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DIREITO

ADMINISTRATIVO
RESUMO DOS TÓPICOS MAIS IMPORTANTES
PARA CONCURSOS PÚBLICOS

MAIS DE 850 ÍTENS E SUBITENS IMPORTANTES


PARA CONCURSOS PÚBLICOS

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RESUMO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

SUMÁRIO

CAPÍTULO ASSUNTO PÁGINA

Capítulo I Conceito, fontes, regime administrativo e princípios 04

Capítulo II Administração Pública 08

Capítulo III Poderes administrativos 14

Capítulo IV Atos administrativos 16

Capítulo V Serviços públicos 25

Capítulo VI Regime jurídico dos servidores públicos federais 28

Capítulo VII Responsabilidade civil do Estado 45

Capítulo VIII Controle da Administração Pública 49

Capítulo IX Licitações 58

Capítulo X Contratos administrativos 71

Capítulo XI Parceria público-privada – PPP 80

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RESUMO DE DIREITO ADMINISTRATIVO

CAPÍTULO I
CONCEITO, FONTES
REGIME ADMINISTRATIVO E PRINCÍPIOS

1. Direito Administrativo é o conjunto dos princípios jurídicos que


tratam da Administração Pública, suas entidades, órgãos, agentes
públicos, enfim, tudo o que diz respeito à maneira como se atingir às
finalidades do Estado.
2. O Direito Administrativo integra o ramo do Direito Público, cuja principal
característica encontramos no fato de haver uma desigualdade jurídica
entre cada uma das partes envolvidas, ou seja, a Administração Pública se
encontra num patamar superior ao particular.
3. Esse ramo do Direito regra todas as atividades administrativas do
Estado, qualquer que seja o Poder que a exerce, ou o ente estatal a que
pertença: se a atividade é administrativa, sujeita-se aos comandos do Direito
Administrativo.
4. Quatro são as principais fontes do Direito Administrativo:
a. lei: fonte primária, principal, normalmente abstrata e geral;
b. jurisprudência: conjunto de decisões do Poder Judiciário no mesmo
sentido, é fonte secundária;
c. doutrina: teoria desenvolvida pelos estudiosos do Direito, é fonte
secundária;
d. costumes: reiteração uniforme de determinado comportamento, é
fonte secundária.
5. Regime jurídico administrativo é o conjunto das regras que buscam
atender aos interesses públicos.
6. São princípios basilares do Direito Administrativo: supremacia do
interesse público sobre o particular e indisponibilidade do interesse público.
7. No Brasil, a Jurisdição é una, cabendo apenas a um órgão a
competência de dizer o Direito de forma definitiva, é dizer, fazendo coisa
julgada material: Poder Judiciário.

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8. Diz-se que a Jurisdição é dual quando há previsão de que dois
órgãos se manifestem de forma definitiva sobre o Direito, cada qual com
suas competências próprias, como na França.
9. As decisões em matéria administrativa só fazem coisa julgada material
quando tomadas pelo Judiciário.
10. Dualidade de jurisdição e duplo grau de jurisdição não se
confundem. Dualidade: dois órgãos dizendo o Direito no caso concreto, de
forma definitiva. Duplo grau: duas instâncias, dentro do mesmo órgão,
decidindo a mesma matéria, uma superior à outra.
11. Pelo princípio específico da legalidade, a Administração Pública só
poderá fazer o que estiver previsto na lei.
12. Duas são as vertentes do princípio da impessoalidade. Na primeira,
qualquer ato da Administração Pública deve zelar pelo interesse público, não
pessoal. Na outra, os atos são imputados à entidade a que se vincula o
agente público, não a ele próprio.
13. O princípio da moralidade diz respeito à moral interna da instituição,
que deve pautar os atos dos agentes públicos, como complemento à lei. Os
atos devem ser, além de legais, honestos, e seguir os bons costumes e a
boa administração.
14. Seguindo o princípio da publicidade, a regra é de que todos os atos
devem ser públicos, garantindo a transparência estatal. As exceções devem
ser legalmente previstas e também devem atender ao interesse público.
15. O princípio da eficiência prega a maximização de resultados em
qualquer ação da Administração Pública, que deve ser rápida, útil,
econômica, voltada para os melhores resultados esperados por todos.
16. Cinco são os princípios básicos da Administração, expressos na
Constituição Federal, em seu art. 37, caput: legalidade, impessoalidade,
moralidade, publicidade e eficiência.
LIMPE a Administração Pública:
L egalidade
I mpessoalidade
M oralidade
P ublicidade
E ficiência
17. A supremacia do interesse público é um princípio basilar da
Administração Pública, que deve ser observado tanto pelo legislador, no
momento de produzir a lei, quanto pelo administrador, quando de sua
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execução. O interesse público é indisponível, tendo o agente público o
poder-dever de agir de acordo com esse princípio.
18. Em face do atributo da presunção de legitimidade, tomam-se como
existentes os fatos alegados e como legais os atos administrativos
praticados, até prova em contrário. É uma presunção relativa, “juris tantum”,
ou seja, cabe prova em contrário.
19. O princípio da continuidade estabelece a necessidade de que a
Administração Pública não interrompa a prestação de seus serviços, pois
fundamentais e essenciais à coletividade.
20. O princípio da hierarquia determina que haja coordenação e
subordinação entre os órgãos da Administração Pública, com a possibilidade
de revisão de atos, delegação, avocação e punição.
21. Pelo princípio da auto tutela cabe à Administração Pública rever seus
próprios atos, anulando os ilegais e revogando os inconvenientes ou
inoportunos. É controle interno, diferente da tutela, que é controle externo,
sujeição exercida por outra pessoa.
22. Qualquer ação tomada dentro da esfera pública deve ser pautada no
princípio da razoabilidade, implicando em coerência entre os meios e os
fins, considerando-se todas as situações e circunstâncias que afetem a
solução.
23. O princípio da motivação exige que a Administração Pública
fundamente todos seus atos adequadamente, sempre vinculando o ato aos
motivos apresentados. Ainda que um ato discricionário esteja entre as
exceções de obrigatoriedade de motivação, segundo a Teoria dos Motivos
Determinantes, o motivo alegado se adere e se vincula ao ato: se aquele for
inexistente, este também será.
24. Pelo princípio da igualdade, todos devem receber tratamento
isonômico da Administração Pública. Sendo iguais, o tratamento não pode
ser diferente. As diferenças devem ser consideradas e, atendendo ao
princípio da razoabilidade, adequadamente motivadas.
25. Pelo princípio da segurança jurídica, garante-se a estabilidade relativa
das relações jurídicas, não passíveis de mudança aleatória pela
Administração Pública, mas apenas dentro das possibilidades e prazos
legais de alterações.
26. Todo processo, inclusive o administrativo, deve obediência ao devido
processo legal (“due process of law”), de onde provém também os
princípios do contraditório e da ampla defesa.

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27. O contraditório assegura que a parte tem o direito de se manifestar
sobre todas as provas produzidas e sobre as alegações feitas pela parte
adversa.
28. Por ampla defesa entende-se a possibilidade que o acusado tem de
usar todos os meios lícitos admitidos para provar o que alega, inclusive
manter-se calado (art. 5º, LXIII, CF/88) e não produzir provas contra si.

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CAPÍTULO II
ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

29. Administração Pública é o Estado; administração pública é a atividade


administrativa do Estado.
30. Administração Direta/Centralizada: prestação de serviços públicos
pelos próprios órgãos estatais.
31. Administração Indireta/Descentralizada: prestação de serviços
públicos por delegação ou outorga do poder público.
32. Descentralização: repasse de atividades de uma pessoa para outra.
33. Desconcentração: repasse de atividades dentro da mesma pessoa
jurídica.
34. O repasse de serviço público pode ser feito para pessoas jurídicas de
direto público ou de direito privado.
35. Mesmo as pessoas privadas têm limitações, impostas pela derrogação
do direito privado pelo público.
36. A descentralização pode ser via outorga (por lei, da titularidade e da
execução), ou delegação (por contrato/ato, da execução somente).
37. Características das autarquias:
a. criação por lei específica; organização por decreto, regulamento ou
estatuto;
b. personalidade jurídica de direito público;
c. auto-administração;
d. atuação em nome próprio;
e. especialização dos fins ou atividades; exercem atividades típicas de
Estado;
f. sujeita a controle ou tutela ordinária, preventiva ou repressiva, de
legalidade ou de mérito;
g. dotadas de patrimônio próprio, inalienável, impenhorável e
imprescritível;
h. admissão de servidores públicos por concurso (art. 37, II, CF/88), sob
regime estatutário ou da CLT; admissão sem concurso só na hipótese
de contratação por tempo determinado para atender a necessidade
temporária (art. 37, IX, CF/88);

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i. reclamações trabalhistas processadas perante a Justiça do Trabalho
(art. 114, CF/88) se o vínculo for trabalhista, e perante a Justiça Comum,
se for estatutário (art. 109, I, CF/88 e Súmula 137/STJ);
j. impossibilidade, em regra, de seus servidores acumularem cargos
públicos (art. 37, XVI e XVII, CF/88);
k. atos dos dirigentes podem ser questionados por mandado de
segurança e ação popular;
l. imunidade (recíproca ou ontológica) de impostos sobre patrimônio,
renda e serviços (art. 150, § 2º, CF/88);
m. débitos pagos mediante precatório, exceto os definidos em lei como
de pequeno valor (art. 100, §§ 1º e 3º, CF/88);
n. prazos processuais privilegiados: em dobro para recorrer e em
quádruplo para contestar (art. 188, CPC) e garantia do duplo grau de
jurisdição obrigatório, quando a sentença lhe for desfavorável (art. 475,
II, CPC e Lei nº 9.469/97, art. 10);
o. atos com presunção de legalidade;
p. créditos cobrados via execução fiscal (Lei nº 6.830/80 e art. 578,
CPC);
q. responsabilidade objetiva e possibilidade de ação de regresso contra
seus servidores (art. 37, § 6º, CF/88);
r. sujeita às regras licitatórias (Lei nº 8.666/93).
38. Autarquia Territorial é a divisão geográfica, com personalidade
jurídica própria, criada para prestar serviços genéricos à sociedade (é uma
exceção ao princípio da especialização).
39. Autarquia em Regime Especial é uma característica dada a certas
autarquias pela lei que as cria, correspondendo apenas a presença de um
maior número de privilégios. Em geral, são subdivididas em: Agências
Reguladoras e Agências Executivas.
40. Agência Reguladora é uma autarquia criada sob regime especial, com
a atribuição de exercer o poder normativo das concessões e permissões de
serviços públicos, competência essa que, originalmente, é do Poder
Público.
41. Agência Executiva é uma qualidade ou atributo de pessoa jurídica de
direito público que celebre contrato de gestão. Tal qualidade pode ser
atribuída tanto às autarquias quanto às fundações, desde que cumpram os
requisitos legais.

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42. Fundação instituída pelo poder público é um patrimônio dotado de
personalidade jurídica, destinado à prestação de atividades públicas na área
social. Segundo STF, é espécie do gênero autarquia.
43. Principais características das empresas públicas:
a. criação autorizada por lei específica (art. 37, XIX, CF/88); uma vez
autorizada, a criação seguirá o modelo do direito privado, por meio de
decreto; extinção também por lei;
b. podem ser sociedades mercantis, industriais ou de serviços;
c. vinculam-se aos fins previstos na lei;
d. podem prestar serviço público ou explorar atividade econômica em
caráter suplementar, se necessária à segurança nacional ou relevante
interesse coletivo;
e. sujeitas às regras do direito privado, derrogado (parcialmente
revogado) pelo direito público,quando exploradora de atividade
econômica e às regras do direito público, com as ressalvas
constitucionais e legais, quando prestadora de serviço público;
f. devem licitar, com regras próprias ou da Lei de Licitações nº
8.666/93;
g. capital exclusivamente público (unipessoal se 100% do capital
pertencer a um ente da federação; pluripessoal se dividido entre dois ou
mais entes);
h. sujeitas às obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias;
i. vedados privilégios fiscais não extensivos ao setor privado;
j. a responsabilidade civil objetiva (art. 37, § 6º, CF/88) somente se
aplica àquelas prestadoras de serviços públicos, não às exploradoras de
atividades econômicas;
k. admitem qualquer forma societária prevista em direito (sociedade
anônima, de responsabilidade limitada, capital e indústria, comandita
etc);
l. servidores regidos pela CLT, com acesso mediante concurso público
(art. 37, II, CF/88), sendo possível mediante seleção simplificada, no
caso de exploradora de atividade econômica;
m. impossibilidade de acumulação de cargos de seus servidores (art. 37,
XVI e XVII, CF/88), e equiparados a funcionários públicos para fins
penais (art. 327, CP) e de improbidade administrativa (Lei nº 8.429/92);

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n. sujeição ao teto de remuneração, se receber recursos públicos para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (art. 37, §
9º);
o. competente a Justiça do Trabalho nas causas em que a controvérsia
é decorrente de contrato de trabalho (STJ, MAS 1.691/PE, 06/09/91);
p. competente a Justiça Federal, com as exceções do art 109, I, CF/88,
no caso das empresas públicas federais, e da Justiça Estadual, no caso
das estaduais e municipais. CF, art. 109, I: “Aos juízes federais compete
processar e julgar as causas em que a União, entidade autárquica ou
empresa pública federal forem interessadas na condição de autoras, rés,
assistentes ou oponentes, exceto as de falência, as de acidentes de
trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho. STJ,
Súmula nº 15: Compete à Justiça Estadual processar e julgar os litígios
decorrentes de acidente do trabalho.
q. atos dos dirigentes podem ser questionados por mandado de
segurança (se de natureza pública) e ação popular (se lesivos ao
patrimônio público).
44. Sobre falência, tem-se que, se for prestadora de serviço público,
não se sujeita a ela, por suas próprias características. Além disso, a Lei nº
11.101/2005, previu expressamente que não se aplica à empresa pública e à
sociedade de economia mista a recuperação judicial, a recuperação
extrajudicial e a falência do empresário e da sociedade empresária.
45. Características comuns às empresas públicas e às sociedades de
economia mista:
a. criação e extinção por lei;
b. personalidade jurídica de direito privado;
c. sujeição parcial ao direito público e ao controle do Estado;
d. atividade de natureza econômica.
46. Características próprias das empresas públicas:
a. capital integralmente público;
b. constituída sob qualquer forma admitida em direito.
47. Características próprias das sociedades de economia mista:
a. capital misto público/privado, com participação majoritária daquele;
b. exclusivamente sob a forma de sociedade anônima.
48. Enquanto a empresa pública tem foros diferentes (Justiça Federal,
no caso das empresas públicas federais, e Justiça Estadual, no caso das
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estaduais e municipais), as sociedades de economia mista têm como foro
sempre a Justiça Estadual.
49. Convênios são ajustes entre pessoas públicas entre si ou entre elas e
particulares para realização de serviços ou obras públicas.
50. Consórcio é o ajuste entre pessoas públicas da mesma espécie (ou
seja, entre Estados, entre Municípios) para consecução de interesse comum
entre as partes.
51. Serviços Sociais Autônomos são pessoas jurídicas de direito privado
que colaboram com a Administração Pública, sem fins lucrativos e que, regra
geral, se vinculam a categorias profissionais. Atuam nas áreas de educação,
saúde, assistência social etc.
52. Organizações Sociais são pessoas jurídicas de direito privado sem
fins lucrativos, voltadas ao desempenho de atividades de interesse público,
em especial nas áreas de saúde, cultura, ensino, pesquisa, tecnologia, meio
ambiente que, declaradas de interesse social ou de utilidade pública,
celebram contratos de gestão com a Administração Pública.
53. Os contratos de gestão são acordos entre a Administração Pública
Centralizada e as entidades da Administração Indireta, ou entre aquela e as
organizações sociais, com o objetivo de estabelecer metas e diretrizes, em
contrapartida de uma maior autonomia administrativa. Se o pacto é entre
a Administração Pública e uma organização social, pode haver repasse de
verbas públicas, com o controle estatal de atingimento dos objetivos
contratados.
54. O controle é de resultados e o princípio basilar desses contratos é a
eficiência.
55. Pactuado com um órgão, amplia sua autonomia, vinculada ao
atingimento das metas estipuladas no mesmo contrato.
56. Celebrado com uma organização social, haverá um aumento no
controle estatal sobre essa entidade, uma vez que passará a lhe fornecer
bens e recursos públicos para a consecução dos seus objetivos.

