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HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA - resumão

HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA - resumão

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"Até o século XVIII, na Europa, os hospitais não possuíam finalidade médica. Eram grandes instituições filantrópicas destinadas a abrigar os indivíduos considerados "indesejáveis" à sociedade, como os leprosos, sifilíticos, aleijados, mendigos e loucos, ficando claro que eram lugares de exclusão social da pobreza e da miséria produzidas pelos regimes absolutistas da época.
Na ocasião da Revolução Francesa, o hospital de Bicêtre, em Paris, era considerado uma verdadeira "casa de horrores" onde os internados, loucos em sua maioria, eram abandonados à própria sorte. O médico Phillipe Pinel - um dos primeiros alienistas (como eram chamados os médicos que foram os precursores da psiquiatria) -, ao ser nomeado diretor daquele hospital, começou a separar e classificar os diversos tipos de "desvio" ou "alienação mental" que encontrava, com o objetivo de estudá-los e tratá-los. " - bom material encontrado para estudar para concurso de psicologia.
"Até o século XVIII, na Europa, os hospitais não possuíam finalidade médica. Eram grandes instituições filantrópicas destinadas a abrigar os indivíduos considerados "indesejáveis" à sociedade, como os leprosos, sifilíticos, aleijados, mendigos e loucos, ficando claro que eram lugares de exclusão social da pobreza e da miséria produzidas pelos regimes absolutistas da época.
Na ocasião da Revolução Francesa, o hospital de Bicêtre, em Paris, era considerado uma verdadeira "casa de horrores" onde os internados, loucos em sua maioria, eram abandonados à própria sorte. O médico Phillipe Pinel - um dos primeiros alienistas (como eram chamados os médicos que foram os precursores da psiquiatria) -, ao ser nomeado diretor daquele hospital, começou a separar e classificar os diversos tipos de "desvio" ou "alienação mental" que encontrava, com o objetivo de estudá-los e tratá-los. " - bom material encontrado para estudar para concurso de psicologia.

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Published by: José Hiroshi Taniguti on Jan 26, 2010
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HISTÓRIA DA PSIQUIATRIA Até o século XVIII, na Europa, os hospitais não possuíam finalidade médica.

Eram grandes instituições filantrópicas destinadas a abrigar os indivíduos considerados "indesejáveis" à sociedade, como os leprosos, sifilíticos, aleijados, mendigos e loucos, ficando claro que eram lugares de exclusão social da pobreza e da miséria produzidas pelos regimes absolutistas da época. Na ocasião da Revolução Francesa, o hospital de Bicêtre, em Paris, era considerado uma verdadeira "casa de horrores" onde os internados, loucos em sua maioria, eram abandonados à própria sorte. O médico Phillipe Pinel - um dos primeiros alienistas (como eram chamados os médicos que foram os precursores da psiquiatria) -, ao ser nomeado diretor daquele hospital, começou a separar e classificar os diversos tipos de "desvio" ou "alienação mental" que encontrava, com o objetivo de estudá-los e tratá-los. Foi deste modo que surgiu o hospital psiquiátrico, ou manicômio, como instituição de estudo e tratamento da alienação mental. O chamado "tratamento moral" praticado pelos alienistas incluía o afastamento dos doentes do contato com todas as influências da vida social, e de qualquer contato que pudesse modificar o que era considerado o "desenvolvimento natural" da doença. Desta forma, pressupunha-se que a alienação poderia ser melhor estudada e sua cura poderia ser atingida. Observando as diferentes denominações da loucura e do louco através dos tempos pode-se constatar que elas guardam uma relação com as idéias a seu respeito, como por exemplo: possuídos por espíritos, mania ou furor insano (Século V. AC- Euclides, Sófocles) sofrimento da alma, perda das Faculdades Mentais, louco, lunático, lelé, maniático, tança, vesano, demente, alienado, insano (Pinel, Esquirol). No Brasil colonial e durante parte do Império, a ordem jurídica era determinada pelas Ordenações do Reino e nelas a loucura possuía várias denominações: "desassisados", "sandeus", "mentecaptos" ou "furiosos"; eram ali contemplados ainda os "desmemoriados" e os "pródigos". No Código Criminal do Império (1830), os doentes mentais foram denominados "loucos de todo gênero", termo que se manteve no Código Civil de 1916. A legislação que trata da loucura mostra uma constante preocupação com a proteção das pessoas sofredoras. O modelo assistencial francês de 1838, defendido por Esquirol, foi adotado em boa parte do mundo ocidental e teve grande influência na legislação proposta por Teixeira Brandão em 1903. No Brasil, o atendimento aos loucos era tarefa da Irmandade da Misericórdia e esteve nas mãos da Santa Casa até a proclamação da República em 1889. A partir de 1890, o Hospício Pedro II passa a ser chamado de Hospício Nacional dos Alienados. No século XX, surgem novos nomes: Hospício passa a ser chamado de

