Você está na página 1de 18
$ i ise da thoes * 2 JORNAL- : wy pe, 441 — Con, $1 —CEP 01243-001 —SP de PSICANALISE SUMARIO Telefone: 257.9822 INSTITUTO DE PSICANALISE — SBPSP- 204 VO iesney I-44 AB ZOK EDITORES SANDRA LORENZON SCHAFFA ndra Lorenzon Schatfa muel de Vasconcelos ANB cobias. & Sige ‘CORPO EDITORIAL . Saddi Mennueci ‘ Marina Massi Lu Regina W. Reiss Leda Her PREPARAGAO DE TEXTO José A. P. Ferreira ECRETARIA de Lourdes Pulido 183,204 p/2B0 Mi PRODUCAO GRAFICA Patricia Sevestre Canton COLUSSI LAMANNO-ADAMO £6 ato erator 8 undo compeenste dwn pao IMPRESSAO E ACABAMENTO Lis Grafica e Rua Felicio An Bonsucesso — Guarulhos — SP — CEP 07175-450 Fone/Fax: (011) 6436-1579 tora Ltda Alves, 370 —Id. Triunfo CAPA Yvoty Macambira TEORIA DA NARRATIVA: POSICOES DO NARRADOR! Prof, Davi Arriguect Jet sobre © que foi no nossa pratica de apresentagai € algumas coisas que pedimos que ele nos desse algum subsidio pela via da \ dasarse: oma e enti. S86 Palo, 3S9K: SoD. se. 1998 Pro Da Arie se Bom, voo8s conhecem o Davi. Ele 4 professor, um dos nossoseriticos mais tonhecidos e importantes, Eu acho que Tzu que havia sonhado que era uma, vai ser um timo comeso para 6 nosso boleta, ou se era uma borboleta e estava ano. sonhando que era Tzu" Nessa ancdota hé uma espécie de fantasia metafsica sobre a questéo cen Davi: Bem, vou tentar dizer algu- ‘ma coisa no sentido do que me propuse ‘mas recorrentes na obra dos trés| certamente da antologia. Mas é ainda ut muito amplo, complexe inesgotavel. que se coloca também para proximos talvez das quesides que me foram expostas — para tentar os ame colocarem: cconseqiéneias. Chuang-Tzu leta podem ser a perspectiva a partir da (0 problemas da narrativa I relatos de casos. {quem quer que conte ums histéria Como narrar? Essa F de um exemplaresdeamplareper nal. Por isso Torn da rac: puget do norador pois, discutir essa questto da impossibi- fade de narrar propria de nosso tempo. supondo-se que narrar seja possi- wi uma série de problemas que se para qualquer narrador. Eases sm a base da técnica iemado tom eo proble- aberto. Sera pos- narrar se toma ficeional: opr 1088a época, AS AS principais q fice te de foo narrativo, que sio ex pressdes usades em geral como si ora em certos autores possam s diferentes, A expresso de vista” vem das ates plisticas, ‘quando ¢ impossivel narrar ea forma do omance exige anarraeso. Podemos, de- orn de Pads, Sto Pro Oa drips se Teoria da maratna: ponies do marrador que ha dois modos gerais de comesar a contar qual- uma voz narrativacapazde comunicaros fatos a0 itor. a inapessoa vaicontarqual a piada, ela fica no xbes sobre a questio, € 0 eseritor norte- americano Heney James. Eledeixouuma, série de preficios, nos quais discutecom ‘Pra Deo Arig paraquese cbtenhaa“verdade" artstica nuosesucessivosdeagdo, de caracteriza- sem quebra da ilusio ficcional. Muitos ¢S0 das personagens, de didlogo, de tem- dos grandes romancistascontemporane- po e de espaco. E, pois, com mui detalhes concretos que se constréi uma cena (showing), e nfo necessariamente com 0 dislogo, que pode, ali presente num sumério narrativo. Certamente munca setemummodo puro. O modo geral de narrar uma série de eventos & indispensavel para que ev cena particular. Quer diz re cenas — por exemplo, se ro de contos como Men Hemingway, de espago, de tempo, de carac- que acompanham 0 dislogo Sempre ha pelo ‘comum no retrospecto, no flash-back, ‘que pode nos dar os antecedentes ou a Vida pregressadeumapersonagem.Se20 Tera ener: poses do ntrader ? Essa questio aparece varias vezes ériadafieglo ocidental, Porexem- ing, noséeulo XVIII,em ones, no inicio do Livro H, diz uando se 1os apresentar alguma cena cextraordinaria (como nos flamos de que nao pouparemos ios derivarem sem