Este livro é dedicado a todas as pessoas que

acreditam – e lutam, participam, vivenciam – a
construção de uma sociedade mais humana,
mais igualitária, com maior acesso a tudo, ou
seja, mais inclusiva.

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Agradeço a Bárbara, a Marina e ao Pedro da vida real
e a todos e todas ‘personagens’ desta escola legal,
que foram inspirados em minha realidade, e na minha
crença, em que TODAS as pessoas devem ter
deveres assim como direitos, e acessos iguais para se
desenvolverem plenamente e de serem respeitadas
nestes direitos. E ao terem direitos, tem deveres de
maneira igual. Mais do que serem cidadãos ou
indivíduos, são pessoas...

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O ano letivo começa hoje para as crianças da Escola Caminhar. É a volta às aulas. Os pais
preocupados, mas com grande expectativa para mais um ano escolar que inicia na vida de seus
filhos e/ou filhas. No rosto das crianças é possível ver que elas são pura alegria, saudades,
esperança, e o contato com o ‘novo’ – a escola – e ‘seu mundo’. Os funcionários e as
funcionárias, assim como os professores e professoras revelam a expectativa do (re)encontro,
esse misto de felicidade e ansiedade, de maneira velada e não deixam transparecer, pois todos e
todas devem estar confiantes para o regresso às aulas.
No meio da agitação matinal encontramos Luciano e Bárbara, eles mudaram para a cidade
há pouco mais de dois meses e conseguiram ótimas informações sobre a escola. O casal
conheceu as instalações, conversaram com a diretora e avaliaram matricular os seus filhos,
Marina e Pedro, nela. Marina e Pedro são gêmeos. Marina nasceu primeiro, quinze minutos
depois nasceu Pedro, foi um parto difícil como lembra a mãe, mas todas as providências foram
tomadas e o ‘milagre’ da vida aconteceu. Bárbara se lembrava de detalhes do nascimento deles e
expressava um leve sorriso percebido pelo marido que disse:
_ É meu amor, já se vão nove anos desde a chegada da duplinha, hein?
_ É parece que ontem mesmo eu estava no hospital vendo você “babar” quando os viu
pela primeira vez. E agora? Cidade nova, escola nova, crianças novas... Não será demais?
Luciano tentando tranqüilizar a mulher responde:
_ Meu amor, o novo pode ser proveitoso. Ele só é desconhecido. E é esse
desconhecimento que nos leva muitas vezes a ter insegurança. Só isso. Iremos superar. É apenas
mais um desafio em nossas vidas, tudo bem?
_ É verdade. Tudo bem. Afinal tínhamos que mudar não é mesmo?
_ Sim, você sabia que o meu trabalho poderia nos levar a uma mudança geográfica não é?
_ Sabia... É fruto dessa globalização e dessa crise econômica que nunca acaba. Ou as
empresas vão à falência, ou têm que ampliar o seu campo de atuação para tentar manter seus
funcionários. Graças a DEUS, que no nosso caso foi isso. Ampliação da firma, e não demissões
em massa.
_ Sim meu amor, você também sabe que eu como gerente de pessoal da empresa poderia
ter essa mudança, portanto é encarar o novo e seguir adiante.
Alheios a conversa, Marina e Pedro estavam muito felizes, pois seus pais tinham dito a
eles que a escola era uma “Escola Inclusiva”, e eles acharam boa essa idéia de ser “inclusiva”,
mesmo sem saber direito o que era.

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Toca o sinal da escola. É hora de ir para o trabalho que toda criança deve ter... acesso ao
estudo. Após se despedirem de seus pais, Marina e Pedro se encaminham para o pátio interior da
escola.
A diretora da escola é a Paula. Ela dá um bom dia a todos os alunos e alunas e pede que
formem fila de acordo com a série indicada nos crachás de identificação distribuídos com
antecedência. Marina e Pedro formam fila onde a diretora indicou ser o local do 4º ano do ensino
fundamental. Ambos estão ansiosos para conhecerem o professor, ou professora, que lhes irá dar
aula. Já na fila começam a fazer novos amigos. Pedro conhece Caio, um menino esperto e rápido,
que vai logo perguntando:
_ Você é novo na cidade? Por que é novo aqui na escola, não é? Qual o seu nome?
Diante das perguntas diz:
_ Calma. Eu sou novo na cidade e na escola. Meu nome é Pedro e...
_ O meu nome é Caio. Seja bem-vindo na cidade e em nossa escola, Pedro.
_ Obrigado. Acho que vai ser legal estudar aqui.
_ A escola é ótima. Eu adoro. Tem todo tipo de gente, e isso é bem legal.
_ Mas se tem todo tipo de gente deve ter também criança mal educada e brigona, não?
_ Não, não é esse “todo tipo de gente” é todo tipo de gente mesmo!
Marina entra na conversa e pergunta:
_ Mas só tem um tipo de “todo tipo de gente”, né não?
Caio comenta:
_ Hei, vocês se parecem, só que ele é menino e você é menina.
Marina continua:
_ É que somos irmãos gêmeos. Mas você não me respondeu.
Caio emenda:
_ É que não é o “todo tipo de gente” que o seu irmão falou, de modo preconceituoso, como
ser mal educado e brigão, mas “todo tipo de gente” conforme a diversidade humana, a realidade
vivida ou a compreensão e o entendimento da vida.
_ Estou na mesma. E não acho que meu irmão foi preconceituoso. Disse Marina.

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_ É “todo tipo de gente”, ou seja, as pessoas chamadas de “deficientes” ou “C.D.F.’s” ou
“maluquinhos”. É “todo tipo de gente”... mesmo! E o Pedro foi preconceituoso porque disse criança
mal educada e brigona, como se isso fosse um defeito e não um efeito da experiência de vida
delas. Pedro se justifica:
_ É que eu não gosto de gente mal educada e brigona, só isso.
_ Mas ser mal educado e brigão pode ser uma forma de pedir ajuda, não concorda?
Responde Caio.
Entra na conversa outra colega que estava próxima. Ela se chama Adriana. E fala:
_ É sim. Às vezes a criança não é nem mal educada, nem brigona ela só não está em um
dia bom e acaba reagindo desta maneira. Os irmãos perguntam quase ao mesmo tempo:
_ E você? Qual o seu nome? Ela responde:
_ Eu sou a Adriana. E já conheço o Caio desde o 2º ano. Vocês devem estar estranhando
porque a nossa escola é uma escola em que toda criança tem o “direito de estudar”. Temos muito
orgulho de receber qualquer pessoa, pode ser pessoa com deficiência visual, com deficiência
auditiva, com altas habilidades ou superdotação, com deficiência física, com deficiência mental, ou
ainda uma pessoa com o chamado transtorno global de desenvolvimento. São as formas de estar
no mundo. Tudo isso nos é esclarecido desde cedo aqui na escola. Mas Pedro pergunta:
_ Ué, mas toda a escola não é assim? Não é para todo mundo?
Caio devolve a pergunta:
_ Mas você já reparou quantas escolas realmente aceitam essas crianças?
Marina:
_ Não notei nada de diferente nas crianças.
E Pedro:
_ Nem eu!
Adriana exemplifica:
_ Vejam bem. Ali na fila do 4º ano temos o Fernando, ele usa cadeira de rodas. Estão
vendo?
_ Ih, é mesmo, não tinha visto - falou Pedro.
Caio também quer apresentar outros colegas.

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_ Ao lado do Fernando temos a Carla, aquela menina loura, estão vendo? Ela não escuta,
é surda desde que nasceu.
_ Nossa!! Essa não dava para perceber mesmo - disse Marina.
Caio prossegue:
_ No começo da fila do 3º ano, estão vendo? Tem a Renata, ela tem Síndrome de Down, e
aquele menininho ao lado dela é o Carlos Alberto, ele não enxerga, é cego de nascença.
Marina e Pedro se espantaram por não terem percebido, até aquele momento, a
diversidade de “todo tipo de gente” da qual Caio havia falado e Adriana confirmara. Estavam
surpresos com sua própria falta de atenção. Mas Adriana continua:
_ Em nossa turma temos um aluno que poderia ser considerado “diferente” em outra
escola, mas como estudamos juntos desde o 2º ano aprendemos a respeitar e a conviver com as
características de cada um. Ali na frente da nossa fila, é o Cláudio. Ele sabe muita coisa. A
diretora da nossa escola, a Paula, uma vez comentou com a nossa professora do 1º ano, a Vera
Lúcia, que ele poderia ser exigido além de nós, pois era muito esperto e ela achava que ele
poderia ser uma pessoa com altas habilidades que depois aprendemos ser uma pessoa
superdotada, ou seja, ele tem um desenvolvimento e uma compreensão maior das coisas do que
a maioria de nós. É o ‘jeito’ dele... Cláudio que já vinha escutando se apresenta dizendo:
_ Olá a todos! Meu nome é Cláudio. Não pude deixar de escutar a conversa de vocês e
tenho uma observação a fazer, se vocês me permitirem.
_ Olá Cláudio - disse Pedro, e Marina emendou:
_ Olá, é claro que você pode fazer a sua observação.
_ O que quero destacar é que é muito bom conviver com a diversidade humana em suas
manifestações infantis em nossa escola, e na nossa turma temos também uma pessoa que se
encaixa no grupo das pessoas com transtornos globais do desenvolvimento, ela está passando
por problemas de aprendizagem fruto de uma perda terrível que ela teve. É a Rosângela. Ano
passado, no mês de maio, ela perdeu a mãe que morreu vítima de um ataque cardíaco fulminante
e como era muito ligada a ela, desde esse período ela tem estado confusa, com dificuldade para
realizar tarefas e um pouco “desligada” da realidade à sua volta. Creio que a perda física da mãe
ainda não foi superada, é um processo lento, de assimilação, e mesmo porque ainda é muito
recente, e isso vem impedindo um melhor desenvolvimento dela aqui na escola. Aproveito para
deixar claro uma coisa. Não sou favorável a essa “classificação” e rotulação das pessoas, mas
aqui em nossa escola trabalhamos com os princípios da Política Nacional de Educação Especial
na perspectiva da Educação Inclusiva fruto das orientações do Ministério da Educação, mas

