos e principalmente novas
interações para trabalhar com a seletividade e troca de informações. Rodrigues (1995),
Levacov (1997), Cunha (1999), Lancaster (1996 apud SILVA, 2000), Campello (2003)
e Silva (2007) alegam que o bibliotecário continuará com a mesma responsabilidade
docente, de consultor, de educador, de avaliador, de orientador, de executor e de
intermediário entre os usuários e os documentos ou fontes de informação, reforçando
50

que o seu lugar estará garantido. Para Marchiori (1997), o bibliotecário é um provedor
da informação, especialista em redes do que um especialista em aquisição ou
catalogação, isto é, um gerente de informação da rede e ele será responsável na
participação da construção e do desenvolvimento das bibliotecas digitais
(RODRIGUES, 1995).
Os profissionais da informação, cada vez mais, deverão estar qualificados e com
habilidades para tomar decisões e saber trabalhar em equipe com outros profissionais de
outras áreas (RODRIGUES, 1995; CUNHA, 2003). Benício (2003) considera que o
bibliotecário deve atuar como agente democratizador do uso da internet, sem esquecer
seu papel social, evitando o crescimento da infoexclusão e facilitando o uso da
informação a um número maior de pessoas e enfatiza que o bibliotecário precisa mudar
a mentalidade de achar que o livro é somente o único instrumento de disseminação da
informação. Cunha (2003) complementa dizendo que o bibliotecário tem a função de
filtrar, organizar e analisar a informação adequada para seu usuário virtual. Para isso, o
bibliotecário precisa estar capacitado, buscando aprender e se aperfeiçoar a todo o
momento, sem medo de inovar (CUNHA, 2003). Dias et al. (2004) sugere que o
bibliotecário saiba executar, com habilidade e competência, atividades e processos sob
sua responsabilidade, com a qualidade desejada. Para Silva (2007), os bibliotecários
também precisam estar familiarizados com os sistemas de informação para poder
orientar, da melhor maneira possível, os usuários, simplificando e minimizando as
barreiras de usabilidade.
A sua atuação na biblioteca digital, segundo Velasco e Odonne (2007) deve ser
redobrada para conhecer melhor, refletir e avaliar as ferramentas disponíveis e
administrar o controle e o uso dos e-books, utilizando as atividades-meio para tal
processo, para facilitar à recuperação da informação desejada para cada usuário. Silva
(2007) sintetiza que cabe ao bibliotecário tornar claro o caminho do usuário, ou seja,
todas as vias possíveis de acesso devem ser conhecidas. Por isso, de acordo com
Ferreira (2003), é essencial o conhecimento e preparo do profissional na era da
informação para evitar o excesso de informação irrelevante e desnecessária, garantindo
“a informação certa, no momento certo para a pessoa certa” (CUNHA, 2003).
51

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A “biblioteca do futuro” trará junto: as funções tradicionais de biblioteca


mais os serviços de informação em rede. Serão necessários investimentos a
longo prazo, nas instituições de ensino superior. A integração dos serviços
tradicionais de biblioteca e aqueles serviços que darão suporte às redes de
informação serão um desafio real para o design das facilidades da biblioteca
(HENSHAW, 1994 apud PEREIRA; RUTINA, 1999, p. 11).

Este trabalho teve o objetivo de, através de uma pesquisa bibliográfica,


descrever a inserção do livro eletrônico em portais de acesso público disponíveis na
internet e, dessa maneira, foi possível atualizar alguns questionamentos relacionados às
terminologias apropriadas para o e-book e para a biblioteca do futuro e, além disso,
averiguar o funcionamento do direito autoral no ambiente eletrônico. Contudo,
procurou-se apurar, no campo profissional, a atuação do bibliotecário na biblioteca
digital.
Ainda existem divergências e falta de consenso entre os autores quanto ao que é
e-book: o aparelho de leitura, o software de leitura ou o texto eletrônico? Por isso,
opinou-se em utilizar o termo para especificar o texto eletrônico, isto é, o material
impresso que se tornou digital. De acordo com Rodrigues (1995), o conceito para a
biblioteca do futuro e suas múltiplas designações (biblioteca digital, biblioteca
eletrônica, biblioteca virtual, biblioteca universal, etc.) ainda está em processo de
construção, definição e evolução. Logo, optamos pelo termo biblioteca digital focado no
documento eletrônico, visto que, a nomenclatura biblioteca virtual, muito utilizada por
diversos autores analisados, não condiz com a sua definição.
O livro eletrônico já é um fato consumado, que chegou para ficar, mesmo com
as barreiras socioeconômicas existentes atualmente, que aos poucos, através de projetos
de inclusão social, serão minimizadas. Suas vantagens superam as desvantagens, às
quais poderão ser eliminadas gradativamente, e sua entrada no mercado não está
distante. Em recente matéria publicada na revista Época, de outubro de 200992,
pronunciou a chegada do Kindle 2, dispositivo eletrônico de leitura de e-books, no
Brasil. Entretanto, a sua aquisição, por enquanto, fica restrita às classes mais abastadas,