que nada suceds Cistas. desde o século XIX até o comego do século XX, repassan rmodos de narrago que adotaram, Obser- st 19, 8 Prof Dot Aric Je vaentio que seolharmosdesde Fielding, pela qual se abre o conto. Em seguida, desde 0 periodo de afirmagao doroman- vem o didlogo: ce inglés do século XVII! até os anos 30 '—Ria, ria, os homens stoassim; deste culo, notaremos uma tendéncia no acreditam em nada”, (Rita fal progressiva ao desaparecimento do au- Por esse trecho, vemos que a, iruso,narradorque tomante se abre por uma cena direta ‘Ouseja, ashis- (showing). A frase tomada 4 peca de jamenteasecon- Shakespeare cot |4 mo de entrada genérica para os detalhes eliminagéo da voz narrativa direta para coneretos que vm a seguir. Ficamos comunicé-laaoleitor.A fiegdodoséculo sabendo que ela é bela. que ele & moco, ;odepois,masporaise quesetratade uma sexta-feirade nover reta ou indretae mente, ha muitos outros problemas série de detalhes de caracterizagio volvidos na tenica lesional. Vejamos fisica. de tempo, de espa¢o, toda ui alguns deles. Quando © autor aparece, quem aparece? Que outros problemasesttoem questio ai? Antes de passara isso, talver Rita, e surge um tercei historia, Vilela. que & também referido no didlogo. Mas logo adiante, uns dez pardgrafos depois, onarrador interrompe edi: pode far mais vivo o que quero dizer. lela. Camilo e Rita, t's no- ide Machado de que o fazia por outras palavras A frase de Shakespeare, como se v¥é, serve de introdugao a situagto: 6 own de Pcs. Sho Pao 3S 849, a 1988 Teoria da narra: pooled narrador te. Surge um sumaio retrosp Wer di neve em seguida, sem quenadase frente équeo . como ele havia encontrado Fortunato © como veio dar com Maria Luiza, Vamos dizer queesses dois exem- los de Machado de Assis deixam claro ‘me poem a pena na mao! do Don Ca ‘outro livro,e aparecer us0 falando de terceiros. Va- }orque seabra uma histéria como 1 fitava a enseada, Eram horas da manha. Quem o visse. i Dedric os polegares metidos no cordio do alguémahistérie—que sea, por exem- Chambre, janeladeuma grande casade plo, o pscanalista da pessoa que viveu Botafogo cudariaquecleadmiravaaque- rine que poderé estar eprodu- iepedngede gue queto. Masem vetda- indo —, cenvertendo-se num narrador dewosdigequepensavaemoutracosa”. deestatuloambiguo, porestare nfo estar Eo comeyo do Quincas Borba, participando da histéria. Essa ambigti- Quer dizer aiev tenho um narador que dade existe decerto também com rlagso Sabo o que faia Rubito e até do que 20 Bu potagonista, espécie de testemar pensaves comesa narrando em teceira nha de si mesmo que #fodo momento Pessoa como um observadora distneia, pode estar felseando 0 que nara, como Dosigdo recuada que somos, por asim _tavez sea 0 caso do narador de Dor Gizer eonvidades a compartlar com a Casnero. Mas ai podem ser outras 38 vor n (C.quem 0 visse..”), até agbes, No caso do narrador teste {que se intromete com 0 comentério em tem co- ira, oltando-se agoracom irénicohecimento da participaatécer- to ponto dela. mas nko & exatamente © centro da histéria. Eo caso de “A queda igo” a casa de Usher”, de Edgar que € um con tradigao da smonotoga amigo recebe narrador que fos Usher, dda aventura que vai contando. posto didlogo com um interlocu presenga s6 se percebe pelos reflexos na fala do narrador, mas que pode te cada, olago e a triste © quem registrou a ‘© desolada paisagem onde vivem Roderick leitor. Porexemglo,oRiobaldodeGran- eairm Madel js cde uma far nosfera soturna que envolve 1a a casa decadente, um interlocutor da cidade, homem de tombs d sabemosqueri quando quem ouve € dentro (ficou de fora para nos contar a também um Eu tetemunha, que coisas aconteserem e que fem alguma relagdo com a hstéra, ou que ouviu de posto a margem da