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igualmente aprendemos que toda criança tem o seu valor independente de seu possível
comprometimento, seja ele físico, psicológico, neurológico, social, econômico ou cultural. E quanto
à Rosângela, todos nós aguardamos que sua “ferida melhore com o tempo” e ela possa retomar
suas atividades da maneira como sempre fez aqui na escola... conosco!
_ Nossa, o Cláudio fala como adulto. Acho que preciso de umas “traduções” do que ele
falou - disse Pedro rindo. A diretora Paula interrompe:
_ Bom-dia crianças!
Todos respondem:
_ Bom-dia!
Eu apresento a professora do 4º ano, Maria Angela, ela será a professora de vocês este
ano. Maria Angela se aproxima, ela usa uma cadeira de rodas. As crianças que já eram da escola
já a conheciam, mas para Marina e Pedro foi uma novidade ter uma professora cadeirante. Ela
diz:
_Bom-dia para todos e todas!!!
As crianças respondem:
_Bom dia professora Maria Angela!!
A diretora se afasta e deixa a turma por conta da professora. Ela então convoca seus
alunos e alunas para a sala de aula:
_ Crianças, vamos iniciar nossos trabalhos? Vamos pra sala?
_ Sim - respondem as crianças.
_ Então vamos, e Maria Angela dirige-se em direção à sala empurrando sua cadeira.
Caio oferece ajuda:
_ Posso ajudar a empurrar a sua cadeira, professora?
_ Você me faz essa gentileza? - responde Maria Angela.
_ É pra já. Vrumm. Caio faz barulho de carro ao empurrar a cadeira.
_ Não passe do nosso limite de velocidade, hein?!?
_ Pode deixar - responde Caio, que emenda... Vrummmmmmmmmm.

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E todos se dirigem para a sala. Chegam e vão se arrumando para o início das atividades.
A professora sabe das duas crianças novas na turma, pois desde o final do ano já mantinha
contato com Silvana, professora do 3º ano, e a maioria dos rostinhos já lhe era familiar. Mesmo
assim, solicitou a todos os alunos e alunas que se apresentassem. E foi acontecendo cada
apresentação, até chegar a vez do Pedro, e foi logo dizendo:
_ Oi pra todo mundo. Meu nome é Pedro. Venho de outra cidade chamada Beirópolis.
Estou me acostumando aqui em Santana. Tenho encontrado gente muito e bacana aqui e acho
que será muito legal conviver com todos vocês. Em seguida foi a Marina:
_ Olá a todos. Meu nome é Marina. Sou irmã gêmea do Pedro. Também estou gostando
muito da cidade e de tudo o que estou vendo até agora. Em especial desta escola. Eu e meu
irmão já conhecemos a Adriana, o Caio e o Cláudio porque conversamos com eles antes de
entrarmos pra sala de aula. Mas tenho a impressão de que adorarei todos vocês.
Desta maneira todos e todas foram se apresentando. Até que chegou a vez da última
aluna. Era a Rosângela. A professora percebendo que ela não queria se apresentar tentou motivála dizendo:
_ Não precisa ficar acanhada. É simples. É só você falar o seu nome e o que você espera
de si própria e de seus colegas de turma. Ela então com certa dificuldade começou:
_ Meu nome é... Rosângela. E espero... Nesse momento ela começou a chorar
compulsivamente. Eu... Eu... e a voz não saía. Maria Angela interveio:
_ Calma Rosângela. Está tudo bem! Aconteceu algo que a aborreceu ou te magoou?
_ Sim - respondeu a menina. E continuou:
_ É que eu não queria me apresentar na frente dos meus novos colegas. Estou com
vergonha e não queria, mas a senhora me obrigou. Calmamente, Maria Angela respondeu:
_ Querida Rosângela, não precisa ficar chateada. Além disso, eu não obriguei ninguém a
se apresentar, mas pense comigo: Se você estivesse no lugar da Marina e do Pedro e chegasse a
uma cidade nova, uma escola nova, uma turma nova, será que você não se sentiria melhor se
todas as pessoas com as quais terá de lidar ao longo do ano, e possivelmente muitos anos ainda,
se apresentassem e falassem um pouquinho sobre elas. E ao falarem sobre elas não seria legal
que você também se apresentasse e falasse um pouco sobre si mesma?
_ Tem razão professora. Mas é que eu fiquei envergonhada - disse Rosângela.
_ Bem, será que você gostaria então de começar de novo ou prefere não fazer?
_ Quero começar de novo - disse a menina.

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_ Então pode começar.
_ Olá Pedro e Marina, e olá também a todos os meus colegas e as minhas colegas do ano
passado. Meu nome é Rosângela. Gosto de estudar nesta escola e das crianças daqui. Espero
que vocês gostem tanto quanto eu. Sejam bem-vindos!!!
_ Muito bem Rosângela! Feitas as apresentações, quero fazer uma pergunta aos recémchegados Marina e Pedro. Alguma coisa chamou a atenção de vocês em nossa escola ou em
nossa turma? Marina se adiantou:
_ Eu observei que na entrada da escola existem rampas, e aqui dentro da escola eu vi em
todas as salas essas rampas. Vi também que, nas portas, além de largas, há várias inscrições,
umas bolinhas e uns desenhos de mãos, além do número da sala. Por exemplo, na nossa sala há
essas três inscrições, mas eu só entendo uma. A que diz: SALA 3. E Pedro completa:
_ Além disso, eu vi que aqui na escola é cheio de caixinhas de som. Igualzinho a essa aqui
da sala. E eu e Marina já ficamos sabendo que esta escola trabalha com “todo tipo de gente”, né
professora?
_ Muito bem, vocês são bons observadores. Vou esclarecer um pouco as observações de
vocês. Primeiro as da Marina. A nossa escola trabalha em uma perspectiva de “inclusão” de todos
os alunos e alunas. Isso quer dizer que aqui as coisas acontecem da seguinte forma: todos os
pais ou responsáveis que desejam matricular os seus filhos ou filhas na escola são informados de
que os seus filhos aprenderão, na teoria e na prática, a conviver com a condição existencial, ou
diversidade humana, de todas as crianças. E...Marina adianta comentando:
_ O Caio, a Adriana e o Cláudio já conversaram um pouco comigo e com o meu irmão
sobre isso. Sobre “todo tipo de gente” que a escola atende, né?.
_ Isso mesmo Marina. As crianças que já estão conosco há mais tempo já vem convivendo
de maneira prática com a condição existencial de cada um, em outras palavras, aqui nós
desenvolvemos o respeito à maneira de ser de cada criança e procuramos a comunicação em
todas as suas apresentações possíveis. Por isso você observou as “bolinhas” e os “desenhos de
mãos” em cada dependência, além da placa informativa da dependência da escola. Essas
bolinhas compõem o alfabeto braile e as pessoas que não enxergam, os cegos, ou têm a visão
quase totalmente comprometida, se quiserem, podem aprender aqui mesmo na escola, a entender
e usar o alfabeto braile, além disso, nós também pensamos nas pessoas que têm um resíduo de
visão, a chamada visão sub-normal, por isso todas as inscrições da escola têm um tamanho maior
do que o convencional. Mas Pedro quer saber mais:
_ Nossa, não tinha idéia de que as pessoas cegas eram tão “diferentes” e que
precisávamos utilizar de outra forma de comunicação. A professora explica:

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_ Pedro, eu me equivoquei. O termo mais apropriado para nos referirmos às pessoas com
cegueira é pessoa com deficiência visual, embora o que eu penso valer mais a pena é a maneira
com que o preconceito se estabelece, ou não, para nos referirmos às pessoas, sejam as ditas
normais, sejam as pessoas com qualquer tipo de especificidade, impedimento ou limitação. Mas
mais importante ainda, é que você está aprendendo que a comunicação entre todas as pessoas é
essencial e faz parte do aprendizado de todos, principalmente quando temos algum impedimento
temporário ou definitivo que não está dentro dos padrões ditos “normais”. Maria Angela continua:
_ Aqui na escola nós utilizamos os pontos braile – a professora mostra com as mãos o
local dos pontos na sala – que é o nome indicado para nos referirmos à cada uma das “bolinhas”,
elas compõem a cela braile que formam o conjunto de seis pontos, esses pontos da cela formam
palavras ou números que são evidenciados seja pela visão, seja pelo

tato. Outra forma de

comunicação são os “desenhos de mãos” que identificam o alfabeto da Libras, Língua Brasileira
de Sinais, e que estão colocados também em todos os locais da escola com a igual intenção de
promover a autonomia e a igualdade de ‘acesso’ da pessoa com deficiência auditiva. Estes
recursos ajudam a promover a igualdade de direitos, a independência, o sentimento de que é
possível estabelecer comunicação com todos e todas, além é claro, da própria autonomia da qual
eu já mencionei, tudo isso visando a um maior e melhor aprendizado e interação. E todos nós
professores e professoras, fazemos uso tanto da Libras, quanto da escrita Braile, para o
aprendizado, a comunicação, e consequentemente, a educação de todos os alunos e alunas.
Marina tem dúvidas e argumenta:
_ Professora, o nome das bolinhas é alfabeto braile e o dos desenhos das mãos é Libras?
_ Exatamente Marina – responde a professora. – E você percebeu que essas bolinhas
estão em relevo e são do tamanho de um polegar de adulto? E que os desenhos das mãos que
formam a escrita visual de sinais, Libras, têm um tamanho maior do que uma mão de adulto?
_ Quanto às mãos eu reparei que elas eram grandes mesmo - diz Pedro - Mas as bolinhas,
quer dizer, os pontos braile, não é isso? – A professora balança a cabeça afirmativamente. – Por
que eles estão em tamanho maior?
_ É para que todos possam enxergar melhor. Existe uma Política Nacional de Educação
Especial na perspectiva da Educação Inclusiva do Governo Federal para facilitar o acesso de toda
criança com necessidades educativas especiais e eles estão divididos em três grandes grupos
que tentam abordar a pluralidade humana. Esses grupos são constituídos por Altas
Habilidades/Superdotação; Transtornos Funcionais Específicos ou Transtornos Globais do
Desenvolvimento; e as com algum tipo de limitação ou Deficiências. Essa é uma caracterização
que leva em conta os aspectos educacionais e pode auxiliar pais, responsáveis e professores e
professoras quanto a situação em que a criança vivencia.

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_ E é com essa preocupação que os pontos braile são maiores, professora? - indaga
Marina.
_ Isso mesmo. E as mãos que formam as letras do alfabeto de Libras também. Isso porque
a partir desse ano vocês dois, Marina e Pedro, terão o primeiro contato com o Braile e com a
Libras. Pedro pergunta:
_ Professora Maria Angela, o nome certo não é “as Libras” e não “a Libras”?
_ Bem observado Pedro. O termo correto, no entanto, é “a Libras” porque a palavra Libras
é a abreviatura de Língua Brasileira de Sinais. Basta trocarmos a sigla pelo termo completo. A
frase ficaria: Marina e Pedro terão o primeiro contato com a LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS, a
LIBRAS. Ao considerarmos o plural: Marina e Pedro terão o primeiro contato com as LÍNGUA
BRASILEIRA DE SINAIS, as LIBRAS e assim não está correto, concorda?
_ Ãããã!!! Compreende Pedro. A professora continua:
_ Quanto às rampas elas são para uma melhor “acessibilidade” das pessoas ao utilizar os
espaços físicos da escola. Elas atendem a todas as pessoas, e não apenas aos cadeirantes como
eu, mas as pessoas com mobilidade reduzida que são os idosos, as grávidas, as pessoas com pé
quebrado, ou que usam muletas por qualquer motivo, as pessoas obesas, entre outras. As
palavras como vocês sabem podem ter vários significados. Acessibilidade, de acordo com a Lei nº
10.098/00, é a “possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia,
dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dos
sistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade
reduzida.” E o mesmo termo, Acessibilidade, utilizado aqui em nossa escola, quer dizer de acesso
fácil, assim a palavra pode ser em relação a um objeto ou uma pessoa, além de ser inteligível e
compreensível. Desta forma, a escola tenta ser de acesso fácil a todas as pessoas, independente
da condição existencial humana apresentada, permitindo entre outras coisas, o direito de ir e vir
com independência e autonomia dentro de suas dependências. Marina argumenta:
_ Professora, isso não é o que acontece sempre?
Maria Angela devolve a pergunta:
_ Será que é isso que acontece em todos os lugares aonde vamos? Pensemos um pouco
sobre isso.
Passados alguns instantes, Pedro e Marina falaram quase ao mesmo tempo:
_ É, eu acho que não... – e Marina continuou:

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_ Eu me lembro que na cidade onde eu morava uma vez eu vi uma mulher na cadeira de
rodas que não conseguiu entrar em um prédio. Ela ficou bem triste.
_ Eu também já vi isso acontecer, professora. Foi quando eu fiz um passeio com o meu pai
e tinha um homem em uma cadeira de rodas e ele não conseguiu entrar no ônibus. Eu acho que
ele também ficou triste - disse Pedro.
_ Pois bem, infelizmente ainda é isso o que acontece na maioria das cidades e locais
públicos. A dificuldade da acessibilidade seja de lugar, de objeto ou de pessoa, ainda é o que
mais percebemos, mas as coisas vêm mudando. E a nossa escola pretende contribuir respeitando
e incentivando a arquitetura, a comunicação e os objetos, contemplando toda forma de
independência, autonomia e igualdade de direitos, para o maior número possível de pessoas,
sejam alunos ou alunas, pais e/ou responsáveis, funcionários ou visitantes. Enfim, para todas as
pessoas com as quais a escola se relaciona - Conclui a professora, e prossegue:
_ Que tal a compreensão de todos neste assunto que estamos conversando? Os alunos e
alunas que já estudavam aqui estão tendo as mesmas impressões do que os novatos, Marina e
Pedro? Caio é o primeiro a falar:
_ Eu estou professora. Alguns assuntos nós já havíamos estudado, outros ainda não... – e
Cláudio acrescenta:
_ O Caio tem razão. Eu penso que a compreensão é válida porque mesmo quando o que
estamos conversando já foi visto e/ou revisto. O tema é sempre abordado de outra maneira, seja
pela maturidade com que a turma apresenta atualmente, seja pela abordagem diferente feita pela
professora, ou mesmo pelo próprio contexto, que é outro, pois nós também crescemos e
amadurecemos, e se para nós que já temos o conhecimento deste assunto em nossa escola, no
caso dos novatos o contexto também é outro. Por exemplo: a mesma escola para nós é uma nova
escola para Pedro e Marina. Por isso acho ótima essa nossa conversa. Adriana completa:
_ A nossa conversa é ótima porque permite a compreensão que quem nunca ouviu nada
sobre o assunto e outra compreensão de quem pensa que já sabe tudo sobre este assunto. E
todos confirmam acenando a cabeça. E a professora continua:
_ Que bom podermos contribuir um pouco para a construção do conhecimento de todos.
Temos ainda a esclarecer as observações do Pedro quanto às caixas de som nas salas, não é? E
a turma em coro responde:
_ É, é, é, é, é...
_ Pedro e Marina, tudo o que conversamos até agora está relacionado com o “novo” em
nossas vidas. Por exemplo, a mudança de vocês para outra cidade; a mudança de escola; a