Hospital; Alienado de doente mental; asilado passa a ser interno; no ambulatório ele é egresso, se oriundo da hospitalização. Então, torna-se paciente do ambulatório; no consultório ele é paciente, cliente, analisando ou está em terapia. Na perícia é caso ou periciando; Assim, a loucura recebe os nomes de alienação mental, insanidade; depois doença mental, transtorno mental e ultimamente, sofrimento psíquico. IMPÉRIO – ASSISTÊNCIA AO DOENTE MENTAL Costuma-se citar, em tom anedótico, que o modelo de assistência trazido para o Brasil pelos portugueses era o caixote. Segundo alguns, D.Maria I (a louca), teria chegado ao Rio de Janeiro dentro de uma caixa. José Clemente Pereira, Mantenedor da Santa Casa, um dos artífices da independência do Brasil, vendeu a idéia que a maioridade de D.Pedro II fosse marcada pela construção de um asilo majestoso. A mobilização ocorreu com verbas do Imperador, loterias e com o chamado "imposto da vaidade" (venda de títulos de nobreza não-hereditários). Isto permitiu não só a construção do Hospício Pedro II, como a remodelação de prédios da Santa Casa, construção do Cemitério do Caju, o Hospital de tuberculosos, etc. Apesar de alguns insistirem na idéia que o asilo foi construído pela pressão de um poder médico misterioso, na realidade os médicos pouco participaram, apenas colaboraram cientificamente no discurso filantrópico. Diante disto, a história mostra que quem mandava efetivamente no asilo eram as religiosas incumbidas dos doentes e a Mesa diretora da Santa Casa, sendo que os médicos só assumiram sua administração com a República. No decreto de D. Pedro II, reproduzido abaixo, existem duas palavras que indicam um uso intercambiável dos termos hospício e hospital. Pedro II fundou um Hospital com o nome de Hospício, para tratar os alienados. DECRETO Nº. 82 (1841) "Desejando assinalar o fausto dia de minha sagração com a criação de um estabelecimento de pública beneficência: hei por bem fundar um hospital destinado privativamente para tratamento de alienados com a denominação de HOSPÍCIO PEDRO II o qual ficará anexo ao Hospital da Santa Casa de Misericórdia desta Corte, debaixo de minha imperial proteção, aplicando desde já para princípio de sua fundação o produto das subscrições promovidas por uma comissão da praça do comércio, e pelo provedor da sobredita Santa Casa, além das quantias com que eu houver por bem contribuir”.

Nos mesmos moldes, a partir de verbas públicas, donativos e loterias, durante o Segundo Reinado foram construídos várias instituições "exclusivas para alienados", inicialmente nas províncias do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Pará, Bahia, Rio Grande do Sul e Ceará; e, já na República, nos estados de Alagoas, Paraíba, Minas Gerais e Paraná. Verifica-se que o percurso dos alienados nas várias províncias foi semelhante, indo das enfermarias dos hospitais das Santas Casas aos hospícios exclusivos. Apenas em São Paulo, o hospício de alienados não foi precedido de assistência sistemática em hospital de caridade, talvez pela precoce decisão do governo provincial de custear-lhes um asilo próprio. É importante ressaltar que nesses hospícios não havia atuação significativa da classe médica, até o fim do Império. No início do século XX, os médicos conseguiriam obter o controle administrativo das Santas Casas e hospícios, os quais foram se tornando, gradativamente, estabelecimentos médicos (Oda e Dalgalarrondo, 2005). Pode-se dizer que a Cena Inaugural da moderna psiquiatria brasileira foi a posse de Juliano Moreira na direção do Hospital Nacional dos Alienados e a conseqüente transposição para os trópicos de um modelo de assistência europeu. ORIGEM DA PSIQUIATRIA NO BRASIL A psiquiatria surge, com a chegada da Família Real ao Brasil, com o objetivo de colocar ordem na urbanização, disciplinando a sociedade e sendo, dessa forma, compatível ao desenvolvimento mercantil e as novas políticas do século XIX. É a partir do embasamento nos conceitos da psiquiatria européia, como degenerescência moral, organicidade e hereditariedade do fenômeno mental, que a psiquiatria brasileira intervém no comportamento considerado como desviante e inadequado às necessidades do acúmulo de capital, isolando-o e tratando-o no hospital psiquiátrico.