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CAPÍTULO III
PODERES ADMINISTRATIVOS

57. A Administração Pública faz uso de seus diversos poderes para que a
finalidade de interesse público seja atingida.
58. Para o exercício do Poder Vinculado, devem ser observados todos
os contornos traçados pela lei, que não deixa margem de manobra à
autoridade responsável. A lei estabelece todos os detalhes, como deve ser
feito, quando, por quem etc.
59. São elementos dos atos administrativos: competência, finalidade,
forma, motivo e objeto.
60. No exercício do Poder Vinculado, esses cinco requisitos são
previstos na lei e de observância obrigatória. Os três primeiros
(competência, finalidade e forma) são sempre vinculados, mesmo no âmbito
do Poder Discricionário.
61. No caso do Poder Discricionário, a lei também estabelece uma série
de regras para a prática de um ato, mas deixa certa dose de prerrogativas à
autoridade, que poderá optar por um entre vários caminhos igualmente
válidos. Se a lei deixa certo grau de liberdade, diz-se que há
discricionariedade.
62. Não existe poder discricionário absoluto, pois sempre a lei fixará os
limites de atuação.
63. Mérito administrativo = conveniência + oportunidade.
64. Não compete ao Judiciário a apreciação do mérito administrativo.
Porém, como exceção, o Judiciário pode rever critérios de mérito, mas
apenas dos seus próprios atos administrativos, ou seja, quando atua em
suas funções secundárias, não jurisdicionais.
65. O Poder Hierárquico advém da estrutura hierarquizada da
Administração Pública, podendo o superior, com relação a seu subordinado:
a. dar ordens: que devem ser obedecidas, exceto quando
manifestamente ilegais;
b. fiscalizar: verificação e acompanhamento das tarefas executadas
pelos subordinados;
c. delegar: repasse de atribuições administrativas de responsabilidade
do superior para o subalterno;

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d. avocar: representa o caminho contrário da delegação, é dizer,
acontece a avocação quando o superior atrai para si a tarefa de
responsabilidade do subordinado;
e. rever: os atos de seus subordinados, enquanto não for tal ato
definitivo, mantendo-o ou modificando-o.
66. O Poder Disciplinar representa o poder-dever de a Administração
Pública punir seus servidores sempre que cometam faltas, apuradas
mediante sindicância ou Processo Administrativo Disciplinar, ou o particular
submetido ao controle estatal, como no caso daquele que descumpre
contrato administrativo.
67. O Poder Regulamentar foi conferido pela Constituição Federal aos
chefes do Poder Executivo federal, municipal e estadual, cabendo-lhes
editar normas gerais e abstratas que, em complemento à lei, a explicam,
dando sua correta aplicabilidade. São também chamados de decretos de
execução.
68. A partir da edição da Emenda Constitucional nº 32/2001, que alterou a
redação do inciso VI do mesmo art. 84, também é competente o Presidente
da República para dispor, mediante decreto, sobre a organização e
funcionamento da Administração federal, quando não implicar aumento de
despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos, e a extinção de
funções ou cargos públicos, quando vagos. Esse é o chamado decreto
autônomo.
69. Poder de Polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública
para condicionar o uso, o gozo e a disposição da propriedade ou liberdades,
em prol da coletividade ou do Estado.
70. Elementos essenciais que caracterizam os atos de polícia: editado
pela Administração Pública ou por quem lhe faça as vezes; fundamento num
vínculo geral; interesse público e social; incidir sobre a propriedade ou sobre
a liberdade.

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CAPÍTULO IV
ATOS ADMINISTRATIVOS

71. Atos jurídicos são aqueles que produzem efeitos jurídicos, ou seja,
interessam ao estudo do Direito. Uma espécie desses é o ato administrativo.
72. Atos administrativos são aqueles advindos da vontade da
Administração Pública na sua função própria, com supremacia perante o
particular, sob as regras do regime jurídico administrativo, de forma
unilateral.
73. Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da
Administração Pública que, agindo nessa qualidade, tenha por fim
imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar
direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.
74. São praticados por todos os Poderes, no exercício da função
Administrativa.
75. Os atos praticados pela Administração Pública, sem a utilização do
atributo de império de poder público são ditos atos de gestão.
76. Fatos administrativos são meras ações de implementação da função
administrativa, como manter a cidade limpa ou cortar uma árvore. São os
atos materiais.
77. Elementos dos atos administrativos:
a. competência;
b. finalidade;
c. forma;
d. motivo;
e. objeto.
78. Em qualquer ato, seja ele vinculado ou discricionário, os três
primeiros requisitos serão de observância obrigatória, ou seja, sempre
serão vinculados.
79. Competência é a capacidade, atribuída pela lei, do agente público
para o exercício de suas atribuições.
80. Quando o agente atua fora dos limites da lei, diz-se que cometeu
excesso de poder, passível de punição.

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81. A competência é obrigatória, intransferível, irrenunciável, imodificável,
imprescritível e improrrogável:
a. improrrogável significa dizer que se é incompetente hoje, continuará
sendo sempre, exceto por previsão legal expressa em sentido contrário,
é dizer, um fato futuro não vai prorrogar, ampliar, a competência do
agente.
b. imprescritível é aquela que continua a existir, independente de seu
não uso.
c. dizer que é irrenunciável corresponde à impossibilidade de o agente
competente “abrir mão” de praticá-la.
d. intransferível, ou inderrogável, é a impossibilidade de se transferir a
competência de um para outro, por interesse das partes.
82. É possível a delegação ou avocação de competência.
a. delegar corresponde ao repasse de atribuições administrativas de
responsabilidade do superior para o subalterno;
b. avocar representa o caminho contrário da delegação, ou seja,
acontece a avocação quando o superior atrai para si a tarefa de
responsabilidade do subordinado.
83. A delegação pode ocorrer, não havendo impedimento legal, quando
for conveniente, em razão de circunstâncias de índole técnica, social,
econômica, jurídica ou territorial.
84. Está proibida a delegação nos casos de edição de atos de caráter
normativo, decisão de recursos administrativos, matérias de competência
exclusiva do órgão ou autoridade.
85. O ato de delegação é revogável a qualquer tempo pela autoridade
delegante.
86. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes
devidamente justificados, a avocação temporária de competência atribuída a
órgão hierarquicamente inferior.
87. A única e exclusiva finalidade de todo ato administrativo é sempre o
interesse público, jamais podendo ser praticado com a finalidade de
atender a interesse privado, caso em que será nulo e eivado de vício de
desvio de finalidade.
88. A forma é o modo através do qual se exterioriza o ato administrativo, é
seu revestimento.

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89. Os atos do processo administrativo não dependem de forma
determinada se não quando a lei expressamente a exigir. Nesse caso, a
forma será vinculante.
90. O motivo é a circunstância de fato ou de direito que determina ou
autoriza a prática do ato.
91. Esse componente do ato nem sempre está previsto na lei. Quando está
nela descrito, é vinculante, ou seja, o ato depende da ocorrência da
situação prevista. Em outras ocasiões, a lei defere ao agente a avaliação da
oportunidade e conveniência da prática do ato que, nesse caso, será
discricionário.
92. O mérito administrativo é a análise da oportunidade e da conveniência
ao praticar o ato.
93. Motivação é a série de motivos externados que justificam a realização
de determinado ato.
94. Os atos administrativos deverão ser motivados, quando:
a. neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;
b. imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções;
c. decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública;
d. dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório;
e. decidam recursos administrativos;
f. decorram de reexame de ofício;
g. deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou
discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais;
h. importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato
administrativo.
95. Objeto é o conteúdo do ato. Juntamente com o motivo, pode não estar
previsto expressamente na legislação, cabendo ao agente competente a
opção que seja mais oportuna e conveniente ao interesse público,
caracterizando, então o exercício do Poder Discricionário.
96. Nos atos discricionários, os objetos e motivos podem ser avaliados,
valorados, dentro dos limites legais, pela autoridade responsável por sua
prática.
97. Nos atos vinculados, todos os elementos são previstos
expressamente na lei, não deixando margem de manobra ao agente.

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98. Qualquer que seja o ato, vinculado ou discricionário, a competência,
finalidade e forma sempre são de observância obrigatória, distinguindo-
se um do outro apenas pelo motivo e objeto.
99. Mérito administrativo: verificação do motivo e do objeto, em atenção
à oportunidade e conveniência da prática do ato de uma ou outra maneira.
No ato vinculado não existe verificação do mérito, pois a lei já esgotou as
regras para sua prática.
100. MÉRITO ADMINISTRATIVO = CONVENIÊNCIA + OPORTUNIDADE
101. Os atos vinculados são analisados do ponto de vista da legalidade;
os discricionários, além da legalidade, também são vistos do ponto de
vista do mérito.
102. Não há controle judicial do mérito administrativo, quando ato é
praticado dentro dos limites impostos pela lei. Por exceção, pode ser
apurado o atendimento aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.
103. Ao Judiciário, no exercício de sua atividade principal, só cabe análise
de legalidade do ato.
104. O Judiciário, quando no exercício de sua atividade secundária de
administrador de seus órgãos e servidores, também pratica atos, inclusive
discricionários. Nesse caso, ele mesmo pode rever seus critérios de
oportunidade e conveniência.
105. Naqueles em que a motivação não é obrigatória, quando o motivo é
expressamente declarado, vincula-se ao ato, de tal forma que a validade
desse ato dependerá da validade do motivo externado. Essa é a Teoria
dos Motivos Determinantes.
106. Não se confunde a vinculação do motivo expressado com a prática
de um ato vinculado.
107. A discricionariedade está em praticar o ato de uma forma ou outra, em
face dos motivos possíveis. Uma vez feita a opção por um dos caminhos, e
declarado o motivo dessa escolha, o ato passa a ter sua existência e
validade diretamente ligada a tal motivo, mas a natureza do ato continua
sendo discricionária.
108. Atributos são as características, as qualidades dos atos
administrativos, que os distinguem dos demais atos jurídicos, pois
submetidos ao regime jurídico administrativo.
109. Atributos dos atos administrativos: presunção de legitimidade e
veracidade; imperatividade; auto-executoriedade; tipicidade.
110. Diz-se que se presume legítimo determinado ato administrativo
baseado no princípio de legalidade. Se ao administrador só cabe fazer o
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que a lei admite, e da forma como nela previsto, então, se produziu algum
ato, presume-se que o fez respeitando a lei.
111. A presunção de veracidade refere-se aos fatos citados pela
Administração Pública.
112. A presunção é relativa, ou seja, admite prova em contrário.
113. Alguns efeitos dessas presunções:
a. não é necessária prévia manifestação do Judiciário validando o
ato;
b. todos devem cumpri-lo, enquanto não anulado;
c. cabe prova em contrário, a ser produzida por quem alega o vício,
ou seja, há inversão do ônus da prova;
d. não há manifestação judicial de ofício quanto à validade do ato
administrativo, mas somente com provocação do interessado;
e. em obediência ao princípio da auto-tutela, pode/deve a
Administração Pública rever seus próprios atos, de ofício.
114. Os atos administrativos são imperativos, se impõem aos destinatários
independentemente de concordarem ou não com ele. É também chamado
esse atributo de Poder Extroverso.
115. Esse não é um atributo comum a todos os atos, mas tão somente
aos que impõem obrigações aos administrados.
116. A auto-executoriedade garante que a Administração Pública possa
fazer executar o ato, por si mesma e imediatamente, independente de ordem
judicial.
117. Não significa dizer que esse ato escapa ao controle judicial:
poderá ser levado ao crivo desse Poder, se houver provocação da parte
interessada.
118. O ato administrativo deve corresponder a tipos previamente definidos
pela lei para produzir os efeitos desejados.
119. CLASSIFICAÇÃO
a. Concretos: são atos produzidos visando um único caso,
específico, e nele se encerram.
b. Abstratos: chamados também de normativos, são os que atingem
a um número indefinido de pessoas, e que podem continuar sendo
aplicados inúmeras vezes.