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mudança de casa, a mudança de trabalho... tudo é novo para vocês dois e toda a sua família!
Quanto à nossa escola, ela possui uma “nova” proposta pedagógica, um “novo” projeto políticopedagógico, um “novo” currículo, entre outras “novidades” que se traduzem pela adoção de uma
outra perspectiva educacional entendida como Inclusão. Em ambos os casos, a novidade pode
ser interessante ou sem graça. Irá depender de como recebemos e lidamos com essa novidade argumenta Maria Angela, e continua:
_ Hoje nós iremos ter uma aula sobre a história dos meios de comunicação. E veremos
como esses meios de comunicação auxiliaram a nossa vida. Aqui na escola nós também usamos
muitas mídias...Caio interrompe e pergunta:
_ O que é mídia?
Nesse momento, quase que em resposta à indagação feita, aparece na porta da sala um
homem.
_ Eu já respondo a você, Caio - E dirigindo-se à pessoa, o cumprimenta:
_ Bom-dia, Zé Luís. Tudo pronto?
_ Bom-dia professora! E bom dia, criançada!
_ Bom-dia! - responderam os alunos e as alunas. E continuando diz:
_ Tudo pronto professora. Quando você quiser.
_ Pode começar a preparação enquanto eu continuo a nossa conversa. Caio, você já sabe
que as palavras podem ter vários significados, não é mesmo?
_ Isso, professora, sei sim. Uma palavra pode ter muitos significados, é só olharmos o
dicionário...
_ Para responder o que é mídia temos que definir o seu significado. Aqui para nós, um dos
significados para mídia será o de ser o conjunto dos meios de informação e comunicação,
incluindo seus diferentes veículos, recursos e técnicas. Podemos dizer também que mídia pode
ser todo meio, natural ou artificial que permite a expressão e a comunicação do pensamento e/ou
da criatividade. Além disso, podemos dividir as mídias em: mídia impressa, mídia eletrônica, mídia
digital e mídia alternativa. Na mídia impressa, temos os livros, jornais, revistas e todo recurso
impresso. Na mídia eletrônica temos o rádio, a televisão, o cinema e todos os recursos
audiovisuais. Já a mídia digital é composta pela Internet, a televisão digital, além de CDs e DVDs
para gravação de dados. Por fim, temos a mídia alternativa que tem como característica seu baixo
custo, alcance e recursos restritos e que exclui toda e qualquer opção mais abrangente e de maior
custo, podendo ser impressa, eletrônica ou digital, mas sempre de baixo custo e alcance restrito.

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Enquanto isso, Zé Luís fazia alguns preparativos na sala de aula. Em frente ao quadro, ele
puxou uma tela que estava enrolada acima e prendeu embaixo do quadro. Depois começou a
fechar as cortinas, o que deu a sala uma impressão de ser uma sala de cinema. Ele saiu de sala
após realizar as tarefas. E Maria Angela continuava.
_ Para simplificar crianças, nós utilizaremos as palavras mídia e meio de comunicação
para designar recursos, técnicas e/ou veículos que permitam a expressão e a comunicação do
pensamento e/ou da criatividade. Essas palavras serão um sinônimo. Com o tempo vocês irão
aprender ainda mais sobre sua importância, utilidade, linguagens e significados. Além dos seus
usos, tanto na escola como fora dela.
_ Não sei se entendi a explicação professora - responde Caio.
_ Eu irei responder através de uma mídia. O meio de comunicação CINEMA. Assim que o
Zé Luis voltar ele trará um equipamento e iremos passar um filme feito ano passado pelos alunos
do 7º ano – hoje 8º ano – que conta um pouco sobre a história das mídias. Que tal, vamos ver?
Os alunos e alunas se agitaram e aguardaram ansiosos a ‘sessão de cinema’. Chega o Zé
Luís. Ele traz dois equipamentos, um maior e outro menor. Zé Luís começa a fazer as ligações do
equipamento com a observação das crianças.
_ Ô seu Zé Luís, este aparelho eu conheço, é uma torre ou gabinete, mas é chamada de
CPU do computador, né? E este outro? O que é? - pergunta Pedro com muita curiosidade.
_ Este aparelho chama-se Data-Show. Com ele é possível projetar naquela tela em frente
ao quadro, um arquivo, um programa ou um filme, como será o caso desta aula - responde o
funcionário da escola.
_ Que legal! Eu nunca vi uma coisa assim, mas como funciona? - indaga Marina.
_ Acontece o seguinte, o gabinete ou desktop é conectado ao Data-Show e estes à rede
elétrica. Feita a conexão e escolhido o arquivo que será utilizado, é só ligar e ajustar o foco da
imagem que é projetada na tela e está pronto para a ‘sessão de cinema’.
_ Ã, ã, ã, ã, ã... respondem quase que em coro os alunos.
O funcionário termina a instalação, realiza o teste de imagem e dá um sinal de tudo certo
para a professora. Antes de sair da sala ele fornece à professora um pequeno controle remoto.
_ Muito obrigada por sua ajuda Zé Luís. Sempre atencioso e eficiente. O funcionário sorri,
e diz para toda a sala:
_ Até mais tarde gente. Bom filme pra vocês. Depois vocês me contam como foi tudo bem?
- ele se dirige à porta para sair.

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_ Tudo bem!!! - respondem os alunos e alunas enquanto o funcionário deixa a sala
fechando a porta.
_ Antes de começarmos o nosso filme eu peço a todos vocês que vejam com bastante
atenção e anotem em seus cadernos quaisquer dúvidas que tiverem. Se alguém tiver dúvidas
durante o filme, escreva a dúvida e depois comentamos. Tudo bem?
_ Tudo bem - dizem todos e todas. A professora pede para apagar a luz da sala e Caio se
adianta e vai apagá-la. Tudo pronto. E Maria Angela pergunta:
_ Podemos começar?
_ Sim!!! - respondem os alunos. A professora aperta um botão do controle remoto e o filme
começa.
O filme dura mais ou menos 15 minutos valendo-se da representação teatral para compor
a “História dos Meios de Comunicação”. Ao longo da exibição do filme alguns alunos/atores e
alunas/atrizes passam com placas que indicam dados como: inventor, data de surgimento, motivo
para o surgimento e utilização atual. As crianças ficaram empolgadas durante a exibição e ao final
começaram perguntando a professora. O primeiro foi o Caio.
_ Professora, no início do filme não entendi porque o homem e a mulher começam se
olhando, depois emitem sons e depois começam a escrever em telhas de barro.
_ O que acontece é que o homem e, claro, a mulher, desde o seu surgimento precisavam
se comunicar. Como uma das nossas definições para mídia é “ser todo meio, natural ou artificial
que permite a expressão e a comunicação do pensamento e/ou da criatividade”, daí podermos
dizer que essa primeira tentativa de comunicar-se com o seu semelhante foi uma primeira forma
de mídia. Através da necessidade de expressar-se com outro da sua espécie surge primeiro a
fala. E depois a escrita. Só que a escrita era feita no chão e os homens e mulheres inventaram a
escrita cuneiforme que é um sistema de escrita produzido pela impressão sobre argila, que é um
tipo de barro. Na representação feita para o filme o surgimento da escrita na argila é o primeiro
meio de comunicação, pois está concordando com outra definição nossa para mídia, que é “o
conjunto dos meios de comunicação, incluindo seus diferentes veículos, recursos e técnicas.”
_ E o que acontece com a evolução da escrita, professora? - pergunta Adriana.
_ A escrita evoluiu, assim como o meio utilizado para sua gravação. No início da
Antigüidade, era a escrita cuneiforme, a da argila. Depois, a humanidade através de tentativas
para conseguir um meio de comunicação que não fosse tão pesado e de mais fácil transporte,
descobre o papiro, um tipo de papel que era usado em forma de cilindro, mais fácil de transportar
e com vantagens muito maiores do que a argila. Em seguida surge o pergaminho que inicialmente

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era confeccionado em couro de boi ou de outro animal, o que permitia uma durabilidade maior.
Posteriormente é que surge o papel. O papel quando surgiu era de uma técnica impressionante e
permitia ainda mais, e de forma muito melhor, a comunicação, a informação e a transmissão de
informações, crenças, valores, bem como a própria comunicação de algo para as futuras
gerações. E com o papel surgem os livros. Eles possibilitaram a educação de vários povos devido
à sua nova tecnologia. Aliás, a educação era um privilégio para as classes dominantes, pois os
livros apesar de serem vendidos em livrarias eram de alto custo porque eram escritos um por um.
Já imaginaram como era trabalhoso? Conseguir um exemplar de um livro era raríssimo, além de
extremamente caro, mas tudo isso mudou no final da Idade Média, entre 1440 e 1455 com o
surgimento da imprensa.
_ Nossa, professora, eu nunca havia pensado que livro era um meio de comunicação, eu
pensava que os computadores, a televisão, jornal e o rádio é que eram os meios de comunicação
- diz Marina.
_ Sim, Marina, os livros também são um tipo de mídia ou de meio de comunicação, você
viu no filme o impacto do surgimento da imprensa, não é? - pergunta Maria Angela.
_ É, e achei que o seu aparecimento foi muito bom para todos nós - responde Marina.
_ Sem dúvida. A invenção da imprensa foi um acontecimento fenomenal, e com esta mídia
a humanidade obteve um avanço significativo. Os livros antes escritos por monges, alunos, alunas
(o que era raríssimo) e escribas, agora eram mais baratos e acessíveis, pois a sua produção
começava a se popularizar. A imprensa foi criada por Johannes Guttenberg com a invenção dos
tipos móveis de chumbo fundido, mais duradouros e resistentes do que os fabricados em madeira,
e reutilizáveis, que conferiram uma enorme versatilidade ao processo de elaboração de livros e
outros trabalhos impressos e permitiram a sua produção em grande escala. O primeiro livro
editado por ele foi a Bíblia. O termo imprensa vem da invenção desses tipos móveis de chumbo e
designa também o surgimento dos primeiros jornais impressos, como vocês viram no filme.
_ Professora Maria Angela, antes de vermos o filme, você disse que o assunto estaria
relacionado com o novo, e pelo que eu entendi, com a proposta de inclusão da escola. Qual é a
relação? – pergunta Cláudio.
_ Ótima pergunta, Cláudio. A relação entre os meios de comunicação, a proposta da
escola e o “novo” é a de que todas as mídias são ou já foram “novas” e a humanidade leva algum
tempo para se acostumar com tudo o que é “novo”. Quanto a Inclusão em nossa escola, a relação
também esta na perspectiva do “novo”, pois se trata de promover a igualdade de oportunidades,
equiparação de direitos e mecanismos que possibilitem a comunicação e a interação entre todas
as pessoas, independente da sua condição existencial. E essa promoção sempre começa na
família e/ou na escola. Na família com a adoção dessas ‘regras de convivência’ ela passa a ter