inséli Mar ‘6 Jew Teva da nro ponies de natreder linico modo de nio se quebrar a ilusdo ‘damente das proprias personagens. Nes +e c380, elas funcionariam como refleto- res ou mirrors — esp ‘como pontos de luz do enredo fiecio ‘Ao contrario de Machado de Assi ue, onisciente, pode estar em qualquer se 198, ls Pr Dan Aries eri du nara. pote do narador parte: dela, esumindo tudo num zendo o passado, como da personagem, na frente Se um narrador, ou .escolherei em geral tum ponto de vista é ese uma voz nar -valores Isso demonstra que a zem os narradores de Bal 4 articulada com a visio do ‘econtam como era o meio da época em io € inocente e estéarticu- ‘questho, tragam um retrospecto enorme —lada com todos os outros aspectos da nareativa isto com ostemas. Em geral,o : ada técnica depende da de consequéncias e difieulda- ry James levantou objesdes « \denarrar: comoonarradorem passado de uma personagem. Ou seja, pode-seteruina visto decima,uma visio iférien ou pode-se mudar 0 foro de jm como otema pode 0, situando-se o leitor de frente ia ou conduzindo-o a acom- 1 visio por esa. a aparecer fe que_aescolha do uatrador é lecisivos da Fiegtoe da sua reirospecto a vida dele ages metafisicas,certamenteim- meio aos pobres mois. a Pr Dan Arius des circunstincias dibias,de que ei ‘depois se dé conta ou percebe melhor na releitura. E uma narragdo em pri {que narre muito depois da corréncia dos fatos de sua vida de aventuras, que & objeto de seu relato a um interlocutor da cidade, Ble priprio s6 ficou sabendo de tudo depois que as coisas se passaram,¢ sua ignordncia daquele tempo,clearepe- te no relato ciftado diante do ouvinte, iardando 0 momento do descobrimen- to, conforme ele mesmo veio a saber € yento de tudo. Por iss0, arraial do Paredo, se desculpa por no ter eontado até aquele momento: conhecew que Diadorim era mulher, & cenjgmétiea mopa virgem, e noo jagun= foque ele aprendewa Dindorim, por esse nome am! se, ser nunca sabe 10 €m todo o tempo ‘contelaosenhor—emervé peso: —mas para 0 senhor div travo de segredo, sabendo ‘Que Diagorim era o corpo de uma mu: ther, moga perfeita..”. Nio pode revelar 0 segredo porque, evidentemente, é um narrador em primeira pessoaque decidi seguir a seqléncia natural da histéria de sua prépria vida, ao narré-la a0 doutor {que 0 escuta, sem interferir no passado com 0 eanhecimento que tem no presen- te, depois queos fatos dahistria narrada jitse deram. Ele nfo pode saber mais do que sabia no tempo em que os fatos -aconteceram. As vezes, esse interdito se torna motivo de angustiosa buscade sub- terfigios para avangar além do saber possivel de wim narrador travado em sew centro fixo, mas & uma exigéncia da convene, para que nao se quebre a coerncia interna do relat. ‘Num romance bastan ‘mas que tem os seus méritos, um rom ico de Lawrence Durr ialés que viveu na Grécia durante algum tempo, 0 problema dos ‘veuumasequeneiade q ligados, 0 Quarteto de penetrar na intimidade da apaixonante © ‘misteriosa personagem que dé iro, 0 fundo indevassivel da perso- idade que pode sempre escapar. O romance joga com essa idéia 0 tempo todo, valendo-se de uma série de recur s03—espelhos, didrios informagoes de terceiros —, qiiando @ narragdo € em primeiea pessoa. Sio todos eles. vamos dizer, instrumentos para que o narrador n Jorn de Pani, Sto Po, 31ST: 943, st 1898 tenha acesso a um lugar que no pode ter porque ndo pode escapar do angulo cen- tral em que esti metido, a camisa-de- forga da narrativa em primeira pessoa, da ficpo conhece 0. Par exemplo, I, 0 narrador em primeira pessoa de Moby Dick, abe de coisas aparente- mente impenetréveis que se passam na quebra da verossi A uma certa vamos a acetar que aquele mem KQo encerrado em si mesmo, 0 terrivel,omonstruosocapitioda