O saber e o poder médico, artificialmente, criam uma legitimidade de intervenção da classe dominante sobre os despossuídos através da nova especialidade - a psiquiatria – e da nova instituição - O Hospital Psiquiátrico. O objeto dessa intervenção, o sofrimento mental, é reduzido através de um artifício conceitual, a categoria de “doença mental”, subtraindo-se toda a complexidade de fenômenos diversos, singulares e compreensíveis no contexto da existência humana. O Manicômio, dentre outros dispositivos disciplinares igualmente complexos, atravessou séculos até os nossos dias, conformando uma sociedade disciplinar

com dispositivos disciplinares complementares num processo de legitimação da exclusão e de supremacia da razão. Os primeiros movimentos questionadores Frente a essa realidade surgem alguns movimentos que questionam essa ordem, procurando romper com a tradição manicomial brasileira, principalmente com o fim da Segunda Guerra Mundial. Todas essas experiências são locais, referidas a um ou outro serviço ou grupo e estão à margem das propostas e dos investimentos públicos efetivos. Há forte oposição exercida pelo setor privado que se expande e passa a controlar o aparelho de Estado também no campo da saúde. Assim, na década de 60, com a unificação dos institutos de pensões e de aposentadoria, é criado o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). O Estado passa a comprar serviços psiquiátricos do setor privado e concilia pressões sociais com o interesse de lucro por parte dos empresários. Mesmo diante dessa realidade os movimentos questionadores crescem e têm como principal inspiração a experiência de Trieste, na Itália, liderada por Franco Basaglia.

A experiência de Franco Basaglia em Trieste e a repercussão no Brasil Basaglia, em 1971, fecha os manicômios, acabando com a violência dos tratamentos e põe fim no aparelho da instituição psiquiátrica tradicional. Basaglia demonstra que é possível a constituição de uma nova forma de organização da atenção que ofereça e produza cuidados, ao mesmo tempo em que produza novas formas de sociabilidade e de subjetividade para aqueles que necessitam da assistência psiquiátrica. Em 13 de maio de 1978 foi instituída a Lei 180, de autoria de Basaglia, e incorporada à lei italiana da Reforma Sanitária, que não só proíbe a recuperação dos velhos manicômios e a construção de novos, como também reorganiza os recursos para a rede de cuidados psiquiátricos, restitui a cidadania e os direitos sociais aos doentes e garante o direito ao tratamento psiquiátrico qualificado. Esse fato na Itália influenciou o Brasil, promovendo discussões que tratavam da desinstitucionalização do portador de sofrimento mental, da humanização do tratamento a essas pessoas, com o objetivo de promover a

reinserção social.

Na década de 70 são registradas várias denúncias quanto à política brasileira de saúde mental em relação à política privatizante da assistência psiquiátrica por parte da previdência social, quanto às condições (públicas e privadas) de atendimento psiquiátrico à população. No Rio de Janeiro, em 1978, eclode o movimento dos trabalhadores da Divisão Nacional de Saúde Mental (DINSAM), que faz denúncias sobre as condições de quatro hospitais psiquiátricos da DINSAM e coloca em xeque a política psiquiátrica exercida no país.

O Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental É nesse contexto, no fim da década de 70, que surge a questão da reforma psiquiátrica no Brasil. Pequenos núcleos estaduais, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais constituem o Movimento de Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). A questão psiquiátrica é colocada em pauta: “... tais movimentos fazem ver à sociedade como os loucos representam a radicalidade da opressão e da violência imposta pelo estado autoritário”. (Rotelli et al, 1992: 48). A violência das instituições psiquiátricas, dessa forma, é entendida como parte de uma violência maior, cometida contra trabalhadores, presos políticos e, portanto, contra todos os cidadãos. A relação entre a Reforma Sanitária e a Reforma Psiquiátrica O movimento de reforma sanitária tem influência constitutiva no movimento de reforma psiquiátrica.

