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Os Direitos Humanos e a Percia Criminal

Dcio Mallmith (*)

A questo dos Direitos Humanos apresenta-se sob diversas facetas. No saberia


enumerar e/ou conceituar todas - se que se pode enumer-las e conceitu-las
adequadamente. Atenho-me apenas a duas que creio importantssimas: a vida e a
verdade.
Iniciamos pela vida que, alis, onde tudo comea. A vida o bem mais
fundamental de cada indivduo, sem a qual nada mais foi, faz ou far sentido. Nesse
aspecto, transcende toda e qualquer questo, seja ela filosfica, religiosa, artstica ou
cientfica, vez que se esgota em si mesma. Atentar contra a vida significa macular a
base que serve de sustentculo construo dos Direitos Humanos.
A verdade, por seu turno, baliza ou deveria balizar qualquer ato vinculado
justia. Est na essncia da justia ou , dizem alguns, a prpria justia. Traveste-se,
tambm, de inmeras roupagens. Resumia Aristteles que a verdade "(...) afirmar o
que e negar o que no (...). Mas a verdade no escapou inclume onda
relativstica, de tal forma que a verdade, hoje, entende-se relativa. E relativa porque
sempre desconheceremos todas as razes e todas as implicaes envoltas em qualquer
ato ou ao ocorrido. Em suma, como poetizou Drummond, a porta da verdade estava
aberta (...).
Agora, o que faz a percia criminal a no ser procurar descortinar a verdade
material possvel envolvida em um ato que, ou suprime a vida ou atenta diretamente
contra o seu pleno desenvolvimento?
O que faz o Perito Criminal a no ser traduzir para o meio jurdico um ato de
agresso aos Direitos Humanos?
Ocupamos, neste contexto, posio estratgica na garantia a no violao aos
Direitos Humanos e, portanto, valorizar a Percia Criminal e os Peritos significa elevar o
nvel de proteo de tais direitos. E isto, em ltima anlise, mede o grau de civilidade de
uma nao.
Em poca de Copa do Mundo interessante no descuidar desses detalhes!
( )

* Fsico e Bacharel em Direito, Mestre em Sensoriamento Remoto e Perito Criminalstico Aposentado.


Scio Fundador da UGAPOCI.