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c. Ato simples: nasce da manifestação de vontade de apenas um
órgão, seja ele unipessoal ou colegiado.
d. Ato complexo: para que seja formado, necessita da manifestação
de vontade de dois ou mais órgãos diferentes.
e. Ato composto: é aquele que nasce vontade de apenas um órgão,
porém, para que produza efeitos, depende da aprovação de outro
ato, que o homologa.
f. Individuais: são aqueles que têm destinatários certos, nominados.
g. Gerais: os destinatários são muitos, inominados, mas unidos por
uma característica em comum, que os faz destinatários do mesmo ato
abstrato.
h. Constitutivo: geram uma nova situação jurídica aos
destinatários.
i. Declaratório: simplesmente afirmam ou declaram uma situação já
existente, seja de fato ou de direito. Também é dito enunciativo.
j. Modificativo: altera a situação já existente, sem que seja extinta,
não retirando direitos ou obrigações.
k. Extintivo: pode também ser chamado desconstitutivo, que é o ato
que põe termo a um direito ou dever existentes.
l. Internos: destinados a produzir seus efeitos no âmbito interno da
Administração Pública, não atingindo terceiros.
m. Externos: tem como destinatárias pessoas além da
Administração Pública, e, portanto, necessitam de publicidade para
que produzam adequadamente seus efeitos.
n. Vinculado: a lei estabelece todos os contornos do ato, como deve
ser feito, quando, por quem etc, não deixando ao agente qualquer grau
de liberdade.
o. Discricionário: a lei também estabelece uma série de regras para a
prática de um ato, mas deixa certo grau de liberdade à autoridade, que
poderá optar por um entre vários caminhos igualmente válidos.
p. Válido: é o que atende a todos os requisitos legais: competência,
finalidade, forma, motivo e objeto. Pode estar perfeito, pronto para
produzir seus efeitos ou estar pendente de evento futuro.
q. Nulo: é o que nasce com vício insanável, ou seja, um defeito que
não pode ser corrigido.
r. Anulável: é o ato que contém defeitos, porém, que podem ser
sanados, convalidados.
19
s. Inexistente: é aquele que apenas aparenta ser um ato
administrativo, mas são produzidos por alguém que se faz passar por
agente público, sem sê-lo, ou que contém um objeto juridicamente
impossível.
t. Perfeito: é aquele que completou seu processo de formação,
estando apto a produzir seus efeitos.
u. Imperfeito: não completou seu processo de formação, portanto,
não está apto a produzir seus efeitos.
v. Pendente: para produzir seus efeitos, sujeita-se a condição ou
termo, mas já completou seu ciclo de formação, estando apenas
aguardando o implemento desse acessório. Condição é evento futuro e
incerto; termo é evento futuro e certo.
w. Consumado: é o ato que já produziu todos os seus efeitos, nada
mais havendo para realizar.
120. Perfeição: refere-se ao processo de formação do ato, que foi todo
cumprido.
121. Validade: refere-se à conformidade do ato com a lei.
122. Eficácia: é a capacidade do ato para produzir seus efeitos.
123. Exeqüibilidade: é a capacidade do ato para produzir seus efeitos
imediatamente.
124. Um ato é nulo quando afronta a lei, quando foi produzido com
alguma ilegalidade. Pode ser declarada pela própria Administração
Pública, no exercício de sua auto-tutela, ou pelo Judiciário. Opera efeitos
retroativos, “ex tunc”.
125. Revogação é a forma de desfazer um ato válido, legítimo, mas que
não é mais conveniente, útil ou oportuno. Como é um ato perfeito, que
não mais interessa à Administração Pública, só por ela pode ser revogado,
não cabendo ao Judiciário fazê-lo, exceto no exercício de sua atividade
secundária administrativa, ou seja, só pode revogar seus próprios atos
administrativos. Seus efeitos são proativos, “ex nunc”.
126. Revogação total = ab-rogação.
127. Revogação parcial = derrogação.
128. Não podem ser revogados, entre outros:
a. os atos vinculados;
b. os já consumados;
c. os que geraram direito adquirido.
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129. Convalidar é tornar válido, é efetuar correções no ato administrativo,
de forma que ele fique perfeito, atendendo a todas as exigências legais.
130. A convalidação será sempre retroativa, “ex tunc”, lançando seus
efeitos sempre à data da realização inicial do ato.
131. A finalidade, o motivo e o objeto nunca podem ser convalidados.
132. A forma pode ser convalidada, desde que não seja fundamental à
validade do ato.
133. Com relação à competência, é possível a convalidação dos atos que
não sejam exclusivos de uma autoridade, quando não pode haver delegação
ou avocação. Assim, desde que não se trate de matéria exclusiva, pode o
superior ratificar o ato praticado por subordinado incompetente.

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CAPÍTULO V
SERVIÇOS PÚBLICOSS

134. As principais características das concessões e concessionários são:


a. é delegação de serviço público, obra ou uso de bem público, feita
pelo poder concedente (União, Estados-membros, Distrito Federal ou
Municípios) em cuja competência se encontra o serviço delegado;
b. não transfere a titularidade, somente a execução ou uso;
c. feita através de contrato bilateral, precedido de licitação, na
modalidade concorrência (art. 175, CF/88);
d. contrato é de natureza administrativa, ou seja, sujeito às regras do
direito público;
e. cabe à União fixar normas gerais de contratação, em todas as
modalidades (art. 22, XXVII, CF/88);
f. a execução do serviço pelo concessionário é por sua conta e risco, e
paga mediante tarifa, com natureza de preço público;
g. concedente fixa normas de prestação do serviço ou uso do bem
público, fiscaliza, impõe sanções e reajusta tarifas;
h. concessionário tem direito à manutenção do equilíbrio econômico-
financeiro da concessão;
i. concessionário se sujeita às obrigações civis, comerciais, trabalhistas
e tributárias;
j. a subcontratação é possível desde que prevista no edital e no
contrato, e com prévia anuência da Administração Pública concedente,
que não se obriga a tal, ainda que haja previsão no edital e no contrato
(Lei nº 8.987/95, art. 26);
k. poderá haver encampação, que é a retomada do serviço pela
Administração Pública antes do prazo estabelecido, por interesse
público, com a conseqüente indenização do concessionário. Trata-se
de ato unilateral da Administração Pública;
l. por inadimplemento contratual por parte do concessionário, poderá
haver caducidade ou decadência, sem direito à indenização, exceto
à parte não amortizada dos equipamentos que reverterão para o poder
concedente; também é ato unilateral;
m. reversão é a incorporação dos bens do concessionário pelo poder
público, para prosseguimento na prestação do serviço, nos casos de
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extinção da concessão, com direito à indenização (Lei nº 8.987/95, art.
36);
n. a responsabilidade civil objetiva (art. 37, § 6º, CF/88) se aplica ao
concessionário que causa prejuízos a terceiros, em decorrência da
prestação de serviço público;
o. em regra, é necessária lei autorizativa para a execução indireta de
serviços mediante concessão.
135. Em resumo, temos as seguintes características das permissionárias:
a. é delegação de serviço público ou uso de bem público, feita pelo
poder concedente (União, Estados-membros, Distrito Federal ou
Municípios) em cuja competência se encontra o serviço delegado;
b. não transfere a titularidade, somente a execução ou uso;
c. feita através de contrato de adesão, no caso dos serviços
públicos, precedido de licitação, revogável unilateralmente e precário
(art. 175, CF/88);
d. se a permissão é de uso de bem público, será feita por ato
unilateral, precário;
e. tal contrato é sujeito às regras do direito público;
f. cabe à União fixar normas gerais de contratação, em todas as
modalidades (art. 22, XXVII, CF/88);
g. a execução do serviço pelo concessionário é por sua conta e risco, e
paga mediante tarifa, com natureza de preço público;
h. concedente fixa normas de prestação do serviço ou uso do bem
público, fiscaliza, impõe sanções e reajusta tarifas;
i. a responsabilidade civil objetiva (art. 37, § 6º, CF/88) se aplica ao
permissionário que causa prejuízos a terceiros, em decorrência da
prestação de serviço público;
j. em regra, é necessária lei autorizativa para a execução indireta de
serviços mediante permissão.
136. Entre as principais diferenças com a concessão, destacam-se a
necessidade de contrato bilateral para este, bem como licitação na
modalidade concorrência e maiores garantias ao contratado
137. A autorização é ato administrativo precário, discricionário, pelo
qual a Administração Pública investe o particular na execução e exploração
de serviço público, repassada via termo de autorização, não se exigindo
licitação. Tem lugar em situações de urgência e transitórias.

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CAPÍTULO VI
REGIME JURÍDICO DO SERVIDORES PÚBLICOS FEDERAIS

138. Regime jurídico é o conjunto de regras que disciplina determinado


instituto.
139. Essas normas podem ser estabelecidas por lei (regime legal ou
estatutário) ou por contrato (regime contratual).
140. O gênero agentes públicos abrange todas as pessoas que, de uma
forma ou de outra, mesmo que transitoriamente e sem remuneração,
prestam algum tipo de serviço ao Estado.
141. Entre os agentes, encontram-se três espécies principais, quais sejam,
os agentes políticos, os agentes em delegação e os servidores públicos.
142. Agentes políticos são os que compõem os altos escalões do Governo
(Presidente da República, Governador, Prefeito, Senador, Deputado,
Vereador e Magistrado).
143. Agentes em delegação são aqueles particulares que recebem do
Estado a competência para executar determinada atividade pública, ou
prestação de serviço público ou, ainda, construção de obra pública
(leiloeiros, peritos, tradutores, concessionários, permissionários e
autorizatários).
144. Servidores públicos (ou agentes administrativos), em sentido amplo,
são todos os que prestam serviços ao Estado, incluindo a Administração
Pública Indireta, tendo vínculo empregatício e pagos pelos cofres públicos.
Nessa classificação estão: servidores estatutários, sujeitos ao regime legal,
empregados públicos, do regime contratual, e os temporários, nos termos
do art. 37, IX, da CF/88.
145. Os servidores estatutários (ou funcionários públicos), são os titulares
de cargos públicos e estão sujeitos ao regime legal.
146. Empregados públicos são aqueles contratados, seguindo o regime
trabalhista, próprio da iniciativa privada.
147. Os temporários são aqueles contratados para atividades, obviamente,
temporárias, submetidos a um regime jurídico especial.
148. O conteúdo original do caput do art. 39 determinava que a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios deveriam instituir, no âmbito de
sua competência, regime jurídico único (RJU) e planos de carreira para os
servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações
públicas.
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149. Não se exigia, obrigatoriamente, o regime estatutário, mas sim um
mesmo regime para todos.
150. Com a EC nº 19/98, alterou-se o texto do artigo 39, deixando de ser
necessária a fixação de um único regime jurídico para todos os servidores,
passando a ser possível a convivência, numa mesma esfera de governo, de
múltiplos regimes jurídicos, cada qual estabelecendo regras de determinada
carreira, com peculiaridades próprias de cada caso.
151. O Estatuto não é imutável. Ao contrário, não cabe argüir violação ao
direito adquirido contra mudanças no regime jurídico. Para o STF, não
há direito adquirido que garanta imutabilidade do regime jurídico.
152. Pode a Administração alterar unilateralmente as regras.
153. Quando da mudança unilateral da lei, as situações já consolidadas
devem ser respeitadas.
154. Cargo é o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas
na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor. É
criado por lei, com denominação própria e vencimento pago pelos cofres
públicos, para provimento em caráter efetivo ou em comissão:
a. efetivo: se o preenchimento pressupõe continuidade e permanência
no cargo;
b. em comissão: também chamado de confiança, está atrelado à
confiança que determinada autoridade tem em seu auxiliar, e é
temporário.
155. Ao celetista cabe o emprego público, que também é um conjunto de
atribuições, mas que se diferencia exclusivamente pelo vínculo que une seus
titulares ao Estado.
156. Funcionário (estatutário) será titular de um cargo; empregado
(celetista), titular de um emprego.
157. Função: refere-se a uma atribuição específica, pelo Poder Público, a
um agente. Ou seja, é o acréscimo de algumas atribuições àquelas já
destinadas ao agente, em especial relativas à chefia, direção ou
assessoramento. É dita função de confiança.
158. Funções de confiança → servidores ocupantes de cargo efetivo.
159. Cargos em comissão (= cargo em confiança) → servidores de carreira
ou não.
160. A investidura em cargo público depende de aprovação prévia em
concurso público de provas ou de provas e títulos, ressalvadas as