Pequod, raneacomo.encarnapio que 0 narrador nos impinge, emborao narradorndo pudesse fodramiticodenarrar,cujos ressupostosbehaviorisasficam bastante Jorma de Pie, do Pa, Teri de rarratv: posite do narador ‘evidentes, quando avaliados no contexto de seu tempo, como se pode ver pelo ‘conto anter le casal que fica ali se debatendo diante lema veledo, mais ou menos ‘est posto come algo capaz deestimularas.easdes psicologicas.Tra- tase entio, certamente, quase que de uma cena teatral direta, sem intermedia 0 de nada, na qual as pessoas se com- portam segundo 0s estimulos que esto ddados na situaga0 armada pelos rapidios detalhes danota¢do.cénicaem quemalse ‘detém a narragao. As implicages psico- de frente, como ena ng paleo. ipo de questdes que en- volve,além da vor narrativa,oangule da também. 0s procedi- s, 08 eanais de que me sirvo para fe que estdo articula- ddos com os outros dois grupos de ques- tes. Por exemp! ria pode ser ransmitida medianteas palavras. os sonagem, ou seja, das apbes e das ps ‘ras da propria personagem: pode ocor- racombinagdo desses canais. ‘Vamos dizer, entdo, que um dos proble- ‘mas bisicos do ponto de iados pela escolhada ygulo. Certamente, se (591 9-4, 3 1998 2 Peo Dat Aig ‘demiurgo tem diante do que relat, Ele € rmediador de tudo e se interpae sempre para entrar na histria? Final questOes permite que se! ‘completa do ponto de vist tincia. A que distancia oleitor ficada historia. As vezes, seonarradortem uma que podem chegar em casos forte, como 0 narrador _comonode Joyce por exempl do fluxo de consciéneia em que, além da penetragdo nasmente da personagem, hi também a desarticulagdo do discurso narrativo. Pode-se, portanto, reconhecer ives diferentes de penetragio na alma dda personagem. Posso nfo ter nenhuma formas ou do monélogo veisdo luxe da co tuma fala atabalhoada, um discurso que no é discurso propriame como no caso do famoso n Molly Bloom a0 Ulisses, de lames Joyce, Parece uma visio de entressonho, um ‘magma que aflora informe de camadas profundas da interioridade, mum fuxo sesconexo, pode sei dentro do Teri da marrive:pougses do nareder doque queria Henry James, amodalidades idénticasisde Machadode Assis,quefazia luma certa figura arcaizante no seu tempo ( io Candido), quando ddominava o modelo flaub ‘nomia éomundo ficeons vor narrativa autoral. De repente o que parecia em Machado retomada dos narra- dores do séeulo XVI de Cortazar, um contade Borges, ou © Grande sertao: veredas. Posso Pr Da Arie se ‘Teri de nereine: posite do nrrador Elias’: Continuando um poueo a conversa que estivamos tendo antes, eu {queria retomar um artigo que eu comen= uma manipulagao desses fatos; portan- toéuma forma de interpretagio, Qua eu digo agora ao contae tm agora ndo éagora, porque: pontos de vista: a narrativa como now, ‘como agora, ¢ a narrativa como entio, ‘thert, Ela retoma essa questdo que voc Gonarrador, do ponto de tico, mais ou menos da segu cla procura criticar a perspectiva herme- néutica pura e diz que estamos sempre diante de um paradoxo, porque a fala do ppaciente €ao mesmo tempo wma ni vva deseritiva de fatos, € uma interpret ‘0. Se ficarmos numa perspect nas da narrative de fatos enquant fatos, ns no tems acesso& personalidade do autor, Mas por outro lado, seeneararmos 4 narrativa enquanto izendo e pelo titulo then (0 rachadura fiegdo seria apenas 1. E 9 caso, por & de enunciagao e enuncisdo calocado no comeso. Ou umadestas perspectivasisoladamentenos dé acesso & personalidade de quem esté interpretando a interpretacto, mas nto @ eformagdo interpretativa em sido paci- fente. Margaret Hanly procura mostrar problema que a autora citada esté colo- {que a Giea forma de ter um acesso, ou cando € o problema entre a verdade, a seja,deconhecero