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outra percepção de seus filhos ou filhas e age de maneira espontânea em relação à diversidade.
E o papel da escola ocorre realizando a conexão entre esse ‘novo’, a família e sua proposta
pedagógica, o que resulta no fato de que nós devemos aprender de forma sistematizada como
conviver com o outro que é nosso semelhante. E é aqui também que todos nós estamos passando
por um processo de “se acostumar com o novo”. Muitos de vocês já devem ter percebido que
ainda não são todas as escolas que conseguem oferecer essas condições aos seus alunos e
alunas, mas chegará um dia em que todos conviverão sem discriminação e preconceito e todo
esse processo que começa exatamente no ambiente escolar e se estende por toda a sociedade
alcançará esse ponto almejado. Em relação ao “novo” deve ficar bem claro o seguinte: não é
porque uma situação, objeto ou idéia é nova que ela é melhor. Devemos sempre questionar,
analisar e verificar se o antigo ou tradicional que está para ser substituído é realmente para ser
retirado. Ou ainda se é possível coexistirem ambos, o novo e o ‘velho’, mesmo que seja por algum
tempo. Por isso, a humanidade leva tempo para se acostumar com o novo. Tudo está interligado e
tem sempre de caminhar com coerência para evoluir.
_ Entendi e agradeço por sua explicação professora - disse Cláudio.
_ Muito legal, professora. Mas o que eu mais gostei foi a invenção do rádio. Disse Pedro.
_ Outra mídia da qual gosto muito também, Pedro. E é com o rádio que começo a
responder a sua pergunta, lembra? Fala a professora.
_ Ahhh. E tem também a caixa de som da sala, né professora?
_ Isso mesmo Pedro. As caixas de som da sala são para transmitirmos através da rádioescola, música, comunicados da direção, programas feitos pelos próprios alunos e alunas, e todo
material educativo/pedagógico produzido em nossas dependências. Pedro interrompe Maria
Angela e diz:
_ Programas feitos pelos alunos! Como eu faço para participar professora?
_ Ao longo do ano, todos nós iremos fazer programas radiofônicos para serem veiculados
por toda a escola, aguarde um pouco que o seu desejo será realizado, combinado?
_ Tudo bem, acho que posso esperar – disse rindo Pedro.
_ O rádio foi e é um avanço tecnológico genial. No filme vocês viram como foi inventado o
rádio, não foi?
_ Vimos, professora – responderam os alunos.
_ A invenção do rádio por Guglielmo Marconi ocorreu volta de 1896 e na realidade foi fruto
de pesquisas de cientistas de várias partes do mundo. Podemos dizer que a invenção do rádio foi

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evoluindo ao longo do tempo e que Marconi reunindo pesquisas anteriores às dele, teve a idéia de
usar as ondas hertzianas com o objetivo de comunicação, algo inédito até então. Nascia o rádio.
Um dado curioso é que outra pessoa também havia pego as experiências de outros cientistas e
feito uma primeira transmissão radiofônica anterior a de Marconi. E foi aqui no Brasil. O padre
gaúcho Roberto Landell de Moura realizou, em 1893, do alto da Avenida Paulista até o morro de
Sant'Anna, em São Paulo, numa distância de oito quilômetros, a primeira experiência de
radiotelefonia de que se tem registro, embora não haja documentos que comprovem o fato. E em
ciência o que não pode ser comprovado não pode ser validado.
_ Um brasileiro inventou o rádio, professora? - disse Adriana.
_ Teoricamente sim, mas como disse, como não houve evidência comprovada, o crédito da
invenção foi de Guglielmo Marconi. Aliás, o rádio e o Brasil viveram um grande “caso de amor”.
Em 1922 por ocasião do Centenário da Independência do Brasil, foi inaugurada a radiodifusão
brasileira, com a primeira transmissão realizada no Rio de Janeiro. Entre as décadas de 1930 a
1950, o rádio viveu a “Era de Ouro”, se tornando o principal meio para divulgação de informações,
de artistas e novos talentos. Com a invenção do transistor em 1948, aconteceu uma “revolução na
radiodifusão”, pois apareceram os receptores portáteis, os populares “radinhos de pilha”, o rádio
passa a substituir os jornais como meio de veiculação de notícias, se tornando também veículo de
utilidade pública e entretenimento.
_ Que bacana hein professora? Eu não sabia que o rádio tinha história e ainda mais essa
história. É fascinante - diz Pedro. E a professora continua:
_ É mesmo Pedro. Também acho fascinante, mas tem mais história ainda. Entre as
décadas de 1960 e 1970 o rádio teve grande destaque no Brasil pela sua atuação educacional. O
Movimento Educacional de Base, MEB, ligado à igreja católica, utilizou o rádio como veículo para
promover programas de alfabetização para conscientização de camponeses, moradores de áreas
rurais e em localidades distantes. Através do sucesso desta experiência utilizando o rádio com fins
educativos surgiu o projeto Minerva. Este projeto trabalhou com o ensino supletivo, de curta
duração, visando fornecer educação básica às pessoas que não tinham acesso ao estudo. Mais
tarde apareceu o projeto Mobral. Este projeto também trabalhou valendo-se da capacitação de
seus alfabetizadores que eram os professores e professoras/tutores e tutoras via rádio, e auxiliou
o processo de alfabetização de muitas pessoas.
E Pedro acrescenta:
_ Não tinha idéia que o rádio já tinha sito usado desta maneira. É bem legal.
_ É sim, Pedro e vejam também crianças que desde aquela época o rádio já era usado
como instrumento facilitador da inclusão social.

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Marina pergunta:
_ E o que é “instrumento facilitador da inclusão social”, professora?
_ Bem, Marina, para isso eu tenho que falar um pouco de dois aspectos.
_ Fala, professora – disseram todos e todas em coro.
_ O instrumento é o veículo, o meio, a mídia usada, que neste caso é o rádio, e a Inclusão
Social é todo o processo no qual as pessoas e a sociedade se adaptam para extinguir atitudes
preconceituosas e discriminatórias, bem como promover a igualdade de direitos entre todas as
pessoas, independente de sua condição existencial como ser humano, além da equiparação de
oportunidades educativas, sociais e profissionais a todos e todas, a acessibilidade em todos os
espaços públicos, a comunicação em suas mais variadas manifestações, como o braile e a libras,
o tamanho das letras e o som, enfim, a Inclusão Social reflete as mudanças nas quais o ser
humano e a sociedade tem de realizar para viver de uma forma mais justa, mais igualitária, mais
humana e como consequência, mais feliz. A Inclusão não é apenas apagar a carga de preconceito
e discriminação e propiciar acessibilidade de espaços e na comunicação em relação às pessoas
com deficiência, mas é estendê-las a todas as pessoas e grupos sociais, independente da opção
sexual, crença religiosa, cor da pele, condição socioeconômica, ou qualquer outra forma que
diferencie as pessoas ou grupos. Por isso o rádio foi um instrumento facilitador da inclusão social,
porque ele foi usado para proporcionar o acesso a Educação de pessoas que ainda não haviam
tido tal oportunidade.
_ Nossa professora, é difícil entender o que é Inclusão - diz Marina.
_ Creio que a conceituação seja para vocês que ainda são pequeninos, um pouco
complexa, mas aqui na escola vocês irão aprender de maneira prática que não é tão difícil quanto
parece, pois a definição do termo pode ser difícil neste momento para vocês, mas a sua aplicação
na vida diária é muito mais fácil. Bom... voltemos ao nosso tema de estudo que é a história dos
meios de comunicação. Agora é a televisão, não é?
_ Sim - responderam todos.
_ A televisão, cujo termo vem do grego tele que significa distante e do latim visione e
juntos formam “televisão” que é um sistema eletrônico de recepção de imagens e som de forma
instantânea. Ela funciona a partir da análise e conversão da luz e do som em ondas
eletromagnéticas e de sua reconversão em um aparelho – o televisor – que capta as ondas
eletromagnéticas e através de seus componentes internos as converte novamente em imagem e
som. Vocês lembram no filme como surgiu a televisão? Cláudio lembra e se adianta falando:

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_ Claro, professora. De acordo com o filme, os primeiros aparelhos de televisão eram na
realidade rádios com um dispositivo que produzia uma imagem vermelha do tamanho de um selo
de carta. O primeiro serviço de alta definição apareceu na Alemanha em março de 1935, mas
estava disponível apenas em 22 salas públicas. Foi neste país que aconteceu uma das primeiras
grandes transmissões de televisão. Foram os Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Tal como o
rádio, muitos estudiosos e cientistas deram a sua contribuição para este invento, existindo vários
“inventores”, dependendo da abordagem o crédito da invenção varia.
_ Muito bem, Cláudio. E a televisão no Brasil? Vocês lembram? O que o filme dizia sobre a
televisão no Brasil?
_ Eu achei que falou de coisas boas e ruins sobre ela, não é, professora? - comenta o
irmão da Marina.
_ Isso mesmo Pedro. Mas vejamos as “coisas boas”, e as “coisas más” que iremos
comentar ao longo desta nossa conversa, combinado? Quem pode começar?
Caio é o mais rápido em seu comentário:
_ Eu lembro que eles falaram que em 1948 aconteceu a primeira transmissão de televisão
no Brasil. Foi a transmissão de uma partida de futebol. E que em 1950, a TV Tupi de São Paulo,
fez a primeira transmissão comercial televisiva do Brasil. É isso mesmo?
_ É isso mesmo Caio. Todos lembram que isso foi mostrado no filme?
_ Sim – responderam todos. Em seguida, Adriana falou:
_ E tem também a nova linguagem que a televisão se apresentou, não é, professora?
_ Bem observado Adriana. É a linguagem audiovisual. Até então na história da
humanidade, e dos meios de comunicação, o conhecimento, a informação e/ou a mensagem,
eram divididas basicamente nas formas escritas e sonoras. A linguagem audiovisual que começa
pela fotografia, imagem sem som, passando pelo cinema, imagem que começa sem som e depois
passa a ter som, e depois a televisão, que já nasce com imagem e som integrados, e que marcou,
e ainda marca, profundamente as relações humanas. Hoje em dia estamos acostumados com
todos esses avanços, mas quando eles surgiram cada um deles foi uma inovação tremenda em
todos os seus aspectos. E Marina argumenta:
_ Professora, não estamos falando de meios de comunicação? O que a fotografia tem a
ver com isso? No filme esses meios foram apenas comentados e não representados, por quê?
A professora responde:

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_ No filme a intenção dos alunos e alunas foi a de representar os meios que além da sua
importância, tivessem alguma possibilidade de uso educacional em sala de aula, por isso a
fotografia e o cinema foram brevemente comentados. Não que estes meios não possam ser
usados em sala de aula – podem e devem sim, ser utilizados – mas porque a televisão pode
englobar essas outras mídias. Quanto a fotografia, a palavra vem do grego fós que quer dizer "luz"
e de grafis que é "estilo", "pincel" ou de grafê, que significa "desenhar com luz" ou "representação
por meio de linhas" ou ainda "desenhar". A primeira fotografia reconhecida é uma imagem
produzida em 1822 pelo francês Joseph Nicéphore Niépce, numa placa de estanho coberta com
um derivado de petróleo chamado Betume da Judéia. Quase que simultaneamente, William Henry
Fox Talbot desenvolveu um diferente processo denominado de calotipo. Este processo usava
folhas de papel cobertas com cloreto de prata e é muito parecido com o processo fotográfico ainda
em uso, pois também produz um negativo que pode ser reutilizado para produzir várias imagens
positivas. Atualmente nós temos a fotografia digital que é uma revolução dentro desta revolução.
Isto porque a fotografia digital pode ser tirada com uma câmera digital, e em vários modelos de
telefone celular, resultando em um arquivo de computador que pode ser editado, impresso,
recortado, enviado por e-mail, armazenado em websites ou transportado em outro meio de
gravação. Desta maneira, a fotografia é um meio de comunicação visual e podemos dizer que ela
é a antecessora do cinema e da própria televisão, pois muito destes inventos foram baseados
nela. E Caio pergunta:
_ Professora, você falou também do cinema. Por quê?
_ O cinema surgiu primeiro em relação à televisão. Embora sua invenção tenha sido
atribuída aos irmãos Lumière, outros tantos estudiosos pesquisaram o movimento da imagem.
Mas foram os irmãos Auguste e Louis Lumière que chegaram ao cinematógrafo e fizeram a
primeira exibição pública do que mais tarde foi consagrado como cinema, isto aconteceu em
dezembro de 1895. Com a aparição do cinema surgiu a linguagem visual móvel, pois não havia
som nos documentários e primeiros filmes a alimentar o cinematógrafo. Este aparelho, o
cinematógrafo, podia ser levado a qualquer lugar. Com o tempo o cinema passou da “linguagem
visual móvel” para o audiovisual, ou seja, quando a tecnologia possibilitou a união do som com a
imagem e teve local fixo para a sua apresentação, as salas de cinema. A união da imagem e do
som no cinema aconteceu em 1928 e possibilitou que a televisão já nascesse “completa”.
Pedro quer saber sobre a utilização educativa da televisão e pergunta:
_ Professora como e o que podemos aprender pela televisão aqui na escola?
_ A televisão pode contribuir no aprendizado de alunos e de professores. Aqui na escola
podemos ver e até mesmo gravar programas que tenham relação com o conteúdo estudado em
sala de aula. Também existem programas na televisão voltados ao aprimoramento da didática do

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professor, ou em outras palavras, a sua formação continuada. Podemos citar vários canais
educativos ou culturais existentes atualmente na programação televisiva. A televisão é um meio
de comunicação fantástico e serve entre outras coisas para entreter, divertir, informar, comunicar
e educar. E mais ainda, a televisão aliada – ao videocassete, e posteriormente o aparelho de
DVD, e já existe atualmente o blu-ray – a uma câmera de gravação, pode gerar programas
realizados pelos próprios alunos e alunas – e professores e professoras – visando a difusão do
conhecimento. Tal como fizeram os alunos que gravaram a “História dos Meios de Comunicação”.
Eles valeram-se da mídia Teatro que aliada à televisão e a uma filmadora, possibilitou a
transformação de uma peça teatral em um programa de televisão ou em uma apresentação
cinematográfica. Tudo o que estamos falando refere-se às “coisas boas” proporcionadas pela
televisão. Mas tudo ao longo da história da humanidade tem o seu lado bom e o seu lado mau. E
o lado mau da televisão ou da linguagem audiovisual...
_ Como assim professora? A televisão tem mesmo um lado mau? Parece que a televisão é
muito mais legal do que eu imaginava e agora a senhora me fala de um lado mau. Como é
possível? – interrompe Pedro.
_ Tudo em nossas vidas tem sempre dois lados, pelo menos, um é um lado bom, positivo,
engrandecedor, e o outro é um lado mau, negativo, medíocre. Para discernir um do outro é
necessário ter conhecimento sobre o assunto e refletir sobre suas possíveis conseqüências. A
televisão, assim como outros meios de comunicação, pode contribuir de maneira bastante
positiva, mas ela também tem os seus aspectos negativos. Por exemplo, quando a televisão, e os
demais meios de comunicação, disseminam de forma equivocada valores e crenças que
cristalizam formas de pensar fora da realidade e da necessidade humana, quando novelas,
programas de entrevistas, documentários e demais formatos televisivos, falam sobre conceitos
que precisam ser discutidos tais como opção sexual, etnia, condição existencial humana, políticas
públicas para pessoas que não tiveram acesso a saúde, transporte, educação, direitos legais,
entre outros, ela está se comportando de maneira ruim. Outro exemplo é que a televisão muitas
vezes evita discussões sobre os direitos da pessoa com deficiência quando não exibe este tipo de
informação ou exibe parte do assunto, o que provoca uma compreensão errônea. Segundo as
emissoras esta atitude é necessária para manter as propagandas que geram os recursos para a
sobrevivência destes canais, mas vai de encontro aos anseios de grande parte da população que
simplesmente não sabe como proceder diante de uma pessoa com deficiência. Este tipo de
“limitação” gera e mantém por sua vez, as mesmas atitudes discriminatórias e preconceituosas.
Para que todos nós, telespectadores, tenhamos esse discernimento, é necessário aprender e
desenvolver a crítica em relação à informação recebida. Por isso essa é uma das prioridades do
ensino em nossa escola, a crítica em relação aos meios de comunicação.