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nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e
exoneração.
161. Aprovado em concurso público, dentro do número de vagas, o
candidato ainda não tem direito ao cargo. Porém, tem dois direitos
assegurados: o de ver respeitada a ordem de classificação e o de ser
chamado com prioridade sobre os demais aprovados em concurso
subseqüente, dentro do prazo de validade do primeiro.
162. A aprovação em concurso público gera mera expectativa de direito à
investidura no cargo pleiteado.
163. Exige-se a realização de concurso em atendimento ao princípio da
isonomia, ou igualdade, de forma que todos aqueles que atendam aos
requisitos estabelecidos tenham as mesmas condições para concorrer ao
cargo público. Não é um princípio absoluto. Características peculiares do
cargo podem justificar níveis de exigência ou particularidades específicas em
cada caso.
164. Provimento é o ato administrativo pelo qual se preenche o cargo vago.
165. Requisitos básicos para investidura em cargo público:
a. a nacionalidade brasileira;
b. o gozo dos direitos políticos;
c. a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
d. o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
e. a idade mínima de dezoito anos;
f. aptidão física e mental.
166. A relação dos requisitos é meramente exemplificativa, podendo a lei
exigir outros, de acordo com as atribuições do cargo.
167. Duas são as formas de provimento de cargo público: originário e
derivado. Aquele se refere a um vínculo inicial do servidor ao cargo, este
depende de vínculo anterior dele com a Administração Pública.
168. A única forma de provimento originário possível atualmente é a
nomeação.
169. O acesso, ou ascensão, que seria provimento sem concurso público,
representando a passagem de uma carreira para outra, foi julgado
inconstitucional pelo STF.
170. A transferência, que é a passagem de servidor de um cargo para
outro, pertencente a quadro de pessoal diverso, sem o indispensável
concurso público, foi também declarada inconstitucional.
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171. A nomeação, única possibilidade de provimento originário de cargo
público diante da atual Carta Política, é precedida necessariamente de
concurso público, exceto nos casos de cargos em comissão, preenchidos por
pessoas de confiança da autoridade competente e nas hipóteses de
promoção na mesma carreira.
172. A promoção é um movimento ascendente dentro da mesma carreira,
com acréscimo de vencimentos e de responsabilidades. Dá-se por
merecimento ou antiguidade.
173. Por readaptação entende-se a investidura do servidor em cargo de
atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha
sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica.
Em não havendo vaga, o readaptado entrará em exercício como excedente.
174. Reversão: o aposentado tem duas formas de retorno à ativa por
provimento derivado. A primeira é daquele aposentado por invalidez que
deixou de ser inválido, declarada essa situação por junta médica. Neste
caso, como é de interesse da Administração Pública, encontrando-se provido
o cargo, o servidor exercerá suas atribuições como excedente, até a
ocorrência de vaga. A segunda possibilidade de ocorrência de reversão
dá-se no interesse da Administração, desde que sejam atendidos, pelo
aposentado, os seguintes requisitos:
a. tenha solicitado a reversão;
b. a aposentadoria tenha sido voluntária;
c. estável quando na atividade;
d. a aposentadoria tenha ocorrido nos cinco anos anteriores à
solicitação;
e. haja cargo vago.
175. Aproveitamento é o retorno ao serviço público daquele que estava em
disponibilidade. Enquanto em disponibilidade, é remunerado
proporcionalmente ao tempo de serviço, e não tempo de contribuição,
como é o caso dos proventos de aposentadoria (art. 40, §§ 1º e 9º, CF/88). A
disponibilidade é exclusividade de servidor estável.
176. Quando um servidor é ilegalmente desligado de seu cargo, deverá ser
reintegrado, com o conseqüente ressarcimento de todos os prejuízos
sofridos.
177. Na hipótese de estar provido o cargo, aquele que foi nomeado para
esse cargo do reintegrado poderá seguir três caminhos distintos, desde que
seja estável (art. 41, § 2º, CF/88):
a. reconduzido ao cargo de origem, sem direito à indenização;
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b. aproveitado em outro cargo;
c. posto em disponibilidade, com remuneração proporcional ao tempo
de serviço.
178. Se não estável, o ocupante do cargo do reintegrado será exonerado.
179. Duas são as possibilidades de provimento derivado via recondução:
a. inabilitação em estágio probatório relativo a outro cargo;
b. reintegração do anterior ocupante.
180. Segundo a Súmula Administrativa AGU nº 16, de 19/06/2002, o
servidor poderá desistir do estágio probatório e pedir recondução ao cargo
anteriormente ocupado.
181. Promoção é, a um só tempo, vacância num cargo inferior e provimento
noutro cargo, superior, ambos dentro da mesma carreira, por motivos de
merecimento ou antiguidade.
182. Em resumo, temos os seguintes casos de provimento de forma
derivada:
a. Readaptação: de quem sofreu limitação física ou mental;
b. Reversão: do aposentado por invalidez, que deixou de ser inválido,
ou a pedido;
c. Reintegração: do injustamente demitido;
d. Recondução: do reprovado em estágio probatório em outro cargo ou
de quem ocupava o cargo do reintegrado;
e. Aproveitamento: daquele que está em disponibilidade;
f. Promoção: movimento ascendente dentro da mesma carreira.
183. Cargo de provimento efetivo é aquele assim definido em lei, que será
preenchido via concurso público e que garante ao nomeado estabilidade
após três anos de efetivo exercício.
184. Cargo de provimento vitalício também gera direito à estabilidade,
sendo duas as principais diferenças entre este e o cargo efetivo:
a. a Carta Magna estabeleceu os cargos que devem assim ser providos,
não cabendo à legislação infraconstitucional ampliar esse rol;
b. a perda do cargo só se dará por sentença judicial transitada em
julgado.
185. A vitaliciedade constitui uma exceção à regra da estabilidade, dando
mais garantias aos titulares dos cargos com essa prerrogativa, quais sejam,
membros da Magistratura (art. 95, I, CF/88), do Tribunal de Contas (art. 73, §
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3º, CF/88) e do Ministério Público (art. 128, 5º, ‘a’, CF/88). Outra
característica própria, no caso dos juízes (primeiro grau) é o tempo para
adquirir a vitaliciedade, que será de dois anos de exercício, sendo obrigatória
a participação em curso oficial ou reconhecido por escola nacional de
formação e aperfeiçoamento de magistrados para processo de
vitaliciamento. O mesmo ocorre com os membros do Ministério Público.
186. Os cargos em comissão são os de livre nomeação e exoneração, não
necessitam de concurso público e não oferecem qualquer garantia de
permanência ao seu titular, posto que transitórios.
187. Enquanto a nomeação é ato unilateral da Administração Pública, a
ser praticado segundo sua conveniência, mas dentro do prazo de validade do
concurso, a posse é ato bilateral entre o aprovado em concurso público e
Administração. A iniciativa é do nomeado, também de acordo com sua
conveniência, no prazo improrrogável de trinta dias.
188. A posse poderá ocorrer mediante procuração específica.
189. O prazo é de quinze dias para o servidor empossado em cargo
público entrar em exercício, contados da data da posse.
190. Estágio probatório é o período a que se submete todo o servidor
nomeado para cargo de provimento efetivo, durante o qual a sua aptidão e
capacidade serão objeto de avaliação para o desempenho do cargo.
191. O estágio probatório, no Poder Executivo Federal, é de 3 anos
(Parecer nº AGU/MC-01/2004).
192. Segundo a ESAF, o período de duração do estágio probatório dos
servidores públicos é igual ao tempo necessário para a aquisição da
estabilidade (3 anos).
193. Fatores a serem observados durante o estágio probatório:
a. assiduidade;
b. disciplina;
c. capacidade de iniciativa;
d. produtividade;
e. responsabilidade.
194. O estágio servirá para a confirmação das qualidades do servidor para o
desempenho das atividades próprias do cargo. Indispensável que, a cada
nova nomeação originária seja ele submetido a novo período probatório, haja
vista que a avaliação é para o cargo.

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195. A estabilidade é uma garantia de ordem constitucional deferida aos
ocupantes de cargos públicos de provimento efetivo, com o intuito de
assegurar sua permanência no cargo, enquanto atendidos os requisitos
legais.
196. São quatro as possibilidades de perda do cargo do servidor
estável:
a. em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
b. mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla
defesa;
c. mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho;
d. para o cumprimento dos limites com a despesa com pessoal ativo e
inativo.
197. Vacância é a situação do cargo público que está vago, ou seja, sem
titular, e pode decorrer de:
a. exoneração;
b. demissão;
c. promoção;
d. readaptação;
e. aposentadoria;
f. posse em outro cargo inacumulável;
g. falecimento;
h. recondução: o estatuto não a inclui no rol de vacâncias. Contudo, na
prática, quando de sua ocorrência, há provimento de um cargo e, ao
mesmo tempo, outro fica vago.
198. A um só tempo, são formas de provimento e vacância do cargo público:
a. segundo o Estatuto - promoção e readaptação;
b. segundo a doutrina - promoção, readaptação e recondução.
199. Demissão é sanção, penalidade disciplinar a ser aplicada nos casos
legalmente previstos.
200. Não se confunde com exoneração, que não é sanção. São muitos os
casos de exoneração, mas nunca decorrentes de alguma falta grave, como:
a. a pedido (art. 34, caput);
b. reprovação em estágio probatório (artigos 20, § 2º e 34, I);

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c. quando, tendo tomado posse, o servidor não entrar em exercício no
prazo estabelecido (art. 34, II);
d. desempenho insuficiente mediante procedimento de avaliação
periódica (art. 41, § 1º, III, CF/88);
e. excesso de despesas com pessoal ativo e inativo (art. 169, § 4º,
CF/88);
f. do ocupante do cargo do reintegrado, se não era estável (art. 41, §
2º, CF/88);
g. para o caso específico de cargo em comissão, há exoneração a juízo
da autoridade competente ou também a pedido do próprio servidor.
201. Promoção é, a um só tempo, vacância num cargo inferior e provimento
noutro cargo, superior, ambos dentro da mesma carreira, por motivos de
merecimento ou antiguidade.
202. Readaptação é a investidura do servidor em cargo de atribuições e
responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental, verificada em inspeção médica.
203. Aposentadoria se refere à passagem do servidor da atividade para a
inatividade, segundo as regras próprias.
204. Transferência é a passagem do servidor estável de cargo efetivo para
outro de igual denominação, pertencente a quadro de pessoal diverso, de
órgão ou instituição do mesmo Poder, e foi considerada inconstitucional,
visto que não exige concurso público para provimento.
205. Remoção é o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofício, no
âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Não é forma de
provimento ou vacância.
206. O servidor é dito removido quando é deslocado, dentro do mesmo
quadro de servidores, de um lugar para outro, que pode ser dentro da
mesma cidade, ou entre cidades distintas.
207. Redistribuição é o deslocamento de cargo de provimento efetivo,
ocupado ou vago, no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou
entidade do mesmo Poder, com prévia apreciação do órgão central do
Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal.
208. Substituição: os servidores investidos em cargo ou função de direção
ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Especial terão substitutos
indicados no regimento interno ou, no caso de omissão, previamente
designados pelo dirigente máximo do órgão ou entidade.
209. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício de cargo público,
com valor fixado em lei.
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210. O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de caráter
permanente, é irredutível. O vencimento mais essas vantagens também é
dito “vencimentos”.
211. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo, acrescido das
vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei. A remuneração é
variável, e pode ser reduzida a depender das parcelas que a compõem,
como o adicional noturno ou hora-extra.
212. Subsídio é modalidade de remuneração conferida a certos cargos e
fixada em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação,
adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie
remuneratória.
213. É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos de atribuições
iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos três
Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter individual e as relativas à
natureza ou ao local de trabalho.
214. Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa,
aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.
215. Teto remuneratório:
a. Municípios: o subsídio do Prefeito;
b. Estados e Distrito Federal:
I. no âmbito do Poder Executivo: o subsídio mensal do Governador;
II. no âmbito do Poder Legislativo: o subsídio dos Deputados
Estaduais e Distritais;
III. no âmbito do Poder Judiciário: o subsídio dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa
inteiros e vinte e cinco centésimos por cento (90,25%) do
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal
Federal, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos
Procuradores e aos Defensores Públicos;
c. União: o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo
Tribunal Federal. Este limite, além de vincular a União, é também geral,
valendo para todos os entes, que também têm limites individuais.
216. Considerações importantes sobre o teto das remunerações e
subsídios:
a. engloba tanto os que recebem remuneração quanto os que recebem
subsídio; tanto os estatutários quanto os celetistas;

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b. inclui servidores da Administração Direta, autárquica, fundacional (art.
37, XI, CF/88), bem como as empresas públicas e as sociedades de
economia mista, e suas subsidiárias, que receberem recursos da
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral (art. 37,
§ 9º, CF/88). No que se refere às empresas públicas e às sociedades de
economia mista, e suas subsidiárias, a regra é própria. Assim, só se
sujeitam ao limite imposto se receberem recursos estatais para
pagamento de despesas de pessoal ou de custeio em geral;
c. o limite relativo ao subsídio do Ministro do STF vale para todos os
servidores dos três Poderes da União, Estados, Distrito Federal e
Municípios, bem como seus agentes políticos, sendo previstos limites
diferenciados para cada ente;
d. as aposentadorias e pensões também estão limitadas a esses tetos;
e. em caso de acumulação permitida, a soma das remunerações não
poderá ultrapassar os limites de cada ente. Em sessão administrativa, o
STF fixou, por unanimidade, o entendimento de que, no caso específico
da acumulação dos cargos de Ministro do Supremo Tribunal Federal e
Ministro do Tribunal Superior Eleitoral, determinada pelo artigo 119,
inciso I, letra ‘a’ da Constituição, não se aplica a cumulação das
remunerações para fins de incidência do limite estabelecido pelo
inciso XI do artigo 37, CF/88. Assim, receberão ambos os subsídios
cumulativamente.
217. Há garantia constitucional de revisão geral anual e na mesma data
para todos, sem distinção de índices, não alcançando, no entanto, as
empresas públicas, sociedades de economia mista e fundações públicas.
218. O servidor perderá a remuneração:
a. do dia em que faltar ao serviço, sem motivo justificado;
b. a parcela diária, proporcional aos atrasos, ausências justificadas e as
saídas antecipadas, salvo na hipótese de compensação de horário, até
o mês subseqüente ao da ocorrência, a ser estabelecida pela chefia
imediata.
219. Compete à justiça comum processar e julgar causas de interesse de
servidor público submetido ao regime jurídico único e relativas a vantagens
desse regime.
220. Hipóteses de indenização:
a. ajuda de custo;
b. diária;

34
c. transporte.
221. Ajuda de custo: destina-se a compensar as despesas de sua
instalação, inclusive com transporte do servidor e de sua família,
compreendendo passagem, bagagem e bens pessoais, quando o servidor,
no interesse do serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mudança
de domicílio em caráter permanente.
222. Diária: indenização a que faz jus o servidor deslocado da sede, em
caráter eventual ou transitório, para outro ponto do território nacional ou para
o exterior, por razões do serviço, para fazer face aos custos desse
afastamento, ou seja, passagens e diárias destinadas a cobrir as parcelas de
despesas extraordinárias com pousada, alimentação e locomoção urbana.
223. A indenização de transporte é devida ao servidor que realizar
despesas com a utilização de meio próprio de locomoção para a execução
de serviços externos, por força das atribuições próprias do cargo.
224. Retribuições, gratificações e adicionais:
a. retribuição pelo exercício de função de direção, chefia e
assessoramento;
b. gratificação natalina;
c. adicional pelo exercício de atividades insalubres, perigosas ou
penosas;
d. adicional pela prestação de serviço extraordinário;
e. adicional noturno;
f. adicional de férias;
g. outros, relativos ao local ou à natureza do trabalho.
225. A função se refere a uma atribuição específica, pelo Poder Público, a
um agente, sendo o acréscimo de algumas atribuições àquelas já destinadas
ao agente. Ao servidor ocupante de cargo efetivo investido em função de
direção, chefia ou assessoramento, cargo de provimento em comissão ou de
Natureza Especial é devida retribuição pelo seu exercício.
226. Importante destacar as diferenças conceituais entre as retribuições por
função e por cargo em comissão. Na primeira situação, exige-se que seu
titular seja servidor público efetivo, recebendo, em conseqüência, acréscimo
à sua remuneração ordinária. No segundo caso, a retribuição não é parte da
remuneração, pois não se exige que seja servidor. Assim, o titular de um
cargo em comissão recebe o valor correspondente a esse cargo, e é essa a
retribuição prevista. Todo o valor recebido por este refere-se ao cargo em
comissão. No caso da função de confiança, parte do valor recebido por seu
titular é devido em face dela e parte em face de seu cargo efetivo.
35
227. Insalubre: trabalho que provoca riscos à saúde.
228. Perigoso: aquele que causa risco à vida.
229. Penoso: o relativo ao local de trabalho, com condições impróprias para
o desempenho das funções.
230. Serviço extraordinário: é aquele realizado após o horário normal de
trabalho ou antes dele começar. Será permitido apenas para atender a
situações excepcionais e temporárias, respeitado o limite máximo de 2
(duas) horas por jornada e será remunerado com acréscimo de 50%
(cinqüenta por cento) em relação à hora normal de trabalho.
231. Horário noturno: serviço prestado em horário compreendido entre 22
(vinte e duas) horas de um dia e 5 (cinco) horas do dia seguinte,
computando-se cada hora como cinqüenta e dois minutos e trinta segundos.
Assim, durante esse período, a carga de trabalho efetiva é de 7 (sete) horas,
mas considerada como se fosse de 8 (oito) horas. O valor-hora será
acrescido de 25% (vinte e cinco por cento).
232. Licenças que poderão ser concedidas ao servidor:
a. por motivo de doença em pessoa da família;
b. por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro;
c. para o serviço militar;
d. para atividade política;
e. para capacitação;
f. para tratar de interesses particulares;
g. para desempenho de mandato classista.
233. Considera-se pessoa da família:
a. o cônjuge ou companheiro;
b. os pais;
c. os filhos;
d. o padrasto ou madrasta;
e. o enteado;
f. o dependente que viva às expensas do servidor e conste do seu
assentamento funcional.
234. Possibilidades de afastamento:
a. para servir a outro órgão ou entidade;