Nos primeiros anos da década de 80 os dois movimentos se unem, ocupando os espaços públicos de poder e de tomada de decisão como forma de introduzir mudanças no sistema de saúde. “A Proposta da Reforma Sanitária Brasileira é fruto da indignação contra as precárias condições de saúde, o descaso acumulado, a mercantilização do setor, a incompetência e o atraso, assim como uma possibilidade da existência de uma viabilidade técnica e uma possibilidade política de enfrentar o problema”. (Arouca, 1988:2)

A 8 ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, é um marco para a realização desse processo, pois foi onde o movimento “assumiu definitivamente a bandeira da descentralização, pleiteando a criação de um sistema único de saúde universal, igualitário, participativo, descentralizado e integral”. (Conferência Nacional de Saúde, 1987 apud Paim, 1998) A partir disto, várias foram as iniciativas para o alcance desse objetivo como a Constituição Federal Brasileira, promulgada, em 5 de outubro de 1988. Esta possui uma seção exclusiva para a questão da saúde (Art.196 a Art. 200) na qual se consolida a universalização da assistência, a integralidade da atenção à saúde - realizada por ações de promoção, prevenção, cura e reabilitação -, o reconhecimento do direito e necessidade da participação da comunidade na gestão do sistema - através do Conselho de Saúde -, a hierarquização, a eqüidade e a descentralização do sistema - com comando único em esfera de governo. Todos esses avanços foram originados pelo movimento de Reforma Sanitária. Ao mesmo tempo em que o movimento de reforma psiquiátrica se articula ao de Reforma Sanitária, ele continua com suas atividades questionadoras e transformadoras.

Os serviços de saúde mental substitutivos ao modelo manicomial No campo da assistência, a Portaria nº 224, de 29 de janeiro de 1992 do Ministério da Saúde estabelece as diretrizes para o atendimento nos serviços de saúde mental, normatizando vários serviços substitutivos como: atendimento ambulatorial com serviços de saúde mental (unidade básica, centro de saúde e ambulatório), Centros e Núcleos de atenção psicossocial (CAPS/NAPS), Hospital-Dia (HD), Serviço de urgência psiquiátrica em hospital-geral, leito psiquiátrico em hospitalgeral, além de definir padrões mínimos para o atendimento nos hospitais psiquiátricos, até que sejam totalmente superados. A Portaria nº 106, de 11 de fevereiro de 2000(3), cria os Serviços Residenciais Terapêuticos em saúde mental para pacientes de longa permanência em hospitais psiquiátricos. Além desses serviços, existem os Centros de Convivência, as Cooperativas de Trabalho, dentre e outros criados por municípios. Assim como os outros tipos de serviços substitutivos, eles “... têm garantido a população dos municípios onde se localizam um atendimento mais humano, sem exclusão e com resolubilidade”. REFORMA PSIQUIÁTRICA

A reforma psiquiátrica deixa de ser entendida como decorrente única e exclusivamente de medidas emanadas no estado, sejam políticas sociais, sejam políticas específicas para o campo da saúde mental. Ela se organiza nos princípios de desinstitucionalização, desospitalização e a garantia dos direitos de cidadania dos doentes mentais. A desinstitucionalização intercede pela e para a solidariedade, a convivência entre as diversidades e as diferenças e transforma no saber, a prática psiquiátrica e os campos da ética, cultura e cidadania. A desospitalização significa sanear os serviços hospitalares e exigir deles enquanto persistem como instância necessária de tratamento, que prestem serviços condizentes com os avanços contemporâneos e com a legislação vigente e, expandir os serviços extra-hospitalares, oferecendo assistência resolutiva e integral aos doentes mentais e apoio aos seus familiares, revertendo o modelo tradicional hospitalocêntrico. O resgate à cidadania significa o respeito ao doente mental, não violação de correspondências, direito de receber visitas e ter dignidade no atendimento.

A reforma psiquiátrica constitui-se na principal diretriz da coordenação de saúde mental do ministério da saúde. As estratégias principais para a implementação articulada e conjunta com as secretarias de saúde dos estados e municípios brasileiros, são as seguintes: a) estabelecer mecanismo de financiamento das ações e serviços compatíveis de acordo com os preceitos da lei 8080/90; b) consolidar orientação através dos documentos normativos do ministério da saúde, junto aos conselhos profissionais da área de saúde e representantes de associações de usuários e familiares; c) subsidiar o Conselho Nacional de Saúde através da comissão nacional de reforma psiquiátrica, com composição paritária, questionando e aceitando proposições; estabelecer programas, para clientela dos crônicos, grabatários, residentes nos hospitais psiquiátricos, fortalecer intercâmbio internacional, sob orientação da organização mundial de saúde e da organização panamericana de saúde; d) estabelecer programas de capacitação de recursos humanos, votado para a mudança do modelo assistencial e estimular a revisão de legislação

psiquiátrica.