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_ Não sei se compreendi o que a senhora falou professora - argumenta Pedro - você está
dizendo que todas as mídias têm o seu lado bom e o seu lado mau, e que o jeito para
descobrirmos esses dois lados é a informação?
Marina emenda:
_ E como ter a informação correta se todas as informações recebidas vêm dos mesmos
meios de comunicação?
_ Aí é que entra a crítica em relação aos meios de comunicação, nós iremos sempre nos
pautar naqueles meios que nos passam maior credibilidade, têm mais a ver com o que
acreditamos – nossas crenças, e têm mais a ver com o que pensamos – nossos valores. Partindo
deste ponto começamos a perceber que nem tudo o que lemos nos livros, ouvimos nas rádios,
vemos na televisão, ou mesmo interagimos pelo computador, é verdadeiro, correto ou bom para
nós. É sempre um julgamento interior, também chamado de subjetivo, que nos leva a aprender e a
desenvolver a nossa criticidade.
Cláudio argumenta:
_ Então para se descobrir o que é bom ou mau nos canais de televisão, ou nos programas
exibidos, nós temos que recorrer ao nosso próprio julgamento adquirido pelo meio de
comunicação?
_ Isso mesmo. Esse julgamento é o que chamamos de crítica em relação aos meios
midiáticos, em outras palavras, nem tudo que as mídias dizem ser bom é realmente bom. Essa
crítica é apreendida e desenvolvida através do contato com os próprios meios de comunicação. E
sem ela nós podemos ser influenciados em nossas opiniões e não construirmos verdadeiramente
uma opinião equilibrada, coerente e sensata sobre determinado assunto. É uma espécie de
interação com os meios de comunicação. Como eu mencionei, os nossos valores e as nossas
crenças são uma “peneira” inicial para construirmos as nossas próprias opiniões.
Caio pergunta:
_ Professora e quanto ao computador? Como fazemos para ter um “julgamento bom” com
ele?
_ Assim como os demais meios de comunicação a criticidade em relação ao seu uso é
igualmente necessária. Quanto ao computador, vocês viram no filme que ele foi se desenvolvendo
ao longo da história da humanidade. A princípio o homem inventou o ábaco, que é uma das
maquinas capazes de efetuar cálculos e é muito usado ainda pelos povos orientais. O ábaco é
conhecido também como soroban. No ábaco as operações de adição e subtração são bastante
simples, porém a multiplicação já apresenta um grau de dificuldade maior e a divisão é ainda mais

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complexa. Outros cálculos como, por exemplo, a radiciação e a potenciação requerem um
conhecimento muito mais profundo deste recurso. Por volta de 1642, o francês Blaise Pascal
inventou a primeira máquina de calcular mecânica e tinha o nome de La pascaline. Essa máquina
permitia que se fizesse qualquer operação de adição ou subtração. A Pascaline funcionava
através de uma engrenagem de rodas dentadas que levava os dígitos de uma coluna a outra. Os
resultados das operações apareciam numa espécie de janelinha. Em 1671, outro invento, de
Gottfried Leibniz, aperfeiçoou a Pascaline e criou uma calculadora com as quatro operações
também chamada de universal, que através de um engenhoso mecanismo – rodas dentadas que
aumentavam de tamanho conforme o número que eles representavam – isso proporcionou um
avanço ainda maior nas máquinas de cálculo. Charles Babbage em 1822 inventa uma máquina
capaz de resolver equações polinômicas através de uma diferença entre números e efetuar os
cálculos necessários para construir as tábuas logarítmicas. Em torno de 1855, o engenheiro sueco
George Scheutz apresentou uma máquina que era uma simplificação de Babbage, pois essa
máquina usava cartões perfurados. Depois disso as novas máquinas de calcular evoluíram
rapidamente através de uma seqüência de inventos até culminar com o surgimento do
computador. Segundo os estudiosos o computador já passou por pelo menos quatro gerações até
os modelos conhecidos atualmente.
Marina comenta:
_ Professora, qual é mesmo a relação entre o computador e a máquina de calcular?
_ O computador é uma máquina de calcular muito complexa e que trabalha com a
linguagem binária e suas variações.
_ Nossa! O que é isso? - pergunta Adriana.
_ Um computador completo, feito de monitor, teclado e a torre (também chamado de
gabinete, mas cristalizado como CPU), é inicialmente uma máquina de calcular muito especial.
Em termos matemáticos ele trabalha com a linguagem binária, que corresponde ao “0” e ao “1”, é
a chamada lógica booleana, de George Boole, matemático inglês que a criou em 1854 e onde as
variáveis resumem-se nos mencionados “0” e “1”. Assim, tudo o que é realizado pelo computador
é na realidade uma seqüência matemática. Quando desenhamos, escrevemos, ouvimos,
visualizamos e interagimos com o computador estamos realizando cálculos matemáticos. Mas
ninguém precisa se afligir porque todos irão aprender e compreender o que estamos conversando
agora com o tempo, este é apenas um primeiro contato com a definição da mídia e vale não
apenas para este assunto, mas para qualquer outro estudado, muitas vezes não entendemos o
que o professor, ou a professora, quer dizer e depois de algum tempo percebemos o que queriam
que nós soubéssemos. Não é assim?
Agora é Adriana quem fala:

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_ Professora, no filme não ficou claro para mim como os computadores enormes passaram
a ser o computador atual. Você me explica melhor?
_ Sem dúvida Adriana. Como em toda a história dos meios de comunicação que vimos no
filme, o caso dos computadores também teve várias etapas com vários inventos significativos. Foi
uma invenção que começou usando as válvulas eletrônicas passando pelos transistores e
circuitos impressos, chegando aos circuitos integrados, estes proporcionaram uma maior
compactação das peças do computador, além de uma redução de custos e uma maior velocidade
de processamento das informações, também teve nesta etapa a utilização dos chamados
sistemas operacionais. Chegamos ao modelo que conhecemos atualmente que é um
aperfeiçoamento da conectividade, ou seja, os computadores atuais além de serem muito mais
rápidos e com circuitos menores são também adaptados à troca de informações com outros
computadores, como é o caso da Internet. Além disso, a tecnologia produz grandes ‘saltos’ no que
se refere à informática. Assim, o que compramos hoje, amanhã já está quase obsoleto, tamanho o
desenvolvimento tecnológico.
Pedro indaga:
_ Professora, como o computador, que é uma máquina de calcular, pode ser também um
meio de comunicação?
_ O computador tornou-se um meio de comunicação maior ainda com a Internet. A Internet
é uma união de redes de computadores em escala mundial que são interligados por um código
chamado de Protocolo de Internet ou “IP” é este protocolo, ou número do computador, que
permite o acesso a informações e a todo tipo de transferência de dados. Por transferência de
dados podemos entender todo tipo de comunicação escrita, ouvida ou vista, em outras palavras,
documentos, e-mails, imagens – vídeos ou fotos – músicas, e mesmo comunicação verbal do tipo
telefone. A Internet é a principal das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação também
conhecidas pela sigla NTIC, e ela proporciona uma comunicação em tempo real ou bem próximo
do real. Por exemplo, se uma coisa acontece em outro continente, pela Internet é possível que
nós saibamos o que aconteceu pouco depois do fato ter ocorrido. Por isso o computador se tornou
um meio de comunicação.
E Cláudio pergunta:
_ Mas professora, não é o computador que faz a comunicação, mas sim os softwares, não
é?
_ Sim, são os softwares. Aliás, vocês sabem a diferença entre um software e um
hardware? Um software é um programa de computador, qualquer programa que o computador
utiliza é um software, e um programa de computador é um conjunto de instruções para o