autor, entrecruzaraverossi perspectiva da narrativa de fato, como trésdimensdes da questio conjuntam: ia de vento exeepcion: para a época em Paris) e ele anda por ese debruga sobre o izer,narraumaagto 2 que ja aconteceu, ue Seja 0 intervalo temporal eto: unsabordagem ext 26 Joma de Pani, Sto Pao, SUSTI 9A. e998 ot ect, $80 Pa n Pr, Dal Arvin von 0 discurso do narrador © historia «or perto que os falos cles necessariamente jé se deram. Hi rerdade da cena, Porque fotografar, tum intervalo entee o tempo da paracle,nio ¢ fotografar qualquer cols fo € 0 tempo do enunciado, 0 que revele a verdad afia fosse um retalho ue, com sua interrupedo do tempo real dos acontecimentos, ela dispara, Para afar ou narrar seria do real, 0 que 36 le fazer poe ago da foo ou do conto, que de algum modo estagnam © fluxo da vide. Como apantar 0 aquilo que de posso estar corrigindo a face do passadoseja uma tho percebe Levaa foto conta da presenca de um parado no fundo da ndo se elata a agio passada,o que ja foi, © agora € 0 entdo a. Essa, aracha- ‘Las babas del indo: se com a possibilidade de dizer a verdade das coisas. Fxigir posta imp! se estou me adequando 20s narrar, E depois, comego a discutir que fatos sao esses em si mesmos. E 0 desse fotdgrafo. Ele sai e vé a cent de resto, que se agudiza na leriria de Cortézar, foi posta 2 Joona de Price, Sho Pal, 31671 8-3, 5.1688 2» Pra Dart Ariucl porAdornoemtermosgeraisnohorizon- uma figuraadistincia denés,apartando- ancecontemporineoquensose se do presente, o narrador comega a sair areproduzira: de ceria no inicio da era moderna. Desse te ainda penetrar para além do mundo dado como positive. A impossiti mente a ascensfo do romance, que | facompanha a subida e a afirmagio de uma classe social, a burguesia, como o _género voltado para o sentido da experi= ual, desgarrada das normas bom conselho. (© narrador & aquele que sabe (narrator se liga a gnarus). O que ele ‘saber deexperiéncias fit tradicional ica da verdade aocentro dessa questo iio de Walter Benjami a tradigdo oral: a experiéncia vei de boca em boea. Podemos det hhomem como Teri da marae: posites do narrator tse rarefazer. Esta rarefagdo da expe forma aarte do contador de hist®- ras uma arte em d revelado por uma histéria, a hist indicial deuma verdade escondida sot fatos narrados. Pode-se dizer, port ‘que a historia tem um valor metonimico comrelagdoa verdade. Elaépartedeuma verdade submersa que deve em: vavelmente da andl entre 0 analista e fem baixa, Por que a exp em baixa? Por causa das mud vamos dizer que fundas das forgas produtivas, di relagdo aessa ver 10. Endo, Benjamin explica_serproblematicoéum para os paraos ani isda crise da experigneta, |quesiooapareeimentod asio— le se est tentando uma forma de comunicago de verifica- curso critieo, Tenério’: Queria falarsobrealgu- mas coisas que me ocorreram enguanto voeé falava também em relagio 20 ese, podemos dize , que ha um mal-estar da narrativa regis: radotantonateoriaqus vezes em nosso tempo. De fato, como dar a verdade dos fatos? Porque a questao da psicandlise "Laie Tensei de orale Psicnd ut Prof Dav dre de ‘a transerigdo de sesses —mais de um dduas, trés —,fragmentos de sessd0 fas essa transeri¢fo supde ica, ou no? ‘No necessariamente, Davi arelagio di ‘Tenéri porque orqueafaladoanalistanto Sim, exatamente. Hé os pode estar registadaou ‘Marilsa': Bla costuma ser dial6- cipio. Agora, no relato também... Liana: Entfo, foi esse 0 ponto de pertida que a gent Davi: Que (0: veredas puro, porque no Grande sertéo: veredas um ex-jagungo narra a uum homem da cidade a sua expe ‘Abre-se com um trago do didlogo, é um relato dial6gico. Vida dele para o narrador da cidade para tentar entender. Estaarelagao, Oesque- ‘ma 6 0 esquema da andlise. Quer dizer, ele