92
Fonte: FERRARI, Bruno; DEODATO, Lívia; PEREIRA, Rafael. Um livro que não acaba: como a
chegada do Kindle ao Brasil pode transformar para sempre o modo como nós lemos. Época, 2009.
Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI97883-15228-1,00-
UM+LIVRO+QUE+NAO+ACABA.html>. Acesso em: 06 nov. 2009.
52

mas isso não garante que o restante da população não possa adquiri-lo também. Para
2010, há a previsão do modelo brasileiro BR-100-NTX Braview, porventura permitindo
a redução do preço do aparelho para comercialização e aquisição.
Todavia, não adianta à existência desses aparelhos no mercado, sendo que a
questão do direito autoral não esteja resolvida e adequadamente adaptada para a
realidade atual, até porque, é através da Lei e de suas garantias que o escritor se sente
seguro e estimulado a produzir mais obras intelectuais. Também não podemos ignorar
que a democratização do acesso à leitura deve ser garantida a todos; por isso, é
primordial e necessária a existência de bibliotecas digitais gratuitas e colaborativas que
compartilham o conhecimento e a informação como o PDL e o Portal Domínio Público.
Ao se tratar dos portais de acesso estudados, notou-se diversas distinções quanto
ao tratamento do conteúdo disponibilizado. O Portal Domínio Público apenas
disponibiliza obras em formato digital de acordo com os artigos 41, 43 e 45 da Lei
9.610/98, que tratam de obras de domínio público após setenta anos da morte do autor e
de material previamente autorizado, nos casos de autores ainda vivos. Não obstante, o
site PDL, cuja proposta é a democratização da leitura de maneira gratuita, não segue a
lei dos direitos autorais, especificamente no artigo 29, nos itens abaixo, quando se
refere ao processo de digitalização, pois é necessária a autorização prévia e expressa do
autor para utilização da obra, por quaisquer modalidades, tais como:
I – a reprodução parcial ou integral;
IV – a tradução para qualquer idioma;
VI – a distribuição, quando não intrínseca ao contrato firmado pelo autor com
terceiros para uso ou exploração da obra;
IX – a inclusão em base de dados, o armazenamento em computador, a
microfilmagem e as demais formas de arquivamento do gênero.
Porém, já que a obra foi comprada legalmente e o usuário se ofereceu a
digitalizá-la voluntariamente e disponibilizá-la, mesmo tendo, no ato da compra do
material, garantido o direito do autor, esse procedimento não lhe dá o direito de colocar
essa obra na internet, de acordo com o artigo 37 da mesma lei:

A aquisição do original de uma obra, ou de um exemplar, não confere ao


adquirente qualquer dos direitos patrimoniais do autor, salvo convenção em
contrário entre as partes e os casos previstos nesta Lei.
53

No entanto, a infração do site PDL aplica-se em não solicitar previamente a


autorização do autor mediante ao material digitalizado e disponibilizado, ocasionando,
de acordo com Gurgel et al (1998), um ato ilícito civil, pois não há a reprodução das
obras visando ao lucro, conforme consta no artigo 104 da lei do direito autoral:

Quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em


depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a
finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou
indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o
contrafator, nos termos dos artigos precedentes, respondendo como
contrafatores o importador e o distribuidor em caso de reprodução no
exterior.

Ainda há várias indagações e falta de uma legislação centralizada em relação aos


direitos autorais, para que se evitem contradições na lei. Conforme sugere Gurgel et al
(1998), é necessário um acordo global que mantenha livre o fluxo de informações e
proteja os direitos do autor, e que se alguma obra for utilizada para divulgação, que seja
solicitada a autorização do autor.
54

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