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b. para exercício de mandato eletivo;
c. para estudo ou missão no exterior.
235. A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de
iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.
236. Os benefícios do Plano de Seguridade Social do servidor
compreendem:
a. quanto ao servidor:
I. aposentadoria;
II. auxílio-natalidade;
III. salário-família;
IV. licença para tratamento de saúde;
V. licença à gestante, à adotante e licença-paternidade;
VI. licença por acidente em serviço;
VII. assistência à saúde;
VIII. garantia de condições individuais e ambientais de trabalho
satisfatórias;
b. quanto ao dependente:
I. pensão vitalícia e temporária;
II. auxílio-funeral;
III. auxílio-reclusão;
IV. assistência à saúde.
237. O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) dos servidores
públicos segue os dispositivos do art. 40 da CF/88, com a redação
inicialmente alterada pela EC nº 20/98 e atualmente dada pela EC nº
41/2003.
238. A norma atual acabou com a aposentadoria com proventos
integrais para aqueles que ingressaram a partir da publicação da EC nº
41/2003 (31/12/2003) e instituiu contribuição previdenciária aos
aposentados e pensionistas que percebam valores superiores a
determinado patamar.
239. O regime de previdência é de caráter contributivo e também solidário.
240. Os servidores abrangidos por esse regime de previdência terão
calculados os seus proventos a partir da média dos valores de sua
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remuneração num determinado período, a ser fixado por lei. Assim, acaba a
aposentadoria com proventos integrais.
241. A garantia de paridade entre ativos e aposentados foi suprimida.
242. Cada um dos entes pode instituir regime de previdência
complementar para os seus respectivos servidores titulares de cargo
efetivo, podendo fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a serem
concedidas por esse regime próprio, o limite máximo estabelecido para os
benefícios do regime geral de previdência social.
243. Modalidades para a aposentadoria:
a. por invalidez permanente;
b. compulsória: será aos setenta anos de idade, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição;
c. voluntária: desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de
efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo efetivo
em que se dará a aposentadoria, observadas as seguintes condições:
I. sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição, se
homem, e cinqüenta e cinco anos de idade e trinta de contribuição,
se mulher. Os proventos serão calculados sobre a média atualizada
das contribuições, na forma que a lei estabelecer;
II. sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta
anos de idade, se mulher, com proventos
proporcionais ao tempo de contribuição.
244. Abono de permanência: instituído para beneficiar e incentivar aqueles
que, tendo cumprido todos os requisitos para a aposentadoria, permanecem
laborando. Receberão a mais o equivalente ao valor da sua contribuição
previdenciária, até completar as exigências para aposentadoria compulsória.
245. Pensões: podem ser vitalícias ou temporárias (até a maioridade ou, no
caso dos inválidos, enquanto permanecer a invalidez).
246. A garantia de paridade de reajustes entre as pensões e a remuneração
dos servidores foi suprimida pela EC nº 41/2003.

38
CAPÍTULO VII
RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO

247. Responsabilidade civil do Estado é a obrigação que este tem de


reparar os danos causados a terceiros em face de comportamento imputável
aos seus agentes. Independe se houve ação ou omissão, se foi legal ou
ilegal, material ou jurídica: basta a ocorrência de um ônus maior que o
normal para aquela situação.
248. Responsabilidade civil refere-se à esfera econômica, indenização
financeira, em face de um prejuízo causado a outrem. Não se confunde com
as esferas penal e administrativa.
249. Fases:
a. irresponsabilidade do Estado;
b. responsabilidade subjetiva do Estado;
c. responsabilidade objetiva do Estado;
d. risco integral.
250. Responsabilidade subjetiva, ou teoria da culpa civil: o Estado se
equiparava ao indivíduo, obrigando a ambos da mesma forma, é dizer,
sempre que houvesse culpa, haveria o dever de indenizar.
251. Responsabilidade objetiva, ou teoria do risco administrativo: em
havendo um dano provocado pela Administração, ele deve ser reparado,
independente de dolo ou culpa desta.
252. Há o inversão do ônus da prova: ao prejudicado, basta a prova do
dano e do nexo causal deste com a conduta do agente público; a
Administração Pública terá que provar a culpa do particular, situação em
que se livrará da responsabilidade pelos danos, ou a culpa concorrente,
quando terá minimizada sua responsabilidade.
253. Exceções à responsabilidade objetiva do Estado: culpa exclusiva
do prejudicado, culpa de terceiro e força maior.
254. Exceção dentro da exceção: se há força maior, afasta-se a
responsabilidade. No entanto, se esse evento se une à omissão estatal para
provocar o dano, há o dever de indenizar.
255. Responsabilidade por atos legislativos e jurisdicionais: em ambos
os casos, a regra é a irresponsabilidade estatal por esses atos. No entanto,
entende-se como possível a responsabilização do Estado no caso de
edição de leis inconstitucionais ou leis de efeitos concretos. No que
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pertine aos atos jurisdicionais, a própria Carta Maior prevê a
responsabilização estatal, mas apenas na esfera penal (art. 5º, LXXV).
256. Teoria do risco integral: a Administração Pública sempre responderia
pelos danos causados aos particulares, sem qualquer exceção.
257. No Brasil, há duas teorias previstas no art. 37, § 6º, CF/88:
a. teoria da responsabilidade objetiva do Estado;
b. teoria da responsabilidade subjetiva do agente.
258. Outras regras importantes:
a. atinge tanto as pessoas jurídicas de direito público quanto de direito
privado, desde que prestadoras de serviços públicos, como empresas
públicas, permissionárias ou concessionárias. Se desempenham
atividade econômica de natureza privada, ficarão sujeitas à
responsabilidade própria do direito privado;
b. necessidade de nexo causal entre a ação pública e o dano ao
particular;
c. que o agente aja na condição de agente público, independente de
sua ação ser legal, legítima, dentro de suas competências ou finalidades
públicas. Havendo atuação na qualidade de agente público, haverá
dever de indenizar eventuais danos.
d. a expressão “agente” inclui toda sorte de colaboradores, sejam eles
servidores efetivos ou contratados, em comissão, políticos, particulares,
desde que prestando serviços públicos.
e. a responsabilidade objetiva alcança os atos praticados, não a
omissão Estatal. A responsabilidade objetiva, baseada norisco
administrativo, tem lugar perante a ação estatal, enquanto que a
omissão, como visto acima, é parte da responsabilidade subjetiva,
havendo necessidade de comprovação de que o Estado deveria ter
agido e foi omisso.
259. Reconhecido o dano pelo Poder Público, e havendo acordo entre as
partes, pode haver indenização diretamente pela via administrativa.
260. Não havendo acordo entre as partes, o particular pode interpor ação
de reparação de danos, junto ao Judiciário, contra a pessoa jurídica
causadora do dano.
261. Ação de indenização. Resumo os caminhos possíveis:
a. acordo administrativo;
b. ação judicial:

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I. contra a Administração Pública, somente;
II. contra a Administração Pública
em litisconsórcio passivo facultativo com o agente;
III. contra o agente, somente.
262. O direito de requerer a indenização prescreve em cinco anos, e
aplica-se tanto à Administração Pública quanto às pessoas privadas
prestadoras de serviços públicos.
263. Quando há participação dolosa ou culposa do agente na ocorrência do
dano, este deverá responder perante a Administração Pública.
264. Cabe ao Estado cobrar de seu agente o prejuízo que teve com a
indenização, sempre que provado que houve dolo ou culpa: é a chamada
responsabilidade subjetiva do agente. Essa responsabilização é efetivada
através da ação de regresso, ou ação regressiva.
265. Em ação regressiva, o Estado indeniza o terceiro e o servidor indeniza
o Estado.
266. Requisitos fundamentais para o exercício do direito de regresso:
a. que haja dano ao particular indenizado pela Administração Pública
com base em sua responsabilidade objetiva;
b. que o agente tenha agido com dolo ou culpa no surgimento desse
dano.
267. Pode haver punição administrativa, civil e penal, advindas de um
mesmo ato.
268. O agente poderá escapar da responsabilidade quando, na esfera
penal, for absolvido por um dos seguintes motivos: negativa de autoria ou
negativa da existência do fato.

41
CAPÍTULO VIII
CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

269. Controle é o poder/dever de fiscalização, controle, acompanhamento,


revisão, correção da atuação administrativa, feita por si mesma ou por outro
Poder com legitimidade para tal, com vistas à sua confirmação ou
desfazimento.
270. O controle da Administração Pública está embasado no princípio da
legalidade.
271. Classificação:
272. Quanto à origem do controle:
a. interno;
b. externo;
c. popular.
273. Quanto ao momento em que se realiza:
a. prévio;
b. concomitante;
c. posterior.
274. Com relação ao órgão que o exerce:
a. administrativo;
b. legislativo, ou parlamentar;
c. judiciário.
275. Chama-se controle interno o exercido no âmbito interno do mesmo
Poder, por órgãos presentes em sua estrutura. Dá-se sobre a legalidade,
eficiência e mérito dos seus atos.
276. Diz-se controle externo o exercido de um Poder sobre outro,
relativamente a atos administrativos. Para a Professora Maria Sylvia Z. Di
Pietro, também é externo “o controle da Administração Direta sobre a
Indireta”.
277. Além do controle efetivado pelos Poderes da República, cabe também
o controle popular, posto que a finalidade de todo ato administrativo é o
atendimento às necessidades públicas. Então, defere-se à coletividade a
possibilidade de fiscalizar a Administração Pública.

42
278. Se é efetivado antes do início ou da conclusão do ato, chama-se
preventivo, prévio, ou “a priori”.
279. O controle durante a realização do ato é o denominado
concomitante, como o realizado durante a execução do orçamento ou das
fases de uma licitação, ou do cumprimento de um contrato de gestão.
280. O chamado controle posterior, subseqüente ou corretivo, tem lugar
após a finalização do ato. Seu objetivo é desfazê-lo, se ilegal, inconveniente
ou inoportuno, corrigi-lo ou, ainda, confirmá-lo.
281. Cada um dos Poderes, no exercício de suas atribuições
administrativas, exerce sobre seus próprios atos o chamado controle
administrativo, com relação a aspectos de legalidade e de mérito, de
forma provocada ou por iniciativa própria (“ex officio”).
282. No âmbito da Administração Pública Direta, tal controle é baseado no
poder de autotutela, que possibilita a anulação dos atos ilegais, e a
revogação dos inoportunos e inconvenientes, por iniciativa própria.
283. A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou
revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os
direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
284. O controle sobre a Administração Indireta é fruto do poder de tutela,
exercido nos limites da lei, respeitada a autonomia de cada entidade.
285. Controle administrativo – espécies:
a. hierárquico próprio: realizado pelos órgãos superiores, sobre os
inferiores, ou dos chefes sobre os subordinados.
b. hierárquico impróprio: realizado entre órgãos onde não há
hierarquia direta, mas sim competências diversas atribuídas a cada um
deles, de forma que a um compete julgar recursos relativos a atos
realizados por outro.
c. finalístico: é a chamada supervisão ministerial, baseada na
vinculação entre a Administração Pública Direta e a Indireta (autarquias,
fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia
mista). Não há subordinação, mas sim controle finalístico, dentro dos
limites legais, como já citado, em face da autonomia que essas pessoas
jurídicas têm.
286. Chama-se controle parlamentar, ou legislativo, aquele realizado pelo
Poder Legislativo sobre alguns atos da Administração Pública, com
observância obrigatória das previsões constitucionais, em face da separação
dos Poderes, não cabendo à legislação ordinária a ampliação dessas
situações. Exercido sob os aspectos político e financeiro.
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287. Meios de controle legislativo:
a. Comissão Parlamentar de Inquérito: tem por objetivo apurar fato
certo ocorrido no âmbito administrativo, com poderes de investigação
próprios das autoridades judiciais, além de outros previstos nos
regimentos das respectivas Casas. A CPI não tem poder sancionatório,
mas apenas investigatório, e seus atos são suscetíveis de revisão
judicial. Pode a CPI, mediante decisão fundamentada:
I. convocar testemunhas e investigados para depor;
II. quebrar o sigilo bancário, fiscal e telefônico de pessoa –
física ou jurídica – sob a sua investigação;
III. requisitar informações e documentos de repartições públicas.
É defeso à CPI:
I. editar leis;
II. decretar: busca e apreensão domiciliar de documentos,
interceptação telefônica (escuta), proibição de o investigado se
ausentar do país, proibição de o investigado se comunicar com o
seu advogado durante a sua inquirição, seqüestro ou
indisponibilidade de bens, prisão, exceto em flagrante delito;
III. exigir de testemunha que responda a pergunta que não
tenha pertinência com o objeto da CPI ou que envolva assunto
protegido pelo sigilo profissional;
IV. convocar magistrados para
manifestação acerca de sua
atividade juridicional.
b. convocação de autoridades e pedido de informação: a Câmara
dos Deputados e o Senado Federal, ou qualquer de suas Comissões,
poderão convocar Ministro de Estado ou quaisquer titulares de órgãos
diretamente subordinados à Presidência da República para prestarem,
pessoalmente, informações sobre assunto previamente determinado.
c. participação na função administrativa: apesar de essa atividade
ser típica do Executivo, por vezes a Constituição cita a necessidade de
aprovação ou autorização pelo Legislativo, de atos praticados por
aquele Poder.
d. função jurisdicional: em casos específicos, foi prevista a
competência do Poder Legislativo para fazer alguns julgamentos, como
é o caso das contas presidenciais pelo Congresso Nacional; do
Presidente e do Vice-Presidente da República, dos Ministros do
Supremo Tribunal Federal, dos membros do Conselho Nacional de
Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, do Procurador-
44
Geral da República e do Advogado-Geral da União nos crimes de
responsabilidade.
e. fiscalização contábil, financeira e orçamentária: ao Congresso
Nacional, com o auxílio do Tribunal de Contas da União, cabe exercer a
fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial
da União e das entidades da administração direta e indireta. O controle
é de legalidade, legitimidade, economicidade e quanto à aplicação
das subvenções e renúncia de receitas.
f. sustação de atos normativos: cabe aos chefes do Poder Executivo
federal, municipal e estadual a edição de normas gerais e abstratas que,
em complemento da lei, a explicam, dando sua correta aplicabilidade. O
ato emitido com base no Poder Regulamentar visa garantir a fiel
execução da lei, não podendo ser contra tal lei, tampouco cuidar de
assunto não tratado por ela. Em sendo ultrapassados os limites legais,
cabe sustação desse ato normativo pelo Poder Legislativo. Relembre-se
que, sobre determinadas matérias, a CF/88, após a EC nº 32/2001,
possibilitou a expedição de Decretos autônomos, não submetidos a
essas limitações legais.
288. O controle judicial é aquele exercido pelo Judiciário sobre atos
administrativos emanados de qualquer dos Poderes, inclusive dele mesmo,
quando no exercício de suas atividades administrativas, verificando a
legalidade dos mesmos, de forma a preservar os direitos das pessoas.
289. Quando a Administração Pública faz parte de uma ação judicial, tem
uma série de privilégios próprios, advindos do regime jurídico
administrativo. Citem-se alguns deles:
a. juízo privativo: a Administração Pública Federal tem um foro próprio,
especializado nas causas em que seja autora, ré, assistente ou
oponente. Inclui União, entidade autárquica ou empresa pública federal,
mas exclui as sociedades de economia mista e fundações públicas de
direito privado. Exclui também as ações relativas à falência, acidentes
de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho.
b. prazos ampliados: “computar-se-á em quádruplo o prazo para
contestar e em dobro para recorrer quando a parte for a Fazenda
Pública ou o Ministério Público”. As autarquias e as fundações públicas
receberam idêntico tratamento.
c. duplo grau de jurisdição obrigatório: a sentença está sujeita ao
duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de
confirmada pelo tribunal, quando proferida contra a União, o Estado, o
Distrito Federal, o Município, e as respectivas autarquias e fundações de
direito público ou julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos
à execução de dívida ativa da Fazenda Pública. Por outro lado, “não
45
estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição obrigatório as sentenças
proferidas contra a União, suas autarquias e fundações públicas,
quando, a respeito da controvérsia, o Advogado-Geral da União ou outro
órgão administrativo competente houver editado súmula ou instrução
normativa determinando a não-interposição de recurso voluntário”.
d. processo de execução próprio: com exceção dos créditos de
natureza alimentícia e daqueles definidos como de pequeno valor, os
pagamentos devidos pela Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, em
virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem
cronológica de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos
respectivos.
e. restrições à concessão de liminar, à tutela antecipada e à
execução provisória: em alguns casos específicos previstos na
legislação, não é possível ao juiz conceder liminar ou antecipação de
tutela contrária à Administração Pública.
290. Os meios de controle judicial são conhecidos como “remédios
constitucionais”.
291. O “Habeas Corpus” tem por escopo proteger a liberdade individual de
locomoção (direito de ir, vir, ficar, permanecer).
292. Espécies de HC:
a. preventivo: também dito salvo conduto, utilizado quando alguém
estiver sendo ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade
de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
b. liberatório: ou repressivo, ajuizado quando já tiver sofrido violência
ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de
poder, de forma a fazer cessar essa limitação irregular à liberdade de
locomoção.
293. O “Habeas Data” é ação constitucional gratuita, destinada a assegurar
o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes
de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter
público, retificação de dados e, nos termos do art. 7º, III, da Lei nº 9.507/97,
anotação nos assentamentos do interessado, de contestação ou explicação
sobre dado verdadeiro, mas justificável, e que esteja sob pendência judicial
ou amigável.
294. Não cabe o “habeas data” se não houve recusa de informações por
parte da autoridade administrativa (CF, art. 5º, LXXII, letra ‘a’).
295. O Mandado de Segurança visa à proteção de direito líquido e certo
em face de ilegalidade ou abuso de poder, quando o responsável é