vai tentar entender inclusive para se esclarecer. E um didlogo em busca do eselarecimento, Todo o tempo ele esté voltado para um homem que deve saber mais, queé dizas verdades 6 Riobaldo.e noo outro! ‘Quer dizer, a armagao todaé que contém as verdades. Davi: Claro, porque sdo também teorias. © modo de transcrever & um modo de entender, como omodo derela- interessante porque hé que © sujeito € oniscie exemplo, os modelosque foram osprots- porque faz um sumario sobre o paciente ‘descrevendo-o, por exemplo, com dados setransformano relato dialogico da sess80, em cena, em descrigdo da cena, na de uma ente.Estouusando"inconsciente”, cena descrevendo como o paciente se formasubstantiva, masndo precisa Portou, como 0 paciente entrou, o que necessariamente de uma forma substan. disse, o que o analista disse. As vezes,é tiva—aquiloque se ignorae que setorna um relato na terceira pessoa, as ve mais confessional... sto ddeproblemas porque, pri ‘uma experiéncia na qual a questao ja se coloea, como foi abordado pelo doveria ser, ou esper digamos. coisas genuinas, verdadeiras, sobre aquela dupla ali em acto, aquele pacie coloca algo podemos 0 falecide Lion sobreesse aspecto. Ele: Pro Da drive aparecem diferentes estilos. Euatépen- seiem fazeralgodmsnciradeRaymond ‘Queneau em seu livro Exercicios de experién- ‘varias modalidades de nar- jgnmos, fazer umaespéciede Davit Isso foi feito também com 0s historiadores. & 0 livro de Hayden fe, Metahistory — & um livro que ja os discursos da histéria, da ‘como formas de literati bastante discutivel sob smbora muito bem feito construgio formal. Estuda as quer dizer, as porque desperta a discussto de vari Pontos que nos ocuparam aqui. Certa- 30 & possivel com qualquer for que vocé ndo encaixaras! + relatos decasos, em géneros. Eles em gneros necessariamente. Elesj 1 mesmo que nao estejam classificad porque voc8 no escapa do género. De- ppende da forma dotratamento e da apre- sentagao, da énfase que voce tenha dado aqui ou ali na pereepeao do valor, da posiglo diante do mundo, da situagao do "Laie Meyer, Membro Eeiva de SBPSP. a Joma de Priaie, Sto Po nnarradar com relagdo aos fatos — pron- i 1 AtGoangulojAé gener Enero, Lui’: Eu queria fazer duas per- guntas para que vocé falasse um pouco sobre a questdo da verdade como voce rmencionouno fim, ede uma decorréncia dela, Relembrando a sua prim . ‘940, sobre a antologia do Borges, 0 ‘Chuang-Tsu, que vocécoloca como uma questdo metafisca, No nosso campo de trabalho, e, portanto, na relembrando o que voeé disse, o Chuang 11 que era uma borboleta e, 0 acor- no sabia se era o Chuang que Jo que era uma borboleta ou seera.a borboleta que havia sonhado que cia da psicanalise. 0 se? Que o sujeito € descontinuo e tanto ele pode sonhar 0 sono, como 0 fancionamento do psiquismo, do ponte de vista da picanlisee do trabalho ps €semprecste. Quer. ha uma verdade. Ele é surrealista do de vista de quem esté numa posi de realisme ingénuo, Como a borbo- pode sonhar..? Masa borbol cu $04, e com a qual estou ide | | Teri de naan: pistes do nerador pode sonhar-me como Tsu, ¢ Aescoberta da psicanalise, © eu posso est do meu paciente como uma borboleta—oquetalvezndo fosse muito feliz para ele —e posso estar como Tsu, Entio, esse problema da verdade nesse igénero de narrasao prevs porque a verdade que se er € no fundo a poss sonhar ser uma borboleta e me sonar. Davi: Claro. Si0aspossibilidades 4o ser, de eu estar em outra part. Luiz: De estar pereeber que eu sou dizer exacerbaesse, Fiesto... Quer dizer, essa fantas comose —oque dé'a natureza da ficgto € essa express fosse: nao é a arealidade.O: docomose.q nessa fibula idgia_de que que nds the damos. : se, ¢umaformadorel de ev borboteta ‘que podem es ‘podem estar sendo sonia 0 por