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Ontem, ao luar (1918 - Pedro de Alcntara

O que no peito o corao, no quer dizer.

e Catulo da Paixo Cearense)

Ontem ao luar,
Ns dois em plena solido
Tu me perguntaste o que era a dor
De uma paixo,
Nada respondi!
Calmo assim fiquei,
Mas, fitando o azul do azul do cu,
A lua branca eu te mostrei...
Mostrando a ti,
Dos olhos meus correr senti
Uma nvea lgrima,
E, assim, te respondi,

Pergunte ao luar travesso e to taful


De noite a chorar na onda toda azul
Pergunte ao luar, do mar a cano,
Qual o mistrio que h na cor de uma
paixo.
Se tu desejas saber o que o amor
E sentir o seu calor, o amarssimo travor
Do seu dulor,
Sobe um monte beira mar, ao luar
E ouve a onda sobre a areia a lacrimar!

Fiquei a sorrir

Ouve o silncio, a falar na solido

Por ter o prazer de ver

Do calado corao, a penar,

A lgrima nos olhos a correr.

E a derramar os prantos seus,

A dor da paixo, no tem explicao!


Como definir, o que s sei sentir?
mister sofrer para saber!

Ouve o choro perenal, a dor silente


universal.
E a dor maior, que a dor de Deus!