46
autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições
do Poder Público.
296. Direito líquido e certo é aquele verificável de plano, com
documentação inequívoca, apresentada logo na impetração da ação, ou
seja, as provas devem ser pré-constituídas. Deve ser manifesto na sua
existência, delimitado na sua extensão e exercitável quando do ajuizamento.
297. Ilegalidade e abuso de poder designam, respectivamente, a violação
da norma jurídica no ato vinculado e o transbordamento dos limites da
discricionariedade, nos atos que admitem certa liberdade da autoridade
quanto ao exame de sua conveniência e/ou oportunidade (mérito
administrativo).
298. Autoridade é a pessoa que praticou o ato ou o ordenou. Podem ser
‘autoridade’, para o fim de ser parte passiva, não só aqueles que exerçam
funções nos entes federados (União, Estados, Municípios, Distrito Federal),
mas também os administradores ou representantes de autarquias,
paraestatais e pessoas naturais ou jurídicas com funções delegadas, nos
termos do texto constitucional.
299. São espécies de MS:
a. preventivo: utilizado quando houver ameaça ao direito líquido e
certo do impetrante, por ato ainda não praticado, como, por exemplo,
para impedir que autoridade tributária venha a exigir tributo indevido;
b. repressivo: ajuizado quando se faça necessário reverter ato ilegal ou
com abuso de poder, já cometido.
300. O prazo para interposição do Mandado de Segurança é decadencial
de 120 (cento e vinte) dias, contados do dia em que o interessado tem
conhecimento do ato violador de seu direito líquido e certo.
301. É possível a concessão de liminar em Mandado de Segurança, a
pedido, suspendendo o ato que deu motivo à impetração, quando for
relevante o fundamento e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da
medida, caso seja deferida. Dois são os requisitos:
a. “fummus boni iuris” (fumaça do bom direito): indícios de direito, é
dizer, relevância do fundamento e plausibilidade do pedido;
b. “periculum in mora” (perigo na demora): possibilidade de a lesão
tornar-se irreversível ou ineficácia da medida em face da demora.
302. Não cabe Mandado de Segurança, entre outros:
a. lei em tese;
b. decisão judicial transitada em julgado;

47
c. atos legislativos interna corporis;
d. atos jurisdicionais do STF;
e. extensão de vantagens pecuniárias concedidas a uma categoria para
outra;
f. ato de que caiba recurso administrativo com efeito suspensivo;
g. ato judicial passível de recurso, desde que com efeito suspensivo;
h. ato disciplinar, exceto se praticado por autoridade incompetente ou
com inobservância de formalidade essencial.
303. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por:
a. partido político com representação no Congresso Nacional;
b. organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente
constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos
interesses de seus membros ou associados.
304. O Mandado de Injunção surgiu para impedir que a falta de norma
regulamentadora tornasse inviável o exercício dos direitos e liberdades
constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e
à cidadania, sendo possível a concessão de liminar.
305. A Ação Popular, que segue o rito ordinário, pode ser impetrada por
qualquer cidadão para anular ato lesivo ao patrimônio público ou entidade de
que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente ou ao
patrimônio histórico e cultural.
306. Requisitos da Ação Popular:
a. interposta por cidadão: é aquele titular de direitos políticos, inclusive
o maior de 16 anos, que pode votar, e o português equiparado, que
também goze de seus direitos políticos. Justifica-se essa limitação
através do princípio da simetria, uma vez que só o cidadão pode eleger
seus representantes, só ele pode fiscalizar seus atos por meio desse
tipo de ação;
b. existência de ato ilegal ou ilegítimo, independente de haver prejuízo
financeiro. A ilegalidade do comportamento, por si só, causa o dano.
Dispensável a existência de lesão. É possível a concessão de medida
liminar a fim de suspender o ato impugnado.

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CAPÍTULO IX
LICITAÇÕES

307. Licitação é um procedimento administrativo que objetiva a seleção da


melhor proposta entre aquelas apresentadas, seguindo as regras objetivas
do certame, respeitada a isonomia entre os participantes.
308. Todos os entes da federação foram abarcados pelas “normas gerais”
fixadas pela Lei nº 8.666/1.993.
309. A licitação destina-se a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa
para a Administração.
310. Princípios:
a. legalidade;
b. impessoalidade;
c. moralidade;
d. igualdade;
e. publicidade;
f. probidade administrativa;
g. vinculação ao instrumento convocatório;
h. julgamento objetivo.
311. Outros princípios doutrinários:
a. padronização;
b. competitividade;
c. adjudicação obrigatória ao vencedor;
d. fiscalização da licitação.
312. É obrigatória a licitação para os contratos de obras, serviços,
compras e alienações, além de concessão e permissão de serviços públicos.
313. Em resumo, temos o seguinte:
a. como regra, é obrigatória a licitação;
b. por exceção pode haver inexigibilidade e dispensa. Esta é dividida
em: dispensável e dispensada. Os atos administrativos deverão ser

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motivados sempre que se dispense ou declare a inexigibilidade de
processo licitatório:
I. inexigível: é a licitação quando não é possível a competição.
A Lei enumera alguns exemplos, deixando tal rol em aberto (art. 25:
fornecedor único, serviços técnicos profissionais, exceto nos casos
de serviços de publicidade e divulgação, contratação de artistas
consagrados). Três são os requisitos: serviço elencado no art. 13
(estudos, projetos, pareceres, perícias, avaliações, assessorias,
consultorias, auditorias, fiscalização, supervisão ou gerenciamento
de obras ou serviços, patrocínio ou defesa de causas judiciais ou
administrativas, treinamento, restauração de obras de arte ...), ter
natureza singular e ser realizado por profissional ou empresa de
notória especialização;
II. dispensa: há possibilidade de licitação, mas a Lei
libera a Administração desse dever. O rol é taxativo,
exaustivo, não podendo ser ampliado pela Administração;
III. dispensável: a Lei autoriza a dispensa, ficando a
critério do responsável (art. 24: pequeno valor,
situações emergenciais, intervenção da União no domínio
econômico, gêneros perecíveis
...);
IV. dispensada: a Lei diretamente a dispensa, não cabendo
outro caminho (art. 17). art. 17, “numerus clausus”, e se referem a
bens, móveis e imóveis.
314. Modalidades de licitação:
a. concorrência;
b. tomada de preços;
c. convite;
d. concurso;
e. leilão;
f. pregão;
g. consulta.
315. Tipos de licitação (regra geral):
a. menor preço;
b. melhor técnica;
c. técnica e preço;

50
d. maior lance ou oferta.

51
316. Limites tendo em vista o valor estimado da contratação:
a. obras e serviços de engenharia:
I. convite - até R$ 150.000,00;
II. tomada de preços - até R$ 1.500.000,00;
III. concorrência - acima de R$ 1.500.000,00.
b. compras e serviços não referidos no item anterior:
I. convite - até R$ 80.000,00;
II. tomada de preços - até R$ 650.000,00;
III. concorrência - acima de R$ 650.000,00
317. Onde cabe convite, pode-se usar a tomada de preços ou a
concorrência; onde cabe a tomada de preços, pode-se usar a concorrência.
318. Concorrência é a modalidade de licitação entre quaisquer
interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem
possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para
execução de seu objeto; é a modalidade mais solene.
319. Características:
a. destina-se a contratos de grande vulto, registro de preços, alienações
imobiliárias, concessões de uso, de serviço e obra pública;
b. ampla publicidade;
c. participação de qualquer interessado;
d. habilitação no início do procedimento.
320. Tomada de preços é a modalidade de licitação entre interessados
devidamente cadastrados ou que atenderem a todas as condições exigidas
para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, observada a necessária qualificação.
321. Características:
a. destina-se a contratos de vulto médio;
b. participação exclusiva de interessados previamente cadastrados ou
habilitados até o terceiro dia anterior à data do recebimento das
propostas, preenchidas todas as condições exigidas para
cadastramento;
c. ampla publicidade;
d. qualificação prévia dos interessados.