Assim, a Reforma Psiquiátrica é processo político e social complexo, composto de atores, instituições e forças de diferentes origens, e que incide em territórios diversos, nos governos federal, estadual e municipal, nas universidades, no mercado dos serviços de saúde, nos conselhos profissionais, nas associações de pessoas com transtornos mentais e de seus familiares, nos movimentos sociais, e nos territórios do imaginário social e da opinião pública. O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil é contemporâneo da eclosão do “movimento sanitário”, na década de 70, com objetivo de propor mudanças nos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde, defesa da saúde coletiva, eqüidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde nos processos de gestão e produção de tecnologias de cuidado.

O MOVIMENTO ANTIMANICOMIAL É um movimento social por uma sociedade sem manicômios (surgindo trabalhadores de saúde mental). O lema estratégico remete para a sociedade a discussão sobre a loucura, a doença mental, a psiquiatria e seus manicômios, com a participação de técnicos, usuário e familiares e a sociedade em geral. Em 1987 foi realizada a I Conferência Nacional de Saúde Mental, o II Congresso Nacional dos Trabalhadores de Saúde Mental, em Bauru-SP, onde foi proposto que o movimento de trabalhadores fosse um movimento social, por uma sociedade sem manicômios e que o dia 18 de maio fosse o dia Nacional da luta Antimanicomial. Em 1989, o deputado Paulo Delgado (PT-MG) apresentou o projeto de lei 3.567/89 onde propôs a "extinção progressiva dos manicômios e sua substituição por outros recursos assistenciais”. Em 1990, a conferência ‘Reestruturación de la Atención Psiquiátrica en la Región’, promovida pelas Organizações Panamericana e Mundial de Saúde (OPS/OMS), Caracas, trata da necessidade de reestruturação imediata da assistência psiquiátrica pela adequação das legislações dos países de forma que “(...) assegurem o respeito dos direitos humanos e civis dos pacientes

mentais e promovam a reorganização dos serviços que garantam o seu cumprimento”.

Essa conferência tem como ponto principal demarcar a crescente tendência internacional de superação dos velhos modelos de psiquiatria e reforma psiquiátrica. O Brasil é signatário dessa Conferência, comprometendo-se com seus objetivos. Além da Conferência de Caracas, há um outro documento político adotado pela Organização das Nações Unidas: “Princípios para a proteção de pessoas com problemas mentais e para a melhoria da Assistência à Saúde Mental”, que visa assegurar os direitos da pessoa portadora de sofrimento mental, tratando-a, dessa forma, como cidadã. Em 1992 aconteceu em Brasília a realização da II Conferência Nacional de Saúde Mental que propôs a formação e instalação da comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica ligada ao conselho nacional de saúde com representantes de técnicos e usuários e familiares participantes do movimento.

O movimento antimanicomial tem aspectos importantes quanto à diversidade, complexidade e não homogeneidade. O movimento era formado de trabalhadores, hoje é social de caráter popular; a saída da especificidade profissional para a área cultural mudou a concepção dos serviços de saúde e tem como interesse inserir os indivíduos à discussão na sociedade e com isso conseguir aliados e apresentar estratégias com outras áreas desde a cultura, o jurídico revisando os conceitos de incapacidade e imputabilidade, em relação à legislação discutir leis de reforma psiquiátrica em nível nacional, estadual e local e com isso solicitar deles a inversão de prioridades, buscando a implantação de serviços de saúde mental.

OBRAS CONSULTADAS ODA, A. M. G. R., DALGALARRONDO, P. História das primeiras instituições para alienados no Brasil. História, Ciências, Saúde - Manguinhos, 12 (3): 983-1010, set.-dez. 2005. História da Psiquiatria - A Loucura e os Legisladores Walmor J. Piccinini e Ana Maria G. R. Oda FEFFERMANN, M et al, 2000. Estudo do Perfil das Potencialidades dos Municípios do Estado de São Paulo para o desenvolvimento e Implantação de Propostas Assistenciais de Atenção em Saúde Mental na Perspectiva da reforma

psiquiátrica. São Paulo, projeto do Instituto de Saúde, (não publicado).* Alguns artigos que serão hospedados oportunamente.

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