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processador da máquina que traduz em forma de comandos as instruções para este mesmo
processador. Dito de outra maneira, um software é a parte que não tocamos do computador, e é
tudo o que vemos ou ouvimos na frente do monitor. Já um hardware é a parte física constituída
pelos componentes eletrônicos, circuitos, placas, teclado, monitor, gabinete/torre(CPU) e mouse,
entre outros. Ou seja, hardware é tudo o que integra o computador fisicamente ou pode vir a
integrá-lo. Assim, a diferença entre software e hardware, é que o software é constituído por todo e
qualquer programa que faça com que a transferência de dados seja executada, e hardware é tudo
o que integra o computador em sua parte física, seja de forma definitiva como monitor,
gabinete/torre(CPU), teclado, impressora e mouse, seja de forma transitória como os tocadores de
MP3 usados para transferir arquivos de voz ou músicas, os MP4 usados para transferir, além dos
arquivos de voz ou músicas, vídeos, o Data-Show, a câmera digital, entre outros tipos de
hardware. Fazendo uma analogia com o ser humano podemos dizer que os softwares são as
atitudes de uma pessoa e o hardware são as roupas, anéis, brincos, sapatos e demais acessórios
que compõem esta pessoa. Desta maneira o computador, incluindo a internet – é um meio de
comunicação, pois sem ele não existiria os softwares e os hardwares, o que tornaria a
comunicação tal como a conhecemos atualmente inviável.
_ Obrigado pela explicação professora - diz Cláudio.
E a professora Maria Angela continua a falar sobre a mídia computador:
_ Como foi visto no filme, os avanços da ciência e da tecnologia fizeram, e ainda fazem,
com que os computadores se tornem cada vez mais avançados, seja em relação as “atitudes” –
softwares, seja em relação aos “acessórios” – hardwares. O computador tornou-se atualmente
uma mídia de extrema importância para o desenvolvimento humano atuando em todas as áreas
do conhecimento. Em nossa escola a utilização do computador é de grande importância na rádio
da escola, na exibição de filmes, no fluxo e nas fichas dos alunos e alunas, no controle do estoque
dos materiais usados, na organização da gestão escolar, entre outros fins. Como meio de
comunicação os computadores são a “síntese” das outras mídias, pois podemos escrever, ler, ver,
ouvir e interagir com outras pessoas em tempo real, o que torna tanto o ensino quanto a
aprendizagem bastante divertidos e prazerosos. É desta maneira que o computador pode ser
usado como meio de comunicação, mas também como meio educacional. Mas não podemos
esquecer que o computador pode ser usado tanto para adquirir e disseminar conhecimento e
cultura, além de informação e lazer, como pode ser usado para cometer delitos, prejudicar os
dados armazenados em outro computador e passar informações equivocadas ou falsas. O
computador e a Internet podem ser muito úteis ou muito prejudiciais. O que guiará a sua finalidade
é a criticidade em relação aos meios e as crenças e valores construídos por cada pessoa.
Marina prontamente diz:

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_ Professora, achei demais este filme e a sua explicação sobre os meios de comunicação.
Maria Angela agradece com um olhar afetuoso e continua:
_ Crianças com a exibição deste filme e as conversas que tivemos ao longo desta aula eu
quero deixar claro para todos e todas, em especial ao Pedro e a Marina que são novos em nossa
escola, a importância de respeitarmos a diversidade existencial do ser humano e as possibilidades
de utilizarmos os meios de comunicação para estreitar esses laços e as demais formas de
aprendizado proporcionados pelas mídias. Lembrem-se que...
Trrriiimmmm. Soa a campainha do recreio. Os alunos e alunas começam a se agitar, mas
a professora continua:
_ Lembrem-se que todo meio de comunicação tanto pode ser benéfico ou prejudicial para
uma pessoa, um grupo ou uma instituição. Quem decide se ele irá exercer um papel positivo ou
negativo são vocês. Além disso, as mídias na escola proporcionam o ensino de linguagens e
códigos específicos de comunicação, como o braile e a libras, e ainda servem como sinalização.
Também atuam na chamada tecnologia assistiva que é tudo o que contribui para proporcionar ou
ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida para promover
a independência, a autonomia e por fim atuar junto ao processo de Inclusão. Pensem nisso e
aproveitem ao máximo o melhor que cada mídia na escola ou fora dela tem a oferecer. Um bom
recreio e aguardo todos vocês daqui a pouco em nossa sala de aula. Até já!

FIM...

GLOSSÁRIO:
Acessibilidade – Possibilidade de aproximação; característica de um local a que se pode chegar
com maior ou menor facilidade; possibilidade ou facilidade de se obter, utilizar, adquirir, etc.
Acuidade – Grau de sensibilidade de um sentido, ex.: acuidade visual; acuidade auditiva.
Afligir – Causar a alguém ou si mesmo, ou sentir aflição, angústia, agonia, tormento, etc.
Blu-ray disc – conhecido como BD (de Blu-ray Disc) é um formato de disco óptico da nova geração
com 12 cm de diâmetro (igual ao CD e ao DVD) para vídeo e áudio de alta definição e
armazenamento de dados de alta densidade. Alternativa ao DVD, sendo capaz de armazenar
filmes, mas requer uma TV full HD de LCD, plasma ou LED para explorar todo seu potencial.

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Característica – Algo que caracteriza, que é característico; qualidade, condição ou traço marcante
que chama atenção ou que distingue, que permite identificar ou classificar alguma coisa ou
alguém, particularidade.
Circuito Impresso – Consiste de uma placa de fenolite, fibra de vidro, fibra de poliéster, filme de
poliéster, filmes específicos à base de diversos polímeros, que possuem a superfície coberta
numa ou nas duas faces por fina película de cobre, prata, ou ligas à base de ouro ou níquel, entre
outras, nas quais são desenhadas pistas condutoras que representam o circuito onde serão
fixados os componentes eletrônicos.
Circuito Integrado – Também conhecido por chip, é um dispositivo microeletrônico que consiste de
muitos transistores e outros componentes interligados capazes de desempenhar muitas funções.
Suas dimensões são extremamente reduzidas, os componentes são formados em pastilhas de
material semicondutor.
Coexistir – Existir ao mesmo tempo e/ou no mesmo lugar.
Compactação – Unir partes, segmentos, etc., de modo a reduzir tamanho, dimensão ou volume;
condensar; abreviar codificação de dados para diminuir o espaço de memória ocupado.
Condição Existencial Humana – Situação biológica (por exemplo: sensorial, física, de gênero,
etnia, etc.), psicológica, social, cultural e econômica em que o indivíduo se apresenta. Adaptação
criada por Marcello Dias de Miranda Carvalho e Maria Angela Vasconcelos Fróes.
Conectado – Que se conectou; ligado; plugado; unido.
Conscientização – Processo de conhecer, de tornar consciente o sentido e o caráter das relações
humanas na sociedade em que se vive e dos mecanismos sócio-políticos que regem o
funcionamento dessa sociedade.
Difusão – Propagação; divulgação para o público.
Discriminação – Tratamento desigual, favorável ou desfavorável, dado às pessoas em função de
suas características raciais, sociais, religiosas, de gênero, etc.
Disseminar – Semear ou espalhar por muitas partes; Difundir, divulgar, propagar; espalhar.
Mídia (ou Meios de Comunicação) – Conjunto dos meios de informação e comunicação: imprensa,
rádio, televisão, cinema, cartazes, etc.; Todo meio, natural ou artificial que permite a expressão e
a comunicação do pensamento e/ou da criatividade.
Midiático – Que se refere à mídia; que se difunde pela mídia.
Obsoleto – Tecnologicamente ultrapassado; antiquado, fora de moda.

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Perspectiva – Maneira de considerar uma situação ou um problema; ponto de vista; forma ou
maneira sob a qual algo se apresenta ou é visto; esperança, expectativa.
Preconceito – Atitude genérica de discriminação ou rejeição de pessoas, grupos e idéias em
relação a sexo, raça, nacionalidade, religião, etc.; opinião ou idéia preconcebida sobre algo ou
alguém, sem conhecimento ou reflexão; Intolerância; prejulgamento.
Processador – Componente físico de um computador, responsável pela manipulação de dados e
programas.
Programa de Computador – É uma coleção de instruções que descrevem uma tarefa a ser
realizada por um computador. O termo pode ser uma referência ao código fonte, escrito em
alguma linguagem de programação, ou ao arquivo que contém a forma executável deste código
fonte.
Proveitoso – Que dá proveito; que convém; profícuo; útil; que traz benefício ou apresenta
utilidade.
Sistema Operacional – É um programa ou um conjunto de programas cuja função é servir de
interface entre um computador e seus recursos computacionais (softwares ou hardwares) e o
usuário e um gerenciador destes recursos dentro do sistema computacional.
Transferência de dados – é comumente classificada em dois modos: Analógico ou Digital. Os
dispositivos que usam o modo analógico transformam movimentos ou condição de um evento
natural em sinal elétrico ou mecânico que seja similar. A transmissão digital de dados representa
um valor "instantâneo" de uma situação e não representa um movimento contínuo. Não tem faixa
muito ampla e não refletem atividade constante.
Transistor – Dispositivo constituído por semicondutores, e que pode funcionar como um
amplificador de maneira análoga a uma válvula eletrônica; amplificador de cristal inventado em
1948 para substituir a válvula eletrônica.
Validado – Que se validou; que se tornou válido; que está em conformidade com os preceitos da
lógica formal, que é formalmente correto.
Válvula Eletrônica – é um dispositivo eletrônico formado por um invólucro de vidro de alto vácuo
chamada ampola contendo vários elementos metálicos.
Velada – Encoberta; escondida, oculta, tapada, tornar secreto ou recôndito; ocultar, recatar,
disfarçar, dissimular.

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