51
322. Convite é a modalidade de licitação entre interessados do ramo
pertinente ao seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados em
número mínimo de 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em
local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o estenderá aos
demais cadastrados na correspondente especialidade que manifestarem seu
interesse com antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação
das propostas. É a modalidade mais simples, criada para fazer face aos
contratos de menor valor, podendo ser substituída pela tomada de preço
ou pela concorrência, se assim desejar a autoridade competente (art. 23, §
4º).
323. Características:
a. destina-se a contratos de pequeno valor;
b. presença de três licitantes, no mínimo, escolhidos pela
Administração;
c. possível a participação de qualquer interessado cadastrado na
correspondente especialidade, desde que manifeste seu interesse com
antecedência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação das
propostas;
d. a habilitação é presumida;
e. dispensada publicidade em diário oficial.
324. Concurso é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados
para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a
instituição de prêmios ou remuneração aos vencedores, conforme critérios
constantes de edital publicado na imprensa oficial com antecedência mínima
de 45 (quarenta e cinco) dias.
325. Características:
a. destina-se à escolha de trabalho técnico, científico ou artístico;
b. participação de qualquer interessado;
c. outorga de prêmios ou remuneração aos vencedores;
d. ampla publicidade;
e. exige regulamento próprio e comissão de julgamento especial.
326. Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a
venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos
legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens
imóveis da Administração Pública, cuja aquisição haja derivado de
procedimentos judiciais ou de dação em pagamento, a quem oferecer o
maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação.
52
327. Características:
a. destina-se à venda de bens móveis inservíveis, produtos legalmente
apreendidos ou penhorados, alienação de bens imóveis cuja aquisição
haja derivado de procedimentos judiciais ou de dação em pagamento;
b. participação de qualquer interessado;
c. ampla publicidade;
d. em regra, dispensada a habilitação.
328. Pregão é a modalidade de licitação em que a disputa pelo
fornecimento de bens ou serviços comuns é feita em sessão pública, por
meio de propostas de preços escritas e lances verbais.
329. Características:
a. para aquisição de bens e execução de serviços comuns;
b. critério de menor preço;
c. inversão da ordem de abertura dos envelopes: primeiro das ofertas,
depois da habilitação;
d. existência de propostas escritas e lances verbais.
330. Consulta:
a. modalidade criada para atender às peculiaridades das Agências
Reguladoras;
b. objeto: fornecimento de bens e serviços não compreendidos entre os
casos de pregão previsto na Lei.
331. Quanto às exigências gerais nas licitações, são vedadas:
a. garantia de proposta;
b. aquisição do edital pelos licitantes, como condição para participação
no certame;
c. pagamento de taxas e emolumentos, salvo os referentes a
fornecimento do edital, que não serão superiores ao custo de sua
reprodução gráfica, e aos custos de utilização de recursos de tecnologia
da informação, quando for o caso.
332. Procedimento é a seqüência de atos preparatórios para atingir um
objetivo final, um ato administrativo. A licitação consiste num procedimento
composto de uma série de atos e fatos, tanto da Administração quanto do
licitante.
333. Comissão permanente ou especial: composta de, no mínimo, 3
(três) membros, sendo pelo menos 2 (dois) deles servidores qualificados
53
pertencentes aos quadros permanentes dos órgãos da Administração
responsáveis pela licitação. A habilitação preliminar, a inscrição em registro
cadastral, a sua alteração ou cancelamento, e as propostas serão
processadas e julgadas por ela.
334. No caso de convite, a Comissão de licitação, excepcionalmente, nas
pequenas unidades administrativas e em face da exigüidade de pessoal
disponível, poderá ser substituída por servidor formalmente designado pela
autoridade competente.
335. No caso de concurso, o julgamento será feito por uma comissão
especial integrada por pessoas de reputação ilibada e reconhecido
conhecimento da matéria em exame, servidores públicos ou não.
336. No caso do pregão, a autoridade competente designará, dentre os
servidores do órgão ou entidade promotora da licitação, o pregoeiro e
respectiva equipe de apoio, cuja atribuição inclui, dentre outras, o
recebimento das propostas e lances, a análise de sua aceitabilidade e sua
classificação, bem como a habilitação e a adjudicação do objeto do certame
ao licitante vencedor. Somente pode assumir essa função de pregoeiro o
servidor que tenha realizado capacitação específica para tal atribuição.
337. Os membros das Comissões de licitação respondem solidariamente
por todos os atos praticados pela Comissão, salvo se posição individual
divergente estiver devidamente fundamentada e registrada em ata lavrada na
reunião em que tiver sido tomada a decisão.
338. O procedimento da licitação será iniciado com a abertura de
processo administrativo, devidamente autuado, protocolado e numerado,
contendo a autorização respectiva, a indicação sucinta de seu objeto e do
recurso próprio para a despesa.
339. Seqüência normal dos procedimentos (relembre-se que algumas
modalidades têm procedimentos próprios, como é o caso do pregão):
a. abertura dos envelopes contendo a documentação relativa à
habilitação dos concorrentes, e sua apreciação;
b. devolução dos envelopes fechados aos concorrentes inabilitados,
contendo as respectivas propostas, desde que não tenha havido recurso
ou após sua denegação;
c. abertura dos envelopes contendo as propostas dos concorrentes
habilitados, desde que transcorrido o prazo sem interposição de recurso,
ou tenha havido desistência expressa, ou após o julgamento dos
recursos interpostos;
d. verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos
do edital e, conforme o caso, com os preços correntes no mercado ou
54
fixados por órgão oficial competente, ou ainda com os constantes do
sistema de registro de preços, os quais deverão ser devidamente
registrados na ata de julgamento, promovendo-se a desclassificação das
propostas desconformes ou incompatíveis;
e. julgamento e classificação das propostas de acordo com os
critérios de avaliação constantes do edital;
f. deliberação da autoridade competente quanto à homologação e
adjudicação do objeto da licitação.
340. Procedimentos na concorrência (fases):
a. edital: através dele há divulgação da abertura da concorrência, com
a fixação dos requisitos, objeto e condições do contrato. Deve ser
dada a devida publicidade ao mesmo, com antecedência de quarenta e
cinco ou trinta dias, a depender do caso. Poderá ser impugnado.
b. habilitação: documentação relativa a habilitação jurídica, qualificação
técnica, qualificação econômico-financeira, regularidade fiscal e o
cumprimento da proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a
menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis
anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos.
c. classificação: abrem-se os envelopes das propostas dos licitantes
habilitados, Verifica-se a conformidade de cada proposta com os
requisitos do edital, seguindo-se o julgamento e classificação das
propostas de acordo com os critérios de avaliação objetivos também
constantes do edital, em conformidade com os tipos de licitação, os
critérios previamente estabelecidos no ato convocatório e de acordo
com os fatores exclusivamente nele referidos.
d. homologação: é a aprovação de todo o procedimento, levada a
cabo pela autoridade competente.
e. adjudicação: é a atribuição do objeto ao vencedor do certame, feita
pela mesma autoridade que homologa o procedimento. São efeitos da
adjudicação:
I. aquisição do direito de contratar com a Administração nos termos
em que vencida a licitação;
II. vinculação do vencedor a todos os encargos previstos no
edital e aos prometidos na proposta;
III. sujeição às penalidades previstas no edital e perda de
eventuais garantias ofertadas, se deixar de assinar o contrato no
prazo e condições estabelecidas;
IV. impedimento de a Administração contratar o objeto licitado
com qualquer outro;
55
V. liberação dos vencidos dos encargos da licitação.
341. Procedimentos na tomada de preços (fases): praticamente tem o
mesmo procedimento da concorrência, com as seguintes peculiaridades:
a. edital: antecedência de trinta ou quinze dias, a depender do caso.
b. habilitação: prévia ao procedimento de licitação, para os
cadastrados, e durante o procedimento para os que atenderem a todas
as condições exigidas para cadastramento, até o terceiro dia anterior à
data do recebimento das propostas, observada a necessária
qualificação.
342. Procedimentos no convite (fases): é simplificado, sem a
obrigatoriedade de comissão:
a. carta-convite: é enviada a pelo menos três licitantes, com cinco dias
úteis de antecedência. Também deve ser afixada, em local apropriado,
cópia do instrumento convocatório, não se exigindo publicação no Diário
Oficial, que é facultada.
b. habilitação: prévia, através de cadastro próprio. Poderão também
participar os demais cadastrados na correspondente especialidade que
manifestarem seu interesse com antecedência de até 24 (vinte e
quatro) horas da apresentação das propostas.
c. classificação, homologação e adjudicação: com o recebimento
das propostas e posterior verificação do vencedor.
343. Procedimentos no concurso: cada concurso terá seu próprio
regulamento, que deverá indicar:
a. a qualificação exigida dos participantes;
b. as diretrizes e a forma de apresentação do trabalho;
c. as condições de realização do concurso e os prêmios a serem
concedidos;
d. o prêmio ou remuneração ao vencedor, não havendo correlação entre
esse valor e a qualidade do trabalho vencedor.
344. O edital do concurso deve ser publicado com antecedência mínima de
quarenta e cinco dias.
345. Procedimentos no leilão: de maneira semelhante à anterior, a Lei
também remete à “legislação pertinente” as regras procedimentais. Exige
demonstração do interesse público e prévia avaliação, que será considerada
como preço mínimo para arrematação. A publicação do edital deve ser feita
com antecedência mínima de quinze dias. O edital de leilão deve ser
amplamente divulgado, principalmente no município em que se realizará.
56
346. Procedimentos no pregão (fases):
a. interna ou preparatória: justificativa da necessidade de contratação,
definição do objeto do certame, fixação das exigências de habilitação,
critérios de aceitação das propostas, sanções por inadimplemento e
cláusulas do contrato, inclusive com fixação dos prazos para
fornecimento.
b. externa:
I. edital: publicação em diário oficial do respectivo ente federado
ou, não existindo, em jornal de circulação local, fixando um prazo
para a apresentação das propostas, contado a partir da publicação
do aviso, que não será inferior a 8 (oito) dias úteis.
II. julgamento e classificação: em sessão pública, com
entrega dos envelopes com o preço oferecido, que
serão abertos e conferidos com as regras do
edital. Apósa verificação das propostas escritas, iniciam-
se as ofertas verbais, sucessivas e decrescentes. Participam
dessa fase apenas o que ofertou o menor valor e os autores das
ofertas com preços até 10% superiores àquele. Não havendo pelo
menos 3 (três) ofertas nessas condições, poderão os autores das
melhores propostas, até o máximo de 3 (três), oferecer novos
lances verbais e sucessivos, quaisquer que sejam os preços
oferecidos. Para julgamento e classificação das propostas, será
adotado o critério de menor preço, observados os prazos
máximos para fornecimento, as especificações técnicas e
parâmetros mínimos de desempenho e qualidade definidos no
edital.
III. habilitação do vencedor: ocorre após a
classificação das propostas. Procede-se à abertura do envelope da
documentação do vencedor, apenas. Deverá apresentar o que
estiver expresso no edital, incluindo, necessariamente,
comprovação de que está em situação regular perante a Fazenda
Nacional, a Seguridade Social e o Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço - FGTS, e as Fazendas Estaduais e Municipais,
bem como habilitação jurídica e
qualificações técnica e econômico-financeira. Poderão deixar de
apresentar os documentos de habilitação que já constem de
cadastros de fornecedores específicos.
IV. adjudicação: é a atribuição do objeto ao licitante
vencedor, feita pela autoridade competente, logo após a decisão dos
recursos.
V. homologação: é a última fase do pregão, de competência
57
da autoridade competente, confirmando a regularidade de todo
o procedimento e convocando o adjudicatário para assinar o
contrato no prazo definido em edital. Se o licitante vencedor,
convocado

58
dentro do prazo de validade da sua proposta, não celebrar o
contrato, o pregoeiro examinará as ofertas subseqüentes e a
qualificação dos licitantes, na ordem de classificação, e assim
sucessivamente, até a apuração de uma que atenda ao edital,
sendo o respectivo licitante declarado vencedor.
347. A autoridade competente para a aprovação do procedimento somente
poderá revogar a licitação por razões de interesse público, decorrente de
fato superveniente devidamente comprovado, pertinente e suficiente para
justificar tal conduta, devendo anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por
provocação de terceiros, mediante parecer escrito e devidamente
fundamentado.
348. Poderá também ser revogada a licitação quando o convocado não
assinar o termo de contrato ou não aceitar ou retirar o instrumento
equivalente no prazo e condições estabelecidos.
349. A anulação do procedimento licitatório por motivo de ilegalidade não
gera obrigação de indenizar, em regra, mas será cabível se a ilegalidade é
imputável à própria Administração, que deve responsabilizar os culpados.
350. O fato de já ter sido celebrado e consumado não afasta a possibilidade
da decretação de sua nulidade.
351. Quando exista anulação ou revogação da licitação, é possível a
interposição de recurso, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, a contar da
intimação, com possibilidade de ser concedido efeito suspensivo pela
autoridade competente, por decisão devidamente motivada e presentes
razões de interesse público.
352. A declaração de nulidade do contrato administrativo opera
retroativamente (“ex tunc”).
353. Cabe recurso, a ser interposto no prazo de 5 (cinco) dias úteis, a
contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, nos casos de:
a. habilitação ou inabilitação do licitante;
b. julgamento das propostas;
c. anulação ou revogação da licitação;
d. indeferimento do pedido de inscrição em registro cadastral, sua
alteração ou cancelamento;
e. rescisão do contrato, quando determinada por ato unilateral e escrito
da Administração (nos casos previstos no inciso I do art. 79);
f. aplicação das penas de advertência, suspensão temporária ou de
multa.

59
354. Os dois primeiros do item anterior terão sempre efeito suspensivo. Os
demais poderão ter esse mesmo efeito, atribuído pela autoridade
competente, motivadamente e presentes razões de interesse público.
355. Quando não couber recurso, poderá interpor representação, no prazo
de 5 (cinco) dias úteis após intimado da decisão relacionada com o objeto da
licitação ou do contrato.
356. Cabe pedido de reconsideração, de decisão de Ministro de Estado,
ou Secretário Estadual ou Municipal, conforme o caso, na hipótese de
declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração
Pública, no prazo de 10 (dez) dias úteis da intimação do ato.
357. No caso do pregão, declarado o vencedor, qualquer licitante poderá
manifestar imediata e motivadamente a intenção de recorrer, quando lhe
será concedido o prazo de 3 (três) dias para apresentação das razões do
recurso.

60
CAPÍTULO X
CONTRATOS ADMINISTRATIVOS

358. Contrato é um acordo de vontades entre as partes, com o fim de


adquirir, resguardar, transferir, modificar, conservar, ou extinguir direitos. São
bilaterais, com manifestações livres de ambas as partes. Não podem ferir a
legislação, devem ter objeto lícito e possível, e contratantes capazes.
359. São contratos da Administração todos aqueles efetivados pela
Administração Pública, seja qual for o regime.
360. Dentre esses, uma das espécies é o contrato administrativo,
expressão reservada para designar tão-somente os ajustes que a
Administração, nessaqualidade, celebra com pessoas físicas ou
jurídicas, públicas ou privadas, para a consecução de fins públicos,
segundo regime jurídico de direito público.
361. Os contratos administrativos propriamente ditos são aqueles em
que a Administração atua com supremacia sobre o particular, seguindo
regras do direito público, em face da supremacia do interesse público sobre
o particular e da indisponibilidade desse interesse público.
362. Esses contratos administrativos, em regra, são formais, onerosos,
comutativos, “intuitu personae” (celebrados em função das características
pessoais do contratado) e precedidos de licitação, exceto se dispensável
ou inexigível.
363. Têm presente a Administração, na qualidade de Poder Público,
atendem ao interesse público e às regras formais previstas na lei.
364. Contratos de adesão são aqueles nos quais as cláusulas são
propostas por uma das partes (a Administração Pública), e à outra cabe
aceitar ou não as condições impostas, não podendo alterar, incluir ou
suprimir cláusulas.
365. Em regra, é proibida a subcontratação. Mas o contratado, na execução
do contrato, sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, poderá
subcontratar partes da obra, serviço ou fornecimento, até o limite admitido,
em cada caso, pela Administração. A proibição é absoluta no caso de
empresa de prestação de serviços técnicos especializados que apresente
relação de integrantes de seu corpo técnico em procedimento licitatório ou
como elemento de justificação de dispensa ou inexigibilidade de licitação.
366. Cláusulas exorbitantes são as que caracterizam os contratos
administrativos, em prol do interesse público. Elas ultrapassam os limites do
direito privado, onde são mesmo inadmissíveis. Neste tipo de contrato, onde
61
há supremacia estatal, são obrigatórias. Nos contratos privados, proibidas,
pois colocam uma parte em posição privilegiada.
367. São algumas cláusulas exorbitantes: exigência de garantia,
alteração unilateral, rescisão unilateral, poder de fiscalização, aplicação de
penalidades, restrições ao uso da “exceptio non adimpleti contractus”,
retomada do objeto.
368. Exigência de garantia: tem como principal objetivo assegurar o
cumprimento do contrato. Pode ser:
a. caução em dinheiro ou títulos da dívida pública;
b. seguro-garantia;
c. fiança bancária.
369. A Administração, e somente ela, tem o poder de alterar
unilateralmente o contrato, para melhor adequação às finalidades de
interesse público, respeitados os direitos do contratado:
a. quando houver modificação do projeto ou das especificações, para
melhor adequação técnica aos seus objetivos;
b. quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência
de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites
permitidos pela Lei.
370. Limites de alterações:
a. regra geral: acréscimos ou supressões de até 25% (vinte e cinco
por cento) do valor inicial atualizado do contrato;
b. reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50%
(cinqüenta por cento) para os seus acréscimos, permanecendo os
mesmos 25% (vinte e cinco por cento) para supressões;
c. por acordo entre os contratantes: qualquer percentual para
supressões (note-se que aqui não se trata de cláusula exorbitante, pois
prevê acordo entre as partes). Devem sempre respeitar o equilíbrio
econômico-financeiro do contrato.
371. Poderá a Administração rescindir os contratos, unilateralmente e
por escrito, nos casos seguintes:
a. não cumprimento ou cumprimento irregular do mesmo;
b. lentidão do seu cumprimento;
c. atraso injustificado no início da obra, serviço ou fornecimento, ou a
sua paralisação sem justa causa e prévia comunicação à
Administração;
62
d. subcontratação total ou parcial do seu objeto, associação do
contratado com outrem, cessão ou transferência, total ou parcial, bem
como fusão, cisão ou incorporação, não admitidas no edital e no
contrato;
e. desatendimento das determinações regulares da autoridade
designada para acompanhar e fiscalizar a sua execução, assim como as
de seus superiores;
f. cometimento reiterado de faltas na sua execução, anotadas em
registro próprio, pelo representante da Administração;
g. decretação de falência ou instauração de insolvência civil;
h. dissolução da sociedade ou falecimento do contratado;
i. alteração social ou modificação da finalidade ou da estrutura da
empresa, que prejudique a execução do contrato;
j. razões de interesse público, de alta relevância e amplo
conhecimento, justificadas e determinadas pela máxima autoridade da
esfera administrativa a que está subordinado o contratante e exaradas
no processo administrativo a que se refere o contrato;
k. ocorrência de caso fortuito ou de força maior, regularmente
comprovada, impeditiva da execução do contrato.
372. A rescisão será sempre motivada nos autos do processo,
assegurado o contraditório e a ampla defesa. Em alguns casos, sem culpa
do contratado, poderá haver indenização (j e k retro).
373. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por um
representante da Administração especialmente designado, permitida a
contratação de terceiros para assisti-lo e subsidiá-lo de informações
pertinentes a essa atribuição.
374. A Administração tem o poder de aplicar penas pelas faltas verificadas
no decorrer da execução contratual.
375. Sanções:
a. advertência;
b. multa;
c. suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de
contratar com a Administração, por prazo não superior a 2
(dois) anos;
d. declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a
Administração Pública, enquanto perdurarem os motivos determinantes
63
da punição ou até que seja promovida a reabilitação perante a própria
autoridade que aplicou a penalidade. Essa reabilitação será concedida
sempre que o contratado ressarcir a Administração pelos prejuízos
resultantes e após decorrido o prazo da sanção aplicada com base no
item anterior.
376. Restrições ao uso da “exceptio non adimpleti contractus”: essa
exceção não pode ser oposta à Administração, ou seja, ainda que ela
deixe de cumprir sua parte, cabe ao contratado continuar cumprindo a sua,
em obediência ao princípio da continuidade do serviço público. Essa
prerrogativa é temporária, pois o contratado está impedido de usar esse meio
de defesa apenas durante os primeiros noventa dias de atraso. Após esse
prazo, poderá interromper a execução do contrato ou rescindi-lo, com direito
à indenização.
377. “Pacta sunt servanda”: os pactos devem ser cumpridos como
combinado. Não é uma exclusividade do particular, mas sim de ambas as
partes, que respondem pelas conseqüências da inexecução total ou parcial
do contrato.
378. O contratado é responsável pelos danos causados diretamente à
Administração ou a terceiros, decorrentes de sua culpa ou dolo na execução
do contrato, não excluindo ou reduzindo essa responsabilidade a fiscalização
ou o acompanhamento pelo órgão interessado. A presença da fiscalização
não retira do contratado a responsabilidade por seus atos, mas apenas
acompanha a execução, orientando e, se for o caso, intervindo e até
interditando a obra ou serviço.
379. É de sua responsabilidade também os encargos trabalhistas,
previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato.
380. A forma natural de extinção do contrato é o cumprimento do seu
objeto, seja a construção da obra contratada, a entrega dos bens adquiridos,
o fim do prazo de prestação de determinado serviço etc. Nesses casos, há o
adimplemento do contrato.
381. Outras formas de extinção do contrato: anulação e revogação.
382. A anulação tem lugar a qualquer tempo, tanto administrativamente
quanto pelo Judiciário, sempre que for identificada ilegalidade. A anulação
da licitação macula de nulidade também o contrato. Não gera direito de
receber indenização. No entanto, o contratado deve receber pelo que houver
executado, até a data em que ela for declarada, e por outros prejuízos
regularmente comprovados, contanto que não lhe seja imputável,
promovendo-se a responsabilidade de quem lhe deu causa.
383. A rescisão extingue o contrato antes de seu término, e pode ser
unilateral, pela Administração, amigável, por acordo entre as partes, ou,
64
ainda, judicial. Como regra geral, a parte que deu causa à rescisão deve
indenizar a parte inocente.
384. A inexecução poderá ser culposa ou sem culpa (em sentido amplo)
das partes. Neste segundo caso, haverá sempre uma justificativa admitida
pelo Direito, desonerando as partes de suas responsabilidades (Teoria da
Imprevisão).
385. Se a inexecução foi culposa, cabe aplicação das penalidades prevista
na legislação e no contrato. Além disso, se advém do contratado, é motivo
para rescisão unilateral do contrato e demais conseqüências previstas na lei.
Por outro lado, se é da Administração, cabe indenização ao contratado, bem
assim a devolução da garantia, os pagamentos devidos pela execução do
contrato, até a data da rescisão, e ressarcimento do custo da
desmobilização.
386. Teoria da imprevisão (“rebus sic stantibus”). Requisitos:
a. imprevisibilidade. Se previsível, deve ser de conseqüências
incalculáveis;
b. independência de participação culposa ou dolosa das partes.
387. Espécies:
a. força maior;
b. caso fortuito;
c. fato do príncipe;
d. fato da administração.
388. Força maior e caso fortuito: acontecimentos imprevisíveis e
inevitáveis que geram a possibilidade de revisão contratual para restabelecer
o equilíbrio econômico e financeiro do contrato, quando onerem
demasiadamente o pacto inicial. Se impossível o cumprimento do acordado,
haverá rescisão sem culpa das partes.
389. Podem ser eventos da natureza (terremoto, furacão, enchente não
previsíveis) ou humanos (guerra, revolução, greve).
390. Tem-se um fato do príncipe sempre que uma determinação estatal,
não diretamente relacionada com o contrato, atinja-o de forma a onerar
demasiadamente ou impossibilitar seu cumprimento. Assim, é um ato de
autoridade geral que, pela via transversa, atinge o contrato (aumento não
previsto de tributo, proibição de importação de mercadoria fundamental para
cumprimento do objeto etc).
391. É considerado fato da administração a ordem ou omissão estatal
que diretamente atinge o contrato, inviabilizando seu regular cumprimento
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ou tornando-o exageradamente oneroso (não liberação, por parte da
Administração, de área para execução de obra).
392. Contratos de concessão: subdividem-se em concessão de serviços
públicos, obras públicas ou uso de bem público. Consubstanciam-se no
ajuste entre o particular e a Administração, através do qual esta delega ao
concessionário a execução remunerada de um serviço público ou de obra
pública, ou, ainda, concede-lhe o uso de bem público, que o explora por sua
conta e risco, durante o prazo e sob as condições da lei e do contrato.
393. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas:
a. ao objeto, à área e ao prazo da concessão;
b. ao modo, forma e condições de prestação do serviço;
c. aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da
qualidade do serviço;
d. ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e
a revisão das tarifas;
e. aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da
concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades
de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização,
aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações;
f. aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do
serviço;
g. à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos
métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos
órgãos competentes para exercê-la;
h. às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a
concessionária e sua forma de aplicação;
i. aos casos de extinção da concessão;
j. aos bens reversíveis;
k. aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações
devidas à concessionária, quando for o caso;
l. às condições para prorrogação do contrato;
m. à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas
da concessionária ao poder concedente;
n. à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas
da concessionária; e

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o. ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais.
394. Os contratos relativos à concessão de serviço público precedido da
execução de obra pública deverão, adicionalmente:
a. estipular os cronogramas físico-financeiros de execução das obras
vinculadas à concessão; e
b. exigir garantia do fiel cumprimento, pela concessionária, das
obrigações relativas às obras vinculadas à concessão.
395. Permissão de serviço público é a delegação, a título precário,
mediante licitação da prestação de serviços públicos, feita pelo poder
concedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capacidade para seu
desempenho, por sua conta e risco. Será formalizada mediante contrato de
adesão, que observará os termos da lei, das demais normas pertinentes e
do edital de licitação, inclusive quanto à precariedade e à revogabilidade
unilateral do contrato pelo poder concedente.
396. Permissão: dar-se-á apenas através de contrato de adesão, precário
e revogável unilateralmente.
397. Contrato de obra pública: é o ajuste entre a Administração e o
particular para construir, reformar, fabricar, recuperar ou ampliar bem
móvel ou imóvel, por execução direta ou indireta.
a. Direta: feita pelos órgãos e entidades da Administração, pelos
próprios meios.
b. Indireta: órgão ou entidade contrata com terceiros sob quaisquer dos
seguintes regimes:
I. empreitada por preço global: quando se contrata a execução
da obra ou do serviço por preço certo e total;
II. empreitada por preço unitário: quando se contrata a
execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades
determinadas;
III. tarefa: quando se ajusta mão-de-obra para pequenos trabalhos
por preço certo, com ou sem fornecimento de materiais;
IV. empreitada integral: quando se contrata um empreendimento
em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras,
serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da
contratada até a sua entrega ao contratante em condições de
entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para
sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional
e com as características adequadas às finalidades para que foi
contratada.
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398. Contrato de serviços: envolve toda atividade destinada a obter
determinada utilidade de interessepara a Administração, tais como:
demolição, conserto, instalação, montagem, operação, conservação,
reparação, adaptação, manutenção, transporte, locação de bens,
publicidade, seguro ou trabalhos técnico-profissionais.
399. O contrato que tiver por objeto a aquisição de coisas móveis, como
papel, computadores, gasolina, é dito de fornecimento.
400. Poderá ser contratado o fornecimento integral, feito de uma única vez,
e assemelhado ao contrato de compra e venda. Também poderá ser
estipulado que a entrega será parcelada, sabendo-se a quantidade total
contratada, como contrato para fornecer dez automóveis, um por mês. Por
fim, pode, ainda, ser estipulado que o fornecimento seja contínuo, situação
na qual há entrega de certo bem durante o tempo de vigência do contrato,
como combustível durante um ano.

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CAPÍTULO XI
PARCERIAS PÚBLICO-PRIVADAS – PPP

401. Parceria público-privada – PPP: é nova modalidade de


relacionamento entre o setor público e o privado (Lei nº 11.079/2004). Tal Lei
institui normas gerais para licitação, contratação e execução de obras
públicas pelo setor privado, em todos os entes da federação. Aplica-se aos
órgãos da Administração Pública direta, aos fundos especiais, às autarquias,
às fundações públicas, às empresas públicas, às sociedades de economia
mista e às demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União,
Estados, Distrito Federal e Municípios.
402. Parceria público-privada é o contrato administrativo de concessão
nas seguintes modalidades:
a. Concessão patrocinada é a concessão de serviços públicos ou de
obras públicas tratadas pela Lei no 8.987/95 (Lei das concessões e
permissões), quando envolver, adicionalmente à tarifa cobrada dos
usuários, contraprestação pecuniária do parceiro público ao parceiro
privado;
b. Concessão administrativa é o contrato de prestação de serviços de
que a Administração Pública seja a usuária direta ou indireta, ainda que
envolva execução de obra ou fornecimento e instalação de bens.
403. É vedada a celebração de contrato de parceria público-privada:
a. valores do contrato inferiores a R$ 20.000.000,00 (vinte milhões de
reais);
b. período de prestação do serviço inferior a 5 (cinco) anos;
c. contrato que tenha como objeto único o fornecimento de mão-de-
obra, o fornecimento e instalação de equipamentos ou a execução de
obra pública.
404. O prazo de vigência do contrato, que é cláusula obrigatória, será de,
no mínimo, 5 (cinco) anos, não podendo ser superior a 35 (trinta e cinco)
anos, incluindo eventual prorrogação, devendo observar período compatível
com a amortização dos investimentos realizados.
405. O julgamento poderá ser precedido de etapa de qualificação de
propostas técnicas, desclassificando-se os licitantes que não alcançarem a
pontuação mínima, os quais não participarão das etapas seguintes.
406. Poderá adotar como critérios:
a. menor valor da tarifa do serviço público a ser prestado;
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b. melhor proposta em razão da combinação dos critérios de menor
valor da tarifa do serviço público a ser prestado com o de melhor
técnica;
c. menor valor da contraprestação a ser paga pela Administração
Pública;
d. melhor proposta em razão da combinação do critério anterior com o
de melhor técnica, de acordo com os pesos estabelecidos no edital.
407. O edital definirá a forma de apresentação das propostas
econômicas, admitindo-se:
a. propostas escritas em envelopes lacrados; ou
b. propostas escritas, seguidas de lances em viva voz, que serão
sempre oferecidos na ordem inversa da classificação das propostas
escritas, sendo vedado ao edital limitar a quantidade de lances. No
entanto, poderá restringir a apresentação de lances em viva voz aos
licitantes cuja proposta escrita for no máximo 20% (vinte por cento)
maior que o valor da melhor proposta.
408. O edital também poderá prever a inversão da ordem das fases de
habilitação e julgamento. Nessa hipótese, valem as seguintes regras:
a. encerrada a fase de classificação das propostas ou o oferecimento de
lances, será aberto o invólucro com os documentos de habilitação do
licitante mais bem classificado, para verificação do atendimento das
condições fixadas no edital;
b. verificado o atendimento das exigências do edital, o licitante será
declarado vencedor;
c. inabilitado o licitante melhor classificado, serão analisados os
documentos habilitatórios do licitante com a proposta classificada em 2º
(segundo) lugar, e assim, sucessivamente, até que um licitante
classificado atenda às condições fixadas no edital;
d. proclamado o resultado final do certame, o objeto será adjudicado ao
vencedor nas condições técnicas e econômicas por ele ofertadas.

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